Tenho uma velha mala verde, onde guardo meus sonhos e ilusões. E quem não possui a sua mala verde?
Guardo ali, muitas cartas de amor e também aquelas que nunca foram enviadas, retratos, recortes de jornal, mensagens, poesias, projetos de vida, todas encerradas num grande coração.
É sempre com emoção que abro minha velha mala, e releio tudo que nela contém, pois são minhas vivências mais secretas. Tenho embarcado e desembarcado dos meus sonhos, sem nunca saber o rumo do meu destino.
Um dia, quiseram destruir minha mala de esperanças, quase morri de tristeza...
Estou sempre à procura da passagem para o trem que há de vir, mas que não veio ou já passou.
E, fico ali, na estação da vida, às vezes desalentada, mas logo diviso o trem que me parece apontar lá no horizonte, como a nuvem azul, que me enche de alegria....
Outras, o trem pára na estação e não me deixam embarcar , porque não tenho a passagem e em outras, ainda, chego atrasada e vejo o trem que partiu e sumiu no ocaso dourado, onde o sol se põe....
E nas noites enluaradas, sento-me na velha e surrada mala verde e conto às estrelas as minhas mágoas, esperando que elas me entendam..
Então, como num milagre, passa uma estrela guia e os pássaros, que são meus amigos, emprestam-me suas asas e vôo em direção a ela, agarrada à mala dos sonhos e flutuamos por um céu azul ftalo, nunca imaginado.
Passamos pelas constelações de estrelas, as mais brilhantes e descubro que existe ali, um mágico trem, onde reconheço o maquinista, que me sorri, docemente, estendendo a mão com o seu coração...
Pela primeira vez, ninguém me pede passagem para o trem das ilusões e o meu sorriso se abre, escancarado, como um alegre e iluminado girassol e o meu coração, em tom maior, bate aos acordes de Alegria, Alegria da 9ª Sinfonia de Beethoven, em coro de serafins...
Tenini
