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Jacques de Molay - Homem, herói ou mito?

André Ranulfo

ATENÇÃO MEMBROS DA ORDEM DEMOLAY:

Devido vário e-mail desaforados que recebi de membros da Ordem DeMolay para o Brasil, quero informar que todo material contido nessa página é fruto de pesquisas em vários livros que possuo em minha biblioteca.

Antes que me critiquem ou mandem e-mails desaforados, peço que leiam os livros nos quais consultei para fazer essa pesquisa (a lista está no rodapé). Caso tenham alguma coisa contrária, ou erro meu, peço então que me indiquem em que livro e página se encontram uma afirmativa contrária, que eu terei o imenso prazer de consultar. E caso estiverem corretos, com maior prazer eu corrijo esta página.

Obrigado pela atenção, boa busca.

1- O Homem.

Eleito em Chipre, Jacques de Molay, assumiu o carro de gr�o-mestre em abril de 1293, ap�s a morte do antigo mestre Teobaldo de Gaudin e a queda dos Reinos Latinos na Terra Santa . Molay era origin�rio da pequena nobreza do Franche-Comt�, parte dos p�s-carolingio reino central da Lorena, que fornecera muitos cavaleiros ao Templo, era filho de Jo�o de Longwi e parente da distinta fam�lia Rohan pelo lado materno. Tomou o nome de Molay de uma propriedade na diocese de Besa�on e fora recebido na Ordem em Baune, na Borgonha, em 1265, por dois altos funcion�rios, Humberto de Pairaud, mestre na Inglaterra, e Amauri de La Roche. Por ter treinamento em cavalaria, foi mandado para Outremer. Mestre na Fran�a tinha passou vinte anos Outremer, mas n�o se sabe se estava presente ou n�o durante o s�tio de Acre. Entendia o papel da Ordem do templo no seu n�vel mais simples: combater os infi�is. E quando jovem, vivia reclamando da maneira de como o Templo estava sendo conduzido.

Sem d�vida experiente depois de trinta anos na Ordem, e com toda a certeza competente de muitas formas, Jacques de Molay era tamb�m destitu�do de imagina��o, inflex�vel, n�o possu�a ast�cia e a perspic�cia do gr�o-mestre do Hospital, Folques de Villaret e como ele mesmo disse "era um cavaleiro, iletrado e pobre". O �nico papel que ele conseguiu conceber ao o Templo era a vanguarda numa reconquista da Terra Santa. Para esse fim, ele mantinha a guarni��o na ilha de Ruad, e convocou cavaleiros e sargentos da Europa, a fim de compensar as perdas que a Ordem sofrera em Acre.

Em 1294, Jacques de Molay viajou � Europa para obter apoio a Ordem. E por l� ficou tr�s anos. Ele estava em Roma em dezembro, num momento �nico na hist�ria da Igreja Cat�lica Romana, quando pela primeira vez e �ltima vez um papa, Celestino V, abdicou, sucedendo-lhe um de seus cardeais, com o nome de Bonif�cio VIII. De Roma, Molay viajou a It�lia central, e em seguida a Paris e Londres. Ou pessoalmente, ou por carta, Ele estava contatando todos os monarcas da Europa para que patrocinassem uma nova cruzada. Tamb�m convocou tr�s cap�tulos - em Montpellier, no outono de 1293; em Paris no inverno de 1295-96 e em Arles no Outono de 1296.

O lobby Molay dera algum resultado, conseguiu patroc�nios do papa, isen��es e privil�gios em Chipre, o Rei Carlos II de N�poles isentou a Ordem de taxas de importa��o de alimentos, navios foram contra�dos para Ordem, e em 1293 seis galeras foram compradas em Veneza. Mas isso n�o seria o suficiente para uma cruzada. Por isso voltou para Chipre, encontrou a Ordem com problemas, pois a ilha n�o era suficiente para as necessidades da Ordem e o Rei Henrique, proibia-os de adquirir, conquistar, receber qualquer doa��o de terras.

Sem a Terra Santa, as ordens mon�stico-militares estavam fadadas ao fim pois j� n�o tinha raz�o de existir. E sendo assim, para qu� a Igreja precisava manter bra�os armados permanentes se n�o havia o que defender? O gr�o-mestre dos Hospital�rios, com sua sabedoria e vis�o, enxugou a estrutura da ordem, ensinou muitos de seus membros a ler, dividiu a ordem em 8 na��es ou l�nguas, centrou o centro nervoso em Rhodes, tornando esse centro insular em uma pol�cia mar�tima contra a��o de piratas mu�ulmanos. Ao pa�o que as t�o prometidas reformas de Molay, foi de recordar a regra de total obedi�ncia a ele. Republicou a regra que proibia a leitura com o argumento que todo o tempo dos templ�rios deveriam ser usados para o treinamento de guerra. Quanto a estrutura da ordem tornou-se mais r�gida, mais pesada do que nunca, e enquanto as suas opera��es banc�rias prosperavam, ele pareciam esquecer a sua primitiva miss�o. Jacques de Molay, n�o estava se adaptando para o novo s�culo que se iniciava.

Mesmo com o caminho retr�grado de Molay, a ordem continuava a aumenta suas riquezas. O pr�prio gr�o-mestre ordenou que se economiza-se tudo quanto fosse poss�vel. Ao inv�s de reorganizar a ordem para se estabelecer na Europa, Molay acreditava fanaticamente que a solu��o era a reconquista da Terra Santa, s� assim a crise do Templo seria sanado. Parece que o gr�o-mestre esqueceu da passagem do Mestre: "N�o ajunteis para v�s tesouros na terra; onde a tra�a e a ferrugem os consomem, e onde os ladr�es minam e roubam."

Foi feito um ataque a Terra Santa, mas fora mal planejada e foi um fiasco. Atacaram em 1302, uma pequena guarni��o de Ruad, travou batalha com uma esquadra mu�ulmana. Relatos dizem que templ�rios estavam vivendo na pobreza no Cairo e em 1340, trabalhando como lenhadores perto do Mar Negro. E foi a �ltima batalha dos Templ�rios.

Mesmo com esse ataque frustrado, muita coisa deveria ser repensada para conseguir reconquistar a Terra Santa. Sendo que era in�cio do s�culo XIV, e um novo rei sentava no trono da Fran�a, Filipe IV, tamb�m conhecido como Filipe o Belo, Este que era sobrinho de S�o Lu�s - o rei que virou santo - Filipe jurou tomar a cruz e reconquistar a Terra Santa e torn�-la um reino franc�s no Mediterr�neo. Filipe imaginou criar uma grande for�a para invadir a Terra Santa.

O gr�o-mestre do Templo fora convocado para voltar inc�gnito para a Europa e com um s�quito o menor poss�vel. E Jacques de Molay obedece a instru��o de voltar a Europa. Chegando l�, o povo pode ver uma parada com 60 cavaleiros, em uma bagagem de ouro e pedras preciosas. O cortejo de guerreiros barbudos com o famoso manto branco e a cruz vermelha. Um ato de snobismo e arrog�ncia.

Chegando l�, Molay foi recebido pelo jovem Rei Filipe com honras devidas a um pr�ncipe soberano. At� por que Molay era nobre e gr�o-mestre do Templo. Neste dia conversaram muito, e como uma raposa, Filipe fizera v�rias perguntas simples, nas quais Molay respondia com sinceridade. Chegou at� a confessar inocentemente com o rei, que estava descontente com o comportamento de alguns membros da Ordem. Nessa �poca, havia uma express�o comum quando se referiam jocosamente embriagados: "Bebi como um templ�rio"; "Tu bebes mais que um templ�rio".

Neste dia, Filipe mostrou a Molay um livro com os planos de uma nova cruzada. chamavasse "De Recuparatione Tarrae Sanctae" - Da recupera��o da Terra Santa - Tinha sido escrito por Pedro du Bois. Era um plano que com certeza Molay queria ouvir, e estava completamente em suas aspira��es. Sendo que se desse certo, haveria uma hegemonia da casa dos Capetos. Mas Molay viu o livro e n�o o tomou a s�rio. Talvez mesmo sendo iletrado, Molay n�o era tolo suficiente para concordar com os planos de Filipe. Mesmo sabendo que a Ordem do Templo n�o obedecia a nenhum monarca ou autoridade temporal al�m do papa.

Uma das partes do plano de Filipe era a fus�o da Ordem dos Templ�rios e Hospital�rios. Ao inv�s de v�rios ex�rcitos diferentes, com t�ticas e manobras diferentes, queria uma for�a �nica e coesa. E mais, a economia seria enorme. A solu��o seria fundir a Ordem dos Templ�rios, com a Ordem dos Hospital�rios.

Por quase unanimidade essa era a melhor id�ia j� concebida. Eram novos tempos, no s�culo XIV, as na��es j� haviam aprendido a se fortalecer para se manter. As armas de ataque aos castelos - torres, mangonelas, tribouch�s, catapultas, ar�etes - nem sempre faziam efeitos aos novos castelos intranspon�veis. No final do s�culo XIII, os pr�prios Templ�rios foram os precursores desses tipos de castelos, o mais famoso foi o Castelo dos Peregrinos, que ainda est� de p�. Nas batalhas do s�culo XIV n�o havia espa�o para ataques desordenados sem estrat�gia. Por isso, v�rios grupos diferentes acabavam se desentendendo no campo de batalha e era derrota na certa. Todos naquela �poca sabiam disso, todos concordavam em fundir as duas ordens, todos exceto um homem, Jacques de Molay.

Em resposta ao papa Molay manda uma carta. At� reconhece que a id�ia da fus�o � boa, mas disse que se as duas ficassem separadas seria melhor. Como argumentos nada plaus�veis, Molay diz que os Hospital�rios serviam para fazer a caridade, do mesmo modo que os Templ�rios serviam para empunhar a espada. Disse tamb�m que o dem�nio induziriam os irm�os a brigar (!) Numa outra ocasi�o, Molay deu como argumento o problema das regras, vistos que as regras dos Templ�rios eram mais r�gidas do que a dos Hospital�rios. Numa outra ocasi�o, ele indagou que na fus�o, algumas pessoas iriam ter que perder seus cargos. Muitos pesquisadores acreditam que Molay na verdade tinha era medo de perder seu posto de gr�o-mestre.

O que Jacques de Molay queria era fazer uma cruzada do modelo cl�ssico, totalmente ultrapassado. Queria que os reis da Fran�a e Inglaterra, Alemanha, Sic�lia e Espanha recrutassem de 12.000 a 14.000 cavaleiros, 5.000 soldados de infantaria e que as rep�blicas mar�timas italianas transportassem esse contingente at� Chipre, para come�ar a reconquista da Terra Santa.

Foram deitas duas reuni�es entre o papa Clemente V, o gr�o-mestre do Hospital Foulques de Villaret e Molay. Nessas reuni�es onde se discutiam as cruzadas Molay teimava em n�o fundir as Ordens. Numa delas, al�m da habitual teimosia, Molay reclama de cal�nias e difama��es sobre a Ordem e pediu para que o Papa abrisse uma investiga��o.

Sem d�vida satisfeito de que seu pedido de investiga��o tivesse sido atendido, Jacques de Molay convoca um cap�tulo no dia 24 de julho. Como as reuni�es templ�rias eram secretas e n�o se registrava nada por escrito, n�o se sabe o que foi decidido. Por�m, logo depois do conc�lio, foi mandado uma circular por toda a Ordem lembrando a regra que proibia a todos os irm�o falarem dos ritos e das pr�ticas da Ordem a qualquer um que n�o pertencesse a Ordem. Foi dado tamb�m uma aviso para todos aqueles que quisessem sair da Ordem, que sa�ssem o mais r�pido poss�vel e uma frota de navios da frota do Templo zarpou misteriosamente, alguns acreditam, com o tesouro de Templo.

Mesmo que as a��es que foram tomadas fossem inteligentes, Molay havia relaxado completamente �s suas aten��es as cal�nia e difama��es da Ordem. Os Templ�rios eram a Ordem de maior tr�fico de influ�ncia e riquezas de seus tempo. Nobres de in�meras fam�lias mais poderosas ocupavam lugares de destaque em cortes de toda Europa. Sendo um pouco mais perspicaz, a ordem poderia usar de sua posi��o e influ�ncia para sanar esse problema. Mas ao contr�rio, Jacques de Molay voltava sua total aten��o a uma nova cruzada.

Enquanto Filipe - o belo come�ava a agir na surdina, o gr�o-mestre do Templo vai depreocupadamente a Paris. No dia 12 de outubro de 1307, foi um dos que carregaram o caix�o do funeral da cunhada do rei Filipe, Catarina de Courtenay, esposa de Calos de Valois. No dia seguinte, na sexta-feira, foi preso os outros templ�rios no complexo do Templo al�m dos limites de Paris junto com 5.000 templ�rios, s� cerca de 20 conseguiram de alguma forma n�o ser capturado.

No dia 25 de Outubro, Jacques de Molay, depois de uma sess�o da Inquisi��o, confessou que mesmo que sua ordem outrora tivesse sido santa:

"...a ast�cia do inimigo da esp�cie humana [o dem�nio], que estava sempre a procura de tudo quanto pudesse tinha-o conduzido a tal pecado de perdi��o que havia j� a muito tempo os que eram recebidos na Ordem negavam o Senhor Jesus Cristo, nosso Redentor, na sua recep��o, n�o sem a triste perda das suas almas, e cuspiam numa cruz com e ef�gie de Jesus Cristo [...] em desprezo dele, e na dita recep��o cometiam outras enormidades do mesmo g�nero."

Depois de confessar que havia tripudiado e cuspido na cruz, negado a Cristo, Jacques de Molay reconheceu que tais heresias haviam sido descobertas pelo "cristian�ssimo" Rei Filipe IV. E rogou para que o Papa os absolvessem e sofressem a justi�a da Igreja. O que se seguiu foi uma carta feita por Molay, aconselhando a todos os irm�os a confessar as pr�ticas pecadoras; e confiss�es n�o faltaram.

O padr�o das confiss�es muito se assemelhavam. Inclusive o irm�o Hugues de Pairaud confessou que se submetera a um ritual her�tico com um �dolo em forma de cabe�a ," que dava aos Templ�rios todo o poder mundano e toda sua riqueza, que fazia com que �rvores florissem e a terra fosse f�rtil, e que levava a morte aos seus inimigos."

Lembremos sempre que as confiss�es eram feitas sob tortura, uma declara��o de um templ�rio ficou famosa. "Todos os delitos imputados � Ordem eram verdadeira e que confessaria at� que Tinha matado o Senhor se lho pedissem".

Os discursos do gr�o-mestre eram lindos, com ret�ricas ardentes, mas sem conte�do. Muitas vezes, quando discutia com algu�m mais s�bio que ele, come�ava a gritar, e gritar coisas como : "Somos os defensores da cristandade, a espada de Deus contra os infi�is" ou coisas do tipo.

Molay estava t�o confuso nessa �poca, que depois de dois anos de pris�o, j� embolara o que tinha confessado, ou revogado. O pr�prio Guilherme de Plaisans o advertiu que tomasse cuidado para n�o "sucumbir a uma armadilha preparada a si mesmo".

Quando voltou a ficar perante a comiss�o no dia 28 de novembro, disse que n�o poderia preparar uma defesa pois era iletrado. S� disse tr�s coisas em defesa da Ordem: Primeiro que a liturgia templ�ria era mais bela do que em quaisquer catedrais; que a Ordem era pr�diga em suas caridade; e que nenhuma ordem tinha derramado tanto sangue em defesa da f� ou era tinha tanto respeito dos inimigos sarracenos. A comiss�o n�o se sensibilizou com os argumentos de Molay. Depois insistiu que acreditava na Sant�ssima Trindade e na f� cat�lica.

No fim da Inquisi��o, Jacques de Molay, Hugues de Pairaud e mais 60 templ�rios negaram suas confiss�es. E isso deixou Filipe furioso, pois queria que a Ordem fosse culpada para poder ser dissolvida, e seus bens ca�ssem em suas m�os.

Houve um per�odo de defesa da Ordem que durou 7 anos onde 599 valorosos templ�rios defenderam o Ordem negando as suas confiss�es. Dentre eles Pierre de Bolonha e Renaud de Provins, estes com conhecimento de direito defenderam a Ordem. (leia sobre eles na p�gina "O fim da Ordem) Pr�ximo a Paris, 54 templ�rios foram queimados vivos por negarem as confiss�es e defender a Ordem (alguns autores chegam afirmar 75). E Isso acabou com todo aquele levante. Muitos templ�rios preferiram se recolheram e se calar. Aimery de Villiers-le-Duc, foi interrogado dois dias depois, e declara que "preferia manter as confiss�es a morrer a estaca."

Nesse mesmo per�odo de defesa do Ordem, Molay pouco se manifestou. Em 26 de novembro tentou defender a Ordem, mas lhe faltava tato. N�o por ser analfabeto, mas n�o conseguia a se adaptar ao crescente legalismo do per�odo. Diferente dos Hospital�rios, que contrataram servi�os de aconselhamento jur�dico. O famoso historiador Piers Paul Read, em seu livro "Os Templ�rios", o compara ao personagem Don Quixote tamanha era sua turva percep��o. Perdido, reconheceu que estava lutando uma batalha que n�o estava preparado. Numa ocasi�o chegou a dizer que para lidar com aquele tipo de circunst�ncia, somente usado as pr�ticas t�taras e sarracena, que "decepavam a cabe�a dos malfeitores (...) ou os cortavam ao meio".

O ex-gr�o-mestre ficaria preso at� o dia 18 de Mar�o de 1314. Nessa data, ele mais o preceptor da Aquit�nia, Godfroi de Gonnevile; o preceptor da Normandia, Godfroi de Charney; o tesoureiro e visitador do Templo da Fran�a, Hugues de Pairaud foram ouvir suas confiss�es e confirm�-las. Se confessassem, receberiam o perd�o da igreja, e a penit�ncia da pris�o perp�tua para a purifica��o de suas almas. Gonneville e Pairaud confessaram, mas Molay e Charney negaram as acusa��es. E pela as regras da inquisi��o, isso � heresia, e foram queimados naquele mesmo dia numa na ilha �le-de-Javiaux nas margens do Sena. Relatos diziam que Molay ficara calmo todo o templo.

2- O Mito

Quanto a famosa lenda da maldi��o Jacques de Molay convocou Filipe IV e Clemente V foi verdade? Bem, Clemente morreu de um mal estar, teve diarr�ias e em 20 de abril, 32 dias ap�s a morte de Molay. E o Rei Filipe morreu em 29 de novembro atacado por um javali. E nos catorze anos que se seguiram, cada um dos tr�s filhos de Filipe que se tornaram rei, morreram, sendo o fim da dinastia dos reis capetinos. A Fran�a caiu em uma dilacerada disputa, e numa linha t�o clara e direta como a dos Capetos, as convuls�es do reino conduziram a Guerra dos 100 anos com a Inglaterra.

Pelo menos, o rei e o papa morreram em menos de um ano. E os descendentes de Filipe nunca mais subiriam ao trono. Seria a maldi��o se cumprindo?

� muito dif�cil dizer, at� por que, n�o se sabe se a linda cena que vimos realmente aconteceu. Pelo que se consta nenhum cronista da �poca relatou a maldi��o. Todas as testemunhas que relataram por escrito a execu��o de Charney e Molay n�o citam a maldi��o. Mas, a calma assombrosa de Molay � sempre citada. E os primeiros documentos que citam a maldi��o s�o bem d�cadas posteriores ao fato. Mas se n�o houve maldi��o, o que aconteceu?

Quanto ao Papa Clemente V, alguns pesquisadores especulam de um ato de vingan�a dos templ�rios fugitivos. Sabe-se que os templ�rios mantinham la�os diplom�ticos com a Seita dos Assassinos e eles por suas vez eram peritos em venenos. Poderia ter sido um assassinato? E no caso de Filipe, soltar um javali num momento de lazer despreocupado seria uma morte sem levantar suspeitas. E n�o seria imposs�vel, contando a influ�ncia que a Ordem do Templo tinha com in�meras fam�lias nobres, arquitetar um complot para acabar de vez com a dinastia dos capetinos. E com certeza, muitas fam�lias nobres sonhavam em ter um s� oportunidade de subir ao trono da Fran�a.

A hist�ria mostra, que o principal inimigo da Ordem do Templo era o pr�prio Jacques de Molay. Sua incompet�ncia, fanatismo, teimosia e tamanha falta de vis�o, fez com que os inimigos de fora pudessem se armar para o ataque. Mesmo assim, a lenda da maldi��o de Molay fez com que sua imagem se tornasse um m�rtir, para falar a verdade em um mito. J� na revolu��o francesa em 1789, a fam�lia real francesa foi mantida prisioneira em uma torre que fora administra��o do Templo. E alguns contam que quando cortaram a cabe�a da rainha, um homem pegou a cabe�a, levantou para que todos a vissem e bradou: "Jacques de Molay, sua morte foi vingada!".

Anos mais tarde, em 1737, cavaleiro escoc�s da casa dos Stuarts de nome Andrew Ramsay, faria um discurso que poria Molay num patamar ainda mais elevado. Ramsay era membro da franco-ma�onaria. Uma ordem oriunda das corpora��es de of�cio de construtores medievais. Nesse discurso ele diz que as verdadeiras origens da Ordem vinham da �poca das cruzadas, pois os primeiros ma�ons operativos constru�am nos Estados Cruzados e que haviam aprendido os rituais secretos e conquistado a sabedoria especial do mundo antigo. n�o cita a Ordem do Templo. Depois de seus discurso, a aristocracia europ�ia come�ou a voltar seus olhos a Ma�onaria, pois ningu�m queria fazer parte de uma ordem de pedreiros, mas de nobres cavaleiros era outra hist�ria. E mostrou um novo rito ma��nico com influ�ncias do Templo que seria conhecido como o Rito Escoc�s Antigo e Aceito, um dos mais usados pela Ma�onaria em todo o mundo.

Segundo ma�ons alem�es, os Templ�rios descobriram os segredos quando descobriram os tesouros ess�nios judeus, que eram transmitidos um para o outro. E Jacques de Molay, na noite de sua execu��o, enviara o conde de Beaujeu � cripta da Igreja do Templo em Paris para recuperar o tesouro, que inclu�a o Menor� (candelabro de 7 velas) e uma mortalha.

Hoje em dia, de boca em boca , o famoso ato de bravura e a "maldi��o de Molay" se tornou parte da m�tica ma��nica. E sempre que um novo membro � iniciado na Ordem, sempre haver� algu�m que lhe contar� a hist�ria. � comum em todo dia 18 de mar�o ma�ons em v�rios lugares pedirem a palavra em reuni�o para lembrar a mart�rio de Molay. Existe inclusive lojas ma��nicas com nomes alusivos como: Templ�rios e Jacques de Molay.

Mais recentemente, em 24 de mar�o de 1919 nos Estados Unidos, uma institui��o de rapazes foi inaugurada pelo ma�on Frank S. Land com 9 rapazes. Inspirados no famosa lenda da Jacques de Molay, criaram a DeMolay Society. De princ�pio era uma ordem juvenil patrocinada pela Ma�onaria, mas hoje nos Estados Unidos, o cord�o umbilical com a Ma�onaria j� foi cortado faz alguns anos. Nesta organiza��o, Jacques de Molay � visto como um �dolo. Sendo que os jovens dessa ordem de cunho cavaleiristico, desconhecem totalmente a hist�ria verdadeira. Se os 9 rapazes fundadores da DeMolay Society conhecessem a hist�ria real de Jacques de Molay de fato, talvez tivessem escolhido algum outro vulto hist�rico.

3- O Her�i.

Jacques de Molay n�o foi mais ou menos her�is do que muitos outros templ�rios. Antes mesmo de seu momento derradeiro, no dia 10 de maio de 1310, v�rios templ�rios foram queimados vivos por fazerem o mesmo que ele fez. Ali�s, o que ele fez, foi feito por muitos em toda a hist�ria da humanidade. No Brasil, Tiradentes e Frei Caneca s�o �timos exemplos.

Mesmo como o t�tulo de her�i, ele n�o pode ajudar a Ordem quando mais foi preciso, que foi na defesa da Ordem. Antes de mais nada, por que ele ordenou para que os irm�os confessassem as acusa��es? Talvez para livrar os irm�os da dor, mas p�s a Ordem em posi��o desagrad�vel perante o processo. Nesse caso, Pierre de Bolonha e Renaud de Provins provaram ser muito mais valorosos.

� claro que preferir a morte � pris�o perp�tua, n�o sei qual escolha eu faria. N�o sei se teria coragem de me entregar as chamas calmamente como ele fez. E muito de n�s, nesse ponto, foi um ato her�ico. Mesmo com tanta bravura, foi por causa de sua imcopet�ncia como l�der � que foi poss�vel atacar o templo. Nesse caso, se ele foi um her�i, com certeza foi o maior vil�o.

4- O que foi Jacques de Molay?

Mas o que foi Jacques de Molay? Homem, her�i ou mito? ningu�m pode dizer ao certo. Foi tudo e nada ao mesmo tempo. Condenado por n�o trair a ordem que defender e absolvido pela hist�ria como um mito e her�i. Mas seja como for, o Gr�o Mestre do Templo Jacques Molay ser� sempre lembrado e sua famosa "maldi��o" continuar� emocionando os jovens da DeMolay Society para sempre.

Fonte de pesquisa:

 

 

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