TRÊS INICIADOS
O CAIBALION
estudo
da filosofia hermética
do
antigo Egito e da Grécia
Tradução
de
ROSABIS CAMAYSAR
INTRODUÇÃO.
Temos grande
prazer em apresentar aos estudantes e investigadores da Doutrina Secreta esta
pequena obra baseada nos Preceitos herméticos do mundo antigo. Existem poucos
escritos sobre este assunto apesar das inúmeras referências feitas pelos
ocultistas aos Preceitos que expomos, de modo que por isso esperamos que os
investigadores dos Arcanos da Verdade saberão dar bom acolhimento ao livro que
agora aparece.
O fim desta
obra não é a enunciação de uma filosofia ou doutrina especial, mas sim fornecer
aos estudantes uma exposição da Verdade que servirá para reconciliar os
fragmentos do conhecimento oculto que adquiriram, mas que são aparentemente
opostos uns aos outros e que só servem para desanimar é desgostar o
principiante neste estudo. O nosso intento não é construir um novo Templo de
Conhecimento, mas sim colocar nas mãos do estudante uma Chave-Mestra com que
possa abrir todas as portas internas que conduzem ao Templo do Mistério cujos
portais já entrou.
Nenhum
fragmento dos conhecimentos ocultos possuídos pelo mundo foi tão zelosamente
guardado como os fragmentos dos Preceitos herméticos que chegaram - até nós
através dos séculos passados desde o tempo do seu grande estabelecedor, Hermes
Trismegisto, o mensageiro dos deuses, que viveu no antigo Egito quando a atual
raça humana estava em sua infância. Contemporâneo de Abraão e se for verdadeira
a lenda, instrutor deste venerável sábio, Hermes foi e é o Grande Sol Central
do Ocultismo, cujos raios têm iluminado todos os ensinamentos que foram
publicados desde o seu tempo. Todos os preceitos fundamentais e básicos
introduzidos nos ensinos esotéricos de cada raça foram formulados por Hermes.
Mesmo os mais antigos preceitos da índia tiveram indubítavelmente a sua fonte
nos Preceitos herméticos originais.
Da terra do
Ganges muitos mestres avançados se dirigiram para o país do Egito para se
prostrarem aos pés do Mestre. Dele obtiveram a Chave-Mestra que explicava e
reconciliava os seus diferentes pontos de vista, e assim a Doutrina Secreta
ficou firmemente estabelecida. De outros países também vieram muitos sábios,
que consideravam Hermes como o Mestre dos Mestres; e a sua influência foi tão
grande que, apesar dos numerosos desvios de caminho de centenas de instrutores
desses diferentes países, ainda se pode facilmente encontrar uma certa
semelhança e correspondência nas muitas e divergentes teorias admitidas e
combatidas pelos ocultistas de diferentes países atuais. Os estudantes de
Religiões comparadas compreenderão facilmente a influência dos Preceitos
herméticos em qualquer religião merecedora deste nome, quer seja uma religião
apenas conhecida atualmente, quer seja uma religião morta, ou uma religião
cheia de vida no nosso próprio tempo. Existe sempre uma correspondência entre
elas, apesar das aparências contraditórias, e os Preceitos herméticos são como
que o seu grande Conciliador.
A obra de
Hermes parece ter sido feita com o fim de plantar a grande Verdade-Semente que
se desenvolveu e germinou em tantas formas estranhas, mais depressa do que se
teria estabelecido uma escola de filosofia que dominasse o pensamento do mundo.
Todavia as verdades originais ensinadas por ele foram conservadas intatas na
sua pureza original, por um pequeno número de homens, que, recusando grande
parte de estudantes e discípulos pouco desenvolvidos, seguiram o costume
hermético e reservaram as suas verdades para os poucos que estavam preparados
para compreendê-las e dirigi-Ias. Dos lábios aos Ouvidos a verdade tem sido
transmitida entre esses poucos. Sempre existiram, em cada geração e em vários
países da terra, alguns Iniciados que conservaram viva a sagrada chama dos
Preceitos herméticos, e sempre empregaram as suas lâmpadas para reacender as
lâmpadas menores do mundo profano, quando a luz da verdade começava a escurecer
e a apagar-se por causa da sua negligência, e os seus pavios ficavam
embaraçados com substâncias estranhas. Existiu sempre um punhado de homens Para
cuidar do altar da Verdade, em que mantiveram sempre acesa a Lâmpada Perpétua
da Sabedoria. Estes homens dedicaram a sua vida a esse trabalho de amor que o
poeta muito bem descreveu nestas linhas:
"Oh! não
deixeis apagar a chama! Mantida De século em século Nesta escura caverna,Neste
templo sagrado!Sustentada por puros ministros do amor! Não deixeis apagar esta
divina chama!"
Estes homens
nunca procuraram a aprovação popular, nem grande número de prosélitos. São
indiferentes a estas coisas, porque sabem quão poucos de cada geração estão
preparados para a verdade, ou podem reconhecê-la se ela Ihes for apresentada.
Reservam a carne para os homens feitos, enquanto outros dão o leite às
crianças. Reservam suas pérolas de sabedoria para os poucos que conhecem o seu
valor e sabem trazê-las nas suas coroas, em vez de as lançar ao porco vulgar,
que enterrá-las-ia na lama e as Misturaria com o seu desagradável alimento
mental. Mas esses poucos não esqueceram nem desprezaram os preceitos originais
de Hermes, que tratam da transmissão das palavras da verdade aos que estão
preparados para recebê-la, a respeito dos quais diz o Caibalion:"Em
qualquer lugar que se achem os vestígios do Mestre, os ouvidos daqueles que
estiverem preparados para receber o seu Ensinamento se abrirão, completamente.
" E ainda: "Quando os ouvidos do discípulo estão preparados para
ouvir, então vêm os lábios para enchê-los com sabedoria. " Mas a sua
atitude habitual sempre esteve estritamente de acordo com outro aforismo hermético
também do Caibalion: "Os lábios da Sabedoria estão fechados, exceto aos
ouvidos do Entendimento."
Os que não
podem compreender são os que criticaram esta atitude dos Hermetistas e clamaram
que eles não manifestavam o verdadeiro espírito dos seus ensinamentos nas
astuciosas reservas e reticências que faziam. Porém um rápido olhar
retrospectivo nas páginas da história mostrará a sabedoria dos Mestres, que
conheciam que era uma loucura pretender ensinar ao mundo o que ele não desejava
saber, nem estava preparado para isso. Os Hermetistas nunca quiseram ser
mártires; antes pelo contrário, ficaram silenciosamente retirados com um
sorriso de piedade nos seus fechados lábios enquanto os bárbaros se enfureciam
contra eles nos seus costumeiros divertimentos de levar à morte e à tortura os
honestos mas desencaminhados entusiastas, que julgavam ser possível obrigar uma
raça de bárbaros a admitir a verdade, que só pode ser compreendida pelo eleito
já bastante avançado no Caminho.
|
E o espírito
de perseguição ainda não desapareceu da terra. |
Há certos
preceitos herméticos que, se fossem divulgados, atrairiam contra os
divulgadores uma gritaria de desprezo e de ódio por parte da multidão, que
tornaria a gritar: "Crucificai-os! Crucificai-os!
Nesta obra nós
nos esforçamos por vos oferecer uma idéia dos preceitos fundamentais do
Caibalion, procurando dar os Princípios ativadores e vos deixando o trabalho de
os estudar, em vez de tratarmos detalhadamente dos seus ensinamentos. Se fordes
verdadeiros estudantes podereis compreender e aplicar estes Princípios; se o
não fordes deveis vos desenvolver, porque de outra maneira os Preceitos
herméticos serão para vós somente palavras, palavras, palavras!!! ...
Os TRÊS
INICIADOS
A
FILOSOFIA HERMÉTICA
"Os
lábios da sabedoria estão fechados, exceto aos ouvidos do Entendimento." -
O CAIBALION
Do velho Egito
saíram os preceitos fundamentais esotéricos e ocultos que tão fortemente têm
influenciado as filosofias de todas as raças, nações e povos, por vários
milhares de anos. O Egito, a terra das Pirâmides e da Esfinge, foi a pátria da
Sabedoria secreta e dos Ensinamentos místicos. Todas as nações receberam dele a
Doutrina secreta. A índia, a Pérsia, a,Caldéia, a Média, a China, o Japão, a
Assíria, a antiga Grécia e Roma e outros países antigos aproveitaram lautamente
dos fatos do conhecimento, que os hierofantes e Mestres da Terra de Isis tão
francamente ministravam aos que estavam preparados para participar da grande
abundância de preceitos místicos e ocultos, que as mentes superiores deste
antigo país tinham continuamente condensado.
No antigo
Egito viveram os grandes Adeptos e Mestres que nunca mais foram avantajados, e
raras vezes foram igualados, nos séculos que se passaram desde o tempo do
grande Hermes. No Egito estava estabelecida a maior das Lojas dos Místicos.
Pelas portas dos seus Templos entraram os Neófitos que mais tarde, como
Híerofantes, Adeptos e Mestres, se espalharam por todas as partes da terra,
levando consigo o precioso conhecimento que possuíam, ansiosos e desejosos de
ensiná-lo àqueles que estivessem preparados para recebê-lo. Todos os estudantes
do Oculto conhecem a dívida que têm para com os veneráveis Mestres deste antigo
país.
Mas entre
estes Grandes Mestres do antigo Egito, existiu um que eles proclamavam como o
Mestre dos Mestres. Este homem, se é que foi verdadeiramente um homem, viveu no
Egito na mais remota antiguidade. Ele foi conhecido sob o nome de Hermes
Trismegisto. Foi o pai da Ciência Oculta, o fundador da Astrologia, o
descobridor da Alquimia. Os detalhes da sua vida se perderam devido ao imenso
espaço de tempo, que é de milhares de anos, e apesar de muitos países antigos
disputarem entre si a honra de ter sido a sua pátria. A data da sua existência
no Egito, na sua última encarnação neste planeta, não é conhecida agora mas foi
fixada nos primeiros tempos das mais remotas dinastias do Egito, muito antes do
tempo de Moisés. As melhores autoridades consideram-no como contemporâneo de
Abraão, e algumas tradições judaicas dizem claramente que Abraão adquiriu uma
parte do seu conhecimento místico do próprio Hermes.
Depois de ter
passado muitos anos da sua partida deste plano de existência (a tradição afirma
que viveu trezentos anos) os egípcios deificaram Hermes e fizeram dele um dos
seus deuses sob o nome de Thoth. Anos depois os povos da Antiga Grécia também o
deificaram com o nome de "Hermes, o Deus da Sabedoria". Os egípcios
reverenciaram por muitos séculos a sua memória, denominando-o o mensageiro dos
Deuses, e ajuntando-lhe como distintivo o seu antigo título "Trismegisto",
que significa o três vezes grande, o grande entre os grandes.
Em todos os
países antigos, o nome de Hermes Trismegisto foi reverenciado, sendo esse nome
considerado como sinônimo de "Fonte de Sabedoria".
Ainda em
nossos dias empregamos o termo hermético no sentido de secreto, fechado de tal
maneira que nada escapa, etc., pela razão que os discípulos de Hermes sempre
observaram o princípio do segredo nos seus preceitos. Eles ignoravam aquele não
lançar as pérolas aos porcos, mas conservavam o preceito de dar leite às
crianças, e carne aos homens feitos, máximas que são familiares a todos os
leitores das Escrituras Cristãs, mas que já eram usadas pelos egípcios, muitos
séculos antes da era cristã. Os Preceitos herméticos estão espalhados em tocos
os países e em todas as religiões, mas não pertencem a nenhuma seita religiosa
particular. Isto acontece por causa das advertências feitas pelos antigos
instrutores com o fim de evitar que a Doutrina Secreta fosse cristalizada em um
credo. A sabedoria desta precaução é clara para todos os estudantes de
história. O antigo ocultismo da índia e da Pérsia degenerou-se e perdeu-se
completamente, porque os seus instrutores tornaram-se padres, e misturaram a
teologia com a filosofia, vindo a ser, por conseqüência, o ocultismo da índia e
da Pérsia, gradualmente perdido no meio das massas de religiões, superstições,
cultos, credos e deuses. O mesmo aconteceu com a antiga Grécia e Roma e também
com os Preceitos herméticos dos Gnósticos e Cristãos primitivos, que se
perderam no tempo de Constantino, e que sufocaram a filosofia com o manto da
teologia, fazendo assim a Igreja perder aquilo que era a sua verdadeira
essência e espírito, e andar às cegas durante vários séculos, antes de tomar o
seu verdadeiro caminho; porque todos os bons observadores deste vigésimo século
dizem que a Igreja está lutando para voltar aos seus antigos ensinamentos
místicos.
Apesar de tudo
isso sempre existiram algumas almas fiéis que mantiveram viva a Chama,
alimentando-a cuidadosamente e não deixando a sua luz se extinguir. E graças a
estes firmes corações e intrépidas mentes, temos ainda conosco a verdade. Mas a
maior parte desta não se acha nos livros. Tem sido transmitida de Mestre a
Discípulo, de Iniciado a Hierofante, dos lábios aos ouvidos. Ainda que esteja
escrita em toda parte, foi propositalmente velada com termos de alquimia e
astrologia, de modo que só os que possuem a chave podem-na ler bem. Isto era
necessário para evitar as perseguições dos teólogos da Idade Média que
combatiam a Doutrina Secreta a ferro, fogo, pelourinho, forca e cruz.
Ainda
atualmente só encontramos alguns valiosos livros de Filosofia hermética, apesar
das numerosas referências feitas a ela nos vários livros escritos sobre
diversas fases do Ocultismo. Contudo, a Filosofia hermética é a única
Chave-Mestra que pode abrir todas as portas dos Ensinamentos Ocultos!
Nos primeiros
tempos existiu uma compilação de certas Doutrinas básicas do Hermetismo,
transmitida de mestre a discípulo, a qual era conhecida sob o nome de
"Caibalion", cuja significação exata se perdeu durante vários
séculos. Este ensinamento é, contudo, conhecido por vários homens a quem foi
transmitido dos lábios aos ouvidos, desde muitos séculos.
Estes
preceitos nunca foram escritos ou impressos até chegarem ao nosso conhecimento.
Eram simplesmente uma coleção de máximas, preceitos e axiomas, não inteligíveis
aos profanos, mas que eram prontamente entendidos pelos estudantes; e além
disso, eram depois explicados e ampliados pelos Iniciados hermetistas aos seus
Neófitos. Estes preceitos constituíam realmente os princípios básicos da Arte
da Alquimia Hermética que, contrariamente ao que geralmente se crê, baseia-se
no domínio das Forças Mentais, em vez de no domínio dos Elementos materiais; na
Transmutação das Vibrações mentais em outras, em vez de na mudança de uma
espécie de metal em outra. As lendas da Pedra Filosofal, que transformava
qualquer metal em ouro, eram alegorias da Filosofia hermética perfeitamente
entendidas por todos os estudantes do verdadeiro Hermetismo.
Neste livro,
cuja primeira lição é esta, convidamos os estudantes a examinar os Preceitos
herméticos tal como são expostos no Caibalion e explicados por nós, humildes
estudantes desses Preceitos' que, apesar de termos o título de Iniciados, somos
simples estudantes aos pés de Hermes, o Mestre. Nós lhes oferecemos muitos
axiomas, máximas e preceitos do Caibalion, acompanhados de explicações e
comentários, que cremos servir para tornar os seus preceitos mais
compreensíveis ao estudante moderno, principalmente porque o texto original é
velado de propósito com termos obscuros.
As máximas, os
axiomas e preceitos originais do Caíbalíon são impressos em tipo diferente do
tipo geral da nossa obra. Esperamos que os estudantes a quem oferecemos esta
obra, como possam tirar muito proveito do estudo das suas páginas como tiraram
outros que passaram antes pelo Caminho do Adeptado, nos séculos decorridos
desde o tempo de Hermes Trismegisto, o Mestre dos Mestres, o Três Vezes Grande.
Diz o
Caibalion:
"Em
qualquer lugar que estejam os vestígios do Mestre, os ouvidos daquele que
estiver preparado para receber o seu Ensinamento se abrirão
completamente".
"Quando
os ouvidos do discípulo estão preparados para ouvir, então vêm os lábios para
os encher com Sabedoria."
De modo que,
de acordo com o indicado, só dará atenção a este livro aquele que tiver uma
preparação especial para receber os Preceitos que ele transmite. E,
reciprocamente, quando o estudante estiver preparado para receber a verdade,
também este livro lhe aparecerá. Esta é a Lei. O Princípio hermético de Causa e
Efeito, no seu aspecto de Lei de Atração, levará os ouvidos para junto dos
lábios e o livro para junto do discípulo. Assim são os átomos!
CAPÍTULO
ll
OS
SETE PRINCÍPIOS HERMÉTICOS
"Os
Princípios da Verdade são Sete; aquele que os conhece perfeitamente, possui a
Chave Mágica com a qual todas as Portas do Templo podem ser abertas
completamente." - O CAIBALION.
Os Sete
Princípios em que se baseia toda a Filosofia hermética são os seguintes:
I. O Princípio de Mentalismo.
II. O Princípio de Correspondência.
III. O Princípio de Vibração.
IV. O Princípio de Polaridade.
V. O Princípio de Ritmo.
VI. O Princípio de Causa e Eleito.
VII . O Princípio de Gênero.
Estes Sete Princípios podem ser explicados e explanados,
como vamos fazer nesta lição. Uma pequena explanação de cada um deles pode ser
feita agora, e é o que vamos fazer.
I. O Principio de Mentalismo
"O TODO é MENTE; o Universo é
Mental." - O CAIBALION
Este Princípio contém a verdade que Tudo é Mente. Explica
que O TODO (que,é a Realidade substancial que se oculta em todas as
manifestações e aparências que conhecemos sob o nome de Universo Material,
Fenômenos da Vida, Matéria, Energia, numa palavra, sob tudo o que tem aparência
aos nossos sentidos materiais) é ESPÍRITO, é INCOGNOSCíVEL e INDEFINÍVEL em si
mesmo, mas pode ser considerado como uma MENTE VIVENTE INFINITA e UNIVERSAL.
Ensina também que todo o mundo fenomenal ou universo é simplesmente uma Criação
Mental do TODO, sujeita às Leis das Coisas criadas, e que o universo, como um
todo, em suas partes ou unidades, tem sua existência na mente do TODO, em cuja
Mente vivemos, movemos e temos a nossa existência. Este Princípio,
estabelecendo a Natureza Mental do Universo, explica todos os fenômenos mentais
e psíquicos que ocupam grande parte da atenção pública, e que, sem tal
explicação, seriam ininteligíveis e desafiariam o exame científico.
A compreensão deste Princípio hermético do Mentalismo
habilita o indivíduo a abarcar prontamente as leis do Universo Mental e a
aplicar o mesmo Princípio para a sua felicidade e adiantamento. O estudante
hermetista ainda não sabe aplicar inteligentemente a grande Lei Mental, apesar
de empregá-la de maneira casual.
Com a Chave-Mestra em seu poder, o estudante poderá abrir as
diversas portas do templo psíquico e mental do conhecimento e entrar por elas
livre e inteligentemente. Este Princípio explica a verdadeira natureza da
Força, da Energia e da Matéria, como e por que todas elas são subordinadas ao
Domínio da Mente. Um velho Mestre hermético escreveu, há muito tempo:
"Aquele que compreende a verdade da Natureza Mental do Universo está bem
avançado no Caminho do Domínio." E estas palavras são tão verdadeiras
hoje, como no tempo em que foram escritas. Sem esta Chave-Mestra, o Domínio é
impossível, e o estudante baterá em vão nas diversas portas do Templo.
II. O Principio de Correspondência
"O que está em cima é como o que está embaixo, e o que
está embaixo é como o que está em cima." - O CAIBALION -
Este Princípio contém a verdade que existe uma
correspondência entre as leis e os fenômenos dos diversos planos da Existência
e da Vida. O velho axioma hermético diz estas palavras: "O que está em
cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em
cima.' A compreensão deste Princípio dá ao homem os meios de explicar muitos
paradoxos obscuros e segredos da Natureza. Existem planos fora dos nossos
conhecimentos, mas quando lhes aplicamos o Princípio de Correspondência
chegamos a compreender muita coisa que de outro modo nos seria impossível
compreender. Este Princípio é de aplicação e manifestação universal nos
diversos planos do universo material, mental e espiritual: é uma Lei Universal.
Os antigos Hermetistas consideravam este Princípio como um
dos mais importantes instrumentos mentais, por meio dos quais o homem pode ver
além dos obstáculos que encobrem à vista o Desconhecido. O seu uso constante
rasgava aos poucos o véu de Isis e um vislumbre da face da deusa podia ser
percebido. Justamente do mesmo modo que o conhecimento dos Princípios da
Geometria habilita o homem, enquanto estiver no seu observatório, a medir sóis
longínquos, assim também o conhecimento do Princípio de Correspondência
habilita o Homem a raciocinar inteligentemente,do Conhecido ao Desconhecido.
Estudando a mônada, ele chega a compreender o arcanjo.
III. O Princípio de Vibração
"Nada está parado; tudo se move;tudo vibra." - O
CAIBALION -
Este Princípio encerra a verdade que tudo está em
moviirento: tudo vibra; nada está parado; fato que a Ciência moderna observa, e
que cada nova descoberta científica tende a confirmar. E contudo este Princípio
hermético foi enunciado há milhares de anos pelos Mestres do antigo Egito.
Este Princípio explica que as diferenças entre as diversas
manifestações de Matéria, Energia, Mente e Espírito, resultam das ordens
variáveis de Vibração. Desde O TODO, que é Puro Espírito, até a forma mais
grosseira da Matéria, tudo está em vibração; quanto mais elevada for a
vibração, tanto mais elevada será a posição na escala. A vibração do Espírito é
de uma intensidade e rapidez tão infinitas que praticamente ele está parado,
como uma roda que se move muito rapidamente parece estar parada.
Na extremidade inferior da escala estão as grosseiras formas
da matéria, cujas vibrações são tão vagarosas que parecem estar paradas. Entre
estes pólos existem milhões e milhões de graus diferentes de vibração. Desde o
corpúsculo e o elétron, desde o átomo e a molécula, até os mundos e universos,
tudo está em movimento vibratório. Isto é verdade nos planos da energia e da
força (que também variam em graus de vibração); nos planos mentais (cujos
estados dependem das vibrações), e também nos planos espirituais.
O conhecimento deste Princípio,' com as fórmulas
apropriadas, permite ao estudante hermetista conhecer as suas vibrações
mentais, assim como também a dos outros. Só os Mestres podem aplicar este
Princípio para a conquista dos Fenômenos Naturais, por diversos meios.
"Aquele que compreende o Princípio de vibração alcançou o cetro do poder",
diz um escritor antigo.
IV. O Principio de Polaridade
"Tudo é Duplo; tudo tem pólos; tudo tem o seu oposto;o
igual e o desigual são a mesma coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas
diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias verdades;
todos os paradoxos podem ser reconciliados." - O CAIBALION -
Este Princípio encerra a verdade: tudo é Duplo; tudo tem
dois pólos; tudo tem o seu oposto, que formava um velho axioma hermético. Ele
explica os velhos paradoxos, que deixaram muitos homens perplexos, e que foram
estabelecidos assim: A Tese e a Antítese são idênticas em natureza, mas
diferentes em grau; os opostos são a mesma coisa, diferindo somente em grau; os
pares de opostos podem ser reconciliados; os extremos se tocam; tudo existe e
não existe ao mesmo tempo; todas as verdades são meias-verdades; toda verdade é
meio-falsa; há dois lados em tudo, etc., etc.
Ele explica que em tudo há dois pólos ou aspectos opostos, e
que os opostos são simplesmente os dois extremos da mesma coisa, consistindo a
diferença em variação de graus. Por exemplo: o Calor e o Frio, ainda que sejam;
opostos, são a mesma coisa, e a diferença que há entre eles consiste
simplesmente na variação de graus dessa mesma coisa.
Olhai para o vosso termômetro e vede se podereis descobrir
onde termina o calar e começa o frio! Não há coisa de calor absoluto ou de frio
absoluto; os dois termos calor e frio indicam somente a variação de grau da
mesma coisa, e que essa mesma coisa que se manifesta como calor e frio nada mais
é que uma forma, variedade e ordem de Vibração.
Assim o calor e o frio são unicamente os dois pólos daquilo
que chamamos Calor; e os fenômenos que daí decorrem são manifestações do
Princípio de Polaridade. O mesmo Princípio se manifesta no caso da Luz e da
Obscuridade, que são a mesma coisa, consistindo a diferença simplesmente nas
variações de graus entre os dois pólos do fenômeno Onde cessa a obscuridade e
começa a luz? Qual é a diferença entre o grande e o pequeno? Entre o forte e o
fraco? Entre o branco e o preto? Entre o perspicaz e o néscio? Entre o alto e o
baixo? Entre o positivo e o negativo.
O Princípio de Polaridade explica estes paradoxos e nenhum
outro Princípio pode excedê-lo. O mesmo Princípio opera no Plano mental.
Permítiu-nos tomar um exemplo extremo: o do Amor e o ódio, dois estados mentais
em aparência totalmente diferentes. E, apesar disso, existem graus de ódio e
graus de Amor, e um ponto médio em que usamos dos termos Igual ou Desigual, que
se encobrem mutuamente de modo tão gradual que às vezes temos dificuldades em
conhecer o que nos é igual, desigual ou nem um nem outro. E todos são
simplesmente graus da mesma coisa, como compreendereis se meditardes um
momento. E mais do que isto (coisa que os Hermetistas consideram de máxima importância),
é possível mudar as vibrações de ódio em vibrações de Amor, na própria mente de
cada um de nós e nas mentes dos outros.
Muitos de vós, que ledes estas linhas, tiveram experiências
pessoais da transformação do Amor em ódio ou do inverso, quer isso se desse com
eles mesmos, quer com outros. Podeis pois tornar possível a sua realização,
exercitando o uso da vossa Vontade por meio das fórmulas herméticas. Deus e o
Diabo, são, pois, os pólos da mesma coisa, e o Hermetista entende a arte de
transmutar o Diabo em Deus, por meio da aplicação do Princípio de Polaridade.
Em resumo, a Arte de Polaridade fica sendo uma fase da Alquimia Mental,
conhecida e praticada pelos antigos e modernos Mestres hermetistas. O
conhecimento do Princípio habilitará o discípulo a mudar a sua própria
Polaridade, assim como a dos outros, se ele consagrar o tempo e o estudo
necessário para obter o domínio da arte.
V. O Principio de Ritmo
"Tudo tem
fluxo e refluxo; tudo ,em suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por
oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento
à esquerda; o ritmo é a compensação." - O CAIBALION -
Este Princípio contém a verdade que em tudo se manifesta um
movimento para diante e para trás, um fluxo e refluxo, um movimento de atração
e repulsão, um movimento semelhante ao do pêndulo, uma maré enchente e uma maré
vazante, uma maré -alta e uma maré baixa, entre os dois pólos, que existem,
conforme o Princípio de Polaridade de que tratamos há pouco. Existe sempre uma
ação e uma reação, uma marcha e uma retirada, uma subida e uma descida. Isto
acontece nas coisas do Universo, nos sóis, nos mundos, nos homens, nos animais,
na mente, na energia e na matéria.
Esta lei é manifesta na criação e destruição dos mundos, na
elevação e na queda das nações, na vida de todas as coisas, e finalmente nos
estados mentais do I-Iomem (e é com estes últimos que os Hermetistas reconhecem
a compreensão do Princípio mais importante). Os Hermetistas compreenderam este
Princípio, reconhecendo a sua aplicação universal, e descobriram também certos
meios de dominar os seus efeitos no próprio ente com o emprego de fórmulas e
métodos apropriados. Eles aplicam a Lei mental de Neutralização. Eles não podem
anular o Princípio ou impedir as suas operações, mas aprenderam como se escapa
dos seus efeitos na própria pessoa, até um certo grau que depende do Domínio
deste Princípio. Aprenderam como empregá-lo, em vez de serem empregados por
ele.
Neste e noutros métodos consiste a Arte dos Hermetistas. O
Mestre dos Hermetistas polarizasse até o ponto em que desejar, e então
neutraliza a Oscilação Rítmica pendular que tenderia a arrastá-lo ao outro
pólo.
Todos os indivíduos que atingiram qualquer grau de Domínio
próprio executam isto até um certo grau, mais ou menos inconscientemente, mas o
Mestre o faz conscientemente e com o uso da sua Vontade, atingindo um grau de
Equilíbrio e Firmeza mental quase impossível de ser acreditado pelas massas
populares que vão para diante e para trás como um pêndulo. Este Princípio e o
da Polaridade foram estudados secretamente pelos Hermetistas, e os métodos de
impedi-los, neutralizá-los e empregá-los formam uma parte importante da
Alquimia Mental do Hermetismo.
VI. O Principio de Causa e Efeito
"Toda a Causa tem seu Efeito, todo Efeito tem sua
Causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o Acaso é simplesmente um nome dado a
uma Lei não reconhecida; há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à
Lei." - O CAIBALION -
Este princípio contém a verdade que há uma Causa para todo o
Efeito e um Efeito para toda a Causa. Explica que: Tudo acontece de acordo com
a Lei, nada acontece sem razão, não há coisa que seja casual; que, no entanto,
existem vários planos de Causa e Efeito, os planos superiores dominando os
planos inferiores, nada podendo escapar completamente da Lei.
Os Hermetistas conhecem a arte e os métodos de elevar-se do
plano ordinário de Causa e Efeito, a um certo grau, e por meio da elevação
mental a um plano superior tomam-se Causadores em vez de Efeitos.
As massas do povo são levadas para a frente; os desejos e as
vontades dos outros são mais fortes que as vontades delas; a hereditariedade, a
sugestão e outras causas exteriores movem-nas como se fossem peões no tabuleiro
de xadrez da Vida. Mas os Mestres, elevando-se ao plano superior, dominam o seu
gênio. cara 'ter, suas qualidades, poderes, tão bem como os que o cercam e
tornam-se Motores em vez de peões. Eles ajudam a jogar a criação, quer física,
quer mental ou espiritual, é possível sem partida da vida, em vez de serem jogados
e movidos por outras vontades e influências. Empregam o Princípio em lugar de
serem seus instrumentos. Os Mestres obedecem à Causalidade do plano superior,
mas ajudam a governar o nosso plano.
Neste preceito está condensado um tesouro do Conhecimento
hermético: aprenda-o quem quiser.
VII. O Principio de Gênero
"O Genero está em tudo; tudo tem o seu princípio
masculino e o seu princípio feminino; o gênero se manifesta em todos os
planos." - O CAIBALION -
Este princípio encerra a verdade que o gênero é manifestado
em tudo; que o princípio masculino e o princípio feminino sempre estão em ação.
Isto é certo não só no Plano físico, mas também nos Planos mental e espiritual.
No Plano físico este Princípio se manifesta como sexo, nos planos superiores
toma formas superiores, mas é sempre o mesmo Princípio.
Nenhuma criação, quer física, quer mental ou espiritual, é
possível sem este Princípio, A compreensão das suas leis poderá esclarecer
muitos assuntos que deixaram perplexas as mentes dos homens.
O Princípio de Gênero opera sempre na direção da geração,
regeneração e criação.Todas as coisas e todas as pessoas contêm em si os dois
Elementos deste grande Princípio.
Todas as coisas machos têm também o Elemento feminino; todas
as coisas fêmeas têm o Elemento masculino. Se compreenderdes a filosofia da
Criação, Geração e Regeneração mentais, podereis estudar e compreender este
Princípio hermético. Ele contém a solução de muitos mistérios da Vida. Nós vos
advertimos que este Princípio não tem relação alguma com as teorias e práticas
luxuriosas, perniciosas e degradantes, que têm títulos empolgantes e
fantásticos, e que nada mais são do que a prostituição do grande princípio
natural de Gênero. Tais teorias, baseadas nas antigas formas infamantes do
Falicismo, tendem a arruinar a mente, o corpo e a alma; e a Filosofia hermética
sempre publicou notas severas contra estes preceitos que tendem à luxúria,
depravação e perversão dos princípios do Natureza.
Se desejais tais ensinamentos podeis procurá-los noutra
parte: o Hermetismo nada contém nestas linhas que sirva para vás. Para aquele
que é puro, todas as coisas são puras; para os vis, todas as coisas são vis e
baixas.
CAPÍTULO III
A TRANSMUTAÇÃO MENTAL
"A Mente (tão bem como os metais e os elementos) pode
ser transmutada de estado em estado, de grau em grau, de condição em condição,
de pólo em pólo, de vibração em vibração. A verdadeira transmutação hermética é
uma Arte Mental." - O CAIBALION -
Como dissemos, os Hermetistas eram os antigos alquimistas,
astrólogos e psicologistas, tendo sido Hermes o fundador destas escolas de
pensamento. Da astrologia nasceu a moderna astronomia; da alquimia nasceu a
moderna química; da psicologia mística nasceu a moderna psicologia das escolas.
Mas não se pode supor que os antigos ignoravam aquilo que as escolas modernas
pretendem ser sua propriedade exclusiva e especial. As memórias gravadas nas
pedras do Antigo Egito mostram claramente que os antigos tinham um grande
conhecimento de astronomia, a verdadeira construção das Pirâmides representando
a relação entre o seu desenho e o estudo da ciência astronômica. Não ignoravam
a Química, porque os fragmentos dos antigos escritos mostram que eles conheciam
as propriedades químicas das coisas; com efeito, as antigas teorias relativas à
física vão sendo vagarosamente verificadas pelas últimas descobertas da ciência
moderna, principalmente as que se referem à constituição da matéria.
Não se deve crer que eles ignoravam as chamadas descobertas
modernas em psicologia; pelo contrário, os egípcios eram especialmente versados
na ciência da Psicologia, ,particularmente nos ramos que as modernas escolas
ignoram; que, não obstante, têm sido encobertos sob o nome de ciência psíquica,
que a confusão dos psicólogos da atualidade, fazendo-lhes com repugnância admitir
que afinal pode haver alguma coisa nela.
A verdade é que, sob a química material, a astronomia e a
psicologia (que é a psicologia na sua fase de ação do pensamento), os antigos
possuíam um conhecimento da astronomia transcendente, chamada astrologia; da química
transcendente, chamada alquimia; da psicologia transcendente chamada psicolo
gía mística. Possuíam o Conhecimento Interno como o Conhecimento Externo, sendo
o último o único possuído pelos cientistas modernos. Entre os muitos ramos
secretos de conhecimento possuídos pelos Hermetistas estava o conhecido sob o
nome de Transmutação Mental, que forma a exposição material desta lição.
Transmutação é um termo usualmente empregado para designar a
antiga arte da transmutação dos metais; particularmente dos metais impuros em
ouro. A palavra transmutar significa mudar de uma natureza, forma ou
substância, em outra; transformar (Webster). E da mesma forma, Transmutação
Mental significa a arte de transformar e de mudar os estados, as formas e as
condições mentais em outras. Assim podeis ver que a Transmutação Mental é a
Arte da Química Mental ou se quiserdes, uma forma da Psicologia Mística
prática.
Porém estas significações estão muito longe de serem o que
exteriormente parecem.
A Transmutação, Alquimia, ou Química, no Plano Mental é
certamente muito importante nos seus efeitos, e se a arte cessou agora, assim
mesmo não pode deixar de ser um dos mais importantes ramos de estudos
conhecidos pelos homens. Mas isto é simplesmente o princípio. Vejamos a razão!
O primeiro dos Sete Princípios Herméticos é o princípio de
Mentalísmo, o seu axioma é "O TODO é Mente; o Universo é Mental", que
significa que a Realidade Objetiva do Universo é Mente; e o mesmo Universo é
Mental, isto é, existente na Mente do TODO. Estudaremos este princípio nas
seguintes lições, mas deixai-nos examinar o efeito do princípio se for
considerado como verdade.
Se o Universo é Mental na sua natureza, a Transmutação
Mental pode ser considerada como a arte de MUDAR AS CONDIÇÕES DO UNIVERSO, nas
divisões de Matéria, Força e Mente. Assim compreendereis que a Transmutação
Mental é realmente a Magia de que os antigos escritores muito trataram nas suas
obras místicas, e de que dão muito poucas instruções práticas. Se Tudo é
Mental, então a arte que ensina a transmutar as condições mentais pode tornar o
Mestre diretor das condições materiais tão bem como das condições chamadas
ordinariamente mentais.
De fato, nenhum alquimista, que não esteja adiantado na
Alquimia mental, pode obter o grau necessário de poder para dominar as
grosseiras condições físicas e os elementos da Natureza, a produção ou cessação
das tempestades e dos terremotos assim como de outros grandes fenômenos
físicos. Que tais homens tenham existido e existam ainda hoje, é matéria da
maior certeza para todos os ocultistas adiantados de todas as escolas. Que
existem Mestres e que eles têm estes poderes, os melhores instrutores
asseguram-no aos seus discípulos, tendo experiências que os . justificam nestas
opiniões e declarações. Estes Mestres não exibem em público os seus poderes,
mas procuram o afastamento do tumulto dos homens, com o fim de abrir melhor o
seu caminho na Senda do Conhecimento. Mencionamos aqui a sua existência
simplesmente com o fim de chamar a vossa atenção para o fato de que o seu Poder
é inteiramente Mental, e de que eles operam conforme as linhas da mais elevada
Transmutação mental, e em conformidade com o Princípio hermético de Mentalismo.
"O Universo é Mental" O CAIBALION.
Porém os discípulos e os Hermetistas de grau inferior aos
Mestres - os Iniciados e Instrutores - podem facilmente operar pelo Plano
Mental ao praticar a Transmutação Mental. Com efeito, tudo o que chamamos
fenômenos psíquicos, influência mental, ciência mental, fenômenos de novo
pensamento, etc., se realiza conforme a mesma linha geral, porque nisto está
mais um princípio oculto, do que a matéria cujo nome é dado,ao fenômeno.
O discípulo que é praticante da Transmutação Mental opera no
Plano Mental, transmutando as condições mentais, os estados, etc. em outros, de
acordo com diversas fórmulas mais ou menos eficazes. Os diversos tratamentos,
as afirmações e negações, etc., das escolas da ciência mental são antes
fórmulas freqüentemente muito imperfeitas e não científicas, da Arte hermética.
A maioria dos praticantes modernos são muito ignorantes em comparação com os
antigos mestres, pois eles carecem do conhecimento fundamental sobre que é
baseada a operação.
Não somente os próprios estados mentais podem ser mudados ou
transmutados pelos métodos herméticos; mas também os estados mentais dos outros
podem ser, e mesmo são constantemente transmutados na mesma direção, quase
sempre inconscientemente, mas às vezes conscientemente, por uma pessoa que
conheça as leis e os princípios, nos casos em que a pessoa influenciada não
esteja informada dos princípios da proteção própria. E, ainda mais, como sabem
diversos discípulos e praticantes da moderna ciência mental, toda condição
material que depende das mentes dos outros pode ser mudada ou transmutada de
acordo com o desejo, a vontade e os tratamentos reais da pessoa que deseja
mudar as condições da vida. Na atualidade o Público está informado geralmente
destas coisas, que não julgamos necessário mencioná-las por extenso; porque o
nosso propósito a este respeito é simplesmente mostrar a Arte e o Princípio
hermético de Polaridade.
Neste livro procuramos estabelecer os princípios básicos da
Transmutação Mental, para que todos os que lêem possam compreender os
Princípios secundários, e possuir então a Chave--Mestra que abrirá as diversas
portas do Princípio hermético de Polaridade.
Vamos fazer agora uma consideração sobre o primeiro dos Sete
Princípios herméticos: o princípio de Mentalismo, que afirma a verdade que
"O TODO é Mente; o Universo é Mental", conforme as palavras do Caibalion.
Pedimos uma atenção íntima e um estudo cuidadoso deste grande Princípio, da
parte dos nossos discípulos, porque ele é realmente o Princípio Básico de toda
a Filosofia hermética e da Arte hermética de Transmutação Mental.
CAPÍTULO IV
O TODO
"Sob as aparências do Universo, do Tempo e do Espaço e
da Mobilidade, está sempre encoberta a Realidade Substancial: a Verdade
fundamental." - O CAIBALION -
A Substância é aquilo que se oculta debaixo de todas as
manifestações exteriores, a essência, a realidade essencial, a coisa em si
mesma, etc. Substancial é aquilo que existe atualmente, que é elemento
essencial, que é real, etc. A Realidade é o estado real, verdadeiro,
permanente, duradouro, atual de um ente.
Debaixo e dentro de todas as aparências ou manifestações
exteriores, sempre houve uma Realidade substancial. Esta é a Lei.
O homem, considerando o Universo, de que é simplesmente uma
partícula, observa que tudo se transforma em matéria, em forças e em estados
mentais. Ele conhece que nada É real, mas que, pelo contrário, tudo é MÓVEL e
CONDICIONAL. Nada está parado; tudo nasce, cresce e morre; no momento em que
uma coisa chega a seu auge, logo começa a declinar; a lei do ritmo está em
constante ação; não há realidade, qualidade duradoura, fixidez ou substancialidade
em qualquer coisa que ,seja; nada é permanente, tudo se transforma. O homem que
observa as leis do Universo vê que todas as coisas evoluem de outras coisas, e
resolvem-se em outras; vê uma constante ação e reação, um fluxo e refluxo, uma
criação e destruição, o nascimento, crescimento e a morte. Nada é permanente,
tudo se transforma. Se esse homem for um pensador ativo, ele realizará todas
essas coisas mudáveis, que serão, contudo, aparências ou manifestações
exteriores da mesma Força Oculta, da mesma realidade substancial.
Todos os pensadores de todos os países e todas as épocas
compreenderam a necessidade de ser admitida a existência desta Realidade
substancial. Todas as filosofias dignas deste nome acham-se baseadas nesta
opinião. Os homens deram a esta Realidade substancial muitas denominações:
muitos designaram-na sob o termo Divindade (sob diversos títulos); outros
chamaram-na a Eterna e Infinita Energia; outros ainda deram-lhe simplesmente o
nome de Matéria: mas todos reconheceram a sua existência. Isto é evidente por
si mesmo, não é necessário argumentos.
Nestas lições seguiremos o exemplo de muitos grandes
pensadores antigos e modernos - os Mestres Hermetistas - e designaremos esta
Força Oculta, esta Realidade substancial sob o nome de O TODO, termo que
consideramos como o mais compreensível dos diversos termos empregados pelo
Homem para designar AQUELE que excede toclos os nomes e toclos os termos.
Aceitamos e ensinamos as idéias dos grandes pensadores
herméticos de todos os tempos, assim como as destas almas iluminadas, que
galgaram elevados Planos de existência, e que afirmam a natureza íntima do TODO
ser INCOGNOSCÍVEL. Isto é assim que ninguém pode compreender pelo próprio TODO
por a natureza e a existência íntima dele.
Os Hermetistas pensam e ensinam que o TODO, em Si mesmo, é e
será sempre INCOGNOSCÍVEL. Eles consideram todas as teorias, conjeturas e
especulações dos teólogos e metafísicos a respeito da natureza íntima do TODO,
como esforços infantis das mentes finítas para compreender o segredo do
Infinito. Tais esforços sempre desviaram e desviarão da verdadeira natureza do
seu fim. Uma pessoa que Prossegue em tais investigações vai, de circuito em
circuito no labirinto do pensamento, prejudicar o seu são raciocínio, a sua
ação e a sua conduta, até ficar totalmente inutilizada para o trabalho da vida.
É como o esquilo, que furiosamente corre dentro da redondeza da sua gaiola,
caminhando sempre sem nunca chegar em parte alguma, e parando só quando se
assusta: é enfim um prisioneiro.
Porém são ainda mais presunçosos os que atribuem ao TODO a
personalidade, as qualidades e propriedades - característicos e atributos deles
mesmos, e querem que o TODO tenha emoções, sensações e outros característicos
humanos que estão abaixo das pequenas qualidades do gênero humano, tais como a
inveja, o desejo de lisonjas e louvores, desejo de oferendas e adorações, e
todos os outros atributos que sobrevivem desde a infância da raça. Tais idéias
não são dignas de pessoas maduras e vão sendo rapidamente abandonadas.
(Vem a propósito dizer aqui que fazemos distinção entre a
Religião e a Teologia, entre a Filosofia e a Metafísica.)
A Religião para nós é a realização institucional da
existência do TODO, e sua relação para com ele; ao passo que a Teologia
-representa o esforço do homem em atribuir-lhe personalidade, qualidades e
característicos, as teorias a respeito dos seus negócios, planos, desejos e
vontades, e as apropriações de tudo isso para o ofício de mediadores entre O
TODO e O povo.
A Filosofia é, para nós, a investigação de acordo com o
conhecimento das coisas conhecíeis e concebíveis; ao passo que a Metafísica é o
intento de levar a investigação às regiões incognoscíveis e inconcebíveis e
além dos seus limites, com a mesma tendência que a Teologia. Por conseguinte, a
Religião e a Filosofia são para nós coisas que têm o seu princípio na
Realidade, ao passo que a Teologia e a Metafísica parecem delgados caniços,
enraizados na areia movediça da ignorância, e nada mais constituem que o mais
incerto apoio para a mente ou a alma do Homem. Não insistiremos com os
estudantes que aceitam estas definições; só mencionamo-las para mostrar a
posição em que nos colocamos neste assunto. Seja como for falaremos muito pouco
sobre a Teologia e a Metafísica.
Mas, conquanto a natureza essencial do TODO seja
Incognoscível, existem certas verdades conexas com a sua existência que a mente
humana foi obrigada a aceitar. E o exame destas verdades forma um assunto
próprio para investigações, mormente quando elas concordam com o testemunho do
Iluminado nos planos superiores. Nós vos convidamos a fazer estas
investigações.
"AQUELE que é a Verdade Fundamental, a Realidade
Substancial, está fora de uma verdadeira denominação, mas o sábio chama-o O
TODO." - O CAIBALION -
"Na sua Essência, O TODO é INCOGNOSCIVEL." - O
CAIBALION -
"Mas os testemunhos da Razão devem ser
hospitaleiramente recebidas e tratados com respeito." - O CAIBALION -
A razão humana, cujos testemunhos devemos aceitar ao
raciocinar sobre alguma coisa, nos diz o seguinte a respeito do TODO, mas sem
pretender levantar o véu do Incognoscível:
I. O TODO é Tudo o que É REAL. Nada pode existir fora do
TODO, porque do contrário o TODO não seria mais o TODO.
II. O TODO É INFINITO, porque não há quem defina, restrinja
e limite O TODO. É Infinito no Tempo, OU ETERNO; existiu sempre, sem cessar;
porque nada há que o pudesse criar, e se ele não tivesse existido, não podia
existir agora; existirá perpetuamente, porque não há quem o destrua, e ele não
pode deixar de existir, porque aquilo que é alguma coisa não pode ficar sendo
nada. É infinito no -espaço; está em toda parte porque não há lugar fora do
TODO; é contínuo no Espaço Sem cessação, separação ou interrupção, porque nada
há que separe, divida ou interrompa a sua continuidade, e nada há para encher
lacunas. É Infinito ou Absoluto em Poder; porque não há nada para limitá-lo,
restringi-lo ou acondicioná-lo; não está sujeito a nenhum outro Poder, porque
não há outro Poder.
III. O TODO É IMUTÁVEL, ou não está sujeito a ser mudado na
sua natureza real, nada há que possa operar mudanças nele, nada há em que possa
ser mudado nem nada que tenha sido mudado. Não pode ser aumentado nem
diminuído, nem ficar maior ou menor, seja qual for o motivo. Ele sempre foi e
sempre será tal como é agora: O TODO; nada houve, nada há e nada haverá em que
ele possa ser mudado.
TODO sendo Infinito, Absoluto, Eterno e Imutável, segue-se
que tudo o que é finito, passageiro, condicional e Mutável não é o Todo. E como
não há nada Real fora do TODO, todas as coisas fínitas não são Reais. Não
deveis ficar admirados e espantados das nossas palavras; não queremos levar-vos
à Ciência Cristã fundada sobre a parte inferior da Filosofia hermética. Há uma
Reconciliação para o aparente estado contraditório atual do assunto. Tende
paciência, que nós trataremos deste assunto em seu tempo.
Vemos ao redor de nós que aquilo que se chama Matéria
constitui O Princípio de todas as formas. É O TODO Simplesmente Matéria?
Absolutamente não! A Matéria não pode manifestar a Vida ou a Mente, e como a
Vida e a Mente são manifestadas no Universo, Porque nada é superior à sua
própria origem, nada se manifesta como efeito que não esteja na causa, nada
evolui como conseqüente, que não tenha involuído como antecedente. Quando a
ciência moderna nos diz que não há realmente outra coisa senão Matéria, devemos
saber que aquilo que ela chama Matéria é simplesmente uma energia eu força
interrompida, isto é, uma energia ou força com poucos graus de vibração. Disse
um recente escritor, "a Matéria obscureceu-se no Mistério". Mesmo a
ciência materialista já abandonou a teoria da Matéria e agora se apóia sobre a
base da Energia.
Então o TODO é simplesmente Energia ou Força? Não é Energia
ou Força como os materialistas empregam estes termos, porque a energia e força
deles são coisas cegas e mecânicas, privadas de Vida ou de Mente. A Vida ou a
Mente não pode evoluir da Energia ou Força cega, pela razão dada acima, que:
Nada é superior à sua própria origem, nada evolui que não tenha involuído, nada
se manifesta como efeito que não tenha a sua causa. E assim O TODO não pode ser
simplesmente Energia ou Força, porque, se assim fosse, não teriam existência a
Vida e a Mente, e nós sabemos muito bem que elas existem, porque somos nós os
que temos Vida, e que empregamos a Mente para considerar esta questão, assim
como os que pretendem que a Energia ou Força é Tudo.
Que é, pois, que sabemos existir no Universo, que é superior
à Matéria ou Energia? A VIDA E A MENTE! A Vida e a Mente em todos os seus
diversos graus de desenvolvimento! "Então, perguntais, quereis dizer que O
TODO É VIDA E MENTE? Sim e Não! é a nossa resposta. Se entendeis a Vida e a
Mente como nós pobres mortais conhecêmo-las, diremos, Não! O TODO não é isto!
"Mas, que natureza de Vida e de Mente quereis significar?", direis
vós.
A resposta é: "A MENTE VIVENTE, muito acima do que os
mortais conhecem por essas palavras, como a Vida e a Mente são superiores às
forças mecânicas ou à matéria; A INFINITA MENTE é Muito superior em comparação
à Vida e à Mente finita." Queremos exprimir o que as almas iluminadas
significam ao pronunciarem reverentemente a palavra ESPÍRITO!
O TODO é a Infinita Mente Vivente; o Iluminado chama-a
ESPÍRITO!
CAPÍTULO V
O UNIVERSO MENTAL
"O Universo é Mental: ele está dentro da mente d'O
TODO. - o CAIBALION -
O TODO é ESPÍRITO! Mas que é Espírito? Esta pergunta não
pode ser respondida, porque a sua definição seria praticamente a do TODO, que
não pode ser explicado nem definido. Espírito é um simples nome que os homens
dão às suas mais elevadas concepções da Infinita Mente Vivente; esta palavra
significa a Essência Real; significa a Mente Vivente, tão superior à Vida e à
Mente tais como as Conhecemos, quanto estas últimas são superiores à Energia
mecânica e à Matéria. O Espírito é superior ao nosso entendimento, e só
empregamos este termo para podermos falar do TODO. No juízo dos pensadores e
inteligentes estamos justificados falando do Espírito como Infinita Mente
Vivente, e reconhecendo que não Podemos compreende-Ia, quer raciocinando sobre
ela, quer estudando a matéria na sua totalidade.
Façamos agora uma consideração sobre a natureza do Universo,
quer no seu todo, quer nas suas partes. Que é o UniverSO? Dissemos que nada há
fora do TODO. Então o Universo é O TODO? Não; não o é; porque o Universo parece
ser formado de MUITOS, e está constantemente mudando, ou, por outras palavras,
ele não pode ser comparado com as idéias que estabelecemos a respeito do TODO.
Então, se o Universo não é o TODO, ele é o Nada; tal é a conclusão inevitável
da mente à primeira idéia. Mas esta não satisfaz a questão, porque sentimos a
existência do Universo. Ora, se o Universo não é O TODO, nem o Nada, que será
então? Examinemos a questão.
Se verdadeiramente o Universo existe, ou parece existir, ele
procederá diretamente do TODO, poderá ser uma criação do TODO. Mas como poderá
alguma coisa sair do nada, de que O TODO a teria criado?
Vários filósofos responderam a esta pergunta, dizendo que
TODO criou o Universo de si MESMO, isto é, da existência e substância do TODO.
Mas isto não pode ser, porque o TODO não pode ser dividido ou diminuído, como
já vimos, e se isto fosse verdade, cada partícula do Universo não poderia
deixar de conhecer o seu ente - O TODO; o TODO não perderia o conhecimento
próprio, nem SE TORNARIA atualmente um átomo, uma força cega ou uma coisa de
vida humilde. Com efeito, alguns homens, julgando que o TODO é exatamente TUDO,
e reconhecendo também que eles, os homens, existem, aventuraram-se a concluir
que eles eram idênticos ao TODO, e atroaram os ares com os seus clamores de
"EU SOU DEUS!" para divertimento da multidão e sorriso dos sábios. O
clamor do corpúsculo que dissesse: "Eu sou Homem!", seria mais
modesto em comparação.
Mas, que é, pois, o Universo, se não for o TODO separando a
si mesmo em fragmentos? Que outra coisa poderá ser? De que coisa poderá ser
feito? Esta é a grande questão. Examinemo-la bem. Reconhecemos
que o Princípio de Correspondência (vide a primeira lição) vem em nosso auxílio
aqui. O velho axioma hermético "o que está em cima é como o que está
embaixo", pode ser empregado com êxito neste ponto. Permiti-nos fazer uma
rápida hipótese sobre os planos elevados, examinando-os em nós mesmos. O
Princípio de Correspondência aplica-se a este como a outros problemas.
Vejamos, pois! No seu próprio plano de existência, como cria
o Homem? Primeiramente, ele pode criar, fazendo alguma coisa de materiais
exteriores. Mas assim não pode ser, porque não há materiais exteriores ao TODO,
com os quais ele possa criar. Em segundo lugar, o Homem procria ou reproduz a
sua espécie pelo processo da geração que é a própria multiplicação por meio da
transformação de uma parte da sua substância na da sua prole. Mas, assim também
não pode ser, porque o Todo não pode transferir ou subtrair uma parte de si
mesmo, assim como reproduzir ou multiplicar a si mesmo: no primeiro caso
haveria uma revogação da lei, e no segundo, uma multiplicação ou adição do
TODO, idéias totalmente absurdas. Não há nenhum outro meio pelo qual O HOMEM
cria? Sim, há; ele CRIA MENTALMENTE! E deste modo, não emprega materiais
exteriores, não reproduz a si mesmo, e, apesar disso, o seu Espírito penetra a
Criação Mental.
Conforme o Princípio de Correspondência, temos razão de
considerar que O TODO CRIA MENTALMENTE o Universo, de um modo semelhante ao
processo pelo qual o Homem cria as Imagens mentais. Este é o testemunho da
Razão, que concorda perfeitamente com o testemunho do Iluminado, como ele o
manifesta pelos seus ensinos e escritos. Assim são os ensinamentos do Sábio.
Tal era a doutrina de Hermes.
O TODO não pode criar de outro modo senão mentalmente, sem
empregar qualquer material (nada há para ser empregado),, e nem reproduzir a si
mesmo (o que é também impossível). Não se pode escapar desta conclusão da
Razão, que, como dissemos, concorda com os mais elevados preceitos do
Iluminado. justamente como vós podeis criar um Universo de vós mesmos na vossa
mentalidade, aSSiM O TODO cria Universo na sua própria Mente. Mas o vosso
Universo é criação mental de uma Mente finita, enquanto que o do TODO é criação
de uma Mente Infinita. Ambos são análogos em natureza, mas infinitamente
diferentes em grau. Vamos examinar cuidadosamente como fazemos nos processos de
criação e manifestação. Mas antes de tudo é preciso fixardes as vossas mentes
nesta frase: O UNIVERSO, E TUDO O QUE ELE CONTÉM, É UMA CRIAÇÃO MENTAL DO TODO.
COM efeito, O TODO É MENTE!
"O TODO cria na sua Mente infinita inumeráveis
Universos, que existem por eons de Tempo; e contudo, para O TODO, a criação, o
desenvolvimento, o declínio e a morte de um milhão de Universos é como que o
tempo do pestanejar dum olho." - O CAIBALION -
|
"A Mente Infinita d'O TODO é a matriz dos Universos."
- O CAIBALION - |
O Princípio de Gênero (vide lição primeira e seguintes) é
manifestado em todos os planos de vida, quer materiais, mentais ou espirituais.
Mas, como já dissemos, Gênero não significa Sexo; o sexo é simplesmente uma
manifestação material do, gênero. Gênero significa relativo à geração ou
criação. Em qualquer lugar, em qualquer plano, em que uma coisa é criada ou
gerada, o Princípio de Gênero se manifesta. E isto é verdade mesmo na criação
dos Universos.
Mas, não se deve concluir disto que ensinamos haver um Deus
ou Criador macho e fêmea. Esta idéia é um desvio dos antigos preceitos sobre
este assunto.
O verdadeiro ensinamento é que o TODO em si mesmo está fora
do Gênero, assim como de qualquer outra Lei, mesmo as do Tempo e do Espaço. Ele
é a Lei de que todas as Leis procedem e não está sujeito a elas. Contudo,
quando O TODO se manifesta no plano de geração ou criação, os seus atos
concordam com a Lei e o Princípio, porque se realizam num plano inferior de
existência. E, por conseguinte, ele manifesta no Plano Mental o Princípio de
Gênero, nos seus aspectos Masculino e Feminino.
Esta idéia poderá causar admiração a alguns de vós, que
aprendem-na pela primeira vez, mas todos vós aceitaste-a passivamente nas
vossas concepções diárias. Falais na Paternidade de Deus e na Maternidade da
Natureza; de Deus, o Pai divino e da Natureza, a Mãe universal; logo, reconheceis
instintivamente o Princípio de Gênero no Universo. Não é verdade?
Mas a doutrina hermética não exprime uma dualidade real: O
TODO é um; os dois aspectos são simplesmente aspectos de manifestação. O
ensinamento é que o Princípio Masculino manifestado pelo TODO só impede a
destruição da concepção atual do Universo. Ele projeta o seu Desejo no
Princípio Feminino (que se chama Natureza), ao mesmo tempo que este último
começa a obra atual da evolução do Universo, desde os simples centros de
atividade até o homem, e subindo cada vez mais de acordo com as
bem-estabelecidas Leis da Natureza. Se dais preferência aos velhos modos de
expressão, podeis considerar o Princípio Masculino COMO DEUS, o Pai, e o
Princípio Feminino COMO a NATUREZA, a Mãe Universal, em cuja matriz toclas as
coisas foram geradas. Isto não é simplesmente uma ficção poética de linguagem;
é uma idéia do processo atual de criação do Universo. Mas é preciso não
esquecer que O TODO é um, e que o Universo é gerado, criado e existe na sua
Mente Infinita.
Isto vos permitirá fazer uma idéia de vós mesmos, se
quiserdes aplicar a Lei de Correspondência à vossa própria mente e a vós
mesmos. Sabeis que a parte de Vós que chamais Eu. em certo sentido, sustenta e
prova a criação de Imagens mentais na vossa própria mente. A parte da vossa
mente em que é realizada a geração mental pode ser chamada o eu inferior,
distinto do Eu. que sustenta e examina os pensamentos, as idéias e as imagens
do eu inferior. Reparai bem que "o que está em cima é como o que está
embaixo", e que os fenômenos de um plano podem ser empregados na solução
dos enigmas de planos superiores ou inferiores.
Será para admirar que Vós, os filhos, sintais esta
instintiva reverência pelo TODO, sentimento que chamamos religião; esta
reverência e este respeito para com a MENTE-PAI? Será para admirar que, ao
considerar as obras e as maravilhas da Natureza, fiqueis dominado por um grande
sentimento que tem sua origem fora do vosso íntimo ser? É a MENTE-MÃE que vos
estreita, como a mãe estreita seu filho ao seio.
Não deveis cometer o erro de crer que o pequeno mundo que
vedes ao redor de vós, a Terra, que é simplesmente um grão de areia em
comparação com o Universo, seja o próprio Universo. Existem milhões de mundos
semelhantes e maiores. Há milhões e milhões de Universos iguais em existência
dentro da Mente Infinita do TODO. E mesmo no nosso pequeno sistema solar há
regiões e planos de vida mais elevados que os nossos, -e entes, em comparação
aos quais nós, míseros mortais, somos como as viçosas formas viventes que
habitam no fundo do oceano, comparadas ao Homem. Há entes com poderes e
atributos superiores aos que o Homem sonhou ser possuído pelos deuses. Não
obstante, estes entes foram como vós e ainda inferiores, e, com o tempo, vós
podeis ser como eles ou superiores a eles; porque, como diz o Iluminado, tal é
o Destino do Homem.
A Morte não é real, ainda mesmo no sentido relativo; ela é
simplesmente o Nascimento a uma nova vida, e continuareis sempre de planos
elevados de vida a outros mais elevados por eons e eons de tempo. O Universo é
vossa habitação e estudareis os seus mais distantes a,esses antes do fim do
Tempo, Residis na Mente Infinita do TODO, e as vossas potencialidades e
oportunidades são infinitas mas somente no tempo e no espaço. E no fim do
Grande Ciclo de EONS, O TODO recolherá em si todas as suas criações; porém, vós
continuareis alegremente a vossa jornada, porque então querereis preparar-vos
para conhecer a Verdade Total da existência em Unidade com O TODO.
E, quando estiverdes na metade do caminho, estareis calmos e
serenos; sois seguros e protegidos pelo Poder Infinito da MENTE-MÃE.
"Dentro da Mente Pai-Mãe, o filho mortal está na sua
morada." - O CAIBALION -
"Não há nenhum órfão de Pai ou de Mãe no
Universo."O CAIBALION -
CAPÍTULO VI
O PARADOXO DIVINO
"Os falsos sábios, reconhecendo a irrealidade
comparativa do Universo, imaginaram que podiam transgredir as suas Leis: estes
tais são vãos e presunçosos loucos; eles se quebram na rocha e são feitos em
pedaços pelos elementos, por causa da sua loucura. O verdadeiro sábio,
conhecendo a natureza do Universo, emprega a Lei contra as leis, o superior
contra o inferior; e pela Arte da Alquimia transmita aquilo que é desagradável
naquilo que é agradável, e deste modo triunfa, O Domínio não consiste em sonhos
anormais, em visões, em vida e imagInações fantásticas, mas sim no emprego das
forças superiores contra . as inferiores, escapando assim das penas dos pia-nos
inferiores pela vibração nos superiores. A Transmutação não é uma denegação presunçosa,
é a arma ofensiva do Mestre." - O CAIBALION -
Este é o Paradoxo do Universo, que resulta do Princípio de
Polaridade que se manifesta quando o TODO começa a Criar. É necessário prestar
atenção, porque isto estabelece a diferença entre a falsa e a verdadeira
sabedoria.
Enquanto que para o TODO INFINITO, o Universo, as suas Leis,
as suas Forças, a sua Vida e os seus Fenômenos, são como pensamentos presentes
no estado de Meditação ou Sonho; para tudo o que é Finito, o Universo deve ser
considerado como Real, e a vida, a ação e o pensamento devem ser baseados nele,
de modo a concordar com um preceito da Verdade superior; cada qual concordando
com o seu próprio Plano e suas Leis. Se o TODO imaginasse que o Universo era
verdadeira Realidade, desgraçado do Universo porque ele não poderia subir do
inferior ao superior que a deificação; então o Universo ficaria fixo e o
progresso seria impossível.
E se o Homem, devido à falsa sabedoria, considerar as ações,
vidas e pensamentos do Universo, como um mero sonho (semelhante aos seus
próprios sonhos finitos), então ele o faz tão conveniente para si, e, como um
dormidor que está passeando, tropeça sempre num círculo vicioso, sem fazer
progresso algum, sendo, por fim, despertado por uma queda terrível, provenIente
das Leis Naturais que ele ignora. Conservai sempre a vossa mente nas Estrelas,
mas deixai os vossos olhos verem os vossos passos para não cairdes na lama, por
causa da vossa contemplação de cima. Lembrai-vos do Paradoxo Divino, que ao
mesmo tempo que o Universo NÃO EXISTE, ELE EXISTE. Lembrai-vos sempre dos dois
Pólos da Verdade: o Absoluto e o Relativo. Tomai cuidado com as Meias-Verdades.
Aquilo que os Hermetistas conhecem como a Lei do Paradoxo é
um aspecto do Princípio de Polaridade. Os escritos herméticos estão cheios de
referências ao aparecimento de Paradoxos na consideração dos problemas da Vida
e da Existência. Os Instrutores previnem constantemente os seus discípulos
contra o erro de omitir o outro lado de cada questão. E as suas admoestações se
referem particularmente aos problemas do Absoluto e do Relativo, que deixam
perplexos todos os estudantes de filosofia, e que causam muitas idéias e ações
contrárias ao que é geralmente conhecido como senso comum. Nós prevenimos a
todos os estudantis que fiquem certos de compreender o Paradoxo Divino do
Absoluto e do Relativo, para não ficarem atolados na lama da Meia-Verdade. É
para este fim que foi escrita esta lição particular. Aprendei-a bem!
O primeiro pensamento que o homem pensador tem, depois que
ele compreende bem a verdade que o Universo é uma Criação Mental do TODO, é que
o Universo, e tudo o que ele contém, é mera ilusão, irrealidade; idéia contra a
qual os seus instintos se revoltam. Contudo esta, como todas as outras grandes
verdades, pode ser considerada sob os pontos de vista Absoluto e Relativo. Sob
o ponto de vista Absoluto o Universo comparado com O TODO em si é de natureza
duma ilusão, dum sonho, duma fantasmagoria. Sempre reconhecemo-lo em nossas
vistas ordinárias, porque falamos do mundo como um espetáculo transitório que
vai e vem, nasce e morre, por causa do elemento de impermanência e mudança,
limitação e insubstancialidade; idéia esta que está em relação com a de um
Universo criado, ao passo que contrasta com a idéia do TODO.
Filósofos, metafísicos, cientistas e teólogos, todos são
concordes sobre este ponto, que é fundado em todas as formas de idéias
filosóficas e religiosas, assim como nas teorias das respectivas escolas
metafísicas e teológicas.
Assim, as doutrinas herméticas não ensinam a
insubstancialidade do Universo com palavras mais altíssonas do que as que vos
são familiares, mas, apesar disso, o seu modo de encarar o assunto parecerá uma
coisa mais assustadora. Uma coisa que tem um princípio e um fim pode ser
considerada, em certo sentido, como irreal e não verdadeira; e, conforme todas
as escolas de.- pensamento, o Universo está sob esta lei.
No ponto Absoluto de vista, nada há real a não ser o TODO,
que não pode ser realmente explicado. Ou o Universo é criado da Matéria, ou é
uma criação mental na Mente do TODO: ele é insubstancial, não-duradouro, uma
coisa de tempo, espaço e mobilidade. É necessário compreenderdes cabalmente
isto, antes de, passardes a examinar as concepções herméticas sobre a natureza
mental do Universo. Examinai cada uma das outras concepções e vereis que elas
não são verdadeiras.
Mas o ponto de vista Absoluto mostra um só lado do Panorama;
o outro lado é o Relativo. A Verdade Absoluta foi definida como sendo as Coisas como a mente de Deus as conhece,
ao passo que a verdade Relativa são as
Coisas como a mais elevada razão do
Homem as compreende. Assim, ao passo que para o Todo o Universo é irreal e
ilusório, um simples sonho ou resultado de meditação; para as mentes finitas
que fazem parte deste mesmo Universo e o observam através das suas faculdades,
ele é verdadeiramente real e assim deve ser considerado. Ao reconhecer o ponto
de vista absoluto, não devemos cometer o erro de negar ou ignorar os fatos e
fenômenos do Universo do modo como estes se apresentam às nossas faculdades:
lembremos que não somos o TODO.
Para dar um exemplo familiar, todos reconhecemos que a
Matéria existe para os nossos
sentidos, e estaríamos errados a mente finita se o não reconhecêssemos. Mas,
sempre a nossa mente finita compreende a afirmação científica que, falando
cientificamente, não há nada mais que a Matéria; aquilo que chamamos Matéria é
considerado como sendo simplesmente uma agregação de átomos, os quais são um
grupo de unidades de forças chamadas elétrons ou íons, que estão em constante vibração e movimento circular. Batemos
numa pedra e sentimos o baque; parece ser uma coisa real, mas é simplesmente o
que dissemos acima. Mas lembramo-nos que o nosso pé, que sente o baque, também
é Matéria, e portanto é constituído de elétrons, porque esta matéria também é
nosso cérebro. E, para melhor dizer, se não fosse por causa da nossa Mente,
absolutamente não poderíamos reconhecer o pé ou a pedra.
Assim, o ideal do artista ou escultor, que ele tanto esforça
para reproduzir na tela ou no mármore, parece verdadeiramente real para ele.
Assim se produzem os caracteres na mente do autor ou dramaturgo, o qual procura
expressá-los de modo que os outros os possam reconhecer. E se isto é verdade no
caso da nossa mente finita, qual não será o grau de Realidade nas imagens
Mentais criadas na Mente do Infinito? õ amigos, para os mortais este Universo
de Mentalidade é verdadeiramente real; é o único que sempre podemos conhecer,
ainda que subamos de planos a Planos cada vez mais elevados. Para conhecê-lo de
outro modo, pela experiência atual, teríamos de ser o TODO mesmo. É verdade que
quanto mais alto nos elevamos na escada - alcançamos as proximidades da mente do Pai - as coisas mais visíveis
tomam a natureza ilusória das coisas finitas, Mas antes que o TODO nos retire
em si a visão atual não desaparece.
Assim, não devemos viver acima das formas da ilusão. Desde
que reconhecemos a natureza real do Universo, procuremos compreender as suas
leis mentais e nos esforcemos em empregá-las para obtermos melhor resultado no
nosso progresso através da vida, ao caminharmos de um plano a outro plano de
existência. As Leis do Universo não são as pequenas Leis Férreas, por causa
da sua natureza mental. Tudo, exceto o TODO, é limitado por elas. Aquilo que
está NA MENTE . INFINITA DO TODO é REAL em grau relativo a esta mesma Realidade
que é revestida na natureza do TODO.
Não fiquemos, pois, incertos e atemorizados: somos todos
FIRMEMENTE CONTIDOS NA MENTE INFINITA DO TODO e nada nos pode prejudicar e nos
intimidar. Não há força fora do TODO para agir sobre nós. Podemos, pois, ficar
calmos e tranqüilos. Há um mundo de conforto e tranqüilidade nesta realização
depois de atingida. Então "calmos e
tranqüilos repousaremos, embalados no
Berço do Abismo"; ficando sem perigo no seio dc. Oceano da Mente
Infinita, que é o TODO. NO TODO,
move,remos, viveremos e teremos nossa existência.
A Matéria não é para nós a Matéria inferior, enquanto
vivemos no plano da Matéria, apesar de sabermos que é simplesmente uma
agregação de elétrons ou partículas
de Força, que vibram rapidamente e giram umas ao redor das outras na formação
de átomos; os átomos vibram e giram formando moléculas que, por sua vez, formam
as grandes massas de Matéria. A Matéria não é para nós a Matéria inferior,
quando prosseguimos nas investigações mais elevadas, e aprendemos dos Preceitos
herméticos que a Força, da qual os
elétrons são unidades, é simplesmente uma manifestação da mente do TODO, e
assim no Universo tudo é simplesmente Metal em sua natureza. Enquanto no Plano
da Matéria, podemos reconhecer os seus fenômenos, poderemos examiná-la (como o
fazem todos os Mestres de graus mais ou menos elevados), mas fazemo-lo
aplicando as forças superiores. Cometeremos uma loucura pretendendo negar a
existência da Matéria no aspecto relativo. Podemos negar o seu domínio sobre
nós, devemos fazer, mas não devemos ignorar que ela existe em seus aspectos
relativos, ao menos enquanto no seu plano.
As Leis da Natureza não são menos constantes ou efetivas,
como sabemo-lo, apesar de serem simplesmente criações mentais. Elas estão em
muitos efeitos dos diversos planos.
Dominamos as leis inferiores aplicando-lhes as que lhes são
superiores; e somente por este modo. Mas não podemos escapar da Lei e ficar
inteiramente fora dela. Nada senão O TODO pode escapar da Lei; e isto é porque
o TODO é a própria LEI, de que todas as Leis procedem. Os mais adiantados
Mestres podem
adquirir os poderes usualmente atribuídos aos deuses do
homem; e há inúmeras ordens de entes, na grande hierarquia da vida, cujas
existências e poderes excedem mesmo os dos mais elevados Mestres entre os
homens a um grau imaginário para os mortais. contudo, o mais elevado dos
Mestres e o Ente mais elevado devem curvar-se à Lei e ser como Nada diante do
Todo. De o modo que se mesmo estes Entes, cujos poderes excedem o atribuídos
pelos homens aos seus deuses, estão subordinados à Lei, imaginai qual não será
a presunção do homem mortal da nossa raça e do nosso grau, quando ousa
considerar as Leis da Natureza como irreais,
visionárias e ilusórias, porque chegou a compreender a verdade que as Leis
são de natureza mental e simples Criações Mentais do TODO. Estas Leis, que O
TODO destinou para governar as leis, não podem ser desafiadas nem argüidas.
Enquanto durar o Universo, elas durarão, porque o Universo só existe pela
virtude destas Leis, que formam o seu vigamento e que ao mesmo tempo o mantém.
O Princípio hermético de Mentalismo, explicando a verdadeira
natureza do Universo por meio do princípio que tudo é Mental, não muda as
concepções científicas do Universo, da Vida ou da Evolução. Com efeito, a
ciência simplesmente corrobora os Ensinamentos herméticos. Estes últimos
ensinam que a natureza do Universo é
Mental, ao passo que a ciência moderna disse que ele é Material; ou (ultimamente) que ele é Energia, em última análise.
Os Preceitos herméticos não caem no erro de combater os princípios básicos de
Herbert Spencer que afirmam a existência de unia "Energia Infinita e
Eterna da qual todas as coisas procedem". Com efeito, os Hermetistas
reconhecem na filosofia de Spencer a mais elevada exposição das operações das
Leis naturais que foram promulgadas até agora, e eles crêem que Spencer foi uma
reencarnação de um antigo filósofo que viveu no Egito, milhares de anos antes e
que por último se tinha encarnado como Heráclito, filosofo grego que viveu em
500 antes de Cristo. E eles consideram esta idéia da "Energia Infinita e
Eterna" como partindo diretamente da linha dos Preceitos herméticos,
sempre com o acréscimo da sua própria doutrina que esta Energia (de Spencer) é a Energia da Mente do TODO. Com a
Chave-Mestra da Filosofia hermética, o estudante poderá abrir várias portas das
mais elevadas concepções filosóficas do grande filósofo inglês, cuja obra
manifesta os resultados da preparação das suas encarnações precedentes. A sua
doutrina a respeito da Evolução e do Ritmo está na mais perfeita concordância
com os Preceitos herméticos sobre o Princípio do Ritmo.
Assim, o estudante do Hermetismo não deve desprezar
quaisquer destes pontos de vista científicos a respeito o Universo. Todos devem
ser interrogados para se concluir e compreender o princípio oculto que "O TODO é Mente; o Universo é Mental e criado na Mente d'O TODO". Eles
crêem que os outros seis dos Sete Princípios se adaptarão a esta doutrina científica e servirão para esclarecê-la.
Não há que admirar, ao encontrarmos a influência do pensamento hermetista nos
primitivos filósofos da Grécia, em cujas idéias fundamentais se baseiam em
grande parte as teorias da ciência moderna. A aceitação do Primeiro Princípio
hermético (o de Mentalismo) é o único grande ponto de diferença entre a ciência
moderna e os estudantes hermetistas, mas a Ciência se dirige gradualmente para
o lado dos hermetistas nas suas apalpadelas no meio da escuridão para encontrar
um caminho de saída do Labirinto em que vaga nas suas pesquisas pela Realidade.
O fim desta lição é gravar na mente dos nossos estudantes a
verdade que, para todos os intentos e propósitos, o Universo e suas leis, seus
fenômenos, são justamente REAIS, que mesmo o Homem está incluído nelas, de modo
que poderiam estar sob a hipótese de Materialismo ou Energismo. Sob qualquer
hipótese o Universo no seu aspecto exterior é mutável e transitório; e por isso
sem substancialidade e realidade. Mas (notai o outro pólo da verdade), sob
qualquer das mesmas hipóteses, somos compelidos a, AGIR E VIVER COMO se as
coisas transitórias fossem reais e substanciais. Há sempre esta diferença entre
as diversas hipóteses, ; que sob os velhos pontos de vista o Poder Mental era
ignorado como Força Natural, ao passo que sob o Mentalismo ele se torna uma
grande Força Natural. Esta diferença revoluciona a Vida daqueles que
compreendem este Princípio, as leis que dele resultam e as suas práticas.
De modo que todos os estudantes devem compreender as
vantagens do mentalismo e aprender a conhecer, usar e aplicar as leis que dele
resultam. Mas não devem cair na tentação que, como diz o Caibalion, domina os falsos sábios e os deixa hipnotizados pela
aparente irrealidade das coisas, tendo como conseqüência eles andarem para trás
como desvairados, vivendo num mundo de sonhos, ignorando o trabalho e a vida do
homem, sendo o seu fim "quebrarem-se
contra as rochas e se despedaçarem pelos elementos, por causa da sua
loucura". Em primeiro lugar vem o exemplo do sábio, que a mesma
autoridade estabelece do modo seguinte: "ele
emprega a Lei contra as Leis, o superior
contra o inferior e pela Arte da Alquimia transmuta o que é desagradável no que é agradável e deste modo triunfa."
Seguindo a autoridade, combatamos também a falsa sabedoria (que é uma loucura),
que ignora a verdade: "O Domínio não
consiste em visões e sonhos anormais, em
vida e imaginações fantásticas, mas
sim no emprego das forças superiores contra as inferiores, escapando assim das penas dos planos inferiores pela vibração nos superiores." Lembrai-vos,
sempre, estudantes, que "a
Transmutação não é uma presunçosa denegação, mas sim a arma ofensiva do Mestre". As citações acima são do Caibalion e são dignas de serem
conservadas na memória do estudante.
Nós não vivemos num mundo de sonhos, mas sim num Universo
que, enquanto relativo, é real tanto quanto as nossas vidas e ações são
interessadas. A nossa ocupação no Universo não é negar a sua existência, mas
sim viver, empregando as Leis para nos elevarmos do inferior ao superior,
fazendo o melhor que podemos sob as circunstâncias que aparecem cada dia, e
vivendo, tanto quanto é possível, para as nossas idéias elevadas e os nossos
ideais. O verdadeiro fim da Vida não é conhecido pelo homem neste plano; as
maiores autoridades e a nossa própria intuição dizem-nos que não cometeríamos
erro vivendo do modo melhor que pudermos, e segundo a tendência Universal no
mesmo ponto, apesar das aparentes evidências em contrário. Todos estamos no
Caminho, e a estrada conduz sempre para cima, deixando muitos lugares atrás.
Lede a mensagem do Caibalion,
e segui o exemplo do sábio,
fugindo do erro do falso sábio que
perece por causa da sua loucura.
CAPÍTULO VII
O TODO EM TUDO
"Enquanto
Tudo está n'O TODO, é também verdade que O TODO está em Tudo. Aquele que compreende realmente esta verdade alcançou o grande
conhecimento." - O CAIBALION -
Quantas vezes a maioria das pessoas ouviram repetir a
declaração que a sua Divindade (chamada por muitos nomes) era "Todo em Tudo,,, e quão Pouco
suspeitaram elas da verdade oculta, encoberta por estas palavras tão
descuidadamente pronunciadas? A expressão comumente usada é uma sobrevivência
da antiga máxima hermética acima citada. Como diz o Caibalion: "Aquele que
compreende realmente esta verdade alcançou o grande conhecimento." E, sendo assim, permiti-nos examinar
esta verdade, cujo conhecimento tanto significa. Nesta exposição da verdade -
esta máxima hermética - está encoberta uma das maiores verdades filosóficas,
científicas e religiosas.
Nós vos explicamos o Preceito hermético a respeito da
Natureza mental do Universo: a verdade que "o
Universo é Mental; ele está dentro da
Mente d'O TODO". Diz o Caibalion na passagem citada acima: "Tudo está n'O TODO." Mas
note-se também a declaração correlativa, que: "É também verdade que O TODO está em TUDO." Esta
declaração aparentemente contraditória é reconciliável pela Lei do Paradoxo. É,
aliás, uma exata declaração hermética das relações que existem entre o TODO e o
seu Universo mental. Vimos que "Tudo
está n'O TODO", vejamos agora o outro aspecto do assunto.
Os Ensinos herméticos são, com efeito, que o Todo está
iminente (permanece, está inerente, habita) no seu Universo, e em cada
partícula, unidade ou combinação, dentro do Universo. Esta expressão é
geralmente ilustrada pelos Instrutores com uma referência ao Princípio de
Correspondência. O Instrutor ensina o discípulo a formar uma Imagem mental de
uma coisa, uma pessoa ou uma idéia, porque todas as coisas têm uma forma
mental; dando como exemplo o ator dramático que forma uma idéia dos seus
caracteres, ou um pintor ou escultor que forma uma imagem de um ideal que ele
procura exprimir pela sua arte. Neste caso, o estudo ante deve compreender que,
enquanto a imagem tem a sua existência e ser somente em sua própria mente, ao
mesmo tempo ele, o estudante, autor, dramaturgo, pintor ou escultor, está em
certo sentido imanente, e permanece, habita, na imagem mental. Em outras
palavras, toda a virtude, vida, espírito e realidade da imagem mental é derivada
da mente imanente do pensador.
Considerai isto por um momento e logo compreendereis a idéia.
Para tomarmos um exemplo moderno, diremos que Otelo, lago,
Hamlet, Lear, Ricardo III, existiram somente na mente de Shakespeare, no tempo
da sua concepção ou criação. E ainda, Shakespeare também existiu em cada um
destes caracteres, dando-lhes a sua vitalidade, espírito e ação. Qual é o et espírito
dos caracteres que conhecemos como Micawber, Oliver Twist, Uriah Heep; será
Dickens, ou cada um destes caracteres terá um espírito pessoal, independente do
seu criador? Têm a Vênus de Medici, a Madona Sixtina, o Apolo de Belvedere,
espírito e realidade de si próprios, ou representam eles o poder espiritual e
mental dos seus criadores? A Lei de Paradoxo demonstra que as duas proposições
são verdadeiras, consideradas no seu próprio ponto de vista. Micawber é
Micawber e é também Dickens. E, demais, enquanto que Micawber pode ser dito
Dickens, o mesmo Dickens não é idêntico a Micawber. O homem, como Micawber,
pode exclamar: "O Espírito do meu Criador está inerente em mim e, apesar
disso, eu não sou ELE!" Quão diferente é esta da horrível meia verdade tão
estrondosamente anunciada por alguns dos falsos sábios, que enchem a atmosfera
dos seus gritos: "Eu sou Deus!"
Imaginai o pobre diabo de Micawber ou de Uriah Heep, gritando: "Eu sou DI'Ckens"; ou algum
dos humildes bobos das peças de Shakespeare, anunciando com grandiloqüência: "Eu sou Shakespeare!" O TODO
está até na minhoca, contudo, a minhoca está longe de ser o TODO. E até, é de
admirar que, conquanto a minhoca só exista como uma coisa humilde, criada e
tendo a sua existência na Mente do TODO, ele, O TODO, esteja imanente na
minhoca e nas partículas que a formam. Haverá talvez um mistério maior que o de
Tudo n'O TODO, e O TODO em Tudo?
O estudante perceberá no correr da obra que os exemplos
dados acima são necessariamente imperfeitos e inadequados, porque representam a
criação de imagens mentais na mente finita, ao passo que o Universo é criação
da Mente Infinita e a diferença entre os dois pólos as separa.
E assim é simplesmente uma questão de grau, porque em ambas
o mesmo Princípio está em operação: o Princípio de Correspondência manifesta-se
nelas. "O que está em cima é como o
que está embaixo; e o que está embaixo
é como o que está em cima.,"
E, no grau em que o Homem realize a existência do Espírito
que está imanente no seu ser, ele subirá na escada espiritual da vida. Eis o
que significa desenvolvimento espiritual: o reconhecimento, a realização e
manifestação do Espírito dentro de nós. Procurai não esquecer-vos desta última
definição: a do desenvolvimento. Ela contém a Verdade da verdadeira Religião.
Existem muitos planos de Existência, muitos sub planos de
Vida, muitos graus de existência no Universo. E tudo depende do avançamento dos
entes na escada, cuja ponta mais inferior é a mais grosseira matéria, e a mais
superior sendo separada somente pela mais pequena divisão do ESPÍRITO Do TODO.
Nesta Escada da Vida, tudo se move em cima e embaixo. Todos estão no caminho,
Cujo fim é o TODO. Todo o progresso é uma volta à Morada própria. Tudo está em
cima e embaixo, apesar de todas as aparências contraditórias. Tal é a mensagem
do Iluminado.
Os Preceitos herméticos referentes ao processo da Criação
Mental do Universo são que, no começo do Ciclo de Criação, O TODO, em seu
aspecto de Existência projeta a sua
Vontade sobre o seu aspecto de Estado, e
o processo de criação começa.
Dizem que o processo consiste no abaixamento da Vibração até
que é alcançado um grau bem inferior de energia vibratória, no qual ponto é
manifestada a forma mais grosseira possível da Matéria. Este processo é chamado
o estado de Involução, em que o TODO está evoluído,
ou envolvido dentro da sua criação. Este processo é considerado pelos
hermetistas como tendo correspondência com o processo mental de um artista,
escritor ou inventor, que também, fica envolvido na sua criação mental como
quase esquecendo a sua própria existência e que, por algum tempo, quase vive na sua criação. Se em vez de envolvido usarmos a palavra êxtase, talvez possamos dar uma pequena
idéia do que queremos dizer.
Este estado Involutivo da Criação é muitas vezes chamado a Efusão da Energia Divina, como o
estado Evolutivo é chamado Infusão. O pólo
extremo do processo de Criação é considerado como sendo o mais afastado movido
pelo TODO, enquanto que o princípio do estado Evolutivo é considerado como o
princípio da volta do pêndulo do Ritmo; sendo expressa em todos os Ensinos
herméticos uma idéia de volta à ' casa.
Os Preceitos são que durante a Elusão, as vibrações tornam-se cada vez mais inferiores até que
finalmente a restringência cessa, e as vibrações de volta começam. Mas há uma
diferença: ao passo que na Elusão as
forças criadoras manifestam-se compactamente e como um todo, no começo do
estado Evolutivo ou de Infusão, é
manifestada a Lei de Individualização, que é a tendência a separar em Unidas de
Força, até que finalmente aquilo que se separou do TODO como energia não
individualizada volte à sua fonte como Unidade de Vida altamente desenvolvida,
tendo subido de mais a mais na escada por meio da Evolução Física, Mental e
Espiritual.
Os antigos hermetistas usam a palavra Meditação, ao descrever o processo da criação mental do Universo na
Mente do TODO, a palavra contemplação sendo
também freqüentemente empregada. Mas a idéia entendida parece ser a do emprego
da Atenção Divina. Atenção é uma
palavra derivada de um verbo latino, que significa estender-se, desdobrar-se, e também o ato de. Atenção é realmente
um desdobramento mental, uma extensão da energia mental, de modo que
a idéia interior é facilmente compreendida quando examinamos o significado real
da Atenção,.
Os Ensinos herméticos a respeito do processo de Evolução são
os que o Toi)o, tendo meditado no princípio da Criação, tendo estabelecido
então os fundamentos materiais do Universo, tendo pensado na sua existência,
gradualmente desperta da sua Meditação e assim começa a manifestar o processo
de Evolução, nos planos material, mental e espiritual, sucessivamente e em
ordem. Então o movimento de ascensão começa, e tudo começa a mover-se para a
mansão espiritual. A Matéria torna-se menos grosseira; as Unidades nascem à
existência; as combinações começam a formar-se; a Vida aparece e manifesta-se
em formas cada vez mais elevadas; e a Mente torna-se cada vez mais evidente, as
vibrações sendo constantemente mais elevadas. Em resumo, o processo total da
Evolução, em todas as suas fases, começa e procede de acordo com as Leis
estabelecidas do processo de Infusão. Todas
ocupam eons e eons do tempo do Homem,
cada eon contendo muitos milhões de
anos; porém, como nos diz o Iluminado, a criação inteira, incluindo a Involução
e a Evolução de um Universo, é para o TODO simplesmente como um piscar de olhos. No fim dos inúmeros
ciclos de eons de tempo, O TODO
retira a sua Atenção, sua Contemplação e Meditação do Universo, porque a Grande
Obra está acabada e Tudo está retirado no TODO de que provém. Mas, 6 Mistério
dos Mistérios!, o Espírito de cada alma não é aniquilado, mas sim expandido infinitamente,
a Criatura e o Criador são confundidos. Tal é a relação do Iluminado!
A precedente ilustração da meditação e do subseqüente despertamento
da meditação do TODO é mais um esforço dos Instrutores para descrever o
processo Infinito por um exemplo finito. E, ainda: O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como
o que está em cima. A diferença é somente em grau. E assim COMO O TODO
desperta-se da meditação sobre o Universo, assim o Homem (no tempo) cessa de
manifestar no Plano Material, e retira-se cada vez mais no Espírito presente,
que é realmente O Ego Divino.
Há um assunto maior de que desejamos falar-vos nesta lição,
e que nos levaria imediatamente a uma invasão do campo da especulação
-metafísica; contudo, o nosso fim é simplesmente mostrar a futilidade de tais
especulações. Aludimos à questão que inevitavelmente vem à mente de todos os
pensadores que se aventuraram a investigar a Verdade. A pergunta é: POR QuE
criou o TODO os Universos? A pergunta pode ser feita de diferentes formas, mas
a que vai acima é o essencial da investigação.
Os homens esforçaram-se para responder a esta pergunta, mas
ainda não há resposta digna de nome. Muitos imaginaram que o TODO tem muito a
ganhar com isto, mas isto é absurdo; porque, que poderia ganhar O TODO que já
não possua? Outros deram a resposta na idéia que o TODO quis que tudo amasse, e outros que ele criou por prazer e
divertimento, ou porque estava só, ou
para manifestar o seu poder: todas respostas e idéias pueris, qualidades do
período infantil do pensamento.
Outros acreditaram descobrir o mistério afirmando que o TODO
achou-se impelido a criar, pela razão
da sua própria natureza interna, o seu instinto criador, Esta idéia é mais adiantada que as outras, mas o
seu ponto fraco está na idéia de que o TODO é impelido por alguma coisa, quer interna, quer externa. Se a sua natureza interna, ou instinto criador, impele-o
a fazer as coisas, então a natureza
interna ou o instinto criador seria
o Absoluto, em vez do TODO, e neste caso esta parte da proposição está errada.
E, ainda, o TODO cria e manifesta, e parece ter muitas qualidades de
satisfações em fazê-lo. E é difícil de escapar da conclusão que, em grau
infinito, ele poderia ter o que corresponde no homem a uma natureza inata, ou um instinto
criador, correspondente a um infinito Desejo e Vontade. Não poderia agir
sem Querer agir; e não poderia Querer agir sem Desejar agir; e não Desejaria
agir sem Satisfação nisso. E todas estas coisas pertenceriam a uma Natureza Infinita, e podem ser
consideradas como estando de acordo com a Lei de Correspondência. Mas, ainda,
preferimos considerar O TODO como agindo inteiramente LIVRE de toda influência,
tanto interna como externa. Isto é o problema que se apóia na raiz da
dificuldade, e a dificuldade que se apóia na raiz do problema.
Falando estritamente, não se poderá dizer que haja uma Razão
para o TODO agir, porque uma razão implica uma causa, e o TODO está acima da Causa e do Efeito, exceto quando ele
quer tomar-se causa, tempo em que o Princípio é posto em movimento. Assim,
dizeis, o assunto é Incompreensível, justamente como o TODO é incognoscível.
Justamente como dizemos simplesmente que o TODO "É", assim também
somos obrigados a dizer que O TODO AGE PORQUE AGE. Enfim, O TODO é toda Razão
em si mesma, toda Lei em si mesma, toda Ação em si mesma; e pode-se dizer que,
em verdade, o TODO é a sua própria Razão, a sua própria Lei, a sua própria
Ação; ou que o TODO, a sua Razão, a sua Ação, a sua Lei, são um, com todos
estes nomes sendo de uma só coisa. Na opinião dos que vos dão estas lições, a
resposta se encerra no PRÓPRIO INTIMO DO TODO, junto com o seu Segredo de
Existência.
A Lei de Correspondência, na nossa opinião, compreende
somente este aspecto do TODO, que pode ser chamado o aspecto de ESTADO.
O lado oposto deste aspecto é o aspecto de EXISTÊNCIA, no qual toda ' s as Leis perdem-se na LEI,
todos os Princípios imergem no PRINCÍPIO; e o TODO, o PRINCÍPIO, a EXISTÊNCIA,
SãO IDÊNTICOS ENTRE SI (uns aos outros). Por isso, as especulações metafísicas
sobre este ponto são fúteis. Entramos aqui no assunto, simplesmente para
mostrar que conhecemos a pergunta e também o absurdo das respostas ordinárias
das metafísicas e teologias.
Em conclusão, poderá ser de interesse aos estudantes
dizer-lhes que apesar de muitos dos antigos e modernos Preceitos herméticos
tenderem a aplicar o Princípio de Correspondência à questão, com o que resulta
a conclusão da Natureza Intima, mesmo
assim as lendas contam que Hermes, o Grande, sendo interrogado sobre esta
questão pelos seus adiantados discípulos, respondeu-lhes FECHANDO OS SEUS
LÁBIOS COM FIRMEZA e não dizendo uma palavra, indicando que NÃO HAVIA RESPOSTA.
Mas, então, ele podia ter entendido de aplicar o axioma da sua filosofia, que
diz: "Os lábios da Sabedoria estão
fechados, exceto aos ouvidos do
Entendimento", significando que ainda os seus discípulos adiantados
não possuíam o Entendimento que os habilitava ao Preceito. Seja como for, se
Hermes possuía o Segredo, ele deixou de o comunicar, e embora o mundo tome
muito interesse, OS LÁBIOS DE HERMES ESTÃO FECHADOS a este respeito. E quando o
Grande Hermes hesitou em falar, qual mortal poderá atrever-se a ensinar?
Porém, deveis lembrar que ainda que seja aquela a resposta
deste problema, se porventura há uma resposta, permanece a verdade que: "Enquanto Tudo está n'O TODO, é também
verdade que O TODO está em Tudo." O Preceito é enfático. E podemos
acrescentar-lhe as palavras conclusivas de citação:"Aquele que compreende realmente esta verdade alcançou o grande
conhecimento."
CAPÍTULO VIII
OS PLANOS DE CORRESPONDÊNCIA
"O que
está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está
em cima."
O Segundo Grande Princípio hermético explica a verdade que
há uma harmonia, uma correlação e correspondência entre os diferentes planos de
Manifestação, Vida e Existência. Esta afirmação é uma verdade porque tudo o que
está incluído no Universo emana da mesma fonte, e as mesmas leis, princípios e
característicos se aplicam a cada unidade, ou combinação de unidades de
atividade, assim como cada uma manifesta seus fenômenos no seu próprio plano.
Para um fim de conveniência do pensamento e do estudo, a
Filosofia hermética considera que o Universo pode ser dividido em três grandes
classes de fenômenos, conhecidas como os Três Grandes Planos denominados:
I. O Grande Plano Físico
II. O Grande Plano Mental
III. O Grande Plano Espiritual
Estas divisões são mais ou menos artificiais e arbitrárias,
porque a verdade é que todas as três divisões não são senão graus ascendentes
da grande escada da Vida, o ponto mais baixo da qual é a Matéria não
diferenciada, e o ponto mais elevado o Espírito. E, aliás, os diversos Planos
penetram uns nos outros, assim esta não sólida e exata divisão pode ser
colocada entre os mais elevados fenômenos do Plano Físico e o mais inferior do
Plano Mental; ou entre os mais elevados do mental e os mais baixos do Físico.
Enfim, os Três Grandes Planos podem ser considerados como
três grandes grupos de graus de Manifestação vital. Apesar do fim deste pequeno
livro não nos permitir entrarmos em extensa discussão ou explicação do objeto
destes diferentes planos, contudo, pensamos ser bom dar aqui uma descrição
geral dos mesmos.
A princípio devemos considerar bem a pergunta tantas vezes
feita pelo neófito, que deseja ser informado a respeito do significado da
palavra "Plano", termo que
tem sido muito usado e pouco explicado em muitas obras de ocultismo. A pergunta
é geralmente expressa assim: "É um
Plano um lugar tendo dimensões, ou é simplesmente uma condição ou estado?"
Respondemos: "Não; não é um lugar, nem uma dimensão ordinária do
espaço; é ainda mais que um estado ou uma condição e, apesar disso, o estado ou
a condição é um grau de dimensão, em escala sujeita à medida." Um tanto
paradoxal, não é verdade? Porém examinemos a matéria. Uma "dimensão", vós o sabeis, é "uma Medição em linha reta, em relação à medida", etc. As dimensões ordinárias do espaço
são comprimento, largura e altura, ou talvez comprimento, largura, altura,
espessura ou circunferência. Há uma outra dimensão das coisas criadas, ou medida em
linha reta, conhecida pelos ocultistas, como também por cientistas, apesar
destes últimos não a chamarem com o termo "dimensão";
e esta nova dimensão, que futuramente será a mais investigada como Quarta Dimensão, é a marca usada na
determinação dos graus ou Planos.
Esta Quarta Dimensão pode ser chamada a Dimensão da Vibração. Este é
um fato bem conhecido para a moderna ciência, como para os hermetistas, que
estabeleceram a verdade no seu Terceiro
Princípio hermético, que "tudo se move, tudo vibra, nada está parado". Desde as
manifestações mais elevadas até às mais baixas, todas as coisas vibram. Não
somente elas vibram em diferentes coeficientes de movimento, mas também em
díversas direções e de diferentes maneiras. Os graus de coeficiente das vibrações constituem os graus de medição na Escala
de Vibrações, ou em outras palavras, os graus da Quarta Dimensão. E estes
graus,formam o que os ocultistas chamam "Planos".
O mais elevado grau de vibração constitui o plano mais elevado e a mais
elevada manifestação da Vida que ocupa este plano. Assim, apesar de um plano
não ser um lugar, nem ainda um estado
ou uma condição, ele possui as qualidades de ambos. Desejaríamos dizer mais
sobre o assunto da escala das Vibrações nas nossas próximas lições, em que
consideraremos o Princípio hermético de Vibração.
Deveis lembrar-vos agora que os Três Grandes Planos não são
as divisões atuais dos fenômenos do Universo, mas simplesmente termos
arbitrários empregados pelos hermetistas para facilitar o pensamento e o estudo
dos vários graus e formas da atividade e da vida universal. O átomo de matéria,
a unidade de força, a mente do homem e a existência do arcanjo são graus de uma
escala, e fundamentalmente a mesma coisa, a diferença sendo simplesmente uma
questão de grau e coeficiente de vibração; todas são criações do TODO, e só têm
sua existência na Infinita Mente do TODO.
Os hermetistas subdividem cada um destes Três Grandes Planos
em Sete Planos menores, e cada um destes são também subdivididos em sete sub
planos, todas as divisões sendo mais ou menos arbitrárias, penetrando umas nas
outras, e adotadas somente para conveniência do estudo científico e para a
idéia.
O Grande Plano Físico, com seus Sete Planos menores, é a
divisão dos fenômenos do Universo que inclui todos os que são relativos às
coisas, forças e manifestações físicas ou mentais. Inclui todas as formas do
que chamamos Matéria e todas as formas do que chamamos Energia ou Força. Deveis
saber, porém, que a Filosofia hermética não reconhece a Matéria como uma "coisa em si", ou como tendo uma
existência separada constante na mente do ToDo. Os Ensinamentos são que a
Matéria é antes uma forma da Energia; ela é a Energia num coeficiente inferior
de vibrações de certa espécie. E de acordo com isto os hermetistas classificam
a Matéria como a extremidade inferior da Energia, e dão-lhe três dos Sete
Planos Menores do Grande Plano Físico.
Estes Sete Menores Planos Físicos são os
seguintes:
I . O Plano da Matéria (A)
II. O Plano da Matéria (B)
III. O Plano da Matéria (C)
IV. O Plano da Substância Etérea
V. O Plano da Energia (A)
VI. O Plano da Energia (B)
VII. O Plano da Energia (C)
O Plano da Matéria (A) compreende as formas da Matéria em suas formas de sólidos,
líquidos e gasosos como geralmente reconhecem os livros dos físicos. O Plano da Matéria (B) compreende certas formas mais
elevadas e mais sutis da Matéria, cuja existência a ciência moderna está
reconhecendo agora, os fenômenos da Matéria Radiante, nas suas fases de radium,
etc., que contém a subdivisão inferior deste Plano Menor. O Plano da Matéria (C) compreende as formas da
matéria mais sutil e tênue, cuja existência não é suspeitada pelos cientistas
ordinários.
O Plano da Substância Etérea compreende o que a ciência
chama "O Éter", uma substância de extrema tenuidade e elasticidade,
que penetra todo o Espaço do Universo, e age como mediador para a transmissão
de ondas de energia, como a luz, o calor, a eletricidade, etc. Esta substância
Etérea forma um elo de relação entre a Matéria (assim chamada) e a Energia e
participa da natureza de ambas. os Preceitos herméticos, contudo, ensinam que
este plano tem sete subdivisões (como têm todos os Planos Menores.), e que com
efeito existem sete éteres, em vez de
um só.
Imediatamente acima do Plano da Substância Etérea está o Plano da Energia (A), que compreende as formas
ordinárias da Energia conhecida pela ciência, sendo, respectivamente, estes
sete sub planos, o Calor, a Luz, o Magnetismo, a Eletricidade e a Atração
incluindo a Gravitação, a Coesão, a Afinidade Química, etc. e várias outras
formas de energia indicada pelas experiências científicas mas ainda não
classificadas. O Plano da Energia (B)
compreende sete sub planos de formas elevadas da energia ainda não descoberta
pela ciência, mas que têm sido apelidadas "As
Forças Mais Sutis da Natureza" e que são consideradas em ação nas
manifestações de certas formas de fenômenos Mentais e pelas quais tais
fenômenos são possíveis. O Plano da Energia (C)
compreende sete sub planos de energia perfeitamente organizados, que eles
contêm muitos característicos da vida, mas
que não é reconhecido pela mente dos homens no Plano ordinário de
desenvolvimento, sendo útil só ao uso dos entes do Plano Espiritual; tal
energia nem é sonhada pelo homem ordinário, e pode ser considerada quase como a força
divina. Os entes que a empregam são como deuses comparados com os mais elevados tipos humanos conhecidos por
nós.
O Grande Plano Mental compreende as formas de pensamentos viventes conhecidas por nós
na vida ordinária, bem como certas outras formas só bem conhecidas dos
ocultistas. A classificação dos Sete Menores Planos Mentais é mais ou menos
satisfatória e arbitrária (se não for acompanhada por esmeradas explicações que
estão fora do fim desta obra particular; contudo vamos mencioná-los.
Eles são os seguintes:
l . O Plano da Mente Mineral
lI. O Plano da Mente Elemental (A)
III.O Plano da Mente Vegetal
IV.O Plano da Mente Elemental (B)
V. O Plano da Mente Animal
VI. O Plano da Mente Elemental (C)
VII. O Plano da Mente Hominal
O Plano da Mente Mineral compreende os estados ou as condições das
unidades, entidades, ou grupos e combinações das mesmas, que animam as formas
conhecidas por nós como minerais,
químicas, etc. Estas entidades não podem ser confundidas com as moléculas,
os átomos e os corpúsculos, que são simplesmente os corpos ou as formas
materiais destas entidades, assim como o corpo de um homem é a sua forma
material e não ele mesmo. Estas
entidades podem ser chamadas espíritos em
certo sentido, e seres viventes de um grau inferior de desenvolvimento, vida e
mente, exatamente um Pouco maior que as unidades da energia vivente que compreendem as mais elevadas subdivisões do
mais elevado Plano Físico. A mente média não quer geralmente atribuir a
possessão da mente, espírito ou vida ao reino Mineral, mas todos os ocultistas
reconhecem a existência dela e a ciência moderna move-se rapidamente para o
ponto de vista do Hermetismo, a respeito deste assunto. As moléculas, os átomos
C OS corpúsculos têm seus amores e ódios,
suas semelhanças e dessemelhanças,
atrações e repulsões, afinidades e desafinidades, etc., e muitas das mais
intrépidas mentes de ciência moderna expressaram a opinião que o desejo e a
vontade, as eitoções e sentimentos, dos átomos simplesmente diferem em grau dos
que os homens têm.
Não temos espaço para argumentar sobre este assunto. Todos
os ocultistas conhecem isto, e outros se referiram às diversas obras
científicas mais recentes para corroboração exterior. Estas são as sete
subdivisões usuais deste plano.
O Plano da Mente Elemental (A) compreende o estado ou a
condição, e grau de desenvolvimento mental e vital de uma classe de entidade
desconhecidas ao homem médio, mas reconhecidas pelos ocultistas. Elas são
invisíveis aos sentidos ordinários do homem, mas não obstante existem e têm a
sua parte do Drama do Universo. O seu grau de inteligência está entre o das
entidades minerais e químicas, de um lado, e das entidades do reino vegetal do
outro. Também neste plano há sete subdivisões.
O Plano da Mente Vegetal, em suas sete subdivisões,
compreende os estados ou as condições das entidades contidas nos reinos do
Mundo Vegetal, os fenômenos vitais e mentais que as pessoas de inteligência
média justamente bem compreendem, tendo sido publícadas na última década muitas
obras novas e interessantes sobre a "Mente
e a Vida nas Plantas". As Plantas têm vida, mente e espírito, tão bem como os animais, o
homem e o super-homem.
O Plano da Mente Elemental (B), nas suas sete subdivisões,
compreende os estados e as condições de uma forma mais elevada das entidades elementais ou invisíveis, tendo a sua
parte na obra geral do Universo, cuja mente e vida forma uma parte da e.-,cada
entre o Plano da Mente Vegetal e o Plano da Mente Animal, as entidades
participando da natureza de ambos.
O Plano da Mente Animal, nas suas sete subdivisões,
compreende os estados e as condições de entidades, entes ou espíritos que
animam as formas animais da vida, familiares a nós todos. Não é necessário
entrar em detalhes a respeito deste reino ou plano de vida, porque o mundo
animal nos é tão familiar como o nosso próprio.
O Plano da Mente Elemental (C), nas suas sete subdivisões,
compreende as entidades ou entes invisíveis, como são todas as formas
elementais, que participam da natureza da vida animal e da humana em certo grau
e certas combinações. As formas mais elevadas são meio-humanas em inteligência.
O Plano da Mente Humana, nas suas sete subdivisões,
compreende as manifestações da vida e da mentalidade que são comuns ao Homem,
nos seus vários graus e divisões. Nesta relação sabemos que o homem médio atual
ocupa a quarta subdivisão do Plano da Mente Humana, e somente o mais
inteligente cruzou as fronteiras da Quinta Subdivisão. A raça gastou milhões de
anos para alcançar esta posição, e serão necessários muitos mais anos para que
ela passe a sexta e a sétima subdivisões e vá além delas. Mas, lembraí-vos que
existiram raças antes de nós que passaram por esses degraus e nos planos mais
elevados. A nossa própria raça é a quinta (com restos da quarta) que pôs os pés
no Caminho. Contudo, há alguns espíritos avançados da nossa própria raça que
ultrapassaram as massas, e que passaram a sexta e a sétima subdivisões, e muito
poucos entes estão acima deles. O homem da Sexta Subdivisão será o "Super-Homem"; e o da Sétima
"O Homem de Cima".
Na nossa consideração dos Sete Planos Mentais Menores, nós
nos referimos aos Três Planos Elementáis em sentido geral. Não queremos entrar
em detalhes sobre este assunto, porque esta obra limita-se a tratar da
filosofia e dos preceitos em geral. Mas podemos dizer-vos mais, com o fim de
dar-vos uma pequena idéia mais clara das relações destes planos aos mais fami
res deles: os Planos Elementais têm a mesma relação com os planos do
Mentalidade e da Vida Mineral, Vegetal, Animal e Hominal, como as claves pretas
do piano têm para com as claves brancas. As claves brancas são suficientes para
produzir a música, mas há certas escalas ' melodias e harmonias em que as
claves pretas têm a sua parte, e em que a sua presença é necessária. São
necessários também como elos de uitião da
condição do espírito; são entidades-estados, entre os outros diversos planos,
certas formas de desenvolvimento podendo ser atingidas nele; este último
resultado dando ao leitor que pode ter
entre as linhas uma nova luz sobre o processo de Evolução, e uma nova chave
da porta secreta dos lábios da vida entre
um reino e o outro. Os grandes reinos dos Elementais são muito reconhecidos por
todos os ocultistas, e os escritos esotéricos estão cheios de menção deles. Os
leitores de "Zanoni" de
Bulwer Lytton e outras obras semelhantes poderão reconhecer as entidades que
habitam estes planos de vida.
Passando do Grande Plano Mental ao Grande Plano Espiritual,
que poderemos dizer? Como poderemos explicar estes estados mais elevados do
Ente, da Vida e da Mente, às mentes ainda inábeis para compreender e entender
as mais elevadas subdivisões do Plano da Mente Hominal?
A tarefa é impossível. Poderemos falar só nos termos mais
gerais. Como pode a Luz ser descrita a um homem nascido cego? Como explicar o
açúcar a um homem que nunca comeu coisa doce, ou a harmonia a um que nasceu
surdo?
Tudo o que podemos dizer é que os Sete planos Menores do
Grande Plano Espiritual (cada Plano Menor tendo suas sete subdivisões)
compreende os Entes que possuem a Vida, a mente e a Forma acima da do Homem
atual como a deste último é acima do verme terrestre, do mineral ou ainda de
certas formas da Energia ou Matéria. A Vida destes Entes é tão transcendental
para nós, que ainda não podemos pensar nos detalhes dos mesmos; as suas Mentes
são tão transcendentes que para eles nos parecemos pensar um pouquinho, e os nossos processos mentais lhes parecem
simplesmente como um processo material; a Matéria de que as suas formas são
compostas são dos Planos mais elevados da Matéria, contudo, muitos disseram que
eles estão presos na Pura Energia. Que
se poderá dizer de tais Entes?
Nos Sete Planos Menores do Grande Plano Espiritual existem
Entes que poderemos chamar Anjos, Arcanjos, Semideuses. No Plano Menor mais
baixo vivem estas grandes almas que chamamos Mestres e Adeptos. Acima deles
fica a Grande Hierarquia das Hostes Angélicas, inconcebíveis ao homem; e acima
destas ficam os que podem ser chamados sem irreverência Os Deuses, tão elevados na escada da existência estão eles, pois que a
sua existência, inteligência e poder são semelhantes aos atríbuídos pelas raças
de homens às suas concepções da Divindade. Estes Entes estão ainda além dos
mais elevados vôos da imaginação humana, e o epíteto Divino é o único que lhes é aplicável. Muitos destes Entes como
também as Hostes Angélicas tomam muito interesse nos negócios do Universo e têm
uma parte importante neles. Estas Invisíveis Divindades e Anjos Protetores
estendem a sua influência livre e ~osamente no processo da Evolução e do
Progresso Cósmico. A sua ocasional intervenção e assistência nos negócios
humanos criou as muitas lendas, crenças, religiões e tradições da raça passada
e presente. Eles muitas vezes impuseram ao mundo os seus conhecimentos e
poderes conforme a Lei do TODO.
Mas, ainda mesmo os mais elevados destes Entes adiantados
,existem simplesmente como criações da Mente do TODO, e são sujeitos aos
Processos Cósmicos e às Leis Universais. Eles são ainda Mortais. Podemos
chamá-los deuses comparados concsco,
mas ainda são os Irmãos mais Velhos da Raça, as almas mais avançadas que
ultrapassam os seus irmãos, e que renunciaram ao êxtase da Absorção pelo TODO,
com o fim de ajudar a,raça na sua jornada para subir o Caminho. Mas eles
pertencem ao Universo e estão sujeitos às suas condições (são mortais) e o seu
plano está abaixo do plano do Espírito Absoluto.
Somente os mais avançados hermetistas são aptos para
compreender os mais ocultos Preceitos a respeito dos estados de existência e
dos poderes manifestados nos Planos Espirituais. Os fenômenos são tão
superiores aos dos Planos Mentais que uma confusão de idéias resultaria
certamente se atentássemos em descrevê-los. Somente aqueles cujas mentes foram
muito adestradas nas linhas da Filosofia hermética por muitos anos certamente
que estes transportam consigo de outras encarnações o conhecimento adquirido
previamente - podem compreender justamente o que é significado pelo Ensinamento
sobre este Plano Espiritual. E muitos destes Preceitos Secretos são considerados
pelos hermetistas como sendo sagrados, importantes e perigosos para a
disseminação ao público em geral. Os estudantes inteligentes podem reconhecer
que significamos com isto a idéia que a significação da palavra Espírito, como é empregada pelos
hermetistas, é semelhante à de Poder
Vivente, Força Anitriada, Essência Oculta, Essência da Vida, etc., que não
deve ser confundido com o termo usual e comumente empregado em relação com os
termos, isto é, religioso, eclesiástico
espiritual, etéreo, santo, etc. Aos ocultistas a palavra Espírito se emprega ro sentido d"O Princípio Animado", entendendo com
isto a idéia de Poder, Energia Vivente, Força Mística, etc. E os ocultistas
sabem que o que é conhecido por eles como Poder
Espiritual pode ser empregado para o mau como para o bom fim (em
concordância com o Princípio de Polaridade), fato que foi reconhecido pela
maioria das religiões nas suas concepções de- Satã, Belzebu, o Diabo, Lúcifer,
Anjos caídos, etc. E assim os conhecimentos a respeito destes Planos foram conservados
no Santo dos Santos, na Câmara Secreta do Templo de todas as Fraternidades
Esotéricas e Ordens Ocultas.
Mas podemos dizer aqui que aquele que atingiu os poderes
espirituais superiores e empregou-os mal tem um terrível destino para si na
história, e a vibração do pêndulo do Ritmo inevitavelmente lança-lo-á no
extremo mais baixo da existência Material, de cujo ponto ele tem de fazer a sua
caminhada de prisão espiritual, pelas muitas voltas do Caminho, mas sempre com
a tortura de ter sempre oonsigo urna ligeira memória das alturas de que caiu
por causa das suas más ações. A lenda da Queda dos Anjos tem uma base nos fatos
atuais como sabem todos Os ocultistas avançados. Os esforços para poderes
egoístas no Plano Espiritual inevitavelmente traz como resultado no espírito
egoísta a perda da sua balança espiritual e a queda do mesmo modo que foi
elevado previamente. Mas, ainda para tal alma, é dada a oportunidade da volta,
e ela toma o caminho de volta, pagando a terrível penalidade de acordo com a Ui
invariável.
Em conclusão vamos agora lembrar-vos que relativamente (de
acordo com ele) ao Princípio de Correspondência, que contém a verdade: O que está em cima é como o que está embaixo,
e o que está embaixo é como o que está em cima, todos os Sete Princípios Herméticos
estão em muitas operações em todos os diversos planos Físicos, Mental e
Espiritual. O Princípio da Substância Mental aplica-se a todos os planos,
porque tudo nasceu na Mente do TODO. O Princípio de Correspondência se
manifesta em tudo, porque há uma correspondência, harmonia e correlação entre
os diversos planos. O Princípio de Vibração se manifesta em todos os planos-,
com efeito, a verdadeira diferença que faz os planos resulta da Vibração, como explicamos. O Princípio de
Polaridade manifesta-se em todos os planos, porque os extremos dos Pólos são
aparentemente opostos e contraditórios. O Princípio de Ritmo manifestasse em
todos os Planos, o movimento dos fenômenos tendo o seu fluxo e refluxo, a sua
alta e baixa. O Princípio de Causa e Efeito se manifesta em todos os Planos,
cada Efeito tendo a sua Causa e cada Causa tendo o seu Efeito. O Princípio de
Gênero manifesta-se em todos os Planos, sendo a Energia Criadora sempre
manifestada e operando ela pela linha dos Aspectos Masculinos e Femininos.
O que está em
cima é como o que está embaixo, e o que
está embaixo é como o que está em cima.
Este axioma hermético de centenas de anos compreende um dos
grandes Princípios dos Fenômenos Universais. Como procedemos com as nossas
considerações dos Princípios permanentes, vamos ter ainda mais claramente a
verdade da natureza universal deste grande Princípio de Correspondência.
CAPÍTULO IX
A VIBRAÇÃO
"Nada
está parado, tudo se move, tudo vibra." - CAIBALION -
O Terceiro Grande Princípio hermético - o Princípio de
Vibração - compreende a verdade que o Movimento é manífestado em tudo no
Universo, que nada está parado, que tudo se move, vibra e circula. Este
princípio hermético foi reconhecído por muitos dos maiores filósofos gregos que
o introduziam em seus sistemas. Mas, depois, por muitos séculos, foram perdidos
pelos pensadores que estavam fora das fileiras herméticas. Mas no 9."
século a ciência física descobriu novamente a verdade e as descobertas
científicas do século XX acrescentaram as provas de exatidão e verdade da
secular doutrina hermética.
Os Ensinamentos herméticos são que não somente tudo está em
movimento e vibração constante; mas também que as diferenças entre as diversas manifestações do poder universal são
devidas inteiramente à variação da escala e do modo das vibrações. Não só isto,
mas também que O TODO em si Mesmo manifesta uma constante vibração de um grau
tão infinito de intensidade e movimento rápido que praticamente pode ser
considerado como estando parado. Os instrutores dirigem a atenção do estudante
para o fato de que, ainda no plano físico, um objeto que se move rapidamente
(como uma roda girante) parece estar parado. Os Ensinamentos são que com efeito
o Espírito está num lado do Pólo de Vibração, e o outro Pólo é certa forma extremamente
grosseira da Matéria. Entre estes dois pólos estão milhões de milhões de
escalas e modos de vibração.
A Ciência Moderna provou que o que chamamos Matéria e
Energia é simplesmente modo de movimento
vibratório, e muitos dos mais adiantados cientistas estão-se movenào
rapidamente para os ocultistas que sustentam que os fenômenos da Mente são
modos semelhantes de vibração e movimento. Permiti-nos examinar o que disse a
ciência sobre -a questão das vibrações na matéria e na energia.
Em último lugar, a ciência ensina que toda a matéria
manifesta, em alguns graus, as vibrações procedentes da temperatura ou calor.
Seja um objeto quente ou frio - ambos sendo simplesmente graus da mesma coisa -
ele manifesta certas vibrações quentes, e neste sentido está em movimento e
vibração. Logo todas as partículas da Matéria estão em movimento circular,
desde os corpúsculos até os sóis. Os planetas giram ao redor dos sóis, e muitos
deles giram sobre seus eixos. Os sóis movem-se ao redor dos grandes pontos
centrais, e crê que estes se movem ao redor de maiores, e assim por diante, até
o infinito. As moléculas de que as espécies particulares da Matéria são
compostas se acham num estado de constante vibração e movimento umas ao redor
das outras. As moléculas são compostas de Átomos, que, semelhantemente, se
acham em estado de constante movimento e vibração.
Os átomos são compostos de Corpúsculos, muitas vezes
chamados elétrons, íons, etc. que
também estão em estado de movimento rápido, girando um ao redor do outro, e que
manifestam um estado e um modo verdadeiramente rápido de vibração. E vemos
assim que todas as formas da Matéria manifestam a Vibração, de acordo com o
Princípio hermético de Vibração.
E assim é com as diversas formas da Energia. A Ciência
ensina que a Luz, o Calor, o Magnetismo e a Eletricidade são simplesmente
formas de movimento vibratórío provavelmente emanadas do Éter. A Ciência até
agora não procurou explicar a natureza dos fenômenos conhecidos como Coesão,
que é o principio da Atração Molecular, nem a Afinidade Química, que é o
princípio da Atração Atômica, nem a Gravitação (o maior mistério destes três),
que é o princípio da atração pela qual uma partícula ou massa de Matéria é
atraída por outra partícula. Estas três formas da Energia não são ainda compreendidas
pela ciência, contudo, os escritores inclinarn-se para a opinião que estas três
são manifestações da mesma forma da energia vibratória, fato que os hermetistas
descobriram e disseram nos tempos passados.
O Éter Universal, que é postulado pela ciência sem que a sua
natureza seja compreendida claramente, é considerado pelos hermetistas corno
sendo uma manifestação elevada daquilo que é erroneamente chamado matéria, isto
é, a Matéria a um grau elevado de vibração, é chamada por eles "A Substância Etérea". Os
hermetistas ensinam que esta Substância Etérea é de extrema tenuidade e
elasticidade, e penetra o espaço universal, servindo como meio de transmissão
das ondas da energia vibratória, corno o calor, a luz, a eletricidade, o
magnetismo, etc. Os Ensinamentos são que a Substância Etérea é um elo de união
entre as formas da energia vibratória conhecida como . Matéria, de um lado, e a Energia ou Força, de outro lado; e
também que ela manifesta um grau de vibração, em escala e modo inteiramente
particular.
Os cientistas ofereceram o exemplo de uma roda, pião ou para
mostrar os efeitos das cilindro movendo-se rapidamente escalas aumentativas da
vibração. O exemplo supõe uma roda, pião ou cilindro, girando numa pequena
escala de ligeireza. Suponhamos que o objeto se move lentamente. Ele pode ser
visto facilmente, mas nenhum som do seu movimento penetra no ouvido. A
ligeireza é aumentada gradualmente. Em poucos momentos o seu movimento toma-se
tão rápido que um surdo ruído ou uma nota baixa pode ser ouvida. Então como a
escala é aumentada a nota sobe mais na escala 'musical. O movimento sendo ainda
mais aumentado, a última nota superior é melhor ouvida. Aí', uma depois da
outra, todas as notas da escala musical aparecem, subindo cada vez mais
conforme é aumentado o movimento. Finalmente, quando o movimento passou uma
certa escala, a nota final perceptível aos ouvidos humanos é alcançada, um som
agudo soa morrendo ao longe, e segue-se o silêncio. Nenhum som do objeto
girante é ouvido, o grau de movimento sendo tão elevado que o ouvido humano não
pode registrar as vibrações.
Então começa a percepção dos graus ascendentes do calor e
depois de algum tempo o olho percebe um vislumbre do objeto que se torna uma
escuridão de cor avermelhada. Como o grau aumenta, o vermelho fica mais claro.
Como a ligeireza ainda é aumentada, o vermelho passa ao alaranjado. O
alaranjado passa ao amarelo. Depois seguem-se, sucessivamente as representações
do verde, azul, anil, e finalmente violeta, conforme for aumentando a grau de
ligeireza. Então a cor violeta desaparece, e todas as cores desaparecem, a
vista humana não sendo capaz de registrá-las. Mas existem raios invisíveis que
emanam do objeto girante, os raios usados na fotografia, e outros raios sutis
da luz. Então começam a manifestar-se os raios peculiares conhecidos como os Raios X, etc., conforme se transforma a
constituição do objeto. A Eletricidade e o Magnetismo são emitidos quando for
atingido o grau apropriado de vibração.
Quando o objeto atinge um certo grau de vibração as suas
moléculas se desintegram e giram por si mesmas nos elementos originais ou
átomos.
Os átomos por sua vez, seguindo o Princípio de Vibração, são
separados nos pequenos corpúsculos de que são formados. E finalmente, mesmo os
corpúsculos desaparecem e pode-se dizer que o objeto é composto da Substância
Etérea. A Ciência não continua para diante o exemplo, mas os hermetístas
ensinam que, se as vibrações fossem aumentando continuamente, o objeto subiria
pelos estados sucessivos de manifestação e poderia manifestar os diversos graus
mentais na direção do Espírito; então ele poderia reentrar finalmente no TODO,
que é o Espírito Absoluto. O objeto, contudo,
teria deixado de ser um objeto desde
que tivesse subido ao degrau da Substância Etérea, mas apesar disso a
ilustração é correta porque mostra o efeito do grau e modo de vibração
aumentada constantemente. Deve ser lembrado na ilustração acima que nos graus
em que o objeto expele vibrações de
luz, calor, etc., ele não está atualmente resolvido
nestas formas da energia (que são muito elevadas na escala), mas
simplesmente alcança um grau de vibração em que estas formas de energia são
livradas, em certo grau, das influências restritivas das suas moléculas, seus
átomos e corpúsculos, como pode ser o caso. Estas formas de energia, apesar (e
muito mais ele . vadas na escala do que a matéria, estão aprisionadas e
limitadas nas combinações materiais, pela.razão que as energias manifestam e
empregam as formas materiais, mas estão restringidas e limitadas nas suas
criações destas formas, de modo que estas são, para um modo de entender, as
mais verdadeiras de todas as criações, ficando a força criadora envolvida na
sua criação.
Mas os Ensinamentos herméticos vão muito além dos da ciência
moderna. Eles ensinam que, toda a manifestação do pensamento, emoção,
raciocínio, vontade, desejo, qualquer condíção ou estado, são acompanhados por
vibrações, uma porção, das quais é expelida e tende a afetar a mente de outras
pessoas por indução.
Este é o princípio que produz os fenômenos de telepatia, influência mental e outras
formas da ação e do Poder do mente com que se está acostumando rapidamente, por
causa da completa disseminação dos conhecimentos Ocultos pelas diversas
escolas, cultos e instrutores na época atual.
Todos os pensamentos, todas as emoções ou estados mentais
têm o seu grau e modo de vibração. E por um esforço da vontade da pessoa, ou de
outras pessoas, estes estados mentais podem ser reproduzidos, do mesmo modo que
o tom musical pode ser reproduzido por meio da vibração de um instrumento em
certo grau e assim como a cor pode ser reproduzida da mesma forma. Pelo
conhecimento do Princípio de Vibração, aplicado aos Fenômenos Mentais, pode-se
polarizar a sua mente no grau que quiser, adquirindo assim um perfeito domínio
sobre os seus estados mentais, as disposições, etc. Do mesmo modo pode afetar
as mentes dos outros, produzindo nelas os estados desejados. Por fim, ele pode
produzir no Plano Mental o que a ciência produz no Plano Físico,
principalmente, Vibrações à Vontade. Este poder pode ser adquirido
somente pela instrução própria, pelos exercícios, práticas, etc., da ciência da
Transmutação Mental, um dos ramos da Arte hermética.
Uma pequena reflexão sobre o que dissemos mostrará ao
estudante que o Princípio de Vibração compreende os admiráveis fenômenos do
poder manifestado pelos Mestres e Adeptos, que aparentemente são capazes de
destruir as Leis da Natureza mas que em realidade simplesmente usam uma lei
contra outra, um princípio contra outro; e que obtêm os seus resultados mudando
as vibrações dos objetos materiais ou formas de energia, e então realizam o que
é comumente chamado milagre.
Diz um dos velhos escritores herméticos: "Aquele que compreende o Princípio de
Vibração alcançou o cetro do Poder."
CAPÍTULO X
A POLARIDADE
"Tudo é
duplo; tudo tem dois pólos; tudo tem seu par de opostos; o semelhante e o
dessemelhante são uma só coisa; os
opostos são idênticos em natureza,
mas diferentes em grau; os extremos
se tocam; todas as verdades são
meias-verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados." - O
CAIBALION -
O Quarto Grande Princípio hermético - o Princípio de
Polaridade - contém a verdade que todas as coisas manifestadas têm dois lados, dois aspectos, dois pólos
opostos, com muitos graus de diferença entre os dois extremos. Os velhos
paradoxos, que ainda deixaram perplexa a mente dos homens, são explicados pelo
conhecimento deste Princípio.
O homem também reconheceu muitas coisas- semelhantes a este
Princípio e tentou exprimi-lo por estas máximas e aforismos: Tudo existe e não existe ao mesmo tempo, todas as verdades são meias-verdades,
todas as verdades são meio-falsas, há dois lados em tudo, todo verso tem o seu reverso, etc.
Os Ensinos herméticos são, com efeito, que a diferença entre
as coisas que se parecem diametralmente opostas é simplesmente questão de
graus. Eles ensinam que os pares de
opostos podem ser reconciliados, e que a reconciliação universal dos
opostos é efetuada pelo conhecimento deste Princípio de Polaridade. Os
instrutores dizem que os exemplos deste Princípio podem ser dados a qualquer
pessoa, e por meio de uma examinação da natureza real das coisas. Eles conhecem
porque afirmam que o Espírito e a Matéria são simplesmente dois pólos da mesma
coisa, sendo os planos intermediários simplesmente graus de vibração. Eles
afirmam que o ToDo e o Muito são a mesma coisa, a diferença sendo simplesmente
questão de grau de manifestação mental. Assim a LEi e as Leis são os dois pólos
de uma só coisa. Do mesmo modo o PRINcípio e os Princípios, a Mente Infinita e
a mente finita.
Então passando ao Plano Físico, eles explicam o Princípio
dizendo que o Calor e o Frio são idênticos em natureza, as diferenças sendo
simplesmente questão de graus. O termômetro marca diversos graus de
temperatura, chamando-se o pólo mais baixo frio, e o mais elevado calor. Entre estes dois pólos estão
muitos graus de calor ou frio,
chamai-os qualquer dos dois que não cometereis erro algum. O mais elevado dos
dois graus é sempre o mais quente, enquanto
que o mais baixo é sempre o trais frio. Não
há demarcação absoluta; tudo é questão de grau. Não há lugar no termômetro em
que cessa o calor e começa o frio. Isto é questão de vibrações mais elevadas ou
menos elevadas. Mesmo os termos alto e
baixo (inferiores e superiores), que 'somos obrigados a usar, são
unicamente pólos da mesma coisa; os termos são relativos. Assim como o Oriente e o Ocidente; viajai ao redor do mundo e na direção do Oriente, e
chegareis a um ponto que é chamado Ocidente, ao vosso ponto de partida, e
voltareis deste ponto oriental. Viajai para o Norte e parecer-vos-á viajar no
Sul, ou vice-versa.
A Luz e a Obscuridade são pólos da mesma coisa, com muitos
graus entre elas. A escala musical é a mesma coisa: vibrando o ponto
"C" movei-o para cima até que encontrais outro ponto "C", e
assim por diante, a diferença entre as duas extremidades da corda sendo a
mesma, com muitos graus entre os dois extremos. A escala das cores é a mesma:
pois que as mais elevadas e as mais baixas vibrações são simplesmente
diferenças entre o violeta superior e o vermelho inferior. O Grande e o Pequeno
são relativos. Assim também o Ruído e o Silêncio, o Duro e o Flexível. Tais são
o Agudo e o Liso. O Positivo e o Negativo são dois pólos da mesma coisa, com
muitos graus entre eles.
O Bem e o Mal não são absolutos; chamamos uma extremidade da
escala Bem e a outra Mal. Uma coisa é
menos boa, que a coisa mais elevada na escala, mas esta coisa -menos boa, por sua vez, é mais boa
(melhor) que a coisa imediatamente inferior a ela; e assim por diante, o mais ou o menos sendo regulado pela posição na escala.
E assim é no Plano Mental. O Amor e o ódio são geralmente considerados como sendo coisas
diametralmente opostas entre si, inteiramente diferentes, irreconciliáveis. Mas
aplicamos o Princípio de Polaridade, e supomos que não há coisa de Amor
Absoluto ou de ódio Absoluto, como distintos um do outro. Ambos são
simplesmente termos aplicados aos dois pólos da mesma coisa. Começando num
ponto da escala encontramos mais amor ou
menos ódio, conforme subirmos a escala; e mais ódio e menos amor, conforme
descermos: sendo verdade que não há matéria de cujo ponto, superior ou
inferior, possamos admirar. Há graus de Amor e de Ódio, e há um ponto médio em
que o semelhante e o dessemelhante tornam-se
tão insignificantes que é difícil fazer distinção entre eles. A Coragem e o
Medo seguem a mesma regra. Os pares de opostos existem em toda parte. Onde
encontrardes uma coisa encontrareis o seu oposto: os dois pólos.
E é este fato que habilita o hermetista a, transmutar um
estado mental, em outro, conforme as linhas da Polarização. As coisas
pertencentes a diferentes classes não podem ser transmutodas em uma outra, mas
as coisas da mesma classe podem ser transmutadas, isto é, podem ter a sua
polaridade mudada. Assim o Amor pode ser Oeste ou Leste, Vermelho ou Violeta,
mas pode tornar-se e imediatamente se torna em ódio, e do mesmo modo, o ódio
pode ser transformado em Amor, pela mudança da polaridade. A Coragem pode ser
mudada em Medo e vice-versa. As coisas duras podem ficar moles. As coisas
agudas podem ficar lisas. As coisas frias podem ficar quentes. E assim por
diante, a transmutação sendo sempre entre coisas da mesma natureza, porém de
graus diferentes. Tomemos o caso de um homem medroso. Elevando as suas
vibrações mentais na linha do Medo e da Coragem, pode chegar a possuir maior
grau (e Coragem e Intrepidez. E de igual modo um homem preguiçoso pode mudar-se
em um indivíduo ativo, enérgico, simplesmente pela polarização na direção da
qualidade desejada.
O estudante que está familiarizado com os processos pelos
quais as diversas escolas de Ciência mental, etc., produzem modificações nos
estados mentais dos que empregam os seus ensinos, poderá não compreender o
princípio que opera estas mudanças. Contudo, quando o Princípio de Polaridade é
compreendido, ele vê que as mudanças mentais são ocasionadas por uma mudança de
polaridade, uma descida na mesma escala: o assunto é facilmente compreendido. A
mudança não é da natureza de uma transrnutação de uma coisa em outra coisa
inteiramente diferente, mas é simplesmente uma mudança de grau nas mesmas
coisas, uma diferença muito importante. Por exemplo, tomando uma analogia do
Plano Físico, é impossível mudar o Calor em Agudeza, Ruído, Altura, etc., mas o
Calor pode ser transmutado em Frio, simplesmente pela diminuição dás
'vibrações. Da mesma forma o ódio e o Amor são mutuamente transmutáveis; assim
também o Medo e a Coragem. Mas o Medo não pode ser mudado em Amor, nem a
Coragem em Mo. Os estados mentais pertencem a inúmeras classes, cada classe deles
tem dois pólos opostos, entre os quais a transmutação é possível.
O estudante reconhecerá facilmente que nos estados mentais,
bem como nos fenômenos do Plano Físico, os dois pólos podem ser classificados
como Positivo e Negativo, respectivamente. Assim o Amor é Positivo para o ódio,
a Coragem para o Medo, a Atividade para a Indolência, etc. E também pode-se
dizer ainda que aos que não estão familiarizados com o Princípio de Vibração, o
pólo Positivo parece ser de um grau mais elevado que o pólo Negativo, e
dominá-lo imediatamente. A tendência da Natureza é na direção da atividade
dominante do pólo Positivo.
Para acrescentar mais alguma coisa à mudança dos pólos dos
próprios estados mentais de cada um pela operação da arte de, Polarização, os
fenômenos da Influência mental, nas suas diversas fases, nos mostram que este
princípio pode estender-se até ao fenômeno da influência de uma mente sobre
outra, de que muito se tem escrito nos últimos anos. Quando se compreende que a
Indução mental é possível, isto é, que estes estados mentais são produzidos
pela indução de outros, então se pode ver imediatamente como um certo grau de
vibração, ou a polarização de um certo estado mental, pode ser comunicado a
outra pessoa, e assim se muda a sua polaridade nesta classe de estados mentais.
É conforme este princípio que os resultados de muitos tratamentos mentais são
obtidos. Por exemplo, uma pessoa é azul, melancólica e cheia de medo. Um
cientista mental adestrando pela sua própria vontade a sua mente à desejada vibração,
obtém a desejada polarização no seu próprio caso, então produz um estado mental
semelhante no outro por indução, o resultado sendo que as vibrações são
elevadas e a pessoa polarizada no lado Positivo da escala em vez do lado
Negativo, transmutadas em e o seu Medo e outras emoções negativas são , Coragem
e nos estados mentais positivos similares. Um pequeno estudo mostrar-vos-á que
estas mudanças mentais são quase todas de conformidade com a linha de
Polarização, a mudança sendo de grau e não de espécie.
O conhecimento da existência deste grande Princípio
hermético habilitará o estudante a compreender melhor os seus próprios estados
mentais e o das outras pessoas. Ele verá que estes estados são todos questão de
graus, e vendo assim, ele poderá elevar ou a-baixar a vibração à vontade, mudar
os seus pólos mentais, em vez de ser o seu servo e escravo. E por este
conhecimento poderá auxiliar inteligentemente os seus semelhantes, e pelo
método apropriado mudar a -polaridade quando desejar.
Aconselhamos todos os estudantes a famliarizarem-se com este
Princípio de Polaridade, porque uma exata compreensão dó mesmo esclarecerá
muitos assuntos difíceis.
CAPÍTULO XI
O RITMO
"Tudo tem fluxo e refluxo;
tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por
oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento
à esquerda; a ritmo é a
compensação." - O CAIBALION -
O Quinto Grande Princípio Hermético - o Princípio de Ritmo -
encerra a verdade que em tudo se manifesta um movimento proporcional, um
movimento de um lugar para outro, um fluxo e refluxo, um movimento para diante
e para trás, um movimento semelhante ao do pêndulo, uma maré baixa e uma maré
alta entre os dois Pólos que se manifestam nos planos físico, mental e
espiritual. O Princípio de Ritmo está em relação com o Principio de Polaridade
descrito rio capítulo precedente. O Ritmo se manifesta entre os dois Pólos
estabelecidos pelo Princípio de Polaridade. Isto não significa, porém, que o
pêndulo do Ritmo vibra nos pólos extremos, porque isto raramente acontece; com
efeito, na maioria dos casos, é muito difícil estabelecer o extremo polar
Oposto. Mas a vibração vai primeiro para
o lado de um Pólo e depois para o do outro.
Há sempre uma ação e uma reação, uma marcha e uma retirada,
uma alta e uma baixa, manifestadas em todos os tons e, fenômenos do Universo.
Os sóis, os mundos, os homens, os animais, as plantas, os minerais, as forças,
a energia, a mente a matéria e mesmo o Espírito manifestam este Princípio. O
Princípio se manifesta na criação e destruição dos,mundos, na elevação e queda
das nações, na vida histórica de todas as coisas, e finalmente nos estados
mentais do Homem.
Começando com as manifestações do Espírito ou do TODO,
pode-se dizer que existem a Elusão e
a Infusão; a "Expiração e a Inspiração de Brahm", como diz
a expressão dos Brâmanes. Os Universos são criados; eles chegam ao ponto mais
baixo de materialidade, e logo começam a sua vibração para cima. Os sóis nascem
à existência, e sendo atingida a sua maior força, o processo de retrocesso
começa, e depois de eons de tempo
eles se tornam inertes massas de matéria, esperando um outro impulso que
novamente ponha as suas energias interiores na atividade e começa um novo ciclo
de vida solar. E assim é com todos os mundos; nasceram, viveram e morreram: é
só renascer. E,assitn é com todas as coisas de figura e forma; elas vibram da
ação para a reação, do nascimento para a morte, da atividade para a inatividade
voltam para trás.
Assim é com todas as coisas viventes; nasceram, cresceram,
morreram, e depois tomaram a nascer. Assim é com todos os grandes movimentos,
as filosofias, os credos, os costumes, os governos, as nações e todas as outras
coisas: nascer, crescer, amadurecer, decair, morrer e depois renascer. A
vibração do pêndulo está sempre em evidência.
A noite segue o dia, e o dia segue a noite. O pêndulo vibra
do Outono ao Inverno, e depois volta para trás. Os corpúsculos, os átomos, as
moléculas e todas as massas de matéria vibram ao redor do círculo da sua
natureza. Não há coisa alguma de absoluta inércia ou cessação de movimento, e
todo movimento -participa do Ritmo. O princípio é de aplicação universal. Pode
ser aplicado a qualquer questão ou fenômeno de qualquer dos diversos planos de
vida. Pode ser aplicado a todas as fases da atividade humana.
Sempre existe a vibração rítmica de um pólo a outro. O
Pêndulo Universal sempre está em movimento. As marés da Vida sobem e descem de
acordo com a Lei.
O Princípio de Ritmo acha-se bem entendido pela ciência
moderna, e é considerado como uma lei universal aplicada às coisas materiais.
Mas os hermetistas levam o princípio muito além, e sabem que as suas
manifestações e influências se estendem às atividades mentais do Homem, e que
isto se explica pela contínua sucessão de condições, estados, emoções e outras
incômodas e embaraçosas mudanças que observamos em nós mesmos. Mas os
hermetístas, estudando as operações deste Princípio, aprenderam a escapar da
sua atividade pela Transmutação.
Os Mestres hermetistas há muito tempo descobriram que,
conquanto o Princípio de Ritmo seja invariável, e sempre esteja em evidência
nos fenômenos mentais, ainda existem dois planos de sua manifestação tanto
quanto os fenômenos mentais estão incluídos. Descobriram que existem dois
planos gerais de Consciência, o Inferior e o Superior, o conhecimento deste
fato habilita-os a subir ao plano superior e assim escapar da vibração do
pêndulo rítmico que se manifesta no plano inferior. Em outras palavras, a
vibração do pêndulo se realiza no Plano Inconsciente, e a Consciência não é
afetada. A isto eles chamam a Lei de Neutralização. As suas operações consistem
na elevação do Ego acima das vibrações do Plano Inconsciente da atividade
mental, de modo que a vibração negativa do pêndulo não é manifestada na
consciência, e por esta razão eles não são afetados, É semelhante à elevação
acima de uma coisa, deixando-a passar debaixo de vós. Os Mestres hermetistas,
ou os estudantes adiantados, polarizando-se no pólo desejado, e por um processo
semelhante à recusa de participar da
vibração que desce, ou, se preferis, à
negação da sua influência sobre eles, sustêm-se firmes na sua posição
polarizada, e deixam o pêndulo mental vibrar para trás no plano inconsciente.
Todas as pessoas que atingiram todos os graus do domínio próprio realizam isto
mais ou menos inconscientemente, e recusando deixar as suas condições e os seus
estados mentais negativos dominá-las, aplicam a Lei de Neutralização.
O Mestre, contudo, leva-os a um grau muito elevado de
progresso, e pelo uso da sua Vontade atinge um grau de Equilíbrio e Firmeza
mental quase impossível de ser crido pelos que deixam mover-se à direita e à
esquerda pelo pêndulo mental das condições e emoções.
A importância disto pode ser apreciada por qualquer pensador
que compreende que a maioria das pessoas são criaturas de condições, emoções e
sensações, e que só manifestam um domínio próprio muito insignificante. Se
quiserdes deter-vos e examinar um momento, vereis como muitos movimentos de
Ritmo vos afetaram em vossa vida, como um período de Entusiasmo foi
invariavelmente seguido por uma sensação e condição de Depressão. Do mesmo
modo, as vossas condições e períodos de Coragem foram seguidos por iguais
condições de Medo. E assim sempre aconteceu com a maioria das pessoas: tempos
de sensação sempre apareceram e desapareceram com elas, mas elas não
suspeitaram a causa ou razão do fenômeno mental. A compreensão das operações
deste Princípio dará à pessoa a chave para o Domínio destes movimentos rítmicos
de emoções, e habilitá-la-á a conhecer melhor a si mesma e a evitar de ser
levada por estes fluxos e refluxos. A Vontade é superior à manifestação
consciente deste Princípio, todavia o próprio Princípio não pode ser destruído.
Podemos escapar dos seus efeitos, porém, apesar disso, o Princípio está em
operação. O pêndulo sempre se move, porém, nós podemos escapar de sermos
levados por ele.
Há outras espécies de operações deste Princípio de Ritmo
,ck- que queremos falar agora. Acha-se na sua ação aquilo que é conhecido como
a Lei de Compensação. Uma das definições ou significações da palavra Compensação é contrabalançar, que é o
sentido em que os hermetistas empregam o termo. É a esta Lei de Compensação a
que se refere o Caibalion, quando
diz:
"A medida
do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é
a compensação."
A Lei de Compensação é que o movimento numa direção determi
na o movimento na direção oposta, ou para o pólo oposto; um balança ou
contrabalança o outro. No Plano Físico vemos -muitos exemplos desta Lei. O
pêndulo do relógio move-se em certa distância à direita, e depois numa igual
distância à esquerda. As estações balançam-se umas às outras da mesma forma. As
marés seguem a mesma Lei. E a mesma Lei é manifestada em todos os fenômenos de
Ritmo. O pêndulo com brevidade move-se numa direção, e com a mesma brevidade na
outra; um movimento extenso à direita representa invariavelmente um movimento
extenso à esquerda. Um objeto atirado para cima a uma certa altura tem uma
igual distância para atravessar na volta. A força com que um projétil é
arremessado uma milha para cima é reproduzida quando o projétil volta à terra.
Esta Lei é constante no Plano Físico, como vos mostrará uma referência às
autorídades-modelos.
Porém, os hermetistas levam isto muito mais longe. Eles
ensinam que os estados mentais de um homem estão sujeitos à mesma Lei. O homem
que goza sutilmente está sujeito a sofrimentos sutis; ao passo que aquele que
sente poucas penas só é capaz de sentir pouco gozo. O porco sofre porém muito
pouco mentalmente, e também goza muito pouco: é compensado. E do outro lado,
temos outros animais que gozam sutilmente, mas cujo organismo nervoso e
temperamento lhes faz sofrer esquisitos graus de penas. E assim é com o Homem.
Existem temperamentos que permitem um grau muito inferior de gozo, e igualmente
um grau inferior de sofrimento-) enquanto que há outros que permitem um gozo
mais intenso, mas também um sofrimento mais intenso. A verdade é que a
capacidade para o sofrimento ou gozo é contrabalançada em cada indivíduo. A Lei
de Compensação está aí em constante operação.
Contudo, os Hermetistas ainda vão mais além neste assunto.
Eles ensinam que antes que alguém possa gozar um certo grau de prazer, deverá
ter movido, proporcionalmente para o outro pólo da sensação. Dizem, contudo,
que o Negativo é procedente do Positivo, nesta questão, quer dizer que
experimentando um certo grau de prazer não se segue que se deverá pagar por isto com um grau
correspondente de sofrimento; pelo contrário, o prazer é o movimento rítmico,
concordando com a Lei de Compensação, para um grau de sofrimento
precedentemente experimentado na vida presente, ou numa encarnação precedente.
Isto traz nova luz sobre o Problema do sofrimento.
Os Hermetistas consideram a cadeia das vidas como contínua,
e como formando parte de uma vida do indivíduo, demodo que, por, conseguinte, o
movimento rítmico por esta forma é compreendido enquanto que não teria
significação sem que fosse admitida a verdade da reencarnação.
Porém, os hermetistas pregam que o Mestre ou o estudante
adiantado está habilitado' em grau elevado, a escapar o movimen,to para o
Sofrimento, pelo processo de Neutralização antes mencionado. Elevando-se ao
plano superior do Ego, muitas das experiências que acontecem aos que vivem no
plano inferior são evitadas e escapadas.
A lei da Compensação toma uma parte importante nas vidas dos
homens e das mulheres. É sabido que geralmente uma pessoa paga o preço de ttdo o que possui ou carece. Se tem alguma coisa,
carece de outra: a balança é equilibrada. Ninguém pode guardar o seu dinheiro e ter a migalha de pão ao mesmo tempo.
Todas as coisas têm os seus lados prazenteiro e desprazenteiro. As coisas que
se ganham são sempre pagas pelas coisas que se perdem. O rico possui muito do
que falta ao pobre, ao mesmo tempo que o pobre também possui coisas que estão
fora do alcance dos ricos. O milionário poderá ter inclinação para muitos
festins, e a opulência com que sustentar todas as delícias e luxúrias da mesa,
mas carece do apetite para gozar dela; ele inveja o apetite e a digestão do
trabalhador, que carece da opulência e das inclinações do milionário, e que tem
mais prazer com o seu simples alimento do que o milionário poderia ter, se o
seu apetite não fosse mau, nem a sua digestão arruinada, porque as
necessidades, os hábitos e as inclinações diferem. E assim é através da vida. A
Lei de Compensação está sempre em ação, esforçando-se para balançar e
contrabalançar, e sempre vindo a tempo, sendo necessário diversas vidas para o
movi mento de volta do Pêndulo do Ritmo.
CAPÍTULO XII
A CAUSALIDADE
"Toda
Causa tem seu Efeito; todo Efeito tem sua Causa; todas as coisas acontecem de acordo com a Lei; o Acaso é simplesmente um
nome dado a uma Lei não reconhecida; existem muitos planos de causalidade, mas nada escapa à Lei." - O
CAIBALION -
O Sexto Grande Princípio hermético - o Princípio de Causa e
Efeito - contém a verdade que a Lei domina o Universo, nada acontece por Acaso,
que este é simplesmente um termo para indicar a causa existente, porém não
reconhecida ou percebida; 'que os fenômenos são contínuos, sem interrupção ou
exceção.
O Princípio de Causa e Efeito está oculto em todas as idéias
científicas antigas e modernas, e foi anunciado pelos Instrutores Herméticos
nos primitivos dias. Quando se levantaram muitas e variadas disputas entre as
diversas escolas de pensamento, estas disputas foram principalmente sobre os
detalhes das operações do Princípio, e ainda às mais das vezes sobre a
significação de certas palavras. O Princípio obscuro de Causa e Efeito foi
aceito como exato praticamente por todos os pensadores de nomeada do mundo
inteiro. Pensar de outro modo seria subtrair os fenômenos do universo do
domínio da Lei e da Ordem, e proscrevê-lo ao domínio de uma causa imaginária
que os homens chamaram o Acaso.
Uma -pequena consideração mostrará a todos que em realidade
não existe coisa alguma de puro. Acaso. Webster define a palavra Acaso do modo seguinte: "Um suposto agente ou r,,íodo de atividade diferente da força, lei
ou propósito; a operação de atividade de tal agente; o suposto eleito deste
agente; um acontecimento fortuito,
uma causalidade, etc." Porém, um pequeno exame ' mostrar-vos-á que não
existe um agente como Acaso, no
sentido de uma coisa fora da lei, uma coisa fora de Causa e Efeito. Como
poderia ser uma coisa que agisse no universo fenomenal, independente das leis,
da ordem e da continuidade deste último? Tal coisa seria inteiramente
independente do movimento ordenado do universo, e portanto superior a este. Não
podemos imaginar nada fora do TODO que esteja fora da Lei, e isto somente
porque o ToDo é a própria LEI. Não há lugar no universo para uma coisa fora e
independente da Lei. A existência de tal Coisa tomaria sem efeito todas as Leis
Naturais, e mergulharia o universo em uma desordem e ilegalidade caótica.
Um exame cuidadoso mostrará que aquilo que chamamos Acaso é simplesmente um modo de exprimir
as causas obscuras; as causas que não podemos compreender. A palavra Acaso
derivada de uma palavra que significa cair
(como a caída dos dados) 1 dando a idéia de que a caída dos dados (e de
muitos jogos de azar) é simplesmente um acontecimento
que não tem relação com qualquer causa. E é este o sentido em que
geralmente é empregado o termo. Mas quando o assunto é examinado secretamente,
vè-se que não há nenhum acaso na caída dos, dados.i Todos os dias 'cal uma
morte, que desagrada a um certo número de pessoas; ela obedece a uma lei do
infalível como a que governa a revolução dos planetas ao redor do sol. Atrás da
vinda da morte estão as causas, ou cadeias de causas, movendo-se além do lugar
que a mente pode alcançar. A posição da morte no box, a redução da energia muscular expendida nos golpes, a condição
da mesa, etc., etc., todas são causas, cujo efeito pode ser visto. Mas atrás
destas causas observadas existem cadeias de causas de procedência não
observada, todas as quais têm uma influência sobre o número da morte
predominante.
Se uma morte dura uma grande quantidade de tempo, isto
procederá de que os números manifestados serão quase iguais) isto é, haverá um
número igual de uma mancha, duas manchas,
etc., que são predominantes. Lançai uma moeda ao ar, e ela cairá sobre
quaisquer cabeças ou rabos, mas fazei
um bom número de arremessos e as cabeças e rabos cairão logo. Esta é a operação
da lei proporcional. Mas apesar da proporção e dos simples arremessos estarem
debaixo da Lei de Causa e Efeito, se fôssemos capazes de examinar nas
precedentes causas, seria claramente observado que era simplesmente impossível
para a morte vir de outro modo, nas mesmas circunstâncias e no mesmo tempo.
Dadas as mesmas causas, os mesmos resultados advírão.
Sempre há uma causa e
um porquê para todos os
acontecimentos.
Nada acontece sem
uma causa, ou uma cadeia de causas. Muita confusão houve
nas mentes de pessoas que consideraram este Princípio,
porque não eram
capazes de explicar como uma coisa poderia causar outra
coisa, isto é, ser a
criadora da segunda coisa. Com efeito, como matéria, nenhuma coisa pode
causar ou
criar outra coisa. A Causa e o
Efeito são distribuídos simplesmente como eventualidades.
Uma eventualidade é aquilo que
acontece ou advém, como um resultado ou uma conseqüêncía de diversos eventos
procedentes. Nenhum evento cria outro
evento, mas é simplesmente um elo precedente na grande cadeia ordenada de
eventos procedentes da energia criativa do TODO. Há.uma continuidade entre
todos os acontecimentos precedentes, conseqüentes e subseqüentes. Há uma
relação entre tudo o que veio antes, e tudo o que vem agora. Uma pedra é
deslocada de um lugar montanhoso e quebra o teto de uma cabana lá embaixo no
vale. A princípio consideramos isto como um acontecimento casual, mas quando
examinamos o assunto encontramos uma grande cadeia de causas. Em primeiro lugar
está a chuva que amoleceu a terra que suportava a pedra e que a deixou cair; em
segundo lugar atrás desta está a influência do sol, de outras chuvas, etc., que
gradualmente desintegraram o pedaço de rocha de um pedaço maior, estão as
causas que motivaram a formação da montanha e o seu levantamento pelas
convulsões da natureza, e assim até o infinito.
Então poderíamos procurar as causas atrás da causa da chuva,
etc. Poderíamos considerar a existência do teto. Enfim, logo nos envolveríamos
em uma rede de acontecimentos, causas e efeitos, de cujas malhas intrincadas
não nos poderíamos desembaraçar.
Do mesmo modo que um homem tem dois pais, quatro avós, oito
bisavós, dezesseis trisavós, e assim por diante até que em quarenta gerações
calcula-se o número dos avós remontarem a muitos milhares. Assim é com o número
de causas que se ocultam sob o mais trivial acontecimento ou fenômeno, tal como
a passagem de uma delgada fuligem pelos vossos olhos. Não é coisa agradável
descrever o pedaço de fuligem desde o período primitivo da história do mundo
desde quando ele formava uma parte de um tronco maciço de árvore, que foi
primeiramente transformado em carvão e depois até que passou agora pelos vossos
olhos no seu caminho para outras aventuras. E uma grande cadeia de
acontecimentos, causas e efeitos, trouxe-o à sua condição presente, e a última
é simplesmente uma cadeia dos acontecimentos que poderão produzir outros
eventos centenas de anos depois deste momento. Uma série de acontecimentos
procedentes do delgado pedaço de fuligem foi a escrita destas linhas que fez o
tipógrafo-mestre reformar certa palavra, o revisor fazer a mesma coisa, e que
produzirá certos pensamentos na vossa mente, e de outros, que por sua vez
afetarão outras e assim por diante conforme a habilidade do homem para
raciocinar: e tudo isto da passagem de um delgado pedaço de fuligem, o que mostra
a relatividade e associação das coisas, e o fato anterior que "não há coisa grande, não, bá coisa
pequena, na mente que causa
tudo".
Detende-vos a pensar um momento. Se certo moço não tivesse
encontrado uma certa moça, no obscuro período da Idade da Pedra, vós, que agora
estais lendo estas linhas, não existiríeis agora. E, talvez, se o mesmo casal
não se encontrasse, nós que escrevemos estas linhas, não existiríamos também
agora. E o verdadeiro ato de escrever, da nossa parte, e o ato de ler, da
vossa, poderá não só afetar as respectivas vidas nossas e vossas, mas também
poderá ter uma influência direta ou indireta sobre muitas outras pessoas que
agora vivem e que viverão nas idades futuras. Toda idéia que pensamos, todo ato
que fazemos, tem o seu resultado direto ou indireto que se adapta à grande
cadeia de Causa e Efeito.
Não queremos entrar em consideração sobre o Livre-Arbítrio
ou o determinismo, nesta obra, por várias razões. Entre as diversas razões, a
principal é que nenhum lado da controvérsia é inteiramente verdadeiro; com
efeito, ambos os lados são parcialmente verdadeiros, de acordo com os Preceitos
herméticos. O Princípio de Polaridade mostra que ambos são Meias-Verdades:
pólos opostos da Verdade. Os Preceitos são que o homem pode ser Livre e ao mesmo
tempo limitado pela Necessidade, dependendo isto da significação dos termos e
elevação da Verdade cuja significação é examinada. Os escritores antigos
expressam este assunto, assim: "A criação que está mais distante do Centro
é a mais limitada; quanto mais próximo chega do Centro, tanto mais Livre
é."
A maioria das pessoas são mais ou menos escravas da
hereditariedade, dos que as rodeiam, etc., e manifestam muito pouca Liberdade.
São guiadas pelas opiniões, os costumes e as idéias dc, mundo exterior, e
também pelas suas emoções, sensações e condições, etc. Não manifestam domínio
algum, digno de nome. Indignamente repudiam esta asserção, dizendo: ,pois eu
certamente sou livre para agir e fazer como me apraz; faço justamente o que
quero fazer", mas deviam explicar melhor o quero e o como me, apraz. Que
os faz querer fazer uma coisa de
preferência a outra; que lhes faz aprazer
fazer isto e não aquilo? Não existe por
que para a seu prazer e desejo? O Mestre
pode mudar estes prazeres e vontades em
Outros no lado Oposto do Pólo mental. Ele é capaz de Querer por querer, sem querer por causa das condições, emoções
meio, sem tendência ou desejo. , sensações ou sugestões do A maioria das
pessoas são arrastadas como a pedra que cai, obediente ao meio, às influências exteriores
e às condições e desejos internos, não falando dos desejos e das vontades de
outros mais fortes que elas, da hereditariedade, da sugestão, que as levam sem
resistência da sua parte, sem exercício da Vontade. Movidas, como os peões no
jogo de xadrez da vida, elas tomam parte neste e são abandonadas depois que o,
jogo terminou. Mas os Mestres, conhecendo a regra do jogo, elevam-se acima do
plano da vida material, e colocando-se em relação com as mais elevadas forças
da sua natureza dominam as suas próprias condições, os caracteres, as
qualidades e a polaridade, assim como o meio em que vivem, e deste modo
tornam-se Motores em vez de Peões: Causas em vez de Efeitos. Os Mestres não
escapam da Causalidade dos planos mais elevados, mas concordam com as leis
superiores, e assim dominam as circunstâncias no plano inferior. Eles formam
parte consciente da Lei, sem serem simples instrumentos. Enquanto servem nos
Planos Superiores, governam no Plano Material.
Porém, tanto nos superiores como nos inferiores, a Lei está
sempre em ação. Não há c oisa do Acaso. As deusas cegas foram abolidas pela
Razão. Agora podemos ver com olhos esclarecidos pelo conhecimento que tudo é
governado pela Lei Universal - o infinito número de leis é simplesmente uma
manifestação da única Grande Lei - a LEI que é O TODO. É verdade, contudo, que
nem mesmo um pardal fica descuidado à Mente do TODO, assim como os cabelos da
nossa cabeça são contados, como disseram as escrituras. Nada há fora da Lei;
nada do que acontece é contrário a ela. Contudo, não cometais o erro de supor
que, por causa disso, o Homem é simplesmente um cego autômato. Os Preceitos
Herméticos ensinam que o Homem pode usar a Lei contra as leis, e que a vontade
superior prevalece contra a inferior, até que por fim procure refúgio na
própria LEI, e olhe com desprezo as leis inferiores. Sois capaz de compreender
a mais íntima significação disto?
CAPÍTULO XIII
O GÊNERO
"O Gênero
está em tudo; tudo tem os seus Princípios Masculino e Feminino;
o Gênero se manifesta em todos os planos." - O CAIBALION
O Sétimo Grande Princípio hermético - o Princípio de Gênero
- contém a verdade que há Gênero manifestado em tudo, que os Princípios
Masculino e Feminino estão sempre presentes e em ação em todas as fases dos
fenômenos e todos os planos da vida. Neste ponto achamos bom chamar a vossa
atenção para o fato que o Gênero, no seu sentido Hermético, e o Sexo no uso
ordinariamente aceitado do termo, não são a mesma coisa.
A palavra Gênero é
derivada da raiz latina que significa gerar,
procriar, produzir. Uma consideração momentânea mostrar-vos-á que a palavra
tem um significado mais extenso e mais geral que o termo Sexo, o último referindo-se às distinções físicas entre as coisas
viventes machos e fêmeas. O sexo é simplesmente uma manifestação do Gênero em
certo plano ( o Grande Plano Físico: o plano da vida orgânica. Desejamos fixar
esta distinção nas vossas mentes, porque certos escritores, que adquiriram uma
simples noção da Filosofia hermética, pretenderam identificar este sétimo
Princípio hermético com as disparatadas, fantásticas e muitas vezes
repreensíveis teorias e ensinos a respeito do Sexo.
O ofício do Gênero é somente de criar, produzir, gerar,
,etc., e as suas manifestações são visíveis em todos os planos de fenômenos. É
um tanto difícil dar provas disto nas linhas científicas, pela razão que a
ciência ainda não reconheceu este Princípio como de aplicação universal. Mas
ainda assim várias provas têm provindo de fontes científicas. Em primeiro
lugar, encontramos uma distinta manifestação do Princípio de Gênero entre os
corpúsculos, íons ou elétrons, que constituem a base da Matéria como a ciência
conhece por último, e que formando combinações formam o Átomo, que até há pouco
tempo era considerado como final e indivisível.
A última palavra da ciência é que o átomo é composto de uma
multidão de corpúsculos, elétrons ou íons (sendo aplicados vários nomes por
autoridades diferentes), que giram uns ao redor dos outros e vibram num elevado
grau de intensidade. Mas as explicações que seguem mostram que a formação do
átomo é realmente devida ao agrupamento de corpúsculos negativos ao redor de um
positivo; parecendo que os corpúsculos positivos exercem certa influência sobre
os corpúsculos negativos, fazendo estes formarem certas combinações e assim cria ou gera um átomo. Isto está em
relação com os mais antigos Preceitos herméticos que sempre identificaram o
principio masculino de Gênero com o pólo Positivo,
ao Feminino com o pólo Negativo da
Eletricidade.
Agora uma palavra a respeito desta identificação. A mente do
público formou uma idéia inteiramente errônea a respeito das qualidades do
chamado pólo Negativo da Matéria
magnetizada ou eletrizada. Os termos Positivo e Negativo são em verdade
erroneamente aplicados a este fenômeno pela ciência. A palavra Positivo
significa tudo o que é real e forte, comparado com a Negativa irrealidade e
fraqueza. Nada é ulterior aos fatos reais dos fenômenos elétricos. O chamado
pólo Negativo da bateria é realmente o pólo no qual e pelo qual se manifesta a
geração ou produção de novas formas de energia. Nada há Negativo ao redor dele. As maiores autoridades científicas agora
usam a palavra Catódico " em
lugar de Negativo. Do pólo Catódico
procedem a imensidade de elétrons ou corpúsculos; do mesmo pólo saem estes
maravilhosos raios que revolucionaram
as concepções científicas nos últimos dez anos. O pólo catódico é a mãe de
todos os fenômenos estranhos, que tornaram inúteis os velhos livros, e que
fizeram muitas teorias admitidas serem proscritas do programa da especulação
científica. O pólo catódico ou negativo é o Princípio materno dos fenômenos
elétricos, e das formas mais sutis da matéria, já é conhecido pela ciência.
Assim vedes que temos razão quando recusamos usar o termo Negativo nas nossas considerações sobre o assunto, e insistindo na
substituição da palavra Feminino pelo
antigo termo. Os fatos da condição nos levam a isto, sem mesmo tomarmos em
consideração os Preceitos herméticos. E assim usaremos a palavra Feminino em lugar de Negativo falando deste pólo de atividade.
Os últimos ensinos científicos são que os corpúsculos
criadores ou elétrons são Femininos (a ciência diz que eles são compostos de
eletricidade negativa, e nós dizemos que são compostos de energia
Feminina). Um corpúsculo feminino abandona um corpúsculo Masculino e toma uma,
nova direção. Ele ativamente procura uma união com um corpúsculo Masculino,
sendo incitado a isso pelo impulso natural de criar novas formas de. Matéria ou
Energia. Um escritor costuma até empregar a frase "ele a um dado tempo procura, de sua própria volição, uma união", etc.
Este destacamento e esta união formam a base da maior parte
das atividades do mundo químico. Quando o corpúsculo Feminino une-se com um
corpúsculo Masculino, começa um certo processo. As partículas Femininas vibram
rapidamente sob as influências da Energia masculina, e giram ao redor da
última. O resultado é o nascimento de um novo átomo. Este novo átomo é
realmente composto da união dos elétrons ou corpúsculos Masculinos e Femininos,
mas quando a união é formada, o átomo torna-se uma coisa separada, tendo certas
propriedades, mas não manifestando muito a propriedade da eletricidade
independente. O processo de destacamento ou separação dos elétrons Femininos é
chamado ionização. Estes elétrons ou
corpúsculos são os mais ativos trabalhadores no campo da Natureza. Provenientes
das suas uniões ou combinações, se manifestam os diversos fenômenos da luz, do
calor, da eletricidade, do magnetismo, da atração, repulsão, afinidade química
e o inverso, e outros fenômenos semelhantes. E tudo isto procede do. ação do
Princípio de Gênero no plano da Energia.
A parte do princípio Masculino parece ser a de dirigir uma
certa energia inerente pua o princípio Feminino e assim pôr em atividade o
processo criativo. Mas o princípio Feminino é sempre o único que faz a ativa
obra criadora, e isto é assim em todos os planos. E ainda, cada princípio é
incapaz da energia operativa sem o outro. Em muitas formas da vida, os dois
princípios estão combinados em um só organismo. Por esta razão, tudo no mundo
orgânico manifesta ambos os gêneros: há sempre o Masculino na forma Feminina, e
o Feminino na forma Masculina.
Os Ensinos herméticos contêm muita coisa a respeito da ação
dos dois princípios de Gênero na produção e manifestação das diversas formas de
energia, etc., mas não julgamos conveniente entrar em detalhes a respeito dos
mesmos neste ponto, porque não podemos sustentá-los com provas científicas,
pela razão que a ciência ainda não progrediu o necessário para isso. Mas o
exemplo que vos demos dos fenômenos dos elétrons ou corpúsculos vos mostram que
a ciência está no caminho reto, e poderia também dar-vos uma idéia geral dos
princípios ocultos.
Diversos dos principais investigadores científicos
declararam a sua opinião que na formação dos cristais foi descoberta alguma
coisa que corresponde à atividade sexual,
que é uma outra bagatela mostrando a direção em que sopram os ventos
científicos. E cada ano traz outros fatos para corroborar a exatidão do
Princípio hermético de Gênero. Seria estabelecido que o Gênero está em ação e
manifestação constante no campo da matéria inorgânica e no campo da Energia ou
Força. A eletricidade é agora geralmente considerada como alguma coisa em que todas as outras formas de energias parecem
dissolver. A Teoria Elétrica do Universo
é a última doutrina científica, e ela está crescendo rapidamente em
popularidade e aceitação geral. E assim segue-se que se pudermos descobrir nos
fenômenos da eletricidade - levados ao seu princípio e fonte de manifestações -
uma clara e infalível evidência da presença do Gênero e suas atividades,
estamos justificados vos fazendo crer que a ciência enfim deu provas da
existência em todos os fenômenos universais deste grande Princípio hermético: o
Princípio de Gênero.
Não é necessário gastar o nosso tempo com o muito conhecido
fenômeno da atração e repulsão dos
átomos, afinidade química, os amares e
ódios das partículas atômicas, as atrações ou coesões entre as moléculas da
matéria. Estes fatos são muito bem conhecidos para necessitar extensos
comentários' nossos. Mas considerasses alguma vez que todas estas coisas
são,manifestações do Princípio de Gênero? Não vedes que estes fenômenos andam ao Par com os dos
corpúsculos ou elétrons? E ainda mais que isto, não vedes a racionalidade dos
Ensinos herméticos que afirmam que a verdadeira Lei da Gravitação - esta
estranha atração pela qual todas as partículas e corpos de matéria no universo
tendem para outras simplesmente outra manifestação do Princípio de Gênero, que
opera na direção de atração da energia Masculina para a Feminina, e vice-versa?
Não poderemos dar-vos provas científicas disto agora; mas vamos examinar os
fenômenos à luz dos Ensinos herméticos sobre o assunto, e veremos se não tereis
uma mais útil hipótese que as oferecidas pela ciência física. Submetei todos os
fenômenos físicos ao texto, e vereis sempre em evidência o Princípio de Gênero.
Permiti-nos agora passarmos à consideração da ação do
Princípio no Plano Mental. Muitas idéias interessantes têm nele a sua
examinação.
CAPÍTULO XIV
O GÊNERO MENTAL
Os estudantes de psicologia que seguiram o modo moderno de
pensar a respeito dos fenômenos mentais ficaram surpreendidos pela persistência
da dupla idéia mental que se tem manifestado tão fortemente durante os dez anos
passados do último meio século, e que deu origem a um grande número de teorias
plausíveis a respeito da natureza e constituição destas duas mentes. Recentemente Thompson J. Hudson atingiu grande
popularidade em 1893, avançando a sua bem conhecida teoria das "mentes objetiva e subjetiva", que
ele afirmou existir, em cada indivíduo. Outros escritores atraíram também a
atenção pelas teorias sobre as "mentes
consciente e subconsciente", mentes
voluntária e involuntária", "mentes ativa e passiva", etc.,
etc. As teorias dos diversos escritores diferem entre si, mas permanece o
princípio oculto da dualidade da mente.
O estudante de Filosofia hermética tem provocação de riso
quando lê e ouve qualquer coisa destas novas
teorias a respeito da dualidade da mente, cada escola aderindo tenazmente à
sua própria teoria favorita e clamando ter descoberto
a verdade. O estudante volta para trás as páginas da história oculta e, nos
primeiros elementos dos preceitos ocultos, encontra referências à antiga
doutrina hermética do Princípio de Gênero no Plano Mental: a manifestação do
Gênero Mental. E examinando mais ele conclui que a antiga filosofia tinha
conhecimento dos fenômenos da mente dual e
deu conta disto pela teoria do Gênero Mental, Esta idéia de Gênero Mental pode
ser explicada em poucas palavras aos estudantes que estão familiarizados com as
modernas teorias há pouco aludidos. O Princípio Masculino da Mente corresponde
à chamada Mente Objetiva, Mente Consciente, Mente Voluntária, Mente Ativa, etc.
E o Princípio Feminino da Mente corresponde à chamada Mente Subjetiva, Mente
Subconsciente, Mente Involuntária, Mente Passiva, etc. Certamente que os
Preceitos herméticos não concordam com as diversas teorias modernas sobre a
natureza das duas fases da mente, nem admitem muitos fatos considerados como
sendo respectivamente dos dois aspectos, porque muitas teorias e afirmações são
alambicadas e incapazes de resistir ao toque da experiência e da demonstração.
Apontamos as fases de concordância simplesmente para o fim de ajudar o
estudante a assimilar os seus conhecimentos já adquiridos com os Preceitos da
Filosofia hermética.
Os estudantes de Hudson encontrarão no princípio do seu
segundo capítulo da Lei dos Pensamentos Psíquicos", a proposição que:
"A mística algaravia dos filósofos herméticos desenvolve a mesma
idéia", isto é, a dualidade da mente.
Se o Dr. Hudson empregasse o tempo em decifrar um pouco da
"mística algaravia da Filosofia Hermética", ele teria obtido grande
esclarecimento sobre a função da "mente dual"; porém, naquele tempo,
as suas obras mais interessantes ainda não tinham sido escritas. Vamos agora
considerar os Preceitos herméticos sobre o Gênero Mental.
Os Instrutores Herméticos dão as suas instruções a respeito
deste assunto fazendo os seus estudantes examinarem a relação da sua
consciência a respeito do seu Ego. Os estudantes aprendem a pôr a sua atenção
no Ego que habita em cada um de nós. Cada estudante aprende a ver que sua
consciência lhe dá uma primeira relação da existência do seu Ego: à relação é "O Eu sou". A princípio isto
parece ser a última palavra da consciência, mas um exame um, pouco mais
profundo descobre que este "Eu
sou" pode ser separado ou dividido em duas partes distintas, dois
aspectos, os quais, apesar de agirem em uníssono e em conjunto, podem ser separados
na consciência.
Apesar de a princípio parecer existir um só Ego, um exame
mais cuidadoso e mais profundo mostra que existe um Ego e um Eu. Estes gêmeos
mentais diferem em característicos e natureza, e um exame das suas naturezas e
dos fenômenos que procedem da mesma dará muita luz sobre muitos problemas da
influência mental.
Permiti-nos começar com uma consideração sobre o Eu, que é usualmente tomado pelo Ego
pelo estudante, até que ele investigue nos acessos da consciência. Um homem
pensa do seu Ego (no seu aspecto de
Eu) como sendo composto de certos estados, modos, hábitos, característicos,
etc., tudo o que faz sobressair a sua personalidade, ou a Seidade conhecida a si e aos outros.
Conhece que estas emoções e sensações mudam, nascem e
morrem, estão sujeitas aos Princípios de Ritmo e de Polaridade, que as levam de
um extremo ao outro. Pensam também que o
Eu é formado de certos conhecimentos reunidos nas suas mentes e formando
então uma parte deles mesmos. Tal é o Eu
de um homem.
Porém, falamos muito apressadamente. O Eu de muitos homens pode ser considerado como consistindo da sua
consciência corpórea e dos seus apetites físicos, etc. A sua consciência sendo
presa à sua natureza corpórea, eles praticamente vivem nela. Muitos homens ainda consideram o seu vestuário como
parte do seu Eu e atualmente parecem
considerá-lo como uma parte de si mesmos. Um escritor disse humoristicamente
que os "homens se compõem de três
partes: o espírito, o corpo e a
roupa".
Estas pessoas ou roupas
conscientes perderiam a sua personalidade se fossem despidas da sua roupa,
por selvagens, na ocasião de um naufrágio. Porém, mesmo muitos dos que estão
presas à idéia do vestuário pessoal afirmam fortemente que a consciência do seu
corpo é o seu Eu. Eles não podem ter a idéia de uma Seidade independente do
corpo. A sua mente pareceIhes ser praticamente uma coisa pertencente ao seu corpo: o que é sempre o contrário.
Mas, conforme o homem sobe na escala de consciência, ele se
torna capaz de distinguir o seu Eu da sua idéia do corpo e de pensar que este é uma coisa pertencente à sua parte
mental. Mas, só então poderá identificar inteiramente o Eu com os estados mentais, as emoções, etc., que ele sente existir
dentro de si.
É capaz de considerar estes estados internos como idênticos
a ele mesmo, em vez deles serem simplesmente coisas produzidas por uma parte da sua mentalidade e existindo
dentro dele: sendo suas, estando nele, mas não sendo ele mesmo. Compreende que pode mudar estes estados mentais de
emoções por um esforço da vontade e que pode do mesmo modo produzir uma emoção
ou um estado de uma natureza exatamente oposta, e, contudo, existe o mesmo Eu.
E assim até que seja capaz de pôr de parte estes vários estados mentais, as
emoções, os hábitos, as qualidades, os característicos e outras faculdades
mentais: é capaz de pô-las no não-eu, coleção
de curiosidade e embaraços, como uma posse de valor. Isto requer muita
concentração mental e poderes de análise mental da parte do estudante. Porém,
mesmo assim a tarefa é possível para os estudantes avançados, e mesmo os não
muito adiantados podem ver, na imaginação, como pode ser realizado o processo.
Depois que o processo de pôr. de parte foi executado o
estudante pôr-se-á em posse consciente de uma Seidade que pode ser considerado nos seus dois aspectos de Eu e Ego. O Eu será considerado como
sendo uma coisa mental em que os pensamentos, as idéias, as emoções, as
sensações, e outras condições são produzidas. Pode ser considerado como a matriz como o disseram os antigos, capaz
de fazer a geração Manifesta-se à consciência como um Ego Feminino com latentes
de criação e geração das progênies mentais de todas as espécies e reinos.
Sente-se que as suas forças de energia criativa são enormes. Contudo, parece
ser consciente que ele recebe muitas formar, de energias' do seu Ego
companheiro, ou de outro Ego, quando é capaz de dar existência às criações
mentais. Esta consciência traz consigo a realização de uma enorme capacidade
para a operação . mental e a habilidade criativa.
Porém, o estudante descobre logo que isto não é tudo o que
percebe dentro da sua consciência interior. Percebe que existe uma Coisa mental
que é capaz de querer que o Ego Feminino acione na direção de certa
linha criativa, e que também é capaz de sustentar e provar a criação mental.
Esta parte deles mesmos, dizem ser chamada Ego. É capaz de ficar na sua
consciência à vontade. Não tem uma consciência de habilitações para gerar e criar
ativamente, no sentido do processo que acompanha as operações mentais, mas sim
no sen timento e consciência de uma facilidade para projetar uma energia do Ego Masculino ao Ego Feminino - um processo de desejo
que a criação mental comece e continue. Compreende também que o Ego Masculino é capaz de sustentar e
abrigar as opera~ da criação mental do Ego
Feminino. Na mente de cada pessoa existe estes dois aspectos.
O Eu representa o Princípio Masculino de Gênero e o Eu representa o Feminino. O Ego
representa o aspecto de Existência; o Eu o
aspecto de Estado. Deveis saber que o Principio de Correspondência opera neste
plano do mesmo modo que o faz no grande plano em que é feita a criação dos
Universos. Ambos são semelhantes, porém muito diferentes em grau. "O que está em cima é como o que está em baixo,
e o que está em baixo é como a que
está em cima".
Estes aspectos da mente - os Princípios Masculino e Feminino
- o Ego e o Eu - considerados em relação com' os conhecimentos dos fenômenos
mentais ou físicos, dão a chave,mestra destas pouco conhecidas regiões da
operação e manifestação mental. O Princípio de Gênero Mental manifesta a
verdade que se oculta debaixo do campo total dos fenômenos de influência
mental, etc.
A tendência do Princípio Feminino é sempre em receber
impressões, ao passo que a tendência do Princípio Masculino é sempre em dá-Ias
ou exprimi-Ias. O Princípio Feminino tem um campo de operação mais variado que
o Princípio Masculino. O Princípio Feminino dirige a obra da geração de novos
pensamentos, conceitos, idéias, incluindo a obra da imaginação. O Princípio
Masculino contenta-se com a obra da Vontade,
nas suas várias fases. E assim, sem o auxílio ativo da vontade do Princípio
Masculino, o Princípio Feminino pode contentar-se com a geração de imagens
mentais que são o resultado de impressões recebidas de fora, em vez de produzir
criações mentais originais.
As pessoas que prestam urna contínua atenção a um assunto
empregam ativamente ambos os Princípios Mentais: o Feminino na obra da ativa
geração mental, e a Vontade Masculina na estimulação e fortificação da porção
criativa da mente. A maioria das pessoas empregam realmente o Princípio
Masculino mas pouco, e contentam-se com viver de acordo com os pensamentos e as
idéias insinuadas no Eu pelo Ego das
outras mentes. Porém, o nosso propósito não é demorarmo-nos na consideração
desta fase do assunto, que pode ser estudada num bom livro de psicologia, com a
chave que nós vos demos sobre o Gênero Mental.
O estudante dos Fenômenos Psíquicos está ciente dos
admiráveis fenômenos classificados sob o título de Telepatia, Transmissão de
Pensamento, Influência Mental, Sugestão, Hipnotismo, etc. Muitos procuraram
para uma explicação destas várias fases de fenômenos as teorias dos diversos
instrutores da mente dupla. Em certa
medida estão certos, porque há claramente uma manifestação de duas fases
distintas da atividade mental. Porém, se esses estudantes considerarem estas mentes duplas à luz dos Preceitos herméticos a respeito das Vibrações e do
Gênero Mental, compreenderão que têm na mão a chave com que tanto esforço
procuravam.
Nos fenômenos de Telepatia vê-se como a Energia Vibratória
do Princípio Masculino é projetada para o Princípio Feminino de outra pessoa e
este toma o pensamento-semente e o desenvolve até a madureza. Pela mesma forma
operam a Sugestão e o Hipnotismo. O Princípio Masculino da pessoa dando as
sugestões dirige uma exalação da Energia Vibratória ou Força-Vontade para o
Princípio Feminino da outra pessoa, e esta última aceítando-a, recebe-a em si
mesma e age e pensa de conformidade com ela. Uma idéia assim recolhida na mente
de uma pessoa, cresce e se desenvolve, e com o tempo é considerada como a
melhor produção mental do indivíduo, porquanto, em realidade, é como o ovo do
cuco colocado no ninho do pardal, quando este destrói a produção direta, e se
põe no ninho. O método normal é para os Princípios Masculino e Feminino na
mente de uma pessoa coordenar e agir harmoniosamente em conjunção com a de
outra.
Mas, infelizmente, o Princípio Masculino nas pessoas médias
é muito lento em agir - o estendimento da Força-Vontade é muito vagaroso - e a
conseqüência é que tais pessoas são quase inteiramente dirigidas pelas mentes e
os desejos das outras pessoas, às quais ela permite que façam as suas idéias e
os seus desejos. Quão poucas ações ou pensamentos originais são realizados
pelas pessoas médias? Não são a maioria das pessoas simples sombras e ecos de
outras que têm vontades ou mentes mais fortes que elas? Isto acontece porque a
pessoa média vive mais na consciência do seu Eu do que na do Ego.
Está polarizada no seu Princípio Feminino da Mente, e o
Princípio Masculino, em que se acha a Vontade, é obrigado a ficar inativo e sem
emprego.
O homem e a mulher fortes do mundo manifestam
invariavelmente o Princípio Masculino da Vontade, e a sua força materialmente
depende deste fato. Em vez de viver das impressões dadas às suas mentes pelos
outros, dominam a sua própria mente pela sua Vontade, obtendo a espécie
desejada de imagens mentais, e ainda mais dominam do mesmo modo as mentes dos
outros. Vede as pessoas fortes, como implantam os seus pensamentos-sementes nas
mentes das massas do povo, fazendo assim este pensar de acordo com os desejos e
as vontades destes indivíduos fortes. Isto é porque as massas do povo são como que criaturas-carneiros, não dando
origem a uma idéia própria e não empregando as suas próprias forças de
atividade mental.
A manifestação do Gênero Mental pode ser observada ao redor
de nós todos os dias da vida. As pessoas magnéticas são as que podem empregar o
Princípio Masculino com o fim de imprimir as suas idéias nos outros. O ator que
faz o povo chorar ou rir como quer, o faz empregando este princípio. E assim é
sucessivamente o orador, o político, o pregador, o escritor ou qualquer pessoa
que tenha a atenção do público. A influência particular exercida por algumas
pessoas sobre outras é devida à manifestação do Gênero Mental, na direção da
linha vibratória acima indicada. Neste princípio acha-se oculto o segredo do
magnetismo pessoal, da influência pessoal, da fascinação, etc., assim como os
fenômenos geralmente agrupados sob o nome de Hipnotismo.
O estudante que familiarizou-se com os fenômenos geralmente
chamados psíquicos, poderá descobrir
a importante parte tomada nos ditos fenômenos por esta força que a ciência
denominou Sugestão, termo pelo qual
se quer significar o processo ou método pelo qual uma idéia é transmitida à
mente de outro, fazendo a segunda mente agir de acordo com ela. Uma exata
compreensão da Sugestão é necessária para se compreender com inteligência os
variados fenômenos psíquicos que a Sugestão encobre.
Porém, o conhecimento da Vibração e do Gênero Mental é ainda
mais necessário para o estudante da Sugestão. Porque todo o princípio da
Sugestão depende do princípio de Gênero Mental e de Vibração.
É costume dos escritores e instrutores da Sugestão explicar
que é a mente objetiva ou voluntária que
faz a impressão mental, ou sugestão na mente subjetiva ou involuntária. Porém, não descrevem o processo ou não
nos dão uma analogia na natureza pela qual possamos compreender melhor a idéia.
Mas, se quiserdes raciocinar sobre o assunto à luz dos Preceitos Herméticos,
sereis capaz de ver que o fortalecimento do Princípio Feminino pela Energia
Vibratória do Princípio Masculino está em concordância com as leis universais
da natureza, e que o universo natural oferece inúmeras analogias pelas quais o
princípio pode ser compreendido. Com efeito, os Preceitos Herméticos mostram
que a verdadeira criação do Universo segue a mesma lei, e que em todas as
manifestações criativas, nos planos espiritual, mental e psíquico, está sempre
em operação o princípio de Gênero: manifestação dos Princípios Masculino e
Feminino. "O que está em cima é como
o que está em baixo, e o que está em
baixo é como o que está em cima."
E mais ainda, quando se compreende o princípio de Gênero
Mental, os variados fenômenos de psicologia tornam-se imediatamente adaptáveis
a uma classificação e estudo inteligente, em vez de serem muito obscuros. O
princípio se realiza na prática,
porque é baseado nas imutáveis leis universais da vida.
Não entraremos em extensa discussão ou descrição dos
variados fenômenos da influência mental ou atividade psíquica. Existem muitos
livros bons, escritos e publicados sobre este assunto nos últimos anos. Os
principais fatos dados nesses vários livros são corretos, apesar dos escritores
intentarem explicar os fenômenos por diversas teorias que lhes são favoritas. O
estudante pode instruir a si próprio nestas matérias, e empregando a teoria do
Gênero Mental será capaz de pôr em ordem no caos das teorias e doutrinas
contrárias, e poderá tomar-se
mestre no assunto se for inclinado à ele. O fim desta obra
não é dar uma extensa relação dos fenômenos psíquicos, mas sim dar ao estudante
uma chave-mestra com a qual possa abrir as diversas portas que conduzem às
partes do Templo do Conhecimento que ele quiser explorar. julgamos que nesta
considero.ção dos preceitos do Caibalion,
encontrar-se-á uma explicação que servirá para esclarecer muitas
dificuldades embaraçosas: ela será uma chave que abrirá muitas portas.
Qualquer que seja o costume de fazer detalhes a respeito das
muitas formas de fenômenos psíquicos e da ciência mental, colocamos
providencialmente na mão do estudante as idéias pelas quais ele pode
instruir-se muito a respeito de cada fase do assunto que o interessar. Com o
auxílio do Caibalion pode-se fazer
uma livraria oculta, a velha Luz do Egito iluminando as páginas e os assuntos
obscuros. Este é o fim deste livro.
Não queremos expor uma nova filosofia, mas sim fornecer o
bosquejo de um grande preceito do mundo antigo, que poderá esclarecer as doutrinas
de outros, que servirá de Grande Reconciliador das diferentes teorias e
doutrinas opostas.
CAPÍTULO XV
AXIOMAS HERMÉTICOS
"A posse
do Conhecimento sem ser acompanhada de uma manifestação ou expressão em Ação é como o amontoamento
de metais preciosos, uma coisa vã e
tola. O Conhecimento é, como a riqueza., destinado ao Uso. Lei do Uso é Universal, e aquele que viola esta lei sofre por causa do seu conflito com as forças naturais." - O
CAIBALION -
Os Preceitos herméticos, conquanto sempre tenham sido bem guardados
na mente dos seus afortunados possuidores, pelas razões que já dissemos, nunca
foram destinados a ser simplesmente acumulados e ocultados. A Lei do Uso está
contida nos preceitos, como podeis ver pela referência à citação acima do
Caibalion, que a estabelece energicamente. O Conhecimento sem o Uso e a
Expressão é uma coisa vã, que não traz bem algum ao seu possuidor ou à sua
raça. Guardai-vos da avareza mental e expressar em Ação aquilo que aprendesses.
Estudai os Axiomas e Aforismos, mas praticai-os também.
Damos a seguir alguns dos mais importantes Axiomas
herméticos do Caibalion, com alguns
comentários juntos a cada um deles. Fazei-os vós mesmos, praticai-os e usai-os,
porque eles não são realmente vossos enquanto não os tiverdes Usado.
Para mudar a
vossa disposição ou vosso estado mental,
mudai a vossa vibração." - O
CAIBALION
Todos podem mudar as suas vibrações mentais por um esforço
da Vontade na direção determinada, fixando a Atenção sobre um estado mais
desejável. A Vontade dirige a Atenção, e a Atenção muda a Vibração. Cultivai a
Arte da Atenção, por meio da Vontade, e aprendereis o segredo do Domínio das
Disposições e dos Estados mentais.
"Para
destruir uma desagradável ordem de vibração mental, ponde em movimento o
Pripicípio de Polaridade e concentrai-vos sobre o Pólo Oposto ao que desejais
suprimir. Destruí o desagradável mudando a sua
polaridade." - O CAIBALION
Esta é uma das mais importantes das fórmulas herméticas. É
baseada em verdadeiros princípios científicos. Nós vos dissemos que um estado
mental e o seu oposto eram simplesmente os dois pólos de uma só coisa, e que a
polaridade pode ser invertida pela Transmutação Mental. Este princípio é
conhecido pelos psicólogos modernos, que o aplicam para a destruição de hábitos
desagradáveis, mandando os seus discípulos concentrarem sobre a qualidade
oposta. Se fordes possuídos pelo medo, não percais tempo tratando de destruir esse medo, mas cultivai
imediatamente a qualidade da Coragem, e o Medo desaparecerá. Muitos escritores
exprimiram esta idéia muito claramente empregando o exemplo do quarto escuro.
Não deveis tirar a Escuridão, mas simplesmente abrindo as janelas e entrando a
Luz, a Escuridão desaparece. Para destruir uma qualidade Negativa,
concentrai-vos sobre o Pólo Positivo dessa mesma qualidade, e as vibrações se
mudarão gradualmente do Negativo ao Positivo, até que finalmente fiqueis
polarizado no 010 Positivo em vez de no Negativo. O inverso é também verdade,
como muitos criaram as suas mágoas, quando puseram-se a vibrar constantemente
no pólo Negativo das coisas, Pela mudança da vossa polaridade podeis dominar os
vossos defeitos, mudar os vossos estados mentais, refazer as vossas
disposições, e formar o caráter. Muitos dos Domínios Mentais dos hermetistas
avançados são devidos a esta aplicação da Polaridade, que é um dos mais
importantes aspectos da Transmutação Mental. Lembrai-vos do Axioma Hermético
(citado previamente), que diz:
"A Mente
(tão bem como os metais e elementos) pode
ser transmutada de estado em estado, de
grau em grau, de condição em condição, de pólo em pólo, de vibração em
vibração." - O CAIBALION -
O domínio da Polarização é o domínio dos princípios
fundamentais da Transmutação Mental ou Alquimia Mental, porque, a não ser que
adquira a arte de mudar a sua própria polaridade, ninguém poderá influir sobre
os que o rodeiam. A compreensão perfeita deste princípio tornará a pessoa apta
a mudar a sua própria Polaridade, bem como a dos outros, se ela quiser empregar
o tempo no estudo e na prática necessária para possuir a arte. O princípio é
verdadeiro, mas os resultados obtidos dependem da paciência e da prática
persistente do estudante.
O Ritmo pode
ser neutralizado pela aplicação da Arte de
Polarização." - O CAIBALION -
Como explicamos nos capítulos antecedentes, os hermetistas
ensinam que o Princípio de Ritmo se manifesta no Plano Mental tanto como no
Plano Físico, e que a contínua sucessão de disposições, sensações, emoções e
outros estados mentais, é devida ao movimento à direita e à esquerda, por assim
dizer, do pêndulo mental que nos leva de um extremo de sensação a outro
extremo. Os hermetistas ensinam também que a Lei de Neutralização habilita a
pessoa a dominar, em grande parte, a ação do Ritmo no conhecimento interior ou
consciência. Como explicamos, há um Plano Superior de Consciência, do mesmo
modo que um Plano Inferior ordinário, e o Mestre elevando-se mentalmente ao
Plano Superior faz um movimento do chamado pêndulo mental manifestar-se no
Plano Inferior, e ele, estando. no Plano Superior, escapa conscientemente do
movimento inferior. Isto efetua-se pela polarização na Seidade Superior, e
depois transportando as vibrações mentais do Ego acima das do plano ordinário
de consciência. Isto é semelhante ao elevamento acima de uma coisa, deixando-a
passar por baixo de vós. O hermetista avançado polariza-se no Pólo Positivo do
seu Ente: o pólo "Eu sou", ao
contrário do pólo da personalidade, e pela recusa
e negação da ação do Ritmo, eleva o seu próprio plano de consciência, e
permanentemente firme na Manifestação do seu Ente, deixa o pêndulo mover-se no
Plano Inferior sem mudar a sua Polaridade. Isto é realizado por todas as
pessoas que atingiram todos os graus do domínio próprio, quer compreendam a lei
quer não. Tais pessoas simplesmente recusam
deixar-se mover pelo pêndulo das condições ou emoções, e, afirmando
constantemente a sua superioridade, permanecem polarizadas no polo Positivo. O
Mestre, por conseguinte, atinge um grau muito grande de progresso, porque
compreende a lei que está dominando por uma lei superior, e pelo emprego da sua
Vontade alcança um equilíbrio e estabilidade Mental quase impossível de ser
acreditado pelos que se deixam mover à direita e à esquerda pelo pêndulo mental
das condições e emoções.
Contudo, lembrai-vos sempre que não podeis destruir
realmente o Princípio de Ritmo, porque ele é indestrutível, Podeis simplesmente
vencer uma lei contrabalançando-a com outra, e assim manter-vos em equilíbrio.
As leis do balanço e contrabalanço estão em ação tanto nos planos mentais como
nos físicos, e a compreensão destas leis habilita o homem a parecer destruir as
leis, quando ele simplesmente exerce um contrabalanço.
"Nada
escapa do Princípio de Causa e Eleito, mas existem vários Planos de
Causalidade, e pode-se empregar as leis do plano superior para vencer as leis do inferior." - O CAIBALION
Pela compreensão das práticas da Polarização, os hermetistas elevam-se a um
plano superior de Causalidade e assim contrabalançam as leis dos planos
inferiores de Causalidade. Tornando-se aptos a dominar as suas condições e
emoções e a neutralizar o Ritmo, como já explicamos, eles podem escapar de uma
grande parte das operações de Causa e Efeito do plano ordinário.
As massas populares são impulsionadas, obedientes aos seus
guias, às vontades e desejos dos outros mais fortes que elas, aos efeitos das
tendências hereditárias, às sugestões dos que as rodeiam, e a outras coisas
exteriores, que tendem a move-Ias no tabuleiro de xadrez da vida como simples
peões. Elevando-se sobre estas causas influentes, os hermetistas avançados
alcançam um plano elevado de ação mental, e dominando as suas condições, seus
impulsos e suas sensações, criam para si novos caracteres, qualidades e
poderes, pelos quais dominam os que ordinariamente o rodeiam, e assim tomam-se
praticamente jogadores em vez de simples peões. Tais pessoas ajudam
inteligentemente a jogar a partida da vida, sem serem movidas no seu caminho e
caminhando com mais força e vontade. Empregam o Princípio de Causa e Efeito,
sem serem empregados por este. Sem dúvida que ainda as mais elevadas estão
sujeitas ao Princípio como ele se manifesta nos planos superiores, mas nos
planos inferiores da atividade são Senhores em vez de Escravos.
Diz o Caibalion:
"Os
Sábios servem no plano superior, mas governam no inferior. Obedecem às leis que
vêm de cima deles, mas no seu
próprio plano e nos inferiores a eles,
governam e dão ordens. E assim
fazendo formam uma parte do Princípio, sem se oporem a este. O sábio concorda
com a Lei, e compreendendo o seu
movimento, ele o opera em vez de ser cego escravo. Do mesmo modo que o hábil nadador volta o seu caminho e jaz este caminho, conforme a sua vontade, sem
ser como a barca que é levada para cá
e para lá: assim é o sábio em comparação do homem ordinário; e, contudo, o nadador e a barca, o sábio e o ignorante, estão sujeitos à Lei. Aquele
que compreende isto está, bem no
caminho do Domínio." - O CAIBALION -
Em conclusão, permiti-nos chamar a vossa atenção para o
Axioma Hermético:
"A
verdadeira Transmutação Hermética é uma Arte
Mental." - O CAIBALION -
No axioma acima, os hermetistas ensinam que a grande obra de
influenciar a sua própria roda é realizada pelo Poder Mental. O Universo sendo
totalmente mental, é claro que só poderá ser governado pela Mentalidade. E
nesta verdade acha-se contida uma explicação dos diversos poderes mentais que
estão tomando muita atenção e estudo nestes primeiros anos do Vigésimo Século.
Debaixo e atrás do véu das doutrinas dos diversos cultos e escolas, acha-se
ainda constantemente o princípio da Substância Mental do Universo. Se o
Universo é Mental na sua natureza substancial, segue-se que a Transmutação
Mental pode mudar as condições e os fenômenos do Universo. Se o Universo é
Mental, a Mente será o poder mais elevado que produz os seus fenômenos. Se se
compreender isto, tudo o que é chamado milagres
e prodígios será considerado pelo que realmente é.
"O TODO é MENTE; o Universo é Mental." O CAIBALION