Centro Espiritualista Miguel Arcanjo e Tenda Espírita Mamãe Oxum

Salve a Mamãe Oxum
Oxum na mitologia afro-americana
por André Ricardo de Souza
Patrícia Ricardo de Souza
Quem é o orixá do amor
Oxum é doçura sedutora. Todos querem
obter seus favores, provar do seu mel, seu encanto e para tanto lhe agradam
oferecendo perfumes e belos artefatos, tudo para satisfazer sua vaidade. Na
mitologia dos orixás ela se apresenta com características específicas, que a
tornam bastante popular nos cultos de origem negra e também nas manifestações
artísticas sobre essa religiosidade. O orixá da beleza usa toda sua astúcia e
charme extraordinário para conquistar os prazeres da vida e realizar proezas
diversas.
Amante da fortuna, do esplendor e do poder,
Oxum não mede esforços para alcançar seus objetivos, ainda que através de
atos extremos contra quem está em seu caminho. Ela lança mão de seu dom
sedutor para satisfazer a ambição de ser a mais rica e a mais reverenciada.
Seu maior desejo no entanto é ser amada, o que a faz correr grandes riscos,
assumindo tarefas difíceis pelo bem da coletividade. Em suas aventuras, este
orixá é tanto a brava guerreira, pronta para qualquer confronto, como a frágil
e sensual ninfa amorosa. Determinação, malícia para ludibriar os inimigos,
ternura para com seus queridos, Oxum é sobretudo a deusa do amor.
Também deusa da fertilidade, na Nigéria
é dela o rio que leva o seu nome e no Brasil dela são as águas doces dos
lagos fontes e rios. Água que mata a sede dos humanos e da terra, que assim se
torna fecunda e fornece os alimentos essenciais à vida dos homens e mulheres tão
amados pela mamãe Oxum.
Este orixá encarna a identidade feminina,
vivendo intensamente os papéis de filha, amante e mãe. De menina dengosa,
passando pela mulher irresistível até a senhora protetora, Oxum é sempre dona
de uma personalidade forte, que não aceita ser relegada a segundo plano,
afirmando-se em todas circunstâncias da vida. Com seus atributos, ela dribla os
obstáculos para satisfazer seus desejos.
O orixá amante ataca as concorrentes, para
que não roubem sua cena, pois ela deve ser a única capaz de centralizar as
atenções. Na arte da sedução não pode haver ninguém superior a Oxum. No
entanto ela se entrega por completo quando perdidamente apaixonada, afinal o
romantismo é outra marca sua. Da África tribal à sociedade urbana brasileira,
a musa que dança nos terreiros de espelho em punho para refletir sua beleza
estonteante é tão amada quanto a divina mãe que concede a valiosa fertilidade
e se doa por seus filhos. Por todos seus atributos a belíssima Oxum não
poderia ser menos admirada e amada, não por acaso a cor dela é o reluzente
amarelo ouro, pois como cantou Caetano Veloso, “gente é pra brilhar”, mas
Oxum é o próprio brilho em orixá. Ora Ieiê Ô!
As faces de Oxum
Oxum é esperada ansiosamente por sua mãe,
que para engravidar leva ebó (oferenda) ao rio. E tal desespero não é o de
Iemanjá ao ver sua filhinha sangrar logo após nascer. Para curá-la a mãe
mobiliza Ogum, que recorre ao curandeiro Ossaim, afinal a primeira e tão
querida filha de Iemanjá não podia morrer. Filha mimada, Oxum é guardada por
Orunmilá, que a cria sozinho, mas com grande dedicação para o que e para quem
há de melhor no mundo. Tal preciosismo faz Orunmilá ordenar o criado Exu a
ficar de guarda no palácio para evitar a entrada do indesejado Xangô. Mas a
paixão é mais forte e passa a perna no controle paterno. Xangô alcança o
lindo corpo e o amor de Oxum, que de tão feliz recebe o consentimento de seu
pai para se casar.
Nascida para ser admirada e dona das coisas
boas da vida, porque é tão bela e amada, Oxum não pode se submeter à rotina
simples do dia a dia e muito menos a maus tratos. Ao sair de casa para casar com
Xangô, ela espera somente prazer, nada de afazeres domésticos. Quando presa na
torre por seu marido, zangado pelo seu desinteresse pelas tarefas da casa, ela
é transformada em pombo, por Orunmilá, para voar livre, de volta à proteção
dos braços paternos, para as jóias e os caprichos.
Enquanto mãe, Oxum é bastante zelosa.
Para salvar da vergonha sua filha Omó, cujo sangue fora espirrado na roupa
branca de Oxalá, ela é capaz de, num grande esforço, transformar
espetacularmente as manchas de sangue em penas de ecodidé, o pássaro vermelho,
tão apreciadas pelos orixás. Oxum coloca seu axé a serviço da salvação de
seus filhos.
Da paixão pelo caçador Erinlé, nasce
Logun-Edé. Ao levar seu filho para ficar consigo no rio, a mãe Oxum o proíbe
de brincar nas águas fundas, mas o menino, curioso e vaidoso como os pais, não
obedece sua mãe. Quando vê seu filho sendo afogado pela antiga rival Obá,
Oxum apela desesperadamente a Orunmilá para salvá-lo. Assim é ela, a mãe que
acaricia, ajuda e suplica por sua cria quando seu poder de proteção é
limitado.
Oxum é destemida diante das dificuldades
enfrentadas pelos seus. Ela usa sua sensualidade para salvar sua comunidade da
morte. Dança com seus lenços e o mel, seduzindo Ogum até que ele volte a
produzir os instrumentos para a agricultura. Assim a cidade fica livre da fome e
miséria. Oxum enfrenta o perigo quando Olodumare, Deus supremo, ofendido pela
rebeldia dos orixás, prende a chuva no orum (Céu), deixando que a seca e a
fome se abatam sobre o aiê (a Terra). Transformada em pavão, Oxum voa até o
deus maior, para suplicar ajuda. Mesmo tornando-se abutre pelo calor do sol, que
queima-lhe, enegrecendo as penas, ela alcança a casa de Olodumare.
Indignada por se perceber excluída da
reunião de orixás masculinos, Oxum torna estéreis todas as mulheres até que
ela seja convidada para o encontro. Uma demonstração de que com ela é assim:
bateu, levou. Não tolera o que considera injusto e adora uma pirraça. Da
beleza à destreza, da fragilidade à força, com toque feminino de bondade, é
assim o jeito dessa deusa-heroína.
Sensível à condição de fraqueza, Oxum
se dispõe a aliviar o sofrimento alheio. Assim ela o faz quando Orixalá tem
seu cajado jogado ao mar e a perna ferida por Iansã. Oxum vem para ajudar o
velho, curando-o e recuperando seu pertence. Ela é adorada por Orixalá. A
deusa do amor parte com um ebó até Olodumare, para que não haja mais seca na
Terra. No caminho ela não hesita em repartir os ingredientes da oferenda com o
velho Obatalá e as crianças que encontra, e mesmo assim alcança seu objetivo
pela comoção de Olodumare. Com grande compaixão, Oxum intercede junto a
Olofim-Olodumare para que ele ressuscite Obaluaiê, em troca do doce mel da bela
orixá. E ela garante a vida alheia também ao acolher a princesa Ala, grávida,
jogada ao rio por seu pai. Oxum cuida da recém-nascida, a querida Oiá.
Com suas jóias, espelhos e roupas finas,
Oxum satisfaz seu gosto pelo luxo. Extremamente ambiciosa, ela é capaz de
geniais estratagemas para conseguir êxito na vida. Vai à frente da casa de
Oxalá e lá começa a fazer escândalo, caluniando-o aos berros, até receber
dele a fortuna desejada para então calar-se. E assim Oxum torna-se “senhora
de tanta riqueza como nenhuma outra santa mulher jamais o fora”. Curiosidade
é um comichão que a excita bastante. A vontade de conhecer os segredos do
destino faz com que Oxum, esperta que é, coloque seu poder de atração sexual
em acordos para esse fim. Ela é especialista no toma-lá-dá-cá. É desse modo
que aprende a arte da adivinhação, fazendo duas trocas: relação sexual com
Exu pelas roupas de Obatalá, e as vestes do “Senhor do Pano Branco” pelo
segredo do Ifá. Assim Oxum se torna senhora do jogo de búzios. Beleza,
agilidade e astúcia são ingredientes do sucesso deste orixá.
No amor Oxum é ardorosa. Seu leito conhece
muitos amantes, para os quais propicia momentos de raro prazer, de tão formosa
e quente que é. Mas quando se apaixona realmente ela é entrega total. Oxum
luta para conquistar o amor de Xangô e quando o consegue é capaz de gastar
toda sua riqueza para manter seu amado. Ela livra seu querido Oxóssi do perigo
e entrega-lhe riqueza e poder para que se torne Alaketu, o rei da cidade de Ketu.
Porém Oxum é extremamente caprichosa e volúvel. Quando alguém lhe atrai, não
importa quem seja o parceiro ou o sentimento que vá causar, ela faz o que for
preciso para conquistar e desfrutar do prazer, mesmo que seja tão passageiro.
Rebolando e cantando provocantemente, Oxum seduz a bela Iansã, mas logo troca-a
por outro alguém, tendo de fugir para não apanhar da deusa da tempestade.
Oxum provoca disputa acirrada entre dois
irmãos por seu amor: Xangô e Ogum, ambos guerreiros famosos e poderosos, o
tipo preferido por ela. Xangô é seu marido, mas independente disso, se um dos
dois irmãos não a trata bem, o outro se sente no direito de intervir e
conquistá-la. Afinal Oxum quer ser amada e todos sabem que ela deve ser tratada
como uma rainha, ou seja, com roupas finas, jóias e boa comida, tudo a seu
gosto.
A beleza é o maior trunfo do orixá do
amor. A vaidade a faz contemplar-se constantemente pelos reflexos na água ou
nos espelhos que sempre dispõe. Não basta ser bonita, é preciso ser insuperável.
Para tanto Oxum vai ao ataque contra quem a “ameaça”, pois a inveja abala
sua autoconfiança. Ela usa o espelho de Egungun, que só mostra a morte, para
que sua irmã mais bela, Oiá, se veja destorcidamente refletida e então
enlouqueça de desespero.
Como esposa de Xangô, ao lado de Obá e Oiá,
Oxum é a preferida e está sempre atenta para manter-se a mais amada. Ela adora
enganar Obá. Oxum induz Obá a cortar a própria orelha para cozinhar e servir
para Xangô, dizendo ser o prato preferido do marido, que na verdade fica
enojado e enfurecido. Ela também engana Eleguá que, a serviço de Obá para
fazer um sacrifício, corta erradamente o rabo do cavalo de Xangô. Outra vez Obá
queria agradar seu marido, mas acaba odiada por ele. Oxum definitivamente quer o
fracasso de quem considera rival. É preciso pisar em quem atrapalha sua
supremacia.
Oxum é vingativa quando ofendida,
sobretudo se sua forma física é ridicularizada. Ela tem pavor de ser tida como
velha e feia. Por isso chega a matar o caçador pelo qual se enamora, após
tanto tempo na lagoa se banhando, se preparando para encontrar seu amor, tempo
em que envelheceu sem perceber. Oxum o mata por tê-la confundido com a velha
feiticeira Ia-Mi-Oxorongá. É humilhação demais para quem tem a beleza acima
de tudo. Melhor é cortar o mau pela raiz, custe o que custar, afinal ser
considerada feia é própria morte para ela.
Foi de Oxum a delicada missão dada por
Olodumare de religar o orum ao aiê quando da separação destes pela displicência
dos homens. Tamanho foi o aborrecimento dos orixás em não poder mais conviver
com os humanos que Oxum veio ao aiê prepará-los para receber os deuses em seus
corpos. Juntou as mulheres, banhou-as com ervas, raspou e adornou suas cabeças
com pena de ecodidé, enfeitou seus colos com fios de contas coloridas, seus
pulsos com indés, enfim as fez belas e prontas para receberem os orixás. E
eles vieram. Dançaram e dançaram ao som dos atabaques e xequerês. Para
alegria dos orixás e dos humanos estava inventado o Candomblé.
Os mitos da Oxum mostram o quão múltipla
é sua personalidade. Dessa riqueza de traços resulta a possibilidade de que as
mulheres mais diferentes como as que habitam um país tão grande como o nosso,
em que a diversidade é a norma, se identifiquem com Oxum em maior ou menor
grau. Aliás os orixás têm forte presença na música e em outras formas de
manifestações artísticas da cultura brasileira (Prandi, 1997). É da mulher
brasileira tal como a que aparece no imaginário popular e sua proximidade com
Oxum, que vamos tratar a seguir.
História
de Oxum
Oxum é
a força dos rios, que correm sempre adiante, levando e distribuindo pelo mundo
sua água que mata a sede, seus peixes que matam a fome, e o ouro que eterniza
as idéias dos homens nele materializadas. Como as águas das rios, a força de
Oxum vai a todos os cantos da terra. Ela dá de beber as folhas de Ossain, aos
animais e plantas de Oxóssi, esfria o aço forjado por Ogum, lava as feridas de
Obaluaiê, compõe a luz do arco-íris de Oxumarê.
Oxum é
por isso associada à maternidade, da mesma maneira que Iemanjá. Por sua doçura
e feminilidade, por sua extrema voluptuosidade advinda da água, Oxum é
considerada a deusa do amor. A Vênus africana.
Como
acontece com as águas, nunca se pode prever o estado em que encontraremos Oxum,
e também não podemos segura-la em nossas mãos. Assim, Oxum é o ardil
feminino. A sedução. A deusa que seduziu a todos os orixás masculinos.
Diz o
mito que Oxum era a mais bela e amada filha de Oxalá. Dona de beleza e meiguice
sem iguais, a todos seduzia pela graça e inteligência. Oxum era também
extremamente curiosa e apaixonada. E quando certa vez se apaixonou por um dos
orixás, quis aprender com Orunmilá, o melhor amigo de seu pai, a ver o futuro.
Como o cargo de oluô (dono do segredo) não podia ser ocupado por uma mulher,
Orunmilá, já velho, recusou-se a ensinar o que sabia a Oxum.
Oxum então
seduziu Exu, que não pôde resistir ai encanto de sua beleza e pediu-lhe
roubasse o jogo de ikin (cascas de coco de dendezeiro) de Orunmilá. Para
assegurar seu empreendimento Oxum partiu para a floresta em busca das Iyami
Oshorongá, as perigosas feiticeiras africanas, a fim pedir também a elas que a
ensinassem a ver o futuro. Como as Iyami desejavam provocar Exu há tempos, não
ensinaram Oxum a ver o futuro, pois sabiam que Exu já havia roubado os segredos
de Orunmilá, mas a fazer inúmeros feitiços em troca de que a cada um deles
elas recebessem sua parte.
Tendo
Exu conseguido roubar os segredos de Orunmilá, o deus da adivinhação se viu
obrigado a partilhar com Oxum os segredos do oráculo e lhe entregou os 16 búzios
com que até hoje as mulheres jogam. Oxum representa, assim a sabedoria e o
poder feminino.
Em
agradecimento a Exu, Oxum deu a Exu a honra de ser o primeiro orixá a ser
louvado no jogo de búzios, e entrega a eles suas palavras para que as traga aos
sacerdotes. Assim, Oxum é também a força da vidência feminina.
Mais
tarde, Oxum encontrou Oxóssi na mata e apaixonou-se por ele. A água dos rios e
floresta tiveram então um filho, chamado Logun-Edé, a criança mais linda,
inteligente e rica que já existiu.
Apesar
do seu amor por Oxossi, numa das longas ausências destes Oxum foi seduzida pela
beleza, os presentes (Oxum adora presentes) e o poder de Xangô, irmão de
Oxossi, rompendo sua união com o deus da floresta e da caça. Como Xangô não
aceitasse Logun-Edé em seu palácio, Oxum abandonou seu filho, usando como
pretexto a curiosidade do menino, que um dia foi vê-la banhar-se no rio. Oxum
pretendia abandoná-lo sozinho na floresta, mas o menino se esconde sob a saia
de Iansã a deusa dos raios que estava por perto. Oxum deu então seu filho a
Iansã e partiu com Xangô tornando-se, a partir de então, sua esposa predileta
e companheira cotidiana.
o Cor: amarelo-ouro
o Número: 5
o Dia da semana: Sábado
o Símbolo: abebê (espelho)
o Comida: Ipetê (feijão fradinho com camarão)
o Saudação: Ora ieieu, Oxum!

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OXUM:
É responsável pela irrigação e fecundação da
terra, possibilitando o surgimento de uma nova vida. Ela é freqüentemente
evocada para propiciar uma boa colheita. |
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Dia da semana: sábado Dona do ouro, da riqueza
e das águas doces. Padroeira dos negócios e da fecundidade protege o
feto e a criança em gestação. Mulheres grávidas ou que
querem engravidar recorrem a Oxum que lhe dê proteção. Existem três
tipos de Oxum: Oxum Pandá: moça, faceira, coquete vaidosa; Oxum Demum:
de meia idade e a Oxum Docô: idosa e matriarca. Lendas: "Quando todos os orixás chegaram a
terra, organizaram reuniões onde as mulheres não eram admitidas. Oxum
ficou aborrecida por ser posta de lado e não poder participar de todas as
deliberações. Para se vingar, tornou as mulheres estéreis e impediu que
as atividades desenvolvidas pelos deuses chegassem a resultados favoráveis.
Desesperados, os orixás dirigiram-se a Olodumaré e explicaram-lhe que as
coisas iam mal sobre a terra, apesar das decisões que tomavam nas assembléias.
Olodumaré perguntou se Oxum participava das reuniões e os orixás
responderam que não. Olodumaré explicou-lhe então que, sem a presença
de Oxum e de seu poder sobre a fecundidade, nenhum de seus empreendimentos
poderia dar certo. De volta a terra, os orixás convidaram Oxum para
participar de seus trabalhos, o que acabou por aceitar depois de muito lhe
rogarem. Em seguida, as mulheres tornaram-se fecundas e todos os projetos
obtiveram felizes resultados". Diz uma lenda que Oxum passeava na
floresta brincando os animais, que são seus amigos, desfilando seu ar
coquete e sensual. Foi assim que Ogum - homem rude, bruto e violento - a
avistou. Diante da beleza e graça de Oxum, Ogum sentiu que se apaixonava
por Oxum e correu para ela. Declarando seu desejando e implorando seu
amor. Mas ela só tinha olhos para Xangô, por quem estava enamorada.
Assustada com a atitude de Ogum começou a correr pela mata, fugindo de
seu pretendente que a seguia de perto. Desesperada se atirou nas água de
um rio, cuja corrente a arrastou rapidamente para bem longe de Ogum, mas
ameaçava afoga-la. Levada pela correnteza, chegou até a desembocadura,
onde encontrou Iemanjá. Compadecida, a senhora mãe das águas a protegeu
e presenteou Oxum com aquele rio para ela pudesse viver. Ainda lhe
presenteou com corais, jóias e cauris. Assim, Oxum encantou o seu amado
Xangô com a sua riqueza e beleza e passou a viver no rio, que hoje leva o
seu nome, tornando-se amiga inseparável de Iemanjá. |
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MITOS E LENDAS DA OXUM

OXUM à ORIXÁ feminino por excelência -
o Eterno Feminino. Filha predileta de OXALÁ e YEMANJÁ. Nos mitos, ela foi
casada com OXOSSI, a quem engana, com XANGó, com OGUM, de quem sofria maus
tratos e XANGÔ a salva.
Seduz OMULU, que fica perdidamente
apaixonado, obtendo dele, assim, que afaste a peste do reino de XANGÔ. Mas OXUM
é considerado unanímente como uma das esposas de XANGÔ e rival de IANSÃ e
OBA. É um ORIXÁ das águas doces, fontes e regatos, e dona do RIO OXUM e de
todas as águas que nascem na terra. Diz uma tradiçao esotérica que OXUM é a
própria Mãe Terra, um ser vivo que se auto-regula, sendo os rios suas veias.
OXUM e essencialmente o ORIXÁ das
mulheres, preside a menstruação, a gravidez e o parto. Desempenha importante
funçãonos ritos de iniciação, que são a gestação e o nascimento. ORIXÁ
da maternidade, ama as crianças, protege a vida e tem funções de cura. OXUM
à fecundidade e fartura que se manifesta no fruto das águas (peixe) e no fruto
da terra (inhame) que estão sempre presentes nos seus cultos. Fecundidade e
fertilidade são por extensão, abundância e fartura. OXUM é o ORIXÁ da
riqueza - dona do ouro, fruto das entranhas da Terra. É alegre, risonha, cheia
de dengues, Inteligente, mulher-menina que brinca de boneca, e mulher-sábia,
generosa e compassiva, nunca se enfurecendo. Elegante, cheia de jóias, é a
rainha que nada recusa, tudo dá. Tem o título de IYALODÊ entre os povos IORUBÁ:
aquela que comanda as mulheres na cidade, arbitra litígios e é responsável
pela boa ordem na feira. Também comanda as feiticeiras, o que só aparece como
predileçio pelo pássaro - um pombo de olhos vermelhos. Desempenha importante
papel no jogo de búzios, pois à ela quem formula as perguntas que EXU
responde.
Seu dia à sábado, dia das águas sua
cor é o amarelo dourado e o ovo é a ela consagrado por representar a gestação
Adora o mel, doce como ela. Quando OXUM dançal traz na mão uma espada e um
espelho, revelando-se em sua condição de guerreira da sedução. Ela se banha
no rio, penteia seus cabelos, põe suas jóias e pulceiras, tudo isso num
movimento lânguido e provocante. ORIXÁ do ouro, da bonança, da riqueza, é
essencialmente a Mãe - generosa, pródlga e complacente e por isso, como OXUM
EWUJI e saudado no PADÉ, começo de todo ritual do CANDOMBLÉ.
0 tipo psicológico dos filhos de OXUM
possuidor de muita beleza física. São bem proporcionados de corpo, geralmente
claros e louros. Representa sempre o tipo que atrai e que é, sempre perseguido
pelo sexo oposto (nãoquem conquista como IANSÃ. Aprecia o luxo e o conforto,
é vaidoso, elegante, sensual e gosta de mudanças, podendo ser infiel. Mas é
calmo, tranquilo, emotivo, chora facilmente. É astuto, conseguindo tudo que
quer com imaginação e intriga. A pesar de ser complacente e pródigo pode vir
a ser Interesseiro, preguiçoso e indeciso. É muito desconfiado e possui dor de
grande intuição que muitas vezes é posta à serviço da astúcia.

OXUM
DONA
DA ÁGUA DOCE E DA ÁGUA FRIA. NA ÁFRICA, MORA NO RIO OXUM. SENHORA DA
FERTILIDADE, DA GESTAÇÃO E DO PARTO, CUIDA DOS RECÉM-NASCIDOS, LAVANDO-OS COM
SUAS ÁGUAS E FOLHAS REFRESCANTES. JOVEM E BELA MÃE, MANTÉM SUAS CARACTERÍSTICAS
DE ADOLESCENTE.
CHEIA
DE PAIXÃO, BUSCA ARDOROSAMENTE O PRAZER. COQUETE E VAIDOSA, É A MAIS BELA DAS
DIVINDADES E A PRÓPRIA MALÍCIA DA MULHER-MENINA. É SENSUAL E EXIBCIONISTA,
CONSCIENTE DE SUA RARA BELEZA, E SE UTILIZA DESSES ATRIBUTOS COM JEITO E CARINHO
PARA SEDUZIR AS PESSOAS E CONSEGUIR SEUS OBJETIVOS. COM OXOSSI, VIVE SEUS
MOMENTOS MAIS FELIZES
ADORNOS/FERRAMENTAS:
ABEBÉ, UM LEQUE EM LATÃO DOURADO, IDÉ, PULSEIRAS DE COBRE.
DOMÍNIOS:
ÁGUAS DOCES, FONTES E CACHOEIRAS.
CORES:
AMARELO E AMARELO OURO E AZUL CLARO.
DIAS
DA SEMANA: SÁBADO
LENDAS:
Eu
vi a mamãe Oxum
Sentada na cachoeira
Colhendo os lírios, lírios ê
Colhendo os lírios, lírios Ah
Colhendo lírios pra enfeitar nosso congar
Colhendo os lírios, lírios ê
Colhendo os lírios, lírios Ah
Colhendo lírios pra enfeitar nosso congar
Nas
águas de Mamãe Oxum
Eu lavei minha Coroa
Cristal azul, raio de luz,
És doce como mel
E limpa e pura como o ar.
Tua Beleza brilha no espelho
Da natureza do que é bonito
É dos rios e cachoeiras
Que esta força parte
Desaguando no infinito.
Oh,
minha Mãe, minha professora,
Me ensine a ter carinho,
Fé, firmeza e alegira
Para tudo Eu vencer
E seguir neste caminho.
Foi a Virgem da Conceição
Quem me deu este Destino
De gravar no coração
E testificar
Cantando
aqui esses ensinos.