Centro Espiritualista Miguel Arcanjo e Tenda Espírita Mamãe Oxum

 

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Salve a Mamãe Oxum

 

 

Oxum na mitologia afro-americana

por  André Ricardo de Souza
         Patrícia Ricardo de Souza


Quem é o orixá do amor.

Oxum é doçura sedutora. Todos querem obter seus favores, provar do seu mel, seu encanto e para tanto lhe agradam oferecendo perfumes e belos artefatos, tudo para satisfazer sua vaidade. Na mitologia dos orixás ela se apresenta com características específicas, que a tornam bastante popular nos cultos de origem negra e também nas manifestações artísticas sobre essa religiosidade. O orixá da beleza usa toda sua astúcia e charme extraordinário para conquistar os prazeres da vida e realizar proezas diversas.

Amante da fortuna, do esplendor e do poder, Oxum não mede esforços para alcançar seus objetivos, ainda que através de atos extremos contra quem está em seu caminho. Ela lança mão de seu dom sedutor para satisfazer a ambição de ser a mais rica e a mais reverenciada. Seu maior desejo no entanto é ser amada, o que a faz correr grandes riscos, assumindo tarefas difíceis pelo bem da coletividade. Em suas aventuras, este orixá é tanto a brava guerreira, pronta para qualquer confronto, como a frágil e sensual ninfa amorosa. Determinação, malícia para ludibriar os inimigos, ternura para com seus queridos, Oxum é sobretudo a deusa do amor.

Também deusa da fertilidade, na Nigéria é dela o rio que leva o seu nome e no Brasil dela são as águas doces dos lagos fontes e rios. Água que mata a sede dos humanos e da terra, que assim se torna fecunda e fornece os alimentos essenciais à vida dos homens e mulheres tão amados pela mamãe Oxum.

Este orixá encarna a identidade feminina, vivendo intensamente os papéis de filha, amante e mãe. De menina dengosa, passando pela mulher irresistível até a senhora protetora, Oxum é sempre dona de uma personalidade forte, que não aceita ser relegada a segundo plano, afirmando-se em todas circunstâncias da vida. Com seus atributos, ela dribla os obstáculos para satisfazer seus desejos.

O orixá amante ataca as concorrentes, para que não roubem sua cena, pois ela deve ser a única capaz de centralizar as atenções. Na arte da sedução não pode haver ninguém superior a Oxum. No entanto ela se entrega por completo quando perdidamente apaixonada, afinal o romantismo é outra marca sua. Da África tribal à sociedade urbana brasileira, a musa que dança nos terreiros de espelho em punho para refletir sua beleza estonteante é tão amada quanto a divina mãe que concede a valiosa fertilidade e se doa por seus filhos. Por todos seus atributos a belíssima Oxum não poderia ser menos admirada e amada, não por acaso a cor dela é o reluzente amarelo ouro, pois como cantou Caetano Veloso, “gente é pra brilhar”, mas Oxum é o próprio brilho em orixá. Ora Ieiê Ô!

As faces de Oxum

Oxum é esperada ansiosamente por sua mãe, que para engravidar leva ebó (oferenda) ao rio. E tal desespero não é o de Iemanjá ao ver sua filhinha sangrar logo após nascer. Para curá-la a mãe mobiliza Ogum, que recorre ao curandeiro Ossaim, afinal a primeira e tão querida filha de Iemanjá não podia morrer. Filha mimada, Oxum é guardada por Orunmilá, que a cria sozinho, mas com grande dedicação para o que e para quem há de melhor no mundo. Tal preciosismo faz Orunmilá ordenar o criado Exu a ficar de guarda no palácio para evitar a entrada do indesejado Xangô. Mas a paixão é mais forte e passa a perna no controle paterno. Xangô alcança o lindo corpo e o amor de Oxum, que de tão feliz recebe o consentimento de seu pai para se casar.

Nascida para ser admirada e dona das coisas boas da vida, porque é tão bela e amada, Oxum não pode se submeter à rotina simples do dia a dia e muito menos a maus tratos. Ao sair de casa para casar com Xangô, ela espera somente prazer, nada de afazeres domésticos. Quando presa na torre por seu marido, zangado pelo seu desinteresse pelas tarefas da casa, ela é transformada em pombo, por Orunmilá, para voar livre, de volta à proteção dos braços paternos, para as jóias e os caprichos.

Enquanto mãe, Oxum é bastante zelosa. Para salvar da vergonha sua filha Omó, cujo sangue fora espirrado na roupa branca de Oxalá, ela é capaz de, num grande esforço, transformar espetacularmente as manchas de sangue em penas de ecodidé, o pássaro vermelho, tão apreciadas pelos orixás. Oxum coloca seu axé a serviço da salvação de seus filhos.

Da paixão pelo caçador Erinlé, nasce Logun-Edé. Ao levar seu filho para ficar consigo no rio, a mãe Oxum o proíbe de brincar nas águas fundas, mas o menino, curioso e vaidoso como os pais, não obedece sua mãe. Quando vê seu filho sendo afogado pela antiga rival Obá, Oxum apela desesperadamente a Orunmilá para salvá-lo. Assim é ela, a mãe que acaricia, ajuda e suplica por sua cria quando seu poder de proteção é limitado.

Oxum é destemida diante das dificuldades enfrentadas pelos seus. Ela usa sua sensualidade para salvar sua comunidade da morte. Dança com seus lenços e o mel, seduzindo Ogum até que ele volte a produzir os instrumentos para a agricultura. Assim a cidade fica livre da fome e miséria. Oxum enfrenta o perigo quando Olodumare, Deus supremo, ofendido pela rebeldia dos orixás, prende a chuva no orum (Céu), deixando que a seca e a fome se abatam sobre o aiê (a Terra). Transformada em pavão, Oxum voa até o deus maior, para suplicar ajuda. Mesmo tornando-se abutre pelo calor do sol, que queima-lhe, enegrecendo as penas, ela alcança a casa de Olodumare.

Indignada por se perceber excluída da reunião de orixás masculinos, Oxum torna estéreis todas as mulheres até que ela seja convidada para o encontro. Uma demonstração de que com ela é assim: bateu, levou. Não tolera o que considera injusto e adora uma pirraça. Da beleza à destreza, da fragilidade à força, com toque feminino de bondade, é assim o jeito dessa deusa-heroína.

Sensível à condição de fraqueza, Oxum se dispõe a aliviar o sofrimento alheio. Assim ela o faz quando Orixalá tem seu cajado jogado ao mar e a perna ferida por Iansã. Oxum vem para ajudar o velho, curando-o e recuperando seu pertence. Ela é adorada por Orixalá. A deusa do amor parte com um ebó até Olodumare, para que não haja mais seca na Terra. No caminho ela não hesita em repartir os ingredientes da oferenda com o velho Obatalá e as crianças que encontra, e mesmo assim alcança seu objetivo pela comoção de Olodumare. Com grande compaixão, Oxum intercede junto a Olofim-Olodumare para que ele ressuscite Obaluaiê, em troca do doce mel da bela orixá. E ela garante a vida alheia também ao acolher a princesa Ala, grávida, jogada ao rio por seu pai. Oxum cuida da recém-nascida, a querida Oiá.

Com suas jóias, espelhos e roupas finas, Oxum satisfaz seu gosto pelo luxo. Extremamente ambiciosa, ela é capaz de geniais estratagemas para conseguir êxito na vida. Vai à frente da casa de Oxalá e lá começa a fazer escândalo, caluniando-o aos berros, até receber dele a fortuna desejada para então calar-se. E assim Oxum torna-se “senhora de tanta riqueza como nenhuma outra santa mulher jamais o fora”. Curiosidade é um comichão que a excita bastante. A vontade de conhecer os segredos do destino faz com que Oxum, esperta que é, coloque seu poder de atração sexual em acordos para esse fim. Ela é especialista no toma-lá-dá-cá. É desse modo que aprende a arte da adivinhação, fazendo duas trocas: relação sexual com Exu pelas roupas de Obatalá, e as vestes do “Senhor do Pano Branco” pelo segredo do Ifá. Assim Oxum se torna senhora do jogo de búzios. Beleza, agilidade e astúcia são ingredientes do sucesso deste orixá.

No amor Oxum é ardorosa. Seu leito conhece muitos amantes, para os quais propicia momentos de raro prazer, de tão formosa e quente que é. Mas quando se apaixona realmente ela é entrega total. Oxum luta para conquistar o amor de Xangô e quando o consegue é capaz de gastar toda sua riqueza para manter seu amado. Ela livra seu querido Oxóssi do perigo e entrega-lhe riqueza e poder para que se torne Alaketu, o rei da cidade de Ketu. Porém Oxum é extremamente caprichosa e volúvel. Quando alguém lhe atrai, não importa quem seja o parceiro ou o sentimento que vá causar, ela faz o que for preciso para conquistar e desfrutar do prazer, mesmo que seja tão passageiro. Rebolando e cantando provocantemente, Oxum seduz a bela Iansã, mas logo troca-a por outro alguém, tendo de fugir para não apanhar da deusa da tempestade.

Oxum provoca disputa acirrada entre dois irmãos por seu amor: Xangô e Ogum, ambos guerreiros famosos e poderosos, o tipo preferido por ela. Xangô é seu marido, mas independente disso, se um dos dois irmãos não a trata bem, o outro se sente no direito de intervir e conquistá-la. Afinal Oxum quer ser amada e todos sabem que ela deve ser tratada como uma rainha, ou seja, com roupas finas, jóias e boa comida, tudo a seu gosto.

A beleza é o maior trunfo do orixá do amor. A vaidade a faz contemplar-se constantemente pelos reflexos na água ou nos espelhos que sempre dispõe. Não basta ser bonita, é preciso ser insuperável. Para tanto Oxum vai ao ataque contra quem a “ameaça”, pois a inveja abala sua autoconfiança. Ela usa o espelho de Egungun, que só mostra a morte, para que sua irmã mais bela, Oiá, se veja destorcidamente refletida e então enlouqueça de desespero.

Como esposa de Xangô, ao lado de Obá e Oiá, Oxum é a preferida e está sempre atenta para manter-se a mais amada. Ela adora enganar Obá. Oxum induz Obá a cortar a própria orelha para cozinhar e servir para Xangô, dizendo ser o prato preferido do marido, que na verdade fica enojado e enfurecido. Ela também engana Eleguá que, a serviço de Obá para fazer um sacrifício, corta erradamente o rabo do cavalo de Xangô. Outra vez Obá queria agradar seu marido, mas acaba odiada por ele. Oxum definitivamente quer o fracasso de quem considera rival. É preciso pisar em quem atrapalha sua supremacia.

Oxum é vingativa quando ofendida, sobretudo se sua forma física é ridicularizada. Ela tem pavor de ser tida como velha e feia. Por isso chega a matar o caçador pelo qual se enamora, após tanto tempo na lagoa se banhando, se preparando para encontrar seu amor, tempo em que envelheceu sem perceber. Oxum o mata por tê-la confundido com a velha feiticeira Ia-Mi-Oxorongá. É humilhação demais para quem tem a beleza acima de tudo. Melhor é cortar o mau pela raiz, custe o que custar, afinal ser considerada feia é própria morte para ela.

Foi de Oxum a delicada missão dada por Olodumare de religar o orum ao aiê quando da separação destes pela displicência dos homens. Tamanho foi o aborrecimento dos orixás em não poder mais conviver com os humanos que Oxum veio ao aiê prepará-los para receber os deuses em seus corpos. Juntou as mulheres, banhou-as com ervas, raspou e adornou suas cabeças com pena de ecodidé, enfeitou seus colos com fios de contas coloridas, seus pulsos com indés, enfim as fez belas e prontas para receberem os orixás. E eles vieram. Dançaram e dançaram ao som dos atabaques e xequerês. Para alegria dos orixás e dos humanos estava inventado o Candomblé.

Os mitos da Oxum mostram o quão múltipla é sua personalidade. Dessa riqueza de traços resulta a possibilidade de que as mulheres mais diferentes como as que habitam um país tão grande como o nosso, em que a diversidade é a norma, se identifiquem com Oxum em maior ou menor grau. Aliás os orixás têm forte presença na música e em outras formas de manifestações artísticas da cultura brasileira (Prandi, 1997). É da mulher brasileira tal como a que aparece no imaginário popular e sua proximidade com Oxum, que vamos tratar a seguir.

   

 


 

 

 

 

História de Oxum

 

Oxum é a força dos rios, que correm sempre adiante, levando e distribuindo pelo mundo sua água que mata a sede, seus peixes que matam a fome, e o ouro que eterniza as idéias dos homens nele materializadas. Como as águas das rios, a força de Oxum vai a todos os cantos da terra. Ela dá de beber as folhas de Ossain, aos animais e plantas de Oxóssi, esfria o aço forjado por Ogum, lava as feridas de Obaluaiê, compõe a luz do arco-íris de Oxumarê.

Oxum é por isso associada à maternidade, da mesma maneira que Iemanjá. Por sua doçura e feminilidade, por sua extrema voluptuosidade advinda da água, Oxum é considerada a deusa do amor. A Vênus africana.

Como acontece com as águas, nunca se pode prever o estado em que encontraremos Oxum, e também não podemos segura-la em nossas mãos. Assim, Oxum é o ardil feminino. A sedução. A deusa que seduziu a todos os orixás masculinos.

Diz o mito que Oxum era a mais bela e amada filha de Oxalá. Dona de beleza e meiguice sem iguais, a todos seduzia pela graça e inteligência. Oxum era também extremamente curiosa e apaixonada. E quando certa vez se apaixonou por um dos orixás, quis aprender com Orunmilá, o melhor amigo de seu pai, a ver o futuro. Como o cargo de oluô (dono do segredo) não podia ser ocupado por uma mulher, Orunmilá, já velho, recusou-se a ensinar o que sabia a Oxum.

Oxum então seduziu Exu, que não pôde resistir ai encanto de sua beleza e pediu-lhe roubasse o jogo de ikin (cascas de coco de dendezeiro) de Orunmilá. Para assegurar seu empreendimento Oxum partiu para a floresta em busca das Iyami Oshorongá, as perigosas feiticeiras africanas, a fim pedir também a elas que a ensinassem a ver o futuro. Como as Iyami desejavam provocar Exu há tempos, não ensinaram Oxum a ver o futuro, pois sabiam que Exu já havia roubado os segredos de Orunmilá, mas a fazer inúmeros feitiços em troca de que a cada um deles elas recebessem sua parte.

Tendo Exu conseguido roubar os segredos de Orunmilá, o deus da adivinhação se viu obrigado a partilhar com Oxum os segredos do oráculo e lhe entregou os 16 búzios com que até hoje as mulheres jogam. Oxum representa, assim a sabedoria e o poder feminino.

Em agradecimento a Exu, Oxum deu a Exu a honra de ser o primeiro orixá a ser louvado no jogo de búzios, e entrega a eles suas palavras para que as traga aos sacerdotes. Assim, Oxum é também a força da vidência feminina.

Mais tarde, Oxum encontrou Oxóssi na mata e apaixonou-se por ele. A água dos rios e floresta tiveram então um filho, chamado Logun-Edé, a criança mais linda, inteligente e rica que já existiu.

Apesar do seu amor por Oxossi, numa das longas ausências destes Oxum foi seduzida pela beleza, os presentes (Oxum adora presentes) e o poder de Xangô, irmão de Oxossi, rompendo sua união com o deus da floresta e da caça. Como Xangô não aceitasse Logun-Edé em seu palácio, Oxum abandonou seu filho, usando como pretexto a curiosidade do menino, que um dia foi vê-la banhar-se no rio. Oxum pretendia abandoná-lo sozinho na floresta, mas o menino se esconde sob a saia de Iansã a deusa dos raios que estava por perto. Oxum deu então seu filho a Iansã e partiu com Xangô tornando-se, a partir de então, sua esposa predileta e companheira cotidiana. 

o       Cor: amarelo-ouro

o       Número: 5

o       Dia da semana: Sábado

o       Símbolo: abebê (espelho)

o       Comida: Ipetê (feijão fradinho com camarão)

o       Saudação: Ora ieieu, Oxum!

 


 

 

 

OXUM: É responsável pela irrigação e fecundação da terra, possibilitando o surgimento de uma nova vida. Ela é freqüentemente evocada para propiciar uma boa colheita.

 

Dia da semana: sábado
Cor: amarelo
Números de axés: 04-08-16-32-88
Comida: canjica amarela, polenta, farinha de milho com mel.
Guias: amarelo
Função: amor, demanda e amarração.
Parte do corpo que Oxum rege: aparelho reprodutor feminino e seio
Ferramentas: leque, búzios, jóias, espelho, pente, meia lua, conchas de rio ou mar.
Ave: galinha amarela, galinha d'angola branca ou casal de marrecos.
Pombo: branco
Quatro - pé: cabrita amarela
Peixe: jundiá.
Ervas: fortuna, dinheirinho em penca, folha de laranjeira e manjericão.
Lugar de oferendas: praias de água doce, rios, verde e praças.
Frutas: maçã, bergamota, Pêssego, mamão.
Bicho de estimação: aranha
Flor: rosas amarelas ou outras flores amarelas
Sobrenomes de Orixás: Pandá, Docô, Ieiê-roxô, Male, Adililá, Tuqué, Aguedã, Mirerê, Dada, Delê, Dila, Demum, Tola, Omimaré, Taladê, Panda Mirê, Nanã, Iecariê
Características: Docô: mãe de todos os orixás, rainha das águas doces, rainha de Ijexá
Doce: quindim, pudim, ambrosia, bolos e torta.
Saudação: ei-eu ; ora-iê-iê-io
Apelido: mãe
Dia do ano: 08 de dezembro
Santos que a representa: Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora Aparecida, e Nossa Senhora da Conceição.

Dona do ouro, da riqueza e das águas doces. Padroeira dos negócios e da fecundidade protege o feto e a criança em gestação.

Mulheres grávidas ou que querem engravidar recorrem a Oxum que lhe dê proteção. Existem três tipos de Oxum: Oxum Pandá: moça, faceira, coquete vaidosa; Oxum Demum: de meia idade e a Oxum Docô: idosa e matriarca.
Nas festas públicas as rezas de Oxum concentram o maior número de participantes, pois todos querem agradar a orixá da beleza e da riqueza. Oxum juntamente com Orumilaia e Bará é quem preside o Ifá (Jogo de Búzios), respondendo em casos de saúde, de harmonia familiar e de prosperidade. Em suas oferendas sempre encontramos mel que representa doçura, flores e perfumes que representam a beleza da vida, jóias significando riqueza.

Características Positivas: seus filhos são pensativos, elegantes, charmosos, atenciosos, trabalhadores, espertos e têm um quê doce no olhar. São vaidosos, afetivos e carismáticos.
Como profissionais, as pessoas regidas por Oxum são sensatas e dedicadas. Amam com sinceridade e dedicação. Conhecem o feitiço e fazem bom uso dele. Quando fixam um objetivo não medem sacrifício para conseguir atingir sua meta.

Características Negativas: chantagistas, choram para ter a piedade dos outros, dramáticos, são matreiros, debochados, possessivos, exigentes, ciumentos, autoritários. Gostam de palpitar sobre os problemas alheios, adoram criticar.

Lendas:
As mulheres que desejarem ter filhos dirigem-se a Oxum, pois ela controla a fecundidade, graças aos laços mantidos com Ìyámi-Ajé ("Minha Mãe Feiticeira)". Sobre este assunto uma lenda conta que:

"Quando todos os orixás chegaram a terra, organizaram reuniões onde as mulheres não eram admitidas. Oxum ficou aborrecida por ser posta de lado e não poder participar de todas as deliberações. Para se vingar, tornou as mulheres estéreis e impediu que as atividades desenvolvidas pelos deuses chegassem a resultados favoráveis. Desesperados, os orixás dirigiram-se a Olodumaré e explicaram-lhe que as coisas iam mal sobre a terra, apesar das decisões que tomavam nas assembléias. Olodumaré perguntou se Oxum participava das reuniões e os orixás responderam que não. Olodumaré explicou-lhe então que, sem a presença de Oxum e de seu poder sobre a fecundidade, nenhum de seus empreendimentos poderia dar certo. De volta a terra, os orixás convidaram Oxum para participar de seus trabalhos, o que acabou por aceitar depois de muito lhe rogarem. Em seguida, as mulheres tornaram-se fecundas e todos os projetos obtiveram felizes resultados".

Diz uma lenda que Oxum passeava na floresta brincando os animais, que são seus amigos, desfilando seu ar coquete e sensual. Foi assim que Ogum - homem rude, bruto e violento - a avistou. Diante da beleza e graça de Oxum, Ogum sentiu que se apaixonava por Oxum e correu para ela. Declarando seu desejando e implorando seu amor. Mas ela só tinha olhos para Xangô, por quem estava enamorada. Assustada com a atitude de Ogum começou a correr pela mata, fugindo de seu pretendente que a seguia de perto. Desesperada se atirou nas água de um rio, cuja corrente a arrastou rapidamente para bem longe de Ogum, mas ameaçava afoga-la. Levada pela correnteza, chegou até a desembocadura, onde encontrou Iemanjá. Compadecida, a senhora mãe das águas a protegeu e presenteou Oxum com aquele rio para ela pudesse viver. Ainda lhe presenteou com corais, jóias e cauris. Assim, Oxum encantou o seu amado Xangô com a sua riqueza e beleza e passou a viver no rio, que hoje leva o seu nome, tornando-se amiga inseparável de Iemanjá.

 

 


 

 

MITOS E LENDAS DA OXUM

 

 

 

OXUM à ORIXÁ feminino por excelência - o Eterno Feminino. Filha predileta de OXALÁ e YEMANJÁ. Nos mitos, ela foi casada com OXOSSI, a quem engana, com XANGó, com OGUM, de quem sofria maus tratos e XANGÔ a salva.

Seduz OMULU, que fica perdidamente apaixonado, obtendo dele, assim, que afaste a peste do reino de XANGÔ. Mas OXUM é considerado unanímente como uma das esposas de XANGÔ e rival de IANSÃ e OBA. É um ORIXÁ das águas doces, fontes e regatos, e dona do RIO OXUM e de todas as águas que nascem na terra. Diz uma tradiçao esotérica que OXUM é a própria Mãe Terra, um ser vivo que se auto-regula, sendo os rios suas veias.

OXUM e essencialmente o ORIXÁ das mulheres, preside a menstruação, a gravidez e o parto. Desempenha importante funçãonos ritos de iniciação, que são a gestação e o nascimento. ORIXÁ da maternidade, ama as crianças, protege a vida e tem funções de cura. OXUM à fecundidade e fartura que se manifesta no fruto das águas (peixe) e no fruto da terra (inhame) que estão sempre presentes nos seus cultos. Fecundidade e fertilidade são por extensão, abundância e fartura. OXUM é o ORIXÁ da riqueza - dona do ouro, fruto das entranhas da Terra. É alegre, risonha, cheia de dengues, Inteligente, mulher-menina que brinca de boneca, e mulher-sábia, generosa e compassiva, nunca se enfurecendo. Elegante, cheia de jóias, é a rainha que nada recusa, tudo dá. Tem o título de IYALODÊ entre os povos IORUBÁ: aquela que comanda as mulheres na cidade, arbitra litígios e é responsável pela boa ordem na feira. Também comanda as feiticeiras, o que só aparece como predileçio pelo pássaro - um pombo de olhos vermelhos. Desempenha importante papel no jogo de búzios, pois à ela quem formula as perguntas que EXU responde.

Seu dia à sábado, dia das águas sua cor é o amarelo dourado e o ovo é a ela consagrado por representar a gestação Adora o mel, doce como ela. Quando OXUM dançal traz na mão uma espada e um espelho, revelando-se em sua condição de guerreira da sedução. Ela se banha no rio, penteia seus cabelos, põe suas jóias e pulceiras, tudo isso num movimento lânguido e provocante. ORIXÁ do ouro, da bonança, da riqueza, é essencialmente a Mãe - generosa, pródlga e complacente e por isso, como OXUM EWUJI e saudado no PADÉ, começo de todo ritual do CANDOMBLÉ.

0 tipo psicológico dos filhos de OXUM possuidor de muita beleza física. São bem proporcionados de corpo, geralmente claros e louros. Representa sempre o tipo que atrai e que é, sempre perseguido pelo sexo oposto (nãoquem conquista como IANSÃ. Aprecia o luxo e o conforto, é vaidoso, elegante, sensual e gosta de mudanças, podendo ser infiel. Mas é calmo, tranquilo, emotivo, chora facilmente. É astuto, conseguindo tudo que quer com imaginação e intriga. A pesar de ser complacente e pródigo pode vir a ser Interesseiro, preguiçoso e indeciso. É muito desconfiado e possui dor de grande intuição que muitas vezes é posta à serviço da astúcia.

 

 


 

 

 

 

OXUM

 

 

 

DONA DA ÁGUA DOCE E DA ÁGUA FRIA. NA ÁFRICA, MORA NO RIO OXUM. SENHORA DA FERTILIDADE, DA GESTAÇÃO E DO PARTO, CUIDA DOS RECÉM-NASCIDOS, LAVANDO-OS COM SUAS ÁGUAS E FOLHAS REFRESCANTES. JOVEM E BELA MÃE, MANTÉM SUAS CARACTERÍSTICAS DE ADOLESCENTE.

CHEIA DE PAIXÃO, BUSCA ARDOROSAMENTE O PRAZER. COQUETE E VAIDOSA, É A MAIS BELA DAS DIVINDADES E A PRÓPRIA MALÍCIA DA MULHER-MENINA. É SENSUAL E EXIBCIONISTA, CONSCIENTE DE SUA RARA BELEZA, E SE UTILIZA DESSES ATRIBUTOS COM JEITO E CARINHO PARA SEDUZIR AS PESSOAS E CONSEGUIR SEUS OBJETIVOS. COM OXOSSI, VIVE SEUS MOMENTOS MAIS FELIZES

ADORNOS/FERRAMENTAS: ABEBÉ, UM LEQUE EM LATÃO DOURADO, IDÉ, PULSEIRAS DE COBRE.

DOMÍNIOS: ÁGUAS DOCES, FONTES E CACHOEIRAS.

CORES: AMARELO E AMARELO OURO E AZUL CLARO.

DIAS DA SEMANA: SÁBADO

      AXÉ ( FORCA EMANADA): FECUNDIDADE, RIQUEZA, AMOR E          FARTURA. 

 

LENDAS:

QUANDO ORUMILÁ ESTAVA CRIANDO O MUNDO, ESCOLHEU OXUM PARA SER A PROTETORA DAS CRIANÇAS. ELA DEVERIA ZELAR PELOS PEQUENINOS DESDE O MOMENTO DA CONCEPÇÃO, AINDA NO VENTRE MATERNO, ATE QUE PUDESSEM USAR O RACIOCÍNIO E SE EXPRESSAR EM ALGUM IDIOMA. POR ISSO, OXUM É CONSIDERADA A ORIXÁ DA FERTILIDADE E DA MATERNIDADE.
POR SUA BELEZA, OXUM TAMBÉM É TIDA COMO A DEUSA DA VAIDADE, SENDO VISTA COMO UMA ORIXÁ JOVEM E BONITA, MIRANDO-SE EM SEUS ESPELHOS ( ABEBÊ ) E ABANANDO-SE COM SEU LEQUE ( ABELÊ ).
SEGUNDA ESPOSA DE XANGÔ, CONSIDERADA A MAIS BELA DE TODAS, TERIA SIDO PRESA PELO MARIDO CIUMENTO NA TORRE DO CASTELO QUE HABITAVAM. PASSANDO POR ALI, EXU OUVIU O CHORO DE OXUM E QUIS SABER QUAL A RAZÃO DE SUA TRISTEZA. APÓS OUVIR A HISTÓRIA, PEDIU A ORUMILÁ QUE INTERCEDESSE POR ELA. ESTE ASSIM O FEZ, ESPALHANDO SOBRE A BELA OXUM UM PÓ MÁGICO
QUE A TRANSFORMOU EM POMBA, POSSIBILITANDO A FUGA. POR ISSO, NOS CULTOS A OXUM, A POMBA É CONSIDERADA UM ANIMAL SAGRADO.

 

Eu vi a mamãe Oxum
Sentada na cachoeira
Colhendo os lírios, lírios ê
Colhendo os lírios, lírios Ah
Colhendo lírios pra enfeitar nosso congar
Colhendo os lírios, lírios ê
Colhendo os lírios, lírios Ah
Colhendo lírios pra enfeitar nosso congar

 

Nas águas de Mamãe Oxum
Eu lavei minha Coroa
Cristal azul, raio de luz,
És doce como mel
E limpa e pura como o ar.

Tua Beleza brilha no espelho
Da natureza do que é bonito
É dos rios e cachoeiras
Que esta força parte
Desaguando no infinito.

Oh, minha Mãe, minha professora,
Me ensine a ter carinho,
Fé, firmeza e alegira
Para tudo Eu vencer
E seguir neste caminho.

Foi a Virgem da Conceição
Quem me deu este Destino
De gravar no coração
E testificar
Cantando aqui esses ensinos.


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