
Oxossi, chefe dos caboclos, é um dos muitos deuses caçadores
(Odés) na África e é sincretizado na Umbanda com São Sebastião. Orixá rei
da nação Ketu, deus da caça e da fartura.
São Sebastião, santo e mártir católico, é apresentado rendido, amarrado e
com flechas cravadas em seu corpo. A relação de S. Sebastião com Oxossi está
no símbolo da flecha e do arco. Arquetipicamente, o caçador é aquele que
penetra um espaço selvagem buscando algo que apenas será efetivamente validado
quando ele voltar à sua comunidade (aldeia, vila ou cidade).
É protetor dos caçadores, dos chefes de família, e protetor dos animais que
vivem no mato e nas florestas. Senhor das matas e da caça, Oxóssi é chefe na
linha dos caboclos. Detentor da sabedoria nas folhas da Jurema, Oxóssi é o
orixá do trabalho (empregos) e da linha da cura. Muitos caboclos trabalham
nessa linha, pelos seus conhecimentos contra as doenças terrenas. Por ser caçador,
também é conhecido por suas vitórias contra as demandas.
Oxóssi é raramente encontrado nos terreiros de umbanda, mas é muito bem
representado pelos caboclos/caciques/índios da casa.
Segundo lendas do Candomblé. Oxossi é o irmão mais novo de Ogum, e teve várias
esposas, mas a sua predileta foi Oxum. A curiosidade e a observação são
características de Oxossi, orixá também da alegria, que gosta de agir à
noite, como os caçadores.
Oxossi é também parte dos orixás masculinos cujos princípios também são
feitos de ferro. Alegre, jovial, expansivo e irrequieto.
O culto de Oxóssi encontra-se quase extinto na África mas bastante difundido
no Novo mundo, tanto em Cuba como no Brasil, pois seus iniciados foram vendidos
como escravos para esses países
Dança segurando o ofá, um adereço em forma de arco e flecha forjado em metal
e o erukere, insígnia de dignidade dos reis da África e que lembra ele ter
sido rei de Kêto.
No Candomblé Oxossi possui 15 qualidades, e são: Orè ou
Orèlúéré, Inlé ou Erinlè, Ibùalámo, Fayemi, Ondun, Asunara, Apala,
Agbandada, Owala, Kusi, Ibuanun, Olumeye, Akanbi, Alapade e Mutalambo.

OXOSSI O PROTETOR DA CAÇA Irmão de Ogum , Oxossi tem como domínio as matas e a agricultura, áreas onde melhor pode exercer suas funções de obtentor de alimentos. Habitualmente associado à figura de um caçador, ele passa a seus 'filhos" algumas das principais características necessárias a essa atividade: concentração, atenção, determinação para atingir os objetivos e uma boa dose de paciência. Outro nome pelo qual este orixá é designado deixa clara sua função no mundo dos deuses míticos iorubás: Odé, o caçador. Irmão de Ogum e de Exú, Oxossi é o deus da caça. Assim como o irmão ligado à guerra, Oxossi também sai de sua casa. Ao contrário da luta com outros exércitos, seu combate é mais cotidiano, nas matas, pelos animais que vão garantir a alimentação de sua família. Outros são os pontos em comum entre ele e seu irmão mais velho. Assim como Ogum, c) conceito de liberdade e de independência em Oxossi é muito claro em sua personalidade básica, Como o irmão, tem personalidade forte, determinada e empreendedora. Segundo as lendas, também participou de algumas lutas, mas não da mesma maneira marcante de Ogum. Como orixá, sua responsabilidade principal em relação ao mundo é a garantia da vida dos animais, para que eles possam ser caçados e a alimentação dos seres humanos esteja assegurada. Em alguns ramos do candomblé, também se atribui a ele o poder sobre as colheitas. Uma das lendas sobre Oxossi diz que em uma de suas caçadas ele foi enfeitiçado por Ossâim, apesar dos avisos de Yemanjá para que tomasse cuidado. Ficando, então, sob o controle de Ossâim, ele afastou-se da família até que este encantamento fosse quebrado. Retornando para a mãe, Oxossi foi recebido por uma Yemanjá intransigente, irritada por não ter sido ouvida pelo filho. Rejeitado por ela, Oxossi voltou à floresta, para a influência de Ossâim, o que levou Ogum a se rebelar contra a própria mãe, censurando-lhe o comportamento para com seu irmão. Essa autêntica crise familiar foi responsável pelo descontrole de Yemanjá, que, chorando desesperada, desmanchou-se em suas próprias lágrimas e transformou-se num rio que corre para o mar. Segundo Pierre Verger, o culto a este orixá é bastante difundido no Brasil, mas sua figura é pouco lembrada na África, onde praticamente não tem filhos. Esse processo de esquecimento, segundo o pesquisador francês, deve-se ao fato de Oxossi ter sido cultuado basicamente no Keto - onde chega a receber o titulo de rei. Este país, no século XIX, foi praticamente destruído e saqueado pelas tropas do rei de Daomé. Seus habitantes (inclusive o grande número de iniciados de Oxossi) foram então transformados em escravos, vindo a ser vendidos tanto no Brasil como nas Antilhas. Conta Verger: "Chegou-se a tal ponto que, embora existindo ainda em Keto os locais onde Oxossi recebia outrora oferendas e sacrifícios, já não existem atualmente pessoas que saibam ou desejam cultuá-lo." Como não poderia deixar de ser, o símbolo de Oxossi é um arco e flecha, geralmente em ferro. O "tipo Oxossi" geralmente é associado às pessoas joviais, rápidas e espertas, tanto mental como físicamente. A postura é a de um caçador à espreita na floresta, evitando fazer barulho e de olhos e ouvidos extremamente atentos ao movimento da caça. Tem, portanto, grande capacidade de concentração e de atenção, aliada a uma firme determinação em alcançar seus objetivos e paciência para aguardar o momento correto para qualquer iniciativa. Os filhos de Oxossi: solitários e perseverantes Essas características reforçam a ligação que é feita entre Oxossi e Ogum. Assim como o segundo, seu corpo é esguio, atento e pronto para o combate. Mas sua luta é mais baseada na necessidade e no cotidiano da busca da alimentação - ou, num sentido mais amplo, no desempenhar das tarefas costumeiras do dia-a-dia -, do que nos grandes rompantes das ações militares. Da mesma maneira, tem a força de Ogum, mas sua violência, se existe, é canalizada e represada para o movimento certo na hora certa. Não tem o temperamento incontrolável do irmão nem suas alterações de humor. É também mais reservado, se bem que não lhe falte energia para o comando quando preciso. Tem uma tendência maior para a solidão, para o desempenho solitário de suas funções. Ao mesmo tempo, é marcado por um forte sentido do dever e uma grande noção de responsabilidade. Afinal, recai sobre ele, míticamente, o peso do sustento da tribo. O filho de Oxossi teria, então, uma forte ligação com o mundo material, sem que essa tendência denote obrigatoriamente ambição. Tende a assumir responsabilidades e a organizar o sustento do grupo ou da família a que pertence. Podem ser paternais nessa preocupação, mas sua ajuda se realizará preferencialmente distante do lar, trazendo as provisões ou trabalhando para que elas possam ser compradas, e não no contato íntimo com cada membro da família, já que compartilha com Ogum certa incapacidade (mais controlada) de se lixar num mesmo lugar e um gosto pelo novo e pelo desconhecido. Fisicamente, os filhos de Oxossi tendem a ser relativamente magros, um pouco nervosos potencialmente, mas controlados. Seus olhos são vivos e atentos; seus passos, leves. Sua movimentação tem certa graça e leveza. São instáveis em seus amores, já que têm necessidade da solidão. Uma diferença fundamental de Oxossi em relação a Ogum é sua necessidade de refinamento, não necessariamente de luxo. A vaidade é uma de suas características, e o vestuário, apesar de prático, não se contenta com o conforto funcional das roupas do tipo Ogum, mas busca certa harmonia estética, discreta, porém inovadora.
Oxossi
dia
da semana
quinta-feira
cores
verde
símbolos
arco e flecha (damatá), chicote (iruquerê)
elemento
terra
plantas
milho, jasmim-manga, carqueja, cróton.
animais
porco do mato
metal
latão
comida
axoxô, quibebe, milho cozido, tapioca, pamonha, canjica, frutas.
bebida
aluá, batida de mel
sincretismo
São Sebastião (20.1) ou São Jorge (23.4)
domínio
as matas, os animais silvestres
o que faz
protege contra perigos, castiga quem faz coisas erradas; protege os animais e
plantas.
quem é
o Rei da Mata, o provedor de sustento, o vingador.
características
refinado, exigente, sensível, discreto, rancoroso
quizília
cabeca de bicho, (nos sacrifícios e alimentos) , ovo
saudação
Okê Arô !
onde recebe oferendas
na mata
riscos de saúde
problemas de olhos, boca, dores musculares, intestino
presentes prediletos
charutos, velas, mel, suas comidas e bebidas.
lendas:
(1)
Quando Oxum e Oxossi se conheceram, ele logo se apaixonou e quis casar com ela.
Oxum concordou, mas impôs a condição de que ele fosse com ela para a mansão
de seu pai disfarçado de mulher, para não ter a entrada impedida. Oxossi
aceitou, sem perguntar se isso lhe traria problemas. Então Oxum o transformou
em mulher e eles foram juntos para o palácio. Lá, Oxossi foi muito bem
recebido, pois foi apresentado como uma amiga de Oxum; e assim os dois puderam
viver juntos por muito tempo. Meses depois, Oxum não pôde mais esconder a
gravidez; Oxalá descobriu a verdade e expulsou Oxossi do palácio. Por ter se
transformado em mulher, Oxossi se tornou bissexual; e seu filho, Logunedê, também.
(2)
Oxossi era ajudante do irmão Ogum e carregava suas flechas. Certo dia, numa das
caçadas, encontrou o irmão Ossain, que vivia na floresta e era um mago. Ossain
enfeitiçou-o e Oxossi ficou servindo a ele por algum tempo. Quando o efeito do
feitiço passou, Oxossi quis voltar para casa, mas a mãe Iemanjá não o
aceitou. Então, Oxossi voltou para a mata e foi morar com Ossain, que lhe
ensinou todos os mistério da floresta e de seus habitantes. Desde então,
Oxossi se tornou um grande caçador, passando a garantir a alimentação da família
e defendendo animais e plantas de pessoas que matam sem necessidade.
(3)
Odé era um grande caçador. Certo dia, ele saiu para caçar sem antes consultar
o oráculo Ifá nem cumprir os ritos necessários. Depois de algum tempo andando
na floresta, encontrou uma serpente: era Oxumaré em sua forma terrestre. A
cobra falou que Odé não devia matá-la; mas ele não se importou, matou-a,
cortou-a em pedaços e levou para casa, onde a cozinhou e comeu; depois foi
dormir. No outro dia, sua esposa Oxum encontrou-o morto, com um rastro de cobra
saindo de seu corpo e indo para a mata. Oxum tanto se lamentou e chorou, que Ifá
o fez renascer como Orixá, com o nome de Oxossi.
(4)
Certa vez, no reino de Ifá, surgiu um pássaro enorme que, voando bem no meio
da cidade, não deixava que o povo fizesse as festas do tempo da colheita. O rei
convocou todos os arqueiros do reino, que usaram todas as suas flechas sem
conseguir espantar o animal; e por isso foram executados. O último a comparecer
tinha somente uma flecha mas sua mãe, com medo de que ele fosse condenado à
morte, consultou Ifá e soube que o filho devia fazer uma oferenda aos deuses
antes de tentar a sorte. O rapaz obedeceu e, com sua única flecha, matou o
monstro. O rapaz foi muito aclamado pelo povo e passou a se chamar Oxossi, o
grande caçador.
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ALGUNS
PONTOS CANTADOS DE OXÓSSI |

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