CENTRO ESPIRITUALISTA MIGUEL ARCANJO E TENDA ESPÍRITA MAMÃE OXUM

 

 

ORIXÁ IANSÃ

 

 

      Na Umbanda também é reverenciada por Santa Bárbara ou como os umbadistas chamam A Virgem da Coroa. Iansã é a santa de expressão séria e de porte de guerreira, batalhadora e lutadora. Iansã na umbanda incorpora com expressão altiva e com o braço direito estendido para cima e com a mão direita a balançar, como se estivesse chamando os raios. Iansã pode aparecer na corrente tanto na sua própria linha como na linha de Iemanjá - adentrando assim na linha das águas. A imagem de Iansã no terreiro é a imagem de Santa Bárbara, ou seja, uma moça de cabelos claros com uma túnica vermelha por cima de um vestido amarelo, pode estar segurando um ramo ou uma espada.
Gosta de objetos de adornos, principalmente as bijuterias e o cobre. Pessoa extrovertida, franca, amante da natureza, engraçada, revela ambição e temperamento forte. Seus filhos são comunicativos extrovertidos.
Este orixá esta ligado ao culto dos mortos, quando dançam parecem expulsar as almas errantes com seus braços. Tem forte fundamento com omulu, ogum e exu.

Diz uma lenda que Diz uma das lendas que Oya lamentava-se de não ter filhos, uma situação consequente da sua ignorância a respeito das suas proibições alimentares. Embora lhe fosse recomendado comer cabra, ela comia carneiro. Foi consultar um babalaô, que informou seu erro, lhe aconselhando a fazer oferendas, entra as quais deveria haver um tecido vermelho. Este pano, mais tarde, haveria de servir para confeccionar as vestimentas dos Egúngún. Tendo cumprido essa obrigação, Oya tornou-se mãe de nove crianças.


Seus instrumentos de culto são uma adaga, que simboliza a sua personalidade guerreira, e o iruexim (rabo de búfalo). Segundo o Candomble, suas qualidades são Oya Biniká, Oya Seno, Oya Abomi, Oya Gunán, Oya Bagán, Oya Onìrá, Oya Kodun, Oya Maganbelle, Oya Yapopo, Oya Onisoni, Oya Bagbure, Oya Tope, Oya Filiaba, Oya Semi, Oya Sinsirá, Oya Sire, Oya Gbale ou Igbale (aquela que retorna à terra) se subdividem em 9 Oya. Essas Oya, estão ligadas ao culto dos mortos.

 

Cor: Amarelo-ouro;
Vestes: Vestido, túnica e roupas douradas ou puxando o amarelo-ouro. Coroa dourada;
Flores: Crisântemos amarelos, rosas amarelas e todas as outras flores amarelas;
Habitat: Bamuzal;
Libação: Suco de cerejas, suco de framboesa, suco de tamarindo, sumo de espada de Iansã;
Ervas: Aguapé (gigoga vermelha), alface, amor agarradinho (mimo de vênus), bonina (maravilha), cordão de frade verdadeiro, carqueja, dormideira (sensitiva), erva santa, espada de iansã, folhas de bambu, geneuna (marizeiro, sarro), gerânio, pitangueira, romã, rosa coral, taquaruçu (bambu amarelo);
Essências: Benjoim, madeira de aloés, cereja, framboesa, açucena;
Fitas: Coral e branca;
Pedras: Coral, cornalina, opala de fogo;
Metal: Cobre, bronze;
Dia da semana: Quarta-feira;
Dia da Lua: Quinto dia da Lua Cheia;
Guias: Para quem é filho de Iansã: 124 contas, sendo 62 branca e 62 corais. Enfiar 1 branca, 1 coral, etc. Firma coral.
Para quem tem proteção de Iansã: 126 contas, sendo 63 corais e 63 brancas. Enfiar 3 corais, 3 brancas, etc. Firma coral;
Saudação: Eparrei! (Viva o vento!).

 


 

 

ALGUNS PONTOS CANTADOS DE IANSÃ

  

1)
Era uma ventarola, eram duas ventarolas
Que ventavam em alto mar
-bis-
Uma era Iansã, aue Parre
A outra, era Yemanja, Yadociaba

2)
Saravá Iansã, dos cabelos louros
Na sua casa tem água, na sua aldeia tem ouro
-bis-
E rei, re, re, rei rei
E rei, rei, ra, erei ra,
Saravá, ô rainha do Mar

3)
Iansã (Ela) é uma moça bonita,
mas ela é dona, do meu casua, ei
-bis-
Eparrei,
Eparrei,
Eparrei, minha mãe de Aruanda
Segura o terreiro, que eu quero ver,
eu quer ver

4)
Iansã tem um leque de ventas
para acalmar dia de calor,
Iansã mora nas pedreiras,
eu quero ver,
meu pai Xangô

5)
Eram duas ventarolas
Duas ventarolas que sopravam sobre o mar
Eram duas ventarolas
Duas ventarolas que sopravam sobre o mar
Uma era Iansã, Ieparrê
A outra era Iemanjá, adoceáh
Uma era Iansã, Ieparrê
A outra era Iemanjá, adoceáh

6)
Minha Santa Bárbara
Virgem da coroa
Pelo amor de Deus Santa Bárbara
Não me deixe a toa
Minha Santa Bárbara
Virgem da coroa
A Coroa é dela Xangô
É da pedra de ouro.

7)
Iansã tem um leque de penas
Pra abanar em dia de calor
Iansã tem um leque de penas
Pra abanar em dia de calor
Iansã mora nas pedreiras
Eu quero ver meu pai Xangô
Iansã mora nas pedreiras
Eu quero ver meu pai Xangô

8)
Iansã tem sete sóis
Iansã tem sete luas
Iansã tem sete estrelas que Clareiam a
Juremá.
Auê venta aqui acolá
Auê venta aqui ventar acolá
Auê venta aqui venta acolá
Auê venta aqui venta acolá

9)
Eparrei oiá
Dona do vento mensageira de oxalá
Eparrei oiá
Eparrei oiá
Dona do vento mensageira de oxalá.
Saravá Santa guerreira
Deusa do fogo e da Luz,
Minha Santa padroeira
Que meus destino conduz
Proteção para seus filhos
Eparrei oiá
Moça rica da umbanda
Venha nos abençoar

10)
Iansã menina que tem bela coroa
Iansã menina que tem bela coroa.
Só te peço pelo amor de Deus oh Iansã
Não me deixe atoa
Só te peço pelo amor de Deus oh Iansã
Não me deixe atoa

11)
Ela vem girando numa ventania
Num relampuê sua espada reluzia
Ela vem girando numa ventania
Num relampuê sua espada reluzia.
Vem colher as flores que eu plantei nesse jardim
Vou pedir a Iansã pra levar o mal de mim, pra levar o mal de mim pra levar o mal de mim
Pra levar o mal de mim pra levar o mal de mim

12)
Oiá cabloca de aldeia
Oiá cabloca de aldeia.
Ela vem chegando quando a lua é cheia
Ela vem chegando quando a lua é cheia
Ela é dona do mundo
Ela é dona do mundo
Iansã venceu guerra
Ela é dona do mundo
Ela é dona do mundo
Iansã venceu guerra
Ela é dona do mundo

13)
Oh moça rica sua espada é luminosa
Sua coroa é cravejada de brilhantes
Oh moça linda sua espada é luminosa
Sua coroa é cravejada de brilhantes.
Tindolelê, tindolalá
Ela é Santa Bárbara rainha do jacutá

14)
Iansã é linda que linda que ela é
Iansã está no terreiro
Vem trazendo o seu axé
Iansã está no terreiro
Vem trazendo o seu axé

15)
Oya é moça linda,
ela é filha de Xangô!
bis
Iansã chegou na banda e o seu reino saravou!
bis!

16)
Yansã orixá de Umbanda!
Ela é dona do seu Jacutá!
Salve Yansã lá na Aruanda!
Êparrei! Êparrei!
Yansã venceu demanda


 

 

Lendas


(1)
Certa vez, Xangô foi visitar o irmão Ogum e conheceu sua mulher Iansã. Os dois se apaixonaram e Iansã largou Ogum, indo viver com Xangô. Tempos depois, com saudades, Iansã voltou para Ogum; emtão Xangô chamou seu exército e atacou o reino do irmão. Enquanto lutavam, Ogum mandou Iansã para o reino de Oxossi. Quando Xangô, vencedor, foi buscá-la, ela se casara com Oxossi.Atacou-o, e Oxossi mandou Iansã para o reino de Omolu. E a história se repetiu, até que Iansã foi mulher de todos os Orixás. Mas no final acabou voltando a viver com Xangô, e de sua união nasceram os gêmeos Ibeji.


(2)
Iansã e Xangô sempre foram muito companheiros, mas Xangô, como rei, queria sempre ser o mais poderoso de todos. Iansã não se conformava com isso, pois ela é muito independente e não admite ser mandada por ninguém. Certa vez, disseram a Xangô que, num reino vizinho, havia um sacerdote que conhecia uma poção que, quando ingerida, dava o poder de lançar fogo pela boca. Como estava envolvido numa luta, Xangô mandou Iansã buscar a poção para ele. Ao voltar, ela começou a pensar que não era justo que só Xangô tivesse esse poder; então, tomou um pouquinho da poção, para que o marido não percebesse. Assim, ela ficou com o poder mágico mas, como tomou pouca poção, é dona apenas dos ventos e dos raios fracos.

 


(3)
Depois que casou com Oxum, que era muito dengosa, Xangô passou a negligenciar Iansã, que ficou muito enciumada. Um dia, quando Oxum foi tomar banho no rio, Iansã resolveu se vingar e fez surgir uma cortina de fogo no caminho; mas Oxum fez o rio transbordar e o fogo se apagou. Iansã ficou ainda mais irritada e atacou Oxum com a espada. Como Oxum só levava um espelho, usou-o para fazer com que o reflexo do sol cegasse a rival. Só assim Iansã parou e as duas puderam conversar.

 



(4)
Iansã viveu por muito tempo com Xangô e foi sua melhor companheira de aventuras. Apesar de sua inconstância, ela gostava muito dele. Por isso, quando Xangô morreu, ela ficou tão desesperada que não quis mais viver. Pediu aos Orixás que aceitassem sua ida para o mundo dos mortos em companhia do marido e então se matou. Por ter ido pela própria vontade, Iansã se tornou amiga dos Eguns. É por isso que Iansã é o único Orixá que tem coragem de participar do culto dos mortos, dominando-os com seu chicote.

 

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