PRECE DE EXÚ
Sou EXÚ, Senhor Pai, permite
que assim te chame, pois, na realidade Tu o és, como és o meu Criador.
Formaste-me da Poeira Ástrica, mas como tudo o que provém de Ti, sou real e
eterno.
Permite, Senhor, que eu possa servir-te nas humildes e desprezíveis tarefas
criadas pelos teus humanos filhos.
Os homens me tratam de anjo decaído, de povo traidor, de rei das trevas, de
gênio do mal e de tudo o mais em que encontram palavras para exprimir o seu
desprezo por mim, no entanto, nem suspeitam que nada mais sou que o reflexo
de si mesmos. Não reclamo, não me queixo, porque esta é a Tua vontade.
Sou escorraçado, sou condenado a habitar as profundezas escuras da Terra e
trafegar pelas sendas tortuosas da provação.
Sou invocado pela inconsciência dos homens a prejudicar o seu semelhante.
Sou usado como instrumento para aniquilar aqueles que são odiados, movido
pela covardia e maldade humanas sem contudo poder negar-me ou recorrer.
Pelo pensamento dos inconscientes sou arrastado à descrença, à confusão e à
ignomínia, pois esta é a condição que Tu me impuseste.
Não reclamo Senhor, mas fico triste por ver os teus filhos que criaste à Tua
imagem e semelhança serem envolvidos pelo turbilhão de iniquidades que eles
mesmos criam e, eu, por Tua Lei inflexível, delas tenho de participar.
No entanto, Senhor, na minha infinita pequenez e miséria, como me sinto
grande e feliz quando encontro em algum coração um oásis de amor e sou
solicitado a ajudar na prestação de uma caridade.
Aceito, sem queixumes, Senhor, a Lei que, na Tua infinita sabedoria e
justiça, me impuseste, a de executor das consciências, mas lamento e sofro
mais, porque os homens até hoje não conseguiram compreender-me.
Peço-Te oh! Pai Infinito, que lhes perdoe.
Peço-Te não por mim, pois sei que tenho que completar o ciclo da minha
provação, mas por eles, os Teus humanos filhos.
Perdoa-os, e toma-os bons, porque somente através da bondade do seu coração
poderei sentir a vibração do Teu amor e a graça do Teu perdão.
FLEURUTY (EXÚ TIRIRI)
(Psicografado por A. J. Castro)
Exus
Exu é como guardião e
protetor.
Exu (origem africana) é o símbolo da fecundação e desenvolvimento.
Carinhosamente tratado como "Compadre", amigo íntimo sempre presente para
defender seu protegido.
Não se pode de forma alguma relacionar os espíritos obsessores aos Exus,
que realmente existem e viveram encarnados na Terra.
Não se pode de forma alguma confundir os Exus com o "Diabo", ser criado
por outra religião.
Eles são orientados por Guias (Caboclos e Pretos Velhos). Trabalham como
intermediários entre os Orixás e os homens em missão do bem para a
humanidade. Formam numerosas Falanges, todas lideradas por grandes Chefes
agindo no nosso mundo.
São criaturas como nós, já tendo encarnado e desencarnado na Terra por
muitas vezes. Muitos até exerceram aqui no mundo os mais altos postos e
posições, por seu saber e inteligência, onde cometeram grandes males,
provocaram guerras, mas hoje, no espaço, esses sofredores orientados,
buscam se regenerar.
Por suas condições, os Exus são usados, digamos assim, pelos Orixás e
pelos Guias, para levar a justiça onde for preciso; dai atuarem também no
terreno do mal, no sentido exceto da palavra, pois é a justiça do alto em
ação, funcionando contra os perversos, os injustos, os desonestos, enfim.
Quando são bem recebidos, amados e respeitados, pelas suas vibrações
poderosas, eles realizam trabalhos maravilhosos de curas, dão conselhos
edificantes, praticam enfim o bem, semeando o eterno amor. São sublimes as
suas realizações e sua atuação dentro da Umbanda prestando caridade é uma
constante.
O clima que eles criam, de puras e sadias vibrações, beneficiam a todos os
presentes, proporcionando-lhes alegria e contentamento. Devido à cobiça ou
à ignorância de muita gente que os conhece mal, consideram eles maus,
interesseiros, vingativos
As pessoas que andam certas na vida não devem temê-los, porque eles nada
têm a ver com elas, só com os maus intencionados, os corruptos, os
perversos, os interesseiros. Outras pessoas, como retorno dos males que
mandaram-nos praticar em troca de presentes ou agrados, sofrem a lei do
retorno.
Tal como nós, também um dia penetrarão na senda do amor, onde milhares
deles já se encontram marchando rumo à perfeição, pois como tudo na
natureza, na criação divina, também estão sujeitos à eterna lei da
evolução, que conduz à felicidade eterna e verdadeira.
Exu é quem orienta os trabalhos práticos, abrindo as cerimônias como um
guardião, sentinela e protetor de um Centro. Os trabalhos dos Compadres,
suas provas assombrosas de força e poder, suas curas maravilhosas nas
enfermidades dadas por incuráveis, nos mostra sua beleza de intenções.
Toda pessoa tem seu Exu particular, responsável pela força necessária ao
seu desenvolvimento.
O vermelho e o negro são as suas cores representativas. O negro representa
todo o culto em potência, sem diferenciação, sendo o primeiro elemento que
dinamiza o culto e permite que ele se manifeste. Por coincidência ou não,
no espectro visível do olho humano, vermelho é a vibração de menor
frequência, abaixo do nível da qual tudo é negro, ausência de luz.
Sendo o senhor dos limites, inclusive no horário, seu momento mais próprio
não poderia ser outro senão a fronteira entre os dias, isto é, a
meia-noite.
Existem Exus na terra, no fogo, na água e no ar, bem como nas combinações
desses elementos e nos estados de transição entre eles, incluindo os
cemitérios. Têm a encruzilhada em "X" como seu local de força, por ser
dominador de todos os caminhos.
Os Exus não possuem somente os nomes comumente conhecidos como Exu Marabô,
Tiriri, Mangueira, etc. Têm seus nomes esotéricos ou cabalísticos: "Exu
Tranca-Ruas", cujo nome esotérico, Senhor TARKEMACHE, que viveu neste
mundo encarnado no Castelo de Cordevillee, sendo doutor e príncipe da
Corte Francesa, na época de Richelieu; "Exu Tata Caveira", cujo nome
esotérico, senhor PROCULO, foi químico; "Exu Meia-Noite", cujo nome
esotérico, senhor HAEL, era um homem muito rico e belo, viveu em Apuaruma,
terra onde hoje só existem vestígios e destroços, localizada na Serra do
Congogi. Os Exus também podem possuir um terceiro nome, além do esotérico
e do nome vulgarmente conhecido, isto é, o nome entre eles exus. Este nome
é de conhecimento somente daqueles que são ligados estreitamente a eles e
que ganharam sua confiança.
Exu abre as cerimônias do terreiro em dias de festa e de outras
obrigações, é porteiro das matas, dando início para a colheita das ervas;
dá conselhos, servindo de intermediário dos Orixás, aos homens; é
controlador dos Eguns, inclusive determinando suas reencarnações e
interlocutor nos jogos de búzios.
Nos Terreiros, Exu tem sua casa próximo à entrada dos mesmos, denominada "Ailê
Okutá" ou "Ilêxus".
O "Padê" que se oferece a Exu no início dos trabalhos, quando se diz que
está "despachando Exu", na realidade significa que estamos pedindo a Exu
para botar para fora da casa os maus espíritos, permanecendo o Exu da
Casa em seu devido lugar, ou seja, na porteira do Terreiro.
Os Exus normalmente aceitam qualquer comida, como bife cru ou cozido no
azeite de dendê, com ou sem cebolas em rodelas, farofa d'água, de mel, de
dendê, de fubá de milho, etc. Gostam de bebidas tais como Cachaça (marafo),
Whisky, Vodka, sendo a primeira mais comum a eles. Apreciam charutos como
também cigarros de palha, sendo machos, e cigarros comuns, quando fêmeas (pombagiras)
.
Os Exus, assim como apreciam as comidas e as bebidas, também apreciam a
indumentária, quando incorporados em seus "burros" (médiuns).
Através do tempo, o Exu poderá atingir graus de evolução espiritual
enormes, de tal forma que poderão passar a integrar as falanges dos
Caboclos e dos Pretos Velhos, praticando somente o bem, pelo simples
prazer de praticá-los, porém não mais como Exus, mas sim como Caboclos e
Pretos Velhos.
PombaGiras
Os Exus femininos (Pombagiras)
mais conhecidos entre nós são : Maria Padilha, Maria Mulambo, Rainha das
Sete Encruzilhadas, Pombagira das Almas, Pombagira da Praia e as Ciganas
(Maria Rosa, Rosa Vermelha, Sulamita, etc.).
A "Pombagira", a chamada mulher de 7 exus, tem o seu nome esotérico
KLEPOTH, que significa "a maldade em figura de mulher". Entretanto, o
significado desta palavra não espelha a realidade, pois são criaturas
idênticas aos Exus machos, com o mesmo objetivo e missão.
A "Pombagira Maria Padilha", cujo nome esotérico de Exu-fêmea é KLEPOTH,
foi rainha dos mouros e amante do rei Felipe II.
As rosas são flores de preferência das Pombagiras e indicam a magia, nem
sempre precisam ser vermelhas.