Centro Espiritualista Miguel Arcanjo
e Tenda Espírita MamãeOxum
O trabalho cigano dentro da Umbanda dispensa comentários tamanha a sua beleza, gostaria apenas de transcrever as palavras de uma linda cigana (entidade), a qual fizemos algumas perguntas sobre seu povo:
O que os ciganos representam?
- A liberdade, em todos os sentidos, libberdade de um povo que não pertence a
nenhuma nação.
Qual o campo de atuação deles?
- Todos aqueles em que o coração permitiir por que todos nós viemos a falar de
AMOR.
- Mas tem também os ciganos de esquerda não é?
- Sim eles são os que fazem nossa guardaa e um dia também irão falar de AMOR.
Como eles são (alegres, descontraídos, sérios...)?
- Cada um tem a sua natureza
- Não somos ladrões como muitos pensam, somos um povo muito místico pela origem milenar onde trazemos o conhecimento de várias nações por onde estivemos, entre nós existem muitos magos e curandeiros pois aprenderam a magia e a arte da cura para fazerem o bem ao próximo, os ciganos se vestem sempre coloridos para verem que apesar de não termos um lar somos muito felizes.
É difícil encontrar ciganos trabalhando em uma casa por que para trabalharmos é necessário muita pureza e ausência de vaidade (em outra ocasião ela explicou que este era o motivo de trabalhar com um grupo tão jovem).
Temos vindo com tanta força na UMBANDA porque há entre nós espíritos que estão há milênios esperando por uma oportunidade de ensinar o caminho que nós temos trilhado em direção ao criador e de trabalharmos a caridade através da Mediunidade .
Por CIGANA MANOELA
O POVO CIGANO - I
Quando se estuda a origem de um povo, sua formação e desenvolvimento como estrutura social, religiosa, econômica, este estudo se baseia fundamentalmente em documentos ou registros escritos, que ao lado de outros elementos como ruínas da arquitetura da época, pinturas, armas, túmulos, recintos que sugerem ter sido usados como sacros, objetos os mais diversos, especialmente de uso doméstico, recompõem toda a narrativa histórica de um conjunto de indivíduos que habitam a mesma região, ficando subordinados às mesmas leis e partilhando dos mesmos hábitos e costumes. A mais importante fonte de referência, é a narrativa escrita, encontrada em papéis (pergaminhos, papiros, folhas de papel de arroz), documentos, livros, poemas, mapas, inscrições em lugares santos, ou outros locais de devoção considerados sagrados, onde são encontradas marcas de rituais e altares de oferendas aos deuses.
Como o Povo Cigano, não tem até os dias atuais, uma linguagem escrita, fica quase impossível definir sua verdadeira origem. Portanto, tudo o que se disser sobre a origem do Povo Cigano, será baseado em conjecturas, similaridades ou suposições.
A hipótese mais aceita é que o Povo Cigano teve seu berço na civilização da Índia antiga, num tempo que também se supõe, como muito antigo, talvez dois ou três milênios antes de Cristo. Compara-se o sânscrito, que era escrito e falado na Índia (um dos mais antigos idiomas do mundo), com o idioma falado pelos ciganos e encontraram um sem-número de palavras com o mesmo significado.
Outros pontos também colaboram para que esta hipótese seja reforçada, como a tez morena comum aos hindus e ciganos, o gosto por roupas vistosas e coloridas, e princípios religiosos como a crença na reencarnação e na existência de um Deus Pai e Absoluto.
Tanto para os hindus como para os ciganos, a religiosidade é muito forte e norteia muito de seu comportamento, impondo normas e fundamentos importantes, que devem ser respeitados e obedecidos.
Outro fato que chama a atenção para a provável origem indiana do povo cigano, é a santa por quem nutrem o mais devotado amor e respeito, chamada Santa Sara Kali.
Kali é venerada pelo povo hindu como uma deusa, que consideram como a Mãe Universal, a Alma Mater, a Sombra da Morte. Sua pele é negra tal como Shiva, uma das pessoas da Trindade Divina para os indianos (Braman, Vishu e Shiva).
Para os ciganos, Sara, santa venerada, possui a pele negra, daí ser conhecida como Sara Kali, a negra. Ela distribui bênçãos ao povo, patrocina a família, os acampamentos, os alimentos e também tem força destruidora, aniquilando os poderes negativos e os malefícios que possam assolar a nação cigana.
Alguns estudiosos acham a tradução de Kali como a negra não correta, escrevendo inclusive Kali com C (Cali) e não com K e preferem Sara, a cigana, fato que de certa forma pode expressar o preconceito racial (a verdadeira Santa Sara, tinha a pele negra), uma vez que no povo cigano não há negros, ou sob outro ângulo, desconhecimento de todo o aparato místico e de poder que envolve a deusa Kali dos indianos.
MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS E O NOMADISMO CIGANO
Ainda estudando a história dos povos, vemos com freqüência que, perseguições religiosas, ambições dos mais diversos tipos e baseadas em diferentes razões (ideo-políticas, catequético-religiosas), busca de fortuna, da descoberta de novas terras ou rotas marítimas, ou simplesmente espírito de aventura, motivaram e ainda motivam movimentos migratórios.
Baseando-se nas mesmas causas dos movimentos migratórios, podemos supor que num passado muito remoto, o povo cigano também iniciou uma caminhada em busca de novas terras onde pudessem viver com liberdade, mantendo seus hábitos e costumes originais, liberdade que lhe permitiria sua perpetuação, a sobrevivência de seus valores e a de seus direitos como seres humanos livres.
O nômade experimenta o mais amplo sentido de liberdade. Não tem apego a nenhum lugar em especial, não deita raízes que não possam ser arrancadas quando o desejo de ganhar estrada acontecer. Daí que suas moradias, as tendas de tecidos permeáveis e resistentes, e seus pertences em geral, devem ser confortáveis, mas essenciais e leves. O nômade não se preocupa com o possuir, mas com o viver.
As populações ciganas são nômades por excelência, não têm pátria, são universais. Viajam em grupos de famílias, que possuem um profundo sentido de união, solidariedade e companheirismo. Formam núcleos comunitários compactos com normas e regras de convivência harmoniosas. Essas regras são levadas a sério, portanto respeitadas ao máximo, pois os ciganos sabem que são elas que garantem a união e a sobrevivência do próprio grupo e a defesa contra as difamações e perseguições oriundas das populações dos diversos países por onde passam.
OS PRECONCEITOS
Por outro lado, os ciganos também não se esforçam por quebrar as barreiras, que os separam dos demais povos, talvez por saberem que se abrirem os limites de seus acampamentos aos gadjôs ou não-ciganos, também chamados de gadjês, a mescla dos povos será inevitável, as tradições perderão sua pureza, os costumes e hábitos serão modificados, os princípios e valores de tal maneira modificados, que paulatinamente acabariam por destruir e matar o povo cigano.
Existe uma idéia geral de que as populações do mundo têm preconceitos contra os ciganos; porém, se observarmos com atenção, veremos que é só eles que têm preconceitos, que não querem se misturar, desaconselhando e combatendo severamente os relacionamentos entre ciganos e não-ciganos, especialmente as uniões pelo casamento.
O IDIOMA
Uma das maneiras de os ciganos se manterem unidos, vivos, com suas tradições preservadas é o idioma universalmente falado por eles, o romani ou rumanez, que é uma linguagem própria e exclusiva.
É expressamente proibido ensinar o romani para os não-ciganos; e os ciganos fieis às tradições, que prezam sua origem, seus irmãos de raça, que são verdadeiros ciganos, sabem disto. Portanto, quando alguém que se diz cigano quiser ensinar o romani, geralmente às custas de dinheiro, ou então passar segredos e as íntimas particularidades da vida cigana é bom ter cuidado, pois com certeza, ele ou ela não é um autêntico cigano, obediente aos preceitos e princípios de seu povo. Ele poderá ser até cigano de origem, mas não será mais um cigano de alma e coração capaz de manter a honradez de seus antepassados e contemporâneos autênticos.
Dicionário Cigano? Pode ser que um dia estas pessoas de vida tão reservada quanto às suas peculiaridades desistam desse estilo de ser e estar, abram as fronteiras de seus acampamentos e aceitem sem reservas a miscigenação. Então surgirão dicionários ciganos. Contudo, será que ainda existirão ciganos?
A TRANSMISSÃO ORAL DOS ENSINAMENTOS
O romani é uma língua ágrafa, ou seja, uma língua ou idioma sem forma escrita. Portanto, para sua perpetuação o romani conta somente com a transmissão oral de uma geração para outra, de pai para filho.
Não existem livros ensinando uma linguagem, que não tem sequer uma apresentação gráfica definida, pois se os ciganos tivessem se originado na Índia teríamos os caracteres sânscritos, mas como encontramos ciganos em quase todas as partes do mundo, o romani poderia ter os caracteres da escrita russa, ou egípcia, latina, grega, árabe ou outra qualquer.
Assim como o idioma, todos os demais ensinamentos e conhecimentos da cultura e tradição ciganas dependem exclusivamente da transmissão oral. Os mais velhos ensinam aos mais jovens e às crianças os conhecimentos do passado, o pensamento e a maneira de viver herdados dos ancestrais.
Junto com a modernidade, o aumento progressivo das cidades, os ciganos foram ficando cada vez mais limitados em suas andanças, tornando-se mais sedentários ou passando a morar mais tempo no mesmo lugar. Assim as profissões mais freqüentes são as do comércio e as ligadas às artes, principalmente à musica. Cantores, compositores, músicos, dançarinos, surgem com suas melodias, passos marcantes de dança, como a flamenca da Espanha, trazendo alegria e energia contagiantes para os recintos onde se apresentam.
Ao longo do tempo fizeram e ainda fazem parte de troupes circenses, uma vez que o mundo do circo sempre mudando de lugar, combina perfeitamente com o pensamento e sentimento ciganos.
A leitura de cartas e das mãos pelas mulheres ciganas também rende dinheiro, porém essa atividade não é considerada uma atividade profissional, mas um ato de devoção à fé cigana.
O povo cigano é um povo honesto, que vive procurando manter sua dignidade e honradez, não sendo procedente a reputação de ladrões que lhes é imputada.
Para os ciganos a liberdade e a interação com a natureza constituem bens do mais alto valor e estima, o que os motiva a obedecerem à um código de ética e moral até rigoroso. Nada mais enganoso que julgá-los estroinas, devassos, desregrados ou amorais. Seu amor pela família e pelo grupo, sua consciência que é o seu reto proceder - talvez a única forma de preservar e perpetuar suas origens e o próprio povo. São obedientes às leis universais, como não roubar e não matar. Quando um cigano ou uma cigana infringe as leis é convocado o Tribunal de Justiça ou o Cris-romani, formado por ciganos idosos ou pelos mais velhos do grupo, que julgam os infratores, procurando exercer seu papel com o mais alto sentido de responsabilidade e respeito.
O Cris-romani é falado totalmente em romani, e nele somente os homens podem se manifestar. No caso de o infrator ser uma mulher, um homem fala por ela fazendo seus apelos e oferecendo suas explicações ou justificativas.
Os ciganos também não possuem pajés ou curandeiros, ou ainda um feiticeiro em particular, pois cada cigano e cigana tem seus talentos para a magia, possui dons místicos, sendo portanto um feiticeiro em si mesmo. Todo povo cigano se considera portador de virtudes doadas por Deus como patrimônio de berço, cabendo à cada um desenvolver e aprimorar seus dons divinos da melhor e mais adequada maneira.
Existem autores que citam que cada grupo cigano tem seu feiticeiro particular denominado kakú, porém esta palavra no idioma romani significa apenas tio, não tendo qualquer credibilidade esta afirmação.
Os ciganos preferem e acham mais correto o termo clã para denominar seus grupos.
GRUPO KALON
Os componentes deste grupo fixaram residência especialmente na Espanha e
Portugal, onde sofreram severas perseguições, pois sendo estes países
profundamente católicos e conservadores, não podiam admitir os costumes
ciganos, tanto que foram proibidos de falar o seu idioma, usar suas vestes típicas
e realizar festas e cerimônias segundo suas tradições. O que os ciganos
sofreram na Península Ibérica, lembra de certa maneira o que os negros
sofreram em terras do Brasil.
Os ataques da realeza ao grupo Kalon foram tão rigorosos, que ele foi obrigado a criar um dialeto, mescla de seu próprio idioma com o português e o espanhol, em particular em Portugal, onde as proibições não foram verbais, mas determinadas por decreto do rei D. João V.
Apesar de todos os sofrimentos o Clã Kalon sobrevive até os dias atuais, sendo um dos grupos que mais fielmente segue as tradições ciganas. Tem-se que os Kalons originaram-se no antigo Egito.
GRUPO MOLDOVANO
De pele mais clara e olhos azuis, este grupo originou-se em terras da Rússia,
tendo de enfrentar os rigores do inverno russo em suas precárias carroças. Sob
as pesadas roupas e capotes escuros mal reconhecemos sua origem cigana. A
denominação moldavano vem da palavra Moldávia, região da Europa
central, que chegou a fazer parte do Império Russo e da antiga URSS.
GRUPO HOHARANÔ
Surgiram em terras turcas e se destacaram em especial como grandes criadores de
cavalos. Os integrantes deste grupo chegaram ao Brasil bem depois do grupo Kalon,
somente no final do século XVIII.
GRUPOS KALDERASH E MATCHUIYA
Os ciganos do grupo Kalderash são originários da Romênia e da antiga Iugoslávia,
o berço dos Matchuiya. Ambos os grupos chegaram ao Brasil no final do século
XVIII. Os primeiros ciganos a chegarem no Brasil eram do grupo Kalon e vieram de
Portugal em meados do século XVII. Portugal, necessitando de mestres de forja
no Brasil, enviou-os para cá para que fabricassem ferraduras, armamentos e
ferramentas. Faziam também artesanalmente utensílios domésticos, seus tachos
e alambiques para o fabrico da cachaça, famosos até hoje por serem
extremamente bem feitos e resistentes.
São os homens que resolvem as pendências, acertam o casamento dos filhos, decidem o destino da viagem e se reúnem em conselhos sobre assuntos abrangentes e comuns ao Clã.
As mulheres ciganas não trabalham fora do lar e quando vão às ruas para ler a sorte, esta tarefa é entendida como um cumprimento de tradições e não como parte do sustento da família, apesar de elas entregarem aos maridos todo o dinheiro conseguido.
Os ciganos formam casais legítimos unidos pelos laços do matrimônio, não fazendo pare de seus costumes viverem amasiados ou aceitarem o concubinato. Vivem juntos geralmente até a morte e raramente ocorrem entre eles separações ou divórcios, que somente acontecem se existir uma razão muitíssimo grave e com decisão do Tribunal reunido para julgar a questão.
Os pares ciganos, marido e mulher, são muito reservados e discretos em público, não trocando nenhum tipo de carinho que possa ser entendido como intimidade, que é vivida somente em absoluta privacidade.
Enquanto o homem representa o esteio e o braço forte da família, a mulher significa o lado terno e de proteção espiritual dos lares ciganos.
Cabe às mulheres cuidarem das tarefas do lar e as meninas ficam sempre ao redor da mãe, auxiliando nos trabalhos da casa, ajudando a cuidar dos irmãos menores e aprendendo as tradições e costumes como a execução da dança, a leitura das cartas e das mãos, a realização dos rituais e cerimônias, os preceitos religiosos.
Se uma criança ou jovem cigano sai dos eixos, tem um comportamento inadequado ou procede mal, geralmente mulher é responsabilizada por tais feitos.
Responsáveis pela transmissão oral dos ensinamentos e tradições, eles são considerados como sábios, o passado vivo e manda a tradição que os mais jovens lhes beijem as mãos em sinal de respeito. Possuem lugar de destaque nas festividades e cerimônias, atuando também como conselheiros e consultores nos tribunais de justiça.
Eles são cuidados com desvelo e tratados com toda a dignidade pelos demais. Esta forma de tratamento faz com que se mantenham lúcidos até o final de suas vidas, pois nada é mais doentio para uma pessoa idosa de qualquer sociedade do que ser tratada como resto, uma pessoa inútil e sem valor, um fardo ser carregado pelos mais jovens.
Biliografia:
CIGANOS - OS FILHOS MÁGICOS DA NATUREZA
de Rosaly Mariza Schepis
O POVO CIGANO - II

Os ciganos são um povo nômade
amante da música, das cores alegres e da magia, que foi expulso por invasores
árabes há quase 3 mil anos da região noroeste da Índia, onde hoje é o
Paquistão. Depois de vagar pelas Terras do Oriente, os ciganos invadiram o
Ocidente e espalharam-se por todo o mundo. Essa invasão foi uma das únicas na
história da humanidade que foi feita sem guerras, dor ou derramamento de
sangue. Trata-se de uma invasão cultural e espiritual e ao contrário do que
muitos pensam, o Povo Cigano é que foi perseguido, julgado e expulso ao longo
do seu pacífico caminhar.
O que não se sabe ainda é se esses eternos viajantes pertenciam a uma casta
inferior dentro da hierarquia indiana (os parias) ou de uma casta aristocrática
e militar, os orgulhosos (rajputs). Independente de qual fosse seu status, a
partir do êxodo pelo Oriente, os ciganos se dedicaram com exclusividade a
atividades itinerantes: como ferreiros, domadores, criadores e vendedores de
cavalo, saltimbancos, comerciantes de miudeza e o melhor de suas qualidades que
era a arte divinatória. Viajavam sempre em grandes carroças coloridas e
criaram nomes poéticos para si mesmos.
São mais de 15 milhões de ciganos em diferentes pontos da Europa, Ásia, África,
América, Austrália e Nova Zelândia. Quase sempre os ciganos eram bem
recebidos nos países onde chegavam. Os chefes das tribos apresentavam-se de
forma pomposa, como príncipes, duques e condes (títulos, aliás inexistentes
entre os ciganos). Diziam-se peregrinos cristãos vindos do Egito e, assim
obtinham licença das autoridades locais para se instalarem.
Na Moldávia e na Valáquia (atual Romênia), os ciganos foram escravizados
durante trezentos anos; na Albânia e na Grécia pagavam impostos mais altos. Na
Alemanha, crianças ciganas eram tiradas dos pais com a desculpa de que
"iriam estudar", enquanto a Polônia, a Dinamarca e a Áustria puniam
com severidade quem os acolhesse. Nos países baixos inúmeros ciganos foram
condenados à forca e seus filhos obrigados a assistir à execução dos pais
para que assim aprendessem a "lição de moral". Apenas no país de
Gales eles tiveram espaço para manter parte das suas tradições e a língua.
Na região de Andaluzia (Espanha), encontraram facilidades e estabeleceram-se.
Mesmo assim, durante a inquisição católica, vários deles foram expulsos
pelos tribunais do Santo Ofício.
Rotulados injustamente como ladrões, feiticeiros e vagabundos, os ciganos
tornaram-se um espelho onde os homens das grandes cidades e de pequenos corações
expiaram suas raivas, frustrações e sonhos de liberdade destruídos.
Pacientemente, este povo diferenciado, continuou sua marcha e até hoje seus
estigmas não sararam. O homem moderno ainda não aprendeu a viver e deixar
viver. Diferente continua sendo o sinônimo de inimigo. Mas a "alma
cigana" perfuma o lugar por onde passa. O Povo Cigano é guardião da
LIBERDADE.
A vida é uma grande estrada, a alma é uma pequena carroça e a Divindade é o
Carroceiro.
Com valores muito diferente dos nossos, os ciganos estão longe de querer o
poder e não fazem a mínima questão de ascender na escala social. Os
"golpes" que aplicam nos "gadjé" (nome dado aos não
ciganos) são mais um meio de provar sua superioridade do que um jeito de
enriquecer fácil. É também em nome dessa superioridade (cujas raízes estão
em lendas como a de que os ciganos seriam filhos da primeira mulher de Adão,
Lilith, e, portanto, livres do pecado original) que eles não aceitam de modo
algum ser empregados dos "gadjé" e apegam-se a antigas profissões
artesanais que caracterizam suas tribos e são ensinadas desde cedo às crianças.
A família é a base da organização social dos ciganos, não havendo
hierarquia rígida no interior dos grupos. O comando normalmente é exercido
pelo homem mais capaz, uma vez que os ciganos respeitam acima de tudo a inteligência.
Este homem é o Kaku e representa a tribo na Krisromani, uma espécie de
tribunal cigano formado pelos membros mais respeitados de cada comunidade, com a
função de punir quem transgride, a rígida ética cigana. A figura feminina
tem sua importância e é comum haver lideranças femininas como as phury-day
(matriarca) e as bibi (tias-conselheiras), lembrando que nenhum cigano deixa de
consultar as avós, mães e tias para resolver problemas importantes por meio da
leitura da sorte.
O misticismo e a religiosidade, fazem parte de todos os hábitos da vida cigana.
A maior parte deles acredita em um único deus (Dou-la ou Bel) em eterna luta
contra o demônio (Deng). Normalmente, assimilam as religiões do lugar onde se
encontram, mas jamais deixam de lado o culto aos antepassados, o temor dos
maus-olhados, a crença na reencarnação e na força do destino (baji), contra
a qual não adianta lutar. Quase todos são devotos de "Santa Sara",
que é reverenciada nos dias 24 e 25 de maio, em procissões que lotam Lês
Saints Maries de La Mer, em Camargue, no Sul da França.
A sexualidade é outro ponto importante entre os ciganos. E, ao contrário do
que se imagina, eles têm uma moral bastante conservadora. Alguns mitos antigos
falam da existência das mães-de-tribo, que tinham um marido e um
"acariciador". Outros falam das gavalies de la noille, as misteriosas
noivas do fim de noite, com quem os kakus se encontravam uma única vez,
passando desde então, a ter poderes especiais. Mas o certo mesmo é que os
ciganos se casam cedo, quase sempre seguindo acordos firmados entre as duas famílias.
Não recebem nenhum tipo de iniciação sexual e ter filhos é a principal função
do sexo. Descobrir os seios em público é comum e natural, mas nenhuma mulher
pode mostrar as pernas, pois da cintura para baixo todas são merimé (impuras).
Vem daí a imposição das saias compridas e rodadas para as mulheres, que também
são proibidas de cortar os cabelos, e nunca sentam à mesma mesa que os homens.
Ironicamente, como praticantes da magia e das artes divinatórias, são elas que
cada vez mais assumem o controle econômico da família, pois a leitura da sorte
é a principal fonte de renda para a maioria das tribos. O resultado é uma
situação contraditória, em que o homem manda, mas é a mulher quem sustenta o
grupo.
A CULTURA
A cultura dos ciganos,
representada por um conjunto de tradições e crenças, está em fase de
constante mudança e, em alguns casos, está se desagregando de maneira irreversível
perante a hegemonia da cultura da sociedade sedentária. Existem algumas mudanças
que permitem prever um caminho em direção a uma tomada de consciência
difundida entre Rom, Sintos e Gitanos. No plano social e político, no decorrer
dos últimos anos, foi-se delineando um amadurecimento, que resultou no
surgimento de formas associativas e de movimentos de âmbito internacional.
Na metade dos anos 60, aconteceu a fundação da União Internacional Romaní,
seguida pelo surgimento de numerosas Organizações Ciganas, que apareceram no
decorrer dos últimos 30 anos defendendo a causa da minoria cigana e tutelando
sua cultura. Algumas delas contam com a participação conjunta de ciganos e
gadjê, outras são geridas exclusivamente por membros das diversas comunidades
ciganas.
Os ciganos viveram e vivem diante de uma realidade complexa e às vezes difícil
de decifrar.
Em meio a situações de desagregação social e à perda de identidade, surgem
sinais contrapostos de esperança e de renovação que testemunham uma rebelião
contra um destino amargo.
A defesa do direito à diferença; uma diferença que, no caso dos ciganos, pode
conter aspectos que para muitos são difíceis de entender e de compartilhar. É
preciso ter consciência de que tais formas de "desvio social" não são
peculiares à cultura romaní, mas frequentemente, são consequência da secular
rejeição oposta a eles pelas sociedades circunstantes.
Os ciganos constituem talvez o último desafio a um modelo de vida voltada à
especulação e ao cimento: o futuro deles depende da boa vontade dos povos
vizinhos. Eles continuarão a existir na medida em que a sociedade dos gadjê (não
ciganos) não ficar indiferente às suas ansiedades, a seus problemas e às suas
aspirações.
A LEITURA DAS MÃOS
As linhas das mãos, tem grande importância, a saber:
| LINHA DA VIDA | |
![]() |
Passa informações sobre nossa saúde e
também sobre o modo como lutamos pelo sucesso. Normal: Quando seu traçado é bem definido e regular, caracteriza pessoa equilibrada e saudável. Interrompida: Quando há falhas no seu traçado, indica problemas de saúde ou mudanças radicais na vida. Em cadeia: Quando o traçado lembra os elos de uma corrente, indica grande inteligência e saúde frágil. Ramificada: Quando a linha é cortada por traços ascendentes, voltados na direção dos dedos, promessa de riqueza e felicidade. Quando os tracinhos são descendentes, voltados para o pulso, possibilidade de desgostos e sacrifícios. Dupla: Identifica pessoas com capacidade de se recuperar das doenças e de agir com segurança nas situações difíceis. |
| LINHA DA CABEÇA | |
![]() |
Representa inteligência, criatividade e
capacidade de concentração.
Longa:
Quando se estende até o pulso, indica pessoa calma, inteligente e
responsável. |
| LINHA DO CORAÇÃO | |
![]() |
Reflete as nossas tendências emocionais e
afetivas.
Normal:
Quando seu traçado é regular e bem definido, revela pessoa generosa,
simpática, cordial e amorosa. |
| LINHA DO DESTINO | |
![]() |
Refere-se à vida profissional as alegrias
e dificuldades que poderemos encontrar no trabalho e nossas chances de
sucesso social.
Linha dos filhos:
Indica a capacidade que a pessoa tem de gerar filhos. Se for apenas uma
linha, é porque, provavelmente, ela sé terá um filho. Se forem duas,
é porque ela poderá ter dois filhos. Se forem três, três filhos, e
assim por diante. |
| LINHA SOLAR | |
![]() |
Pode não aparecer em todas as mãos,
porque indica características muito especiais, relacionadas ao talento
e qualidades artísticas.
Reta e bem definida:
Indica que a pessoa terá sucesso no ramo artístico. |
| LINHA MERCURIANA | |
![]() |
Também chamada de Linha da Intuição ou
linha da inteligência, refere-se à inteligência, aos dons intuitivos
ou à mediunidade. Pode também dar indicações sobre nossa saúde e
vida social.
Longa: Prenúncio
de vida saudável e dons para o comércio e para as atividades científicas. |

Conta a lenda que Maria Madalena, Maria Jacobé, Maria Salomé, José de Arimatéia e Trofino, junto com Sara, uma cigana escrava, foram atirados ao mar, numa barca sem remos e sem provisões.
Desesperadas, as três Marias puseram-se a orar e a chorar. Aí então Sara retira o diklô (lenço) da cabeça, chama por Kristesko (Jesus Cristo) e promete que se todos se salvassem ela seria escrava de Jesus, e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito. Milagrosamente, a barca sem rumo e à mercê de todas as intempéries, atravessou o oceano e aportou com todos salvos em Petit-Rhône, hoje a tão querida Saintes-Maries-de-La-Mer. Sara cumpriu a promessa até o final dos seus dias.
Sua história e milagres a fez Padroeira Universal do Povo Cigano, sendo festejada todos os anos nos dias 24 e 25 de maio. Segundo Míriam Stanescon - Rorarni (princesa do clã Kalderash), deve ter nascido deste gesto de Sara Kali a tradição de toda mulher cigana casada usar um lenço que é a peça mais importante do seu vestuário: a prova disto é que quando se quer oferecer o mais belo presente a uma cigana se diz: Dalto chucar diklô (Te darei um bonito lenço).
Além de trazer saúde e prosperidade, Sara Kali é cultuada também pelas ciganas por ajudá-las diante da dificuldade de engravidar. Muitas que não conseguiam ter filhos faziam promessas a ela, no sentido de que, se concebessem, iriam à cripta da Santa, em Saintes-Maries-de-La-Mer no sul da França, fariam uma noite de vigília e depositariam em seus pés como oferenda um diklô, o mais bonito que encontrassem. E lá existem centenas de lenços, como prova que muitas ciganas receberam esta graça.
Para as mulheres ciganas, o milagre mais importante da vida é o da fertilidade porque não concebem suas vidas sem filhos. Quanto mais filhos a mulher cigana tiver, mais dotada de sorte ela é considerada pelo seu povo. A pior praga para uma cigana é desejar que ela não tenha filhos e a maior ofensa é chamá-la de DY CHUCÔ (ventre seco). Talvez seja este o motivo das mulheres ciganas terem desenvolvido a arte de simpatias e garrafadas milagrosas para fertilidade.
Versão em Português
Tu que és a única Santa Cigana do Mundo. Tu que sofrestes todas as formas de
humilhação e preconceitos. Tu que fostes amedrontada e jogada ao mar. Para que
morresses de sede e de fome. Tu sabes o que é o medo, a fome, a mágoa e a dor
no coração. Não permitas que meus inimigos zombem de mim ou me maltratem. Que
Tu sejas minha advogada perante à Deus. Que Tu me concedas sorte, saúde e que
abençoe a minha vida. AMÉM.
Teus milagres no mar se sucederam e como Santa te tornastes; à beira do mar chegastes e o ciganos te acolheram. Sara, Rainha, Mãe dos Ciganos, ajudaste e a ti eles consagraram como sua protetora e mãe vinda das águas. Sara, Mãe dos Aflitos, a ti imploro proteção para o meu corpo, luz para os meus olhos enxergarem até no escuro (pedir forças para os seus olhos, vidência), luz para o meu espírito e amor para todos os meus irmãos, brancos, negros, mulatos, enfim, a todos os que me cercam.
Aos pés de Maria Santíssima, tu, Sara, me colocarás e a todos que me cercam para que possamos vencer as agruras que a terra nos oferece.
Sara, Sara, Sara, não sentirei dores nem tremores, espíritos perdidos não me encontrarão e assim como conseguistes o milagre do mar, a todos que me desejarem mal, tu com as águas me fará vencer (quando a pessoa não está bem e querendo resolver algo muito importante, nesse momento, beber três goles de água).
Sara, Sara, Sara, não sentirei dores nem tremores e continuarei caminhando sem parar, assim como as caravanas passam, no meu interior tudo passará e a união comigo ficará; e sentirei o perfume das caravanas que passam deixando o rastro de alegria e felicidade. Teus ensinamentos deixarás!
Amai-nos Sara, para que eu possa ajudar a todos que me procurem, ajudados pelos poderes de nossos irmãos ciganos. Serei alegre e compreensiva(o) com todos os que me cercam.
Corre no Céu, corre na Terra, corre no Mundo e Sara, Sara, Sara, estará sempre na minha frente.
Assim como os ciganos pedem: Sara fique sempre na minha frente, sempre atrás, do lado esquerdo, do lado direito.
E assim dizemos: somos protegidos pelos ciganos e pela Sara que me ensinará a caminhar e a perdoar.
Reze três Ave-Marias: a 1ª para Santa Sara, a 2ª para os Ciganos e a 3ª para você.
Santa Sara, pelas forças das águas, Santa, com seus mistérios, possa estar sempre ao meu lado, pela força da natureza. Nós, filhos dos ventos, das estrelas e da lua cheia, pedimos à Senhora que esteja sempre ao nosso lado; pela figa, pela estrela de cinco pontas, pelos cristais que hão de brilhar sempre em nossa vida. E que os inimigos nunca nos enxerguem, como a noite escura, sem estrelas, sem luar. A Tsara é descanso do dia-a-dia, a Tsara é nossa tenda. Santa Sara me abençoe; Santa Sara me acompanhe. Santa Sara, ilumina minha Tsara, para que a todos que batam a minha porta, eu tenha sempre uma palavra de amor e de carinho. Santa Sara, que eu nunca seja uma pessoa orgulhosa, que eu sempre seja a mesma pessoa humilde.
Santa Sara, minha protetora, cubra-me com seu manto celestial. Afaste as negatividades que porventura estejam querendo me atingir. Santa Sara, protetora dos ciganos, sempre que estivermos nas estradas do mundo, proteja-nos e ilumine nossas caminhadas. Santa Sara, pela força das águas, pela força da Mãe-Natureza, esteja sempre ao nosso lado com seus mistérios. Nós, filhos dos ventos, das estrelas, da Lua cheia e do Pai, só pedimos a sua proteção contra os inimigos. Santa Sara, ilumine nossas vidas com seu poder celestial, para que tenhamos um presente e um futuro tão brilhantes, como são os brilhos dos cristais. Santa Sara, ajude os necessitados; dê luz para os que vivem na escuridão, saúde para os que estão enfermos, arrependimento para os culpados e paz para os intranqüilos. Santa Sara, que o seu raio de paz, de saúde e de amor possa entrar em cada lar, neste momento. Santa Sara, dê esperança de dias melhores para essa humanidade tão sofrida. Santa Sara milagrosa, protetora do povo cigano, abençoe a todos nós, que somos filhos do mesmo Deus.
Cigana Ana Natasha
(1) Língua indo-ariana falada pelos ciganos, e que se subdivide em dialetos espalhados por diversos países do mundo.
| Mais um
Pouco de Santa Sara Kali! |
Vale a pena conferir! |
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BARALHO CIGANO

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