Allan Kardec
Quem foi?
Allan Kardec é o pseudônimo de Hyppolyte Leon Denizard Rivail, um pedagogo
francês, nascido em Lyon, na França, no ano de 1804, em uma família católica
e tradicional, de advogados e juízes.
Se as coisas seguissem o rumo que seus pais imaginavam, o jovem Rivail seguiria
o mesmo caminho. Sua inteligência estava muito acima da média e a família
decidiu então mandá-lo para o Instituto Pestalozzi, cujos métodos revolucionários
de ensino estavam atraindo as crianças das boas famílias européias. Lá, ele
descobriu sua paixão: ensinar. Com 14 anos foi convidado para dar aulas e
tornou-se um dos discípulos favoritos de Pestalozzi, um dos pais da moderna
pedagogia. Já com o diploma de Ciências e Letras na mão, o rapaz mudou-se
para Paris e iniciou sua carreira de educador. Publicou vários livros, cujo
objetivo era sempre tornar atraentes para as crianças as matérias mais difíceis.
Em 1848, quando a mediunidade das irmãs Fox assombrava os Estados Unidos,
Rivail tinha construído uma sólida reputação como educador.
Anna Blackwell, que o conheceu pessoalmente e traduziu sua obra para o inglês,
descreve Kardec como sendo "de estatura média, compleição forte, com uma
cabeça grande, redonda, maciça, feições bem marcadas, olhos pardos, claros,
mais parecido com um alemão do que com um francês". Além disso, segundo
Anna, ele era "enérgico e perseverante, mas de temperamento calmo,
cauteloso e não imaginoso até a frieza, incrédulo por natureza e por educação,
grave, lento no falar, modesto nas maneiras, embora não lhe faltasse uma certa
dignidade, calma por sinal, resultante da seriedade e da segurança mental que
eram traços distintivos de seu caráter".
Hyppolyte Rivail morreu de um aneurisma, em 31 de março de 1869, com 65 anos.
Em seu túmulo, no cemitério Père Lachaise, em Paris, está gravada a frase
que talvez melhor resuma a filosofia que marcaria os anos finais de sua vida:
"Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a Lei".

Espiritismo
– Invenção de Kardec?
Allan Kardec inventou o espiritismo?
Sim e não. Os espíritos entraram na vida de Kardec por volta de 1850. Na época, os feitos mediúnicos de duas americanas, que ficaram conhecidas como As Irmãs Fox, faziam sucesso na Europa; e médiuns famosos, como Swedenborg e Andrew Jackson Davis, começavam a criar teorias para explicar os fenômenos que eles presenciavam em si mesmos. Na Europa, a grande moda, importada da América, era reunir pessoas elegantes para consultar as mesas girantes ou falantes, batizadas como ouija. Os participantes da brincadeira, sentados em volta da mesa, assistiam entre espantados e divertidos, desde tentativas mais ou menos desastrosas de formar palavras através de escrita mediúnica, até fenômenos como a própria mesa ser suspensa no ar e começar a girar por influência dos espíritos. Tanta excitação acabaria provocando a curiosidade de vários estudiosos, Kardec inclusive.
Durante dois anos, Allan Kardec investigou exaustivamente o assunto. Por causa dos dons mediúnicos das filhas de um amigo seu, soube que os Espíritos tinham vindo especialmente para dar-lhe as diretrizes de uma importante missão religiosa. Revelaram também que ele havia sido um antigo sacerdote celta e lhe inspiraram o pseudônimo pelo qual ficaria famoso. Foram também eles que inspiraram O Livro dos Espíritos, publicado em 1857 e que se revelou um retumbante sucesso. Mais de vinte edições foram publicadas logo em seguida. Em pouco tempo, Kardec tornou-se a maior autoridade em fenômenos mediúnicos.
Anna Blackwell revela que até o imperador Napoleão III vinha lhe pedir opinião sobre a doutrina. Ao Livro dos Espírito seguiram-se O Livro dos Médiuns, em 1861, O Evangelho Segundo o Espiritismo, em 1864, O Céu e o Inferno, em 1865 e Gênese em 1867, além de outros pequenos tratados. Fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e a Revue Spirite, publicação que existe até hoje.
Allan Kardec não era médium e não se via como criador ou inventor de uma nova religião. Referia-se a si mesmo como o codificador da Doutrina Espírita, nome que, este sim, foi criado por ele, para diferenciar seus ensinamentos das teorias espiritualistas da época.
A doutrina kardecista ficaria conhecida como a vertente francesa ou latina da filosofia espiritualista e só mais tarde tomaria um rumo absolutamente próprio. A mediunidade foi considerada herética pelo papa Pio IX e os cientistas também olharam com desconfiança as idéias filosóficas que Kardec extraía de fenômenos que deveriam ficar restritos à ciência experimental. No epicentro da polêmica estava o conceito de reencarnação.
Qual a diferença entre Espiritualismo e Espiritismo?
Sir Arthur Conan Doyle, o grande escritor inglês e criador do célebre Sherlock Holme escreveu em 1926 uma História do Espiritualismo, que se tornaria clássica. Doyle nasceu em 1859, dois anos após a publicação do Livro dos Espíritos e seu interesse pelos fenômenos espirituais começou depois que seu filho foi morto durante a Primeira Guerra Mundial. Em seu livro, traduzido incorretamente por História do Espiritismo, em português, ele comenta que a polêmica que dividiu as opiniões do século 19 em relação às idéias de Allan Kardec foi resultado da ênfase na possibilidade da alma viver muitas vidas: "a filosofia espírita se distingue (do espiritualismo) por sua crença em nosso progresso espiritual, que é realizado por meio de uma série de reencarnações".
Na época, o método de abordagem dos fenômenos espirituais era estritamente experimental e baseado na observação e análise das manifestações físicas desses fenômenos. Boa parte das críticas feitas a Kardec referiam-se à impossibilidade de comprovar a teoria da reencarnação, que acabava sendo apresentada como um dogma.
A idéia de que a verdade estava ao alcance da disciplina e do método científico embalava as melhores cabeças do final do século passado. Quando a Society for Psychical Research foi fundada, em 1882, para o estudo dos fenômenos "espirituais", por exemplo, pensadores como C.G.Jung e Henry Bergson eram alguns dos nomes notáveis que dela faziam parte.
A rigor, qualquer um que acredite na dimensão espiritual da vida é espiritualista. O que fascinava esses pesquisadores e cientistas era a possibilidade de comprovar a existência desse outro lado, através dos fenômenos físicos extraordinários que eram produzidos pelos médiuns, durante estados anormais de consciência, chamados transes. E apesar de, já no início do século 20, boa parte dessas manifestações terem se revelado fraudes decepcionantes, não dá para negar sua contribuição para muito do que a psicologia e a parapsicologia sabem hoje sobre a alma humana.
A doutrina proposta por Allan Kardec relegava a segundo plano as manifestações materiais e espetaculares, e enfatizava as conseqüências morais e religiosas da comunicação com os espíritos.
Segundo o próprio Kardec: "O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, consiste nas relações que se pode estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as conseqüências que decorrem dessas relações."
Quais são os princípios da doutrina espírita?
A psicóloga clínica e presidente da Associação Brasileira de Psicólogos Espíritas, Ercília Zilli, enumera os pontos mais importantes da combinação de religião, filosofia e ciência que é o Espiritismo.
Deus é a inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas. "O espiritismo proclama a existência de um Deus único, soberanamente bom e justo", ensina Ercília. Essa é a primeira pergunta que Kardec faz ao chamado Espírito da Verdade, no Livro dos Espíritos. Os espíritas consideram-se cristãos. Para eles, Jesus Cristo é o ser espiritual mais elevado que já existiu e aqueles que seguirem seus ensinamentos em sua forma mais pura ganham status de verdadeiros cristãos. No entanto, não acreditam que Jesus seja a encarnação de Deus, mas, sim, conforme explica Emanuel, um espírito guia, no livro O Caminho da Luz, psicografado por Chico Xavier, o guia espiritual do planeta e nosso irmão em Espírito. Por conta disso, todos os serviços espíritas começam e terminam com orações para garantir a presença de Jesus e dos Espíritos Superiores que o representam.
Todos nós somos seres espirituais em evolução. "Um dos pontos mais importantes do espiritismo é a crença na sobrevivência da alma e sua evolução contínua através da reencarnação", explica a psicóloga. E a pesquisadora Magda Abreu, em um artigo publicado pelo GEAE, Grupo de Estudos Avançados de Espiritismo, completa: "A reencarnação é a forma como a justiça de Deus pode ser completamente compreendida. Os seres humanos evoluem em direção a Deus. Ao longo dessa jornada, Ele nos dá várias oportunidades de aprender com nossos erros e de nos redimirmos". Viver muitas vezes não é um castigo, mas uma possibilidade de consertar aquilo que fizemos errado. Cada um de nós é inteiramente responsável por sua vida e pode escolher a direção que vai dar a ela. Isso é o que os espíritas chamam Lei Natural, Lei de Deus ou Livre Arbítrio. Esta lei, no entanto, dá origem à outra, que determina: nós colhemos o que plantamos. "Acreditamos que é através da reencarnação que aprendemos a transformar ódio em amor", conclui Magda.
O mundo espiritual pode se comunicar com o mundo humano pela mediunidade. "Os Espíritos são as almas dos homens despojadas do corpo humano", afirma o físico e professor Wladimir Sanches, autor do livro A influência dos Espíritos no nosso dia-a- dia". Se fossem criações da nossa cabeça ou "abstrações", de fato a comunicação com eles seria impossível. Mas um Espírito "é um ser limitado e circunscrito, ao qual só falta ser visível e palpável para se assemelhar aos seres humanos", continua Sanches. Além de nosso corpo de carne e osso, possuímos, de acordo com o Espiritismo, um corpo menos denso, que é chamado perispírito. Esse corpo é fluido e serve tanto como modelo para o corpo biológico, quanto como invólucro invisível para a alma ou Espírito. Quando morremos, vai-se o corpo, mas fica o perispírito. É esse elemento comum aos seres materiais e aos seres espirituais que torna a comunicação possível. Na verdade, somos todos Espíritos temporariamente ligados aos nossos corpos.
Os Espíritos usam os médiuns para se comunicarem. A mediunidade é um dom que todos temos, mas que algumas pessoas desenvolvem mais do que outras. Embora existam médiuns que se revelem desde crianças, em geral essa sensibilidade não se improvisa, não se herda e exige trabalho, mais ou menos árduo, para se desenvolver. A doutrina kardecista exige que os serviços sejam sempre prestados de graça. Isso preserva o caráter cristão da atividade mediúnica e explica a extraordinária aptidão do Espiritismo para ajudar o próximo. Além do próprio centro espírita ser um local de acolhimento e de assistência, em geral está ligado a uma creche, um asilo, um hospital. "Fora da caridade não há salvação", ensinava Kardec. E o preceito é seguido à risca por qualquer bom espírita.
O que fazem os médiuns?
"Os Espíritos conversam por meio da transmissão do pensamento", explica o professor Wladimir Sanches, autor do livro A influência dos Espíritos no nosso dia-a-dia. Como seres espirituais não precisam de palavras para se comunicar, "cada um deles pode irradiar seu pensamento em diversas direções, sem com isso se dividir", estabelece o Livro dos Espíritos de Allan Kardec.
Os médiuns captam essas ondas-pensamento e as transformam, para que se tornem inteligíveis. Segundo o professor Sanches, as formas mais comuns de mediunidade são a inspiração e a intuição, que, às vezes, aparecem juntas e, então, são chamadas intuições puras. "São elas que nos mantém em contato constante com Espíritos mais evoluídos do que nós, ainda que não nos apercebamos desse tipo de comunicação pela via do pensamento", conclui.
De modo geral, todos nós podemos desenvolver a mediunidade, mas leva tempo e exige bastante disciplina. O treinamento será mais ou menos longo, dependendo da sensibilidade e das influências subconscientes que atuam no médium. Os médiuns trabalham em sessões e nunca cobram pelos seus serviços, para atender ao que talvez seja o maior preceito da doutrina kardecista: "fora da caridade não há salvação".
Conheça a seguir algumas formas de mediunidade:
Escrita
semi-automática
O médium trabalha sozinho e recebe o Espírito através da percepção
auditiva. Ele anota as mensagens com sua própria caligrafia.
Escrita
automática ou psicografia
O médium em transe permite que o Espírito use sua mão para escrever a
mensagem. Em geral, isto é feito de uma só vez e as palavras muitas vezes estão
todas grudadas umas nas outras até o final. É por meio deste tipo de
mediunidade que Francisco Cândido Xavier, ou Chico Xavier, recebeu os mais de
600 livros que psicografou.
Mesas
falantes ou girantes
O médium coloca a mão sobre uma prancha com letras e números e se concentra.
Sua mão, movida pelo Espírito, se mexe de modo automático, arrumando as
letras e números de modo a formar uma mensagem.
Xenoglossia
É a capacidade do médium de falar ou escrever em uma língua que não conhece.
Materialização
Esta é talvez a mais impressionante forma de mediunidade. Do próprio corpo do
médium sai uma substância esbranquiçada, chamada ectoplasma, que pode tomar a
forma de uma mão, um rosto ou formar uma pessoa inteira. No início do século,
vários cientistas se interessaram pelo fenômeno e algumas fotos de
experimentos chegam de fato a assustar. Na década de 1930, porém, os grandes médiuns
de efeitos físicos praticamente desapareceram e as materializações ficaram
cada dia mais raras.
Psicofonia
O médium recebe o Espírito como uma voz que tanto pode ser interior quanto,
fraca, mas distinta, vinda do exterior.
Clarividência
Com a ajuda de uma fotografia, por exemplo, o médium consegue se comunicar com
o Espírito e transmitir mensagens pela via da intuição.
Passes
São movimentos com as mãos, feitos pelos médiuns, cujo objetivo é ajudar as
pessoas que estejam com algum desequilíbrio físico ou mental a se recuperarem.
O passe é uma transfusão de energia. Através dele, fluidos vitais são
transferidos de uma pessoa para outra. "Quando um Espírito está ajudando,
o médium consegue canalizar ou potencializar esta energia", explica Julia
Nezu, diretora da União das Sociedades espíritas de São Paulo. Como o passe
é o jeito mais comum de realizar a cura, acabou quase confundido com ela.
Embora, a rigor, segundo a definição do próprio Kardec, a cura possa ser
conseguida também por outros meios, como a oração. "Inicialmente, passe
era apenas o nome dado ao gesto (feito) com o objetivo de movimentar "eflúvios".
Depois, entendido como atividade de cura, generalizou-se como a própria prática
da cura", esclarece Jacob Melo, em seu livro O Passe.
Os espíritos interferem na nossa vida?
Quando Allan Kardec fez esta pergunta aos Espíritos, a resposta foi contundente: "Com freqüência, são eles que nos dirigem". Os Espíritos estão por toda parte à nossa volta. São amáveis ou briguentos, bons ou maus, sérios ou brincalhões, exatamente como nós. Os estudiosos do Espiritismo garantem que, ao contrário do que ocorre nos filmes de terror, não existe a possibilidade de um Espírito tomar o lugar de outro para usar o seu corpo. Mas isso não os impede de exercer sua influência sobre nós.
Os Espíritos se aproximam uns dos outros em função de suas afinidades. É essa sintonia que permite a comunicação deles conosco. "Espíritos inferiores que querem nos induzir ao mal, o fazem sempre se aproveitando das circunstâncias em que nos encontramos", analisa o físico Wladimir Sanches, autor do livro A influência dos Espíritos no nosso dia-a-dia. Assim, se você estiver bem consigo mesmo e com a alma limpa de sentimentos de raiva, vingança ou inveja, muito provavelmente vai atrair Espíritos igualmente bons para sua companhia; e seus bons conselhos vão orientá-lo na vida. Mas o contrário também é verdadeiro e os centros espíritas estão cheios de gente cercada por Espíritos ruins, que provocam sofrimento e desequilíbrio emocional.
Para o Espiritismo, temos duas famílias, uma espiritual e outra biológica. Quando o Espírito parte para reencarnar-se na Terra, um dos membros dessa família se propõe a acompanhá-lo em pensamento, para lhe dar apoio, ajudá-lo nos momentos difíceis e lembrá-lo de sua missão. O professor Sanches explica que a influência positiva do Espírito protetor nos acompanha do nascimento até a morte. Apesar de estar no mesmo plano que nós na escala da evolução, ele é sempre um pouco mais evoluído, pelo menos o suficiente para cuidar de nós, com o carinho de um amigo. E é ele que, no final da nossa caminhada, vai nos receber de volta no mundo dos Espíritos.
O que sentem os médiuns? Irene Wenzel Gaviolle não é apenas uma médium. Há quinze anos dedica-se a estudar os fenômenos mediúnicos. E durante boa parte desse tempo sua tarefa na Federação Espírita de São Paulo foi orientar novos médiuns. Segundo ela, a primeira coisa que os candidatos a médium precisam aprender é a relaxar. Depois, vêm as técnicas de concentração. "No início é muito difícil", conta, "mas no final do curso é como se eles conseguissem entrar dentro de uma caixa de si mesmos e, nesse estado, se alguém tocar uma corneta na sala eles não ouvem. Estão completamente absorvidos".
Irene explica que esse "aprendizado" leva em geral cerca de dois anos. No final desse tempo, os "alunos" já desenvolveram pelo menos um tipo de mediunidade.
"No início de cada sessão fazemos uma oração", conta com voz tranqüila esta mulher alta e bonita, descendente de austríacos. "Isto ajuda a entrar na freqüência adequada para atrair Espíritos superiores, ou seja, mais evoluídos. Os Espíritos se comunicam comigo através da psicofonia. Eu escuto internamente o que eles dizem. O que é fascinante neste trabalho é a sensação de absoluta disponibilidade. Você está lá, inteiramente, e pronto. O que não quer dizer que você perde a consciência. O tempo todo você sabe o que está acontecendo".
"Cada sessão é um exercício de generosidade e, não sei se por causa disso, você sente um enorme bem-estar físico depois", conclui Irene, com um sorriso.
Irene é psicóloga e já deu várias palestras sobre mediunidade. Seu objetivo é mostrar para as pessoas que é possível falar de Espiritismo de uma forma científica e atual, sem abrir mão do aspecto religioso. Hoje, ela e o marido, Norberto, dedicam boa parte do seu tempo à União das Sociedades Espíritas de São Paulo. Ela dá algumas dicas bem-humoradas para você perceber quando existe um Espírito bom na sua vida.
- Preste atenção naquelas boas idéias, impulsos generosos e insights que surgem do nada e quando você menos espera.
- A presença de bons Espíritos à nossa volta nos enche de entusiasmo e de coragem, fique alerta para perceber essas vibrações.
- Cuidado com idéias negativas que parecem surgir na sua mente como se fossem sopradas de fora.
- Procure colocar mais harmonia e amor na sua vida. Se você consegue sintonizar coisas boas, com certeza vai atrair bons Espíritos para o seu lado.
Como o Espiritismo chegou ao Brasil?
Os fenômenos mediúnicos atraíram os brasileiros desde muito cedo. Já em 1853, apenas cinco anos depois de as irmãs Fox assombrarem os Estados Unidos com sua mediunidade, pequenos grupos de estudiosos começaram a se formar no Rio de Janeiro, que abrigava na época a corte de Dom Pedro II. De início restrito à gente ilustrada, que sabia francês e recebia notícias frescas da Europa, como o Visconde de Uberaba e o Marquês de Olinda, aos poucos o Espiritismo vai revelar a vocação de serviço à causa popular que marcaria sua atuação no Brasil.
O primeiro agrupamento formal surgiu não no Rio de Janeiro, mas em Salvador, na Bahia, em 1865. "A Bahia é o berço do Espiritismo nas terras brasileiras", comenta o presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), Juvanir Borges de Souza.
Em julho de 1869, três meses depois da morte de Allan Kardec, saía o primeiro periódico espírita, com o sugestivo nome de Eco d´Além-Túmulo. E o antropólogo David J. Hess, em seu livro Spirits and Scientists: Ideology, Spiritism and Brazilian Culture, informa que quatro anos mais tarde seria fundada no Rio de Janeiro a Sociedade de Estudos Espíritas, de onde o Espiritismo cresceria para se tornar a grande religião com a qual Kardec havia sonhado.
Bastante desse impulso foi dado por um médico cearense, que muita gente chama de O Segundo Kardec: Bezerra de Menezes. Nascido em 1831, Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti foi, além de médico, político e empresário. Converteu-se ao Espiritismo em 1886 e desde aí não parou de lutar para que a doutrina se organizasse e superasse as divisões internas. Durante sete anos escreveu centenas de artigos para o jornal O Paiz, na época o mais lido do Brasil. Em 1893, quando o governo fechou todas as sociedades espíritas, seus artigos foram proibidos. A situação era grave. Mas no ano seguinte a medida foi revista e o nome de Bezerra foi escolhido para ocupar a presidência da Federação Espírita do Brasil e reorganizar a doutrina kardecista no país. O que, de fato, ele fez até morrer, em 1900.
"A doutrina espírita cresceu em importância no Brasil desde sua chegada da França e hoje é parte integral da vida brasileira em todas as classes sociais. E a influência de Kardec pode ser avaliada pelo fato de o movimento ser conhecido também como Kardecismo, até como uma forma de distingui-lo de outras religiões mediúnicas, como a Umbanda e o Candomblé, de origem africana", explica David Hess.
Para Allan Kardec, o Espiritismo era uma ciência, uma filosofia e uma religião. Mas no Brasil o aspecto religioso é cada vez mais forte, segundo o presidente da FEB. E é isto que explica o enorme envolvimento de toda a comunidade espírita nos projetos sociais.
Palavras dos Espíritos para você
1. Palavras do Espírito da Verdade, publicadas no prefácio do Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec
"Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos céus, como um imenso exército que se movimenta ao receber a ordem de comando, espalham-se sobre toda a face da Terra. Semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar o caminho e abrir os olhos aos cegos.
Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas devem ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos.
As grandes vozes do céu ressoam com o toque da trombeta e os coros dos anjos se reúnem. Homens, nós vos convidamos ao divino concerto: que vossas mãos tomem a lira, que vossas vozes se unam e, num hino sagrado, se estendam e vibrem de um extremo do Universo ao outro.
Homens, irmãos amados, estamos juntos de vós. Amai-vos também uns aos outros e dizei do fundo de vosso coração, fazendo a vontade do Pai que está no céu: Senhor! Senhor! E podereis entrar no Reino dos Céus."
2. Textos extraídos do livro Gênese da Alma, de Cairbar Schutel.
"Entre a bolota e o carvalho, a diferença é grande e, contudo, seguindo-se passo a passo o desenvolvimento da bolota, chega-se ao carvalho e ninguém se admirará de proceder ele da pequena semente. O Espírito também é pequeno ao nascer, mas cresce e se desenvolve. Como o carvalho, cria raízes e troncos, braços vigorosos, largas folhagens e se constitui na Árvore da Vida, abrigando sob sua fronde e sob suas ramagens os Espíritos que caminham no deserto arenoso da existência terrena.Tal é a lei, tal é a lei."
O nada não existe: trevas, morte, sepulcros não são mais do que berços que acalentam as variadas formas da Vida, para entregá-las à Eternidade. *
3. Mensagem recebida por psicografia*
O
Vazio
Quando tudo o que
sentir for o vazio e à sua volta só a escuridão do nada for visível, fique
atento. Eis aí a maior oportunidade para aprender as melhores lições da sua
vida. O momento mágico em que não haverá nenhuma cobrança, nenhuma
expectativa orientando o seu pensamento. Poderá, então, mergulhar nos seus
sentimentos mais puros, intuir as "verdades" que no seu íntimo já
habitam, ainda que não o possa perceber. Entrará em contato com a magnitude
que você é. Como pode o vazio proporcionar tudo isso? É simples: o vazio não
é a ausência de tudo, é somente a ausência daquilo que você já conhece e
pensa que é tudo!
* Na Segrav, Sociedade Espírita da Granja Viana
Literatura básica
Para você começar a entender a doutrina espírita, os livros a seguir são considerados indispensáveis:
- O que é o espiritismo, Allan Kardec
- O livro dos espíritos, Allan Kardec
- O céu e o inferno, Allan Kardec
- O livro dos médiuns, Allan Kardec
- O problema do ser do destino e da dor, Leon Denis
- No invisível, Leon Denis
- Evolução anímica, Gabriel Delane
- Reencarnação, Gabriel Delane
E não se esqueça dos livros de Chico Xavier:
|
- Nosso lar - Os mensageiros - Missionários da Luz - Obreiros da vida eterna - No mundo maior |
- Libertação - Entre a terra e o céu - Ação e reação - Sexo e destino - E a vida continua |
Para
saber mais
-
Spirits and Scientists: Ideology, Spiritism and Brazilian Culture,
David J. Hess, Pennsylvannia State University Press
- História do Espiritismo, Arthur Conan Doyle, Editora Pensamento
- A influência dos Espíritos no nosso dia a dia, Wladimir Sanches, Edições USE
- O que é o Espiritismo, Allan Kardec, Instituto de Difusão Espírita
- Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho, Humberto de Campos
- Dicionário das religiões, John R. Hinnells, Editora Cultrix
- O livro das religiões, Victor Hellern e outros, Companhia das Letras
- O Passe, Jacob Melo, Editora da FEB
- Gênese da Alma, Cairbar Schutel, Casa Editora O Clarim
Agradecemos a Ercília Zilli, por ter gentilmente cedido sua tese de mestrado sobre Hereditariedade, destino e fé, um estudo comparativo entre a doutrina de Leopold Szondi e a doutrina espírita; e à Segrav, que indicou a bibliografia básica.
Alguns bons endereços na WEB para você navegar
Site da Federação Espírita Brasileira
Site da Federação Espírita de São Paulo
Site da União de Sociedades Espíritas
Site com muitas mensagens espíritas para você
Site do Cercle Spirite Allan Kardec (em várias línguas)
Site do Conselho Espírita Internacional
Site do Institut Français de Recherches et Experimentations Spirites (em francês)
Site
da Union Spirite Française et Francophone
Site
da National Spiritualist Association of Churches
Outro site para você saber mais sobre Espiritualismo
Para você entrar em contato com a Associação Brasileira de Psicólogos Espíritas: [email protected]
Matéria de propriedade e divulgação do site http://arvoredobem.ig.com.br a quem agradecemos pelo belíssimo trabalho.
