Centro Espiritualista Miguel Arcanjo e Tenda Espírita Mamãe Oxum

 

O Nosso Lar, Cidades Espirituais e o Umbral

 

 

O Nosso Lar

 

 

ANDRÉ LUIZ: "A vida não cessa. A vida é fonte eterna e a morte é o jogo escuro das ilusões. Permutar a roupagem física não decide o problema fundamental da iluminação, como a troca de vestidos nada tem que ver com as soluções profundas do destino e do ser.

É preciso muito esforço do homem para ingressar na academia do Evangelho do Cristo, ingresso que se verifica, quase sempre, de estranha maneira - ele só, na companhia do Mestre, efetuando o curso difícil, recebendo lições sem cátedras visíveis e ouvindo vastas dissertações sem palavras articuladas...

Manifestamo-nos, junto a vós outros, no anonimato que obedece à caridade fraternal. A existência humana apresenta grande maioria de vasos frágeis, que não podem conter ainda toda a verdade. Aliás, não nos interessaria, agora, senão a experiência profunda, com os seus valores coletivos. Não atormentaremos ninguém com a idéia da eternidade. Que os vasos se fortaleçam, em primeiro lugar. Forneceremos, somente, algumas ligeiras notícias ao espírito sequioso dos nossos irmãos na senda de realização espiritual, e que compreendem conosco que "o espírito sopra onde quer".

NAS ZONAS INFERIORES - Após o desencarne, André Luiz despertou em paisagem que, quando não totalmente escura, parecia banhada de luz alvacenta, como que amortalhada em neblina espessa, que os raios do Sol aquecessem de muito longe. Ele narra: "Cabelos eriçados, coração aos saltos, medo terrível senhoreando-me, muita vez gritei como louco, implorei piedade e clamei contra o doloroso desânimo que me subjugava o espírito... Formas diabólicas, rostos alvares, expressões animalescas surgiam, de quando em quando, agravando-me o assombro."

André Luiz conta que, entre angustiosas considerações, em momento algum o problema religioso surgiu tão profundo aos seus olhos. Os princípios puramente filosóficos, políticos e científicos figuravam-se extremamente secundários para a vida humana. Porém, semelhante análise surgia tardiamente. Conhecera as letras do Velho Testamento e muita vez folheara o Evangelho; entretanto era forçoso reconhecer que nunca procurara as letras sagradas com a luz do coração.

- "Suicida! Suicida! Criminoso! Infame!" - gritos assim cercavam-no de todos os lados. Torturava-o a fome, a sede o escaldava. Comezinhos fenômenos da experiência material patenteavam-se aos seus olhos. A barba crescera, a roupa começara a romper-se.

- "Que buscas, infeliz? Aonde vias, suicida?" Tais objurgatórias, incessantemente repetidas, perturbavam-lhe o coração. Por que a pecha de suicida, se fora compelido a abandonar a casa, a família e o doce convívio dos seus?

O SOCORRO - E quando as energias faltaram de todo, quando André se sentiu absolutamente colado ao lodo da Terra, sem forças para reerguer-se, ele pediu ao Supremo Autor da Natureza que lhe estendesse mãos paternais. Quanto tempo durou a rogativa? Quantas horas consagrou à súplica, de mãos postas, imitando a criança aflita? Estaria então completamente esquecido? Não era, igualmente, filho de Deus, embora não cogitasse de conhecer-lhe a atividade sublime quando engolfado nas vaidades da experiência humana? Ah, é preciso haver sofrido muito, para entender todas as misteriosas belezas da oração; é necessário haver conhecido o remorso, a humilhação, a extrema desventura, para tomar com eficácia o sublime elixir de esperança.

Foi nesse instante que as neblinas espessas se dissiparam e alguém surgiu, emissário dos Céus. Um velhinho simpáticos sorriu-lhe paternalmente. Com os grandes olhos lúcidos, falou:

- "Coragem, meu filho! O Senhor não desampara."

Após ver André devidamente socorrido por seus dois ajudantes, esclareceu:

- "Vamos sem demora. Preciso atingir "Nosso Lar" com a presteza possível."

EM NOSSO LAR - Frente à grande porta encravada em altos muros, coberto de trepadeiras floridas e graciosas, Clarêncio se deteve e, tateando um ponto na muralha, fez abrir-se as portas de "Nosso Lar".

Conta André Luiz: "Branda claridade inundava ali todas as coisas. Ao longe, gracioso foco de luz dava a idéia de um pôr do sol em tardes primaveris. À medida que avançávamos, conseguia identificar preciosas construções, situadas em extensos jardins."

Conduzido a confortável aposento de amplas proporções, ricamente mobiliado, esforçou-se por dirigir a palavra aos dois bondosos enfermeiros:

- "Amigos, por quem sois, explicai-me em que novo mundo me encontro... De que estrela me vem, agora, esta luz confortadora e brilhante?"

Um deles afagou s fronte de André, como se fora conhecido pessoal de longo tempo e acentuou:

- "Estamos nas esfera espirituais vizinhas da Terra, e o Sol que nos ilumina, neste momento, é o mesmo que nos vivifica o corpo físico. Aqui, entretanto, nossa percepção visual é muito mais rica. A estrela que o Senhor acendeu para os nossos trabalhos terrestres é mais preciosa é bela que a supomos quando no círculo carnal. Nosso Sol é a divina matriz da vida, e a claridade que irradia provém do Autor da Criação."

O MÉDICO ESPIRITUAL - No dia imediato, após profundo e reparador repouso, André vê abrir-se a porta do quarto e entrar Clarêncio (o simpático velhinho que o socorrera), acompanhado por um simpático desconhecido. Sorridente, apresentou o companheiro: tratava-se de Henrique de Luna, do serviço de Assistência Médica da colônia espiritual.. Trajado de branco, traços fisonômicos irradiando enorme simpatia, Henrique auscultou-o demoradamente, sorriu e explicou:

- "É de lamentar que tenha vindo pelo suicídio."

Singular assomo de revolta borbulhou no íntimo de André Luiz:

- "Creio haja engano - asseverou melindrado -, meu regresso do mundo não teve esta causa. Lutei mais de quarenta dias, na Casa de Saúde, tentando vencer a morte. Sofri duas operações graves, devido a oclusão intestinal..."

- "Sim, esclareceu o médico, demonstrando a mesma serenidade superior -, mas a oclusão radicava-se em causas profundas. Talvez o amigo não tenha ponderado bastante. O organismo espiritual apresenta em si mesmo a história completa das ações praticadas no mundo."

Prossegue André: "Talvez que, visitado por figuras diabólicas a me torturarem, de tridente nas mãos, encontrasse forças para tornar a derrota menos amarga. Todavia, a bondade exuberante de Clarêncio, a inflexão de ternura do médico, a calma fraternal do enfermeiro, penetravam-me fundo o espírito. Não me dilacerava o desejo de reação; doía-me a vergonha."

LÍSIAS - "É você o tutelado de Clarêncio?" A pergunta vinha de um jovem de singular e doce expressão.

"Sou Lísias, seu irmão. Meu diretor, o assistente Henrique de Luna, designou-me para servi-lo, enquanto precisar tratamento."

Lisias foi o prestimoso enfermeiro e amigo de André em seus primeiros tempos de Nosso Lar.

 

 

APRESENTANDO "NOSSO LAR"  

 

 

OS MINISTÉRIOS - Narra André: "Decorridas algumas semanas de tratamento ativo, saí, pela primeira vez, em companhia de Lísias.

Impressionou-me o espetáculo das ruas. Vastas avenidas, enfeitadas de árvores frondosas. Ar puro, atmosfera de profunda tranqüilidade espiritual. Não havia, porém, qualquer sinal de inércia ou de ociosidade, porque as vias públicas estavam repletas. Entidades numerosas iam e vinham. Algumas pareciam situar a mente em lugares distantes, mas outras dirigiam-me olhares acolhedores. Incumbia-se o companheiro de orientar-me em face das surpresas que surgiam ininterruptas. Percebendo-me as íntimas conjeturas, esclareceu solícito:

- Estamos no local do Ministério do Auxílio. Tudo o que vemos, edifícios, casas residenciais, representa instituições e abrigos adequados à tarefa de nossa jurisdição. Orientadores, operários e outros serviçais da missão residem aqui. Nesta zona, atende-se a doentes, ouvem-se rogativas, selecionam-se preces, preparam-se reencarnações terrenas, organizam-se turmas de socorro aos habitantes do Umbral, ou aos que choram na Terra, estudam-se soluções para todos os processos que se prendem ao sofrimento.

- Há, então, em "Nosso Lar", um Ministério do Auxílio? - perguntei?

- Como não? Nossos serviços são distribuídos numa organização que se aperfeiçoa dia a dia, sob a orientação dos que nos presidem os destinos.

Fixando em mim os olhos muitos lúcidos, prosseguiu:

- Não tem visto, nos atos da prece, nosso Governador Espiritual, cercado de setenta e dois colaboradores? Pois são os Ministros de "Nosso Lar". A colônia, que é essencialmente de trabalho e realização, divide-se em seis Ministérios, orientados, cada qual, por doze Ministros. Temos os Ministérios da REGENERAÇÃO, do AUXÍLIO, da COMUNICAÇÃO, do ESCLARECIMENTO, da ELEVAÇÃO e da UNIÃO DIVINA. Os quatro primeiros nos aproximam das esferas terrestres, os dois últimos nos ligam ao plano superior, visto que a nossa cidade espiritual é zona de transição. Os serviços mais grosseiros localizam-se no ministério da Regeneração, os mais sublime no da União Divina. Clarêncio, nosso chefe amigo, é um dos Ministros do Auxílio.

Valendo-me da pausa natural, exclamei, comovido:

- Oh! nunca imaginei a possibilidade de organizações tão completas, depois da morte do corpo físico!...

- Sim - esclareceu Lísias -, o véu da ilusão é muito denso nos círculos carnais. O homem vulgar ignora que toda manifestação de ordem, no mundo, procede do plano superior. A natureza agreste transforma-se em jardim, quando orientada pela mente do homem, e o pensamento humano, selvagem na criatura primitiva, transforma-se em potencial criador, quando inspirado pelas mentes que funcionam nas esferas mais altas. Nenhuma organização útil se materializa na crosta terrestre, sem que seus raios iniciais partam de cima.

- Mas "Nosso Lar" terá igualmente uma história, como as grandes cidades planetárias?

- Sem dúvida. Os planos vizinhos da esfera terráquea possuem, igualmente, natureza específica. "Nosso Lar" é antiga fundação de portugueses distintos, desencarnados no Brasil, no século XVI. A princípio, enorme e exaustiva foi a luta, segundo consta em nossos arquivos no Ministério do Esclarecimento. Há substâncias ásperas nas zonas invisíveis à Terra, tal como nas regiões que se caracterizam pela matéria grosseira. Aqui também existem enormes extensões de potencial inferior, como há, no planeta, grandes tratos de natureza rude e incivilizada. Os trabalhos primordiais foram desanimadores, mesmo para os espíritos fortes. Onde se congregam hoje vibrações delicadas e nobres, edifícios de fino lavor, misturavam-se as notas primitivas dos silvículas do país e as construções infantis de suas mentes rudimentares. Os fundadores não desanimaram, porém. Prosseguiram na obra, copiando o esforço dos europeus que chegavam à esfera material, apenas com a diferença de que, por lá, se empregava a violência, a guerra, a escravidão, e, aqui, o serviço perseverante, a solidariedade fraterna, o amor espiritual.

A essa altura, antingíramos uma praça de maravilhosos contornos, ostentando extensos jardins. No centro da praça, erguia-se um palácio de magnificente beleza, encabeçado de torres soberanas, que se perdiam no céu.

- Os fundadores da Colônia começaram o esforço, partindo daqui, onde se localiza a GOVERNADORIA - disse o visitador.

Apontando o palácio, continuou:

- Temos, nesta praça, o ponto de convergência dos seis ministérios a que me referi. Todos começam da Governadoria, estendo-se em forma triangular.

E, respeitoso, comentou:

- Ali vive o nosso abnegado orientador. Nos trabalhos administrativos, utiliza ele a colaboração de três mil funcionários; entretanto, é ele o trabalhador mais infatigável e o mais fiel que todos nós reunidos. Os Ministros costumam excursionar noutras esferas, renovando energias e valorizando conhecimentos; nós outros gozamos entretenimentos habituais, mas o Governador nunca dispõe de tempo para isso. Faz questão que descansemos, obriga-nos a férias periódicas, ao passo que, ele mesmo, quase nunca repousa, mesmo no que concerne às horas de sono. Parece-me que a glória dele é o serviço perene. Basta lembrar que estou aqui há quarenta anos e, com exceção das assembléias referentes às preces coletivas, raramente o tenho visto em festividades públicas. Se pensamento, porém, abrange todos os círculos de serviço, sua assistência carinhosa a tudo e a todos atinge.

Depois de longa pausa, o enfermeiro amigo acentuou:

- Não faz muito, comemorou-se o 114o. aniversários da sua magnânima direção.

Calara-se Lísias, evidenciando comovida reverência, enquanto eu a seu lado contemplava, respeitoso e embevecido, as torres maravilhosas que pareciam cindir o firmamento...

NA CASA DE LÍSIAS - Findo o tratamento, e recebendo alta do parque hospitalar onde se encontrava, com alegria recebeu o convite de Lísias para morar em sua casa. Lá, André conhece a mãe de Lísias, a senhora Laura, pessoa generosa e esclarecida, e que muito o auxiliaria na compreensão dos enigmas com os quais viria a se confrontar.

O TRABALHO, ENFIM - Esquecendo-se do honroso título de médico, André Luiz aceita a tarefa humilde de "observador" das tarefas rudes das Câmeras de Retificação, no Ministério do Auxílio. Junto com Tobias e Narcisa, ouve esclarecimentos acerca das entidades ali acolhidas, ainda presas às sensações e interesses inferiores e exalando desagradáveis emanações. Mas é numa câmara anexa, onde repousam os "semi-mortos", segundo Tobias, que André inicia o seu trabalho. Após o passe, vertem essas entidades uma substância negra e tóxica pela boca, colocando-se Narcisa à tarefa de limpeza, em vão. Instintivamente André Luiz agarra-se aos petrechos de higiene e lança-se à tarefa com ardor.

Tobias e Narcisa aceitam com alegria o auxílio daquele que esquecia a medicina para iniciar a educação de si mesmo, na enfermagem rudimentar.

ENCONTROS- Em tarefa, André Luiz encontra velho conhecido de seu pai, e que ele, um dia, como negociante inflexível, despojou de todos os bens. Constrangido, não sabe o que dizer, e se afasta. Mas, incentivado por Narcisa, retorna até Silveira, o ofendido de outrora, e pede-lhe desculpas sinceras. Silveira diz-lhe que "o velho", como chama carinhosamente o pai de André Luiz, foi seu verdadeiro instrutor no mundo, pois ensinou-lhe os valores imperecíveis do espírito.

Mas tarde, sentindo-se atraído para a ala feminina das Câmaras de Retificação, é até lá conduzido por Narcisa, Entre muitos rostos, reconhece Elisa, a jovem empregada de sua casa e com quem se relacionou levianamente no passado, hoje, cega e infeliz.

Assusta-se ao saber do ódio da jovem, por ele e por seus pais e reconhece o profundo mal que lhe causou um dia.

Elisa, porém, está igualmente transformada. Quer esquecer, perdoar. E André quer auxiliar. Sem se fazer conhecer, recebe Elisa como irmã do coração, prometendo ampará-la de todos os modos, trabalhando por sua felicidade e recuperação.

Elisa chora e abençoa André. Este, também em lágrimas, ouve Narcisa dizer: "bem aventurados os devedores em condições de pagar."

RETORNANDO A CASA - Sentindo-se qual criança, na companhia dos Mentores que lhe patrocinaram o regresso à casa, não contém em si a alegria e o júbilo de retornar aos seus. Adentra a antiga morada, estranhando a decoração e dando por falta de detalhes, como um gracioso retrato da família que adornava a entrada, embelezando-a singularmente. Ainda assim, feliz e exultante, corre ao encontro de Zélia, sua amada esposa, gritando-lhe sua saudade e seu amor, mas ela não o ouve. Desapontado, abraça-se à ela, mas em vão: Zélia parece completamente indiferente ao seu carinho e ao seu abraço.

Então, ouvindo-a conversar com alguém, descobre-lhe o segundo casamento: "Mas doutor, salve-o, por caridade! Peço-lhe! Oh, não suportaria uma segunda viuvez."

André Luiz descreve assim sua decepção e seu sofrimento: "Um corisco não me fulminaria com tamanha violência. Outro homem se apossara de meu lar. A esposa me esquecera. A casa não mais me pertencia. Valia a pena ter esperado tanto para colher semelhantes desilusões?"

E prossegue, recordando os duros momentos de sua volta ao lar terreno: "Corri ao meu quarto, verificando que outro mobiliário existia na alcova espaçosa. No leito estava um homem de idade madura, evidenciando melindroso estado de saúde... De pronto, tive ímpetos de odiar o intruso com todas as forças, mas já não era eu o mesmo homem de outros tempos... Assentei-me decepcionado e acabrunhado, vendo Zélia entrar no aposento e dele sair, acariciando o enfermo com a ternura que me coubera noutros tempos... Minha casa pareceu-me, então, um patrimônio que os ladrões e os vermes haviam transformado. Nem haveres, nem títulos, nem afetos! Somente uma filha ali estava de sentinela ao meu velho e sincero amor."

À tardinha do dia seguinte, André recebe a visita de Clarêncio, que, percebendo seu abatimento, lhe diz: "Compreendo suas mágoas e rejubilo-me pela ótima oportunidade deste testemunho... Apenas não posso esquecer que aquela recomendação de Jesus para que amemos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, opera sempre, quando seguida, verdadeiros milagres de felicidade e compreensão, em nossos caminhos."

André pondera o alcance das palavras de Clarêncio e, sentindo-se realmente renovado, um outro homem, a quem o Senhor havia chamado aos ensinamentos do amor, da fraternidade e do perdão, reflete com mais serenidade: "Afinal de contas, por que condenar o procedimento de Zélia? E se fosse eu o viúvo na Terra? Teria, acaso, suportado a prolongada solidão? Não teria recorrido a mil pretextos para justificar novo consórcio? E o pobre enfermo? Por que odiá-lo? Não era também meu irmão na Casa de Nosso Pai? Precisava era, pois, lutar contra o egoísmo feroz..."

De imediato, procura auxiliar a Ernesto, o novo esposo de Zélia, mas sente-se enfraquecido, debilitado, compreendendo então o valor do amor e da amizade, alimentos confortadores absorvidos em Nosso Lar.

Em prece, clama o auxílio de Narcisa, sua grande amiga das Câmaras de Retificação. Juntos dirigem-se à Natureza exuberante, dali retirando os elementos curativos à enfermidade do doente.

CIDADÃO DE "NOSSO LAR" - Recuperado o enfermo, e restituindo a alegria à antiga morada, André Luiz retorna a Nosso Lar, sentindo-se jubiloso e renovado. Mas ao chegar, imensa surpresa o aguarda: Clarêncio, em companhia de dezenas de amigos, vêm ao seu encontro, saudando-o, generosos e acolhedores. O bondoso velhinho se adianta,e, estendendo-lhe a mão, diz, comovido:

"Até hoje, André, você era meu pupilo na cidade; mas, dorovante, em nome da Governadoria, declaro-o cidadão de Nosso Lar."

   

 

 

      CIDADES ESPIRITUAIS

  

"Há mundos particularmente destinados aos Espíritos,  nos quais podem habitar temporariamente,   e nele gozam de um bem-estar maior ou menor."
ALLAN KARDEC
(O Livro dos Espíritos, 234)

 

"Eu guardava a impressão de haver perdido a idéia de tempo. A noção de espaço esvaíra-se-me de há muito. Estava convicto de não mais pertencer ao número de encarnados no mundo e, no entanto, meus pulmões respiravam a longos haustos." (Nosso Lar, 1, FEB)

"Sentia-me, na verdade, amargurado duende nas grades escuras do horror. Cabelos eriçados, coração aos saltos, medo terrível senhoreando-me, muita vez gritei como louco, implorei piedade e clamei contra o doloroso desânimo que me subjugava o espírito."(Nosso Lar, 1)

"Perdera toda a noção de rumo. O receio do ignoto e o pavor da treva absorviam-me todas as faculdades de raciocínio, logo que me desprendera dos últimos laços físicos, em pleno sepulcro!" (Nosso Lar, 1, FEB)

"E a estranha viagem prosseguia... com que fim? Quem o poderia dizer? Apenas sabia que fugia sempre... O medo me impelia de roldão. Onde o lar, a esposa, os filhos?" (Nosso Lar, 1)

"De início, as lágrimas lavavam-me incessantemente o rosto e apenas, em minutos raros, felicitava-me a benção dso sono. Interrompia-se, porém, bruscamente, a sensação de alívio. Seres monstruosos acordavam-me, irônicos; era imprescendível fugir deles." (Idem)

"Suicida! Suicida! Criminoso! Infame! - gritos assim, cercavam-ne de todos os lados. Onde os sicários de coração empedernido? Por vezes enxergava-os de relance, escorregadios na treva espessa e, quando meu desespero atingia o auge, atacava-os mobilizando extremas energias." (Nosso lar, 2)

"Em vão, porém, esmurrava o ar nos paroxismos da cólera. Gargalhadas sarcásticas feriam-me os ouvidos, enquanto os vultos negros desapareciam na sombra." (Nosso lar, 2)

"Para quem apelar? Torturava-me a fome, a sede me escaldava. Comezinhos fenômenos da experiência material patenteavam-se aos meus olhos. Crescera-me a barba, a roupa começava a romper-se com os esforços da resistência, na região desconhecida."(Nosso lar, 2)

"A circustância mais dolorosa, no entanto, não era o terrível abandono a que me sentia votado, mas o assédio incessante de forças perversas que me assomavam nos caminhos ermos e obscuros." (Nosso Lar, 2)

"E quando as energias me faltaram de todo, quando me senti absolutamente colado ao lodo da Terra, sem forças para reerguer-me, pedi ao Supremo Autor da Natureza me estendesse mãos paternais, em tão amargurosa emergência." (Nosso Lar, 2, FEB)

"Ah! é preciso haver sofrido muito, para entender todas as misteriosas belezas da oração; é necessário haver conhecido o remorso, a humilhação, a extrema desventura, para tomar com eficácia o sublime elixir de esperança. (Nosso Lar, 2, FEB)

"Ah! é preciso haver sofrido muito, para entender todas as misteriosas belezas da oração; é necessário haver conhecido o remorso, a humilhação, a extrema desventura, para tomar com eficácia o sublime elixir de esperança. (Nosso Lar, 2, FEB)

"Foi nesse instante que as neblinas espessas se dissiparam e alguém surgiu, emissário dos Céus. Um velhinho simpático me sorriu paternalmente. Inclinou-se, fixou nos meus os grandes olhos lúcidos, e falou: "Coragem, meu filho! O Senhor não te desampara." (Nosso Lar, 2, FEB)

"Clarêncio, que se apoiava num cajado de substância luminosa, deteve-se à frente de grande porta encravada em altos muros, cobertos de trepadeiras floridas e graciosas."(Nosso Lar, 2, FEB)

"Branda claridade inundava ali todas as coisas. Ao longe, gracioso foco de luz dava a idéia de um pôr do sol em tardes primaveris. À medida que avançávamos, conseguia identificar preciosas construções, situadas em extensos jardins." (Nosso Lar, 3, FEB)

"Recordei, então, que nunca fixara o Sol, nos dias terrestres, meditando na imensurável bondade d'Aquele que no-lo concede para o caminho eterno da vida."(Nosso Lar, 3, FEB)

"A essa altura, serviram-me caldo reconfortantre, seguido de água muito fresca, que me pareceu portadora de fluidos divinos."(Nosso Lar, 3, FEB)

"Amigos, por quem sois, explicai-me em que novo mundo me encontro...  De que estrela me vem, agora, esta luz confortadora e brilhante? "
André Luiz
(Crepúsculo em Nosso Lar, 3, FEB)

"Estamos nas esferas espirituais vizinhas da Terra, e o Sol, que nos ilumina, neste momento, é o mesmo que nos vivifica o corpo físico." (Nosso Lar, 3, FEB)

"Decorridas algumas semanas de tratamento ativo, saí, pela primeira vez, em companhia de Lísias. Impressionou-me o espetáculo das ruas. Vastas avenidas, enfeitadas de árvores frondosas. Passados alguns minutos, eis-nos à porta de graciosa construção, cercada de colorido jardim." (Nosso Lar, 8)

"Entramos. Ambiente simples e acolhedor. Móveis quase idênticos aos terrestres; objetos em geral, mostrando pequeninas variantes. Quadros de sublime significação espiritual, um piano de notáveis proporções, descansando sobre ele grande harpa talhada em linhas nobres e delicadas." (NOSSO LAR,17)

"Quando o discípulo está preparado, o Pai envia o instrutor. O mesmo se dá, relativamente ao trabalho. Quando o servidor está pronto, o serviço aparece..."(Nosso Lar, 26, FEB)

"As câmaras de Retificação estão localizadas nas vizinhanças do Umbral. Os necessitados que aí se reúnem não toleram as luzes, nem a atmosfera de cima, nos primeiros tempos de moradia em "Nosso Lar". (Nosso Lar, 26, FEB)

"Memória inquieta, coração oprimido, em poucos instantes localizei-a no passado. Era Elisa. Aquela mesma Elisa que conhecera nos tempos de rapaz. Estava modificada pelo sofrimento, mas não podia ter quaisquer dúvidas." (Nosso Lar, 40)

"Ouça, minha amiga - falei com emoção forte -, também eu me chamo André e preciso ajudá-la. Conte comigo, dorovante... Até agora, não tenho propriamente uma família em "Nosso Lar". Mas você será aqui minha irmã do coração." (Nosso Lar, 40)

 

"Vive o amor sublime no corpo mortal, ou na alma eterna? Na Espiritualidade o noivado é muito mais belo, porque não existem véus de ilusão a obscurecer o olhar." (Nosso Lar, 45, FEB)

"Recolhido ao quarto confortável e espaçoso, orei ao Senhor da Vida agradecendo a bênção de ter sido útil. A "proveitosa fadiga" dos que cumprem o dever não me deu ensejo a qualquer vigília desagradável. Daí a instantes, sensações de leveza invadiram-me a alma toda e tive a impressão de ser arrebatado em pequenino barco, rumando a regiões desconhecidas." (N.L., 36)

"Desembarquei com precipitação verdadeiramente infantil. Reconheceria aquela voz entre milhares. Num momento, abraçava minha mãe em transbordamentos de júbilo." (Nosso Lar, 36)

"Fui conduzido então por ela, a prodigioso bosque, onde as flores eram dotadas de singular propriedade - a de reter a luz, revelando a festa permanente do perfume e da cor. Tapetes dourados e luminosos estendiam-se dessa maneira, sob as grandes árvores sussurrantes ao vento." (Nosso Lar, 36)

"Minhas impressões de felicidade e paz eram inexcedíveis. O sonho não era propriamente qual se verifica na Terra. Eu sabia, perfeitamente, que deixara o veículo inferior no apartamento das Câmaras de Retificaçào, em "Nosso Lar", e tinha absoluta consciência daquela movimentação em plano diverso."(Nosso Lar, 36)

"Ligado o receptor, suave melodia derramou-se no ambiente, embalando-nos em harmoniosa sonoridade, vendo-se no espelho da televião a figura do locutor, no gabinete de trabalho."(Nosso Lar, 24)

"Daí a instantes, começou ele a falar: - Emissora do Posto Dois, de "Moradia". Continuamos a irradiar o apelo da colônia, em benefício da paz na Terra."(Nosso Lar, 24)

"Estamos ouvindo "Moradia", velha colônia de serviços muito ligada às zonas inferiores."(Nosso Lar, 24)

"Assombrava-me, sobretudo, a imensidade dos serviços espirituais nos planos de vida nova a que me recolhera. Pois havia cidades de espíritos generosos, suplicando socorro e cooperação?" (Nosso Lar, 24)

 

 

     REGRESSANDO A CASA  

"André, amanhã acompanharei nossa irmã Laura à esfera carnal. Se lhe apraz, poderá vir conosco para visitar sua família."(Nosso Lar, 48)

"Possuído de Júbilo intenso, agradeci, chorando e rindo ao mesmo tempo. Ia, enfim, rever a esposa e os filhos amados..." (Nosso Lar, 49, FEB)

"Imitando a criança que se conduz pelos passos dos benfeitores, cheguei à minha cidade, com a sensação indescritível do viajante que torna ao berço natal depois de longa ausência." (Nosso Lar, 49, FEB)

"Gritei minha alegria com toda a força dos pulmões, mas as palavras pareciam reboar pela casa sem atingir os ouvidos dos circunstantes. Compreendi a situação e calei-me, desapontado. Abracei-me à companheira, com o carinho da minha saudade imensa, mas Zélia parecia totalmente insensível ao meu gesto de amor."(Nosso Lar, 49, FEB)

"Mas, doutor, salve-o, por caridade! Peço-lhe! Oh! não suportaria uma segunda viuvez."(Nosso Lar, 49, FEB)

"Um corisco não me fulminaria com tamanha violência. Outro homem se apossara de meu lar. A esposa me esquecera. A casa não mais me pertencia. Valia a pena ter esperado tanto para colher semelhantes desilusões?" (Nosso Lar, 49, FEB)

"Chegou a noite e voltou o dia, encontrando-me na mesma situação de perplexidade, a ouvir conceitos e a surpreender atitudes que nunca poderia ter suspeitado." (Nosso Lar, 49, FEB)

"Aproximei-me da filha chorosa e estanquei-lhe o pranto, murmurando palavras de encorajamento e consolação, que ela não registrou auditiva, mas subjetivamente, sob a feição de pensamentos confortadores." (Nosso Lar, 49)

"Roguei ao Senhor energias necessárias para manter a compreensão imprescindível e passei a interpretar os cônjuges como se fossem meus irmãos." (Nosso Lar, 50)

"Reconheci que Zélia e Ernesto se amavam intensamente. E, se de fato me sentia companheiro fraternal de ambos, devia auxiliá-los com os recursos ao meu alcance. (Nosso Lar, 50)"Ao fim da semana, chegara ao termo de minha primeira licença nos serviços das Câmaras de Retificação. A alegria tornara aos cônjuges, que passei a estimar como irmãos."(Nosso Lar, 50)"À luz dormente e cariciosa do crepúsculo, tomei o caminho de "Nosso Lar", totalmente modificado. Naqueles rápidos sete dias, aprendera preciosas lições práticas no culto vivo da compreensão e da fraternidade legítimas." (André Luiz, Nosso Lar, 50, FEB)

A ORAÇÃO COLETIVA

"Aquela melodia renovava-me as energias profundas. Levantei-me vencendo dificuldades e agarrei-me ao braço fraternal que Lísias me estendia. Seguindo vacilante, cheguei a enorme salão, onde numerosa assembléia meditava em silêncio, profundamente recolhida. Da abóbada cheia de claridade brilhante, pendiam delicadas e flóreas guirlandas, que vinham do teto à base, formando radiosos símbolos de Espiritualidade Superior. Ninguém parecia dar conta da minha presença, ao passo que mal dissimulava eu a surpresa inexcedível. Todos os circunstantes, atentos, pareciam aguardar alguma coisa. Contendo a custo numerosas indagações que me esfervilhavam na mente, notei que ao fundo, em tela gigantesca, desenhava-se prodigioso quadro de luz quase feérica. Obedecendo a processos adiantados de televisão, surgiu o cenário de templo maravilhoso. Sentado, em lugar de destaque, um ancião coroado de luz fixava o alto, em atitude de prece, envergando alva túnica de irradiações resplandecentes. Em plano inferior, setenta e duas figuras pareciam acompanhá-lo em respeitoso silêncio. Altamente surpreendido, reparei Clarêncio participando da assembléia, entre os que cercavam o velhinho refulgente.
Apertei o braço do enfermeiro amigo, e, compreendendo ele que minhas perguntas não se fariam esperar, esclareceu em voz baixa, que mais se assemelhava a leve sopro:
- Conserve-se tranqüilo. Todas as residências e instituições de "Nosso Lar" estão orando com o Governador, através da audição e visão a distância. Louvemos o Coração Invisível do Céu.
Mal terminara a explicação, as setenta e duas figuras começaram a cantar harmonioso hino, repleto de indefinível beleza. O cântico celeste constituía-se de notas angelicais, de sublimado reconhecimento. Pairavam no recinto misteriosas vibrações de paz e de alegria e, quando as notas argentinas fizeram um delicioso staccato, desenhou-se ao longe, em plano elevado, um coração maravilhosamente azul (Imagem simbólica formada pelas vibrações mentais dos habitantes da colônia - Nota do Autor espiritual), com estrias douradas. Cariciosa música, respondia aos louvores, procedente talvez de esferas distantes. Foi aí que abundante chuva de flores azuis se derramou sobre nós; mas, se fixávamos os miosótis
celestiais, não conseguíamos detê-los nas mãos. As corolas minúsculas desfaziam-se de leve, ao tocar-nos a fronte, experimentando eu, por minha vez, singular renovação de energias ao contato das pétalas fluídicas que me balsamizavam o coração.
Terminada a sublime oração, regressei ao aposento de enfermo, amparado pelo amigo que me atendia de perto. Entretanto, não era mais o doente grave de horas antes. A primeira prece coletiva, em "Nosso Lar", operara em mim completa transformação. Conforto inesperado envolvia-me a alma. Pela primeira vez, depois de anos consecutivos de sofrimento, o pobre coração, saudoso e atormentado, à maneira de cálice muito tempo vazio, enchera-se de novo das gotas generosas do licor da esperança." (Nosso Lar, 3, FEB)

"Quantas existências, quantos corpos, quantos séculos, quantos serviços, quantos triunfos, quantas mortes necessitamos ainda?"
André Luiz
(Nosso Lar - Prefácio)

 

    ESTUDO DAS COLÔNIAS E 

                                                         COMUNIDADES ESPIRITUAIS

2º Material Gentilmente Cedido pelo jornal espírita Voz Espírita

 

A.A da Silva

Objetivo do estudo:
Dar uma visão do que acontece após a morte. para onde são levados os espíritos desencarnados. Vamos todos para o mesmo lugar? Qual é o critério para a nossa ida para determinado lugar? Não é o dinheiro nem o poder. Iremos para um local melhor de acordo com o grau de evolução alcaçado através do correto uso do sentimento e da inteligência. O primeiro, o nosso próximo, junto aos familiares, amigos e colegas de trabalho. O segundo pelo desenvolvimento de novas habilidades e pelo conhecimento no plano do trabalho e do estudo

Desenvolvimento:
O mundo espiritual compreende:
As colônias espirituais, ou comunidades espirituais, são locais onde os grupos de espíritos errantes (ou desencarnados) se estabelecem transitoriamente, enquanto aguardam novas encarnações. Todas as cidades brasileiras são circundadas por essas colônias. Uma cidade - como Taubaté, por exemplo - tem uma equivalente no Plano Espiritual. O mesmo vale para todas as cidades da Terra. Elas foram feitas para atender aos desencarnados daqueles cidade. Isso não significa que todos vão ficar no mesmo lugar após a morte. As colônias servem de morada para os espíritos com algum grau de evolução e que lá possam descanasr após sua longa estadia na terra e, posteriormente, iniciar os trabalhos de aprimoramento para uma nova encarnação. As colônias são verdadeiras cidades: apresentam prédios, jardins, casas, parques, árvores, hospitais e bibliotecas. Lá os espíritos trabalham e descansam.

O umbral é o local onde se abrigam os criminosos, que para lá se dirigem conduzidos pelas suas vítimas. Lá vivem também os viciados e os libertinos, que procuram a companhia dos devassos que lhes saciam os apetites sexuais e os vícios. E há ainda aqueles que permanecem na terra ou ficam a vagar por não aceitar a nova condição. O umbral também é abrigo dos que têm consciência pesada e alimentam o remorso.

As colônias socorristas, ou Postos de Socorro, foram criados com o objetivo de atender e amparar os desencarnados presos, de alguma forma, aos males do corpo físico ou aos problemas terrenos, que não possuem a visão espiritual. Espíritos sofredores e atormentados, que desencarnam cheio de culpas e remorsos pelo mal também são recolhidos nestes locais.. No livro"Nosso Lar" existem referências a "Colônia Socorrista Moradia", como uma das do Umbral, assim, denominada a região espiritual habituada por espíritos trevosos.
"Nos Mensageiros", é a vez da "Colônia Campo da Paz", que é uma colônia localizada em plena região inferior, que funciona com a morte física, estado de ignorância ou culpas dolorosas. No livro "Além da Morte", a Colônia Redenção foi criada, nos tempos da escravatura, com o objetivo de socorrer os escravos desencarnados sob o peso de sofrimento e sequiosos de vingança.

As Casas Transitórias ou Giratórias ou Rotatórias são postos de socorro localizados dentro do Umbral, que se locomovem para dar ajuda aos habitantes dessa região. São locais em que os espíritos têm permanência transitória, são amparados e orientados e têm a liberdade de escolher o caminho a seguir. Se adptados a nova vida, essse espíritos são encaminhados as colônias, onde iniciam estudo de que necessitam. Se ficam inconformados ou revoltados, retornam ao lugar de onde vieram. Esse locais apresentam um sistema de defesa para impedir a entrada dos espíritos trevosos, pois o abrigo sofre os ataques da zona umbralina. Daí, ser necessário um sistema de defesa no local. Pelos aparelhos da torre, os espíritos sabem que se aproxima do Posto. Tudo é televisionado. Da torre controla-se todo o sistema de defesa. Para se livrarem dos ataques, colocam-se os lança-raios em ação e concentram-se em oração.
Há Centros de Socorro também nos Centros Espíritas. São verdadeiros pontos de auxílio. Eles ajudam a cuidar dos enfermos e dos recém-desencarnados. Nas cidades dos encarnados, há muitos postos de socorro pequenos. Os recém-desencarnados ficam nos postos por algum tempo e depois são levados para ser doutrinados nas reuniões dos Centros Espíritas, ou são transportados para postos maiores ou colônias. (No Mundo dos Espítos, Vera Lúcia, cap.3 e cap.4 "Abrigo, Caridade e Luz e Postos de Vigília"). Essas regiões são postos de luz dentro do Umbral.

As colônias correcionais:
Para atendimento aos suicidas, aos toxicômanos e aos pervertidos sexuais. No livro "Sexo e Destino", André Luiz cita a existência do "Hospital Escola Almas Irmãs", destinado a socorrer espíritos desencarnados de todas as idades e de ambos os sexos. Os enfermos têm como tema estudos de sexo em várias especialidades, tais como: sexo, amor, sexo e matrimônio; sexo e maternidade; sexo e estímulo, sexo e equilíbrio; sexo e medicina; sexo e evolução; sexo e penalidade.

As Colônias de estudos e de desenvovimento das artes e muitas outras
são somente uma escola ou universidade. Nela há alojamentos para professores e alunos, salas de aula, bibliotecas e imensas salas de vídeo. São locais que estudiosos sonham em conhecer e morar.(Livro de patrícia - Cap.2). Lá existem aulas práticas e teóricas sobre o Mundo Espiritual. Os conhecimentos da doutrina espírita são de três anos para aqueles com pouco conhecimento.

Fixação - Localização e descrição dos locais (seria bom o uso de cartolinas com desenhos sobre essas regiões)
Umbral - É uma região que apresenta uma geografia pobre: poucas plantações, escuridão, abismos, precipícios e vales. O solo é muito tortuoso, a vegetação rasteira. Aves horripilantes aparecem de vez em quando enchendo o silêncio de pios angustiados. Forte ventania sopra em todas as direções.

Postos de Socorro - São verdadeiras fortalezas localizadas dentro do umbral. São locais que servem de abrigo aos desencarnados em condições pouco evoluidas e aos sofredores com consciência pesada. É um local também para auxiliar os espíritos do umbral, que se arrependeram e pedem socorro. São construções magníficas, circundadas por sistemas de defesa como radares e aparelhos. Estes impedem a entrada de espíritos mal intencionados, que desejam entrar para atacar esse locais. Normalmente esse postos são chefiados por admistradores e auxiliadores, que se desdobram na ajuda aos irmãos ignorantes e aos desviados.

Colônias Espirituais - cidades com pátios, bibliotecas, hospitais, lazer, ministérios e prédios.

Espíritos errantes
Segundo Allan Kardec, os espíritos errantes são todos os desencarnados, que ainda não atingiram um estado puro. No intervalo das encarnações, todos os espíritos são errantes. Há espíritos errantes do mais diversos graus de evolução. Enquanto errantes, os espíritos progridem, observam os lugares, instruem-se, analisam os erros e acertos do passado e se preparam para novas experiências na existência corpórea.
A vida do espírito errante, no além, será determinada por sua vida na terra. Ele pertencerá a um mundo com pessoas do mesmo grau de sua elevação, embora lhe sejam permitidas visitas a mundos superiores como modo de aprendizado. Os espíritos mais esclarecidos, então, assumem, a tarefa de orientar encarnados e recém-encarnados. As regiões mais atrasadas ficam mais próximas da terra e as mais adiantadas, mais afastadas. Há cidades espirituais de vários tipos para onde vão de acordo com o grau de evolução.

 

 

Bibliografia:
"Colônias Espirituais", de Lúcio Loreiro e "Vivendo no Mundo dos Espíritos"de Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, cap.2, As Colônias e "Os Mensageiros" de Chico Xavier, por André Luíz.

Material Lúdico: um mapa contendo a terra circundada por diversas comunidades espirituais. A região mais próxima da terra está a zona umbralina e região socorrista, seguidas das comunidades mais evoluídas até as habitadas por espíritos puros.

 

 

 

 

Onde Vivem os Espíritos

 

 

 

Através da vasta bibliografia espírita sobre o assunto, pudemos ter um maior

conhecimento sobre a vida dos espíritos no plano espiritual.

E são justamente eles quem nos fornecem diversos dados e detalhes de suas moradias

que até pouco tempo eram desconhecidas.

André Luiz, foi o precursor desta divulgação, relatando-nos a estrutura e organização

 da cidade

Nosso Lar. Todavia, assim como ela, existem outras milhares de cidades e

postos de socorro no plano espiritual, com sua administração, organização e

responsabilidades próprias.

As cidades ou colônias espirituais, têm uma estrutura "semelhante" às nossas,

porém são detentoras de uma organização, atividade e beleza incomparáveis.

Pelos relatos que nos foram transmitidos, através das obras supracitadas,

essas cidades possuem edificações sólidas, como hospitais, escolas, residências, edifícios,

fábricas etc.

Estas construções são realizadas por espíritos especializados, que através de seus pensamentos, manipulam o fluído cósmico universal, a fim de edificarem as construções necessárias, podendo ser alteradas ou "demolidas", por seus criadores, de acordo com a necessidade e a conveniência.

Yvone A. Pereira, relata-nos:

"... A força motora dos seus pensamentos poderosamente associados e disciplinados,

irradiando energias cuja natureza o homem ainda não poderá conhecer, agirá sobre aqueles fluídos e essências e edificará o que antes fora delineado e desejado"

(in, Devassando o Invisível, pág. 33 e 34).

Justamente por este motivo, os espíritos não atravessam as paredes das casas,

nas colônias espirituais, porque a substância delas é concreta, em relação a eles,

tendo a mesma dimensão e o mesmo nível de matéria que à de seus corpos. Porém eles podem atravessar as paredes das casas terrestres, bastando saber como conduzir o próprio pensamento, pois a matéria de seus corpos não estão no mesmo nível e dimensão da nossa matéria.

As residências possuem repartições, como sala, quartos, banheiro e são mobiliadas

com alguns móveis e utensílios eletrônicos que já conhecemos, como cama, mesa, cadeira, TV, rádio e outros que ainda nos são desconhecidos. Destaca-se que tudo tem sua utilidade, pois lá não há lugar para supérfluos.

Da mesma forma, as demais repartições, como hospitais, escolas etc também têm os utensílios necessários para suas atividades.

Além das construções, nas cidades espirituais há animais e vegetações. Merecendo um destaque especial os jardins, as flores, que são descritas de forma maravilhosa, com cores mais vivas, belas e com espécies diferentes das que conhecemos na Terra.

Um dos motivos de tamanha beleza é a vibração mental dos espíritos que habitam as colônias.

Aliás, André Luiz relata-nos que no Nosso Lar, os habitantes equilibrados têm o compromisso de não emitirem pensamentos contrários ao bem, ou seja, eles devem zelar pela manutenção de um bom padrão vibratório na colônia.

Todas as cidades possuem uma Administração, cujo governo ocorre por determinação superior, segundo o conhecimento, mérito e a capacidade administrativa, sendo que

os demais habitantes trabalham não só pelo próprio aperfeiçoamento como também cooperam para a evolução da região onde residem e de um modo geral com o bem comum.

Os postos de socorro, são construções erguidas pelos espíritos de bem dentro da região do

Umbral, a fim de prestarem o auxílio, principalmente aos espíritos necessitados nas

proximidades de sua localização.

 

Tais postos, podem ser fixos ou não, neste último caso, eles possuem mecanismo de

deslocamento, o que possibilita sua transferência para a região onde deseja auxiliar.

Por estarem situados no Umbral, são cercados por grandes muros, assim como

algumas cidades, que servem para protegê-los de eventuais ataques dos espíritos inferiores.

Um detalhe interessante é a existência de espíritos vigilantes, que cuidam da segurança

destes postos e de algumas cidades.

Apesar de serem menores que as cidades, possuem a estrutura semelhante a delas, a fim de

proverem suas necessidades. Assim, têm hospitais equipados, para os espíritos enfermos e necessitados, residências ou alojamentos para os espíritos trabalhadores, jardins, plantações,

animais e uma administração coordenada por um espírito designado para esta função.

Ressalta-se que a maioria dos trabalhadores dos postos de socorro, assim como das cidades de transição, não são espíritos superiores, elevados e sim espíritos medianos, que ainda terão várias reencarnações.

Para encerrar, um fato interessante:

em princípios foram os espíritos quem nos forneceram informações sobre as suas moradias, hoje, além deles, os encarnados têm contribuído e muito para esta divulgação.

Vejamos o comentário de Antônio F.Rodrigues:

"O livro "Life After Life, do

Dr. Raymond A. Moody (pesquisador não espírita), 'bestseller' nos EUA, é um desses livros que nos fala dessas experiências inusitadas, agora complementado com o livro

'Reflections nos Life After Life', que nos traz o resultado de novas entrevistas com os que permaneceram alguns instantes na outra dimensão da vida, mas retornaram por não ter ainda chegado a sua hora de regresso à pátria espiritual.

Transformados com essa experiência, emocionados nos relatam o encontro com seres luminosos, quais anjos de bondade e compreensão, que aconselham e consolam, orientam e encorajam. Descrevem cidades com edifícios resplandecentes, assim como nascentes de águas cristalinas, além de música celestial que deliciosamente havia no ar, transmitindo paz infinita, com uma sensação presente de amor. E não se trata de algumas testemunhas, mas sim de centenas de casos quase coincidentes, variando apenas nos pormenores"

(in Como vivem os espíritos, pág. 37, 38).

 

Através deste breve relato, percebemos que existem várias semelhanças entre a estrutura da vida material e da espiritual. E se aqui nós trabalhamos, estudamos e temos várias outras atividades, lá essas são muito mais intensas, conforme veremos no próximo estudo.

(Clarice Cristina de Oliveira)

 

 

 

Depois da morte - O regresso aos domínios espirituais

"Para morrer bem é preciso viver bem".
—Confúcio

A maioria das pessoas, apesar de acreditar na imortalidade da alma, sente muito medo da morte. Esse medo ocorre pelo desconhecimento do que acontece durante a morte, do que vem depois ou para onde vão assim como do receio de perder afeições. As religiões pouco fazem para esclarecer os fiéis sobre a vida além-túmulo, assustando-os ainda mais.

A Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec é o Consolador prometido por Jesus, que vem eliminar esse medo, preparando-nos para enfrentá-lo serenamente, pois todos morreremos um dia. Orienta-nos sobre a vida e a morte. A vida é uma propriedade da alma, do nosso Espírito. a vida é eterna porque somos eternos. Informa que toda pessoa é formada por três partes essenciais:
- o corpo físico ou ser material, animado pelo princípio ou fluido vital;
- a alma, que é o espírito encarnado, habitando o corpo;
- o perispírito ou corpo espiritual que une a alma ao corpo.

Então, o que acontece durante a morte, também chamada desencarnação?

O que acontece é uma mudança do lado material para o lado espiritual. Você que está lendo tem um corpo físico, adaptado à vida material, utilizado pelo seu espírito que está unido a ele através do perispírito. Isto é necessário para que você possa cumprir a sua finalidade na Terra, que é progredir em conhecimentos e sentimentos, através do esforço pessoal e do relacionamento com o próximo. O organismo funcionando ao longo do tempo e segundo as circunstâncias vai se desgastando, diminuindo o fluido vital e a morte acontece. Você deixa o corpo físico mas a sua alma (ou espírito) que é imaterial e imortal muda-se para o lado espiritual continuando a viver com o corpo espiritual (perispírito). Acontece um desligamento dos laços que uniam o perispírito ao corpo físico.

Quando mudamos de um lugar para outro continuamos a ser o que somos, apenas nos desfazemos do que não é necessário. Assim, também, quando desencarnamos, continuamos a ser a mesma pessoa, mas, nos desfazemos do corpo físico, pois não é necessário no mundo espiritual.

Agora que você já sabe que a morte é mudança, pense no seguinte, para perder o medo:

- Aqui na Terra temos hospitais, escolas, instituições beneficentes, etc. Quantas pessoas dedicadas ao bem em todos os níveis sociais! Só não é auxiliado quem não quer. Imagine agora no Plano Espiritual. Nele está também a Bondade Divina, através dos Espíritos Protetores, dos Anjos de Guarda, dos Grupos de Socorro e Esclarecimento.

Aqui é uma cópia do que tem lá e sendo assim a assistência, o amparo, o esclarecimento no mundo espiritual são maiores. Há também técnicos em auxílio aos que desencarnam.

- Também fique sabendo que a família terrena continua fazendo parte do nosso relacionamento juntamente com a família espiritual.

Há três tipos de desencarnação

a-) A desencarnação lenta, a mais usual e ideal. A pessoa adoece por um prazo mais ou menos longo. Tem tempo para meditar, reformular pontos de vista, fazer acertos, modificar-se.

Pode ser por velhice também, o fluido vital vai se esgotando. Não é uma desgraça como pensam, é um fator de equilíbrio.

b-) A desencarnação súbita, o espírito é apanhado de surpresa, despreparado e se não praticou o bem fica apegado à vida material e sensações físicas. As pessoas dedicadas ao bem com sinceridade não sofrem neste tipo de desencarnação.

c-) A desencarnação coletiva, semelhante à súbita, mas em conjunto com outras pessoas, por meio de desastres variados. Não se dá acaso. Espíritos com débitos semelhantes reúnem-se para uma expiação coletiva.

A perturbação da passagem

Na passagem da vida corporal para a espiritual acontece também um outro fenômeno: a perturbação. A alma experimenta um torpor, espécie de sono ou desmaio e por isso quase nunca testemunha conscientemente o último suspiro. A perturbação pode ser considerada o estado normal no instante da morte e pode durar de algumas horas a muitos anos, dependendo do estado moral e dos atos praticados.

O despertar do torpor ou sono apresenta variantes:

1.-) O espírito acorda ounvido choro, lamentações, etc, de entes queridos que não se conformam. Isto dificulta a sua adaptação à nova vida. Essa situação só melhora com a mudança do comportamento de tristeza dessas pessoas, substituindo-o por equilíbrio, preces e conformação. O espírito desencarnante também pode expressar os mesmos sentimentos chorando muito pela separação, necessitando também se esforçar para superar a crise e conosolar os que ficaram.

2.-) O despertar se dá em hospital ou casa de repouso. Devido ao atendimento médico e aos cuidados que recebe, o espírito pensa que permanece no mundo material. É esclarecido, pode receber a visita de alguém que já desencarnou ou, então, perceber, à distância, o que se passa no antigo lar, sentindo que já não vive mais lá.

3.-) Há espíritos que acordam surpresos porque se sentem vivos, sabendo que passaram por situações em que iriam deixar a vida física, como doenças terminais, acidentes, etc.

Há também um fenômeno que se verifica com alguns espíritos antes ou após o desencarne. É a revisão total ou parcial dos acontecimentos que vivenciaram ao longo da existência material que se finda. Seria como a exibição de um "vídeo-tape" guardado nos arquivos do pretárito, documentando fatos importantes da última existência. Assim revela uma comunicação do espírito Germano Sestini, extraída do livro "Vida no Além", psicografado por Chico Xavier:

"Meu espanto foi enorme. Parecia que estava retornando aos tempos de menino... Na mente apareceru a paisagem de Cravinhos e tornei a ver meu pai João e minha mãe, acariciando-me e ensinando-me a rezar. Mariquinha, revi tudo... a nossa felicidade, o nascimento dos filhos... Os dias difíceis, o duro trabalho para melhorar..."

Onde ficam os espíritos após a morte?

Esta é a grande preocupação dos que temem a morte. Não há lugar especialmente destinado ao sofrimento ou à paz e à felicidade. Os espíritos se reúnem segundo a afinidade vibratória, conseqüência do estado moral. Ao desencarnar cada um é o que é, o produto dos seus pensamentos, sentimentos e atos. "A cada um segundo suas obras". Surgem daí as esferas, planos ou mundos espirituais. Os espíritos voltados para o mal se reúnem em regiões dimensionais conhecidas como Trevas. Suas formas perispirituais não são nada agradáveis devido às suas vibrações inferiores, conseqüência das faltas cometidas. Aí estão os criminosos endurecidos, os que cometeram faltas pesadas, que só conheceram gozos vis, que só tiveram sentimento de ódio e maldade para com seus semelhantes. É o Umbral mais pesado. Aí permanecerão por longo tempo, mas não eternamente, pois a bondade de Deus é infinita e ampara a todos. Em outro plano, provavelmente correspondente à superfície da Terra (na dimensão espiritual) ou pouco acima, vivem os que ficaram ligados à matéria, que viveram para si mesmos, sem ideal, sem fé, podem ter feito pouco mal mas de bem nada fizeram. É o Umbral mais ameno. Nele há vegetação e moradias. Os espíritos do bem encontram aí mais facilidade para assistência.

A terceira esfera ou plano, também Umbral, é uma região de transição para planos superiores como também abriga espíritos necessitados de reencarnar, isto é, voltar a renascer na Terra novamente. Aí fica a colônia-cidade Nosso Lar, local de trabalho e reeducação. Existem outras centenas de colônias-cidades em torno da Terra. O livro "Nosso Lar", que recomendamos para leitura, dá notícias sobre estas três esferas.

O suicida provoca um rompimento brusco do funcionamento dos órgãos. Por ficar o perispírito saturado de fluidos vitais (não era chegada a hora) permanece ligado ao corpo físico. Dependendo das circunstâncias, o espírito sente os efeitos da decomposição, revê o ato e sofre intensamente. Suicida também é quem desencarna antes da hora porque lesou o corpo físico com desgastes necessário, alimentação desregrada, prazeres desmedidos, uso de tóxicos, desajustes emocionais (ódio, raiva, inveja, ciúmes, preguiça, etc). Por estarem imantados ao nosso mundo material são agrupados por afinidade a determinados locais da espiritualidade. As nossas preces por eles ajudam a se libertarem dos fluidos materiais. São conduzidos por espíritos amigos às sessões mediúnicas onde são esclarecidos e confortados.

Os espíritos que já alcançaram determinados graus de superioridade se reúnem nas esferas superiores, onde reinam a paz, a harmonia e o trabalho.

"Nos planos imediatos à experiência física, os felizes estão sempre dispostos ao trabalho em favor dos infelizes, os mais fortes em benefício dos mais fracos, os bons em socorro dos desequilibrados e os mais sábios em apoio aos desorientados e ignorantes", conforme explica-nos André Luiz no livro "Cidade no Além".

"Para morrer bem é preciso viver bem", ensinava Confúcio. Para viver bem basta seguir o ensinamento de Jesus: "Amar a Deus e ao próximo como a si mesmo".
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matéria de Neuza Brienze
[email protected]
Centro Espírita Vicente de Paulo, CEVIP
Mirassol - SP
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Bibliografia:
"O Céu e o Inferno", Allan Kardec
"Espiritismo e Vida Eterna", Ariovaldo Caversan e Geziel Andrade
"O que nos Espera Depois da Morte", George Gonzalez
"Cidade no Além", Francisco Cândido Xavier e Heigorina Cunha, ditado pelos espíritos André Luiz e Lucius
"Evolução para o Terceiro Milênio", Carlos Toledo Rizzini.

Nota: Para você saber mais sobre a vida além da morte conheça a Doutrina Espírita. Além desses livros recomendamos, entre outros:
"O Livro dos Espíritos", Allan Kardec
"Nosso Lar", Francisco Cândido Xavier, ditado pelo espírito André Luiz
"Como vivem os Espíritos", Antonio Rodrigues
"Vida no Além", Francisco Cândido Xavier, mensagens de espíritos qu residiram em São José do Rio Preto - SP.

 

 

 

 

O UMBRAL

 

 

 

 

O que é??

 

É um lugar de transição, onde os espíritos que tiveram uma vida de excessos, não pautada nos deveres sagrados, vão morar durante algum tempo.

Este tempo é proporcional ao estado em que cada um se encontra ao desencarnar, pois o Umbral funciona como região destinada a esgotamento de resíduos mentais, uma espécie de zona purgatorial; é uma questão de afinidade vibracional, a partir do momento que o espírito estiver expurgado suas vibrações deletérias e possuir méritos, ela terá condições de adentrar um grau superior, de acordo com sua nova vibração.

Onde se localiza??

O campo magnético da Terra é dividido em sete esferas, cada uma dessas esferas compreendem outras.

A primeira é o umbral grosso - mais materializado com regiões purgatoriais mais dolorosas, não se tem muitas notícias.

A segunda esfera é o umbral ameno - o qual André Luis nos deu informações.

Terceira esfera, ainda faz parte do Umbral, pois ainda é de transição e abriga espíritos necessitados, é onde se localiza a cidade espiritual "Nosso Lar".

As esferas se apuram a medida que se afastam da Terra.

Como é??

André Luís nos descreve a região como um vasto domínio de sombras, pouca claridade solar, fumo cinzento cobrindo todo o céu, vegetação sinistra, onde os galhos das árvores são quase secos, "dando a impressão de braços erguidos em súplicas dolorosas". Filetes de água em que se caracteriza a lama. Os poucos animais que existem são feios, como as aves agoureiras " pequenos monstros alados espiando presas ocultas". Tais aves são úteis nesse lugar, pois tem a função de disseminar os pensamentos inferiores do ambiente, são seus alimentos. Há outros tipos de seres animalescos que são usados como escravos pela mente enfermiça das entidades Que governam tais lugares.

Por que é feio???

Na Terra, temos uma diversificação muito grande em relação ao grau evolutivo das pessoas:

de um lado temos Hitler, do outro um Chico Xavier.

No Umbral há somente mentes enfermiças e desequilibradas.

Não bastasse isso, é no Umbral que se estendem os fios invisíveis que ligam as mentes humanas entre si, ou seja, está repleta com as formas-pensamentos dos humanos que se afinam com as tendências dos desencarnados que lá estão.

Por isso a vibração de lá se faz tão pesada e inferior.

As roupas imundas, o lugar horrível, o estado perispiritual, tudo é uma fixação mental do estado em que os desencarnados se encontram, por isso o aspecto tenebroso.

São milhares de mentes enfermiças, desequilibradas, perturbadas, desesperadas, culpadas, etc, e tendo como princípio de que o pensamento tem vida própria, todos se envolvem com as vibrações um dos outros.

É como uma cadeia.

Existe governo???

Sim, há um governo.

A direção de tais cidades inferiores é concedida pelos Poderes Superiores a título precário por razões educativas.

As cidades são deploráveis:

casas feias e pessoas miseráveis, apenas os governadores possuem castelos como moradia,

carros (parecido com liteiras e carruagens) e escravos.

Esses governadores são espíritos intelectualmente inteligentes, mas sem nenhuma moral e que, geralmente, demoram muito tempo para reencarnar.

Volitação no Umbral???

Alguns espíritos inferiores têm poderes de volitação, esta faculdade depende da força mental armazenada pela inteligência.

Importa considerarmos que os vôos altíssimos da alma, só é possível quando a intelectualidade elevada se alia ao amor sublime.

Curiosidade

André Luís nos fala que milhares de criaturas, utilizadas nos serviços rudes da natureza,

que situam-se entre o raciocínio fragmentário do macacóide e a idéia simples do homem primitivo da floresta, movimentam-se no Umbral em posição infraterrestre.

Afeiçoam-se a personalidades encarnadas ou obedecem, cegamente, aos espíritos prepotentes que dominam nessas paisagens...

O contato com certos indivíduos, inclina-os ao bem ou ao mal.

A ignorância não lhes confere a glória da responsabilidade

Ajuda

Apesar de ser um lugar de sombras, funcionam inúmeros postos de socorro e variadas escolas, onde os padecentes e as personalidades torturadas são atendidas de acordo com as possibilidades de aproveitamento que demonstram.

Nada lhes falta quanto às exigências essenciais de socorro e de manutenção.

Como fazer para não ir pra lá??

Jesus nos indicou o caminho, que é a caridade para com o próximo:

"amai-vos uns aos outros".

O amor é o sentimento, a caridade é a ação.

São raros os que seguem esse caminho, afinal todos somos seres que vivemos milhares de anos no erro e no vício e agora é que "começamos a abrir os olhos", mas é preciso perseverança para nos reformarmos intimamente.

O Mestre nos deixou o recado:

"Aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo."..

Nunca nos esqueçamos de manter o respeito e compreensão com aqueles que estão onde nós já estivemos ou onde ainda poderemos voltar a estar - só depende de nós.

 

Bibliografia:

Nosso Lar - Chico Xavier

Os mensageiros -Chico Xavier

Libertação - Chico Xavier

No mundo maior - Chico Xavier

Cidades no além - Chico Xavier e Heigorina Cunha

Memórias de um suicida - Ivone P. Franco

 

 

 

Capítulo 12 Do Livro Nosso Lar

O Umbral

Ditado pelo Espírito André Luiz

 

 

 

       Após receber tão valiosas elucidações, aguçava-se-me o desejo de intensificar a aquisição de conhecimentos relativos a diversos problemas que a palavra de Lísias sugeria. As referências a espíritos do Umbral mordiam-me a curiosidade. A ausência de preparação religiosa, no mundo, dá motivo a dolorosas perturbações. Que seria o Umbral? Conhecia, apenas, a idéia do inferno e do purgatório, através dos sermões ouvidos nas cerimônias católico-romanas a que assistira, obedecendo a preceitos protocolares. Desse Umbral, porém, nunca tivera notícias.

Ao primeiro encontro com o generoso visitador, minhas perguntas não se fizeram esperar. Lísias ouviu-me, atencioso, e replicou:

- Ora, ora, pois você andou detido por lá tanto tempo e não conhece a região?

Recordei os sofrimentos passados, experimentando arrepios de horror.

- O Umbral - continuou ele, solícito - começa na crosta terrestre. É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos. Quando o espírito reencarna, promete cumprir o programa de serviços do Pai; entretanto, ao recapitular experiências no planeta, é muito difícil fazê-lo, para só procurar o que lhe satisfaça ao egoísmo. Assim é que mantidos são o mesmo ódio aos adversários e a mesma paixão pelos amigos. Mas, nem o ódio é justiça, nem a paixão é amor. Tudo o que excede, sem aproveitamento, prejudica a economia da vida. Pois bem: todas as multidões de desequilibrados permanecem nas regiões nevoentas, que se seguem aos fluidos carnais. O dever cumprido é uma porta que atravessamos no Infinito, rumo ao continente sagrado da união com o Senhor. É natural, portanto, que o homem esquivo à obrigação justa, tenha essa bênção indefinidamente adiada.

Notando-me a dificuldade para apreender todo o conteúdo do ensinamento, com vistas à minha quase total ignorância dos princípios espirituais, Lísias procurou tornar a lição mais clara:

- Imagine que cada um de nós, renascendo no planeta, somos portadores de um fato sujo, para lavar no tanque da vida humana. Essa roupa imunda é o corpo causal, tecido por nossas mãos, nas experiências anteriores. Compartilhando, de novo, as bênçãos da oportunidade terrestre, esquecemos, porém, o objetivo essencial, e, ao invés de nos purificarmos pelo esforço da lavagem, manchamo-nos ainda mais, contraindo novos laços e encarcerando-nos a nós mesmos em verdadeira escravidão. Ora, se ao voltarmos ao mundo procurávamos um meio de fugir à sujidade, pelo desacordo de nossa situação com o meio elevado, como regressar a esse mesmo ambiente luminoso, em piores condições? O Umbral funciona, portanto, como região destinada a esgotamento de resíduos mentais; uma espécie de zona purgatorial, onde se queima a prestações o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu por atacado, menosprezando o sublime ensejo de uma existência terrena.

A imagem não podia ser mais clara, mais convincente.

Não havia como disfarçar minha justa admiração. Compreendendo o efeito benéfico que me traziam aqueles esclarecimentos, Lísias continuou:

- O Umbral é região de profundo interesse para quem esteja na Terra.

Concentra-se, aí, tudo o que não tem finalidade para a vida superior. E note você que a Providência Divina agiu sabiamente, permitindo se criasse tal departamento em torno do planeta. Há legiões compactas de almas irresolutas e ignorantes, que não são suficientemente perversas para serem enviadas a colônias de reparação mais dolorosa, nem bastante nobres para serem conduzidas a planos de elevação. Representam fileiras de habitantes do Umbral, companheiros imediatos dos homens encarnados, separados deles apenas por leis vibratórias. Não é de estranhar, portanto, que semelhantes lugares se caracterizem por grandes perturbações. Lá vivem, agrupam-se, os revoltados de toda espécie. Formam, igualmente, núcleos invisíveis de notável poder, pela concentração das tendências e desejos gerais. Muita gente da Terra não recorda que se desespera quando o carteiro não vem, quando o comboio não aparece? Pois o Umbral está repleto de desesperados. Por não encontrarem o Senhor à disposição dos seus caprichos, após a morte do corpo físico, e, sentindo que a coroa da vida eterna é a glória intransferível dos que trabalham com o Pai, essas criaturas se revelam e demoram em mesquinhas edificações. "Nosso Lar" tem uma sociedade espiritual, mas esses núcleos possuem infelizes, malfeitores e vagabundos de várias categorias. É zona de verdugos e vítimas, de exploradores e explorados.

Valendo-me da pausa, que se fizera espontânea, exclamei, impressionado:

- Como explicar? Então não há por lá defesa, organização?

Sorriu o interlocutor, esclarecendo:

- Organização é atributo dos espíritos organizados. Que quer você? A zona inferior a que nos referimos é qual a casa onde não há pão: todos gritam e ninguém tem razão. O viajante distraído perde o comboio, o agricultor que não semeou não pode colher. Uma certeza, porém, posso dar-lhe:

- não obstante as sombras e angústias do Umbral, nunca faltou lá a proteção divina. Cada espírito lá permanece o tempo que se faça necessário.

Para isso, meu amigo, permitiu o Senhor se erigissem muitas colônias como esta, consagradas ao trabalho e ao socorro espiritual.

- Creio, então - observei -, que essa esfera se mistura quase com a esfera dos homens.

- Sim - confirmou o dedicado amigo -, e é nessa zona que se estendem os fios invisíveis que ligam as mentes humanas entre si O plano está repleto de desencarnados e de formas-pensamento dos encarnados, porque, em verdade, todo espírito, esteja onde estiver, é um núcleo irradiante de forças que criam, transformam ou destroem, exteriorizadas em vibrações que a ciência terrestre presentemente não pode compreender. Quem pensa, está fazendo alguma coisa alhures. E é pelo pensamento que os homens encontram no Umbral os companheiros que afinam com as tendências de cada um. Toda alma é um ímã poderoso. Há uma extensa humanidade invisível, que se segue à humanidade visível. As missões mais laboriosas do Ministério do Auxílio são constituídas por abnegados servidores, no Umbral, porque se a tarefa dos bombeiros nas grandes cidades terrenas é difícil, pelas labaredas e ondas de fumo que os defrontam, os missionários do Umbral encontram fluidos pesadíssimos emitidos, sem cessar, por milhares de mentes desequilibradas, na prática do mal, ou terrivelmente flageladas nos sofrimentos retificadores. É necessário muita coragem e muita renúncia para ajudar a quem nada compreende do auxílio que se lhe oferece. Interrompera-se Lísias. Sumamente impressionado, exclamei:

- Ah! como desejo trabalhar junto dessas legiões de infelizes, levando-lhes o pão espiritual do esclarecimento!

O enfermeiro amigo fixou-me bondosamente, e, depois de meditar em silêncio, por largos instantes, acentuou, ao despedir-se:

- Será que você se sente com o preparo indispensável a semelhante serviço?

"O Umbral começa na crosta terrestre. É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos."

Narra André Luiz: "Após receber tão valiosas elucidações, aguçava-se-me o desejo de intensificar a aquisição de conhecimentos relativos a diversos problemas que a palavra de Lísias sugeria. As referências a espíritos do Umbral mordiam-me a curiosidade. A ausência de preparação religiosa, no mundo, dá motivo a dolorosas perturbações. Que seria o Umbral? Conhecia, apenas, a idéia do inferno e do purgatório, através dos sermões ouvidos nas cerimônias católico-romanas a que assistira, obedecendo a preceitos protocolares. Desse Umbral, porém, nunca tivera notícias.
Ao primeiro encontro com o generoso visitador, minhas perguntas não se fizeram esperar. Lísias ouviu-me, atencioso, e replicou:
- Ora, ora, pois você andou detido por lá tanto tempo e não conhece a região?
Recordei os sofrimentos passados, experimentando arrepios de horror.
- O Umbral - continuou ele, solícito - começa na crosta terrestre. É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos. Quando o espírito reencarna, promete cumprir o programa de serviços do Pai; entretanto, ao recapitular experiências no planeta, é muito difícil fazê-lo, para só procurar o que lhe satisfaça ao egoísmo. Assim é que mantidos são o mesmo ódio aos adversários e a mesma paixão pelos amigos. Mas, nem o ódio é justiça, nem a paixão é amor. Tudo o que excede, sem aproveitamento, prejudica a economia da vida. Pois bem: todas as multidões de desequilibrados permanecem nas regiões nevoentas, que se seguem aos fluidos carnais. O dever cumprido é uma porta que atravessamos no Infinito, rumo ao continente sagrado da união com o Senhor. É natural, portanto, que o homem esquivo à obrigação justa, tenha
essa bênção indefinidamente adiada.
Notando-me a dificuldade para apreender todo o conteúdo do ensinamento, com vistas à minha quase total ignorância dos princípios espirituais, Lísias procurou tornar a lição mais clara:
- Imagine que cada um de nós, renascendo no planeta, somos portadores de um fato sujo, para lavar no tanque da vida humana. Essa roupa imunda é o corpo causal, tecido por nossas mãos, nas experiências anteriores. Compartilhando, de novo, as bênçãos da oportunidade terrestre, esquecemos, porém, o objetivo essencial, e, ao invés de nos purificarmos pelo esforço da lavagem, manchamo-nos ainda mais, contraindo novos laços e encarcerando-nos a nós mesmos em verdadeira escravidão. Ora, se ao voltarmos ao mundo procurávamos um meio de fugir à sujidade, pelo desacordo de nossa situação com o meio elevado, como regressar a esse mesmo ambiente luminoso, em piores condições? O Umbral funciona, portanto, como região destinada a esgotamento de resíduos mentais; uma espécie de zona purgatorial, onde se queima a prestações o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu por atacado, menosprezando o sublime ensejo de uma existência terrena.
A imagem não podia ser mais clara, mais convincente. Não havia como disfarçar minha justa admiração. Compreendendo o efeito benéfico que me traziam aqueles esclarecimentos, Lísias continuou:
- O Umbral é região de profundo interesse para quem esteja na Terra. Concentra-se, aí, tudo o que não tem finalidade para a vida superior. E note você que a Providência Divina agiu sabiamente, permitindo se criasse tal departamento em torno do planeta. Há legiões compactas de almas irresolutas e ignorantes, que não são suficientemente perversas para serem enviadas a colônias de reparação mais dolorosa, nem bastante nobres para serem conduzidas a planos de elevação. Representam fileiras de habitantes do Umbral, companheiros imediatos dos homens encarnados, separados deles apenas por leis vibratórias. Não é de estranhar, portanto, que semelhantes lugares se caracterizem por grandes perturbações. Lá vivem, agrupam-se, os revoltados de toda espécie. Formam, igualmente, núcleos invisíveis de notável poder, pela concentração das tendências e desejos
gerais. Muita gente da Terra não recorda que se desespera quando o carteiro não vem, quando o comboio não aparece? Pois o Umbral está repleto de desesperados. Por não encontrarem o Senhor à disposição dos seus caprichos, após a morte do corpo físico, e, sentindo que a coroa da vida eterna é a glória intransferível dos que trabalham com o Pai, essas criaturas se revelam e demoram em mesquinhas edificações. "Nosso Lar" tem uma
sociedade espiritual, mas esses núcleos possuem infelizes, malfeitores e vagabundos de várias categorias. É zona de verdugos e vítimas, de exploradores e explorados.
Valendo-me da pausa, que se fizera espontânea, exclamei, impressionado:
- Como explicar? Então não há por lá defesa, organização? 
Sorriu o interlocutor, esclarecendo:
- Organização é atributo dos espíritos organizados. Que quer você? A zona inferior a que nos referimos é qual a casa onde não há pão: todos gritam e ninguém tem razão. O viajante distraído perde o comboio, o agricultor que não semeou não pode colher. Uma certeza, porém, posso dar-lhe: - não obstante as sombras e angústias do Umbral, nunca faltou lá a proteção divina. Cada espírito lá permanece o tempo que se faça necessário. Para isso, meu amigo, permitiu o Senhor se erigissem muitas colônias como esta, consagradas ao trabalho e ao socorro espiritual.
- Creio, então - observei -, que essa esfera se mistura quase com a esfera dos homens.
- Sim - confirmou o dedicado amigo -, e é nessa zona que se estendem os fios invisíveis que ligam as mentes humanas entre si. O plano está repleto de desencarnados e de formas-pensamento dos encarnados, porque, em verdade, todo espírito, esteja onde estiver, é um núcleo irradiante de forças que criam, transformam ou destroem, exteriorizadas em vibrações que a ciência terrestre presentemente não pode compreender. Quem pensa, está
fazendo alguma coisa alhures. E é pelo pensamento que os homens encontram no Umbral os companheiros que afinam com as tendências de cada um. Toda alma é um ímã poderoso. Há uma extensa humanidade invisível, que se segue à humanidade visível. As missões mais laboriosas do Ministério do Auxílio são constituídas por abnegados servidores, no Umbral, porque se a tarefa dos bombeiros nas grandes cidades terrenas é difícil, pelas labaredas
e ondas de fumo que os defrontam, os missionários do Umbral encontram fluidos pesadíssimos emitidos, sem cessar, por milhares de mentes desequilibradas, na prática do mal, ou terrivelmente flageladas nos sofrimentos retificadores. É necessário muita coragem e muita renúncia para ajudar a quem nada compreende do auxílio que se lhe oferece.
Interrompera-se Lísias. Sumamente impressionado, exclamei:
- Ah! como desejo trabalhar junto dessas legiões de infelizes, levando-lhes o pão espiritual do esclarecimento!
O enfermeiro amigo fixou-me bondosamente, e, depois de meditar em silêncio, por largos instantes, acentuou, ao despedir-se:
- Será que você se sente com o preparo indispensável a semelhante serviço?"

(Nosso Lar, cap. 12, André Luiz/Chico Xavier, FEB)

 

 

 

OS KIUMBAS

 

Você já deve ter ouvido falar de Umbral.  Para que compreenda o tema deste capítulo, é preciso que você compreenda bem e entenda o que é Umbral.

Umbral é uma dimensão espiritual, uma faixa vibratória que existe acima e abaixo da superfície da Terra.   Esta faixa possui sete sub-faixas vibratórias acima da superfície e sete sub-faixas vibratórias abaixo da superfície.  A palavra Umbral já diz:  é ela uma passagem obrigatória para todos os que desencarnam.  Conforme a vida que a pessoa levou, ao desencarnar, ela acorda, é levada ou arrastada a uma das quatorze sub-faixas vibratórias umbralinas.  A sua permanência no Umbral tem por objetivo uma purificação antes dela realmente estar livre, completamente desperta, em Paz e Feliz no Mundo Espiritual.

Conforme a natureza da pessoa ou o tipo de vida que levou, ela pode aceitar logo a nova condição e assim a sua passagem pelo Umbral será rapidíssima. Pode também demorar para aceitar a nova condição e reequilibrar-se.  Estas pessoas permanecem mais tempo nesta faixa.  Conforme a aceitação e a vida que levou, ela pode descer ou já acordar nas faixas mais baixas, de acordo com a sua natureza.

A partir da quarta faixa descendente, superfície abaixo, começa o chamado Baixo Astral, ou o Reino dos KIUMBAS.   Nesta faixa vibratória, as vibrações são cada vez mais lentas e pesadas.

Ai estão presos aqueles que odiaram e odeiam a LUZ.  É o Reino da loucura, da indisciplina, do ódio, da dor, da vingança, do poder e da sexualidade desviada, existindo lá verdadeiros arremedos de cidades, pântanos, cavernas, escuridão e mau odor.  As criaturas que lá vivem são disformes, assumindo formas animalescas, próprias à sua natureza.  Forçados pela Lei ou hipnotizados por outras Entidades do mesmo tipo, vão se decompondo aos poucos, retrocedendo quanto à sua forma, até às formas de pedras e daí...  Todos os vícios e excessos existem.

Estes seres sentem-se como se o demônio o fossem e como demônios se mostram e se fazem passar.  Na última faixa vibratória descendente estão os Senhores da Face Tenebrosa ou os Magos Negros, que vivem das energias humanas negativas (ódio principalmente) e das energias dos espíritos que lá estão.  São mentes poderosas para o mal.  Essas Entidades não podem subir à superfície.

As outras todas, também não podem sair de lá por sua própria vontade, mas podem e são, todos os dias, puxadas de volta à superfície pelas nossas más vibrações e pela Lei de afinidade mental (os seres da última esfera não saem de lá, portanto não incorporam).  Estes seres, os Senhores da Face Tenebrosa, utilizam pessoas e Entidades do baixo astral, através da indução hipnótica à distância, para disseminar tudo o que há de pior sobre a superfície da Terra. Neste Reino, estão aqueles que, por remorso ou rebeldia, não aceitaram a justiça e as conseqüências dos seus atos, revoltaram-se contra DEUS e mergulharam nas trevas.

Muitos destes seres, atraídos à superfície, aprendem a vampirizar as pessoas para poder continuar por aqui, desfrutando e estimulando a todos aqueles que lhes derem campo através de vícios e loucuras dos quais participam ativamente.  Quando atraídos à aura de algum médium, pelas suas imperfeições morais, passam a atuá-lo e mistificar, fingindo ser qualquer Entidade boa ou má, DEUS ou Diabo, sugando energias, espalhando ódio e a destruição.  Quando conseguem infiltrar-se nos diferentes rituais, mistificam principalmente os EXÚS,  sempre pedindo sangue, esperma, animais, bebidas alcoólicas, drogas, etc.

Formam verdadeiras quadrilhas neste Reino da Anarquia e estão contidos nesta faixa vibratória pelo grande ORIXÁ OMULU e pelas Falanges de EXÚS comandadas por este ORIXÁ.  Neste mundo Umbralino, nestes Reinos do Baixo Astral, o Senhor EXÚ leva disciplina e socorro, mas também leva punição e rigor.  É neste Reino que os EXÚS travam verdadeiras guerras, matando na fonte, a intenção daqueles que pretendem destruir o Ser Humano e afastá-lo de DEUS.   EXÚ, nesta função, é o Portador da LUZ para as TREVAS.

É daí que vem o ódio mortal dos Quiumbas e dos Senhores da Face Tenebrosa contra a Hierarquia dos EXÚS.

Estes inimigos da LUZ usam pessoas encarnadas, que pertencem ao seu Reino, para a mistificação e para espalhar o ódio e o ridículo sobre o ORIXÁ EXÚ. (Na superfície da Terra, existem passagens vibratórias para estes Reinos do Baixo Astral. Estão localizadas em cemitérios, catacumbas, presídios, encruzilhadas das cidades, portas de igrejas e outros lugares).

Junte a tudo isso a indústria da macumba, a superstição humana, o interesse de religiosos ambiciosos, o interesse de maus filhos de fé, melhor dizendo sem fé, a ignorância e ambição humana e você pode entender porque o nome EXÚ e as suas Entidades são tratadas e consideradas como o Diabo.   Agora você conhece os causadores da confusão, mas ai deles, porque mais cedo ou mais tarde terão de passar pelas fronteiras vibratórias, e aí vão saber porque o SENHOR EXÚ É CHAMADO REI E SENHOR DA ENCRUZILHADA.

 

AVISO ( AOS MAUS INTENCIONADOS...) : Agora, filho de fé, você já conhece o risco. Já sabe o que, e a quem você pretende escravizar para os seus trabalhinhos egoístas.  Saiba que se você pensa assim, age ou quer agir assim, quando desencarnar, a este reino será arrastado e lá será escravizado até a hora do seu arrependimento real.  Isto porque, mesmo após todo o sofrimento no Baixo Astral, ainda terá que pagar na própria carne o mal que foi feito e compensar com bons atos àqueles que tiver prejudicado. Afaste-se, portanto, destas práticas e tendências.   Cultive Oração, Vigilância, Reforma Íntima, Caridade e Humildade para não atrair para o seu lado essas companhias terríveis, que mais cedo ou mais tarde destruirão o teu lar, a tua honra, a tua mente, o teu bolso e te levarão à ruína física e espiritual.

Saiba, filho de fé , que se no Baixo Astral estas entidades foram colocadas pela Misericórdia Divina, não foi para puni-las.  Estão lá, porque lá é o melhor para Elas.  Lá é o seu lugar natural, neste momento da sua evolução.  Não ficarão lá para sempre, assim como todos evoluirão, e ao seu tempo alcançaram a LUZ e a PAZ.  O Baixo Astral é realmente um lugar terrível do nosso ponto de vista.  Os que lá estão, de lá não podem sair por sua vontade, mas são atraídos até à superfície, pelas más paixões, pela baixas tendências humanas por rituais e invocações negras.

Portanto, filho de fé, não existe nenhum demônio tentador, criado por DEUS e com liberdade para combater a LUZ, porque a LUZ não pode ser combatida.  Teu real tentador é apenas a tua ignorância e tuas baixas tendências.  Tuas e não de outro ou por outro colocadas dentro de você.  Vamos deixar os Kiumbas em PAZ, corrigindo-nos.  Vibremos Amor a Eles.   Busquemos em DEUS o que nos falta.  Chega de Magia Negra e trabalhinhos egoístas.  Chega de exploração mútua.  Pelo teu comportamento, você escolhe as tuas companhias espirituais. Não culpe a DEUS nem às Entidades pêlos teus sofrimentos "e tentações".
Culpe somente a si mesmo, e às conseqüências dos teus atos nesta e em outras vidas.

 

 

  

 

Conto

O Jardim dos Encantados, o Umbral e o Grande Castelo -- 20/07/2002 - 00:42 (Abilio Terra Junior)

 

O Jardim dos Encantados, O Umbral e o Grande Castelo

Abilio Terra Junior

Ela fez aquela rosa com toda a sua alma. E então a colocou no Jardim dos Encantados. Eles, os assim chamados "encantados", por ali circulavam, inebriados, admirando aquelas maravilhosas flores, e como os arbustos eram recortados em formas originais, e de como o próprio traçado do jardim era magnífico, e de como tudo aquilo mudava de forma, as vezes, misteriosamente, de modo a manter a todos os participantes naquele estado inebriante, que perdurava sempre. E, de como, também, nenhum deles se imaginava jamais em condições de se aproximar sequer do Umbral. Sim, pois naquele estado de uma permanente felicidade, ou que, pelo menos, assim parecia a cada um deles, em seu estado emocional e mental, porque arriscar-se a enfrentar novos riscos, novos enfrentamentos?
No Umbral, enfrentariam o Terror, sob uma forma inconcebível, pois era um Terror apropriado a cada um que o enfrentava, particular e singular! E, depois, talvez, conseguiriam ingressar no grande Castelo. E aí, talvez aprendessem grandes lições, dependendo do desempenho de cada um. Mas, e se não estivessem preparados, sequer para encarar, frente a frente, o Terror do Umbral? E, se sucumbissem ali mesmo, ante o seu próprio pavor pessoal?
E, admitindo-se que conseguissem ultrapassá-lo, teriam condições, cada um deles, de passar por etapas e mais etapas, cada uma delas, a medida que avançavam, mais desafiadora que a anterior, lá no grande Castelo, tornando-se, assim lhes diziam, libertos das suas próprias incapacidades, medos, apegos, grilhões psíquicos, que os prendiam desde que existiam?
Eram imensos desafios! Poucos conseguiam ir adiante. E o jardim era tão lindo, tão atraente! E os perfumes, dos mais variados matizes, brotando de cada rosa, de cada botão, de cada flor! E as cores, das mais suaves às mais carregadas! Dava para se ficar admirando aquelas maravilhas por toda uma vida! Ou até por mais de uma vida, se fosse possível! E as árvores, desde as mais frágeis às mais portentosas, de todos os gêneros e espécies!
Aquele jardim era por demais encantador, para que fosse abandonado! Principalmente, para se correr grandes riscos, dos quais nunca se saberiam quais os verdadeiros resultados.
O que ouviam dizer, vinha daqueles mais experientes, que, volta e meia, por ali passavam, trazendo suas mensagens, e, depois, continuavam os seus caminhos, sempre desconhecidos para os participantes do jardim. Alguns deles assemelhavam-se a anjos, ou talvez deuses, ou deusas (como a que produzira aquela rosa), ou seres que haviam ultrapassado aquela condição meramente humana. Pois o seu olhar, que olhar! Penetrava as suas entranhas, as suas mentes, as suas almas, e parecia descobrir os seus mais recônditos segredos! E traziam uma luz! Uma luz que não era a de um ser humano comum! Era uma luz que havia sido transmutada inúmeras vezes, ao longo de tantas experiências, que lhes parecia, a eles, humanos, ou "encantados", inconcebível!
E mesmo eles, os "encantados", só por estarem naquele jardim, já demonstravam estar, pelo menos, alguns graus acima dos "outros seres humanos, comuns", que nunca sequer uma vez haviam cogitado, em suas vidas, da possibilidade de se alcançar um estado de consciência diferenciado, alguns diriam "alterado", alcançado através de leituras, estudos, meditações, voltados para algo mais do que o simples e banal conviver social, familiar e cotidiano, seguindo preconceitos, normas e padrões pré-estabelecidos por gerações e gerações, ao longo de um infindável tempo.

 

 

 

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