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"Deixa de tomar água; toma
um pouco de vinho para o bem de teu estômago e de tuas enfermidades". O
conselho foi dado por São Paulo aos seus seguidores. Consta que, no
Brasil, Alfredo Gudin, ex-ministro da fazenda e um dos mais respeitados
economistas, alcançou os 100 anos de idade só bebendo vinho – não tomava
água.
Há milhares de anos bebe-se
vinho, não apenas por prazer, mas também em reconhecimento às suas virtudes
medicinais. Centenas de estudos científicos atestam verdades científicas,
transmitidas de geração em geração.
O epidemiologista Curtis
Ellinson, da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston (EUA),
comprovou através de pesquisas que o hábito de beber vinho moderadamente, um
copo a cada refeição, dá uma proteção extra contra os ataques cardíacos.
Uma substância conhecida como
resveratrol, encontrada na casca das uvas e em maior quantidade nos vinhos
tintos, tem o efeito de diminuir as taxas do LDC, colesterol de baixa densidade,
um dos responsáveis pelas placas de gorduras que aderem às artérias,
obstruindo a passagem do sangue.
Pesquisadores da Universidade
de Davis, Califórnia (EUA), garantem que o resveratrol também provoca um
aumento de HDC, colesterol de alta densidade. O HDC é uma lipoproteína com
capacidade de se unir às gorduras, carregando-as para fora das paredes dos
vasos.
Essas pesquisas elucidaram um
enigma que sempre intrigou os médicos americanos: como os franceses, donos de
uma culinária rica em molhos à base de manteiga, queijos gordos e patês,
além de tudo fumantes e pouco adeptos às atividades físicas, conseguem ter
menos problemas cardíacos que os americanos?
Estudos realizados em duas
regiões francesas, Toulouse e Bordeaux, revelaram que as mortes por problemas
cardiovasculares têm um índice baixo, cerca de 78 para cada 100 mil pessoas,
contra 183 em 100 mil casos, nos Estados Unidos. Os pesquisadores concluíram
também que o vinho, tomado lentamente às refeições, tem função
anticoagulante, pois diminui a atividade das plaquetas, elementos do sangue que
entram na formação dos coágulos.
Foi comprovado igualmente que
certas substâncias como os taninos e os flavonóides, estes últimos presentes
nos pigmentos que dão cor à casca da uva, têm ação bactericida.
Mais uma: o vinho é um
antioxidante de primeira, combatendo os radicais livres, graças à quercitina,
substância encontrada nos vinhos tintos pelo pesquisador Terrance Leighton,
da Califórnia (EUA). Radicais livres são partículas de moléculas que possuem
elétrons solitários em suas órbitas, acusados como responsáveis pelo
processo de envelhecimento e mais uma série de problemas, como a
arteriosclerose e o câncer.
O espumante – considerado o
mais sublime dos vinhos – é um excelente aperitivo. Melhor do que uma dose de
uísque que tem quatro vezes mais teor alcoólico. "O álcool do espumante
aumenta a produção de sucos gástricos estimulando o apetite. E o gás
carbônico presente na bebida auxilia na digestão", ensina o
gastroenterologista Manuel Martins das Neves, professor da Escola
Paulista de Medicina.
LIMITES
– Mas atenção. Nenhum tipo de bebida é bom para quem tem úlceras ou
problemas no fígado ou pâncreas. Quanto maior o volume de álcool, maior a
lesão.
Uma pesquisa realizada com meio copo (100 ml) de
cada bebida constatou o seguinte: 34 gramas de etanol nos destilados como o
uísque, gim ou aguardente; 8 a 10 gramas nos vinhos e 4 gramas na cerveja.
(Revista SAÚDE)

Vinho combina com alegria e a boa música das regiões italianas de produção de uvas
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