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Varig sempre
Por Antônio Barañano / TeleNews Shopping Junho
de 2006
Quando comecei no jornalismo
pelas mãos de Arnaldo Gonçalves, (um escrivão de trânsito que era também jornalista) nos anos 70, como correspondente em
Bagé d’A Platéia de Livramento (fundada pelo comandante
Toscano Barboza), não havia o advento da Internet e os teletipos eram
coisas raras, luxo só das empresas noticiosas internacionais. Então minhas
notícias viajavam "Via Varig", no Avro que fazia a rota da
fronteira-oeste naquela época.
O que não era nenhuma novidade,
mas que dimensiona a importância dessa companhia, pois o correspondente da
revista Manchete, em Paris, também mandava suas notícias
"via Varig". Aliás, todos os jornalsitas nos quatro cantos do mundo
sempre contavam com a boa-vontade das equipes de terra e de ar da Varig para
transportar seus envelopes recheados de informações e fotos, gratuitamente. Em
retribuição tinha-se orgulho de fazer constar no início das notícias: "Buenos
Aires (via Varig)", por exemplo.
Como repórter do Jornal do
Comércio tive a honra e o privilégio de entrevistar a viúva do
fundador da Varig Otto Meyer, quando por sugestão do jornalista Renato
Brenol Andrade criamos a série Pioneiros do RGS. Essa série
mostrava o pioneirismo de homens de vanguarda que criaram impérios a partir do
nada, aqui dentro do Estado mesmo.
Então, eu lembro da epopéia dos
irmãos Kalil Sehbe que, em Caxias do Sul, montados em lombos de mulas
distribuíam as primeiras capas impermeáveis para chuva e frio produzidas pelo
que viria a ser depois o Grupo Kalil Sehbe. O Estaleiro Só, o
primeiro a fabricar navios em Porto Alegre; a família Adams que produziu
o primeiro sapato em Novo Hamburgo; a família Neugebauer que criou a
primeira fábrica de chocolate no Estado; Leopoldo Geyer da Casa
Masson, pai do crediário, instrumento que depois acabou copiado pelo
país inteiro. Vale ressaltar que o ICM recolhido pela Casa Masson por muitos
anos pagava, sozinho, a folha do funcionalismo estadual gaúcho.
Entre esses pioneiros eu
considerava de maior grandeza Otto Meyer porque criou uma companhia de aviação
quando nem aeroportos existiam por aqui e o avião era pouquíssimo conhecido
ainda. Então a sra Meyer me contara o que foram as dificuldades de seu marido
para "vender a idéia" de criar a Varig através de participações
acionárias. Os céticos apelidaram o que seria a futura sigla Varig ( Viação
Aérea Rio-Grandense) em Vários Alemães Roubando Inocentes
Gaúchos.
Meyer não deu ouvidos aos
descrentes e mal-intencionados e fundou a Varig "para servir" como
anunciou em seu discurso de inauguração em 1927. E, desde então, até hoje, a
Varig só tem feito servir.
De forma que se a imprensa
brasileira de modo geral deve muito a essa grande companhia a população
também. Pois entre inúmeros serviços prestados de forma anônima e gratuita
está o transporte de medicamentos raros e caríssimos que só existem no
exterior para determinadas doenças. Nesses casos a Varig sempre transportou
graciosamente os remédios para pacientes fossem eles de que nível
sócio-econômico fossem. Ainda, a pedido do governo atual a Varig passou a
atender linhas deficitárias na África onde as ditas aviações comerciais não
querem nem chegar perto simplesmente porque não obtêm lucro.
Então, a Varig não pode ser
vista como uma mera empresa comercial porque não é. Um país de dimensões
continentais, como o Brasil, necessita de uma companhia com o perfil da Varig.
Também, não se pode esquecer que ao longo das últimas décadas a Varig foi
prejudicada com o congelamento de preços, sofreu concorrência predatória e
desleal que foi lhe tirando mercado aos poucos.
Quem vê a equipe da loja
recém-inaugurada aqui no Bourbon Shopping Country trabalhando,
acredita que a Varig tem potencial humano com garra suficiente para sair das
dificuldades em que se encontra. Depois de três anos operando com um quiosque,
a Varig agora ocupa uma confortável loja no 2º piso onde são atendidas mais
de 300 pessoas por dia.
Essa nova unidade substitui a loja do centro, na
Praça da Alfândega, aonde os clientes não queriam mais ir devido à falta de
estacionamento e por insegurança. A transferência também possibilitou a
dilatação do horário de atendimento. "Se a loja central tinha de fechar
suas portas às 18 h, aqui no Bourbon Country vamos até às 22 h, embora outra
noite tenhamos passado das 23 h atendendo", diz a gerente Elenita Dairot
Gonçalves, com 27 anos de Varig.
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