A
finalidade é uma só. Por
sinal, a mesma que norteia a arquitetura: "Obter ambientes
bonitos,
funcionais e agradáveis ao homem", diz o experiente
arquiteto. "Quem
não sonha em morar numa casa?", pergunta ele para
justificar os motivos
pelos quais as lojas Zaffari ostentam uma simulação de telhado.
"É para
lembrarmos ao consumidor que o supermercado é a extensão da
casa dele".
No
caso dos Bourbon, a tarefa
não é fácil porque cada unidade tem um projeto único, nenhum é
igual ao
outro. É neles que Monserrat desenvolve toda a sua criatividade,
abusa das
formas e dos volumes. "É claro que não decido tudo
sozinho, há também
as opiniões dos empreendedores, mas os choques de interesses
são poucos.
Lembra das agradáveis reuniões
com a diretoria da Cia Zaffari para discutir os projetos. "São
tantos anos
de convivência que já nos entendemos só pelo olhar, quando
alguma coisa não
é aceita ou é aprovada com muito entusiasmo".
Assim, ele não encontrou
objeções quando decidiu "plantar árvores no céu".
Sim, porque ao
todo são seis árvores robustas que foram transplantadas,
transportadas por
guindastes e que ornamentam o último andar do Bourbon
Shopping Country. Vistas
do chão parecem miniaturas. "As árvores no céu são uma
homenagem que eu
quis prestar à natureza", diz Monserrat.
Monserrat plantou "árvores no
céu"
O
Bourbon Country hoje figura
entre os shoppings mais bonitos de Porto Alegre. Aconteceu
inclusive um fato
pitoresco. Por engano, o ator José Lewgoy foi levado por
um taxista ao Bourbon
Country quando na verdade o seu destino deveria ser o Bourbon
Shopping Ipiranga.
O
grande ator brasileiro (já
falecido) por um momento esqueceu a homenagem de que seria
alvo no Cinemark do
Bourbon Ipiranga, para cuja cerimônia já estava atrasado, e
postou-se à admirar a arquitetura do Bourbon Country.
"Porto Alegre ainda é muito provinciana para ter um
shopping desta
categoria...", repetiu por duas ou três vezes a
frase.
Entrada principal do Bourbon Shopping
Country num entardecer de sábado
A
gestação do Bourbon Shopping
Country foi a mais complexa de todas. "Levamos de quatro
a cinco anos
estudando o projeto". Cada detalhe tem uma história, revela
Monserrat. Ele
queria um elemento mais natural e se decidiu pela água. A opção
inicial foi
por uma queda d'água na rampa, mas de todos os estudos
nenhum o satisfez.
Os
empreendedores, por sua vez,
queriam algo que simbolizasse as suas origens e a dos próprios
visitantes, pois
não há porto-alegrense que não seja vindo ou não tenha
familiares no interior.
"Criamos o moinho, a roda d'água, que casava com a
filosofia Zaffari".
Vista frontal do Bourbon Shopping Ipiranga,
em Porto Alegre
Sérgio Monserrat se aproxima dos
46 anos de profissão. Formado em 1963 pela Universidade
Federal do Rio Grande
do Sul é autor de uma série de prédios que se destacam na
paisagem urbana de
Porto Alegre. É impossível passar indiferente diante do prédio da
sede da Farsul, da sede da Car House/Toyota, do Saoex Center
ou do Via Réggio
(edifício residencial em forma de Cilindro) na Félix da
Cunha.
Como bom descendente de
espanhóis da Catalunha é um inconformado. Lamenta que a
burocracia ainda seja
o grande gargalo para aprovação de projetos na Prefeitura.
"Leva-se muito
tempo - meses - para se obter a licença para construir".
Também clama por
uma melhoria no ensino. "Chegam arquitetos aqui recém
formados que não
sabem a fórmula para se construir o degrau de
escada".
De
positivo considera a venda de
índices de construção uma solução para se corrigir, adaptar
projetos e
colaborar com a cidade.
Assim é Monserrat, o arquiteto
dos Bourbon Shoppings.