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NAS ESTRADAS DO AINDA NÃO

Os poemas que não fiz
eu posso fazer ainda.
Das rezas que não rezei,
farei a reza mais linda.
Pouco importa o que passou
se pela estrada que eu vou
há gente caída além,
chorando um pranto sem fim.
esperando talvez por mim,
ou que eu caia ali também.

As flores que não plantei
serão plantadas ainda
para que outros vejam flores
nesta caminhada infinda.
O sorriso reprimido
'inda pode ser sorrido.
Mas os prantos que caíram
não quero que caiam mais,
sepultei-os no jamais
co'as dores que já partiram.

A ofensa que me lançaram
'inda posso perdoar,
em cada perdão que dou
sinto a vida começar,
vejo o mundo renascer,
canto a glória de viver.
Títulos que não me deram.
agora não quero mais,
honrarias são finais
de causas que se perderam.

Se os pecados que pequei
não me afastaram de Deus.
e porque só neste agora
começa a estrada dos Céus.
Se só em Cristo encontrarei
os sonhos que não sonhei.
p'ra que cantar sonhos idos,
cantigas que se acabaram
tronos que já tombaram
entre cinzas e gemidos

Nesta estrada do futuro
inda existe muita flor,
basta que seja medida
pela medida do AMOR,
nela não existe espaço,
nem das horas o compasso,
é asfaltada com perdão,
palmilhada por obreiros
que construam seus canteiros
nos jardins da doação.


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