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MEU SONHO DE GLÓRIA

Eu não quero a glória do poder,
nem louvações que não mereço;
o poder corrompe,
as louvações obscurecem a visão.

Eu não quero a coroa da vitória,
nem o travo amargo da derrota;
a vitória embriaga,
a derrota aniquila.

Eu não quero a opulência do ouro,
nem o azorrague da miséria;
o ouro sufoca a ternura,
a miséria não a deixa nascer.

Eu não quero a volúpia dos carnavais,
nem a pureza dos claustros antigos;
a volúpia atrofia o amor,
a pureza o aborta.

Eu não quero o riso fácil dos bajuladores,
nem o ferrão dorido dos críticos;
a bajulação conspurca,
a crítica destrói.

Eu quero:
a glória de viver,
a vitória sobre mim mesmo,
o ouro do carinho sem paga,
o amor que não me pede nada,
o elogio de um sorriso,
um olhar de ternura,
a esmola de um afago,
a palavra do amigo,
o direito de perdoar,
a flor que se abre
à avidez do meu olhar,
crianças a brincar,
a sorrir,
a cantar,
passarinhos
embalando
minhas auroras,
seres humanos
nos meus sonhos,
a glória de um ideal
e afagá-lo
para além da
ETERNIDADE

 

 

 

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