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A MORTE DA
CRIANÇA
Criança travessa de pele curtida,
correndo, brincando, na estrada da vida,
foi morta sorrindo ao sol da manhã,
roupinha surrada, rasgada, puída,
o braço buscando a pipa caída
bem perto do corpo de alma louçã.
No meio da estrada coberta de morte,
estrada da vida, estrada sem sorte,
caída a criança parece brincar,
filete de sangue, cabeça partida,
de sangue correndo na terra perdida
da estrada maldita que sabe matar.
Perninhas dobradas sujinhas de lama,
criança dormindo no meio da cama,
da cama da estrada de sorte malvada,
três velas acesas, por quem? ninguém viu,
são pingos da vida que há pouco partiu
deixando soluços na margem da estrada.
Um carro feroz matou a criança
correndo feliz, deixando a lembrança
de pipas caindo no meio da estrada.
O carro fugiu, criança ficou
morrendo, sorrindo, tal como tombou
mãozinha estendida na pipa rasgada.
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