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A
HONRA POR DEZ CENTAVOS
(5º dia do meu cárcere)
Vou
vender
minha honra
toda inteirinha.
Isto
é...
se achar
comprador.
Para
que eu quero
honra?
O
homem
não vale
o dinheiro
que tem?
Sua
honra,
sua cultura,
o cabedal
de verdades
que carrega
dentro de si,
valem
alguma coisa?
Não
basta
ter dinheiro,
e saber,
no momento
exato,
ficar
sobre o muro,
para se atirar
aos pés
do vencedor?
Por isso,
resolvi
vender
minha honra.
Não
agora.
Na hora
da morte.
Vou
cobrar
dez centavos,
apenas.
Dez
centavos
de GRATIDÃO
e nada mais
E ela
ficará
para
os meus
filhos,
se eles
a comprarem,
como único
legado de um pai
que soube lutar,
sem rastejar,
nem mesmo
quando
vencido.
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