Emissoras reclamam da indefinição na escolha do padrão de TV digital 

Fonte: Projeto Brasil 

Em um mundo dominado pela tecnologia digital, a TV aberta se mantém analógica. Enquanto não se define qual o padrão de TV digital vai ser implantado no Brasil, outras mídias seguem em ritmo acelerado de evolução. 
Empresas de telecomunicações fixas e celulares e operadoras de cabo e satélite já oferecem diversos serviços a seus assinantes em função da digitalização, como banda larga, conteúdo multimídia sob demanda, interatividade, disponibilidade de conteúdos e formatos, etc. 
Com isso, as emissoras de TV aberta consideram que estão perdendo competitividade frente a outras mídias, devido à limitação tecnológica para oferecer novos serviços. Além de qualidade superior de imagem e som, a TV digital possibilita a oferta de serviços interativos, portabilidade, mobilidade e transmissão de vários programas em um só canal

Preocupação com a migração dos anunciantes

A grande preocupação do setor é com a perda da audiência de espectadores com maior poder aquisitivo, especialmente para a TV paga e para a Internet, pois isso sinaliza também para uma migração dos anunciantes para essas outras mídias. 
O diretor de Tecnologia da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão), Olímpio José Franco, diz que a TV analógica convencional já não atrai as audiências mais jovens, que navegam pela Internet e pelos celulares com muito mais agilidade e resultados para seus anseios. É por isso que os canais abertos têm pressa na implantação da TV digital no país.

Críticas ao padrão brasileiro

Em 2003, o Ministério das Comunicações sinalizou para a possibilidade de se desenvolver um padrão brasileiro próprio, com a justificativa de que a TV digital deveria se adequar à realidade do país. Hoje, 79 centros de pesquisas estão envolvidos no estudo do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), instituído por decreto em novembro de 2003. 
A iniciativa não foi bem vista pelas emissoras. O diretor de tecnologia do SBT, Roberto Franco, diz que nenhum padrão de TV digital no mundo foi desenvolvido com menos de US$ 500 milhões e de cinco anos. No Brasil, os recursos destinados para as pesquisas são de R$ 65 milhões e, a partir de março de 2005, as universidades terão um prazo de 10 meses para apresentar resultados.
Além da necessidade de investimentos elevados, as emissoras dizem que um padrão brasileiro geraria problemas como indisponibilidade de componentes, incompatibilidade com soluções internacionais, atraso e isolamento tecnológico. 
As emissoras também reclamam que sua participação no processo de implantação da TV digital no Brasil vem sendo muito pouco representativa. 
O diretor de Engenharia da TV Globo, Fernando Bittencourt, diz que há 10 anos as emissoras de TV, reunidas na SET e na ABERT (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), vêm estudando a tecnologia de TV digital, e que agora não estão sendo chamadas para participar efetivamente dos debates e trabalhos. A SET e a ABERT fazem parte apenas do Conselho Consultivo do SBTVD.

Testes já realizados

O grupo SET/ABERT realizou, entre 1999 e 2000, testes com os três padrões de TV digital existentes no mundo atualmente: o americano Advanced Television System Committee (ATSC), o europeu Digital Video Broadcasting (DVB) e o japonês Integrated Services Digital Broadcasting (ISDB). 
Os testes foram realizados na Universidade Mackenzie e, na ocasião, o padrão japonês foi o que apresentou a melhor performance tecnológica e robustez para oferecer serviços como TV de alta definição, TV móvel, TV portátil e interatividade.

Oportunidades na camada de software

De acordo com as emissoras, o grande potencial da indústria nacional está no desenvolvimento de softwares e novas aplicações para a TV digital, e que esse deveria ser o foco do país, em vez de buscar competição com padrões já consolidados internacionalmente. 
Existe a possibilidade de desenvolvimento próprio na camada do middleware, que equivale ao sistema operacional do computador, mas ele teria que ser compatível com os padrões internacionais, tanto no nível do midlleware quanto no do hardware. E ainda assim haveria risco de atraso tecnológico.
A razão dessa preocupação é simples: uma solução compatível e não-excludente facilita a exportação das aplicações desenvolvidas aqui para os grandes mercados internacionais.

Márcia Becker

Hosted by www.Geocities.ws

1