|
|
Uma das questões cruciais ao se estudar o tarô é o conhecimento de
seu
simbolismo. Para tanto é importante compreender bem o que seja um símbolo,
muitas vezes confundido com sinal.
Segundo Jung,
símbolo é a melhor maneira (ou a única) de expressar algo desconhecido,
inédito e que de outra forma não poderia ser expresso. Deve ser composto
por imagens simples, primitivas ou aceitas universalmente, de modo que
abarque grande número de pessoas, de diferentes raças e regiões, sendo
portanto uma produção do gênero humano, do HOMEM, e não apenas da
cultura local. Pode conter em si opostos e, assim como o inconsciente, ser
atemporal
Assim, uma placa
de trânsito proibindo o estacionamento de um veículo NÃO é um
símbolo, pois expressa algo conhecido e que poderia ser expresso de
várias outras formas, como a escrita, por exemplo. A placa é um SINAL,
tipo de comunicação visual aceita por um grupo de pessoas por meio de
uma convenção, muito embora esta convenção possa não ser aceita em
outros locais.
Porém, quando
uma pessoa sonha, digamos, com algum animal grande e ameaçador (como um
dragão ou algo parecido), não importa de onde ela venha ou acredite,
aquela imagem certamente será assustadora, transmitindo a mensagem de
perigo e urgência. Mesmo que outra pessoa sonhe com um destes animais,
podemos considerá-los como algo único em sua essência, ou seja, o
sentimento de ameaça, perigo e de situação desconhecida. A isto
podemos chamar SÍMBOLO, a esta noção de que apenas aquela imagem
poderia expressar acertadamente a sensação experimentada pela pessoa.
|
O
Enforcado - Tarô Thot

Ou
ainda, quando alguém delimita um círculo ao redor de algo, seja uma roda
de pessoas, um desenho em torno de algo, logo entendemos se tratar da
idéia de proteção ou isolamento, de separação entre o que está
dentro e fora. Também esta idéia suscitada pelo círculo (não o desenho
em si, que é um sinal, mas a situação de proteção proporcionada por
ele) é um símbolo, pois qualquer um imediatamente apreende seu
significado.
Ainda segundo
Jung, um símbolo pode ser vivo ou morto. Símbolo vivo é aquele que, por
sua presença, cause esta certeza de coisa única, representante do
desconhecido, que se fez presente pela única forma possível, ou seja, o
próprio símbolo. Já símbolo morto é o símbolo que, por questões
diversas, como o tempo ou evolução de uma sociedade, deixaram de ser a
única ou melhor forma de expressarem uma idéia, embora continuem
servindo como apôio para a construção de idéias.
Assim, a Cruz do
Cristo, que no início do Cristianismo era símbolo de toda a experiência
vivida pelos seguidores de Jesus, com a compreensão do mistério da
personificação de Deus, hoje, para muitos é apenas um sinal, que lembra
a igreja, o cemitério, ou mesmo um enfeite numa correntinha.
segue
® |