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Artigos:

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Matérias Jornal Dança Brasil:

dezembro/2004 - janeiro/2005> - fevereiro/2005 - março/2005 - <abril/2005 - maio/2005

 

Artigo setembro/2005

“GRANDES NOMES E ESTILOS”

Nesta edição, vamos saborear: Peg Leg Bates, Sammy Davis Jr., Savion Glover e, Eleonor Powell...

“Peg Leg”- Aos 12 anos de idade trabalhava numa colheita de algodão com seu tio e, num acidente, perdeu uma de suas pernas.

Mas isso, não fez com que ele deixasse de dançar.Com incentivo do próprio tio, colocou uma perna de pau...

A partir daí conquistou carisma e simpatia do público. Somado ao seu talento, era dono de uma expressão única, onde nenhum sapateador conseguia “imitar” seus sons e ritmos.

Foi e é um grande exemplo de perseverança e determinação.

“Sammy Davis Jr.”- Bailarino, ator e cantor, teve que vencer barreiras sociais, pois foi o segundo negro a entrar na Broadway.

Fazia shows desde menino e, atuou em diversos filmes e musicais.

Seus estilos de sapatear passaram pelo Rhythm Tap, Flash e Soft Shoe.

“Savion Glover”- Seu estilo é o Power Tap.

É o melhor par de pés que já existiu no sapateado.

Montou o espetáculo “Bring in the funk, bring in the noise”, pioneiro na Broadway, pois nunca havia existido um show só de sapateado.

Criou ainda a “University of Tap” em Nova York para jovens negros que quisessem participar do espetáculo.

“Eleanor Powell”- Sem dúvida a melhor e maior sapateadora dos anos 30.

Era sapateadora clássica, bailarina e atriz. Muito bela e dotada de um talento ímpar, se tornou muito conhecida por seus giros, precisão, ritmo, elegância e graça.

Estrelou em filmes com grandes sapateadores e , em performances solo.

Um abraço,

Paula Bono.

Frase do Mês:

“O homem vale pelo que carrega dentro de si.”

(Ocaj)

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Artigo agosto/2005

“DANCE”

Vista uma roupa confortável, vá pro seu canto preferido da casa, coloque uma música que mexe com você e, deixe o som entrar pelo ouvido, se espalhar na pele e invadir seus músculos. Pronto!! Você está prestes a dançar...

Agora só falta traduzir essas ondas de emoção em movimento para experimentar a atividade mais deliciosa e completa que seu corpo e sua cabeça poderiam desejar.

A dança vai muito mais além de uma seqüência de passos num determinado ritmo. É a arte que liga o corpo à alma e, desde a antiguidade, é a expressão maior da alegria coletiva. As danças folclóricas que sobrevivem aos séculos, contam a história e transmitem a cultura dos povos. Em muitos lugares do mundo, a dança é um cartão postal, quase uma bandeira.

Há poucas sensações mais agradáveis do que a leveza interior que você sente ao final de uma aula de dança. A mente fica absolutamente tranqüila como se preocupação nenhuma do mundo pudesse lhe derrubar, por exemplo, tendem a ser mais soltas e confiantes quando aprendem a dançar. E aí, com uma música de fundo fica muito mais fácil de se abrir para novas amizades.

Até o seu desempenho profissional pode melhorar. Você pode ganhar fôlego agilidade, ritmo, flexibilidade, sensualidade e mandar as tensões embora.

Além de tudo isso a dança também é uma ginástica. Para ficar melhor ainda, converse com seus amigos e arrume “cúmplices”.

Contudo, antes de começar, procure uma orientação profissional, na área e na modalidade que você deseja, pois, senão, o prazer pode virar luxação, torção, etc.

Agora é só escolher seu estilo e deixar a mágica acontecer...deixar a alma manipular os movimentos do seu corpo.

Se preferir o sapateado, saiba que aquele som que você vai tirar com seus pés é acima de tudo sinônimo de saúde que faz um bem enorme ao seu sistema cardiovascular e motor. As coreografias exigem capacidade de raciocínio, o que acaba transformando você em uma pessoa rápida e ágil.

Portanto, vá dançar!

Um abraço!

Paula Bono!

Frase do mês:

“Não se preocupe em entender. A vida ultrapassa todo o entendimento”

(Clarisse Lispector)

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Artigo julho/2005

“GRANDES NOMES E ESTILOS”

Hoje vamos degustar 2 nomes imortais do sapateado: Bill Bojangles Robinson e Fred Astaire...

“Bojangles”- A partir de 1910 revolucionou o sapateado americano, pois, até então, os sapateadores só sapateavam com o pé inteiro no chão e ele, foi o primeiro a “levantar” o tap na meia ponta.

Foi para Nova York em 1898, mas os críticos de dança só o descobriram em 1929.

Sua marca registrada foi um número de sapateado com escadas e, já tinha 50 anos. Foi o primeiro negro a conquistar um papel principal na Broadway.

Faz parte da história do cinema, porque em 1932, formou um casal com a pequena Shirley Temple de apenas 6 anos de idade.

Devido às leis da época, não era permitido que nenhum negro dançasse com um branco, a não ser se fosse uma criança e, por isso, Bojangles não dançou com mais ninguém no cinema.

Era genial e carismático.Trouxe a leveza, clareza dos sons e ritmos ainda desconhecidos.

Por sua grande contribuição ao sapateado, dia 25 de maio (data do seu aniversário) é comemorado o “DIA INTERNACIONAL DO SAPATEADO”.A data foi oficializada pelo congresso americano e assim, Bojangles é referência mundial para os sapateadores.

 “Astaire”- Um caçador de talentos que o submeteu a um teste, afirmou:” Ele não sabe representar, não sabe cantar...É meio careca, dança um pouco...”

Esse erro primário de avaliação não impediu que Astaire se tornasse uma lenda dos anos dourados do cinema Hollywoodiano e, que fosse contribuir e revolucionar de forma significativa, a própria concepção dos musicais.

Hoje é redundante afirmar que ele foi o maior dançarino do cinema e, seu nome está associado à elegância, longevidade e magnetismo.

Perfeccionista ao extremo, suas coreografias jamais eram repetidas num mesmo filme, por isso, usava muitos elementos na dança: o teto de um quarto, baquetas de bateria, cadeira, cabideiro, bengala e, sempre com seu inconfundível porte de gentleman.

Um abraço,

Paula Bono.

Frase do Mês :

“Viver é plural.”

(Guimarães Rosa)

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Artigo Junho/2005

“A ESCOLHA MUSICAL”

Raramente, muitos professores e alunos não usam música jazz em suas aulas de sapateado.Pode ser por falta de conhecimento, de intimidade com o gênero ou, apenas por deduzirem que “jazz” é do passado, está fora de moda...

Mas, com certeza, o jazz é na verdade mais atual do que nunca, mais moderno, mais rico e, mais interessante que muitas músicas ouvidas por aí.

O jazz casa esplendidamente com o sapateado.Ele representa a tradição e, nesse sentido, é fundamental para qualquer estudo do sapateado.

Não acredito que seja necessário repetir sempre as mesmas fórmulas do passado,mas não tenho dúvidas de que a modernidade está intimamente ligada à tradição.

O percussionista Naná Vasconcelos diz:

“Tradição é a mãe eterna de tudo que a gente pense e até, se convence estar fazendo de novo em música.Moderno é só o nome de um dos filhos da tradição.”

Para ousar, inovar, se contemporaneizar,é necessário primeiro o estudo do tradicional.

Experimente estudar, crie uma estrutura musical sólida,com fundamentos e aí, voe, ouse em sua originalidade e afinidades musicais.

Desde que nasceu, no início do século, o jazz evolui muito e desenvolveu-se em estilos distintos. Para a finalidade do sapateado, alguns estilos são mais recomendados (como estudo, pelo menos...): Dixieland,Ragtime, Stride Piano, Boogie-Woogie, Swing,Mainstrean,Rhythm and Blues, Funk, Jive,Latin-Jazz....

A música é a alma do sapateado.Estude e divirta-se!!

Um abraço,

Paula Bono.

Frase do mês:

“Cada qual sabe amar a seu modo, o modo pouco importa: o essencial é que saiba amar.

”(Machado de Assis)

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Entre dezembro de 2004 e maio de 2005 escrevi mensalmente uma coluna sobre o sapateado no Brasil e no mundo no Jornal Dança Brasil.

Edição de maio/2005

“GRANDES NOMES E ESTILOS”

 

No dia 25 de maio comemora-se o "DIA INTERNACIONAL DO SAPATEADO"...Parabéns a todos os sapateadores do Brasil e do Mundo.

Em comemoração, vamos lembrar de GENE KELLY, CHARLES "HONI" COLES e, JONH BUBBLES.Divirtam-se...

 

GENE KELLY - Com estilo clássico, era bailarino, ator,cantor, acrobata e produtor.

Participou de muitos filmes como sapateador e coreógrafo.Foi inovador em suas cenas e, sempre dispensava os dublês.Dançou com grandes nomes como FRED ASTAIRE, THE NICOLAS BROTHERS, DONALD O´CONNOR, além de desenhos animados.

Gravou o incrível filme "That´s Dancing".

Mas, sem dúvida, ninguém esquecerá da cena em que ele dança sob a chuva,no filme imortal "Singin in the Rain".

 

"HONI" COLA - Era um sapateador muito querido pelos seus parceiros e, tinha um estilo único de sapatear.

O parceiro mais famoso que ele teve foi "Cholly Atkins" que, junto com "Honi" fez muito sucesso.

Coles passava muito tempo no "The Hoofer´s Club" e, conquistou muito reconhecimento lá dentro.Foi muito versátil em seus estilos.Introduziu novos ritmos nos pés e influenciou a era do Bee Bop.

 

JONH BUBLLES - Possuía a técnica do Rhythm Tap.Mais difícil, mais elaborado. Construiu sua carreira em Vandeville.

Buck era seu pianista e seu parceiro, fizeram um duo em cima do piano.

Abriu as portas para o jazz-tap moderno e, percussão.

Ele é inventor do "cramp rool" e, contribuiu com sons para o Bee Bop.

  

Um Abraço,

Paula Bono

 

FRASE DO MÊS: 

"Um amigo é aquele que gosta de ti, 

 apesar dos teus sucessos."(Elbert Hubbard)

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Edição de abril/2005

“UM COMENTÁRIO TÉCNICO”

 

Para adquirir a técnica, fazendo com que o sapateado não se torne uma simples seqüência de passos e ruídos, é necessário pensar no global- é o “dance” do TAP DANCE.

O corpo deve relaxar...

Pense somente no som e cante-o na cabeça: isso ajudará você tirar a própria atenção dos pés e, relaxar,dançar...

Quanto mais você souber usar seu corpo, cada parte dele, mais espontânea sua dança se tornará.Para isso, é importante a conscientização da postura e saber usufruí-la adequadamente. . Existe uma diferença capilar entre uma postura relaxada de um sapateador e, a ausência dela.

Outros aspectos devem ser abordados: a agilidade, a intensidade do som e a velocidade.

Para ter agilidade, a fórmula é a repetição. Trabalhe sua combinação passo a passo, repita várias vezes e, aumente gradativamente a velocidade.

A intensidade do som pode ser variada dentro de uma mesma coreografia, havendo quebras e mudanças rítmicas e, da própria intensidade.É a qualidade do som.

Por último, é muito importante o sapateador ter consciência da diferença entre velocidade e força.Cuidado, pois na maioria das vezes, quando se exige maior velocidade, a tendência do sapateador é de bater os pés com mais força no chão.

Pratique e estude...

Seja o “DANCE”, sem jamais perder a técnica do “TAP DANCE”.

 

Um abraço, Paula Bono

 

Frase do mês:

“Apaixone-se pela dança da vida, que está sempre em movimento dentro da gente, mas que por defesas nós teimamos em algemar.” (autor desconhecido)

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Edição de março/2005

"Estilo"

O sapateado é dança...

E dança, implica primeiramente o corpo como um todo, incluindo braços e não só os pés.

Qualquer que seja a classificação estilística (hoofer, clássico, etc.), nenhum sapateador jamais empolgou uma platéia com uma mera demonstração técnica, imóvel, ausente de carisma.

Estilo é tudo que é espontâneo, que surge naturalmente ao sapateador, sem preocupar-se com a intenção.

É a peculiaridade demonstrada por cada um. É o "eu" particular falado através dos pés.

O sapateado é música...

Ele se "encaixa" dentro da música e não, simplesmente "na" música. Forte ênfase é dada à musicalidade, aos contrastes dinâmicos e à coloração dos sons.

Há que se ressaltar que o estilo coreográfico vem complementando os estilos rítmicos e do sapateador. Por exemplo, não há compatibilidade se usarmos um mambo (estilo rítmico) numa coreografia, executando um clássico (estilo técnico).

O tap clássico é mais dançado com o corpo, utilizando os braços e técnicas do ballet. As batidas são menos complexas e faz-se o uso de combinações tradicionais. Já no tap rítmico (rhythm tap), as batidas são mais rápidas e complexas. O corpo fica mais a vontade, no estilo próprio de cada um e, devido à velocidade, ás vezes, não permite maiores movimentos. É... Por isso, SAMMY DAVIS JR já dizia: "Para sapatear é necessário estilo, pois o estilo vai fazer a diferença" .

Até a próxima,,,

 Um abraço, Paula Bono

 

Frase do mês:

"Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena" (Fernando Pessoa)

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Edição de fevereiro/2005

“Grandes Nomes e Estilos (I)”

Durante nossos “bate-papos” sobre o tap, grandes nomes nacionais e internacionais serão lembrados. Vamos começar por Eddie Rector e Brenda Bufalino. Divirtam-se !

- EDDIE RECTOR – Era um grande “show-man”. Seu estilo era diferente, pois trabalhava mais em cima do “soft-shoes” (ritmo mais calmo, onde se permite dobrar o tempo da música), com movimentos de corpo inteiro parecidos com o de Cab Callaway e, mais extensos que os de Fred Astaire.

Seu estilo era o “Class Tap”.

Uma de suas especialidades era o “Waltz Clog” que sapateava na música em ¾ do tempo. Eddie Rector tinha um grande estilo, contava e tocava enquanto sapateava, o que lhe deu muita habilidade.

- BRENDA BUFALINO – Nos anos 40, aos 9 anos de idade fazia parte de um show com sua mãe e sua tia chamado “The Strickland Sisters”. No início dos anos 70, Brenda concentrou suas atividades no Tap começando o “revival” (um movimento para que o Tap revivesse, pois a partir dos anos 50 ele foi desaparecendo).

Em 1986 criou o “American Tap Dance Orchestra”, uma companhia que desenvolveu o conceito do Tap orquestral, onde sapateadores criam camadas de ritmos dialogando com os músicos em uma concepção moderna do tap dance.

Brenda e a American Tap Orchestra são referências do sapateado.

Um abraço, Paula Bono  

  

Frase do mês:

“Quando ouço isso, tudo em mim relaxa e o desejo de não morrer... de nunca morrer, torna-se quase grande demais para suportar.”

(Do filme “Revelações”, onde Antony Hopkins ouve e dança Cheek to Cheek)

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Edição de janeiro/2005

“Benefícios do Tap”

Além de arte e profissão, o tap é bastante procurado por pessoas que sofrem com o stress da vida moderna. Não há preconceitos com o sexo do praticante, bem como com sua idade, mas em geral, as escolas aceitam os “pequenos” a partir dos oito anos de idade.

Nesta fase, as estruturas corpóreas já estão praticamente formadas.

Após a iniciação, essa dança passa a exigir muito da coluna vertebral, joelhos e tornozelos, por isso, é fundamental que o professor utilize parte de sua aula com um alongamento específico.

O tap pode trazer alguns desses benefícios:

Consciência corporal (a descoberta do corpo, sua postura e, equilíbrio);

Desenvolvimento do tempo, espaço e direção do corpo;

Coordenação motora;

Ritmo e musicalidade;

Agilidade no raciocínio (devido à grande concentração exigida e, do número passos a serem memorizados, o tap é um grande exercício para um raciocínio ágil);

Desenvolvimento cardiorespiratório (há uma grande oxigenação do sangue, pois se trata de uma atividade aeróbia);

Desenvolvimento muscular (quadríceps femural, posteriores da coxa, tibial, gastrocnêmio e glúteos);

Bem...

O que você está esperando?

Pernas pra que te quero e vamos sapatear....

Um abraço,

  

Frase do mês:

 “Para que o mal triunfe, basta apenas que os bons não façam nada...” (Edmund Burke)

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Edição de dezembro/2004

"O Altruísmo do Sapateado"

 

O sapateado é a dança dos pés...do corpo...da alma...

Quem nunca se "pegou" sonhando com a inesquecível cena de cheek to cheek com Astaire e Ginger? O que há por traz de tanto perfeccionismo e precisão? Eu chamaria de altruísmo.

O artista/sapateador passa horas incansáveis ensaiando para compartilhar, trocar, obter um feed-back do seu público. Um artista pode até ser classificado como egocêntrico, mas jamais, como egoísta.

O Tap é isso: a soma.

A soma dos sonhos de um telespectador anônimo que invade o corpo daquele ser barulhento no palco...

A soma do sapateador que, por instantes leva a leveza, sorriso, a técnica, parecendo que tudo é tão simples de executar...

Ah! E como podem esses australianos que se intitulam de "Tap Dogs" serem altruísta?

Eles são o ânimo, a adrenalina, o ímpeto, a paixão latente de que é possível executar sempre...que a vida é pulsante e, que a cada instante, pode se dar um passo a frente de precisão sem perder o ritmo.

O Tap da tradição leva à leveza da alma...

O Tap contemporâneo nos acorda e dita que tudo sempre é possível...

O que eu poderia querer mais do que o sapateado?

 

Um abraço! Paula Bono

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Leia a entrevista concedida ao Jornal “Dança Brasil” em julho de 2004

Em que consiste seu curso?

Abordo 4 aspectos: técnica (nomenclatura, agilidade, intensidade do som, velocidade e trabalho corporal), estilo (a diferença entre o tap clássico e o rhythm tap), contagem, desafio e improviso e, seqüência coreográfica.

O que você sente com o passar dos anos. As pessoas estão procurando mais informações? Estão evoluindo mais rápido com a depuração do conhecimento?

O mundo está acelerado, a informação muda a todo instante e, com isso, temos hoje uma geração de aprendizes muito imediatistas. Ultimamente, primeiro tenho que acalmar a ansiedade deles e explicar que se pularmos etapas não teremos solidez em nosso trabalho. Eu chamo isso de responsabilidade docente. Outra observação pertinente é de que a criança não tem mais tempo para brincar. A coordenação motora que seria naturalmente desenvolvida ao subir em árvores por exemplo fica bloqueada. As pessoas estão mais rígidas, fechadas em si mesmas e, a arte passa primeiro nessa instância: dissolver bloqueios. Portanto, o conhecimento imediato pode se tornar superficial.

O que a seduz num artista? (referente a sua obra, estilo de vida, etc.)

Sua perseverança. Sua busca incansável pela perfeição. Sua autocrítica. O artista ensaia, ensaia e depois da estréia, percebe que ainda precisava ensaiar mais. Sua obstinação pelo melhor...Aquele que se preocupa com o público sem distinção. Apresenta-se com a mesma qualidade e paixão num teatro municipal ou num palco qualquer. E assim, sua obra e vida serão conseqüência disso.

O que você diria pra quem está iniciando uma carreira artística?

Estudar!!! O caminho será sólido se o conhecimento for adquirido com esforço e responsabilidade. Os atalhos são traiçoeiros, trazem uma pseudofama que se esvai com o tempo. Quando você estudou, tudo pode ruir a sua volta, mas ninguém lhe tira o conhecimento. A arte é uma expressão de sensibilidade, para se chegar aí, a técnica tem que estar intrínseca.

O que a faz (move) ser uma artística que você é?

A paixão. Eu ainda não experimentei um gosto igual. Quando você está lá em cima (do palco), tirando aqueles sons cadenciados, a luz te derretendo, sente como uma mão apertando seu peito contra uma parede...É a energia do público te dando “feedback”, é uma vibração indescritível, só quem bebe desta água sabe que sempre vai ter essa sede. A sede da troca. Isso é o que verdadeiramente me move.

Qual sonho que gostaria de realizar?

Um grande musical, dando o espaço merecido ao sapateado nacional. Não tenho nada contra a globalização da cultura, muito pelo contrário, mas o brasileiro é pouco nacionalista, tem baixa auto-estima... Por exemplo foram investidos milhões em Chicago, ótimo, quem não pode ir a Broadway, ela veio até aqui. Mas por que os patrocinadores não investem também em um musical nacional deste porte? Temos a arte, fazemos uma das melhores artes do mundo e, nas condições mais precárias sem apoios governamental e privado. Nesse país tudo é invertido, primeiro você se arrebenta aqui, vai para o exterior, é reconhecido internacionalmente e aí se tiver sorte, a mídia lhe concede um pequeno espaço.

Qual a contribuição que faz a sociedade com seus espetáculos/trabalho?

Já fiz apresentações abertas para o público carente, o retorno é bárbaro. Ao contrário de que se imagina, a população carente admira e gosta da boa arte. Eles assistem ao Gugu e “suas bundas” por falta de opção, se você levar uma orquestra sinfônica, um sapateado, um ballet de repertório, ficam ali vidrados e encantados. Eu quero chegar mais perto. O tap é uma dança alegre e contagiante. Torná-la acessível ao maior número de pessoas é o meu propósito.

Que lição as pessoas deveriam aprender coma vida?

De que ela é breve e o tempo, precioso.

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