AUTO DE NATAL

Personagens:
Reis Magos, Herodes, Hospedeiro, Maria, Rei Mago, Jesus, Anjo, Jos�


1o. ATO

ANJO: (entra silenciosa e vagarosamente, anda pelos quatro cantos do palco e se posta ao centro). Alto:
Em todo o tempo ser�s, e antes do tempo j� eras, sem seres de tempo nenhum. N�o tens passado ou futuro, que o eterno presente �s tu. A conta do tempo s� conta para quem � criatura, mas n�o para o Criador, que ao pr�prio tempo criou. Em todo espa�o estar�s, sem ontem, hoje e amanh�: a ordem que o tempo conta apenas para a criatura. Pois hoje j� sabias o que � ontem, e ontem sabes o que foi amanh�, e amanh� sabias o que foi hoje. Se antes do tempo j� eras, o Eterno Presente �s Tu, que a ordem do tempo n�o conta para aquele que � o Criador. Porque Tu, tamb�m, � menino, Tu �s Aquele que �. (pausa. Caminha para o canto do palco, aos fundos e congela).
MARIA: (entra vagarosamente e senta-se a um banquinho, no centro do palco. Analisa uma lista de casamento num peda�o de papel). Para si mesma: J� est� quase tudo pronto para o casamento. Tem dado muito trabalho, mas estou feliz e isso � o que importa! Jos�, coitado, trabalha tanto na marcenaria que praticamente n�o tem tempo para ajudar nos preparativos (voltando a analisar a lista). Deixe-me ver...
ANJO: (dirigindo-se alegremente � Maria) Fique feliz, boa mulher, pois Deus est� contigo.
MARIA: (levantando-se subitamente. N�o est� assustada, mas fica pensando nessas palavras; express�o de d�vida).
ANJO: (carinhosamente) Maria, n�o se assuste, Deus achou gra�a em voc�: est�s esperando um filho que reinar� para sempre. Este ser� o Filho de Deus e vai ter o nome de Jesus. Seu filho vai salvar a humanidade.
MARIA: (pensativa) Meu bom Anjo, desculpe, mas voc� deve ter se enganado, deve ter vindo falar com a pessoa errada... n�o posso estar esperando um filho (constrangida), bem, n�o h� como eu estar esperando um filho. Estava justamente cuidando dos preparativos para o meu casamento com Jos�... (explicando com carinho) n�o tem como eu estar esperando um filho, entende?
ANJO: (paciente) Maria, para Deus nada � imposs�vel. O Esp�rito Santo de Deus descer� sobre ti, por isso teu filho ser� o Filho de Deus. Deus n�o deixa de cumprir nenhuma de suas promessas Maria! (pousando suavemente a m�o sobre o ventre de Maria) Bendita �s tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre, Jesus. (sai de cena levando Maria pelas m�os)


2o. ATO

Maria entra em cena; j� est� com o ventre bem crescido. Senta-se no banquinho e se p�e a tricotar.
JOS�: (dirige-se � Maria beijando-a na testa) Maria estou preocupado, pois recebi uma ordem do governador. Temos que viajar at� Bel�m, que � a cidade dos meus pais. Todas as pessoas s�o obrigadas a ir at� a cidade de onde vieram, para preencher documentos, essas coisas. Tens que ir comigo, pois agora somos casados e Bel�m � t�o longe, o menino est� quase para nascer, ser� que voc� ag�enta essa viagem?
MARIA: N�o te preocupes Jos�, Deus est� conosco. Vou preparar um p�o para a viagem, pois mais n�o temos, deverias te preocupar em dar capim e �gua para nosso jumento, pois n�o conseguirei viajar a p�, ao teu lado, e assim o jumentinho poder� me levar, o que achas?
JOS�: Eu estava pensando justamente nisso. Pena que justamente agora que conseguimos juntar l� para voc� fazer uma roupinha para o beb�, temos que interromper o tricot e viajar. Mas, quem sabe, tenhamos tempo de voltar para que voc� termine isso antes dEle nascer...
MARIA: Deus cuidar� de seu Filho, Jos�. Vamos, meu querido, vamos nos preparar para a viagem.
(sai puxando Jos� pelas m�os).

3o. ATO


ANJO: (vai at� o centro do palco) Acompanhei Jos� e Maria em sua viagem; eles acabam de chegar a Bel�m, mas a cidade est� t�o cheia! Parece que todas as pessoas do mundo vieram para c�, conforme mandou o governador. Eles est�o procurando um lugar para se hospedar, mas n�o est�o encontrando. J� est� chegando a hora do Menino nascer. (vai at� um canto do palco, aos fundos e congela em posi��o de prece).
HOSPEDEIRO: (entra arrumando uma estrebaria. Coloca a um canto do palco o cen�rio da manjedoura).
Estou faturando com a ordem do governador. Bel�m nunca esteve t�o cheia! Todos os quartos da minha hospedaria est�o lotados. Vou aproveitar para ganhar muito dinheiro.
JOS� E MARIA: entram e dirigem-se ao hospedeiro.
JOS�: Boa tarde, o senhor � o dono dessa hospedaria?
HOSPEDEIRO: Sim, sou eu mesmo.
JOS�: Viemos de longe e minha mulher est� para ganhar nen�m; n�o estamos encontrando um quarto sequer para que ela possa ter o beb� em tranq�ilidade. Os hot�is est�o todos cheios e, al�m do mais, n�o temos dinheiro suficiente. O Sr. Pode nos ajudar?
HOSPEDEIRO: N�o t�m dinheiro, �? Ent�o, minha hospedaria tamb�m est� cheia. N�o tem vaga!
MARIA: (express�o de dor emite um gemido).
JOS�: Est� vendo, Senhor? Tenha compaix�o... O beb� est� para nascer!
HOSPEDEIRO: Infelizmente n�o posso ajuda-lo: a casa est� cheia!
MARIA: (com express�o de dor) Vamos procurar um lugar, Jos�, Deus n�o vai abandonar ao Seu Filho.
JOS�: (voz desesperada) Sim, vamos Maria, Deus n�o h� de abandonar Seu Filho (os dois viram-se e v�o se retirando devagar).
HOSPEDEIRO: (olha para o canto aonde colocou a palha) ei, espere! Se quiserem posso lhes arrumar um lugar, mas n�o dentro da hospedaria, aonde os quartos s�o caros e est�o cheios... Se quiserem, podem se arranjar na estrebaria, junto com os animais...
JOS�: (voltando-se, contente) Sim, meu senhor, aceito! N�o temos tempo, o beb� nascer� em breve e agrade�o muito por ser t�o generoso.
Dirigem-se � manjedoura e postam-se silenciosos. O Anjo os acompanha sem ser notado e abre suas asas sobre eles, como que a protege-los. Fica de costas para a plat�ia de modo a ocultar o que se passa ali.
HOSPEDEIRO: sai de cena.
Ouve-se o choro de um beb�.
ANJO: (para de ocultar a cena e caminha at� o centro do palco) Gl�ria a Deus nas alturas e Paz na terra aos homens de boa vontade. Hoje nasceu o Salvador.
MARIA segura seu filho no colo e JOS� est� a seu lado; mant�m-se essa cena no palco, em segundo plano. O ANJO posta-se atr�s em posi��o de prece.

4o. ATO

REIS MAGOS: (entram em cena conversando)
REI 1: Estamos seguindo a estrela h� dias, onde estar� o rec�m-nascido?
REI 2: Aquela estrela enorme anuncia o seu nascimento, e ela parou sobre essa cidade...
REI 3: Sim, certamente o novo Rei nasceu. Temos que encontra-lo, pois viemos para adora-lo.
Enquanto conversam, HERODES entra em cena e escuta a conversa.
HERODES: O que voc�s est�o dizendo?
REIS MAGOS: sa�dam o rei Herodes.
REI 1: V� aquela maravilhosa estrela parada sobre Bel�m?
REI 2: Estamos seguindo a estrela h� dias...
REI 3: Ela anuncia o nascimento do novo Rei e pelo nossos c�lculos ele j� deve ter nascido. Sabe onde ele est�, rei Herodes?
Rei 1: Estamos trazendo presentes para o menino, viemos para adorar o rei.
HERODES: (bisbilhoteiro) Ah, �? E o que trazem a�?
REI 1: eu trago incenso.
REI 2: trago mirra, sinta que perfume maravilhoso!
REI 3: e eu trago ouro para o pequeno Rei. N�o sabe onde Ele est�?
HERODES: (torcendo a barba)...N�o, eu n�o sei, mas quero que me prometam uma coisa: quando o encontrarem, v�o at� o meu pal�cio me avisar onde Ele est� (rindo maldosamente). Tamb�m quero levar um presente.
REI 1: ent�o com licen�a, rei Herodes. Temos que encontrar o menino.
REI 2: depois voltamos para que o sr. Tamb�m possa ir adora-lo.
REI 3: at� a volta.
(saem de cena)
HERODES: (para si mesmo) Ent�o existe um beb� pensando que vai tomar o meu trono? De onde ter� sa�do essa id�ia? Mas isso � trai��o! Vou esperar esses tr�s imbecis voltarem e me contarem onde est� a tal crian�a. Depois (passa o dedo no pr�prio pesco�o), mando matar esse impostor! Ora, aonde j� se viu? Eu, Herodes, sou o �nico rei e n�o nascer� ningu�m para me tomar o trono. (grita) Mando matar esse tal reizinho! (sai de cena)

5o. ATO

REIS MAGOS: (entram em cena e avistam a manjedoura)
REI 1: finalmente, a estrela parou sobre essa hospedaria.
REI 2: n�o nos restam d�vidas, o menino nasceu aqui.
REI 3: Olhem, na estrebaria, junto com os animais!
Os tr�s se aproximam da manjedoura e se jogam ao ch�o de joelhos. Entregam o presente � Maria.
REIS MAGOS: Gl�ria a Deus. Nasceu Jesus!
(MUSICA: Noite Feliz)
ANJO: (para os tr�s Reis) Voltem por outro caminho e n�o avisem ao Rei Herodes sobre onde est� o menino, pois ele tem planos de O matar.
REIS MAGOS: (despedem-se e saem de cena)
HERODES: (entra em cena, enfurecido) Aqueles tr�s Reis Magos me enganaram; j� se passou o tempo e at� agora eles n�o voltaram para me dizer onde est� o menino. (chamando) GUARDAS! Quero que procurem todos os meninos menores de um ano, n�o, menores de dois anos, e os mate! (c�nico) Quero ver se assim vai sobrar alguma crian�a para tentar me tomar o trono! (sai de cena)
ANJO: (para Jos�) Jos�, pega Maria e o menino e foge para o Egito r�pido. Fiquem no Egito at� que eu mande voc�s voltarem, pois Herodes planeja matar o menino.
JOS� e MARIA: (obedecendo, saem de cena com Jesus no colo).
ANJO: (no centro do palco) Ensaias agora menino, teus passos da vida depois. Mas antes da vida j� eras a Vida, sem hora, sem tempo, sem idade � a Vida que tens e que d�s, a Vida da Eternidade.
(m�sica)

6o. ATO

JOS�, MARIA E JESUS: (entram em cena. Jesus j� � um menino. Param no centro do palco).
JOS�: (para Maria) Desde que Herodes morreu e voltamos para nossa terra, Jesus tem crescido em estatura e sabedoria, diante de Deus e dos homens.
MARIA: (para Jesus) Deus, o Seu Pai, tem um caminho para voc�, meu filho.
JOS�: (para Jesus) Voc� conhece bem o caminho, meu filho? (apontando em dire��o a um caminho)
JESUS: Acho que sim.
JOS�: Qual deles � o seu, se h� tr�s caminhos?
JESUS: Nenhum dos dois largos, bonitos, cada um ao lado do feio. Os dois largos l� na frente se desviam, e o feio segue, sempre em linha reta, at� se perder de vista. � pelo caminho feio que eu vou, e j� sei que ele � cheio de espinhos. Por l� h� muitos daqueles espinhos, os espinhos chamados coroa-de-cristo.
MARIA: Qual, meu filho?
JESUS: O do meio, aquele que conduz ao alto, onde no topo est� uma cruz. Est� vendo?  Olha l� em cima, de bra�os abertos, sempre a esperar por outros bra�os! (acena para os pais em sinal de despedida e sai lentamente de cena, em dire��o ao caminho que apontou).
JOS� E MARIA: (baixam a cabe�a e o seguem)
ANJO: (ao centro do palco) Nem chuvas nem ventos te apagam, menino, os rastros da terra. Para sempre as sand�lias em que pisas, com elas pisando o p� macio do ch�o, que pisastes antes ainda de a terra pisares, s�o sinais para o tempo marcar at� que chegue o tempo de o tempo acabar. E um dia as estrelas e todos os vasos de luz � o Sol e a Lua, e Marte e Merc�rio, e Saturno e Plut�o � e todos os outros, que os n�meros n�o contam e a vista n�o v� e a m�o n�o toca de t�o longe que est�o, um dia deixar�o de luzir, vaga-lumes sem luz que s�o eles diante da luz que h� de surgir, quando surgires, Jesus.
(m�sica)

FIM


Por T�nia Mandarino com refer�ncias de Jardim, Lu�s � Proezas do Menino Jesus.
                                                                      Editora Jos� Olympio � 2. Edi��o.


Londrina, novembro de 2001.
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