O CORVO & O CORNO

Edgar Allan Poe foi o maior contista norte americano de mistério e terror do século XIX. "Os Crimes da Rua Morgue" e "O Escaravelho de Ouro" são autênticas obra primas.

Mas é ele também autor de "O Corvo", uma famosa poesia, traduzida para o português por reconhecidos literatos nacionais.

A preciosidade maior do poema reside, a meu ver, na incansável tortura que um imaginável corvo impõe a um homem desolado pela perda de sua amada, ao reiterar que, em relação a sua idolatrada Leonore..."nunca mais".

Pois bem, talvez por estarmos agora dentro de um contexto erótico-pornográfico, brotou-me, das entranhas do inconsciente, uma certa rima para o título da referida poesia: a palavra Corno.

E assim nasceu outro poema, ou melhor, uma simbiose poética...

O CORVO & O CORNO

Em certo dia, bem na hora

Da meia noite que apavora,

Eu, já recolhido e caindo de fadiga,

Após haver fodido a meiga rapariga,

Ouvi um som baixinho vindo dos portais.

E pensei: "não é nada, é só o vento.

De certo deve estar mudando o tempo.

Há de ser somente isso e nada mais".

Mas o ruído persiste e, num instante,

Abrem-se as portas, e surge um vulto

Encapuzado e o rosto semi oculto.

É o tal, o marido da minha amante.

O luar mostra no seu olhar transtorno.

Ele me fita e diz"; eu sou um corno"

Saca de uma pistola, mira a própria testa

E fala: "assim termina essa maldita festa.

Chifrado a todo instante...isso é demais.

Ela é puta. Mas eu, corno, não mais!"

A arma dispara. E o infeliz cai duro

E da selva distante, lá do escuro,

Um corvo repete: "corno, jamais"

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