Boro

Suas propriedades – grande estabilidade, resistência que o torna imune até ao ácido clorídrico concentrado em ebulição e índice de dureza próximo ao do diamante – permitem que o boro tenha múltiplas aplicações, como antioxidante, anticorrosivo e componente de materiais de revestimento em geral.

Boro é um elemento químico semimetálico, de número atômico 5, de símbolo B. Pertencente ao grupo IIIa da tabela periódica, junto com o alumínio, o gálio, o índio e o tálio. Todavia, por suas características especiais de ligação, seu comportamento assemelha-se mais ao silício. Não encontrado em estado puro na natureza, aparece sob a forma de ácido bórico e de boratos, como o bórax, o tincal e a kernita, e integra numerosos compostos minerais. Em 1702, W. Homberg obteve o ácido bórico a partir do bórax e denominou-o sal sedativum. Em 1808 Joseph-Louis, Gay-Lussac e Loius-Jacques Thenard, na França, e Humphry Davy, no Reino Unido, isolaram o boro em forma de pó amorfo e de cor marrom.

Propriedades físicas e químicas:

O boro amorfo tem densidade igual a 2,34. O cristalino, mais puro, é muito duro, tem brilho quase metálico e densidade igual a 3,3. Funde a 2.300º C e volatiliza-se um pouco. Em estado puro o não tem muito emprego útil, mas na forma de ácido bórico e bórax encontra grande aplicação na indústria. Em eletrônica, é usado como semicondutor, já que sua condutividade elétrica aumenta com a elevação da temperatura.

O boro se combina tanto com elementos metálicos quanto não metálicos para formar compostos covalentes, já que em nenhum caso dá origem a estados catiônicos (com íons de carga positiva) ou aniônicos (com íons de carga negativa), o que impede que sejam geradas ligações iônicas.

Ácido bórico:

Conhecem-se vários ácidos bóricos, todos derivados do anidro bórico, porém o mais importante é o H3BO3, ácido orto-bórico, que era obtido por condensação dos vapores vulcânicos que saem, com temperatura de 90º e 120º C, das fumarolas existentes no denominado Maremma de Toscana, arrastando quantidades de ácido bórico. Posteriormente esse ácido passou a ser obtido a partir dos boratos de cálcio, existentes nos Estados Unidos (na Califórnia) e na América do Sul.

O ácido bórico é muito fraco e antigamente era empregado na medicina como anti-séptico e na conservação de alimentos cosméticos. Essa pratica, todavia, é hoje proibida ou contra-indicada ou causa das propriedades tóxicas do ácido. É utilizado também na fabricação de vidros e, particularmente, nos esmaltes para cobertura de chapas metálicas e para obtenção de resistência ao calor.

Bórax:

O tetraborato de sódio (Na2B4O7) existe na natureza sob a forma de tincal (mineral monoclínico, borato de sódio hidratado), que contém em média 55% de bórax (tetraborato de sódio decaidratado, Na2B4O7.10H2O). Habitualmente, obtém-se o bórax sob a forma de cristais incolores, ligeiramente solúvel em água fria e mais solúvel em água quente, sendo suas soluções alcalinas.

O bórax fundido dissolve alguns óxidos metálicos, formando compostos de coloração definida; é usado em química analítica nos ensaios de pérola de bórax. Usam-se grandes quantidades de bórax na fabricação de esmaltes, vidrados, vidros ópticos; na fabricação de sabão e de óleos secantes; para enrijecer pavios de vela; como agente de branqueamento e engomagem em lavanderia; para acetinar papel, baralhos, etc.; na fabricação de vernizes, com a caseína; em soldagem, como fundente; e como anti-séptico.

Os bórax têm grande importância como aditivo em misturas combustíveis de alta potência. No Brasil não são conhecidas jazidas de boratos, mas ocorreram borossilicatos, na formação das turmalinas; porém não são considerados minérios. Fabrica-se um nitreto de boro conhecido como borazon, de alta dureza e que é aplicado na fabricação de abrasivos e peças de grande importância na tecnologia nuclear, como absorvente.