Vampira
Num gesto atrevido
coloco meu corpo
em seu corpo
e esbarro em sua boca.
Do outro lado do abraço,
escondo meu medo
entre suas pernas,
mas esqueço o motivo.
Embaixo da cama:
abandono o sexo
ainda virgem
- embora úmido -
Com os dentes
em seu pescoço,
mutilo para sempre
a inocência.
No fim da madrugada
nada resta do corpo ou do sonho:
só o sangue do vôo
do mamífero de mim.
Vampira - Adélia Prado
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