Recruta Zero

As tiras do Beetle Bailey - verdadeiro nome do Recruta Zero - são mais antigas do que muita gente imagina. Muitos se surpreenderiam se soubessem que o Zero nem era soldado quando saíram as primeiras histórias em 1950; estudava na Universidade de Rockview, mas o seu jeitão meio largado, este é o mesmo desde o início. Mort Walker, seu criador, alistou seu personagem "compulsóriamente" no exército para garantir sua sobrevivência. Mas isso tudo, deixarei para o próprio Walker contar...

 

E Nasce a História

por Mort Wlaker

Ao contrário do que a King Features alardeava na época de lançamento da história, o Recruta Zero não causou grande impacto logo de saída. Tudo começou em 4 de setembro de 1950, em apenas doze jornais e progredindo lentamente. Em seis meses, apenas vinte e cinco clientes apareceram. As tiras não são consideradas vencedoras antes de aparecerem em pelo menos cem jornais.

Ninguém nunca descobriu por que a história de uma universidade não chegou a dar certo. Talvez porque não fosse algo em comum com a massa dos leitores. De qualquer maneira, King Features (sem meu prévio conhecimento) já pensava em "arquivar" meu trabalho depois do primeiro ano de contrato. Enquanto isso, eu vivia rabiscando feliz da vida com os 150 dólares de royalties que a King me pagava por semana.

Essa primeira fase da história nunca mais foi publicada e, como não chegou a ser lida por mais que um punhado de leitores, achamos uma boa idéia.

 

Os dias de estudantes chegam ao fim

Assim que começou a Guerra da Coréia, estudantes universitários foram recrutados a torto e a direito. Já que eu pintei Zero como o estereótipo do universitário, seu destino era seguir o mesmo rumo de seus pares. Em vez de esperar que ele fosse recrutado achei que ele deveria se alistar de saída. Sua sorte estava lançada. Um argumento militar era exatamente o que uma tira decadente precisava. Pulou rapidinho pra cem jornais e nunca mais deixou de crescer. Pra minha surpresa, meu editor na King Features disse: "se você tivesse trazido uma história de humor militar da primeira vez, eu nunca teria comprado."

 

Recruta Zero

Zero se acostumou rápido à vida de caserna. Ao invés de colegas de quarto, ele agora tinha seus companheiros de alojamento. Ao invés de professores enchendo seu saco, tinha sargentos. Ao invés do bandejão do R.U., agora tinha o grude do rancho. A adaptação foi como num sonho... principalmente quando havia uma cama por perto.

 

Sargento Tainha

Assim que o Zero entrou para o exército ele precisava de alguém para colocá-lo na linha. O Sargento Tainha caiu do céu.

Tainha é um dos meus personagens favoritos. Não apenas por parecer engraçado, visto de qualquer ângulo, mas por ocupar um monte de espaço eliminando a necessidade de encher o cenário.

Ele é tagarela, profano, estático, duro, sentimental e furioso... leva tudo ao extremo. No princípio, sua principal característica era a maldade. Ele era bem mais magro e eu ainda não havia decidido quantos dentes ele deveria ter. Mas aos poucos foi tomando forma, como um patinho feio que vira cisne (um cisne bem gordo). Ele enche de cascudos os seus "meninos" numa hora, e na outra os leva pra tomar uma cervejinha, com a maior naturalidade.

 

Aí vai mais alguns personagens:

General Dureza é exatamente o que se espera de um general... é sofrível na administração do quartel e quando chega em casa é dominado pela esposa.

Dentinho é aquele menino cândido, típico do interior, com a ingenuidade de uma criança. A certa altura conclui que, por ser dentuço, ele ficava parecido demais com o estereótipo do otário de muitas histórias em quadrinhos e cheguei até a deixá-lo de lado. Num belo dia, conversando com Ernie Bushmiller (criador de Nancy), ele disse que sentia a maior falta do Dentinho. Ele voltou.

Quindim foi inspirado num colega do exército que realmente pensava ser um presente de Deus às mulheres. Não que ele viesse embrulhado para presente, mas suas cantadas diretas acabavam por dar efeito em uma entre cada 50 garotas.

Cuca é a configuração de todos os maus tratos que passei por causa dos cozinheiros em meus tempos de exército. Eram um bando de energúmenos, cujo talento maior era sua capacidade de me tirar o apetite. Mais tarde ele ganhou um chapéu de mestre cuca, pra facilitar sus identificação.

Capitão foi inspirado no capitão Johnson, que foi meu superior. Nas marchas ele costumava carregar um cantil de gim. A gente sempre se perdia.

Tenente Escovinha. É simplesmente ridículo Ter um jovem, ambicioso, um tenente recém fabricado que já chega distribuindo regras e tentando mandar no velho e calejado sargento. Eu tinha vinte e um anos quando passei por isso e hoje sei quem ganhou... o sargento!

O Capelão. É meio pitoresco, também, alguém tentar ser um guia moral no meio de um bando de jovens furiosos, longe de suas casas e com desejos pecaminosos. O Capelão bem que tenta, mas, como se lamenta a revista do vigário, "ele é ineficiente".

Roque. No princípio, ele parecia mais com o menino rebelde vindo de uma gangue de rua, mas com o correr dos anos acabou se transformando num revoltado com o sistema, responsável pelo jornal "underground" e armando todas as agitações no quartel.

Otto. Todo menino deveria ter um cachorro, como dizem os mais velhos, para ensiná-lo a amar, a ter responsabilidades e aprender a dar três voltas atrás do rabo antes de deitar. Tainha, que não passa de uma criança, bem que merecia um cachorro de verdade, que caminhava nas quatro patas e se comunicava com latidos e rosnados. Até que demorou bastante para que eu caísse no vício dos cartunistas e humanizasse o cachorro. Acho que ele é mais engraçado assim.

(volte mais tarde, em breve haverá mais personagens!)

 

Sites relacionados:

 

 

King Features Sindicate/Distr. Ica Press. detém todos os direitos de produção das histórias do Recruta Zero.

Para maiores informações em gibi e edições especiais procure pelo: "O Melhor de Recruta Zero", vol.: I & II, por Mort Walker, Editora L&PM Editores S.A.

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