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Terapia
Ele começou a trabalhar em computador em 1987. Sempre foi dado a escrever, mesmo sem ter muita base. O jornalista matuto na juventude durante bom tempo pode ter contribuído para isso. Ora, para essas coisas o computador é um prato cheio. A máquina não ensina a fazer bem isso, mas facilita muito corrigir e ajustar textos.
Vício
Depois de vir do hospital, mal podia mexer as mãos. Nem lia direito, tanto tremia a vista. Sentado numa cadeira de rodas, pediu logo fosse conduzido ao computador em que já era viciado. Em cada três teclas digitadas, errava duas ou as três. Em seguidas correções, acabava acertando.
Desafio
Ao ficar confinado em casa, por imposição física, dispôs-se a narrar todo o ocorrido, desde o início do mal. Foi o primeiro desafio. Abaixo dos poderes de Deus, foi essa terapia que o salvou e o livrou da depressão. Saiu o primeiro texto. Daí por diante, não parou mais. Embalou ladeira abaixo feito carro velho sem freio. Tem sempre o que fazer. De domingo a domingo, horas e mais horas ao teclado. Isto lhe serviu para exercitar os dedos e a mente. As idéias brotaram com muita facilidade, em contraste com sua precária condição física. “Só tenho tributos a pagar ao Criador” – dizia sempre. E ainda deve dizer.
Revista em12/06/2004