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Uma pesquisa realizada por duas prestigiadas faculdades inglesas,
a Babson College e a London Business School, revelou que o brasileiro
é o povo mais empreendedor do mundo, entre 21 nações
analisadas. Essa informação, que pode ser comprovada
por meio da enorme quantidade de pequenos negócios que
abrem em cada esquina, é também a constatação
de que, hoje, o sonho de vida do brasileiro é ser o dono
do próprio nariz.
Apesar da crise e às vezes por causa dela, mais pessoas
estão abandonando a segurança e os benefícios
de ter um salário fixo pelo desafio de vencer sozinho.
Dados de 1992 mostram que há quase dez anos havia empate
entre os 10 milhões de trabalhadores com registro em carteira
e os que atuavam sem registro. Hoje, com a massa de trabalhadores
praticamente inalterada (36 milhões), aumentou para 23
milhões o número de pessoas que trabalham sem vínculo
empregatício. Desses, 12 milhões são profissionais
qualificados, como advogados, publicitários e contadores,
entre outros.
Entre 1995 e 1999, aumentou quase 20% o número de pedidos
para abertura de empresas de comércio em relação
à década anterior. São mais de 1.300 negócios
por dia. "É uma das maiores mudanças ocorridas
na estrutura e na dinâmica da economia brasileira",
analisa o economista e ex-ministro da Fazenda Maílson da
Nóbrega.
Demissão é um dos principais motivos
O aumento do número de jovens empreendedores tem um motivo,
segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas
de São Paulo (FGV). De acordo com a pesquisa, 25% dos brasileiros
se tornam empresários porque foram demitidos de seus empregos.
Com o dinheiro do Fundo de Garantia e a pouca perspectiva de voltar
ao mercado, abrir um negócio é uma alternativa bem
razoável. Isso elevou a média do país: um
empresário para cada oito pessoas. "O brasileiro não
possui apenas espírito empreendedor, mas rebelde",
diz Marcelo Néri, da FGV. "Ele não gosta de
ficar apertando parafuso."
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