Margit faz
parte de uma nova geração de graduados que não jogam
fora nem tempo nem informação. Alimentam-se de conhecimentos
de diferentes áreas e, como numa metamorfose, transformam-se em
profissionais híbridos. Eles são especialistas, sim.
Mas não especialistas naquele sentido antigo, de quem entende profundamente
de um único assunto. É que, com a internet e as novas tecnologias
de comunicação, deixou de ser importante guardar todo o
conhecimento na cabeça. "O volume de informações
a aprender é absurdo e é humanamente impossível saber
tudo", diz o consultor em recursos humanos Guilherme Velloso. Já
é uma boa vantagem saber onde encontrá-las e como empregá-las.
O novo
especialista
"Eu
não entendo – nem preciso entender – de que maneira exatamente
a adenina se junta à timina ou a guanina se une à citosina
pra formar uma molécula de DNA", diz Margit. Mas ela tem a
obrigação de se manter bem informada sobre o panorama internacional
e de saber analisar as relações legais, políticas,
econômicas, culturais e comerciais entre as nações.
Você acha que alguém que tenha de digerir tanta informação
sobre tudo isso que está aí guarda algum traço daquele
especialista do passado? Definitivamente, não.
Espaço
é o que não falta no mercado para gente com esse tipo de
formação multidisciplinar. Foi nisso que Margit pensou ao
se decidir pela especialização na área de biotecnologia.
"O mundo todo está discutindo temas referentes à genética:
se os alimentos transgênicos são seguros ou não para
a saúde humana e a propriedade intelectual sobre organismos modificados",
diz ela. "E são poucos os que entendem de todas as implicações
dessas questões – o biológico, o ético, o comercial."
Mas por que
as empresas resolveram sair à caça dessa espécie
de profissional? Um dos motivos é que há cada vez menos
tempo para que elas tomem decisões. Se uma companhia não
as toma agora, outra pode sair na frente. Imagine uma indústria
química que precise construir uma nova fábrica. É
necessário, antes, fazer uma análise dos possíveis
impactos ambientais que isso ocasionaria à região. Se não
existisse um profissional híbrido – como o advogado especialista
em direito ambiental –, essa empresa teria de perder tempo e gastar
dinheiro com uma equipe grande de profissionais: ecólogos, biólogos
e advogados. "O processo de decisão fica mais ágil
se você puder reunir mais de um conhecimento em um único
profissional", diz o professor Roberto Macedo, autor do livro Seu
Diploma, Sua Prancha. Aqui está o valor de especialistas multidisciplinares
como Margit, que, reunindo conhecimentos em mais de uma área, encurta
caminhos.
Outro fator
que abre o mercado para os novos híbridos é a evolução
tecno-científica. A velocidade alucinada com que a informação
corre atualmente aproxima áreas do conhecimento aparentemente inconciliáveis.
Quem poderia adivinhar, 15 anos atrás, que um médico precisaria
um dia entender de informática?
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