As possibilidades de crescer

“Quem chega primeiro à rede tem maiores possibilidades de atingir níveis superiores e de ganhar mais, porque será grande o número de pessoas que estará abaixo na pirâmide”, diz Eugênio Foganholo, especialista em marketing de varejo e de serviços. E quanto mais recente é a empresa no mercado, maior a facilidade de trazer novatos, porque a marca ainda não está saturada. Em geral, as empresas começam com uma campanha agressiva. Esses fatores devem ser levados em conta na hora de escolher em qual se pretende trabalhar.

A bailarina Sarinha Teperman, 39 anos, está construindo sua rede em torno da empresa sueca de cosméticos Oriflame, que veio para o Brasil há apenas dois anos. Além de levar sempre o catálogo dos produtos para as academias de dança onde dá aulas, ela fica de olho em pessoas com perfil para juntar-se à equipe. Por enquanto, seu rendimento mensal gira em torno de 1 200 reais, mas ela pretende ampliá-lo trazendo mais gente para o negócio.

Sem jeito para vender

Não é todo mundo, no entanto, que se dá bem nessa área. Marisa Medeiros, 31 anos, passou por tantas frustrações que acabou desistindo. “Há três anos, quando comecei, não tinha muito tempo para um emprego fixo e, por isso, aceitei entrar para a rede da Amway para ter alguma renda. Mas não deu certo”, conta. “Faltou desenvoltura para oferecer os produtos e para convencer as pessoas a aderir. Eu ficava abalada com cada ‘não’ que recebia. Ao final de um ano, só tinha perdido dinheiro.” Outra coisa que a incomodava eram os compromissos freqüentes. “De seminários aos domingos a encontros para explicações sobre novos produtos, não sobrava tempo nem para namorar”, diz.

Encontros estratégicos

As reuniões são uma arma do marketing de rede. As empresas promovem os chamados encontros de reciclagem, em que há aulas de postura, de oratória e de técnicas para melhorar a segurança diante dos clientes e ser convincente na hora de conseguir adesões. Nessas jornadas, que duram de 1 a 3 horas, há também demonstração de produtos e relatos de quem se deu bem no negócio.

Outra modalidade de reunião serve para mostrar como funciona o negócio e para convencer pessoas a aderir a ele. Pode ser na casa de amigos ou nas sedes das empresas. Os empresários não são incentivados a promover pequenos encontros para vender produtos a conhecidos porque isso é prejudicial à imagem do negócio. As empresas do ramo pretendem se firmar como um negócio para profissionais que estão ali por competência, não por falta de opção.

     
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