"Onde se encaixa a Comunicação Interna no organograma da empresa?".

Sonia Favaretto*

Esta pergunta não é nova. Ao contrário, é tema recorrente em encontros, seminários e rodas informais de colegas. A decisão, entre as opções mais prováveis - Recursos Humanos, Marketing, Comunicação Corporativa e Presidência -, é feita, claro, em função de vários fatores, como estrutura da empresa, prioridade que dá à comunicação, cultura, etc. O que proponho é a reflexão sobre um caminho alternativo, que passe por todas essas opções, e inclua outras menos convencionais, como as áreas comercial, financeira e tecnologia, por exemplo. O que proponho é olharmos a Comunicação Interna como uma área itinerante pela empresa. Em outras palavras, estamos falando de cultura. Antes de ser área, comunicação é postura recheada dos conceitos técnicos que a tornam realidade.
Ao ter uma equipe de comunicação alocada em sua área por, digamos, 1 ano ou 2, convivendo diariamente com os valores (comunicar com clareza, imparcialidade, rapidez, transparência...) e conhecendo de perto os parâmetros técnicos, é impossível que as pessoas não absorvam esse mundo.
Ou pelo menos se sensibilizem para esta necessidade, o que tende a ser um caminho natural, porque comunicação é, antes de tudo, um diferencial que agrega valor a qualquer profissional, independente de seu foco de atuação.
Uma área itinerante, no entanto, não é de operacionalização simples e
pressupõe total aval dos dirigentes. Mas pode funcionar, como vimos no
BankBoston. A área de Comunicação Interna esteve alocada em Employee Relations por dois anos e por questões estratégicas e estruturais foi recentemente realocada. O que constatamos é que os profissionais da equipe anterior hoje se sentem comunicadores: pensam várias vezes antes de formatar um texto, questionam um layout, já propõe um formato quando têm algo a comunicar.
Alcançamos, assim, pelo menos três objetivos: cada funcionário, como prega todo bom livro didático, passa a ser um agente de comunicação; os profissionais de comunicação se tornam efetivamente consultores, norteando, orientando e suportando as ações; e honramos uma das melhores definições que já ouvi para Comunicação, que é: TORNAR COMUM.
Seja por meio de uma área de Comunicação Interna itinerante ou por outros mecanismos, cada vez que conseguimos, em maior ou menor grau, tornar comuns os nossos conceitos e valores cumprimos um pouco mais a nossa missão desafiadora e apaixonante que é fazer uma boa comunicação empresarial.

*Sonia Favaretto, Diretora-adjunta de RH e Comunicação Interna do BankBoston.

 

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