Turismo no Brasil - novos rumos
Com uma receita de US$ 3,678 bilhôes de divisas para o país e atuando sobre 53 segmentos diferentes da economia, a indústria do turismo, hoje, vem crescendo de maneira extremamente veloz em todo o mundo, garantindo um avanço econômico-social das mais diversas regiões e possibilitando, assim, a expansão do mercado de trabalho. Em 1998, 4,8 milhões de turistas estrangeiros visitaram o país com a perspectiva atual de aumento para 5,3 milhões que repercutirão em um aumento superior a 10%.
Comparado a outros
ítens importantes da pauta de exportações brasileira, o
crescimento
da receita gerada com o turismo é impressionante. Apenas entre 97
e 98, este aumento foi de 41%, 28 pontos percentuais acima do crescimento
da receita do minério de ferro, exportado no mesmo período, e
30 pontos
acima do valor gerado com a exportação de açúcar.
Em volume de divisas,
só perde para a soja.
É importante resaltar também que a indústria do turismo
no Brasil será responsável pela entrada de cerca de US$ 4 bilhões
no país, no decorrer deste ano. Números oficiais da OMT mostram
que o turismo externo, no Brasil, cresceu cerca de 34% nos últimos anos.
A explicação para o desempenho do setor está na política adotada pelo governo Fernando Henrique Cardoso em 1995, quando entidades de classe e secretários de Indústria, Comércio e Turismo elaboraram o Plano Nacional de Turismo. A partir da elaboração deste Plano, o governo federal passou a abraçar o turismo como atividade estratégica de desenvolvimento e várias mudanças foram feitas favorecendo a indústria do turismo.
"Nós acreditávamos que turista tinha que cair do céu porque o Brasil era lindo por natureza. Com isso nós perdemos muito tempo. Agora, o governo federal entende que o turismo é um fato econômico e social e nós resolvemos sepultar os factóides e abraçar as causas estruturais", afirma o presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Caio Luiz de Carvalho.
O turismo foi levado a status ministerial com a criação do Ministério da Indústria, Comércio e Turismo. Através das Câmaras Setoriais, houve condições de trabalhar o produto turístico brasileiro criando maiores estratégias que possibilitaram maior união entre a sociedade e as entidades de classe.
Investimentos - Primeiramente, constatou-se a necessidade de investimentos em infra-estrutura básica nas regiões turísticas, de forma a criar cenários para atrair investimentos privados e melhorar a qualidade de vida das populações que vivem nas regiões turísticas.
A melhoria da qualidade dos serviços prestados também foi buscada com mudanças no método de gestão dos municípios com potencial turístico e com a implantação do Programa Nacional de Municipalização do Turismo (PNMT). Este programa, juntamente com a orientação da Organização Mundial de Turismo, foi responsável nos últimos quatro anos, por uma revolução silenciosa que mudou a consciência da comunidade local ao mostrar a importância política do turismo para o desenvolvimento sustentado dos municípios.
Foram aplicados US$ 8 bilhões pelo governo federal e estados nos últimos quatro anos. Apenas no Nordeste, sete novos aeroportos foram construídos, 22 mil metros quadrados de patrimônio histórico foram restaurados, 17 projetos de saneamento básico foram executados e 280 quilômetros de estradas foram construídos. A partir dos investimentos públicos, mais US$ 6 bilhões de dólares serão investidos pela iniciativa privada em novos empreendimentos turísticos até 2002.
"Investimentos em infra-estrutura são fundamentais. O Brasil nunca será bom para o turista estrangeiro se não for bom primeiro para o brasileiro que mora aqui", afirma Caio Luiz de Carvalho. Para o presidente da Embratur, os investimentos foram responsáveis pela criação e manutenção de milhares de empregos no Brasil.
Só na iniciativa privada, 120 mil empregos diretos e 420 mil empregos indiretos serão criados. No setor hoteleiro, cerca de um milhão de empregos já são mantidos, direta ou indiretamente, pela indústria do turismo nacional. De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), cada US$ 7 mil deixados no país repercute na manutenção de um emprego. Enquanto na indústria automobilística são necessários R$ 170 mil para gerar um emprego, no turismo apenas R$ 40 mil possibilitam um emprego direto num hotel; R$ 10 mil empregam uma pessoa num restaurante e R$ 50 podem garantir matéria-prima e emprego a um artesão.
A atual política de turismo vem promovendo também a escentralização da gestão nos 1.680 municípios com potencial turístico em todo o país, bem como a qualificação profissional daquelas pessoas que já atuavam no setor. Nos últimos dois anos 240 mil pessoas foram qualificadas. Com o Programa Nacional de Municipalização do Turismo (PNMT), agentes de desenvolvimento alemães vieram ao Brasil e formaram 360 agentes multiplicadores brasileiros. Hoje, o país já conta com 3.200 monitores municipais que atuam na conscientização da importância do turismo para as comunidades locais. Em termos de legislação, algumas mudanças foram adotadas para melhorar o desenvolvimento no setor. Até 1996 era proibido, a navios de bandeira estrangeira, fazerem cabotagem na costa brasileira. Uma medida provisória, convertida em lei pelo Congresso Nacional, acabou com a proibição.
Atualmente cerca de 40 transatlânticos freqüentam o litoral do Brasil. A mudança da política cambial, no começo de 1999, provocou uma transformação no setor. Ficou mais barato para o turista estrangeiro vir ao Brasil e a meta de crescimento do turismo receptivo, que era de 5%, foi superada. Contabilizando apenas os argentinos, que são os turistas que mais visitam o Brasil, o número deve chegar a 1,6 milhão de pessoas.
Mas o turismo interno foi o principal beneficiado pela atual conjuntura. Se antes 52% dos pacotes turísticos vendidos para brasileiros eram para o exterior, com a mudança no câmbio a situação se inverteu. No ano passado, 60% dos pacotes vendidos foram para destinos nacionais e 40% para outros países. Com mais brasileiros viajando dentro do Brasil, a estimativa de crescimento do mercado interno ficou em torno de 20%. Diante deste cenário, o setor do turismo pode ter, no ano de 2000, não só a sua melhor participação no PIB nacional, que vem aumentando progressivamente e em 1998 foi de 3,5%, mas também pode ter a menor diferença entre receita gerada por turistas estrangeiros no Brasil e despesas feitas por brasileiros no exterior. Enquanto de janeiro a setembro de 1998, a conta era deficitária em US$ 3,116 bilhões, no mesmo período do ano passado essa diferença era de US$ 1,02 bilhão.
O aumento do fluxo turístico interno pode ser verificado através do número de autorizações de vôos charters concedidas pelo Departamento de Aviação Civil (DAC). Em um ano, 1200 autorizações foram feitas, 970 dos vôos vinham apenas da Argentina. Apesar do alto número de autorizações concedidas, a participação deste tipo de transporte no Brasil ainda é pequena. Por isso, a Embratur estabeleceu como meta para o ano 2000 a implementação de uma política de charters. No Brasil apenas 7% do transporte de turistas é feita dessa forma, enquanto na Europa esse percentual chega a 56%.
Para garantir uma parcela do número total de viagens feitas no mundo, que deve triplicar nos próximos 20 anos, a Embratur vai mudar sua estratégia de marketing internacional e aplicar boa parte da verba de promoção do turismo no exterior, que este ano é de US$ 24 milhões, nos vizinhos do Mercosul.
Uma campanha com o slogan "Se viajar é sua paixão, o Brasil é o seu destino" deve ser lançada ainda este ano.
Para o mercado europeu, a prioridade é investir na divulgação de produtos turísticos brasileiros a ser feita através dos catálogos utilizados pelas agências de viagem. A partir do ano 2000, com o Programa Avança Brasil, o governo brasileiro pretende investir mais em marketing e publicidade, além da continuidade do programa de promoção. Em dólares, o governo pretende investir cerca de US$20 milhões e o propósito maior do presidente do Instituto Brasileiro de Turismo é profissionalizar mais a cadeia produtiva para que se chegue ã excelência na prestação de serviços, possibilitando maior competitividade e investimentos por parte dos empresários do setor turístico nacional.
Mercosul - Pesquisa da Organização Mundial do Turismo (OMT) comprova que 80% das viagens feitas no mundo são de curta distância, o que eqüivale a uma média de cinco horas. Como conseqüência desta constatação, o governo brasileiro vem investindo bastante no Mercosul. Os resultados foram bastante positivos.
Num período de três anos, o Brasil deixou a 43a posição do ranking da OMT para a 29a posição. De 13 milhões de desembarques nacionais domésticos nos aeroportos brasileiros em 94, o país passou a contabilizar 26 milhões de desembarques no ano de 99 e com a possibilidade de chegar a 29 milhões em 2000.
Além da proximidade geográfica, outros fatores mostram que os países do Mercosul são bons alvos para incrementar o turismo brasileiro. Com exceção do Paraguai, todos os demais países apresentam níveis de riqueza e bem-estar da população superiores aos brasileiros. Pesquisa feita pela Universidade de Brasília (UnB) apontou que 60% dos paraguaios, 58% dos argentinos, 48% dos chilenos e 46% dos uruguaios já fizeram viagens internacionais de lazer mais de uma vez.
O mesmo estudo aponta que nenhum país domina as preferências da população destes países para viagens internacionais. Mesmo assim, o Brasil aparece como segundo colocado entre os países citados, apenas dois pontos percentuais atrás dos Estados Unidos.
Outra estratégia para impulsionar o turismo brasileiro, a ser adotada pela Embratur, será a elaboração de cerca de 200 produtos turísticos que tenham bom preço, qualidade de serviços, criatividade e identidade que os diferenciem das belezas naturais não trabalhadas, que são apenas as matérias-primas do turismo.
Esta medida procura seguir uma constatação da OMT de que, no futuro, os destinos de sol e praia ainda serão os preferidos pelos turistas, porém terão mais sucesso aqueles que oferecem diferenciais agregados, a exemplo do ecoturismo e o turismo cultural. Com a diversidade cultural e de ecossistemas, grande característica brasileira, não será difícil encontrar estes diferenciais. A Chapada Diamantina, o Pelourinho e Olinda são algumas opções.
"Sol, praia e céu azul existem em qualquer lugar. É preciso vender sol, praia e um diferencial. Tudo isso com qualidade, que em turismo é obrigatório. Esse é o caminho que o Brasil tem", afirma Caio Luiz de Carvalho, presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). "Além disso, o turista não quer mais ser apenas contemplativo. Ele quer ir a um museu e saber da história do quadro e não apenas ficar contemplando", completa.
Turismo receptivo (1999)
Motivo da viagem:
Turismo - 77,61%
Negócios - 18,05%
Congresso/convenção - 3,17%
Outros - 1,17%
Cidades mais visitadas:
Rio de Janeiro - 32,54%
Florianópolis - 17,69%
São Paulo - 13,74%
Salvador - 12,67%
Foz do Iguaçu - 11,78%
País de origem
Alemães
Permanência média (dias) - 21
Gasto médio per capita/dia (US$) - 77,03
Americanos
Permanência média (dias) - 13
Gasto médio per capita/dia (US$) - 115,57
Argentinos
Permanência média (dias) - 12
Gasto médio per capita/dia (US$) - 60,51
Chilenos
Permanência média (dias) - 12
Gasto médio per capita/dia (US$) - 79,87
Espanhóis
Permanência média (dias) - 16
Gasto médio per capita/dia (US$) - 97,56
Franceses
Permanência média (dias) - 14
Gasto médio per capita/dia (US$) - 101,16
Ingleses
Permanência média (dias) - 18
Gasto médio per capita/dia (US$) - 80,68
Italianos
Permanência média (dias) - 24
Gasto médio per capita/dia (US$) - 93,72
Paraguaios
Permanência média (dias) - 08
Gasto médio per capita/dia (US$) - 50,94
Portugueses
Permanência média (dias) - 17
Gasto médio per capita/dia (US$) - 84,99
Uruguaios
Permanência média (dias) - 09
Gasto médio per capita/dia (US$) - 67,26
Média
Permanência média (dias) - 14
Gasto médio per capita/dia (US$) - 79,08
Turismo no Brasil (dados de 1998):
US$ 31,9 bilhões de renda (direta e indireta)
38,2 milhões de turistas domésticos
US$ 13,2 bilhões de receitas diretas com o turismo interno
4,8 milhões de turistas estrangeiros
US$ 3,6 bilhões em ingressos de divisas
Entrada de argentinos no Brasil:
1994: 787.117
1998: 1.467.926
1999: 1.600.000 (estimativa)
Desembarques de vôos internacionais:
1994: 3.018.424
1999: 4.951.891
Metas da Embratur para 2003:
Aumentar para 6,5 milhões o fluxo de turistas estrangeiros
Aumentar para 57 milhões o fluxo de turistas nacionais
Elevar para US$ 5,5 bilhões a receita cambial turística
Gerar 500 mil novos empregos
Principais mercados emissores de turistas para o Brasil (1998):
Argentina - 31%
Estados Unidos - 11%
Paraguai- 9%
Uruguai -7%
Alemanha - 5%
Itália - 4%
Chile, Bolívia e França - cada um com 3%
Portugal e Inglaterra - 2%
Outros - 20%