UM POUCO SOBRE O MANGUEZAL
Suami Vivecananda Alves Bahia

A palavra mangue tem v�rias origens sendo as mais conhecidas:
Manggimanggi do Malaio, Mangrove do Ingl�s  e Mangle do Caribenho todas com o sentido de descrever as esp�cies vegetais que vivem no manguezal.
J� o termo manguezal serve para descrever a variedade de comunidades costeiras tropicais dominadas por esp�cies vegetais, arb�reas ou arbustivas que se adaptaram em solo formado por uma lama preta num ambiente de transi��o entre o mar e o rio.
Melhor dizendo, mangue � o coletivo usado para g�neros de plantas hal�fitas peculiar de regi�es costeiras tropicais ou subtropicais. Existem duas importantes variedades:
O mangue vermelho representado pelo g�nero Rhyzophora desenvolve-se em �gua marinha de salinidade normal e forma a margem oce�nica de litoral com manguezais. O mangue preto, mangue representado pelo g�nero Avicennia, n�o se desenvolve em oceano aberto e vive por detr�s do vermelho, sendo inundado somente pelas mar�s mais altas. Estes s�o os tipos de mangue t�picos encontrados na Ba�a de todos os Santos.

Manguezal
� o ambiente formado pela associa��o de �rvores, arbustos e gram�neas todas plantas hal�fitas e que se desenvolvem em plan�cies de mar� protegidas, margeando lagunas e estu�rios de regi�es quentes e �midas. Os substratos desses ambientes s�o em geral lamosos e ricos em mat�ria org�nica. O mangue ainda hoje � pouco conhecido e foi somente a partir de 1970 que um grupo de cientistas do mundo inteiro come�ou a dar a devida import�ncia ao estudo dos manguezais.
Este mundo maravilhoso onde ainda acontece o milagre da vida ainda � desconhecido de muita gente. Muito pouco se sabe a respeito dos manguezais principalmente da sua vegeta��o e flora. Para quem j� andou pelos �caminhos aqu�ticos� no labirinto do manguezal � imposs�vel descrever a sua beleza, seus encantos que a cada curva se depara. Os crust�ceos se alimentando nas �rvores ou no lama�al com seus estalidos, os peixes pulando a todo instante, as aves coloridas nos galhos do mangue, tudo isso de gra�a e o homem, infelizmente, querendo destruir pescando com explosivos, entulhando para construir moradias, outros fazendo o mangue de verdadeiro lix�o.
Os ecossistemas manguezal e marisma geralmente est�o associados � Mata Atl�ntica, �s margens de ba�as, enseadas, barras, desembocaduras de rios, lagunas e reentr�ncias costeiras, onde haja encontro de �guas de rios com a do mar, ou diretamente expostos � linha da costa. S�o sistemas funcionalmente complexos, altamente resilientes, isto � resistente ao choque das transforma��es a que s�o submetidos, portanto, est�veis.
O manguezal � considerado por todos os estudiosos como o ber��rio do mar. e atualmente reconhecido cientificamente como um dos ecossistemas mais importantes da biosfera, essencial para a sobreviv�ncia de todas as esp�cies porque atua diretamente na qualidade dos componentes das �guas dos mares e rios. � no manguezal e somente no manguezal que ocorre o fen�meno da �Transforma��o natural de compostos inorg�nicos em produtos org�nicos� que s�o levados para o oceano em forma de alimento para toda aquela fauna e flora (Algas, fito-plancton) l� existente.

A flora
A floresta de manguezal n�o possui muitas esp�cies devido �s propriedades f�sicas do ambiente como temperatura, salinidade da �gua e do solo, movimentos da mar� e ao processo de sele��o natural que neste sistema vem acontecendo h� mil�nios. Existem no mundo mais de 50 esp�cies entre �rvores, arbustos e gram�neas de manguezal. No chamado Novo Mundo (As Am�ricas) existem menos de 10 esp�cies dessa vegeta��o enquanto que no Velho Mundo s�o mais de 40.
No Brasil os manguezais s�o predominados por tr�s esp�cies vegetais que s�o:
Mangue vermelho ou verdadeiro � Rhizophora mangle
Mangue preto � Avicennia shcaueriana
Mangue branco � Laguncularia racemosa
Existem alguns outros vegetais como as brom�lias e v�rias formas de gram�neas.

IMPORT�NCIA DOS MANGUEZAIS
Somente a partir da d�cada de 70 � que o mundo cient�fico voltou sua aten��o para o estudo do manguezal. Desenvolvendo pesquisas �descobriram� a sua import�ncia econ�mica, sobretudo ambiental. Entretanto, recentes descobertas cient�ficas arqueol�gicas evidenciam que os homens dos sambaquis j� conheciam a riqueza dessa floresta h� pelo menos 4000 anos de onde coletavam moluscos, crust�ceos e tamb�m pescavam. At� hoje toda fartura de alimento que o manguezal oferece est� dispon�vel apesar dos grandes impactos que o manguezal vem sofrendo, porque o manguezal � o maior ecossistema produtivo e reprodutivo. As agress�es ambientais que atingem os manguezais s�o o lan�amento de toneladas de lixo, esgoto dom�stico e industrial  produzidos pelas cidades situadas pr�ximas ao mangue, a especula��o imobili�ria e a pesca predat�ria. Em conseq��ncia disso as comunidades tradicionais que sempre viveram da pesca e coleta de mariscos v�em-se obrigadas desistir das suas atividades pela escassez da mat�ria prima e procurar outros meios de subsist�ncia em outros locais.
Do manguezal extrai-se a madeira (para cozimento de alimentos e constru��o), os mariscos, os pescados, etc. V�rios produtos podem ser obtidos do manguezal como o �lcool, �leos, tanino, ado�antes. Os manguezais s�o �reas de extrema import�ncia para as popula��es e tem muito a oferecer, se o seu potencial for utilizado de maneira racional, de forma sustentada respeitando as suas necessidades de recomposi��o como o per�odo de desovas, preflora��o das esp�cies vegetais, etc.
� preciso sensibilizar os prefeitos das cidades onde o manguezal est� presente com rela��o � import�ncia social, biol�gica e econ�mica deste ecossistema. O h�bito de jogar lixo no manguezal � muito antigo quanto governantes incentivavam o aterro dos manguezais com lixo partindo da� a vis�o de que o mangue � sinal de sujeira.
Constantemente no manguezal est� ocorrendo o fen�meno da decomposi��o que gera os gases que d�o o odor caracter�stico do mangue.
O mau cheiro de certos manguezais � proveniente da sujeira produzida pelo pr�prio homem como os despejos de seus esgotos in natura, lixo dom�stico, etc. N�s � que fazemos o mangue sujo. � a falta de informa��o a respeito do ecossistema que leva as pessoas a assumirem uma postura de degrada��o quando deveriam preserv�-lo se tivessem orienta��o por parte das autoridades.

Esp�cies de vegeta��o perenif�lia de mangue de encontrados no litoral Baiano
FAM�LIA SINON�MIA  CIENT�FICA DENOMINA��O  POPULAR
Aracea Combretcea Combretacea Malvacea Polipodiacea Rhizophoracea Thyphacea Verbenacea Montrichardia sp. Conocarpus erecta Laguncularia racemosa Hibiscus tiliaceus Acrostichum aureum Rhizophora mangle Thypha domingensis Avicennia sp. aninga mangue-bot�o / mangue-ratinho mangue-branco / mangue-manso algod�o da praia avenca mangue-vermelho /mangue-sapateiro / mangue verdadeiro tabuba / tabua mangue-siriba / mangue-siri�ba /mangue-preto / mangue-cano�


A fauna
O manguezal � considerado, atualmente, um ecossistema de alt�ssima produtividade marinha do planeta. O manguezal � o ber��rio do mar. Nele muitas esp�cies marinhas v�m se reproduzir e se alimentar. A sua fauna, assim como a flora, n�o � rica em esp�cies, mas produ��o e incomensur�vel.
Este ambiente e procurado por v�rios animais  de ambiente marinho como o Robalo, Tainha, Caranguejos, Siris, Camar�es, Lambreta, Ostra, B�zio, Mexilh�o e, de �gua doce como o Pitu e v�rios peixes, e terrestres, de todos os tamanhos desde microorganismos a mam�feros de grande porte como macacos, guaxinins, morcegos. Alguns animais passam toda sua vida no mangue, outros uma fase, como o camar�o, que nasce no mar e vem para o mangue at� atingir o est�gio juvenil. Aves migrat�rias descansam e se reproduzem no mangue, e mam�feros o visitam � noite, � procura de alimento. Eventualmente o jacar� do papo amarelo tamb�m visita o manguezal. Manguezais s�o verdadeiros fornecedores de alimentos para todas as esp�cies.

Em um hectare de manguezal virgem ou mesmo preservado, de acordo com a maioria dos levantamentos realizados at� hoje s�o encontrados os seguintes n�meros:

Nome popular Quantidade/ha
Caranguejos adultos >5,5 cm 45.000
Caranguejos jovens em v�rios est�gios  800.000
guaiamus 18.000
Lambretas 900.000
Ma�unins 1.000.000
Ostras 850.000
Siris do mangue 35.000
Sururus 850.000
Unha de velho 850.000

Assim como a flora, a fauna tamb�m � atingida pela a��o degradante do homem como a pesca indiscriminada de p�s-larva, de f�meas �ovadas� e na �andada� dos caranguejos que acontece no primeiro trimestre do ano. Entretanto o mal maior � a pesca com o uso de explosivos que destr�i tudo a sua volta. As explos�es t�m poder altamente destruidor no meio aqu�tico. Gra�as � sua produtividade, muitos desses locais vem resistindo ao longo dos tempos a que s�o submetidos a todo tipo de prova e explora��o.
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