DEGRADA��O AMBIENTAL DA BA�A DE TODOS OS SANTOS

Suami Vivecananda Alves Bahia

� imposs�vel comentar sobre a degrada��o da Ba�a de Todos os Santos sem mencionar as palavras do Naturalista Oliv�rio Pinto publicadas na Revista do Museu Paulista em 1930.
�Infelizmente, j� se vae tamb�m generalizando em toda zona o uso de meios danosos de pesca, salientando-se entre elles o emprego de bombas de dynamite. Contra pr�tica t�o funesta de nada t�m valido prohibi��es e amea�as da capitania dos portos, porque partindo o exemplo dos poderosos, julgam-se todos com igual direito de depredar os mares, sem considera��es pelas ruinosas conseq��ncias d�ahi fatalmente decorrentes. Nos nossos passeios quase di�rios pelo Soape era quase infal�vel que ouv�ssemos, com o cora��o compungido e �ntima revolta, os estampidos das grandes bombas, lan�adas umas ap�s outras pelos pescadores. Assim era, e � prov�vel que assim continue a ser, at� que o empobrecimento definitivo d�aquellas �guas, outr�oras t�o piscosas, venha por um paradeiro natural � inqualific�vel usan�a�.
Naquela �poca a pesca predat�ria era exercida sem nenhuma preocupa��o com as advert�ncias da Capitania dos Portos e muito menos com a preserva��o do ambiente. Ao longo desses 72 anos � poss�vel imaginar quanta destrui��o j� foi infligida a este ber��rio natural onde s�o criados numerosos nichos para diversas esp�cies (Crust�ceos, peixes, aves e moluscos) que l� permanecem por toda vida ou se utilizam desse ambiente para sua reprodu��o, alimenta��o e desenvolvimento. Al�m de ser um meio natural de controle da eros�o costeira o manguezal atua como mantenedor das taxas de produtividade das �guas estuarinas onde ocorre o fen�meno da �Transforma��o de compostos inorg�nicos em produtos org�nicos� que s�o levados para o oceano em forma de alimento para toda aquela fauna e flora l� existente.
Durante a Segunda Grande Guerra, a explos�o de artefatos militares e seus efeitos devastadores despertaram na mente das popula��es ribeirinhas a possibilidade do uso desses artefatos para a pesca em grande escala dos cardumes que por l� eram por demais abundantes. Na regi�o do Iguape, naquela �poca, os estampidos ultrapassavam a quantidade das cem (100) explos�es di�rias onde eram recolhidas toneladas de pescados que eram comercializados frescos e salgados praticamente sem custos adicionais para o comerciante.
Entretanto isso foi s� o princ�pio de um longo per�odo de degrada��o ambiental por toda a Ba�a de Todos os Santos.  Os ensaios de prospec��o s�smica utilizados para detectar petr�leo no mar (1958) at� recentemente causaram imensur�veis estragos. Nesses testes eram usadas eram usadas pesadas cargas de explosivos. Os resultados no ambiente marinho era devastador. Em conseq��ncia das explos�es cardumes e mais cardumes eram dizimados diariamente. A mortandade era tanta que mesmo ap�s a popula��o recolher os peixes que se debatiam a morrer, muito mais no dia seguinte surgiam numa extensa mancha branca sobre no mar j� apodrecidos.
Em 1958/9, no munic�pio de Caravelas, a Petrobr�s tamb�m efetuou seus ensaios s�smicos por aquelas paragens e dizimou muitos cardumes e como n�o poderia deixar de ser, a pesca com bombas por l� tamb�m teve seu in�cio. E isso continuou acontecendo durante todo per�odo em que a Petrobr�s permaneceu procurando petr�leo e realizando seus ensaios de prospec��o s�smica.
Assim foi que a pesca predat�ria com o uso de explosivos realmente come�ou e ainda est� a desafiar a a��o das autoridades n�o s� na Ba�a de Todos os Santos, mas por todo estado.
Muito pouco foi realmente levantado ou posto em pr�tica para combater a pesca predat�ria neste Santu�rio que � a Ba�a de Todos os Santos nestes �ltimos 72 anos de degrada��o, inconsci�ncia e desinteresse em combater realmente esta pr�tica de pesca n�o s� na Ba�a de Todos os Santos, mas por todo Estado da Bahia.
Como se pode observar acima, esta a��o de degrada��o n�o � coisa de nossos dias. Tornou-se uma �cultura� maligna que ainda � praticada por toda Ba�a de Todos os Santos. Desde a Gamboa de Baixo, situada na Avenida de Contorno tendo como Ponto Tur�stico o Solar do Unh�o at� a Ponta do Garcez defronte a Cacha Prego n�o tem um lugar, nem mesmo nas menores reentr�ncias, onde n�o se tenha not�cia da a��o dos pescadores que utilizam explosivos para capturar pescados. Muitos � �BOMBISTAS� se tornaram famosos nas d�cadas passadas por conseguirem capturar, pasmem, toneladas de peixes diariamente, na regi�o do Iguape, Maragogipe, Foz do Paragua�u e enseadas da regi�o Metropolitana. Atualmente os �BOMBISTAS�  n�o encontram tanto pescado, mas muitos deles continuam desafiando as Autoridades. Os moradores da Pen�nsula de Itapagipe, principalmente os mais antigos conhecem os feitos do � �BOMBISTA� conhecido como Gelmarinho, que juntamente com seu pai e amigos dizimaram aquela �rea piscosa quando diariamente chegavam a capturar toneladas de peixe. Atualmente a posi��o do Gelmarinho foi assumida pelo �Da Guerra� que �reina� na �rea da Ribeira juntamente com o filho �Caveirinha�.
A verdade � que por toda Ba�a a impunidade continua dada �s falhas na Lei 9605 e a falta de aparato por parte das autoridades.
Os munic�pios que margeiam a Ba�a de Todos os Santos lan�am seus esgotos dom�sticos diretamente nos riachos e rios que desembocam na ba�a. Muitas prefeituras n�o t�m uma Secretaria de Meio Ambiente atuante ou mesmo nem as tem. Os manguezais s�o totalmente desprotegidos e ignorados pelas autoridades sendo somente lembrados por alguns grupos ambientalistas. O defeso das esp�cies marinhas � desconhecido e os pescadores n�o t�m a m�nima id�ia de pesca sustent�vel. O mesmo ocorre com os extratores de caranguejos, siris e guaiamus que n�o soltam as f�meas mesmo quando est�o em fase de reprodu��o.
Tem ainda as Marinas que n�o s�o devidamente fiscalizadas, os Terminais Mar�timos, os servi�os de cabotagem e as instala��es de petr�leo.
As constru��es irregulares nas margens dos rios, manguezais e praias, os desmatamentos dos manguezais, disposi��o de lixo e entulhos nessas �reas s�o tamb�m uma consider�vel fonte de degrada��o ambiental desta imensa Ba�a que est� aos poucos perdendo seus atrativos e encantos. N�o tem um lugar deste para�so onde n�o se perceba a degrada��o, a explora��o e a pesca com explosivos.
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