GOODBYE
Por: Larissa.S



Capitulo um.

Sábado à tarde. Férias. Tédio total. Ultimamente a minha vida tem se resumido a isso. Ficar em casa morgando, assistindo filmes, e me entupindo de porcarias, que depois vão se transformar em gordura adiposa e parar nas minhas pernas, mas quer saber, foda-se, não tem nada melhor pra fazer mesmo. Não que a minha vida seja uma porcaria - ta talvez às vezes seja mesmo - e que eu esteja tentando me matar, longe disso, mas é que eu cansei. Agora você deve estar se perguntando, cansou do que se ela não faz nada há dias? Pois bem, eu cansei de fazer sempre a mesma coisa de acordar todo dia 6:30 pra assistir aquele bando de aula chata - ainda bem que eu to de férias agora - de escutar aquele blábláblá dos meus pais sobre como tudo é tão importante pro meu futuro, de fazer as coisas pros outros e não receber nada em troca, de fingir que ta tudo bem quando na verdade as vezes ta tudo uma porcaria, cansei de tudo. Então é por isso que eu resolvi passar as minhas férias deitada na minha confortável cama, com meu edredom, e comendo mais do que eu possa aguentar - Ok chega do meu momento emo -. Mas como nem tudo sai como a gente quer comigo não ia ser diferente, estava eu no meu momento "morgação total" até que meu celular começou a tocar em cima da mesinha de cabeceira, eu olhei pro celular, pensei no esforço que eu teria que fazer pra alcançá-lo e deixei tocar, se fosse importante ligava de novo. E não é que ligaram? Ok, definitivamente hoje não era meu dia, nem ficar no tédio em paz eu posso mais. Com muito esforço, eu estiquei o braço e alcancei o celular, pronta pra xingar o infeliz que tava me ligando, quando eu li "" no visor. Ta era minha melhor amiga, então eu não poderia xingar, mais depois eu vou acertar com ela. Ah se vou. Atendi muito a contragosto.

- Oi? - Falei sem muito entusiasmo.
- Levanta a bunda dessa cama, e vem já pra cá - , sempre tão carinhosa.
- Bom dia . Tudo bom? Também estou bem, obrigada.
- Desculpa. Mas não foge do assunto, levanta dessa cama, você tem que se divertir, há quanto tempo você não sai desse quarto? - Ah, ótimo! Mais uma pra falar na minha cabeça, sobre como eu não faço nada, alem de ficar trancada no quarto.
- Deixa eu ver... 2 semanas? - Eu disse fingindo pensar.
- Exatamente, você já ficou isolada do mundo por muito tempo, levanta daí, toma um banho, e vem se encontrar com a gente, ta todo mundo aqui na casa do .
- Hmm, do é? - Eu tinha que zoar com ela, no fundo eu sabia que a gostava dele. Ela só não admitia pra si mesma.
- É do , e nem adianta vir com gracinha pro meu lado, se arruma logo e vem. Beijos! - E desligou na minha cara. Beleza, depois eu me acerto com ela. Levantei da minha cama resmungando e xingando ate a milésima geração da e fui tomar banho. Não tava muito a fim de me arrumar, então apostei no básico, jeans skinny com uma batinha branca muito bonitinha por sinal e um all star da mesma cor. Dei um jeito rápido no cabelo, seguido de uma maquiagem leve pra disfarçar a minha cara de sono. É ate que não ficou ruim. Peguei meu casaco, e desci dando um breve tchau pra minha mãe que ficou falando alguma coisa como "ate que enfim ela vai sair". Resolvi ir caminhando ate a casa do ate porque eu não tinha carro e duvido muito que algum deles ia sair pra me buscar. Bando de preguiçosos. A casa do não era longe da minha, somente um quarteirão, então foi uma caminhada rápida ate lá. Já do lado de fora eu escutei os gritos que vinham da casa. Na certa os pais dele deveriam estar viajando, porque senão já tinham botado todo mundo pra fora. Ri comigo mesma imaginando o que eles estavam fazendo e toquei a campainha. Ninguém atendeu, também com a barulheira que eles estavam fazendo, ninguém devia ter escutado. Bufei, e apertei de novo. Várias vezes. Acho ate que quebrei a campainha dude, saiu ate fumaça. Depois de tanto apertar eu desisti e girei a maçaneta, e como eu previ tava aberta. Quando eu entrei na sala, dei de cara com os meninos só de boxers e meias, dançando pussycat dolls em cima da mesinha de centro enquanto as meninas rolavam de rir no sofá. empinava a bunda, enquanto dava tapinhas fazendo uma cara de cachorra sem vergonha, tava com as mãos na cintura rebolando, se é que se pode falar que aquilo que ele tava fazendo é rebolar e o dava pulinhos extremamente gays enquanto girava balançando as mãos. Preciso dizer que foi uma das cenas mais gays que eu já vi na vida? Poisé, essa com certeza vai pra minha lista. Fiquei parada olhando aquela cena estranha, ate que a Florença percebeu a minha presença ali e deu um grito.

- Ate que enfim apareceu a margarida. Vem sentar aqui com a gente - me chamou já vermelha de tanto rir. Eu sorri balançando a cabeça em negação e me dirigi em direção a ela, me sentando ao seu lado, ate que o resto finalmente pareceu me notar.
- - pulou em cima de mim, com um sorriso mil dentes, me esmagando. - achei que tinha esquecido de mim - ele fez biquinho e eu ri. era meu melhor amigo desde que eu vim morar em Londres. Ele morava do lado da minha casa, nossas mães ficaram amigas e consequentemente nos dois também.
- Não faz drama, foram só duas semanas e sai de cima de mim que você ta gordo - eu disse rindo da cara de indignação que ele fez.
- Obrigado pela consideração - ele se levantou rindo e se espremeu do meu lado.
- Cansei! - falou se jogando no tapete seguido pelos outros.
- Ate que enfim, vocês pararam com o momento gay de vocês eu já tava ficando traumatizada.
- Chata.
- Idiota.
- Não se esqueça que um dia eu te amei - ele disse e deu língua. Eu ri e me virei pra .
- Você me fez sair de casa pra ficar aqui o dia inteiro?
- Não, na verdade eu tava pensando de a gente ir ate o parque. O que vocês acham?
- Por mim tudo bem.
- Por mim também - Todo mundo disse junto e começou a rir.
- Ok, então vistam uma roupa descente, enquanto a gente espera vocês aqui - ela disse pros meninos que saíram catando as roupas espalhadas pela sala, e indo se vestir logo em seguida.

Nós estávamos caminhando pela rua, era final de tarde e estava bastante frio, o vento gelado cortava meu rosto, enquanto eu me apertava cada vez mais no meu casaco. e estavam na frente cantando animadamente uma música que eu não consegui distinguir qual era, e estavam logo atrás conversando sobre algum jogo de cricket, e pareciam duas crianças felizes se estapeado e rindo e eu caminhava ao lado de em silêncio. Eu estava bastante distraída, observando o ceu que estava anormalmente bonito hoje, apesar do frio, quando senti um par de braços em volta do meu obro, olhei pra cima e vi que era . Sorri e ele devolveu o sorriso, ainda olhando fixamente em meus olhos, sustentei o olhar sem a mínima vontade de desviá-lo e não sei por quanto tempo ficamos nos olhando, mas por fim ele desviou e olhou pra frente. Nós já tínhamos chegado ao parque. Eu me lembrava claramente daqui, quando nos éramos pequenos vínhamos todos os dias pra cá e passávamos horas brincando e rindo das besteiras dos meninos. Sorri sozinha lembrando-me da minha infância e de como eu me divertia naquela época. Estava tão absorta nas minhas memórias que só me dei conta de que estava parada no meio do parque quando a voz de me despertou e eu ouvi as risadas dos meus amigos que estavam "brincado", detalhe pra parte de que eles eram maiores que os brinquedos. Sim, são um bando de crianças felizes.

- Vai ficar ai parada, parecendo que viu um fantasma, ou vai se juntar as crianças? - ele disse e apontou com a cabeça pro lugar onde os outros estavam.
- Naah, eu vou sentar. - eu disse e me dirigi para uns balanços que eu tinha visto - vai se juntar a eles?
- Nop, vou ficar aqui com você. - ele disse e se sentou no balanço ao meu lado. Ficamos um tempo observando as "crianças" brincando, às vezes riamos quando um deles caia e o resto se jogava em cima formando um montinho. Pela primeira vez o silencio não me incomodou, pelo contrario, nenhum de nos tinha coragem de quebrá-lo era como se qualquer palavra fosse estragar aquele simples momento. A brisa tocou de leve o meu rosto e fez meus cabelos darem uma leve balançada, mas apesar do vento leve ainda estava igualmente frio, eu estremeci e notei que percebeu, porque isso o fez começar a falar.
- Com frio? - Ele perguntou, me olhando.
- Um pouco. - Admiti, sorrindo.
- Quer meu casaco?
- Não, não, ta tudo bem, aliás, isso não me parece justo. Você ficar com frio enquanto eu fico com um casaco de sobra.
- Não to com frio.
- Esqueci que você tem um problema de temperatura. - ele riu pelo nariz.
- Você que é frienta demais.
- Ah claro, você parece ter um aquecedor interno e a problemática sou eu. - ele soltou uma risadinha baixa e ficou me encarando por alguns minutos antes de começar de novo.
- Então me diga, porque resolveu sumir dos seus lindos e queridos amigos?
- Sei lá, acho que porque eu tava cansada de fazer sempre a mesma coisa - eu continuei olhando pra frente enquanto falava.
- Hmm, e se trancar no quarto era uma forma de resolver isso?
- Me pareceu um bom plano.
- Você é estranha - ele disse e voltou a olhar pra frente rindo - Isso pode soar ridículo mais eu senti sua falta. - Eu olhei pra ele com um olhar estranho. Onde estavam as reclamações e puxões de orelha que ele provavelmente me daria? De todas as respostas que eu esperava essa foi a última que eu imaginei.
- Eu também - disse por fim. O que não era mentira, por mais que tenha sido pouco tempo eu sentira falta da companhia de - Mas você sempre pode tacar alguma coisa na minha janela que eu vou aparecer lá.
- Parece uma proposta tentadora.
- Eu sei. Eu mesma quase taquei uma na sua esses dias - eu ri me lembrando de como eu e ele tínhamos mania de tacar coisas na janela um do outro quando queríamos conversar, mas como minha pontaria não era das melhores, às vezes ele aparecia com alguns roxos a mais no outro dia, ou então algum vidro era quebrado.
- Você sempre pode tentar uma coisa menos perigosa, como o telefone, por exemplo.
- Que graça tem nisso?
- Tem que depois eu não me fodo por causa da sua má pontaria.
- Calúnia, meu Deus! - eu fiz a melhor cara de indignada que eu consegui, segurando meu riso, porque o que ele estava falando não deixava de ser verdade - ate parece que a minha pontaria é tão ruim assim.
- Ah claro! Sua pontaria é ótima, como no dia que você mirou no e me acertou uma sapatada no meio da cara, isso porque eu tava do outro lado da rua, se tivesse mais perto então... se brincar tinha ficado ate sem um olho. Até quando eu não faço nada eu me fodo. - ele fez beicinho e começou a resmungar sobre como ele sempre se dava mal. Eu não aguentei mais. Comecei a rir e me estiquei no balanço para apertar as suas bochechas, eu teria conseguido se a distancia não fosse um pouco grande e meus braços tão curtos. Resultado: eu me estatelei no chão e vi um se mijando de rir de mim, se levantando e vindo na minha direção ver se estava tudo bem.
- Eu to bem, eu to bem. - eu disse me levantando e batendo a mãos na minha calça que tinha ficado cheia de terra - Da pra parar de rir, nem foi tão engraçado assim. - eu dei um pedala nele, enquanto caminhava me distanciando do parque.
- Hei aonde você vai? - ele veio correndo pra me alcançar e parou na minha frente.
- Ahn, na sorveteria? - era mais uma pergunta do que uma resposta.
- Ah ta, achei que tinha ficado com raiva - Eu dei outro pedala nele. Sim sou muito carinhosa.
- Porque eu ficaria com raiva besta?
- Sei lá você é doida. Nunca sei o que você ta pensando - ele disse e se virou pra me acompanhar - Quer que eu vá com você?
- Se você quiser.
- Sem problemas.
- Não é melhor avisar eles que a gente ta saindo? Senão depois eles ficam nos procurando - eu perguntei.
- Ah é - ele se virou e deu um grito - AO CAMBADA TAMO INDO PRA SORVETERIA OK? - mas nenhum deles pareceu escutar, então voltamos a andar.
- Assim eu mesma teria feito.
- Não reclama - eu olhei pra ele com uma sobrancelha arqueada e ele riu - Quer dizer, desse jeito era mais fácil.
- Bom menino - eu ri junto.


Capitulo Dois.

Cheguei em casa mais ou menos umas 18:30. me deixou em casa, já que era ao lado da dele, depois de quase sermos expulsos da sorveteria. Aquele maluco tacou sorvete em mim só que eu me abaixei e o sorvete acertou uma senhora que estava logo atrás. A mulher virou o pemba pra cima dele e começou a distribuir sombrinhadas em qualquer parte do que ela conseguia acertar, xingando e profanando desgraças enquanto ele ria tentando se explicar e eu rolava de rir na mesa. Por fim, o dono da sorveteria pediu educadamente (lê-se: gritando) para que nos retirássemos de lá. Pendurei meu casaco no hall, passei na cozinha e peguei uma maçã na geladeira, dei um beijo na minha mãe que estava fazendo o jantar e subi pro meu quarto me jogando na cama. Tirei o all star empurrando com o pé mesmo, porque tava com preguiça de abaixar pra desamarrar e liguei a TV. Como não estava passando nada de interessante, deixei em um canal que estava passando uma reprise de Gossip Girl. Eu estava toda boba, babando no Nate, quando senti alguma coisa vibrando em baixo de mim, tirei o celular rapidamente do bolso e atendi sem nem mesmo olhar no visor.

- Que foi?
- Existe uma coisa chamada educação sabia ? – Era como sempre.
- Desculpa – eu disse rindo.
- Sem problemas, mas enfim, onde a senhorita se meteu a tarde toda? Quando eu olhei pro lugar pra onde você tinha ido, não estava mais lá. Aliás, nem você nem o .
- Eu queria ir à sorveteria e ele se ofereceu pra ir comigo – eu ri me lembrando do que havia acontecido durante a tarde – a gente avisou, mas vocês estavam muito ocupados com o momento ‘recordar é viver’ para ouvir.
- E vocês perderam o que aconteceu – ela riu e depois continuou – o sem querer escorregou numa poça e voou lama pra todo lado, inclusive no cabelo da que ficou furiosa e saiu correndo atrás dele pelo parque com um pedaço de galho que ela achou no chão, gritando todos os tipos de ameaças, enquanto o não sabia se ria, corria ou se desculpava – a essa altura eu já estava rindo com ela imaginando a cena – aí ele tropeçou e não deu tempo da parar de correr. Foram os dois de cara no chão. A ficou em cima dele o estapeando até que a gente conseguiu parar de rir pra tirar ela de cima dele. Ela continuou contando sobre tudo o que eu havia perdido durante a tarde e nisso ficamos quase uma hora no telefone, conversando sobre coisas sem importância, contei a ela sobre o que tinha acontecido sorveteria e rimos juntas dos comentários que ela fazia, por fim ela teve que desligar por que tinha combinado de ir cedo ao shopping com a . Como não estava com fome gritei um boa noite para minha mãe, coloquei meu pijama e corri pra debaixo do edredom. Dormi mais rápido que o normal, de tão cansada que eu estava e talvez seja por isso que eu sonhei com coisas sem muito sentido. No meu sonho, eu estava em um lugar bonito que eu não conseguia identificar qual era, mas que era muito parecido com um antigo porto. Eu estava usando um vestido branco na altura dos joelhos que de vez enquanto balançava com o vento assim como os meus cabelos que estavam soltos. Eu estava descalça, com os olhos fechados e a cabeça um pouco inclinada pra trás, sentada na ponta de uma enorme passarela, com os pés balançando no ar e ouvindo o barulho que as ondas faziam quando batiam na madeira que a sustentava. De vez enquanto eu os abria para olhar a lua que estava anormalmente bonita. A minha frente eu podia ver o mar, que estava um pouco agitado, formando várias e várias ondas que se quebravam abaixo de mim. Quando eu olhei pro lado puder ver sorrindo e caminhando lentamente na minha direção sob a luz fraca da lua, e tenho quase certeza de que eu também sorria de volta. Ele sentou-se ao meu lado em silencio e pegou na minha mão com todo o cuidado como se eu fosse “quebrável” ou alguma coisa do tipo e ficou alisando por alguns minutos. Fiquei olhando para ele, tentando entender o que aquilo significava e o porquê de eu estar ali, até que finalmente ele olhou diretamente nos meus olhos ainda sorrindo, mas eu pude jurar que vi um traço de insegurança neles. Ele me disse que tinha uma coisa importante da qual queria me contar, mas quando ele estava prestes a falar eu acordei. Sentei na cama e olhei em volta para me certificar que estava mesmo no meu quarto, no relógio passava um pouco mais das onze da manhã. Fiquei pensando sobre o que aquilo significava quando escutei uma batida na porta e uma voz extremamente familiar chamando meu nome.

- ? – era ele.
- Pode entrar – eu disse me endireitando na cama e balancei a cabeça com a intenção de afastar os pensamentos sobre o meu mais recente sonho. Ele abriu a porta e colocou a cabeça pra dentro para se certificar que eu estava mesmo consciente e por fim entrou. Fechou a porta atrás de si e andou lentamente até a ponta da minha cama, sob meu olhar confuso e se jogou lá mesmo.
- Posso saber a que devo a honra da sua visita, essa hora da manhã? – eu o olhei com a sobrancelha arqueada.
- Não tinha nada pra fazer e eu sabia que você estava dormindo porque a sua cortina ainda tava fechada, então resolvi vir te acordar, mas pelo que parece não tive muito sucesso.
- Se você tivesse chegado um minuto antes teria conseguido.
- Da próxima vez eu me adiantarei então.
- Próxima vez. – eu gemi. Ele riu. Me espreguicei e levantei da cama num pulo. Dei uma mordida na bochecha dele que ficou resmungando enquanto eu seguia pro banheiro para fazer minha higiene matinal. Penteei o cabelo prendendo-o num rabo alto, lavei o rosto e enquanto eu escovava os dentes voltei para o quarto e vi um confortavelmente esparramado na minha cama, com a cabeça apoiada nas mãos assistindo alguma serie policial.
- Mas é muito folgado mesmo – eu disse parada na porta do banheiro com uma mão na cintura enquanto escovava os dentes com a outra.
- Só um pouquinho – ele deu aquele sorriso mil dentes e bateu com a mão no lugar ao lado do seu indicando para que eu me deitasse lá. Fiz um sinal para que ele esperasse e ele assentiu com um aceno de cabeça voltando a fitar a TV. Entrei no banheiro novamente e enxagüei a boca tirando todos os vestígios de creme dental. Sequei e corri para o quarto me jogando ao lado dele na cama. Ele sorriu e passou o braço ao redor do meu ombro me trazendo pra mais perto de si, enquanto eu afundava a cabeça em seu peito.
- Alguma idéia do que vamos fazer hoje? – eu perguntei levantando um pouco a cabeça e olhando diretamente pra ele.
- Pra quem não queria sair de casa durante esse tempo todo a senhorita ta bem animadinha – ele me olhou e eu dei língua - Bom, o me disse que eles iam todos pra casa do já que os pais dele ainda estão viajando. Mas se não quiser ir pra lá, podemos fazer outra coisa.
- Não, eu quero ir. Vai ser divertido – eu disse com uma cara meio retardada e ele riu me mandando trocar de roupa. Só então percebi que ainda estava de pijama. Corri pro guarda roupa procurando minha calça jeans, peguei uma camiseta dos Beatles e um all star vermelho e entrei no banheiro para me trocar, passei uma maquiagem leve pra disfarçar a cara de quem acabou de acordar e voltei pro quarto. Ele me olhou de cima a baixo.
- Bonita – eu corei, e fiz uma careta em desaprovação – não, serio ficou bom, principalmente a camiseta – ele colocou a língua entre os dentes fazendo uma cara engraçada e se levantou se pondo ao meu lado.
- Vamos madame? – ele tentou fazer uma cara séria prendendo o riso e me ofereceu o braço.
- Claro cavalheiro – eu fiz uma reverência exagerada rindo e agarrei o braço dele. Descemos as escadas rindo e fazendo piadinhas um com a cara do outro, demos um beijo na minha mãe que estava na sala assistindo TV e ela sorriu ao ver que eu ia sair com ele, aliás, já mencionei sobre o fato de que a minha mãe ama o ? Poisé, ela sempre diz que ele é um menino exemplar e que não poderia haver amigo melhor pra mim do que ele. Mal sabe ela que de exemplar aquilo ali não tem nada, mas eu tenho que concordar com ela na parte do melhor amigo. Eu realmente não saberia o que fazer se eu não tivesse o comigo sempre que eu precisei, pra me apoiar ou me dar uns puxões de orelha quando eu faço alguma burrada. Mas voltando ao assunto, fomos até a casa do de carro, já que o estava com as chaves do carro do pai dele. Fomos cantando (lê-se: berrando) animadamente qualquer música que tocava na rádio, durante todo o caminho, sim, somos duas pessoas felizes, enquanto eu fazia umas dancinhas esquisitas, bom pelo menos tentava já que eu estava sentada, e ele ria de mim, até que finalmente tínhamos chegado. Ele estacionou perto do carro que parecia ser o do e caminhamos ate a porta, e por um milagre a casa estava silenciosa. Por um momento pensei que eles não estivessem lá, mas assim que abrimos a porta vimos seis pequenas crianças esparramas pela sala assistindo O Chamado, e nenhum deles pareceu notar a nossa presença. O filme tava bem na parte, em que a mulherzinha abre a tampa do poço e o me olhou com aquela cara de eu-vou-fazer-merda me fazendo abafar o riso com a mão. Ele foi andando com o maior cuidado para não fazer barulho e parou bem atrás do que estava roendo a unha de nervoso. Se aproximou da orelha dele e quando a mulher do filme abriu a tampa do poço:

- Bu! – ele disse e encostou sua mão que, diga-se de passagem, estava bastante fria, nas costas dele.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! – pulou um metro de distancia e se jogou no colo do parecendo uma bicha doida me fazendo gargalhar e os outros olharem pra ele assustados enquanto o praticamente rolava de tanto rir. Só então eles perceberam a nossa presença.
- seu paunocú, putaquepariu, quer me matar do coração seu viado, filhodumarapariga. – ele disse, com a mão no peito, ainda arfando por causa do susto, fazendo todo mundo rir mais ainda.
- você tinha que ter visto a sua cara – ele disse segurando a barriga, se esforçando para parar de rir. continuava profetizando desgraças, enquanto eu arrastava o e me jogava no sofá.
- Eu não sei vocês mais eu quero continuar vendo o filme. – disse.
- Eu também, mas o já acabou com a graça desse. Vamos ver outro. – sugeriu e começamos a discutir sobre os possíveis filmes que poderíamos ver. Por fim, acabamos por escolher Espíritos-2.
- Alguém busca pipoca. – pediu. Imediatamente todos olharam pra mim.
- Que? – eu perguntei já sabendo a resposta. Eles me olharam com cara de súplica e eu não resisti – Ta bom, ta bom, eu vou. Mais alguém vem comigo?
- Eu vou. – disse se levantando e me lançando um olhar bem significativo. Os outros ficaram na sala conversando, esperando até que nós voltássemos para iniciar o filme. Assim que chegamos na cozinha eu coloquei a pipoca que estava dentro no armário, no microondas, enquanto ela se sentava na cadeira de frente pra mim. Marquei o tempo necessário, me encostei no balcão e virei para encará-la.
- Fala – disse simplesmente. Ela me olhou envergonhada.
- É o . – ela corou e eu sorri encorajando-a. e eram um caso antigo. Os dois se gostavam desde a primeira vez que se viram, mas nunca assumiram algo mais sério. Já tinham ficado algumas vezes, mas nunca passou disso. – Bom – continuou ela – ele me pediu em namoro. – Essa realmente me pegou de surpresa. Eu nunca imaginei que o seria capaz de vencer a timidez e pedir a em namoro, abri e fechei a boca varias vezes, ainda sem acreditar e isso a estava deixando apreensiva, pois ela ainda me olhava como se pedisse a minha opinião sobre o que ela deveria fazer, apertando os lábios com força em sinal de nervosismo. Finalmente eu sorri e disse alguma coisa.
- Mas isso é ótimo não? Quer dizer, não era isso que você queria?
- Era, mas... sei lá! Eu to confusa.
- Você não gosta mais dele?
- NÃO, não é isso! – ela exclamou assustada – É claro que eu gosto dele, mas é que eu tenho medo de não dar certo, tipo, o nunca foi de assumir um compromisso mais sério, com o tempo ele pode achar que não é isso que ele realmente quer, e eu vou acabar me machucando por gostar dele mais do que devia. Parece que quando as coisas finalmente começam a acontecer, tem tudo pra dar errado. – os olhos dela já estavam marejados quando ela terminou de dizer. Eu abri os braços e a abracei. Fiquei afagando seu cabelo, enquanto sentia algumas lágrimas suas molhar minha camiseta. Esperei até que ela se acalmasse e a afastei, secando seu rosto com as costas da mão.
- , o gosta de você, você gosta dele e é isso que importa, eu tenho certeza que isso é bobeira sua. Pensa comigo, isso foi a coisa que você mais desejou por anos e quando finalmente acontece, você não pode deixar escapar por medo ou insegurança. Conversa com o , diz pra ele o que você ta sentindo, eu sei que ele vai te entender e vocês vão ficar juntos. Agora limpa esse rosto e vamos voltar lá pra sala, antes que aquele bando de esfomeados comecem a reclamar de fome. – Ela sorriu e limpou o rosto rapidamente com as mãos – Obrigada – disse baixinho. Eu assenti sorrindo e me virei para tirar a pipoca do microondas. Despejei tudo em uma vasilha enquanto a pegava a coca na geladeira. Voltamos para a sala e colocamos tudo em cima da mesinha que ficava entre os dois sofás, ignorando o fato de que a e o estavam quase se engolindo do nosso lado. Só pra constar eles são o único casal assumido entre nós, e ficam nesse chove não molha, e ainda não se assumiram e negam até a morte que têm algo, mas eu tenho minhas desconfianças e eu e o , bom, a gente é amigo e só. Mas, voltando ao assunto, eu mal vi o filme. Primeiro, porque os meninos não pararam de fazer gracinha nem um minuto, e segundo porque eu tava muito ocupada escondendo o rosto no ombro do , com medo do filme. Sim, eu tenho medo de filmes. Ficamos o resto da tarde vendo filmes e conversando e por fim resolvemos que iríamos todos dormir lá. Eu já estava praticamente dormindo sentada (n/a: eu to realmente dormindo sentada aqui :B -q) quando o me cutucou e me disse pra subir pro quarto, e foi o que eu fiz. Dei boa noite pra todo mundo e me arrastei escada acima, quando cheguei no corredor abri a porta do primeiro quarto que eu achei - não prestei muita atenção, mas acho que era o quarto da irmã do – e me joguei na cama. Eu já estava com umas roupas que eu tinha pegado emprestado com o então nem me preocupei com isso, puxei o edredom e dormi um sono sem sonhos. Quando eu acordei percebi que ainda era de madrugada e que caia uma chuva forte do lado de fora. Olhei no relógio e passava de um pouco mais das 3 da manhã. De repente um barulho forte de trovão encheu a casa que estava silenciosa e eu me encolhi ainda mais na cama e só então percebi que a estava dormindo ao meu lado. Fiquei pensando se a acordaria ou não. Eu sabia que ela ia me xingar e me mandar voltar a dormir, mas outro trovão ecoou e eu não pensei duas vezes.
- ? – eu a cutuquei – acorda pelo amor de Deus.
- Uhn? – ele disse se virando na minha direção ainda olhos fechados.
- Eu to com medo – disse. Ela abriu um olho e me encarou.
- vai dormir, já são mais de 3 horas da manhã.
- Não dá – ela resmungou alguma coisa inaudível e se virou me deixando falando sozinha. Bufei e me levantei reclamando, eu sabia quem eu ia procurar. Abri a porta com cuidado pra não acordar mais ninguém, e pensei em qual porta eu deveria bater. A casa estava totalmente escura a não ser pela luz dos relâmpagos que de vez enquanto iluminavam o corredor. Tinha minhas suspeitas de que ele estava no mesmo quarto que o , mas como não sabia qual era resolvi beber água antes de procurar. Desci as escadas silenciosamente, quando escutei um barulho vindo da cozinha. Se antes eu tava com medo, agora então nem se fala, mas resolvi continuar mesmo assim. Entrei na cozinha e vi o vulto de uma pessoa parada perto da pia, imóvel e ela não pareceu perceber a minha presença ali, apertei os olhos pra ver se conseguia enxergar quem era, mas não adiantou. Fiquei apreensiva, e se fosse um ladrão ou algo parecido? O máximo que eu conseguiria fazer seria sair correndo e gritando, isso se ele não me pegasse antes. Com muito custo, encontrei o interruptor e o acendi me preparando para gritar. Quando a luz se acendeu a pessoa que estava ali, se virou para me encarar e eu finalmente pude ver com clareza quem era.


Capitulo três.

- ? – a pessoa me chamou – Ta fazendo o que aqui uma hora dessas?
- , quer me matar do coração? Eu pensei que alguém tinha entrado aqui, e eu pergunto a mesma coisa pro senhor – eu disse e fui em direção a geladeira, enquanto ele continuava parado, encostado na pia. É claro que eu não pude deixar de reparar em como ele tava bonito só de boxer preta e camiseta branca, com o cabelo bagunçado e... Ah qual é?! Ele é meu amigo mais eu não sou cega. Ok chega. Foco .
- To sem sono, mas você ainda não me respondeu o que ta fazendo aqui.
- E por isso resolveu assaltar a geladeira do ? Eu perdi o sono e resolvi beber água, nada de mais. – enchi um copo com água enquanto falava e comecei a beber.
- Certeza que é só isso?
- Uhum – eu disse ainda com a boca no copo, ele arqueou uma sobrancelha me olhando ainda não acreditando no que eu disse. Coloquei o copo na pia e parei do lado dele – Ok eu desisto. Tava com medo do filme, a desalmada me mandou dormir, a chuva ficou mais forte e eu resolvi procurar você, mas como não sabia onde você estava vim beber água antes de procurar. Satisfeito? – eu disse cruzando os braços. Ele riu da minha cara de emburrada, porque ele sabia que eu tinha medo de filmes.
- quantas vezes eu vou ter que te dizer que filmes são apenas filmes? – Ele disse enquanto passava o braço entorno do meu ombro.
- Nunca se sabe, vai que o psicopata da machadinha resolve entrar no meu quarto e fazer picadinho de ? Se bem que eu aposto que vocês iam sapatear no meu túmulo, bando de desalmados – ele riu – Pode rir, mas quando eu voltar do além pra puxar a perna de vocês aí eu quero ver quem vai rir por último.
- Ta bom, senhora eu-tenho-uma-imaginação-fértil, agora eu posso saber pra que você ia me procurar? – Eu olhei com ele com a cara mais obvia que eu consegui fazer.
- Pra dormir com você é claro. Ou você achou que eu ia te seqüestrar e te levar pro matagal?
- A idéia do matagal muito me agrada – ele me olhou com uma cara pervertida e ao mesmo tempo engraçada e eu dei um tapa no braço dele – AI.
- Isso é pra você aprender a largar de ser safado. Agora anda que eu to com sono.
- Mais é muito abusada mesmo – eu dei um sorriso mil dentes – Só tem um problema, a gente vai ter que dormir no sofá. A não ser que você queira ir lá pra cima e descobrir a agradável experiência que é dormir com o .
- Ah não obrigada, essa eu deixo pra – eu olhei pro sofá calculando mentalmente a possibilidade de eu chegar antes do e pegar um espaço maior, mas pela cara que ele me olhou, devia estar pensando a mesma coisa. Nossos olhares se encontraram e na mesma hora eu comecei a correr na esperança de chegar primeiro, mas foi só esperança mesmo, porque ele passou na minha frente e ainda quase me derrubou no chão. Quando eu consegui chegar ele já tinha ocupado mais da metade do sofá.
- Muito bonito né? O senhor fica todo esparramado enquanto eu vou ter que me espremer nesse minúsculo pedaço que você deixou pra mim. Muito gentil da sua parte – eu falei parada de frente pra ele com as duas mãos na cintura e com a cara amarrada. Ele puxou o edredom, que eu nem sei de onde surgiu, e se cobriu calmamente como se eu não tivesse falado nada, depois me olhou de cima a baixo
– Quem mandou ser gorda – eu o olhei incrédula enquanto ele abafava o riso com o travesseiro pra não acordar os outros. No minuto que se passou eu pensei em mil formas de matar e torturar o . Ele logo percebeu a minha cara e se apressou em dizer.
- Você sabe que eu tava brincando – ele ficou serio de repente com medo de ter me ofendido e aí foi a minha vez de cair na risada.
- você não acha que eu ia me ofender com isso né? Eu sei que eu sou irresistível – eu disse fazendo pose e nós dois rimos. De repente um clarão tomou conta da sala, um trovão ecoou e junto à chuva que agora caia ainda mais forte do lado de fora. Eu dei um pulo e corri pro sofá, me espremendo no espaço que ainda sobrava e me enfiei debaixo do edredom. Abracei o com força e ele me apertou contra o seu corpo. Não sei se eu já mencionei, mas eu também tenho medo de trovão. Patético eu sei, mas eu tenho fazer o que.
- Shhh... – ele disse passando a mão pelo meu cabelo – eu to aqui, não precisa ficar com medo – eu me apertei ainda mais a ele, se é que isso era possível. Afundei a cabeça no peito dele e por um momento me vi embriagada com o cheiro de perfume da sua camiseta. Foco , foco. Durante alguns minutos a sala ficou totalmente em silêncio, onde só se ouvia o barulho das nossas respirações e da chuva caindo lá fora.
- Dormiu? – ele perguntou. Puxando o edredom pra me cobrir direito.
- Quase – eu sorri – Continua tava bom. – ele riu e continuou a alisar meu cabelo. Aos poucos eu fui ficando cada vez mais sonolenta e já não prestava muita atenção ao que acontecia a minha volta. Senti os lábios do na minha testa e tenho quase certeza de que o ouvi murmurar um ‘Eu te amo’ baixinho. Então, tudo ficou escuro e eu me vi num sono profundo.


Capitulo quatro.

É aconselhável escutar a música Waiting For You - Allister


Senti uma luz forte invadir a sala, então já devia ter amanhecido, imaginei. Apertei os olhos ainda fechados e tentei abri-los, mas desisti porque com certeza eu não conseguiria enxergar nada. A casa estava silenciosa, então todos ainda deveriam estar dormindo. Ia me virar pra ligar a televisão, mas senti um par de braços me envolvendo fortemente e lembrei que ainda estava dormindo. Tentei não me mexer muito mais, para não acordá-lo. Já estava quase dormindo de novo, quando ouvi o barulho de porta sendo fechada, e a voz da conversando com alguém que parecia ser o , mas de repente as vozes se calaram. Abri os olhos devagar por causa da luz e me arrependi de ter feito isso.


- Oi – estava com o rosto bem próximo do meu, provavelmente tentando imaginar o que eu e o estávamos fazendo ali.
- AAAH - Eu me assustei e bati a testa no nariz dele, antes de – não me pergunte como eu consegui – cair do sofá.
- Quem morreu!? – acordou tão assustado quanto eu e ficou sentando olhando pro que agora tentava estancar o sangue que saia do nariz, com cara de quem não tava entendendo nada. Ele só percebeu que eu tinha caído, quando viu a minha mão tateando o sofá, na minha tentativa frustrada de tentar me levantar – Ai meu Deus. ! – ele agarrou a minha mão e me ajudou a levantar – Machucou? – e me sentou no sofá enquanto eu esfregava a testa.
- Não, eu só bati a testa.
- No meu nariz alias – apareceu na sala com uma bolsa de gelo no nariz e ao seu encalço com outra nas mãos – Eu sempre soube que você tinha cabeça dura, mais não imaginei que fosse tanto assim - Eu mandei um lindo dedo pra ele, que riu e se sentou apoiando a cabeça pra trás.
- a, põe isso na testa – ela me entregou a outra bolsa e se sentou ou lado do pra cuidar do nariz dele, que já tava parando de sangrar.
- Obrigada – eu sorri e ela sorriu em resposta. me fez deitar no seu colo e ficou pressionando a bolsa e gelo contra a minha testa com todo o cuidado pra não me machucar mais.
- Não se pode dormir mais nessa casa? – apareceu no alto da escada com uma altamente sonolenta pendurada no seu braço – Bom dia.
- Bom dia – nós respondemos em coro.
- Qual é a da suruba? – agora foi à vez de a aparecer esfregando os olhos.
- Aê, vocês bem que poderiam falar mais baixo hein? – apareceu reclamando e quase rolou escada abaixo, o que foi motivo de risadas pra quem tava na sala – Bom dia.
- Bom dia – todo mundo respondeu junto novamente.
- Alguém pode me explicar qual o motivo da bagunça? – perguntou e olhou pra que praticamente babava encostada no ombro do , totalmente alheia a conversa – E amiga querida, qual o motivo de tanto sono? Por acaso o te cansou tanto assim noite passada? – ela disse, gerando vários “uuh” e “ual” dos demais.
- Haha engraçadinha. Se você não se lembra eu dormi com você noite passada – deu de ombros e voltou a encarar os outros – E então, vão me responder por que me tiraram da cama tão cedo ou não?
- Em primeiro lugar, já não é tão cedo assim. Na verdade já são quase 11:00 horas – se manifestou, olhando no relógio na parede oposta a onde ele estava.
- Que seja – ela fez um gesto com a mão.
- e estavam dormindo juntos no sofá – disse, como se aquilo fosse a coisa mais estranha do mundo. Eu corei de leve e somente percebeu.
- E daí? Nós todos fazemos isso o tempo todo – disse.
- E daí que eu queria saber como eles vieram parar aqui.
- Ta mais isso não explica o porquê desse nariz sangrando.
- A com esse cabeção duro.
- Ei, eu não tenho cabeção e muito menos duro – Eu me manifestei pela primeira vez ali.
- Ih, maliciei – disse rindo e recebendo olhares de reprovação da .
- O muito curioso foi ver o que os dois – apontou pra mim e pro Daniel – estavam fazendo e acabou acordando a que se assustou e bateu a testa no nariz dele, antes de cair do sofá.
- Também com essa cara feia quem não assusta – parecia finalmente ter acordado pra prestar atenção à conversa gerando risos em todos. mandou dedo pra ela que mandou um beijo no ar em resposta.
- Peraí, você caiu do sofá? – perguntou apontando pra mim.
- Cai.
- Eu sempre perco a parte legal.
- To com fome – disse numa tentativa de mudar de assunto antes que se voltasse pra nós e o que estávamos fazendo no sofá. Lancei-lhe um olhar de gratidão e ele sorriu em resposta – O que tem pra comer?
- E desde quando na casa do tem alguma coisa pra comer? – disse rindo – Esse aí é um que parece que nunca viu comida na vida.
- Há engraçada. Pois fiquem sabendo que eu comprei nosso café da manhã.
- Você uma ova, quem comprou fui eu – disse o encarando.
- Mas eu fui junto.
- Porque eu te obriguei.
- Ta, ta depois vocês discutem quem comprou ou deixou de comprar – disse quando abriu a boca pra protestar – Agora quem ficou com fome fui eu – e se levantou indo em direção a cozinha, sendo seguida pelo resto. Estávamos tomando café quando a – por um milagre – teve uma boa idéia.
- você ta sozinha em casa, certo?
- Uhum – ela respondeu com a boca cheia de pão.
- Então, a gente podia aproveitar que hoje esta quente e ficar na piscina.
- Finalmente você teve uma idéia que preste.
- Eu sempre tenho.
- Finjo que acredito.
- Eu acho uma boa idéia, e vocês? – perguntou tirando os olhos dos biscoitos que tava comendo para olhar pra nós. Todo mundo balançou a cabeça em sinal de afirmação sem tirar os olhos da comida – Ok, estou cercado por um bando de esfomeados – todo mundo parou e se entreolhou.
- No três – disse com um sorriso malicioso no canto dos lábios.
- TRÊS – gritou e todo mundo pegou o que estava comendo e tacou no , que se encolhia na cadeira – EI – ele reclamou e pegou um pedaço de pão que estava preso no seu cabelo – GUERRA DE COMIDA – gritou e tacou o pão em e logo todo mundo já estava pegando a primeira coisa que via na frente e tacando uns nos outros. No final, nós estávamos imundos, pode-se dizer, e rindo uns da cara dos outros.
- Eca, tem manteiga no meu cabelo – eu reclamei rindo enquanto tentava tirar aquela coisa do meu cabelo.
- Não reclama que eu to coberto de farelo de biscoito – disse sacudindo a roupa e fazendo alguns farelos caírem no chão.
- Ta tudo muito bom, tudo muito er... Sujo? – falou e nós rimos – Mas vamos arrumar isso aqui, porque todo mundo ainda tem que passar em casa pra tomar banho e pegar as coisas, certo? Ou vocês querem nadar pelados?
- Seria uma opção a se considerar – falou, ganhando tapas de e .
- Sua opinião aqui não conta.


Depois de um bom tempo tentando inutilmente tirar as manchas de manteiga e todo o tipo de comida da parede, nós fomos embora pra casa. Eu voltei com o e a que eram os que moravam mais perto de mim. Dentro do carro, eu liguei o som, enquanto a , que estava pendurada entre os dois bancos da frente, se preocupou em encher o saco do e tagarelar alguma coisa que eu não consegui escutar qual era. Deixamos ela em casa e combinamos de passar dali meia hora para pega-la de novo. Entrei em casa e como não tinha ninguém, subi direto pro meu quarto. Tomei um banho rápido, pra me livrar da sujeira que eu me encontrava desde o café da manhã. Saí do banheiro e me enrolei na toalha, meus cabelos ainda estavam pingando pelo quarto, quando eu liguei o som enquanto me arrumava, e coloquei o CD de uma das minhas bandas favoritas lá do Brasil. Não sei se eu já mencionei, mas eu sou brasileira. Mudei-me pra Londres quando eu tinha oito anos, porque meu pai foi transferido pra cá. Eu sinto falta do Brasil é claro, principalmente do calor, mas eu amo a Inglaterra dude, e não trocaria aqui por nada nesse mundo. Ok trocaria sim, mas só pelo Johnny Depp (n/a: Morro *---*), mas isso não vem ao caso. Eu estava dançando pelo quarto que nem uma louca, escutando o Marcelo, vocalista do Strike, cantando ‘Pena que acabou’, e tentando achar meu biquíni, que eu tinha certeza que estava soterrado em algum lugar debaixo da pilha de roupas dentro do meu armário. “... eu sou desleixado e vivo atrasado o oposto que atrai você o mal necessário sempre o errado só não quis de perdeeeer. Agora que aca...” eu estava berrando a toda altura, quando ouvi meu celular tocando em algum lugar dentro da minha bolsa. Corri e comecei a vasculhar ela a procura do bendito celular e nessa hora a gente acha de tudo, até as coisas mais impossíveis, menos o que a gente quer. Virei ela de cabeça pra baixo e joguei tudo em cima da cama e finalmente achei o celular que quase se espatifou no chão.


- ooooooooi?
- Tava fabricando o celular ? – educação em pessoa como sempre, corri e abaixei o volume do som para poder escutá-la melhor.
- Fala logo o que você quer, ô praga.
- Você sabe onde que eu deixei aquele meu biquíni preto que eu comprei semana passada?
- Se nem você sabe, eu que vou saber criatura? – eu disse rindo. Esse povo deve ta me achando com cara de vidente – Procura em baixo da cama ou na gaveta da cômoda que deve ta lá.
- Ok, peraí – ela disse e eu tive a impressão de ter ouvido-a xingando por ter batido a cabeça em alguma coisa. Ri sozinha imaginando a bagunça que ela deveria estar fazendo. só não era mais desorganizada do que eu. Enquanto esperava, tentei visualizar meu short jeans que deveria estar jogado por ali. O avistei em cima do abajur na mesa de cabeceira e corri para pega-lo e largando-o em cima da cama. Votei pro armário, e vi a ponta do meu biquíni pendurada debaixo de umas calças. Coloquei o celular no chão e agarrei a ponta que estava pra fora. Puxei, mas não adiantou muito, então puxei com mais força e foi aí que o biquíni se soltou com tudo e eu caí de bunda no chão.
- Merda – eu disse e escutei a risada escandalosa da do outro lado.
- Achei! – a ouvi gritando do outro lado – Tava dentro do armário do banheiro. Vejo você daqui a pouco?
- Aham, aliás, o já deve estar passando aqui daqui a 10 minutos e eu nem terminei de me arrumar. Deixa eu me apressar antes que ele chegue e eu nem tenha trocado de roupa. Beijo.
- Ok, não demora. Beijo. – Desliguei e continuei a me trocar. Coloquei um biquíni branco, o meu inseparável short jeans e uma blusinha roxa. Enfiei o protetor, toalha e todas essas coisas que eu precisaria dentro de uma bolsa e desci pra sala, para esperar pelo . Mal acabei de descer as escadas e escutei a buzina do carro do lado de fora, então escrevi um bilhete rápido pra minha mãe explicando onde eu estaria caso ela precisasse e corri pra porta. Abri a porta do carro e me sentei no banco do carona, ao lado do , que estava com um óculos escuro e batucando com as duas mãos no volante no ritmo do que parecia ser “Feeling This” do Blink-182.
- Pronta? – ele me perguntou me olhando de canto de olho. Eu apenas assenti e também coloquei os óculos, ele riu e acelerou com o carro. Quando nós chegamos à Rua da , ela já estava do lado de fora sentada no passeio nos esperando. Ele buzinou pra implicar e ela mandou dedo pra ele rindo enquanto entrava no carro, trocando ‘elogios’ entre eles. Enquanto eles estavam demonstrando seu amor para com o outro, eu estava mexendo na rádio até que começou a tocar Allister, que consequentemente é uma das bandas preferidas minha e da .
- Deixa aí ! – Ela disse pendurada entre os dois bancos da frente. Eu me virei pra ela e nós começamos a cantar (lê-se: berrar) junto com a música.


If I could tell you one thing
(Se eu pudesse te falar uma coisa)
Then I'd tell you everything
(Então eu falaria tudo)
I'd probably say that you've been on my mind
(Eu provavelmente diria que você está na minha cabeça)
Since we held hands out in the rain
(Desde que ficamos de mãos dadas na chuva)
Smoking cigarettes to play
(Fumando cigarros para se divertir)
Off all the butterflies I had inside
(Para tirar todo o nervosismo que eu sentia por dentro)


Eu e a estávamos parecendo duas doidas, gritando a música a toda altura, enquanto o só ria e batucava com as mãos no volante.


And now I think that you should know
(E agora eu acho que você deve saber)
That you've got everything
(Que você tem tudo)
That I've wanted for so damn long
(Que eu quis por tanto tempo)
And that I wouldn't hesitate to trade away everything
(E eu não hesitaria em jogar tudo pro alto)
If you tell me that I'm not wrong
(Se você disser que eu não estou errado)
So know I think that you should know
(Então eu acho que você deve saber)
That I've been waiting for you
(Que eu estava esperando por você)


Eu me virei totalmente pra trás, enquanto nós duas fingíamos que tínhamos microfones nas mãos. estava balançando a cabeça de um lado pro outro, pulando no banco de trás, enquanto eu cantava olhando pro que continuava rindo, mas não apenas do jeito que nós estávamos, parecia que a música significava muito mais do que demonstrava. Ok, eu estou ficando mais louca que de costume ultimamente.


Since we sat underneath the stars
(Desde quando nós ficamos sentados embaixo das estrelas)
As I held you in my arms
(Enquanto eu te segurava em meus braços)
Killing just another summer night
(Passando outra noite de verão)


Agora eu estava com a cabeça pendurada do lado de fora, enquanto a ria e continuava berrando animadamente. Um casal de idosos que passava na rua apontou pra mim com o rosto horrorizado, como se eu fosse alguma louca fugida do hospício – bem que parecia – e isso me fez rir mais ainda. A também enfiou a cabeça pra fora e nós ficamos cantando pra quem quer que passasse na rua.


It's funny how the best things happen sometimes
(É engraçado como as melhores coisas acontecem às vezes)
And how I'll always remember those endless nights
(e como eu sempre me lembrarei daquelas noites intermináveis)
But don't forget I regret the fact that I have to leave you
(Mas não se esqueça que eu lamento o fato de ter que te deixar)
Right as the best part starts
(Bem quando a melhor parte começa)
So I thought I'd take the time to say
(então eu pensei que levaria um tempo para dizer)
That I've been waiting for you
(Que eu estive esperando por você)


Cantamos a última frase juntas e nos endireitamos no banco rindo, enquanto o nos olhava e balançava a cabeça.
- Loucas.
- Ah qual é, vai dizer que você nunca fez isso? – perguntou.
- Não desse jeito.
- Que seja.
- Chegamos – ele disse e estacionou o carro perto de uma árvore ali. Apesar de ser outono o dia estava quente e o sol brilhava no céu. Nada comparado com o calor do Brasil, mas era um bom dia pra se ficar na piscina. Eu e a descemos na frente enquanto o pegava o resto das coisas no carro. Já estava quase entrando na casa da quando eu o escutei gritando meu nome.
- ! – Eu me virei, e vi o correndo pra me alcançar, deu uma olhada antes de entrar – Eu preciso falar com você.
- Pode falar.
- Aqui não. Depois, está bem?
- Tudo bem. Aconteceu alguma coisa? – eu perguntei preocupada.
- Não, não aconteceu nada – ele sorriu – Por enquanto.
- Ta me deixando curiosa.
- Eu sei – ele gargalhou – Você logo vai saber. Se é que já não sabe, e vamos entrar logo antes que pensem que eu te sequestrei e que nós fomos pro motel fazer filhos – nos olhamos por alguns segundos e gargalhamos da besteira que ele havia dito. Eu fui à frente e abri a porta para que ele passasse porque estava com as mãos ocupadas. Chegamos ao fundo da casa a tempo de ver a arrancando a roupa rápido e correndo pra piscina levando um que estava distraído conversando com a junto. e estavam deitados em uma espreguiçadeira se agarrando como sempre e e estavam sentados na borda da piscina com um violão provavelmente inventando alguma música idiota, porque eles não paravam de rir. A piscina da casa da era bem grande, alias o quintal inteiro era bem espaçoso, além da piscina tinha um jardim enorme e uma varanda onde ficava uma churrasqueira e umas mesas. Eu me dirigi pra onde eles estavam largando as minhas coisas em cima de uma espreguiçadeira que estava ali e me sentei com eles, enquanto o sumiu pra algum lugar da casa.


’s POV on


Eu tinha ido colocar a cerveja e o resto das coisas na geladeira, quando eu voltei e vi a tirando a roupa perto da piscina, ela tava de biquíni é claro, mas dude confesso que meu queixo foi lá embaixo e voltou, assim como o do e o , como eu pude ver pela cara deles. Dude a não é aquela menininha que ficava brincando com os meninos na rua mais, ela cresceu e MEU DEUS. Assim dava pra ver claramente que ela não era daqui, pela pele que apesar dos anos que ela mora aqui, ainda é bronzeada e pelas curvas e... Ok , para de babar em cima dela. Eu engoli em seco e fui pra perto deles. estava tentando convencê-la a entrar na água e ela se recusava alegando que tava fria, assim que me viu ela gritou.
- Eu só entro se o entrar também.
- Sem chance baby – eu que não ia entrar mesmo, a água devia estar bem fria e eu não estou a fim de pegar um resfriado depois.
- Por favor zinho, você sabe que eu te amo – ela se aproximou com aquela cara de bebe, fazendo biquinho. Ela sempre faz isso quando quer alguma coisa, e eu que não ia cair nessa. Não mesmo.
- Nem vem. Não adianta fazer essa carinha pra mim.
- Ah , você vai negar isso pra sua amiguinha querida do coração? – ela se pendurou em mim enquanto e riam da cena.
- Vou. E nada vai me fazer mudar de idéia – eu olhei pra ela rindo também.
- Mesmo? E se... – ela disse e olhou de mim pra piscina. Ela não teria coragem teria? Não, não teria. Eu acho. Eu estava perigosamente perto de lá.
- Você não ousaria.
- Pensa duas vezes – ela disse e me jogou na piscina, se afastando correndo pra água não respingar nela. Eu submergi com os cabelos na cara o que fez eles rirem mais ainda.
- Você não devia ter feito isso – disse saindo da piscina e balançando o cabelo.
- Nem pense nisso – ela disse se afastando.
- Tarde demais eu já pensei – eu disse com um sorriso malicioso e saí correndo atrás dela pelo jardim dali. Ela corria e gritava coisas como não, por favor, por favor’ e ‘Eu juro que nunca mais faço isso’ enquanto eu só ria e continuava correndo atrás dela em volta da piscina – Peguei – eu disse quando eu consegui alcança - lá. Eu a abracei pra conseguir segurar os braços dela, e quando a minha pele que estava fria e molhada, encostou-se com a dela eu percebi que ela se arrepiou e eu também. Ela começou a se debater e eu a peguei no colo, pra que ela não pudesse fugir.
- , por favor, eu faço qualquer coisa – ela pediu rindo de nervoso e eu pensei em coisas não muito apropriadas pro horário. Ok parei.
- Sem chance.
- Por favor?
- Não.
- Idiota – eu gargalhei.
- Você que pediu por isso benzinho – ela pos língua pra mim e eu sorri. Eu adorava esse lado meio crianção da – Pronta?
- Não tem outro jeito né – ela falou se agarrando ainda mais ao meu pescoço e enterrando a cabeça ali.
- Foi – eu disse e pulei escutando ela gritar quando encostou na água.
- ta fr-fria – ela disse tremendo e se abraçando com os cabelos molhados jogados no rosto. Eu sorri e a abracei com a intenção de esquentá-la, não que fosse adiantar muito, mas era bom poder ficar assim com ela. Cara, to ficando muito Gay.
- Na próxima eu te mato – ela disse se encolhendo e dando soquinhos no meu peito. Eu ri. Eu sempre fico rindo igual retardado quando estou com ela. Gay.


’s POV off


e resolveram parar de se agarrar e lembrar que tinham amigos e se juntaram a nós na piscina. Nós ficamos fazendo aquelas brincadeiras idiotas que se fazem quando se está na piscina, e até tentamos fazer uma pirâmide mais não deu muito certo, porque toda hora eu ou as meninas começava a rir e caia na água. Eu até tentei fazer um bem pra humanidade e afogar o , mas também não deu muito certo, porque a sempre aparecia me mandando parar com isso. Esses dois pensam que me enganam. Eu sai da água, me enrolei numa toalha e sentei na rodinha que os meninos haviam feito e estavam cantando/inventando umas músicas engraçadas que estava fazendo todo mundo rir. Quer dizer, quase todo mundo porque assim que eu sentei percebi que e não estavam ali. Sorri com isso. Eles tinham mais é que se acertarem. Meu olhar se encontrou com o da e ela sorriu mostrando que havia pensado a mesma coisa que eu.

- I want to touch you, cara – falava.
- De onde você tirou isso ? - perguntava rindo.
- Sei lá, só achei engraçado – ele disse rindo também. Sinto que eu estava perdendo uma piadinha particular dos meninos, e pela cara da e elas também.
- Ok, deixa isso pra lá – nesse momento e chegaram, parecendo dois pimentões de tão vermelhos – Chegou os tomates – Ele falou fazendo a gente rir. mandou dedo pra ele e se sentou ao lado de e ao seu lado. Eu mandei um olhar de ‘você vai me contar tudo depois’ pra ela que riu e afirmou com um aceno de cabeça. não perdeu tempo e foi logo dizendo.
- vamos lá no seu quarto pra você me mostrar àquela coisa?
- Que coisa criatura? – ela perguntou totalmente alheia.
- AQUELA coisa – disse entre dentes, apontando com a cabeça discretamente pra que assim como eu estava roxa de rir.
- AH TÁ! Aquela coisa – ela se levantou e foi com a pra dentro.
- , vamos no banheiro comigo? – eu pedi me levantando.
- Claro, claro – ela se levantou também e deixou os quatro com olhar de paisagem.
- Que isso agora, reunião? – perguntou.
- Magina xú – eu mandei um beijo pra ele e corri com a pro quarto da . Abri a porta e as duas já estavam sentadas na cama nos esperando.
- Conta tudo agora – disse batendo palminhas.
- Não tem nada demais. A gente conversou e eu falei pra ele que tava com medo de isso não dar certo, e ele foi um fofo – ela fez uma cara meio abestada e a gente riu – disse que eu não tinha com o que me preocupar, porque ele nunca faria nada pra me machucar e que ele me ama.
- OWN – grupal.
- E vocês estão namorando agora? - perguntou
- Que pergunta , é claro que eles estão – eu disse e dei um pedala nela.
- Sim, a gente ta namorando – ela disse e sorriu. Nós pulamos em cima dela formando um montinho desajeitado e gritando coisas como ‘ta namorando, ta namorando’. Nesse momento entrou no quarto e encostou-se à porta. Com os braços cruzados sobre o peito.
- Que cena linda de se ver.
- Vai se fuder – gritou e ele riu.
- Só se for com você – ela mandou dedo pra ele – Sinto ter que interromper a reunião de vocês, mas eu vim te chamar porque a gente já ta indo embora.
- Ah, ok. Deixa eu só me vestir e pegar as minhas coisas. Você vem ? – eu perguntei olhando pra ela.
- Não, eu vou mais tarde.
- Ok – eu estava saindo do quarto quando a ouvi me gritando. Me virei e vi as três dando risadinhas pra mim.
- Só falta você – eu ri e mandei um dedo pra ela.
- Você também amorzinho – e fechei a porta seguindo o pela escada.
- Do que ela tava falando? – ele me perguntou.
- Nada , ela é louca – eu disse rindo e ele riu também. Peguei minhas coisas e me despedi dos meninos, lançando um olhar de ‘eu sei de tudo’ pro antes de sair da casa.
- O nos contou sobre ele e a disse já no carro.
- Eu já sabia disso há algum tempo. Eu acho bom que eles tenham se acertado e ficado juntos de uma vez.
- É eu também acho. e o têm muito haver.
- Até porque tava na cara que os dois se gostavam – ela concordou e estacionou entre as nossas casas.
- Mais tarde eu te ligo – deu um beijo na minha testa e eu concordei entrando em casa. Minha mãe estava na sala vendo TV e me perguntou como tinha sido lá. Eu contei tudo pra ela que ficou feliz com o fato de e estarem namorando. Eu contava tudo pra mim mãe, ela além de tudo era como minha melhor amiga. Ela me perguntou se eu estava com fome e eu disse que não, eu estava apenas cansada. Dei um beijo nela e subi pro meu quarto. Tomei um banho demorado, deixei a água quente arder na minha pele sem me preocupar muito com isso. Quando eu sai do banho notei que ainda eram quatro horas e que eu estava morrendo de sono, então coloquei um pijama e dormi o resto da tarde, teria dormido mais se o telefone do meu quarto não tivesse começado a tocar. Tateei a mesa de cabeceira em busca dele, sem coragem de abrir os olhos. Depois de derrubar tudo que estava em cima, achei o bendito telefone.
- Alô? – eu perguntei com a cara enfiada no travesseiro, nem eu mesma estava entendendo o que eu dizia.
- Isso são horas de dormir ? – Adivinha quem era?
- você não tem outra coisa pra fazer não, ao invés de ficar me ligando o dia inteiro?
- Não – ela riu – eu gosto de encher seu saco.
- Percebe-se – nessa hora minha mãe abriu a porta.
- Ta com fome filha? – ela perguntou enfiando a cabeça pra dentro. Eu tampei o telefone com a mão.
- Aham, faz pipoca pra mim? – eu fiz aquela cara de cachorrinho que caiu do caminhão de mudança. Ela riu saindo do quarto. Voltei minha atenção pra .
- Posso saber a que devo o motivo da sua ligação?
- Não tinha nada pra fazer. Enfim, semana que vem já começa o inferno de novo. A gente tem que aproveitar essa ultima semana de férias.
- Nem me fale, só de pensar que eu vou ter que ver a cara da Brightside todo dia já me desanima.
- Hunf, aquela velha mal comida. Nem me fala nela.
- Pensa pelo lado bom , só mais um ano e a gente se livra dela.
- Não vejo à hora de chegar o 3º ano. Pelo menos vai ser mais divertido – ela começou a tagarelar sobre como nossas vidas seriam melhores no terceiro ano. Liguei a TV enquanto ela falava e vi que estava passando Supernatural (n/a: Sam! *----*), minha mãe entrou no quarto com a vasilha de pipoca e um copo de coca nas mãos. ‘Por isso que eu te amo’ sussurrei pra ela que mandou um beijo pra mim e saiu fechando a porta.
- você escutou metade do que eu disse? – reclamou.
- O que você disse? Eu tava prestando atenção no Sam.
- Quem?
- Supernatural.
- Ah sim, ele é lindo mesmo, mas eu tava falando do .
- Que que tem aquela praga?
- Não fala assim dele – eu sorri – é que ele anda meio esquisito esses dias.
- Esquisito como?
- Tipo, ele sempre parece meio distante – eu sabia onde ele tava com a cabeça, que por acaso era em alguém com quem eu estava falando agora – e anda falando umas coisas meio sem sentido.
- , ta na cara que o gosta de você. Só você não percebe isso.
- Para ! Não viaja ta legal? Eu e o somos apenas amigos.
- Aham, me engana que eu gosto.
- O que nos leva a você.
- Eu?
- É. Você pensa que eu não vi as olhadas que o tava dando em você lá na casa da e àquela hora no carro?
- Pirou coitada.
- acorda pra vida, o é doidinho com você.
- quantas vezes eu vou ter que dizer que entre mim e o existe é A-M-I-Z-A-D-E – meu celular começou a tocar e era ele – e falando na praga, ele ta me ligando. Depois te ligo. Beijos.
- Ok, beijos. E pensa no que eu disse – bufei e coloquei e coloquei o telefone desligado na base. Peguei o celular e atendi.
- Chora viola.
- Felicidade hein? Isso tudo é porque ta falando comigo?
- Até parece xú. É porque eu estou vendo meu futuro marido.
- Quem?
- Sam.
- Mereço – ele bufou – ta em casa?
- Claro né, onde mais eu estaria.
- Sei lá, vai que você saiu pra procurar uns negão – eu tive que ri.
- Ah claro, eu vou fugir com ele e ter 17 filhos.
- É uma possibilidade.
- Fala logo o que você quer. Você não me ligou atoa, ligou?
- Na verdade não. Eu queria falar com você.
- Hum. Pode falar – eu disse me levantando e indo procurar o controle da televisão.
- É que pelo celular não dá.
- Pessoalmente então?
- Isso.
- Quer que eu vá aí?
- Não precisa. Dê a volta.

Capitulo cinco.

- ? – eu me virei e tomei um susto quando o vi parado na minha varanda com o celular no ouvido – Ficou maluco?
- Ainda não – ele disse entrando e colocando o celular no bolso assim que abri a porta. A fechei atrás de mim e andei em direção a ele.
- Pode me dizer o que é tão importante assim pra você escalar a janela do meu quarto, ô homem aranha? – eu disse rindo, ele deu um sorriso fraco.
- Eu precisava te dizer uma coisa, mas eu... eu não tenho a mínima idéia de como começar – ele respirou fundo e passou a mão pelos cabelos bagunçando-os.
- Pelo inicio seria ótimo – eu sorri.
- Não me interrompe senão eu perco a coragem – assenti com a cabeça. Ele respirou fundo e continuou – eu não sei por que, quer dizer, sei sim, mas que seja eu... Eu sei que a gente sempre foi amigo e eu não quero perder isso, de jeito nenhum, mas é que ultimamente você não me sai da cabeça. Não que eu não pensasse em você antes, não é nada disso, mas é que agora é um tanto... Diferente. É diferente é a palavra certa. Eu tentei juro que tentei me obrigar a não pensar nisso, a não ver as coisas dessa forma, mas chegou um ponto que eu não consigo mentir nem pra mim mesmo. – ele andava de um lado pro outro respirando fundo, as palavras saíam emboladas e rápidas. Eu tentava prestar o máximo de atenção que podia - Sabe, tem vezes que eu me pego pensando no jeito como você sorri e eu não consigo achar nenhum sorriso no mundo inteiro que seja mais bonito do que o seu, no cheiro da sua pele, em como você fica assustada com a chuva, no jeito que você ri e que não há risada mais contagiante e que causa mais risos do que a sua – ele sorriu – em, como você é a pessoa mais incrível que eu já conheci até hoje e em como seria se eu pudesse ficar abraçado com você o dia inteiro sem ninguém pra atrapalhar, um momento só meu e seu, e aí eu poderia te dizer o que eu to aqui tentado te falar a horas e não consigo. Eu sei que agora você deve ta pensando que eu fiquei maluco de vez, talvez eu esteja mesmo, mas eu não ia agüentar ficar guardando isso pra mim mais um dia enquanto tudo o que eu queria era poder te falar, eu tinha que pelo menos tentar, eu tinha... Eu tinha que me arriscar e é por isso que eu to aqui. – ele parou na minha frente e segurou minhas duas mãos. Eu o olhei com a maior cara de interrogação que consegui fazer, ele estava tentando me dizer que... Não, não pode ser. Eu to imaginando coisas. É isso. Ele não pode estar tentando me dizer aquilo que eu acho que ele quer dizer.
- deixa ver se eu entendi. Você está tentando dizer que...
- Eu estou indiscutivelmente e completamente apaixonado por você – Eu pisquei varias vezes tentando assimilar as coisas. Fechei os olhos e respirei fundo. Senti a minha cabeça girando enquanto tentava absorver as palavras que ele me disse. Eu queria acreditar, mas eu não conseguia. , meu melhor amigo, estava me dizendo que estava apaixonado por mim? Não, não, isso não está acontecendo. É tudo fruto da minha imaginação. Apertei meus olhos com bastante força, como se aquele gesto fosse ser a prova de que eu não estava sonhando. De que ele estava realmente parado ali na minha frente dizendo que me amava. Abri-os e ele me fitava esperançoso.
- eu...
- Eu não to pedindo pra você dizer que me ama nem nada disso, eu só queria que você soubesse – ele suspirou – Me desculpa por dizer as coisas assim, mas é que eu realmente não agüentava mais ter que guardar isso pra mim, e todos os dias ver você sorrindo e não poder te dizer como isso me deixa feliz, ou como eu tenho que me manter toda vez que você está perto, quando a minha vontade era de te abraçar e não te deixar ir embora. Eu não tenho nenhum modo de dizer o que eu sinto aqui dentro, mesmo que o que eu sinta isente qualquer tipo de explicação. Sabe, você é a única pra mim. A única responsável por me deixar assim, a única que sempre que eu me pego pensando em alguém, é em você. E eu sei que poderia fazer qualquer coisa que me pedisse menos que você me ame tanto quanto eu te amo. Você pode até achar que eu estou exagerando, e pode ser que eu esteja mesmo, mas se isso que eu to sentindo não for o bastante então eu não sei mais o que vai ser. – ele encostou nossas testas quando terminou de falar e respirava fortemente. Eu estava sem reação. Depois de tudo o que eu havia ouvido, eu simplesmente não conseguia formular uma resposta coerente, principalmente com mínima distância que eu me encontrava dele. Eu vi seus olhos se fechando enquanto sua respiração ficava mais rápida aos poucos, e involuntariamente fechei os meus.
- Eu não sei o que... – e mais uma vez ele me silenciou.
- Shh, não fala nada – ele passou gentilmente o polegar pela maçã do meu rosto acariciando-a, ambos ainda com os olhos fechados, tentando prolongar aquele momento. Sua mão escorregou para minha cintura e eu estremeci quando o sentir diminuir o espaço que havia entre os nossos corpos, ele percebeu e sorriu. Eu podia sentir sua respiração quente e descompassada batendo no meu rosto, perdi o controle dos meus próprios movimentos e o controle que estava na minha mão caiu com um baque surdo no chão. Ele deve ter batido em alguma coisa, pois nesse momento, mudou de canal e começou a tocar uma música que de primeira eu não consegui distinguir qual era, mas que depois me pareceu bem adequada. Sorri com isso e entrelacei meus dois braços em volta do pescoço do . Ele aproximou sua boca da minha e eu não me movi para impedi-lo. Eu não sabia se aquilo era certo ou não, mas pra mim já não importava. Naquele momento eu queria que fosse.

I won't talk
(Eu não falarei)
I won't breathe
(Eu não respirarei)
I won't move till you finally see
(Eu não me mexerei até que você finalmente veja)
That you belong with me
(Que o seu lugar é comigo)

Assim que nossos lábios se tocaram, eu senti minhas pernas cederem e se não fosse por ele me segurando eu teria caído. Minha respiração falhou, e milhares de correntes elétricas passaram pelo meu corpo naquele instante. Ele passou a língua pelos meus lábios pedindo passagem para aprofundar o beijo e aos poucos eu dei. Quando a língua dele se encontrou com a minha, eu pude sentir meu estômago se contrair de nervoso, e meu sangue pulsava rápido e quente, muito quente. Uma sensação de êxtase percorria todo o meu corpo. Eu não saberia explicar o que estava acontecendo comigo. Mas eu gostava daquilo.

You might think
(Você pode pensar)
I don't look
(Que eu não olho)
But deep inside in the corner of my mind
(Mas bem no fundo na esquina do meu pensamento)
I'm attatched to you
(Eu sou ligado a você)
I'm weak
(Eu sou fraco)
It's true
(É verdade)
'Cause I'm afraid to know the answer
(Porque eu tenho medo de saber a resposta)
Do you want me too?
(Você também me quer?)
'Cause my heart keeps falling faster
(Porque meu coração continua caindo mais rápido)

Minha mão estava em seu cabelo bagunçando-o, e a outra livre estava repousada sobre seu peito. Eu podia sentir o coração dele batendo tão rápido quanto o meu. Uma de suas mãos estava no meu rosto acariciando-o, a outra estava pousada gentilmente na minha cintura e era o que me mantinha de pé. Era um beijo simples e calmo. Doce. Mas que demonstrava tudo o que tanto ele quanto eu estava sentindo naquele momento.

I've waited all my life to cross this line
(Eu esperei toda minha vida pra cruzar essa linha)
To the only thing thats true
(Para a única coisa que é verdadeira)
So I will not hide
(Então eu não vou esconder)
It's time to try anything to be with you
(É hora de tentar qualquer coisa pra estar com você)
All my life I've waited
(Toda minha vida eu esperei)
This is true
(Isso é verdadeiro)

Não sei por quanto tempo ficamos nisso, eu perdi completamente a noção de espaço, mas por fim nós nos separamos ofegantes. Minha testa ainda estava encostada na dele e meus braços agora estavam novamente em volta do seu pescoço. Ambos mantínhamos os olhos fechados. Nós dois respirávamos com dificuldade. Eu não podia ver, mas eu sabia que assim como os meus, seus lábios estavam vermelhos e inchados. Minha cabeça pulsava, mas eu não me importava.

You don't know
(Você não sabe)
What you do
(O que você faz)
Everytime you walk into the room
(Toda vez que você entra na sala)
I'm afraid to move
(Eu tenho medo de me mexer)

passou os braços pelo meu ombro e me puxou de encontro ao seu peito. Envolvi meus braços na sua cintura e afundei meu rosto na curva do seu pescoço, sentindo o cheiro inebriante que ele exalava. Meu coração aos poucos voltava a bater no ritmo normal. Nossos corpos se mexiam lentos e descompassados no ritmo da música que ainda tocava. Nenhum dos dois tinha coragem de falar nada. Era como se qualquer palavra pudesse estragar tudo.

I'm weak
(Eu sou fraco)
It's true
(É verdade)
I'm just scared to know the ending
(Eu só tenho medo de saber o final)
Do you see me too?
(Você também me vê?)
Do you even know you meant me?
(Você sequer sabe o que significou pra mim)

- Do you see me too? Do you even know you meant me? – Ele cantou baixo no meu ouvido, com sua voz usual rouca, ainda balançando nossos corpos. Eu sorri e beijei seu ombro, voltando a deitar a cabeça no mesmo.

I've waited all my life to cross this line
(Eu esperei toda minha vida pra cruzar essa linha)
To the only thing thats true
(Para a única coisa que é verdadeira)
So I will not hide
(Então eu não vou esconder)
It's time to try anything to be with you
(É hora de tentar qualquer coisa pra estar com você)
All my life I've waited
(Toda minha vida eu esperei)
This is true
(Isso é verdadeiro)

Eu me afastei um pouco para olhar nos olhos dele. Seus cabelos estavam bagunçados e seu rosto trazia traços de quem acabava de se recuperar de um ataque cardíaco. Um calmo, lento e doce ataque cardíaco. E mesmo assim ele sorria pra mim, a felicidade estava evidente nos seus olhos.

I know when I go
(Eu sei que quando eu for)
I'll be on my way to you
(Eu estarei no meu caminho pra você)
The way that's true
(O caminho que é verdadeiro)

Com a ponta dos dedos, fui contornando seus traços lentamente tentando gravar cada pedacinho, ele fechou os olhos, apenas sentido o meu toque despreocupado como se aquilo fosse à coisa mais agradável do mundo. Naquele momento junto com ele, é que eu pude perceber que eu me sentia completa. Não que antes eu não fosse, mas era como se eu tivesse achado um pedaço de mim do qual eu nunca soube que não tinha até o presente momento. E foi assim que eu pude ter certeza da coisa mais inevitável, da qual eu não poderia mais fugir. Não depois de hoje.

I've waited all my life to cross this line
(Eu esperei toda minha vida pra cruzar essa linha)
To the only thing thats true
(Para a única coisa que é verdadeira)
So I will not hide
(Então eu não vou esconder)
It's time to try anything to be with you
(É hora de tentar qualquer coisa pra estar com você)
All my life I've waited
(Toda minha vida eu esperei)
This is true
(Isso é verdadeiro)

- Eu também amo você – e assim selei nossos lábios mais uma vez.

Capitulo seis.

Uma semana se passara desde o ocorrido no meu quarto. Eu não vira mais o durante esse tempo, mas nós nos falamos pelo telefone todos os dias. As coisas entre nós continuavam as mesmas, embora agora já soubéssemos dos sentimentos um do outro. Sim, eu também era apaixonada pelo . Eu demorei a perceber, mas agora era inevitável não saber. Não depois de tudo o que eu ouvi e senti. Naquele dia eu aprendi que o amor por vezes vem de onde menos se espera, e que a vida tem a ver com escolhas. Nós somos a soma das nossas escolhas, e a maioria delas não é feita por nós. Você não pode escolher quem vai amar, mas você pode escolher como vai amar. Eu tinha escolhido como eu ia amá-lo e não seria como apenas um amigo. Seria algo que vai além de qualquer outra coisa.

Era segunda feira e meu despertador tocou avisando que eu tinha que ir pra escola. Era o inicio de mais um ano letivo, ou seja, mais um ano de tortura. Estiquei a mão e o desliguei enfiando ainda mais a cara no travesseiro, a escola que esperasse pelo menos mais cinco minutos. Pena que essa regra não se aplique a minha mãe. Não havia se passado nem um minuto desde que eu tinha resolvido dormir mais um pouco e ela bateu na porta do meu quarto me mandando levantar. Resmunguei qualquer coisa e não dei atenção. Estava quase pegando no sono de novo quando senti alguma coisa puxando meus edredons e abrindo as cortinas.
- levanta dessa cama agora ou você vai se atrasar pra aula. – minha mãe disse com o tom autoritário de quando ela quer botar ordem em alguma coisa – Quero você lá embaixo em meia hora. – dito isso saiu do quarto e me deixou reclamando sozinha. Bufei e me levantei esbarrando em todas as coisas possíveis ate chegar ao banheiro. Apoiei minhas duas mãos na pia e encarei meu reflexo no espelho. Eu estava com uma aparência horrível e isso era fato. Lavei o rosto, fiz minha higiene matinal e entrei para um banho. Lavei bem meus cabelos com meu habitual xampu de morango e deixei que a água quente me relaxasse e fizesse algum efeito sobre o meu sono. Quando entrei no quarto, enrolada em uma toalha, encontrei meu uniforme passado em cima da cama e notei que tinha apenas mais dez minutos do prazo que me deram antes que minha mãe entrasse no quarto com uma vassoura na mão e me expulsasse debaixo de vassouradas. E eu não estou brincando quando digo que ela entraria aqui com um cabo de vassoura. Sequei meu cabelo bem rápido, já que era liso e não precisava de escova, coloquei o uniforme ridículo da minha escola, acompanhado de uma maquiagem bem leve, porque convenhamos ninguém merece chegar à escola sete e meia da manhã com aquela maquiagem pesada parecendo um travecão, soquei minhas coisas todas dentro da mochila e desci pra tomar café.
- Está cinco minutos atrasada .
- A escola vai sobreviver sem mim mãe – Resmunguei. Peguei umas bolachas, um copo de suco e me sentei à mesa pra comer.
- A propósito ligou e disse que vem te buscar daqui a dez minutos. – Engasguei com o suco que estava tomando. Depois de várias batidas nas costas recuperei minha postura.
- Você esta bem? – minha mãe perguntou. Ah claro, tirando o fato de que meu melhor amigo, o qual eu beijei no meu quarto semana passada enquanto você dormia, está vindo me buscar depois de sete dias sem vê-lo e que eu não tenho a mínima idéia de como vou encará-lo, está tudo ótimo mãe. É claro que eu não ia dizer isso.
- Estou sim mãe. – dei meu melhor sorriso e voltei a comer.
- Ok, você tem dez minutos ate que ele passe aqui. Não se atrase. – dito isso ela subiu as escadas pra arrumar os quartos. Terminei meu café, e me sentei no sofá para esperá-lo. Fiquei pensando em como devera cumprimentá-lo, se deveria dizer algo sobre o que aconteceu ou se simplesmente deveria esperar que ele tocasse no assunto. Fui despertada de meus devaneios, pela buzina do carro, avisando que eu deveria ir pro cadeião. (n/a: Minha escola parece o Carandiru, bjs –q calei) Peguei minha mochila e me dirigi para fora de casa. Caminhei em direção ao carro lentamente, meu coração parecia que iria saltar para fora a qualquer minuto, de onde eu estava podia ver apenas a sua silhueta através do vidro escuro.
- Atrasada como sempre. – ele disse assim que me sentei colocando o cinto. Um sorriso brincava pelos seus lábios.
- A culpa não é minha, benzinho, não se esqueça que quem está dirigindo é você. – me estiquei e dei um beijo na sua bochecha seguido de uma mordida. Não, eu não ia beijá-lo. Se ele quisesse ele que me beijasse.
- Animada com o primeiro dia de aula? – ele disse de uma forma irônica.
- Pff! Olha a minha empolgação. – Fingi animação balançando os braços, com uma cara nada convincente – Do jeito que eu sou sortuda, quer apostar quanto que a minha primeira aula vai ser com a Brightside?
- Não fala na macumba, que isso atrai. Eu não quero começar o ano tendo que olhar pra cara daquela velha.
- E quem disse que você vai ser da minha sala? – perguntei arqueando as sobrancelhas.
- Eu sempre sou. Até parece que você não sabe. – Isso era verdade. Desde que entramos nesse colégio, , , e eu, sempre éramos da mesma sala. Deve ser algum tipo de panelinha dos professores. Ok calei – Chegamos - ele disse assim que virou a esquina e estacionou o carro, me tirando de uma seqüência de pensamentos.
- sua gravata está toda torta. Onde você estava antes de vir pra cá? Na zona? – eu disse parada em frente ao portão da escola, enquanto tentava arrumar aquilo que ele chamava de uniforme.
- Talvez. – ele piscou pra mim com um sorriso surgindo no canto dos lábios. Por um impulso infantil eu lhe dei língua, me sentindo uma criança de cinco anos depois. Ele riu e me abraçou de lado.

Seguimos por entre as pessoas procurando nossos supostos amigos que não deveriam estar muito longe dali. Pessoas andavam apressadas por todos os lados, procurando suas salas ou então fofocando sobre a vida dos outros com os amigos. Como de costume vários grupos, estavam formados e distribuídos pelo pátio e pelo gramado. As líderes de torcida, como sempre estavam com aqueles pompons irritantes se exibindo pro time de futebol que era mais irritante ainda, as saias mais curtas do que o de costume, como pude reparar. Era engraçado observar as pessoas assim. A escola era como se fosse uma sociedade divida em classes, ou no caso, em grupos. Cada classe pertence a um nível diferente. Cada nível tem sua importância aos olhos dos outros. Os populares são idolatrados, os nerds não fazem diferença na vida de ninguém, a não ser na dos professores e das pessoas que precisam de cola, tarefas e afins, e as pessoas comuns... Bom, são pessoas comuns. Mas o mais importante de tudo, não é o quão popular a pessoa é e sim o qual cruel ela consegue ser. A escola na concepção de muitos é o lugar mais cruel da face da Terra e eu não estou longe de discordar disso. Às vezes o caráter das pessoas aqui me assusta. A maioria não tem escrúpulos, nem medem esforços para conseguir o que querem. Aqui as coisas funcionam como em um jogo, onde o mais forte sobrevive.
- O que você tanto olha que não está prestando atenção em nada do que eu digo? – perguntou baixo no meu ouvido, o que me fez arrepiar até o último fio de cabelo.
- Observando a futilidade e a falta de cérebro de algumas pessoas. – sussurrei da mesma forma. – O que você estava dizendo?
- Que eu acho que encontrei aquilo que nós chamamos de amigos. – apontou para uma mesa onde se encontravam sete pessoas. Era impossível não prestar atenção neles. Apesar de não serem as pessoas mais populares da escola, eles atraiam olhares de quem quer que passasse ali. e estavam estapeando o , como sempre, provavelmente por alguma coisa que ele tinha dito. Elas corriam em volta da mesa tentando pegá-lo, sem sucesso, devo acrescentar, porque apesar de estar em maioria, ele corria mais rápido. estava sentado, observando a cena, rindo, e ignorando os pedidos de ajuda que berrava. Às vezes ele olhava discretamente paras as pernas de alguma menina que passava. Ah se a visse isso! Há essa hora ele já estava morto. Passei meus olhos ao restante da mesa e encontrei e , que pareciam ser os mais normais ali, abraçados e conversando com alguém que parecia ser... Espera aí! Eu conheço esse cabelo e...
- JIMMY! – gritei e corri pulando no seu pescoço – Que saudade de você gambá.
- Uou! Engordou hein!? – ele disse rindo, quando se desequilibrou e quase fomos parar no chão – Também tava com saudade de você anã.
- Anã é a mãe. – dei um pedala nele. Carinho em primeiro lugar.
- Isso porque ela tava com saudade, imagina se não tivesse. – reclamou, arrancando risadas de todos os presentes.
- Você sabe que eu te amo. – apertei suas bochechas com uma força exagerada. Jimmy e eram como se fossem os irmãos que eu nunca tive. Se bem que agora não podia ser considerado mais meu “irmão”.
- As duas crianças poderiam fazer o grande favor de pegarem suas lindas mochilas e irem para suas amadas salas? Porque o sinal já bateu. – que agora estava parada do nosso lado nos disse e saiu andando em direção ao prédio. Olhei em volta e percebi que o pátio já estava quase vazio.
- Eu não sei vocês, mas eu vou entrar no segundo horário. – James disse e saiu andando atrás de uma loira que passou por ele – Tchau Laah! – gritou já mais a frente.
- O Bourne não tem jeito mesmo. – disse rindo – Não pode ver um rabo de saia que já vai logo atrás. Se eu te pego olhando pra essas oferecidas eu te capo, ouviu ? – Tossi pra prender o riso. Ah se a soubesse...
- Claro que não amor. Eu só tenho olhos pra você. – ao meu lado pigarreou, pelo visto também prendendo o riso. Quando os dois se afastaram, nossos olhares se encontraram e caímos na risada no mesmo instante.
- Vamos lá tigrão. Let’s go in the hell! – dei um tapa na bunda do e sai andando em direção ao prédio da escola.
- Ui assim seduz. – ele riu e me seguiu.

Entramos na sala um pouco antes do segundo sinal de entrada. Passei os olhos pela sala e encontrei dois lugares vazios no fundo, perto de e que conversavam animadamente. Típico. Dirigi-me ate lá com em meu encalço, e sentei atrás da , enquanto ele sentou a frente do . Normalmente, salas ficam silenciosas no primeiro dia de aula, mas a minha foge um pouco a essa regra. Bolinhas de papel voavam por todos os lados, pessoas falavam (lê-se: gritavam) umas com as outras, alguns até estavam se comendo pelos cantos. Mas, já ouviu falar naquele ditado que diz “felicidade de pobre dura pouco”? Pois então, eu estou completamente de acordo com quem disse isso. Quando eu pensei que tudo estava bom demais, aquela voz de taquara rachada irrompeu pelos meus ouvidos.
- Silêncio agora turma.
E adivinha? Como desgraça pouca é bobagem, Brightside entrou na sala ajeitando os óculos e tentando equilibrar a tonelada de livros que ela carregava, nas mãos. me cutucou e sussurrou um “ninguém merece”. Concordei e bati a testa na mesa bufando. Esse ano iria ser longo. Olhei para o lado ainda com a cabeça apoiada na mesa, e vi e fazendo caretas para a megera, digo, professora. Ela não era a maior fã deles. Não dou nem uma semana para os dois saírem daqui com uma ocorrência ou coisa parecida. Eles não eram nenhum tipo de santo, mas ela praticamente perseguia os dois. Olhei pro resto da sala e vi algumas pessoas reclamando baixo e outras se preparando para dormir durante o horário. Ia fazer a mesma coisa quando senti um papelzinho batendo no meu braço. Olhei para o lado tentando ver de quem era e vi sorrindo de lado, enquanto fingia prestar atenção ao que ela falava.

“Mal começou a aula e já vai dormir?” - Era o que estava escrito.

“Claro. Ninguém merece uma aula dela no primeiro dia. Alguém podia fazer um bem pra humanidade e jogar uma bomba na sala dos professores quando a Brightside estivesse lá dentro. ¬¬” – Joguei de volta.

“Haha, besta. Quem vê até pensa que você é parente do Osama! Mas enfim, eu quero te ver no intervalo do almoço.” - Gelei.

“E quem disse que eu não sou? Tio Osama é meu bródi, mano. –q Ok então. Onde?”

- Algum problema aí senhorita ? – A velha rabugenta perguntou, com aquela voz irônica e irritante – Posso te mandar pra sala do diretor para resolvê-lo se quiser.
- Creio que não será necessário. – dei um sorriso mais cínico ainda. Ela virou pro quadro e voltou a copiar a matéria. Os três amigos da onça riram baixo e balançaram a cabeça.
- Já começou o ano bem hein amiga? – virou para me encarar. Fiz uma cara de nojo e comecei a copiar o que estava no quadro. Física e Brightside na primeira aula do ano. Adoro a minha sorte, e, por favor, acrescentem o tom mais irônico possível a essa minha última frase.

Capitulo sete.

Depois de três aulas tediosas – com exceção da de Biologia - o sinal finalmente bateu indicando o intervalo pro almoço. Não que eu estivesse louca para comer ou alguma coisa assim, mas eu tinha meus motivos para ansiar esse horário, e esse motivo tinha nome e sobrenome: . Saí da sala e caminhei lado a lado com enquanto seguíamos para encontrar os outros. Ela estava tagarelando sobre um novato da nossa turma e sobre como ele era estupidamente bonito. Eu fingia estar prestando atenção, mas na verdade estava procurando com os olhos pelo corredor. Nem percebi a presença de conosco, que havia aparecido alguns segundos atrás. Disfarcei fingindo que ia beber água e fiquei para trás, deixando os dois seguirem sozinhos para o refeitório. Virei pelo corredor já vazio e tomei um susto quando senti alguém me puxando para debaixo da escada.

- PUTA QUE PARIU, QUER ME MATAR DE SUSTO ? – Gritei, arfando por causa do susto. Eu não sou a pessoa mais educada quando está assustada, como se pode ver. E o que ele fez? Riu. O anda muito risonho pro meu gosto. Que coisa gay essa última frase que eu acabei de dizer.
- Shh... Quer que nos peguem aqui?
- Não, mas... – Fui interrompida por que colou sua boca na minha com uma urgência inesperada. Sorri entre o beijo e passei meus braços eu redor do seu pescoço, fiquei bagunçando seus cabelos enquanto ele apertava minha cintura com força, mas ao mesmo tempo com delicadeza. Ele encostou-me na parede e passou uma mão na minha barriga por debaixo da blusa. Nem preciso dizer que arrepiei até o último fio de cabelo né?
- Tarado. – Disse sem quebrar o beijo. Ele gargalhou e deu um beijo no meu pescoço.
- Eu tava com saudade. – Continuou distribuindo beijos pelo meu pescoço. Se ele deixasse alguma marca ali, eu juro que o matava.
- Percebe-se. – Lhe dei um selinho – Agora anda logo senão vão desconfiar. – sai dos seus braços e fui andando em direção ao refeitório ajeitando minha roupa.
- Deixa eles pra lá. – ele me puxou de volta e voltou a me beijar. Eu ri e lhe dei um último beijo.
- Ok . Agora chega, anda logo.
- Malvada.
- Besta.

Chegamos à mesa onde se encontravam nossos amigos com a cara mais natural possível, para que não desconfiassem de nada. Eles ainda não sabiam do que acontecia entre mim e . A gente ia contar, mas não agora. que nunca deixa passar nada me lançou um olhar desconfiado e eu lhe dei um sorriso amarelo. Ela sorriu e silabou um ‘eu estou desconfiada sua cachorra’ que me fez soltar uma risadinha. Sentei ao lado de e e sentou ao meu lado.

- Onde vocês estavam? – perguntou – Pensei que tinham sido raptados.
- Eu sei que vocês não vivem sem a gente. – disse convencido.
- Claro que não amor, você é a razão do meu viver. – se esticou da maneira mais gay possível e mandou um beijo no ar pra ele. e se fingiram de bravos e começaram uma discussão.
- Deixa você . Feriu meus sentimentos. Pensei que você me amava. – fingiu chorar no ombro de que o consolava.
- Josivaldo José, como pode fazer isso comigo? Depois de tudo o que passamos juntos? – dramatizou – Eu estava esperando nosso sétimo filho. Não quero mais viver ao seu lado.
- Oh Rosicleide Maria, eu te amo, não faça isso comigo, ele não significa nada para mim. Foi tudo uma paixão passageira. – ajoelhou-se no chão e pegou nas mãos de .
- Não posso Josivaldo José, você me magoou profundamente. Estou em dúvida sobre os meus sentimentos. – enfiou o rosto no pescoço de tentando não rir alto. Sem muito sucesso devo dizer. A essa altura todos no refeitório olhavam pra nossa mesa com traços de risos no rosto.
- O que eu posso fazer para te provar sobre a profundidade do meu amor por você Rosicleide Maria?
- Oh Josivaldo José me beije. – suspirou alto e lhe tascou um beijo daquelas de fim de novela mexicana fazendo todo o refeitório rir e gritar. subiu na mesa e protestou.
- Eu também estou grávida desse safado sem vergonha que só quis me levar pra moitinha e depois me abandonou. – apontou para , arrancando risadas dos presentes. o puxou de volta para a cadeira balançando a cabeça e enxugava algumas lágrimas que lhe escaparam. apoiava a cabeça no meu ombro e ria tanto quanto eu da cara de indignação do .
- Conforme-se , ele ama a Rosicleide Maria. – disse num tom debochado.
- Não me conformo, vou exigir no mínimo pensão pro nosso filho.
- Cala a boca – deu um pedala nele. Quando ele ia protestar o sinal bateu indicando que deveríamos voltar as nossas salas. Bom, se as coisas continuassem assim, talvez o ano não seja tão ruim quanto eu esperava que fosse.


Capitulo oito.

Um mês de tortura, ou de aula como preferir. Na verdade era pouco tempo, mas as pessoas já faziam planos para fugirem nas próximas semanas. Segundo ano era um saco, fato. Era fato também, que quando nós queremos que alguma coisa passe depressa, aí é que ela parece demorar mais, só para nos castigar.
Faltavam vinte minutos para a liberdade provisória de dois dias. A senhora Mackize explicava qualquer coisa sobre a gramática do Espanhol, mas ninguém parecia estar realmente prestando atenção, salvo os nerds puxa saco. Eu batia a caneta impaciente sobre a capa do meu caderno fazendo um barulho irritante, enquanto olhava o relógio de minuto em minuto na esperança de que o tempo passasse. Bufei de frustração depois da décima vez em que eu verifiquei a hora. Olhei para frente e vi rabiscando desinteressadamente as folhas de seu caderno. estava praticamente se afogando na própria poça de baba a mais ou menos meia hora e estava com os fones no ouvido escutando uma música qualquer.
Olhei mais uma vez no relógio, meio dia e quarenta sete. Joguei a caneta em um canto qualquer e cutuquei .

- Me diz que não sou só eu que já está quase ficando louca aqui com essa aula que não acaba. – pedi meio frustrada.
- Quem dera fosse só você. Ah qual é! Eu sou inglesa pra que eu vou querer saber outra língua?
- Boa pergunta. Um minuto em silêncio. Cri cri cri.
- AAAAA eu vou ficar louca se isso não acabar logo. – Dei um pequeno ataque silencioso.
- Haha, menos .
- É sério, eu to com um puta sono e eu quero a minha cama, meu edredom e mimimi. – choraminguei.
- Também dorme mais que a cama. Nunca vi. Toda essa vontade de ir embora é só sono ou tem outro nome? – Ela me lançou um olhar sugestivo. Será que ela desconfiava de alguma coisa?
- Sim, tem outro nome.
- E eu posso saber qual é?
- Pri.
- Pri?
- É. - Pri tipo, um primo gato? – Ela me mostrou um sorriso tarado.
- Não, é pri de priguiça mesmo. – Gargalhei baixo da cara que ela fez.
- Idiota. – Ela riu junto.
- Você tinha que ter visto sua cara de taradinha da meia noite.
- Hunf. – Quando eu abri a boca pra tirar mais uma com a cara dela o sinal tocou indicando a liberdade dos escravos. Gritei aleluia mil vezes em pensamento. Joguei minhas coisas de qualquer jeito dentro da mochila e esperei os outros três fazerem a mesma coisa para podermos ir embora.
- Acorda bela adormecida. – Baguncei os cabelos de .
- Hã? A culpa não foi minha eu juro. – Ele levantou com a cara toda amassada.
- Até dormindo ele é culpado. – se aproximou – Arruma suas coisas que a aula já acabou criatura.
- Ah até que enfim! – Levantou as mãos para o céu agradecendo. Nós rimos e seguimos para a porta.

Quando chegamos ao portão da escola e nos esperavam conversando com . Estranhei o fato de não estar com eles. Dúvida que foi logo esclarecida pelo .
- Já que vocês chegaram, eu vou indo. Ainda tenho que passar na casa da e ver como ela está. Beijo pra quem fica. – Dito isso, entrou no carro e saiu acelerando rua afora. Típico do .
- O que aconteceu? – perguntou.
- não estava se sentindo muito bem, então foi embora no quarto horário. – Foi quem respondeu – está uma pilha de nervos, preocupado com ela.
- Tomara que não seja nada demais. – falou.
- Deve ser só uma virose.
- Vocês já vão? – quis saber.
- Não, primeiro eu vou passar na sorveteria com a , ela ta me enchendo o saco por causa de um sorvete desde ontem. Querem ir? – perguntou abraçando a namorada de lado. sorriu e lhe deu um beijo na bochecha. se mexeu ao meu lado.
- Eu vou. – se pôs ao lado dos dois – To com uma fome. – Fez uma cara de sofredora e passou a mão pela barriga.
- Eu também vou, não tenho nada pra fazer mesmo. – também se prontificou a ir.
- E você dois? – perguntou.
- Quer ir? – me perguntou.
- Não, to com um sooono. – Me espreguicei – Pode ir se quiser, eu volto a pé não é longe mesmo. – Dei de ombros.
- Não, tudo bem. Eu te levo em casa.
- Pode ir , eu não vou te atrapalhar sair só porque eu não quero ir.
- Você não vai me atrapalhar. Eu te levo em casa e ponto. – Disse já pegando a chave no bolso.
- Tudo bem. – Me dei por vencida. Ele não ia mudar de idéia mesmo.
- O casal aí poderia se resolver logo? Eu to com fome. – reclamou.
- Podem ir, a gente vai pra casa. Se forem fazer qualquer coisa amanhã nos liguem.
- Ok. Tchau pra vocês. – disse e se virou indo em direção ao carro. O resto acenou e foi atrás.
- Tchau. – respondemos em uníssono. Caminhei em silêncio ao lado de até o carro. Entrei e recostei a cabeça no vidro frio da janela, deixando o sono tomar conta de mim. De olhos fechados eu apenas sentia o carro se movimentando e escutava a respiração lenta e calma de . Fiquei imaginando se ele estava me observando como sempre fazia ou se estaria prestando atenção no caminho. O silêncio predominava entre nós, mas ele não incomodava. Pelo menos não a mim. Senti que ele abrira a boca duas vezes para dizer alguma coisa, mas desistira antes de pronunciar qualquer som. Por fim, na terceira tentativa ele me chamou.
- ?
- Hum? – Respondi sem me mover ou abrir os olhos.
- Posso te perguntar uma coisa? – Ele parecia meio incerto.
- Humhum.
- Promete que não vai ficar brava?
- Prometo. – Ele respirou pesado.
- Por que você não quer contar para os outros que nós estamos juntos? – Abri os olhos para encará-lo. Sua expressão me lembrava a de uma criança com medo de não ganhar presente no natal. Ok comparação infeliz.
- Como assim?
- É ué. Parece que você não quer que os outros saibam do que acontece entre a gente. – Ele estacionou o carro entre as nossas casas – Nem pra você contou.
- Não é isso . – Minha vez de respirar fundo. Péssima idéia. O cheiro de seu perfume veio direto em mim – É só que é tudo muito nova pra mim. E aposto que pra eles também vai ser, mas nós podemos contar amanhã mesmo se você quiser. – Sorri docemente para ele.
- Jura? – Vi sua expressão se iluminar – Eu não quero mais ter que esconder de ninguém que eu amo você e nem que a gente ta junto.
- Aham. – Passei o polegar pela maçã do seu rosto. Ele segurou minha mão ali com a sua e a beijou – Nem eu quero. Escorreguei minha mão para a sua nuca e encostei nossos lábios apenas para sentir sua boca na minha. No exato momento que isso aconteceu, senti minha respiração um pouco falha como sempre acontecia quando eu estava com ele. O soltei e abrimos as portas do carro.
- Posso te ligar mais tarde? – Ele perguntou.
- Claro né. Nem precisava perguntar.
- Ok então. Tchau .
- Tchau . - Dei um beijo na sua bochecha e me despedi dele entrando em casa logo em seguida.

- ! ! Acorda filha. – acordei com minha mãe me sacudindo.
- Hã? Que foi mãe? – perguntei com o rosto ainda enfiado no travesseiro – Hoje não tem aula. Eu quero dormir. - Ela riu e balançou alguma coisa na mão. Aquilo era um telefone?
- Não é isso besta. Tem ligação pra você. – Jogou o telefone em mim e saiu porta a fora cantarolando. Eu hein, nessa casa só tem doido. Olhei no relógio e ainda eram 17:10. Quem estaria ligando essa hora?
- O que você quer ?
- Boa tarde pra você também e eu não sou a . – Ouvi a voz do que ria de mim do outro lado da linha. Sorri quando percebi que era ele quem me ligava
– E a propósito pensei que a sogrinha nunca ia conseguir te acordar desse jeito. Você dorme demais.
- Oi pra você também e não, eu não durmo demais, eu só estou um pouco cansada.
- Se você diz.
- Posso saber a que devo a honra?
- Eu não disse que ia te ligar?
- Disse.
- Então.
Ficamos em silêncio depois disso. Eu só escutava o barulho de sua respiração.
- ?
- Hum? – Ele respondeu.
- Você não ligou só pra ouvir minha voz ligou?
- E se tiver ligado?
- Fala logo. – Bufei.
- Ok senhora impaciência. Ta fazendo o que?
- Bom, eu estava no meu vigésimo e maravilhoso sono, até você ter a brilhante idéia de me acordar. Por quê?
- Eu tava pensando...
- Você pensando? – Eu o interrompi – Vai chover.
- Haha engraçada. – Ele disse irônico – Ta a fim de ir à praia?
- , você tem noção de que são quase seis horas da tarde e de que está um pouco frio demais para se ir à praia? – Eu perguntei como se ele fosse retardado ou coisa do tipo.
- Sim, mas quem disse que a gente vai entrar na água?
- E não vai?
- Não.
- Então o que você quer fazer lá?
- Eu tinha pensando em algo como ver o pôr do sol e tal.
- você ta bem?
- , fofa, não estraga minha tentativa de ser romântico.
- Tudo bem. – Eu ri.
- Posso passar aí pra te pegar?
- Pode ser daqui uns quinze minutos? Eu ainda tenho que trocar de roupa.
- Ok. Eu te ligo quando estiver aí na porta.
- Ta bom, beijos. – Desliguei e caminhei até o guarda roupa em busca de alguma coisa descente para vestir.
Decidi por uma skinny, all star roxo, camiseta branca e uma blusa de manga comprida preta por baixo para disfarçar o frio. Prendi meu cabelo em um rabo alto e joguei a franja de lado como de costume. Enfiei o celular no bolso e corri pra fora de casa para esperar . Assim que fechei a porta atrás de mim dei uma leve estremecida com o vento frio que passou bagunçando minha franja. e seus programas de índio com esse frio. Me encolhi e sentei no degrau que dava para a entrada de casa afim de esperar que ele desse sinal de vida. Como não tinha nada pra fazer, peguei meu celular e procurei algum joguinho pra me distrair. Eu era péssima nesses joguinhos fato, devia estar perdendo de 10 a zero pra cobrinha.
Depois do vigésimo palavrão que eu soltei quando perdi mais um jogo, escutei uma risadinha baixa atrás de mim e nem precisei me virar para saber de quem era.
- Belo vocabulário hein? Aliás, isso me lembra o vasto conhecimento de palavras bonitas do . – Ele disse estendendo a mão para me levantar. Segurei sua mão e me pus de pé ao seu lado.
- Aprendi com ele meu bem.
- Percebe-se.
- Então – comecei quando vi que ninguém falaria mais nada – vai ficar aqui parado olhando pra minha cara ou nós vamos fazer seu programa de índio?
- Chata. – ele fez um careta – Não estraga minha diversão. – Dito isso, pegou minha mão e saiu me puxando rua afora.

Nós caminhávamos pela rua vazia há alguns minutos em silêncio, apenas desfrutando da presença um do outro. Hora ou outra o vento gélido daquele final de tarde passava jogando minha franja pro lado oposto e bagunçando também os cabelos de . As folhas amarelada das árvores caíam sobre os extensos e verdes jardins das casas, avisando o final daquele outono e deixando a paisagem ainda mais bonita. O sol por incrível que parece ainda estava um pouco alto no céu lançando raios amarelo-alaranjados por toda sua extensão e irradiando pouco calor, deixando aquele friozinho gostoso, suficiente para deixar meu nariz vermelho, parecia coisa de filme. Sorri involuntariamente quando encarei nossas mãos entrelaçadas. Lembrei de uma vez, há mais ou menos um ano, quando eu estava na pracinha com e um casal de velhinhos nos perguntou se nós éramos namorados e ele me puxou pra perto dele e disse que sim, eles ficaram horas falando sobre como nós formávamos um belo casal e o viado só ria enquanto eu já estava roxa de vergonha. Naquele dia eu quis matá-lo de todas as formas possíveis. Senti o olhar de sobre mim e levantei o rosto para encará-lo que sorria docemente. Retribui com mais intensidade do que antes e comecei a balançar nossas mãos no ar como uma criança quando se sente entediada, mas ao contrário disso eu me sentia feliz ao invés de entediada. Era por momentos simples como esse que eu percebia o quão boa a minha vida podia ser, eu tinha os melhores amigos, o melhor lugar do mundo e acima de tudo eu tinha o comigo. O que mais eu poderia querer?
A praia para qual estávamos indo não era longe de casa, por isso logo chegamos lá. Meus olhos brilhavam de excitação quando eu encarei a grande imensidão do mar a minha frente. Se existe alguma coisa que eu amava mais que a Inglaterra, era o mar. Ele sempre me fascinava e eu nunca soube explicar o porquê disso, tudo o que eu sabia era que alguma coisa ali prendia fortemente a minha atenção. Além da areia e do mar, um pouco mais pra frente à direita tinha um pequeno forte, que na verdade era apenas um velho muro de pedras em ruínas, e um farol sobre as grandes e extensas pedras que confortavam esse forte. Olhando do meu ângulo de visão se parecia com um mini penhasco ou uma falésia. As ondas batiam com força, um pouco mais abaixo, formando aquele típico barulho de água indo e vindo. Apesar de lindo, pouca gente sabia da existência desse lugar, por isso geralmente estava vazio como quando nós chegamos o que o tornava ainda mais atraente para se passar um final de tarde como esse. Talvez a idéia do não tenha sido tão ruim assim.
Soltei meu cabelo sentindo o vento jogá-lo contra o meu rosto e me sentei na areia levando um meio abobado junto comigo. Estava um pouco mais frio agora do que há alguns minutos atrás, mas nada que não fosse suportável, eu até gostava do frio. passou o braço sobre meu ombro e me trouxe para mais perto de si na intenção de me esquentar, quando viu que eu havia estremecido com o vento que passava por nós a todo o momento. Olhei diretamente dentro daqueles olhos que eu tanto amava e que tanto me passavam segurança e sorri ao pensar que eu tinha aquilo tudo só pra mim. Arrumei sua franja que o vento teimava em jogar para o lado oposto e passei minha mão por todo o seu rosto, como se estivesse o explorando, pedacinho por pedacinho. O vi fechar os olhos apenas sentindo meu toque despreocupado como se aquilo lhe proporcionasse um enorme prazer. Acariciei levemente a maçã de seu rosto e passei meus dedos pelos seus lábios depositando um beijo ali logo em seguida. Ele sorriu pra mim e eu retribuí antes de deitar a cabeça em seu ombro. Ficamos encarando o mar a nossa frente, que agora refletia os raios do sol que se punha atrás dele, como se aquilo fosse a coisa mais interessante do mundo. Por ser final de tarde o céu se dividia em várias cores que iam do rosa e passavam pelo azul e laranja, deixando uma paisagem digna de pintura.
- . – a voz de quebrou o silêncio que estava instalado entre nós.
- Hum? – murmurei
- Sobre aquele assunto de contar para os outros sobre nós eu estive pensando e eu posso esperar um pouco mais se você achar que ainda não está pronta. Eu não quero te pressionar e...
- Eu quero. – o interrompi e levantei a cabeça para encará-lo – Não tenho porque esconder isso de ninguém, além do mais já está mesmo passando da hora deles saberem. – Dei de ombros e vi um sorriso maior que a boca surgindo em seu rosto.
- Obrigado. – Ele sussurrou no meu ouvido e depositou um beijo ali logo depois. Eu sorri em resposta e voltei à posição que estava antes.

O colorido do céu dava lugar agora para tons de cinza e azul escuro. O sol já havia se posto e algumas estrelas já podiam ser vistas por todas as partes. A lua cheia iluminava toda a praia e refletia na água azul do mar. Eu não tinha a menor noção de tempo, mas não estava me importando com isso, não tendo ali comigo. E falando nele, já deve fazer uns cinco minutos que eu não o vejo em lugar nenhum. Agora você deve estar se perguntando ‘porque diabos ela está falando isso se os dois estão na praia juntos?’. Calma que eu explico. A pequena grande criança do resolveu que seria divertido me jogar na água com esse frio. Confesso que eu também pensei em jogá-lo no mar, mas isso não vem ao caso. Por isso eu estou escondida atrás do “forte” e em alerta para qualquer sinal que indique que ele possa estar por perto.
Apoiei as mãos no muro e andei engatinhando para perto do farol com todo o cuidado para não fazer barulho e chamar a atenção pro meu lado. Olhei para o outro lado e nem sinal dele. Dei a volta e me levantei quando percebi que não havia perigo ali. Atitude infeliz. Assim que dei exatos três passos, senti uma mão envolver o meu braço e me jogar na direção do muro me encurralando.
- Pensou que ia escapar fácil assim? – veio se aproximando de mim com um sorriso de escárnio no rosto. Dei um passo pra trás e dei com as costas nas pedras frias que compunham o muro.
- , amorzinho, nem pense nisso...
- Que? Eu só quero minha vingança por aquele dia na piscina, lembra?
- Rancoroso.
- Medrosa. – Dei língua pra ele e me senti uma criança de cinco anos quando o fiz.
- Você não vai realmente me jogar na água, vai? – Perguntei com certo receio.
- Não, eu só queria te passar um susto mesmo, é engraçado ver a sua cara de medo. – Ele disse e colocou a língua pra fora fazendo uma expressão divertida. Relaxei os ombros e suspirei aliviada. Se ele me jogasse lá, provavelmente amanhã eu amanheceria com uma pneumonia ou algo assim.
- Idiota.
- Vai negar que você gosta desse idiota aqui. – se aproximou mais e passou os braços ao redor da minha cintura fechando em um abraço. Espalmei as mãos em seu peito e fiz uma careta. Ele depositou um beijo em minha bochecha e foi descendo até chegar à base do meu pescoço.
- Não. – Dei uma resposta curta devido a minha dificuldade de formular uma resposta descente com seus lábios passando por toda a extensão do meu pescoço.
- Não, você não gosta, ou, não, você não vai negar?
- Não, eu não vou negar.
- Hum... – O som saiu meio abafado porque ele estava muito concentrado em deixar marcas vermelhas pela maior quantidade de lugares possíveis que conseguisse.
- .
- Hum...
- Ta escurecendo rápido.
- Uhum... – Resmungou e mordeu de leve o lóbulo da minha orelha.
- ! Quer abaixar esse fogo pelo amor de Deus. – Comecei a rir tentando me afastar dele antes que eu mesma fizesse alguma besteira.
- Nãaaaaao, vem cá. – Ele me puxou de volta também rindo e me fez ficar de costas para si ainda sem me soltar. Apoiou o queixo sobre o meu ombro e ficamos em silêncio por alguns instantes apenas observando as ondas que batiam e voltavam contra as rochas. Olhei para lua no céu que refletia toda distorcida no mar. Sorri me lembrando do poema de Ismália.
- , sabe do que eu me lembrei agora? – Perguntei sem me virar diretamente para ele.
- O que?
- De um poema.
- Quem vê assim até pensa que é culta.
- Ah cala a boca! – soltei um risinho – Sério, escuta só; “Quando Ismália enlouqueceu, pôs-se na torre a sonhar...”
- “(...) Viu uma lua no céu, viu outra lua no mar”. – Completamos juntos. Sorri e virei um pouco o rosto para encará-lo.
- Desde quando você conhece poemas? - Há muitas coisas que você ainda não sabe. – Ele disse fazendo aquela cara de ‘Eu sou o bom’.
- UH, falou O culto. – Zombei. Ele me deu um cutucão para me provocar e eu voltei a encarar o céu. Milhares de pontinhos luminosos, ou estrelas como preferir, surgiam por todas as partes. O vento ali soprava mais forte do que de costume, mas eu não sentia frio estando envolta pelos braços quentes e aconchegantes de . Pensei em como pude viver tanto tempo sem isso. Senti sua respiração quente e calma batendo contra a minha pele, me fazendo ter um arrepio gostoso. Seu polegar direito fazia círculos sobre a pele da minha barriga enquanto sua outra mão estava entrelaçada a minha sobre o muro.
- ... – Me chamou.
- Oi?
- Posso te contar um segredo?
- Pode. – Sorri e me virei totalmente em sua direção. Coloquei meus braços envoltos da sua cintura. Ele fez o mesmo.
- Eu costumava vir aqui pra pensar...
- Sobre?
- Você. – Senti minhas bochechas esquentando automaticamente depois do que ele havia me dito. O sangue se aglomerou rápido ali naquele local deixando-as em um tom de vermelho vivo. Eu não estava acostumada com esse tipo de declaração repentina e ele percebeu isso porque começou a rir – Não precisa ficar constrangida. – acariciou a maçã do meu rosto com as costas da mão.
- De qualquer maneira eu já estou mesmo. – Confessei sorrindo timidamente.
- Bom, então eu acho que você não vai se importar de ouvir o resto. – Não iria mesmo devo dizer. – Eu gostava de vir aqui quando não tinha ninguém pra conversar. Eu nunca disse nada pros caras sobre isso, a não ser para o , mas nunca deixei claro que era você e nem acho que ele tenha notado qualquer coisa. também sabe de algumas coisas e embora ela seja mais esperta que o amor platônico dela, acho que ela também não sabe. Pode ser que desconfie, mas certeza não.
- Aquela vaca ingrata nunca me disse nada, fora as indiretas que ela me jogava. – Fingi indignação.
- Ela também jogava verde pra cima de mim, mas eu sempre ria e balançava a cabeça. Uma vez achei que ela ia me fuzilar com os olhos quando eu não quis dizer nada. Eu juro que fiquei com medo que ela arrancasse minha cabeça ou algo assim. – Nós rimos do comentário que ele fez. sabia ser bem assustadora quando queria. – Sempre que vinha aqui, eu costumava imaginar se algum dia eu poderia ter isto, – apontou com a cabeça pros nossos corpos que estavam unidos – e se algum dia você sentiria por mim pelo menos um terço do amor que eu sinto por você.
- Eu sempre amei você. Mesmo que eu nunca tenha percebido, alguma coisa bem lá no fundo, que estava implícita desde o começo me dizia isso. Eu só nunca dei ouvidos a ela, talvez por medo ou por qualquer outra razão que eu não saiba explicar. – Me abracei ainda mais a ele e enterrei minha cabeça em seu peito.
- Eu sei pequena, eu sei. – beijou o topo da minha cabeça e retribuiu meu abraço.
Passamos o resto do tempo que tínhamos juntos, assim, abraçados, curtindo a presença um do outro e observando o mar e a lua que estavam anormalmente lindos hoje como se estivessem em sintonia com os nossos sentimentos.


Capítulo nove.

- Porra ! Anda mais depressa. – dizia já há uma considerável distância à frente de mim.
- Não dá cara. – Parei e me apoiei nos joelhos respirando ofegante – Você anda muito rápido.
- Claro, por sua culpa nós estamos vinte minutos atrasadas. e vão arrancar nossos corações com as unhas.
- Elas vão sobreviver. – Disse abanando o ar com a mão.
- Elas sim, mas se nós não chegarmos naquele shopping em cinco minutos, quem não vai sobreviver seremos nós duas. – Ela agarrou meu braço e saiu me arrastando rua afora – Aaaaaaanda criatura.
- Ta bom, ta bom, já to indo. – Tentei andar novamente acompanhando seu ritmo – Você é tão mandona.
- Cala a boca e anda. – Ela disse rindo.
- Chata. – Ri junto e corri para alcançá-la quando essa já virava a esquina.

Era sábado à tarde e as meninas tinham resolvido ir ao cinema, segundo a seria uma reunião do clube das Luluzinhas. Eu mereço. Os meninos não sabiam de nada, porque se soubessem provavelmente apareceriam aqui com alguma desculpa esfarrapada dizendo que tinham resolvido passar por acaso e se eu bem conheço, acabaria entregando eles sem querer.
Chegamos ao shopping vinte e cinco minutos após o horário combinado. Elas me matariam por isso.
- Antes tarde do que nunca. – disse assim que nos avistou. Ela e nos esperavam em frente ao cinema do shopping. Na verdade apenas a , porque não estava ali quando chegamos. Ela estava segurando quatro ingressos nas mãos.
- Não foi minha culpa, a que fica lerdando. – deu de ombros.
- O combinado não era de você jogar um balde de água fria nela caso ela não quisesse levantar? – perguntou surgindo com pipoca e refrigerante em mãos. Ofereceu-nos e deu de ombros enfiando um pouco mais de pipoca dentro da boca quando negamos com a cabeça.
- Ei, vocês podiam parar de falar de mim como se eu não estivesse aqui?
- A anda comendo mais que o , puta que pariu. – observou me ignorando completamente e começou a rir da amiga que lhe mostrou o dedo médio.
- E você anda palpitando mais que o . – Retrucou. As duas se entreolharam e começaram a rir.
- Loucas. – murmurei.
- Odeio acabar com a felicidade de vocês, mas se não nos apressarmos o filme começa e a gente fica de fora. – disse pegando um dos ingressos que estavam na mão de e seguindo para a sala sete.
- A propósito que filme nós vamos ver mesmo? – perguntei. deu de ombros e seguiu para o lugar onde havia desaparecido, segundos antes. repetiu o mesmo gesto e foi pelo mesmo caminho que as outras duas. – Ei, me espera. – Corri atrás delas e dei um pedala na antes de entrar para a sala.

- O Rupert é muito gostoso cara. – estava com cara de sonhadora quando saímos do cinema. Todas nós reviramos os olhos enquanto ela continuava suspirando apaixonadamente por Rupert Grint, seu segundo maior amor platônico. O primeiro eu acho que nem preciso dizer quem é.
- Eu juro que se ela disser isso mais uma vez eu a faço engolir essa embalagem de pipoca. - Murmurei. As outras duas riram discretamente e concordaram comigo com um aceno de cabeça. Era a milionésima quadragésima vez que nós escutávamos aquilo ou algo relacionado.
- Vocês viram como ele é perfeito? Sem contar que o Rup é um ótimo ator e...
- AH NÃO! PELO AMOR DE DEUS! – levantei os braços pro alto como se pedisse redenção – Eu devo ter pregado chiclete da Barbie na cruz e ainda entrei na fila pra pregar de novo. Se você não quiser ter um pedaço de papelão amassado entalado no seu sistema digestório eu acho bom você mudar de assunto. – Disse apontando o dedo indicador na cara dela. e desataram a rir da cena enquanto me olhava com uma cara assustada.
- Não ta mais aqui quem falou. – Ela levou as mãos abertas na altura dos ombros como quem pede desculpas.
- Acho bom. – Dei-lhe uma olhada de canto de olho e semicerrei os mesmos tentando parecer mais assustadora. Tentativa frustrada, porque assim que eu escutei as gargalhadas das outras duas dementes a dois passos atrás de nós eu comecei a rir também.
- Você tinha que ter visto a sua cara . – falou com dificuldade – Parecia que seus olhos iam pular pra fora tamanho foi o susto que você levou com o grito da .
- Não enche – ela riu também e nós todas seguimos para o McDonalds ao lado do shopping.

Eram dezenove horas quando uma buzina soou na porta de casa. Dei uma última verificada em meus cabelos que insistiam em criar volume justo hoje, e desci as escadas correndo enfiando o celular e as chaves da porta ao mesmo tempo no bolso de trás da minha cigarrete preta.
- Tchau mãe, tchau pai. Provavelmente eu devo dormir na casa do e qualquer coisa eu to levando as chaves, então, não se preocupem. – Dei um beijo apressado no rosto de cada um deles que estava sentado no sofá da sala assistindo a um noticiário qualquer - Só se ligarem do hospital avisando que eu tive coma alcoólico. – Me esquivei, rindo, do tapa que a minha mãe tentou me acertar depois do que eu disse. – É brincadeira.
- Divirta-se. – Escutei-os gritando e rindo antes que eu fechasse a porta às pressas e corresse para o volvo preto que me esperava próximo a calçada. The Verônicas tocava a toda altura quando eu entrei e bati a porta para que pudesse arrancar com o carro.
- Alguma idéia do que nós vamos fazer essa noite? – Perguntei me virando para ela que dirigia e batucava os dedos no volante no ritmo da música. Ela balançou a cabeça negando sem tirar os olhos do caminho.
- Suruba night. – berrou do banco de trás e depois riu do que tinha dito – E a vai fazer a dança do cano pra gente – concordou e as duas bateram as mãos em um tipo de High Five.
- Vão se foder! – grunhi e comecei a rir da dancinha ridícula que elas faziam.
- Merda! – gritou de repente chamando a atenção para si.
- O que foi? – Perguntei fitando seu rosto preocupado.
- Meu celular – explicou – ta tocando e não tem como eu atender. Pega minha bolsa embaixo do seu banco pra mim ? – pediu.
- Claro. – Obedeci. Estiquei a mão tateando o chão do carro até encontrar a alça da bolsa. Remexi dentro dela até encontrar o celular – Tem duas chamadas não atendidas do .
- Ele vai me encher o saco – bufou – Liga de volta e vê o que ele quer – ela dizia enquanto tateava o som para abaixar o volume. e entraram e uma conversa paralela sobre algum assunto que eu não prestei muito atenção para saber qual era. Apertei o botão de discagem rápida e levei o celular ao ouvido esperando que alguém atendesse. No segundo toque uma voz familiar soou do outro lado da linha.
- Porra , porque você não atendia essa merda de celular? – Afastei o telefone do ouvido e fiz uma careta para os gritos do que saiam do aparelho.
- Ei, calma lá. Eu não sou a .
- ?
- Não, o bozo.
- Hum, cadê a ? – ele me ignorou – E o que você está fazendo com o celular dela?
- Sua namorada está sentada ao meu lado nesse exato momento, dirigindo para sua casa. – Disse olhando minha amiga que revirava os olhos impaciente.
- Ah sim! Então, eu liguei justamente por isso – explicou – pra pedir a vocês que passem no supermercado antes de virem pra cá e trazerem mais cerveja e vodka, porque o e o acabaram com o estoque aqui de casa.
- É mentira, foi o !
– escutei duas vozes gritando ao mesmo tempo.
- O que tem eu? – Uma terceira voz surgiu na conversa. Provavelmente .
- Você bebeu tudo o que tinha na geladeira.
- CALÚNIA!
- NÃO PISA AÍ!
– Reconheci a voz do gritando sendo seguida por um barulho de coisas caindo e quebrando. Três risadas escandalosas invadiram o aparelho em seguida.
Comecei a rir sozinha imaginando o que tinha acontecido. Eles pareciam terem se esquecido de que eu estava do outro lado
- O que aconteceu? – me perguntou. Os olhos ardendo de curiosidade.
– Ao que parece, acabou com o estoque de bebidas e alguém quebrou alguma coisa por lá – expliquei – quer que a gente passe no supermercado antes.
- Tudo bem. – Ela assentiu rindo, provavelmente imaginando a cena assim como eu, e pegou um desvio.
- ? – Alguém chamou no celular.
- Aqui.
- Não demorem senão o e o vão quebrar a minha cãsa – gemeu – ISSO NÃO É PRA COMER!
- Desculpa!
- Rápido.
– Desligou sem me dar tempo de me despedir. Joguei o celular dentro da bolsa sorrindo e me virei para as duas de trás.
- O vai matar os namorados de vocês.
- Hã? – A confusão lampejou por seus rostos.
- Isso mesmo que vocês ouviram.
- Do que você ta falando? – perguntou.
- Do e do seu amor platônico.
- Vou te mostrar o amor platônico. – Ameaçou.
- Isso mesmo, ódio é um sinal de paixão. – gargalhou ao meu lado e estacionou o carro junto ao meio fio. - Ah, calem a boca vocês! – tirou a chave do contato e desceu rumo à entrada do supermercado. Eu abri a porta e a segui.
- Vou te dar a paixão, me aguarde. – resmungou e desceu atrás de nós, levando uma sem entender nada junto.

- Ok, vodca ou tequila? – segurava duas garrafas em mãos avaliando o conteúdo de ambas. Uma era de um liquido incolor e a outra de um bege claro.
- Vodca.
- Tequila – .
- As duas. – falou e nós olhamos para ela.
- Quem é você e o que fez com a nossa amiga? – Perguntei. era a que menos bebia entre nós.
- Sei lá, deu vontade.
- Eu hein. – murmurou.
- Tanto faz. – deu de ombro e colocou as duas garrafas dentro do carrinho.
- O que vocês acham que vai acontecer hoje? – perguntei.
- Como assim? – olhou pra mim.
- Toda vez que nós vamos pra casa de alguém fazer alguma coisa tipo isso – apontei para as bebidas no carrinho – alguma coisa acontece. Lembra da última vez, quando o e o estavam tão bêbados que resolveram discutir sobre óvnis? E no final chegaram à conclusão que o era um extraterrestre que tinha vindo do espaço abduzir eles e disseram que tinham de capturá-lo. O tem trauma disso até hoje.
- Bom, talvez desta vez seja menos dramático. Alguém pode tropeçar na escada, rolar alguns degraus abaixo e quebrar o pescoço. – Refletiu. Olhei-a com os olhos arregalados – Que foi? É uma possibilidade.
- Vou fingir que não ouvi isso. – Ignorei.
- Você quem sabe, mas depois quando estiver deitada em uma cama de hospital não diga que eu não avisei.
- ! – comecei a rir – Não fala besteira. – Sai empurrando o carrinho jogando todo tipo de salgadinho que encontrava dentro.
- Você quem sabe. – Ela veio resmungando atrás de mim.

- Seria muito bom se alguém resolvesse lembrar que nós existimos e viesse abrir essa porta. – disse apertando a campainha pela quarta vez. Nós estávamos parados na porta da casa do esperando que alguma alma desse sinal de vida e nos atendesse.
- Abre a porta e entra. Muito simples. – disse atrás dela.
- Não sou mal educada que nem você.
- Então fica apertando essa campainha até sair fumaça. – Deu de ombros. bufou e apertou novamente. Depois da sexta tentativa uma voz feminina berrou lá de dentro.
- Já vai. Nós nos entreolhamos e viramos a cabeça em direção a porta no mesmo segundo quando ouvimos um ‘clique’.
- Er... Oi? – falou quando não dissemos nada observando a loira parada na nossa frente com as bochechas coradas de vergonha.
- Vocês devem ser , , e , certo? – perguntou sorrindo um pouco. Ela não era muito alta, talvez um pouco mais baixa que eu, mas era bastante bonita – Estávamos esperando por vocês.
- Sim, e você é...?
- Brittanny, prazer – deu um beijo no rosto de cada uma de nós – Sou namorada do James. Ouvi falar muito de vocês.
Agora sim as coisas estavam explicadas, Bourne também estava ali. Sorrimos para ela e assentimos com a cabeça.
- Espero que tenha ouvido coisas boas. – Disse.
- Definitivamente. – Ela riu – James parece uma gralha quando fala de vocês e dos meninos. Não vão entrar? – Deu passagem que adentrássemos a casa.
- Claro. – que até agora não tinha falado nada disse – Onde eles estão?
- Na sala.
- Ok.
Assim que botei o pé pra dentro da casa minha visão foi tampada por uma camiseta vermelha e um par de braços me envolveu.
- Nanica. – ele falou – Que saudades de você.
- Qual é gambá. Você me viu ontem. – Comecei a rir da cara que ele fez.
- O que foi? Não posso mais sentir saudades da minha amiga? – Perguntou abraçando Britt de lado. Já sou íntima ok.
- Claro que pode.
- Então.
- Você não me disse que tinha arrumado uma namorada. Sinto-me traída. – Brinquei. - Cadê os meninos?
- Bom, eu criei vergonha na cara e a pedi ontem – ambos sorriam e deram um selinho – Estão na sala se matando.
- Se eu fosse você amarrava uma coleira nele. – Disse a ela como se James não estivesse presente – Normal. Eles se amam.
- Acho uma ótima idéia. – Ela entrou na brincadeira.
- Ei. – Ele protestou. Nós rimos e seguimos para onde os outros estavam.
Quando chegamos à sala, eu pude ver e em um canto discutindo alguma coisa. Pelas caras que eles faziam a coisa não parecia nada boa. e se xingavam eternamente em uma partida de videogame, haviam várias latas de cerveja espalhadas em volta deles. e estavam muito entretidas jogadas no sofá conversando e rindo a todo o momento, e estava sentado ao lado delas, parecendo não prestar muita atenção ao que elas diziam, roendo a unha. Absorto em pensamentos sem dúvida.
- Psiu. – Chamei-o para ver se ele prestava atenção em mim. Assim que me viu sorriu e levantou-se vindo em minha direção.
- Pensei que não viria mais. – Disse-me enquanto me abraçava.
- E perder a diversão? Nunca. – Sorri e retribui o abraço.
- Se assumam logo. – James deu de ombros e foi com a namorada atrapalhar a conversa das meninas. Nós dois nos entreolhamos e começamos a rir. Mal sabia ele que era essa a nossa intenção pra mais tarde.
- Então, posso saber o que estavam fazendo antes de nós chegarmos? – Perguntei segurando em sua cintura e me afastando um pouco para olhá-lo nos olhos.
- Vendo o e o se matando no videogame e bebendo, nada de mais.
- Dormiu aqui?
- Aham.
- Hum.
- Que foi?
- Nada. Pensei que tinham saído à noite.
- Por quê? Ta com ciúme? – sussurrou no meu ouvido.
- Até parece. - Me joguei no sofá.
- Admita. – Ele se jogou ao meu lado.
- O que?
- Que você tem ciúmes de mim.
- , vai te catar! – Dei um soco leve em seu obro, mas que o fez se encolher. Ele começou a rir. Da minha cara pra variar – Qual é a graça?
- Você. – Disse em meio a risadas.
- To pintada de palhaça por acaso? – Maldito. Foi só eu dizer isso que ele praticamente se mijou. Eu ainda estava tentando entender do que ele tanto ria, porque pra mim não tinha graça nenhuma.
- Sabia que você fica linda quando ta estressada? – Sussurrou no meu ouvido. Legal, era só fazer isso que ele conseguia me desarmar.
- Humpf. – Bufei, tentando manter a pose de brava. Se eu disse algo, provavelmente minha voz me entregaria.
- ?
- Hum? – Murmurei.
- Olha pra mim. – Me virei relutante sabendo que acabaria com a minha pose quando olhasse dentro de seus olhos – Eu tenho ciúmes de você – Deu um beijo em minha bochecha e se levantou indo atrapalhar o jogo dos meninos me deixando com cara de boba no sofá.

- Cara, acho que eu comi demais. – James disse passando a mão sobre a barriga que estava estufada devido à quantidade de salgadinhos e refrigerante que ele havia ingerido.
Todos nós estávamos esticados e espelhados pelo tapete e os dois sofás da sala.
- Depois do tanto que você comeu, se me dissesse que esta com fome eu te daria uns tapas. – Murmurou .
- Eu estou em fase de crescimento. – Espreguiçou-se e abraçou Britt que estava ao seu lado no tapete sorrindo para ele. Olhando assim os dois formavam um belo casal.
- Pros lados só se for. – Nós rimos e apenas concordamos com a cabeça sem coragem de mexer qualquer que fosse dos músculos faciais para dizer algo.
- Obrigado. – Riu também.
- Gente – Chamei. Todos olharam pra mim e fizeram um sinal como se pedissem para prosseguir – Eu tava pensando aqui...
- Você? – fez cara de espanto. Ignorei-a e continuei. – Que tal se a gente jogasse verdade ou conseqüência? – que estava com a cabeça deitada sobre a minha barriga, começou a rir.
- , quantos anos você tem?
- Por quê?
- A gente jogava isso quando tínhamos doze anos.
- E daí? – questionei – Ela divertido. – Ele ia me responder, mas foi interrompido pela risada escandalosa da – Que foi?
- Vocês falaram isso e eu me lembrei de quando os meninos mandaram o vestido de menina, parecendo um traveco, ir ao meio da rua gritar que tinha o Willy pequeno. – a sala explodiu em risos – E ainda trancaram o coitado do lado de fora da casa. Eu lembro como se fosse ontem do desesperado esmurrando a porta e xingando até a mãe do padeiro da esquina.
- Sempre sou eu que me ferro. – Resmungou rindo.
- É mais divertido zoar com você. – explicou. estava prestes a protestar, mas eu fui mais rápida e o interrompi.
- Então, vamos ou não vamos?
- Por mim pode ser, vai ser interessante ver vocês pagando mico. – levantou do sofá e se sentou no chão ao lado de Britt.
- Me aguarde . – Ameacei. Nós dois trocamos um olhar malicioso e encaramos nossos amigos que se sentavam todos juntos de nós formando uma roda. - Cadê a ? – perguntei quando dei por sua falta.
- Aqui. – Ela surgiu da cozinha carregando uma bandeja com dez copos e uma garrafa de tequila.
- Baixou o espírito da bêbada nela. – cutucou Britt e nós começamos a rir. colocou a bandeja na mesinha de madeira que ficava entre os dois sofás e despejou o liquido contido dentro da garrafa nos copos. Serviu-nos e se sentou ao lado de .
- Quem roda? – James perguntou colocando o celular no centro da roda.
- Eu. – pediu e segurou (lê-se: pulou em cima e agarrou) o celular para girar.
O celular rodopiou por alguns mínimos segundos e parou. Nós havíamos combinado que só poderiam escolher verdade depois de duas conseqüências.
- Ih ferrou! – James falou – Boa sorte – Deu um tapinha em seu ombro em forma de apoio. Ela sorriu amarelo e olhou pra mim.
- , você sabe que eu te amo...
- Eu sei.
- Então...
- É muito simples minha cara amiga – segurei o riso que estava por vir – Eu quero que você passe apenas sete minutos trancada dentro do closet ali embaixo da escada com o – Encarei-a com um sorriso malicioso esperando por sua reação.
- Isso vai ser sete minutos no inferno com os dois lá dentro. – começou a rir abertamente ao meu lado fazendo nós todos rir junto.
- Eu juro por tudo que eu ainda te mato sua vaca. – Grunhiu entre dentes, mas com traços de riso pelo rosto.
- É tão ruim assim ter que ficar trancada lá comigo? – perguntou ofendido.
- Não se mete.
- Andem logo vocês dois, é o jogo. – disse abanando o ar com a mão como se estivesse entediado.
- Você me paga. – Levantou resmungando com um vermelho em seu encalço. Os dois entraram na porta que ficava embaixo da escada.
Fez-se silêncio.
- Se ouvirmos gritos, deixamos eles se matarem ou salvamos o ? – perguntou.
Todos se encararam.
- Deixamos eles se matarem. – Dissemos juntos e soltamos risinhos suspeitos.
- E agora? – perguntei – Esperamos eles voltarem ou continuamos o jogo?
- Continua. – deu de ombros.
O jogo prosseguiu. Durante o tempo que e ficaram dentro do closet, James dançou na boquinha da garrafa, e fizeram uma cena de filme e Britt e , fizeram um projeto de dança do cano que quase enfartou cada um de seus respectivos namorados e nos rendeu boas risadas. Já havia se passado dez minutos e até agora não tínhamos ouvido nenhum barulho vindo de lá.
- Ou a coisa lá ta muito boa, ou eles realmente se mataram. – Observou .
- Fico com a primeira opção – cutuquei-o – Eles se amam, só não admitem para si mesmos.
- Eu sei. – riu. Ouvimos um barulho de porta sendo aberta e vimos uma vermelha vindo em nossa direção desamassando a roupa com um sorridente atrás.
- Eu não disse que ficava com a primeira opção? – sussurrei para os presentes na roda. Soltamos risinhos discretos e resolvemos não dizer nada quando eles se aproximaram e sentaram-se em silêncio.
- Cadê a ? – perguntou notando que a amiga não estava presente.
- Boa pergunta. – Observei. Ouvimos uma música começar a tocar a toda altura. The Darkness identifiquei.
- Essa música me faz querer rir. – Britt disse sorrindo e nós concordamos. apareceu fazendo uma dancinha muito estranha, diga-se de passagem, que nos fez rir.
- Posso girar? – James perguntou segurando o celular com uma mão e um copo de tequila na outra. Concordamos e ele o fez.
Fudeu.
Agora ela iria acabar com a minha vida.
- Tudo que vai volta. – disse com um sorriso cínico nos lábios. Não disse nada, apenas sorri amarelo e engoli em seco – O que eu quero também é muito, muito simples. – medo – Você e o vão ter de se beijar aqui pra todo mundo ver. E nem adianta vir com essa de que vocês são amigos e blábláblá – alívio.
Analisei o que ela queria por um momento. Eles nunca tinham visto nós dois nos beijando, até porque isso só vinha acontecendo ultimamente, e antes quando jogávamos, nós dois arrumávamos mil e uma desculpas para não fazê-lo.
Isso seria no mínimo divertido quando víssemos a cara que eles iriam fazer.
Olhei para ao mesmo tempo em que ele virou a cabeça para me olhar e nós dois começamos a rir. Muito. Provavelmente ele tinha pensado a mesma coisa que eu. Mas o que me preocupava, era que esse seria o momento perfeito para contar sobre nós. Eu havia prometido isso ao e iria cumprir.
- Eu hein. Mandamos o e a praquele quartinho fazer sei lá o que eles fizeram lá, e os dois quase se matam por isso, agora mandamos os dois – apontou para mim e o – se beijarem e eles começam a rir parecendo duas hienas. Pra mim vocês são todos um bando de loucos. – disse.
- E então? – pressionou.
Não respondemos nada, apenas me aproximei mais de que já estava ao meu lado e passei uma de minhas mãos por sua nuca colando seus lábios nos meus. Ele me puxou pela cintura e caiu deitado no tapete me levando junto e fazendo com que eu ficasse por cima de si. Encaixei nossas pernas deixando-as alternadas e o beijei com vontade, como nunca havia feito antes, e ele retribuiu de imediato começando a brincar com nossas línguas. Uma de minhas mãos bagunçava e puxava fervorosamente seus cabelos e a outra, matinha repousada segurando seu rosto. Ele apertava minha cintura puxando-me para mais perto de si, se é que isso era possível, me fazendo deixar escapar todo o ar que havia em meus pulmões em um suspiro forte e descompassado, mas que não me impediu de continuar o beijando. Acho que a tequila estava fazendo efeito. Suas mãos começaram a deslizar por toda a extensão de minhas costas e eu comecei a sorrir entre o beijo imaginando a cara que os nossos amigos estavam fazendo. Deveria ser no mínimo engraçada.
- Chega! Chega! – Escutei gritando e logo depois senti um par de mãos em meus ombros me puxando para trás. – Eu mando vocês se beijarem e vocês dois quase se comem.
Joguei minha cabeça para trás rindo e caí deitada eu lado dele que ria assim como eu.
- Alguém pode me explicar o que foi isso? – James perguntou de boca aberta. – Porque minha ficha ainda não caiu – Sorriu. Nós nos endireitamos e encaramos nossos amigos.
- Eu espero que vocês tenham paciência, porque é uma longa história. – falou e começou a contar tudo desde o início.
- Me deixa ver se entendi, quer dizer que vocês dois estão se pegando a mais de um mês sem contar nada pra gente? – perguntou.
- Que termo chulo .
- Estou certa?
- Sim. – respondi.
- Ingraaaaaaaaaaaaaaatos. – Fez cara de decepção.
- Larga de ser fofoqueira. – lhe deu um pedala nos fazendo rir – Eu sempre soube, mas não tinha certeza por isso não disse nada. Acho bom que vocês finalmente tenham se resolvido. – Sorriu.
- Obrigada. – Agradeci sendo abraçada de lado por que depositou um beijo no alto de minha cabeça. Retribui o abraço e sorri.
- Cara, isso é estranho. – refletiu.
- Não é não. – fez cara feia pra ele – É lindo.
- Agora só falta um casal entre nós pra se resolverem. – Alfinetei me fazendo de desentendida quando me fuzilou com os olhos – Que foi? Disse algo demais? – Risos.
- Nada , você nunca fala nada demais. – Ironizou.
- Se você diz quem sou eu para discordar.
- Acho que essa tequila fez efeito, minha cabeça não para de rodar. – Britt falou encostando-se em James.
- Quer subir? – Ele perguntou.
- UUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUH! – Gritos.
- Como vocês são pervertidos – Começou a rir.
- Quero sim, se não for atrapalhar. – Ela respondeu rindo.
- Tem vários quartos desocupados lá em cima, podem escolher. – disse e indicou o andar de cima.
- Ok. Boa noite pra vocês. – Os dois acenaram e subiram as escadas.
- Boa noite. – Respondemos em coro.
- E agora? – Perguntou – O que nós fazemos?
- Vocês eu não sei, mas eu vou dormir. – respondeu e se levantou arrastando um com cara de paisagem consigo – Boa noite.
- Boa noite.
- Que frio. – se encolheu. Pensei em fazer um comentário, mas achei melhor ficar calada.
- Pega uns cobertores no closet. – disse abraçando que estava sentada entre suas pernas e recostada confortavelmente em seu peito.
- Por que eu?
- Porque foi você quem disse que estava com frio.
- Abusado.
- Sono pega. – Bocejei. Deitei-me no tapete de barriga para baixo e fiquei balançando as pernas no ar.
- Você que dorme demais mesmo. – disse com um sorriso brincalhão nos lábios.
- Toma. – jogou um edredom e um travesseiro em cima de nós.
- Educação mandou lembranças.
- Não enche. – Riu.
e tinham entrado em uma conversa paralela com direito a cochichos e sorrisinhos, nem ligando para o resto de nós. e por incrível que pareça estavam brincando e conversando civilizadamente, e como isso era muito raro de acontecer resolvi não interromper. Ao meu lado havia pegado o travesseiro só para ele e se espalhado no tapete com cara de tédio. Senti um cutucão e ele chamou por meu nome.
- – olhei-o para ver o que ele queria – Vem cá – abriu o edredom e fez sinal para eu me deitar com ele. Rolei um pouco mais para o lado e fiz o que ele queria. Ele certificou-se de que eu estava totalmente aquecida e me abraçou contra seu peito.
- Obrigado.
- Por?
- Ter contado aos outros.
- Eu disse que poderíamos contar não disse? – Perguntei depositando um beijo em seu ombro.
- Disse.
- Então. – Ele passou a mão por meus cabelos e me abraçou mais forte – Boa noite.
- Boa noite. – Sussurrei já começando a mergulhar no sono. Ficamos alguns minutos em silêncio.
- ?
- Oi?
- Eu te amo. – Sorri.
- Eu também te amo, . – Apertei-o mais forte e fechei os olhos sentindo a consciência me abandonar.

Nota da autora (19/O9/O9): Alô vocês! Um mês certinho hein? :B Acabei de esquecer o que eu ia falar, odeio isso. ¬¬ Geeeeeeente me salva, eu tenho aula no sábado pra repor aquela semana da gripe suína, e ainda por cima vou ter prova bimestral no dia, depois quando eu falo que to queimando no fogo do inferno ninguém acredita em mim u_u /ok parei com meu momento emo. Gatinhas, gostei de ver todo mundo comentando deixando Tia Lari assim: *-*-*-*-*-*-*-*. Falando em comentário, Marjorie e , fiquei meia hora rindo dos comentários de vocês, atoron comentários assim –QQ follow me (@Larissasilva) pra gente bater uns papo 10 no twitter, hã hã ~.~ /parei. láa você me perguntou por que chama ‘Goodbye’ certo? Então, é porque esse é o nome da música que me inspirou para escrever a fic :D
Gente, e os nossos guys lindos e absolutos ganhando o mpn? *-* Me senti um ar condicionado de tanto que eu ventilei kk e se eles me derem um reply vou virar turbina de avião kkkk /to tão idiota hoje, relevem porque são 01:33 da manhã –q Enfim, vou calar meus dedos, porque to quase babando aqui em cima e meu estomago criou vida aqui. Então beijocas :* Espero que gostem do capítulo e eu amo vocês <3

Ps: Descobri que eu e minha beta diva absoluta Didi temos uma paixão em comum pelo William Bonner kk se você também tem e se sente perdida no mundo juntem-se a gente O// (Cala a boca Larissa u_u) Orkut | Twitter | Msn | Blog

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