História do Tabaco


       A planta do tabaco é originária das Américas. A sua utilização pelos indígenas é claramente assinada pelos cronistas dos descobrimentos.

    Las Casas, filho de um dos companheiros de Cristóvão Colombo refere que, quando aqueles navegadores desembarcaram na ilha de S. Salvador (uma das Antilhas) em Outubro de 1492, que viram muitos indígenas » que traziam um tição e certas ervas para se regalarem com o seu perfume»...

    Também Damião de Gomes assinala que, em 1500, os marinheiros de Pedro Álvares Cabral tinham vistos os naturais das terras então descobertas (Brasil) a aplicar sobre as feridas uma erva, fumá-la ou aspirar as suas folhas secas e reduzidas a pó. Essa erva era dominada «petum» pelos índios. Há indícios que permitem admitir  que, poucos anos depois da viagem de Pedro Álvares Cabral, a mesma planta era já cultivada em Lisboa nos jardins reais.

    Contudo, a sua introdução no nosso País é geralmente atribuída a Luís de Goes, que, tendo vivido algum tempo no Brasil, regressou a Portugal por volta de 1530.

    O tabaco espalhou-se com grande rapidez pela Europa e também pelo resto do Mundo. Os portugueses introduziram-no em África, nas duas costas, e no Extremo Oriente. A expansão do comércio marítimo acaba por levá-lo a todos os continentes. O grande poder da adaptação da planta e o acolhimento favorável por parte das mais diversas populações ou caças, fizeram com que a sua cultura se espalhasse pelo mundo, aparecendo até nas mais longínquas regiões, como se de planta espontânea se tratasse - o que chegou a levantar dúvidas sobre a sua verdadeira origem.

    Todos os obstáculos e proibições com que, em alguns países, inicialmente, se procurou obstar à sua divulgação, foram inúteis. O cultivo e a comercialização do tabaco não tardaram muito em se transformar em negócios dos mais rendosos, e os governos, através dos impostos que sobre eles lançaram, começaram a auferir proventos cada vez mais substanciais. Necker, em 1784 considerava o imposto sobre o tabaco «a mais suave e imperceptível de todas as contribuições, situada, com razão, entre as hábeis invenções fiscais...».

    O fumo em cachimbo, a aspiração nasal sob a forma de rapé e a mastigação foram as formas de utilizar o tabaco que permaneceram durante os séculos XVI, XVII e XVIII.

    O charuto e o cigarro são formas de aparição mais recente, já no século XIX. A partir do princípio do nosso século, o aperfeiçoamento da fabricação mecânica de cigarros fez destes a forma mais prática, mais barata e mais vulgarizada de utilizar o tabaco, contribuindo decididamente para pôr o seu consumo ao alcance de todos, em todas as ocasiões. A seguir à primeira Grande Guerra verifica-se uma expansão nunca vista do hábito de fumar cigarros. Depois da segunda Guerra Mundial dá-se uma segunda vaga de expansão ainda superior à primeira, propagando-se também às mulheres o uso do cigarro.               

 

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