
ESCRITA POR NANA CAMARGOS
Episódio 60
-Relaxa, Matt... Desde ontem você tá insistindo nisso. – disse John, colocando as malas no táxi.
-Têm mais de quatro dias que eu tô tentando ligar para ele e não consigo. – insistiu Matt, preocupado.
-Eu falei com o Matt ontem – disse Amanda para John – O Seu Arthur deve ter tirado umas férias...
-Ou mudou o número do celular. – acrescentou Katie.
Matt não parecia convencido. Colocou mais duas malas no carro. Já era o dia de ir embora. Yuri saíra do hospital e estava em sua casa. A equipe toda foi visitá-lo, em seu apartamento. Ele estava deitado na cama.
-E aí, cara? Tá melhor? – perguntou Matt, dando um sorrisinho.
-Tô, obrigado. Bem melhor. – respondeu Yuri – Acho que logo vou sair dessa cama. Não vejo a hora...
-Mas quem vai cuidar de você, Yuri? – perguntou Katie, com preocupação.
-Eu. – respondeu uma mulher que acabava de chegar no quarto.
-Pessoal, essa é Kátia, minha mãe... – apresentou Yuri – Já que não vai ter Katie pra ficar conversando comigo, terá Kátia.
-Não senhor. Eu posso conversar com você sim...É só me ligar. – corrigiu Katie, sorrindo.
-Isso é que é amor... – disse Amanda, pelo cantinho da boca.
-Cala a boca, Amanda. – mandou Katie, um pouco nervosa, um pouco envergonhada.
-Eu não disse nada... – falou Amanda.
-Bem, Yuri...Nosso avião sai daqui a uma hora, - disse John – Não podemos demorar. Queríamos dizer que adoramos trabalhar com você...
-E que sentimos muito a morte da Dani... – completou Scott.
-E queríamos chamar você para entrar na nossa equipe. – disse Matt, depois de um tempo.
Yuri ficou um pouco surpreso.
-Falam sério?
-Ainda teríamos que definir sua função lá dentro, mas precisamos de mais um membro na equipe. – explicou Matt.
-Eu adoraria! – disse Yuri, contente.
-Assim que você estiver cem por cento, então, nos ligue a acertaremos tudo. – disse John.
-Claro. E, Matt...Me desculpe por...
-Não foi nada. – disse Matt, sem mágoa.
Despediram-se de Yuri e foram de táxi até o aeroporto. O vôo atrasou um pouco, mas, enfim, chegou. Embarcaram. No avião, conversavam.
-Eu gostei de Belém. – comentou Scott – Bonita cidade...
-É... – concordou Amanda – É bonita, mas à noite, o que tem de drogado pelas ruas... – falou, meio provocando John.
-É mesmo! – disse Matt – É mais que lamentável ver aqueles caras, novos, todos acabados, destruídos pelas drogas.
John sentiu-se péssimo. Apesar de já estar controlando seu vício, ainda era um pouco dependente da maconha. Mas não queria que o amigo soubesse disso. Olhou feio para Amanda, que disfarçou. John mudou de assunto:
-E o que faremos quando chegarmos em BH?
-O Natal está chegando, Seu Arthur bem que podia nos dar uma folga. – disse Scott.
-É...
Conversaram durante toda a viagem. Chegaram em BH e já estava de tarde. Passaram em um restaurante para almoçar e, na ida ao esconderijo, John pegou suas correspondências na casa da tia. Era muitas e ele nem se atreveu a olhar de quem eram, pois já imaginava.
Ao chegarem no esconderijo, tiveram uma surpresa. Encontraram um bilhete, pregado na entrada. John retirou o bilhete e leu em voz alta.
-“Caros espiões irritantes,
Gostaríamos que soubessem da atual situação do chefe de vocês, Arthur
Faber. O velho está conosco, em coma. Não pretendemos devolve-lo logo, mas
garantimos que, se depender de vocês, ele viverá. Por isso, não gostaríamos
que se metessem conosco. Acho que o velho que matamos há mais tempo, serviu
como lição. Não queremos que o doce Arthur tenha o mesmo destino do vovô, não
é mesmo? Entraremos em contato logo. Ah, Angélica mandou um beijo para seu
namorado Matthew.
Atenciosamente,
Mega-CEBR
Julio Nunez________ ”.
Estavam todos perplexos. Matt sabia que tinha algo errado, mas ainda acreditava na possibilidade de estar enganado. Ficaram parados alguns momentos, quando Amanda falou:
-É assim que eles querem nos ver: arrasados, preocupados, com medo... Não podemos dar esse gostinho a eles. Vamos resgatar o Seu Arthur antes mesmo que eles possam imaginar.
A atitude da garota era de se estranhar, já que Júlio Nunez tratava seu avô com desdém, no bilhete. Mas John concordou:
-Tem razão. Vamos pensar em um modo. Vamos entrar, esfriar a cabeça...Depois pensaremos nisso.
Entraram. Todos foram tomar banho. Depois, arrumaram as coisas, enquanto Katie preparava um lanche para todos. John lia suas cartas. Assim como imaginava, eram de Chuck, o irmão, e cada uma era mais ameaçadora que a outra (“Você não imagina a minha vingança, seu traidor assassino...”.). John ficava mais nervoso a cada carta que lia. Pensou em se drogar, mas agora não era o momento. Saiu do quarto e foi para a sala, onde o lanche estava pronto.
Todos estavam sentados à mesa. Matt estava bastante calado e os colegas sabiam a preocupação que o rapaz estava. Começaram a comer, sem dizer nada. O silêncio foi quebrado quando Matt engasgou com o suco. Enquanto ele tossia, John disse:
-Matt, não fique tão nervoso. Vamos resolver isso.
John não era a pessoa certa para dar conselhos de como manter a calma, pois além de estar preocupado com Seu Arthur, preocupava-se com Chuck. O que o irmão estaria planejando?
-Vai tudo ficar bem. – disse Katie – Não vai acontecer nada ao Seu Arthur, ele é muito bom.
-As coisas ruins só acontecem com as pessoas boas. – disse Matt, finalmente – O Rubens, a Daniella, o avô da Amanda, Seu Arthur...
-Não é assim. – disse Katie – As pessoas ruins pagarão pelas suas maldades algum dia. Se não for nessa vida, será em outra.
-Por que a Mega-CEBR faz isso? Por que não realizam seu trabalho e nos deixam em paz? – perguntou Matt, nervoso.
-O trabalho deles é traficar drogas – disse Scott – E nós somos os únicos que sabemos disso e podemos atrapalha-los. Vão nos prejudicar o máximo que puderem.
-Temos que nos proteger mais. Já sabem onde é nosso esconderijo, temos que arrumar outro. Temos que mudar nossas táticas e engana-los ao máximo. – disse John.
O telefone tocou, Katie atendeu.
-É para você, Matt. – disse ela.
-Alô?
-Alô? Matthew?
-Eu mesmo...
-Matthew, aqui é o sobrinho do Arthur. Meu nome é Richard, me chame de Ritchie. Recebi uma carta do meu tio. Ficaram sabendo que ele foi seqüestrado?
-Sim, ficamos. – estranhou Matt – Por que?
-Parece que ele escreveu essa carta antes de ser capturado. Pelo que ele escreve, o pegaram em casa, mas antes, ele se trancou no banheiro, escreveu a carta e jogou pela janela. A encontrei faz dois dias, mas não consegui encontrar vocês. – disse Ritchie.
-O que diz a carta? – perguntou Matt.
-Diz que ele sabia que seria seqüestrado, pois recebera ameaças antes e que caso o capturassem realmente, era para eu executar o que havíamos combinado.
-O que? O que vocês combinaram?
-Eu assumirei a equipe. Serei o chefe. Coordenarei tudo.
-Ele combinou isso com você?
-Claro, alguém precisaria herdar tudo o que ele tinha. Esse alguém serei eu!
-Ah, cala essa boca! – irritou-se Matt – Como você pode herdar algo dele? Ele não está morto. Nem vai morrer!
-Ele não está aqui, e de acordo com o nosso combinado, na ausência dele, eu assumo o comando da equipe. Isso significa que vocês trabalharão para mim...
Matt desligou o telefone na cara de Richard. Não acreditava que Seu Arthur falara da equipe para mais alguém e que os deixaria na mão de quem nem conheciam.
Explicou tudo aos colegas, que também ficaram indignados.
Fazia pouco tempo. Era como se fosse ontem. Ele deixara sua empresa para formar sua própria equipe. Quanta coisa aconteceu depois disso! Novas amizades, novos inimigos, novas paixões. Quantos casos e mistérios resolveram, unidos. Quantos lugares novos conheceram: Belém, Ibitipoca, Bahia... Como mudou... Seu Arthur era a base de tudo isso. Sem ele, nunca teria formado a equipe que tanto sonhava. Ele dava conselhos, brigava, mandava novos casos, os chamava de ‘filhos’. E agora...Estava em perigo. O velho era indefeso, apesar de inteligente. Poderia morrer a qualquer momento, já podia estar morto. Matt não conseguia pensar nessa última possibilidade. Não podia imaginar que seu segundo pai estava morto. E quem era aquele sobrinho de Seu Arthur? Por que nunca ouvira falar dele antes? O rapaz não dormiu aquela noite, imaginando qual seria o destino da equipe.
Era uma noite escura e ele passava despercebido com um chapéu sobre o rosto. Mal sabia ele que não corria perigo algum. A equipe que capturava assassinos como ele, estava escondida em algum lugar. Todos preocupados com o “pai”. Um criminoso andava livre pela rua...E ninguém o prenderia, ao menos enquanto uma pessoa tão importante estivesse em perigo.
Havia pouca luz e em um lugar próximo, mais um crime foi cometido.
Fim da primeira fase da novela...
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