
ESCRITA POR NANA CAMARGOS
Episódio 59
Passaram-se três dias. Yuri, que passara maus momentos no hospital já estava se recuperando e finalmente estava consciente. Mas não estava bem. Além de estar se sentindo um pouco inútil na cama do hospital, lembrava-se de Dani, com tristeza.
A equipe resolvera ficar mais alguns dias, até o detetive se recuperar por completo. Katie agora conversava com ele, tentando consola-lo:
-Não fique assim, Yuri... Você só tem a agradecer. Se não fosse a Daniella, você não estaria aqui, agora.
-Estar aqui sem ela não faz muito sentido. – disse ele, magoado – E agora perdi todas as pessoas em quem eu confiava: a Dani e a Brena, que não era quem eu pensava...Eu acho que não vou superar nunca isso...
-Vai sim. Um exemplo disso é o Matt. Ele também perdeu a namorada, de uma forma quase tão trágica quanto a sua. E agora está aí, feliz...Começando uma nova paixão, com quem ele nem imaginava. – falou Katie.
-Ele...A namorada dele morreu?
-Pior. Ela o traiu, traiu a todos nós...O usou pra conseguir o que queria na equipe. Para ele, agora, ela morreu. – disse Katie.
-E eu achando que o Matt me traía com a Dani...
-Ele não seria capaz de fazer isso. – disse Katie, com segurança – Ele sabe o quanto uma pessoa sofre com uma desilusão assim...
-A Dani morreu e eu nem tive tempo de pedir desculpas a ela. – chorou Yuri.
-Você pediu desculpas a ela, sim...Eu até vi pela fita. Ela morreu tranqüila, sabendo que você ainda a amava. – disse Katie, sorrindo.
Yuri e Katie ainda conversaram por alguns minutos. A garota fez o detetive se sentir bem melhor, sem dúvida. Ele já estava sorrindo.
No quarto do hotel, Matt insistia na ligação para Seu Arthur. Por mais que tentasse, não conseguia. Amanda, que estava ao seu lado, o tranqüilizou:
-Quem sabe ele não tirou umas férias? Se eu estivesse no lugar dele, iria para uma linda praia...Ele não está fazendo nada mesmo...
-Ele não sairia de férias enquanto nós estivéssemos em um caso. No mínimo nos esperaria chegar... – disse Matt – Por que ele não ligou nenhuma vez?
Amanda encolheu os ombros. Na verdade, não estava tão preocupada com Arthur como Matt estava, afinal o rapaz era como um filho para o velho. Matt deixou o telefone de lado e sorriu para Amanda:
-Adivinha o que eu trouxe para essa viagem...
-Cuecas. – brincou ela.
-Não...
-Você não trouxe cuecas? – riu Amanda.
-Não...Eu só uso calcinhas, querida... – brincou Matt, fazendo voz fina. Amanda riu.
-Bobão...O que é? – perguntou ela.
-Trouxe isso! – disse o rapaz, tirando de uma pequena sacola o caderninho com o “A” na capa.
-Não acredito! – exclamou ela – Onde você pegou isso?
-Fucei no seu quarto e achei.
-Me dá essa porcaria aqui! – mandou ela, levantando-se e tentando agarrar o caderno da mão dele.
Matt subiu em cima da cama e levantou os braços, impedindo Amanda de pegar.
-Isso não é porcaria...São p-o-e-m-a-s! – disse o rapaz, rindo.
-Me dá, Matt. Você não pode ler isso. Vai me encher o resto da vida...
-Eu trouxe para ler...Lá em Ibitipoca você tomou de mim e eu não consegui terminar de ler. – disse Matt – Eu não tava acreditando que você escrevia isso. Mas, agora, te conhecendo melhor, acredito sim.
Amanda deu um sorrisinho meio desanimado.
-Perdi a vontade de escrever... – disse ela, sentando na beirada da cama.
-Por que?
-Meu avô me ensinou a escrever poemas...Agora que ele morreu, é como se eu perdesse toda a inspiração. – confessou ela.
-Por que você não se inspira em mim? – perguntou Matt, sorrindo. Em seguida abraçou Amanda, que estava prestes a chorar.
Ficaram vários minutos abraçados.
-Eu não sei o que eu faria sem você... – disse ela.
-Eu também não...
E se beijaram.
Em seguida, Amanda disse:
-Aquela Mega-CEBR não perde por esperar... Vamos matar um por um...Nunez, Parker, Angélica... – falava com ódio na voz.
-A hora deles vai chegar...E eu tô esperando ansiosamente por esse dia. – concordou Matt.
John e Scott davam uma volta pela cidade.
-Então você decidiu que é melhor não falar mais com eles? – perguntou Scott.
-É...Vou me afastar. Eles não vão com a cara de vocês. Isso que aconteceu pode se repetir. O Dante agora deve ser o chefe deles...E ele, assim como o Charles, não gosta de brancos. – disse John.
-É uma pena...Mas foi muito bom saber que você nos considera como verdadeiros amigos. – disse Scott – Por um momento cheguei a acreditar que você preferiria ficar com eles.
-Gosto muito deles, mas...Adoro minha equipe...Vocês são mais parecidos comigo. – confessou John. Scott sorriu. John mudou de assunto: - Scott, porque você disse para o Yuri que a Daniella o traía?
Scott, que não esperava a pergunta, fez cara desentendido:
-Eu...Eu não... Como você ficou sabendo, John?
-Conversei com o Yuri ontem e ele me disse. Estava convencido de que você se enganou ao contar para ela. Mas...Eu sei que você mentiu, Scott. Fez isso por qual motivo? Fazer o Yuri brigar com a Dani ou com o Matt?
-Com o Matt. – confessou Scott, de cabeça baixa – Ele sabe disso?
-Quem? O Matt? Ele não está nem se importando, porque Yuri já está normal com ele, mas ele imaginava. – falou John – Sabe, assim vocês dois nunca vão se entender...
-Eu não gosto dele, não tem jeito. Ele é irritante e infantil. – disse Scott.
-E ele diz que você é metido e arrogante. Eu, que sou amigo dos dois, posso garantir que nenhum é nada do que o outro pensa. O Matt não é irritante e infantil e você não é metido e arrogante. Vocês precisam se conhecer melhor. – disse John, como sempre, demonstrando maturidade.
-Eu não o suporto. Ele está sempre me enchendo, fazendo piadinhas de mal-gosto, me chamando de Sushi... Sinto muito, John. Mas não dá...Eu nunca vou ir com a cara dele.
-Amigo do Sushi? Mas nem morto! – disse Matt, decidido.
-Ah, cara...Não podemos ter mais brigas dentro da equipe. Tudo bem que você não briga com ele tanto quanto brigava com a Amanda, mas mesmo assim...Por que não tentam ficar amigos?
-Não vou ser amigo de almofadinha nenhum, John. Agora se me dá licença, vou arrumar minhas malas. – disse Matt, recolhendo as roupas do armário.
John desistiu. Não havia mesmo modo de fazer Scott e Matt se entenderem. Teria que agüentar, ainda, brigas entre eles.
Depois, ao perceber que Matt guardava as roupas, perguntou:
-Já vamos embora? O Yuri já está bom?
-Já, a Katie acabou de me ligar. Ele recebe alta amanhã. – disse Matt – E então? Vamos convida-lo para entrar na equipe? Se infiltrar na Mega-CEBR?
-Claro. Temos que ver se ele vai aceitar.
Matt concordou com a cabeça, depois disse para John:
-John...Tem algo errado com o Seu Arthur. Eu tenho certeza.
NÃO PERCA O ÚLTIMO CAPÍTULO DE SPY...HAVERIA ALGO ERRADO COM SEU ARTHUR? COMO MATT TINHA TANTA CERTEZA? É O ÚLTIMO DA PRIMEIRA FASE...NÃO PERCA!