ESCRITA POR NANA CAMARGOS

Episódio 57

-Vamos ver quem mata quem! – gritou Yuri, se afastando um pouco.

            -Você não está armado, meu bem... – disse Brena.

            -A melhor arma é a inteligência. – retrucou ele.

            -Ah, é? Vamos ver! – disse ela, dando um tiro em direção a Yuri.

            O detetive, na mesma hora, jogou uma cadeira de madeira da piscina em direção a Brena. O tiro bateu na cadeira, que logo depois caiu em Brena e Yuri pulou de lado. Como a cadeira não era pesada, Brena logo se livrou dela e disparou outro tiro na direção de Yuri, que estava caído no chão. Ele desviou-se novamente e dessa vez mandou um guarda-sol, que estava em uma das mesas, na moça. Brena soltou a arma e colocou as mãos no rosto para proteger-se do objeto.

            -Você é ridículo, Yuri. Está igual aquelas mulheres que jogam objetos no marido quando estão com raiva. – disse Brena, rindo.

            -E você está parecendo que está num tiro ao alvo e não acerta um.

            Brena, irritada, deu outro tiro, mas ele nem passou perto de Yuri.

            -Está nervosa? – provocou ele.

            -Você sabe que eu vou te matar... – disse ela – Você está aqui, sozinho, e sem armas... Mas não se preocupe. Assim que você morrer, eu me mato. Assim, ficaremos juntinhos, pra sempre. Igual Romeu e Julieta.

            Yuri deixou o nervosismo tomar conta de sua cabeça por alguns segundos, e sentiu um leve arrepio. Depois, porém, voltou ao normal e conseguiu achar graça nas palavras de Brena:

            -Deixa de ser besta, Brena. Assim que você morrer, a única pessoa que vai te fazer companhia é o diabo.

            Brena sentiu-se um pouco boba e  atirou novamente. Para variar, errou. A situação estava cômica, na opinião de Yuri, e ele não poupava risinhos irônicos. 

Brena sentiu-se quente por dentro. Não queria deixar que Yuri a fizesse de boba. Atirou, dessa vez com vontade, e acertou o detetive, na barriga. Ele caiu de joelhos, colocando as mãos sobre a ferida. Ela aproximou-se:

-Calma, meu amor... Agora é só eu dar mais um tiro e acabo com você... Depois será a minha vez...

Yuri gemeu de dor.

Brena brincava, passando o revólver pelo rosto de Yuri. Colocou o cano na boca do rapaz, e segurou-o pelo cabelo.

-Adeus. – disse ela.

Mas antes de atirar, tomou uma decisão:

-Quero um beijo de despedida – disse, e depois colocou a arma apontada para o coração dele. Beijou Yuri, à força.

            Yuri aproveitou-se da situação e empurrou Brena. A arma dela disparou e bateu no ombro de Yuri. Ele, sentindo muita dor, tomou a arma das mãos dela e jogou-a pela varanda. Brena, desarmada, estava meio em dúvida:

            -O jeito agora vai ser esperar você sangrar até morrer... – disse. Depois mudou de idéia: - Ou eu posso apressar...

            Segurou o rosto de Yuri e tampou seu nariz e sua boca, pretendendo asfixia-lo. Passado um tempo, ele começava a ficar com a face roxa e Brena sorria, maldosamente. Seu sorriso foi interrompido por uma pancada na cabeça. Brena, um pouco tonta, olhou para trás. Era Katie, com uma cadeira na mão e um olhar furioso.

            Brena soltou Yuri, que caiu desmaiado, e partiu pra cima de Katie, jogando a garota no chão. A saia de Katie se levantou um pouco e Brena viu a perna mecânica.

            -Eu não sabia que você era aleijada. Deve ser deficiente mental também. – disse, cinicamente. Katie, que deveria ter ficado ofendida, respondeu, muito segura:

            -Isso me torna especial. Quer ver como funciona? – perguntou, dando um chute com a perna mecânica, que era muito dura, na canela de Brena.

            -Isso doeu, sua sem-perna! – gritou Brena, furiosa.

            -E isso? – disse Amanda, que acabara de chegar, dando um soco em Brena – Doeu?

            Brena só queria ter uma arma agora, para atirar nas duas, mas seu desejo aumentou quando chegaram Matt e Scott, logo depois.

            -Acabou, Brena. – disse Scott – Seus assassinos estão todos feridos e você está sozinha. É melhor se render. 

            -Cadê o John? – perguntou Katie, se levantando com a ajuda de Matt.

            -Está lá dentro com os amigos. Três deles estão feridos. – disse Scott.

            John apareceu, em seguida, com três dos amigos.

            -Como vocês estão? – perguntou John.

            -Bem. – respondeu Katie – E os seus amigos?

            -Não estão mal... O Jacques e o Victor estão olhando eles. – disse John.

            Brena estava sem dizer nada nem se mover, Scott apontava uma arma para ela. Foi quando, olhando para os amigos de John, a falsa detetive teve uma idéia:        

            -Ei – disse ela – Vocês não são os colegas do Charles?

            -Somos sim – disse Hugo, um deles – Por que?

            -Sabem que o Charles está morto? – perguntou Brena.

            -Como é? – perguntou Dante.

            -O colega de vocês foi morto por essa equipe traidora. – continuou ela.

            Os três amigos de John olharam para ele, com um olhar de dúvida:

            -John...Isso é verdade? – perguntou Rivaldo, um dos amigos, de cabelos oxigenados.

            -Bem... – começou John, sem jeito – É...É verdade. Mas tivemos que nos defender.

            -Mataram o nosso camarada Charles? – gritou Dante.

            -É...É que... – gaguejava John – É que ele...

            -Ele estava no nosso caminho! – disse Amanda, de repente.

            -Seus assassinos! – gritou Hugo, nervoso.

            -Não gostamos que ninguém entre no nosso caminho... – continuou Amanda – E tem mais. O Charles era...Nojento!

            -Nojenta é você, sua espiã assassina! – disse Dante, cerrando os dentes e tirando um revólver do bolso. Apontou para Amanda.

            -Ei, Dante. – disse John – Pára com isso.

            -O que? Você está defendo as pessoas que mataram nosso camarada? – indignou-se Dante – Eu tenho que matar esse tipo de gente.

            -Vamos ver se você consegue... – disse Matt, entrando na frente de Amanda, com a arma em mãos.

            -Não se meta, seu branquelo! – disse Dante – Você também vai morrer. Aliás, você será o primeiro...Ordens do Charles. Ele nos mandou fazer isso quando você saiu aquele dia.

            -O Charles mandou matar o Matt? – perguntou John.

            -É claro. Não estava claro para você, John? Charles não gostava de ninguém que se metesse com ele. – respondeu Dante.

            -Está vendo, John? Quem não presta são eles. – disse Amanda, entrando na frente de Matt.

            -Isso mesmo. – disse Matt, trocando novamente de lugar com Amanda.

            Enquanto os dois estavam com o troca-troca, Dante disse para John:

            -E então, Johnatas? Vai defender esses traidores?

            -Eles não são traidores. – defendeu John.

            -Charles era seu amigo... – falou Dante – Era nosso amigo. Éramos os melhores, lembra? Como pode dizer que pessoas que você conheceu há pouco são seus amigos?

            Brena parecia satisfeita com a discussão que causara. Queria ver outra briga.

            -O Charles mesmo disse que não era mais seu amigo, John. – lembrou Matt.

            John estava indeciso. Não podia negar que estava abalado com a perda do ex-amigo, mas sabia que podia confiar plenamente em seus novos amigos: sua equipe.

            -John, - reiniciou  Dante – damos a você uma escolha. Ou você nos mata, ou matamos essa sua equipe. O que escolhe? Matar a nós, seus antigos e grandes amigos, ou deixar que acabemos com os assassinos de Charles?

            Matt, Amanda, Katie e Scott que já tinham mais ou menos uma certeza da escolha da primeira opção, assustaram-se com o olhar indeciso de John.

 

QUAL SERIA A ESCOLHA DE JOHN? DEIXARIA QUE DANTE MATASSE A EQUIPE OU MATARIA SEUS ANTIGOS AMIGOS? NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO!

 

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