ESCRITA POR NANA CAMARGOS

Episódio 55

            -Vai mesmo sua ridícula...E não se esqueça que há assassinos por toda a cidade. – gritou Amanda para Katie.

            -Você, por exemplo. – rebateu Katie.

            -Olha aqui, Katie... – disse Amanda, correndo um pouco, alcançando a moça e entrando em sua frente – Será que você me odeia tanto a ponto de preferir que o assassino me matasse a eu matar ele?

            -Você não tem piedade nenhuma – disse Katie, olhando com desgosto para a colega – Enfiou o punhal nele, friamente.

            -Piedade? E por acaso na hora da morte é hora de se ter piedade? Era ele ou eu.

            -Eu preferiria morrer a matar uma pessoa. – falou Katie, quase chorando.

            -Pois eu duvido! – disse Amanda – E tem mais: Aquilo não era uma pessoa. Qualquer um que mata por dinheiro não é humano. E essa é nossa profissão. Exterminar os vilões.

            -Você não tem sentimento nenhum. – falou Katie – É toda durona, toda impiedosa...Se precisasse matar o Matt, você mataria... Não sofre com morte alguma, pois considera isso normal. Você é pior que a Angélica, Amanda!

            -Como você ousa dizer isso? Acha que eu sou um monstro? Que não sei o que é sofrer? E...Você não tem o direito de dizer que eu não sofro com morte alguma... – respondeu Amanda, agora com lágrimas nos olhos, lembrando-se de seu avô – Eu não sou assim, Katie. Que droga! – falou, sentando-se no chão, e chorando muito.

            -Como você consegue enfiar um punhal em alguém? – perguntou Katie, chorando também – Eu não teria coragem.

            -Um ex-namorado meu já se matou, na minha frente. – respondeu Amanda, depois de um tempo – Você nem de longe imagina o que é presenciar uma cena dessas, Katie. Depois disso, é difícil eu ver alguma coisa que me abala.

            Katie ficou assustada. Estava se sentindo culpada, também, por Amanda estar chorando.

            -Amanda...Me desculpe. Eu só fiquei um pouco nervosa. Ou melhor, muito nervosa. Desculpe, eu não devia ter falado assim com você...Você já me salvou duas vezes. Eu...

            -Tudo bem. Eu entendo. – disse Amanda, enxugando as lágrimas – Mas, Katie...Você acha mesmo que eu sou pior que a Angélica? Que o Matt ainda pode preferir ela a mim?

            -Não, claro que não. Você é muito melhor que ela. Me desculpe por ter falado aquilo...Aquela lá, não tem igual...- respondeu Katie. Depois de um tempo de silêncio, ela lembrou, assustada: - O Scott!

            Elas correram para o carro, Scott que estivera desacordado, já estava consciente.

            -Você está bem? – perguntou Katie.

            -Ui, estou...A bala pegou de raspão. – respondeu Scott.

            -Você está horrível de vermelho. – comentou Amanda.

            -Eu estou sangrando? – percebeu Scott, nervoso – O que eu faço? Vou morrer...

            -Foi só um cortezinho na testa – disse Amanda – Vamos logo, daqui a pouco assassinos chegam até aqui.

            -Mas, Amanda...O Scott está ferido... – preocupou-se Katie.

            -Vai ficar mais ainda se continuar aqui. Olha quem está vindo. – apontou ela. Vários mascarados aproximavam-se – Vamos, por aqui.

            Viraram a esquina, fugindo dos assassinos. Scott andava com dificuldade e Amanda e Katie o ajudavam.

            -Scott, pegue essa arma. – disse Amanda, entregando um revólver para o colega – Katie, pegue essa. Qualquer assassino que se aproximar, você atira.

            Katie, com a mão trêmula, não conseguiu pegar a arma.

            -Não vou matar ninguém. – disse ela.

            -Não precisa matar. Acerte na perna, por exemplo, para impedi-lo de continuar.

            Katie pegou a arma, sabendo que não teria coragem de atirar.

 

 

            Brena estava no Atalanta, e reclamava com um empregado:

-Que droga! Muitos de meus homens estão feridos. Foram feridos por aqueles detetives insignificantes. Seis detetives apenas. Mick, convoque todos aqui. Não podemos perder homens assim. Feridos eles são inválidos. Temos que arrumar um modo de capturar um dos espiões e atrair todos da equipe para cá.

            -Claro CAT. Mas o que faremos com eles aqui?

            -Na cobertura há um alçapão, onde podemos joga-los lá de cima.

            -Você é um gênio, CAT.

            -Eu sei... Mas... O que está esperando? Tire os moradores da cobertura de lá. Ocuparemos o apartamento. – disse Brena.

            -É pra já. Mas...Quem iremos capturar?

            -Se possível um mais fraco. Por favor, não inventem de tentar pegar o Matthew, o John ou a Amanda. Eles sabem se defender.

 

 

 

            -Você vai morrer, seu espião intrometido. – dizia o mascarado, chegando perto de Matt. Encurralava o rapaz, em uma rua sem saída. Estava com o punhal em seu pescoço, quando seu telefone tocou. Matt aproveitou a distração para dar um soco bem dado no assassino, que caiu, soltando o punhal. O detetive apanhou a arma no chão e apontando-a para o mascarado, pegou o celular e atendeu:

            -Alô?

            -Alô? Cláudio? – perguntou uma voz, no outro lado da linha.

            -Eu mesmo. – confirmou Matt, mudando a voz.

            -Cláudio, favor dirigir-se ao Atalanta. Estaremos na portaria, dominamos o porteiro. A senha para entrar é Sangue. Vá ao último andar. Capturaremos o Yuri. – disse a voz, desligando em seguida.

            Matt jogou o telefone no chão e saiu correndo. Tinha que alcançar o Yuri. Falou pelo microfone:

            -Scott, John, Amanda, Katie… Alguém está me ouvindo?

            -Estou. – confirmou John.

            -Estou. – disse Katie – A Amanda e o Scott estão aqui perto.

            -Alguém sabe onde está o Yuri? – perguntou Matt.

            -Não. – responderam.

            -Tentem encontra-lo! Estão atrás dele. Tentem esconde-lo.

            -Ok, Matt.

            Matt saiu pela cidade, a procura de Yuri. Não sabia o celular dele e o detetive não estava com comunicadores. A cidade era grande e seria difícil.

 

 

            Amanda, Scott e Katie ainda estavam escondidos em um beco, a espera dos assassinos. Tinham de enfrenta-los, não adiantaria fugir. Mas os assassinos, que outrora estavam tão perto, pareciam não alcança-los nunca.

            -Onde estão eles? – perguntou Amanda.

            -Ai, não sei...Mas podem estar planejando alguma armadilha...Ai... – disse Scott, reclamando da dor que sentia.

            -Pára de gemer, Scott. Assim vai chamar atenção deles. – disse Amanda.

            -Tá doendo, sua chata! – falou Scott – Queria ver se fosse com você.

            Amanda olhou para Scott, levantou a calça e mostrou a perna com o ferimento, sangrando. Deu um sorrisinho pra ele e baixou a dobra da calça. Ele, com uma cara de nojo, se calou.

 

 

            Matt encontrou John, em uma loja, que estava quase fechando:

            -John, você por aqui? E aí? Encontrou o Yuri?

            -Oi Matt. – cumprimentou John, que parecia cansado – Não o encontrei. Mas, me explique direito isso de quererem pegá-lo.

            -Fiquei sabendo que todos os assassinos vão se encontrar no Atalanta, no último andar. Por isso todos sumiram. Isto é, os que não estão feridos. E querem capturar Yuri.             -Com certeza querem nos atrair para lá. – concluiu John – Matt, se não encontrarmos o Yuri a tempo ele pode ser morto.

            Matt estava pensativo. John apontou, de repente:

            -Olha ele ali! – disse, olhando pelo vidro da loja.

            Matt olhou, Yuri passava no meio da rua. Iam correr atrás dele, mas perceberam que um funcionário da loja fechava a porta, um portão pesado que descia do teto.

            -Ei, espera! – gritou Matt.

            -Oh, desculpem, não vi que estavam aqui dentro. Já estamos fechando. – disse o homem.

            -Eu sei, mas abre isso rápido! – disse John, com pressa.

            -Calma! Isso é pesado... – disse o homem, com uma cara lerda.

            -Anda, meu filho... – apressava Matt.

            -Calma papai... – falou o funcionário, que começou a rir das próprias palavras e, com o ataque de riso, não conseguiu subir o portão.

            Matt e John abriram o portão, juntos, e saíram correndo. Lá fora, procuraram por Yuri. Ele não estava mais lá.

 

TERIAM PEGADO YURI? OU ELE CONSEGUIRA FUGIR? NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO...

Hosted by www.Geocities.ws

1