ESCRITA POR NANA CAMARGOS

Episódio 54

Amanda tirou o disfarce e correu para o hotel. Buscaria mais armas e tiraria Katie de lá. Tinha que voltar para ajudar, depois.

            -Katie, abre a porta! – gritou ela.

            -Já vou. – respondeu Katie, nervosa – Que bom que você chegou! – disse, quando abriu a porta - Temos que sair daqui rápido. Se pegarem os outros virão para cá acabar conosco.

            -Como eles estão? – perguntou Amanda, guardando dois revólveres na cintura.

            -Brena está fazendo um discurso, dizendo que atrapalhamos muito, etc... – falou Katie, olhando no vídeo – Ganhamos tempo com isso. Mas, Amanda...Estou preocupada. São quase cem assassinos contra quatro rapazes.

            -Rápido, pega esse vídeo. Dá para irmos no carro com o aparelho funcionando?

            -Dá sim. É só ligar aqui... – falou Katie, ajeitando as coisas.

            -Vamos. – chamou Amanda, e as duas saíram do quarto – Não se preocupe, Katie. Tenho uma idéia para que eles escapem de lá. – depois, ajeitou os fones de ouvido e disse para os espiões: - Vou soltar uma bomba de fumaça aí dentro! Assim que a fumaça cobrir tudo por completo, vocês fogem! Depois exterminamos os assassinos. Por enquanto estamos em desvantagem.

            -Ok! – murmurou Matt, dentro do teatro, sem prestar atenção no discurso de Brena.

            Amanda e Katie estavam em um carro alugado, e saíram em disparada para o teatro. Ao chegarem lá, Amanda jogou a bomba pela porta escondida e esperou do lado de fora.

            Lá dentro, Brena ainda falava.

            -É impressionante como não podemos fazer nosso trabalho em paz. Sempre tem alguém querendo bancar o herói e nos atrapalhar. Agora isso vai acabar. Assim que vocês morrerem, todos ficarão com medo de se meter conosco e trabalharemos sossegados. – falava ela, um pouco fora de si, quando percebeu uma nuvem branca cobrindo o teatro. Matt, Scott e John saíram correndo. Levavam Yuri com eles. A muito custo, pois o detetive recusava-se a sair sem Daniella. Já estava tudo branco e os assassinos não podiam atirar nos espiões, nem acerta-los com seus punhais, pois não conseguiam ver nada.

            -Corram! – gritou Amanda, quando os quatro saíram de lá. Scott estava à frente, e entrou no carro, junto com Katie. Matt, John, Yuri e Amanda correram para entrar no veículo, mas vários assassinos chegavam por trás e não foi possível.

            -Vão vocês dois! – gritou John – Nós vamos por outro lugar! – e bateu a porta do carro. Scott e Katie foram, enquanto os outros espiões que ficaram, saíram correndo. Cada um para um lado para confundir os assassinos.

            -Tomem cuidado! – disse Matt aos amigos.

            Yuri percebeu que não adiantava tentar voltar ao teatro, e saiu correndo também. Eram muitos assassinos que os seguiam. Haviam se separado, um grupo de assassinos ia atrás de cada espião.

            John corria muito, e atirava constantemente para trás. Acertava um ou outro assassino, mesmo assim eram muitos.

            Matt fora pelo lado oposto do amigo, e também atirava para trás. Se a situação fosse melhor, ele se divertiria, sentindo-se em uma espécie de tiro ao alvo. Mas estava angustiado. Uma pessoa inocente acabara de ser morta e ele não fizera nada. Se tivesse pensado melhor talvez pudesse ter salvado Daniella. Pouparia o sofrimento de Yuri, impediria a tragédia. Deu dois tiros para trás e acertou dois assassinos que o seguiam.

            -Vocês vão pagar por cada pessoa que mataram! – dizia Matt, cerrando os dentes a atirando mais.

            Amanda corria bastante. Escolhera passar pela praça, o caminho com mais obstáculos. Olhava para trás e via que os assassinos se aproximavam. Foi quando um deles mandou um punhal, que acertou bem na perna da garota. Ela caiu, com a perna sangrando. Retirou a arma enfiada, friamente, e guardou. Correu mais, tentando compensar o tempo perdido. A adrenalina impediu sua perna de doer nos primeiros momentos, mas com o passar dos segundos, sentiu uma imensa dor que a atrapalhava de correr.

            Yuri não sabia se corria ou chorava. Fora tudo tão rápido. Há alguns minutos via Dani, e agora ela não estava mais lá. Sentia um vazio imenso. Era como se corresse na escuridão, sem saber para onde, ou o motivo pelo qual estava correndo. Os passos dos assassinos atrás dele o fizeram lembrar bem rápido o motivo pelo qual corria. Virou uma esquina, escondendo-se em um vão entre um prédio e outro. Os assassinos passaram direto.

            Scott acelerava o carro, enquanto Katie tentava manter contato com os outros, mas do jeito que corriam, ninguém parecia estar habilitado a dizer algo. Olhou para fora da janela. Viu algumas pessoas passarem tranqüilamente pelas ruas. Pessoas que pensavam que estava tudo calmo. Mal sabiam elas que estavam soltos vários assassinos. Numa fração de segundo, Katie viu um mascarado, que surgiu no meio da rua, atirar em direção ao carro:

            -Scott! Cuidado! – gritou a garota.

            Era tarde, o assassino atirara em Scott e o japonês perdeu o controle do carro, que bateu em um beco vazio da cidade. As pessoas que estavam perto, saíram correndo. Scott estava desacordado e com um corte na testa. Katie, vendo que o mascarado se aproximava, tentou pedir ajuda aos amigos.

            -Socorro! – dizia, pelo pequeno microfone grudado em suas vestes – Alguém me ajude. O Scott está desmaiado. Ele está se aproximando...

            John ouvira pelos fones de ouvido, e preocupou-se muito. Porém, estava longe do local descrito por Katie. Amanda, que percebeu estar a apenas um quarteirão de distância, respondeu:

            -Katie, eu tô perto...Calma que eu estou chegando! – disse, correndo e sentindo muita dor ainda.

            Katie estava dentro do carro, e apesar do vidro da frente estar estraçalhado, trancou todas as portas, impedindo o assassino de entrar com facilidade. Ele batia do lado de fora, pela janela.

            Amanda conseguiu despistar os assassinos, fingindo entrar em um prédio. Enquanto eles entravam no edifício a procura dela, ela ia ao encontro de Katie.

            -Abre isso! – gritava o grandão mascarado, batendo com tanta força no vidro, que Katie temia que ele quebrasse. A garota olhava apavorada para o vilão, e sentiu um imenso alívio ao vê-lo caindo, assim que Amanda bateu com a arma em sua cabeça, por trás.

            -Desculpe. Odeio atacar pelas costas, mas você mereceu.  – disse Amanda, olhando o homem, caído no chão, desmaiado.

            Katie abriu a porta, assustada. Mal teve tempo de recuperar as forças. Ao ver alguém chegar atrás de Amanda, gritou:

            -Amanda! Atrás...

            Amanda virou, dando uma cotovelada na cara da pessoa que estava atrás dela. Ficou aliviada ao constatar que a pessoa atingida era realmente um assassino, pois atacara com muita força e não seria nada elegante fazer isso com um inocente. O mascarado levantou e tirou a máscara, era Charles.

            -Lembra-se de mim? – disse, sorrindo para Amanda.

            -Nunca vi mais gordo...E feio! – respondeu ela.

            -Sou o Charles...

            -Belo nome... – zombou ela.

            -Charles! – exclamou Katie, ainda sentada no banco do carro – É o ex-amigo do John. Charles, eu...Não sabia que você era assassino. O John também não sabia.

            -Você deve ser a Katie...Acho que já nos vimos algumas vezes...Sabe, Katie, não sou assassino há muito tempo. Na verdade foi o John que me deu a idéia, quando foi me procurar e contar disso tudo. Rapidamente procurei saber mais informações e arrumei um ótimo modo de ganhar dinheiro fácil. É só matar. Pá, pum... – disse ele, rindo – Mas, voltando ao assunto...Você tem certeza de que não se lembra de mim? – perguntou para Amanda. – Não se lembra que você me deu um golpe baixo, lá no Atalanta? Céus! Será que sempre que nos encontramos você me machuca, garota?

            -Pois é... – riu ela, ironicamente.

            -Mas isso não é o importante.O importante mesmo foi o beijo que você me deu. E agora, eu queria muito retribuir.Antes de você morrer quero provar que não sou tão nojento assim... – disse ele, segurando Amanda com força, e jogando a garota no chão. Ele deitou em cima dela, dando um beijo à força na espiã.

            Katie queria gritar, mas não conseguiu. Charles tinha as mãos ao pescoço de Amanda, e provavelmente a deixaria sem ar. Mas, por um momento, Katie percebeu que ele parara de beijar Amanda e estava imóvel. Amanda se levantava, com um punhal na mão, sujo de sangue, jogando o corpo morto de Charles, para o lado.

            Katie tinha lágrimas nos olhos e tremia:

            -Você o matou...Sua...Assassina. – disse, chorando e olhando, aterrorizada para Amanda.

            -Katie...Você sabe que...

            -Fique longe de mim! Assassina! – gritou Katie, saindo do carro e andando rapidamente.

 Ia para qualquer lugar, qualquer lugar longe de Amanda...

 

KATIE CONTINUARIA COM MEDO DE AMANDA? ENTENDERIA QUE A GAROTA MATOU PARA SE DEFENDER E PARARIA DE CHAMÁ-LA DE ASSASSINA? OS ESPIÕES PRENDERIAM OS ASSASSINOS?

SPY EM SEUS MOMENTOS FINAIS...

 

 

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