ESCRITA POR NANA CAMARGOS

Episódio 53

Alguém sentado ao lado de Scott estava inquieto. Remexia-se constantemente. Os assassinos presentes não paravam de murmurar coisas uns para os outros. Brena pediu silêncio:

            -Querem ficar quietos? Sei que estão surpresos...Mas não é para tanto. O Yuri sim ficará surpreso.

            Katie, que acompanhava tudo do quarto do hotel, após acalmar-se da surpresa, murmurou para os colegas:

            -Por favor, não façam nada por enquanto. Esperem até ver se o Yuri correrá perigo. Amanda, tente impedi-lo de entrar.

            Amanda, que estava na porta do teatro ainda, respondeu:

            -Até agora nada dele aparecer... Se o avistar não deixarei que ele entre.

            -Ok.

            John estava com a cabeça confusa. Pensava em várias coisas ao mesmo tempo. Um pensamento, porém, predominava. Lembrava do que Amanda dissera ouvir: “Primeiro a matamos. Depois acabamos com ele...”. Quem era a mulher que seria morta, então? Antes, acreditavam ser Brena. Mas agora... Só sobrava uma pessoa: Daniella. Então, estavam pensando em matar Dani e depois Yuri?

            -Há essa hora o Yuri já devia estar aqui... Não avisaram a ele que a namoradinha está conosco? – reclamou Brena, em voz baixa, para uns mascarados que estavam ao lado do palco.

            -Parece que não o encontram, chefe. – disse um deles – Não está em lugar algum.

            -Mas que droga! – gritou Brena – Não é possível que nossa festinha será interrompida... O Yuri tem que ser trazido até aqui. Alguém tem que traze-lo.

            -Não precisa! – gritou um mascarado, se levantando – Já estou aqui – disse, tirando a máscara. Yuri acabara de levantar. Estivera em choque por alguns momentos, pois descobrira a falsidade de sua colega de trabalho. Aquela que tantas vezes o acompanhara em investigações para encontrar pistas sobre os assassinatos. Nunca imaginaria aquilo e era normal que ficasse abalado nos primeiros momentos. Mas agora, tinha a voz firme e, corajosamente, caminhava em direção ao palco. 

            -Ora, ora, ora... – cantou Brena – Não é que o detetive é esperto? Ninguém percebeu sua presença aqui dentro. Nos enganou direitinho, hein, Yuri? Acho que não preciso avisa-lo que hoje você morrerá...Ou preciso?

            -Não, não precisa repetir seu sonho...- disse Yuri – Queria que soubesse que quem morrerá é você, Brena...Ou você prefere que a chame de CAT, gatona? – zombou ele, tirando a arma das vestes.

            -Não faça isso, querido...Não atire em mim, senão alguém morre... – disse Brena, apontando para Dani, que era trazida por dois mascarados. Ela não estava amarrada, mas seu nervosismo a impedia de se mover.

            -O que essa traidora está fazendo aqui? – irritou-se Yuri.

            -Não fale assim com sua futura companheira de inferno! – brincou Brena, retirando um revólver dos bolsos e apontando para Dani – Está vendo, Yuri? Posso mata-la, antes mesmo que você atire em mim...

            -Brena... – choramingava Dani – Por que está fazendo isso? Você é minha melhor amiga...

            Brena não se conteve e gargalhou.

            -Não existe ‘melhor amiga’, minha cara. Não existe amizade verdadeira. Há sempre um interesse envolvido. – respondeu CAT, fazendo Daniella chorar ainda mais – Sabe por que fingi ser sua amiga? Para me aproximar do Yuri...Assim pude propor a ele que resolvêssemos o caso juntos e desse modo, mantê-lo afastado da verdade. Ele foi o único detetive de Belém que se preocupou em tentar prender os assassinos. Tinha que mantê-lo longe, concorda? E tem mais: como eu posso ser amiga da mulher que namora o homem que eu amo? – acrescentou Brena, depois de um tempo – Acabei me apaixonado por esse detetive de meia-tigela. Mas não podia dar bandeira...Tinha que manter os dois, Yuri e Daniella, confiantes em mim...Para que nada desse errado. E agora...Tomei a decisão certa: Matarei os dois, para que não haja mais problemas para mim.

            Brena falava com uma satisfação imensa. Matt, que assistia tudo, vidrado, lembrou-se instantaneamente de Angélica, quando a moça revelava a traição. Sentiu uma sensação ruim em lembrar-se daquele dia.

            -Você não vai matar ninguém, Brena. Não vale a pena matar a Daniella, ela não gosta mais de mim. – disse Yuri – E a mim...Duvido que você consiga me matar!

            Dani tentou dizer algo a Yuri, mas Brena disse primeiro:

            -A boba não gosta mais de você? Que bom para ela. Pelo menos morrerá sabendo que não amava um fracassado...

            -Pare com isso, Brena! – gritou Dani – Não faça isso...Acabará com a sua vida...Matar alguém...Ficará com a consciência pesada...

            Brena soltou gargalhadas com gosto:

            -Acabará com a minha vida? A minha vida é isso, Daniella. Eu sobrevivo disso: matar pessoas e receber em troca. Se isso me deixasse com peso na consciência, eu não parava mais em pé. E quanto a você, Yuri...Vamos ver se eu não consigo te matar! – disse ela, apontando rapidamente a arma para Yuri e atirando.

Dani nunca correu tão rápido em sua vida. Entrou na frente do namorado, sem pensar em nada, e a bala entrou em seu coração. Caiu, em frente ao detetive, na mesma hora. Yuri, perplexo, abaixou:

-Dani! – chamou ele, segurando a cabeça da garota. O rosto de Dani agora estava sem cor, e ela, com muito esforço, disse:

-Yuri, eu...Eu nunca traí você...Nem com o Matt nem com ninguém...Porque eu te amo muito...

-Eu sei, Dani...No fundo eu sabia, mas não quis aceitar... – falou Yuri, com lágrimas nos olhos – Calma, você vai melhorar...Eu vou levar você daqui... – dizia ele, sem saber o que fazer. Dani estava completamente fria e pálida e sem conseguir dizer mais nada, fechou os olhos. Estava morta. – Não! – gritou Yuri – Não me deixe aqui, Dani! Por favor...Eu preciso muito de você...

-Que lindo...Igual cena de filme... – ria Brena – Não dá para ser mais original, Yuri? Essa de “Não me deixe” já está velha...

-Você é o diabo em pessoa! – falou Yuri, chorando muito, olhando com ódio para Brena.

-Obrigada, querido...Mas não pense que eu me esqueci do que tenho a fazer... – falou Brena, cínica, apontando novamente a arma para Yuri. Estava pronta para atirar, quando uma bala, vinda da platéia, jogou seu revólver longe. Ela olhou. Era Matt, que acabara de levantar e tirara a máscara. Scott e John levantaram em seguida. Todos os três estavam assistindo ao dramático espetáculo, impossibilitados de fazer algo. Agora, porém, não tinham nada a perder. Não podiam deixar Yuri morrer.

-Então temos convidados? – falou Brena, com raiva – Que bom...Mais gente para morrer...Quem mais está aqui clandestinamente? Ordeno que todos tirem as máscaras. – mandou ela, preocupada com a possibilidade de haver mais inimigos presentes.

Todos tiraram as máscaras na mesma hora. Todos eram homens, como perceberam os espiões. De variadas idades.

 Uma pessoa, porém, continuou mascarada.

-Mandei tirar! – repetiu ela, olhando furiosa para o mascarado. Ele, timidamente, retirou a máscara – Ah, é você, Charles... – disse Brena, aliviada. Sei que você é novo aqui, mas tem que aprender a obedecer. – completou. Charles concordou com a cabeça, depois, lançou um olhar de lado a John, que o olhava assustado.

John não entendia. O que o ex-amigo estava fazendo ali?

 

CHARLES FAZIA PARTE DOS ASSASSINOS? BRENA SERIA PRESA. O QUE ACONTECERIA AOS DETETIVES? NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO!

 

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