
ESCRITA POR NANA CAMARGOS
Episódio 42
A sombra estava atrás dela, ela tinha certeza. O que fazer? Ficar para enfrentar o perseguidor, ou continuar com Katie e tentar salva-la? Katie era pesada e Amanda começava a ficar cansada. Ouvia passos seguindo-a. Entrou num beco escuro, esperando que não a vissem lá. Deitou Katie no chão e arrancou um pedaço do vestido da moça para colocar sobre o ferimento, na barriga. Ao levantar o vestido para colocar o curativo, viu a perna mecânica de Katie. Era a primeira vez que Amanda a via. Katie ou os outros nunca haviam dito nada a ela, com certeza por medo de que ela zombasse ou fizesse piadinhas a seu respeito. Mas Amanda sabia que aquilo não era coisa com que se brincava, nunca a desrespeitaria desse jeito.
-Uau...Então você tem segredos, Katie? - disse, amarrando o curativo. Aquilo não ia ajudar muito. Katie abriu levemente os olhos, vendo Amanda.
-O que...O que você está fazendo? Querendo...Me matar?
-Fica quieta. Tem alguém atrás de nós. Não pode nos achar aqui.
-Sai daqui, Amanda! Não encosta em mim! - disse, fazendo força para a voz sair.
-Quer que eu te deixe aqui morrendo? Silêncio! Vou ver se o caminho está livre.
Amanda ia sair do beco, quando deu de cara com um homem mascarado, que segurava um punhal. Ele partiu pra cima dela. A garota era muito ágil, e conseguiu desviar da punhalada. O assassino pegou-a e segurou suas mãos, colocando-a contra a parede, mas com uma rasteira, ela conseguiu com que o homem perdesse o equilíbrio e a soltasse. Aproveitou para pegar o assassino pelas costas e tirar o punhal de sua mão. Ele tentou pegá-lo de volta, mas Amanda já o apontava para ele, ameaçando-o.
-Por que não vem agora? -disse, aproximando-se dele com a arma. Ele, rapidamente saiu correndo. Amanda decidiu não segui-lo, pois ouviu Katie gemendo de dor. Deu uma olhada no punhal, era uma arma e tanto, que brilhava com o pouco de luz que havia no beco. Guardou-o. Aproximou-se de Katie, a garota suava e estava fria. Carregou-a novamente. Na rua, pegou um táxi e foi direto para o hospital.
John chegou no hospital, nervoso.
-Como ela está? - perguntou para Amanda.
-Não sei. Os médicos ainda não falaram nada.
Um médico de cabelos brancos chegou:
-Ela vai ficar bem. - disse.
-Ai, que bom. Quase morri de preocupação! - disse John.
-Acho que posso ir, não é? Tenho que procurar pistas. - disse Amanda.
-Mas será que você não se importa com sua colega? Não faz diferença para você se ela morrer ou não? - perguntou John, nervoso, segurando o braço de Amanda. A garota soltou-se e saiu sem dizer nada. John não sabia que ela salvara Katie.
-Posso ver a Katie? - perguntou John, ao médico, atordoado.
-Pode sim. Já retiramos a bala e agora ela está no quarto. Você é o que dela?
-Primo.
O médico levou John até o quarto. Katie já estava acordada, deitada na cama. John aproximou-se:
-Katie, o que...
-Ai, primo. Eu fiz tudo errado. - disse ela, chorando.
-O que houve realmente, Katie?
Katie explicou tudo ao primo, contou como tentara simular um pedido de assassinato e como a idéia não funcionara.
-É claro que eles descobriram que você estava mentindo, Katie. - disse John, nervoso - Lembra-se do que o Yuri disse? Temos que ter uma fonte confiável. Ao descobrirem que você tentava enganá-los, tentaram matá-la.
-Eu queria provar que poderia ser útil... - choramingou ela.
-Katie, lembra-se de quando eu também queria provar isso, e você me disse que um dia todos reconheceriam meu verdadeiro valor? Isso está mais que certo, prima. Todos já sabem que você é ótima. Não tente ser o que você não é. Você ainda tem muito que melhorar, mas isso será com o tempo. Não se arrisque à toa. - disse John, abraçando-a.
-Obrigada John...Eu fui uma tola mesmo.
-Mas me conta...Como você se salvou?
Katie ficou um tempo calada, depois falou:
-Foi a Amanda, ela me encontrou e me trouxe até aqui, fugindo do assassino.
-Você deveria agradece-la depois. E eu tenho que me desculpar. Fui grosso com ela. - disse John, sentindo uma ponta de arrependimento - Mas, ela saiu sozinha e o assassino está solto. Pode ser perigoso...
-John, eu acho mais fácil o assassino ter medo dela do que ela do assassino.
Os dois riram.
-Além do mais, não há apenas um assassino, e sim, vários. Todos dessa cidade correm perigo... - continuou Katie.
-Agora durma um pouco...Você precisa descansar...
Yuri e Brena acabavam de sair da casa de uma família, que teve o pai morto. Yuri dizia:
-Que pena que a Dani não veio hoje...Adoro quando ela me acompanha nas investigações.
-Você mistura sua vida pessoal com o trabalho, Yuri. Ela é sua namorada. A sua colega de trabalho sou eu. - disse Brena.
-Ah...Mas eu adoro a companhia dela.
-E a minha? Você não adora? - perguntou a colega, enciumada.
-Você é minha amiga Brena...Adoro sua companhia também...
Scott, coincidentemente passava pela rua em que os dois detetives estavam, ouviu a conversa deles:
-Tome cuidado com a Daniella, Yuri...Vi ela olhando para o Matt com um olhar interessado... - brincou Brena.
-Não fale isso. O Matt me parece um cara legal... - disse Yuri, rindo.
Uma idéia ocorreu a Scott, que escutava a conversa. Ele a executaria mais tarde. Foi para o hotel. Amanda chegava lá no mesmo momento, se encontraram na porta:
-Conseguiu algo? - perguntou Scott.
-Não... - disse ela, que estava um pouco abatida. O celular de Amanda tocou. - Alô? Mãe? Sim, pode falar. O...O que? - ela ficou com um olhar assustado de repente. Deixou o celular cair no chão. Estava mais branca que de costume. Subiu para o quarto, sem esperar Scott. O rapaz ficou intrigado:
-O que será que houve? - pensou alto - Bem, preciso encontrar o Yuri...
O QUE DEIXOU AMANDA TÃO ASSUSTADA? QUAL SERIA A IDÉIA DE SCOTT? NÃO PERCA O EMOCIONANTE CAPÍTULO 43...