
ESCRITA POR NANA CAMARGOS
Capítulo 4
Matt ainda estava na casa da portuguesa, tentando conseguir alguma informação:
-E o seu noivo? Sabe de algo?
-É claro que não! Você acha que ele saberia que somos amantes? Por favor, não conte pra ele!
-Você não tem nenhuma idéia de onde pode estar o Leandro? Onde ele costumava ir?
-Não vou traí-lo. Não posso dizer onde fica a casa dele.
-Então ele tem uma casa fora da cidade? – concluiu Matt.
-Não, mas já vi que não vou conseguir esconder nada de você.
-É...
-Ele tem uma casa perto da estrada, quase fora da cidade, e uns amigos que moram na cidade vizinha, a uns 50 metros do posto de gasolina. A primeira casa é do melhor amigo dele. Talvez tenha ido pra lá. Aceita um suco?
Matt estranhou, desde que entrou na casa, a portuguesa fez questão de deixa-lo pouco à vontade, e agora oferecia um suquinho? Resolveu aceitar.
-Vou prepara-lo. Espere cinco minutinhos.
Matt pensou: “Ou ela quer acabar com o assunto, ou ela é quem eu estou pensando... Mas, será?”.
-Aqui está. Este pra você, e esse pra mim. Está uma delícia. Alguém já lhe disse que você é muito bonito?
O rapaz não respondeu. Cheirou o suco antes de beber. O cheiro era o mesmo da garrafa de pinga do seu Tomás.
-Eu sabia! – disse, colocando o copo na mesa, olhando fixamente pra Manuela.
-O que foi? Não gosta de suco de maracujá?
-Maria Manuela, você está presa! – falou, colocando um plástico no copo de suco e guardando-o.
A garota estava pasma. Tentou dizer algo, mas as palavras não saíram de sua boca.
-Então quer dizer que aquele bêbado não valia nada, não é? – enfureceu-se.
Ela gemeu. Mas ainda não conseguiu dizer uma só palavra.
-Vai me dizer onde está o seu amante? Acho que ele não gostaria de saber que você matou o irmão dele.
-Ele não gostava do irmão! – gritou, com lágrimas nos olhos.
-Ele fará companhia a você na cadeia, isso sim!
O detetive ligou para Rubens e explicou tudo.
-Pode mandar a polícia aqui, agora tenho que procurar o Leandro.
Mais tarde a polícia chegou e Matt pôde ir embora, procurar o assassino de seu Jorge. O pai da portuguesa estava desesperado, tentando entender o que acontecia.
-Rubens, que bom que você veio, acompanhe a moça até a delegacia e explique tudo. Mas não mande irem atrás do Leandro, eu quero fazer isso.
-Agora já estão à procura dele, Matthew, mas não têm nenhuma pista. Com certeza você vai acha-lo. Use o meu carro. Boa sorte, cara.
-Obrigado. Qualquer coisa eu ligo.
Matt foi até a estrada, em busca da casa do Leandro, embora acreditasse que não o encontraria lá.
Chegou na beira da estrada e lá havia apenas duas casas. Uma com uma senhora na varanda, tricotando em uma cadeira de balanço, outra com o portão de madeira arrombado. Com certeza era a casa de Leandro. Entrou e escutou um barulho no quarto do fundo. Carregou o revólver e foi até lá, devagar, para não ser visto. Teve uma surpresa, viu uma moça, jovem, revistando as gavetas, à procura de algo.
-Procurando alguma coisa? – disse Matt apontando a arma em direção a ela.
-Estou sim, e você? O que faz aqui? – disse ela com a maior calma do mundo.
-Estou procurando alguém. Você com certeza saberia me informar algo.
-O que, por exemplo?
-Onde está o Leandro?
-Você o conhece? Que coincidência, também estou a procura dele. O que você quer com ele?
-Humm... Quero convida-lo para passar uma temporada na cadeia.
-É da polícia? Vamos combinar o seguinte. Quem acha-lo primeiro, faz o convite.
-Não sou da polícia. Você é? Não me parece uma policial com esta roupa.
-Também não sou. Ainda bem... . Por que quer acha-lo? Pra provar que é herói? Vai se dar mal...
-Acho que esse não é um caso para uma garota resolver. Deixe isso com quem entende...
-Você não sabe com quem está falando!
-Nem você!
Matt ainda apontava a arma para ela.
-Vai atirar?
-Por que não?
-Tentando prender um assassino, cometendo um assassinato? Isso não combina...
-Quem é você, afinal? – perguntou Matt, intrigado.
-Por que eu contaria a você. E se for um inimigo?
-Então quer dizer que eu chego aqui, procurando um assassino, encontro uma desconhecida na casa dele e eu que sou o inimigo? Você deve ser uma cúmplice dele, isso sim.
-Se me dá licença, não quero perder meu tempo com você, já achei o que queria e não tenho mais nada para fazer aqui.
-Posso ver o que é isso na sua mão? – disse Matt, apontando a arma para um papel branco na mão da moça.
-É claro... Que não! – disse, irritada.
-Acho melhor me dar, senão...
-Senão o que? – desafiou, aproximando-se do rapaz. Chegou bem perto, e pôs o dedo em cima da arma. Com uma agilidade incrível, girou o revólver, deixando Matt desarmado e acertou seu nariz em cheio com um soco, saindo correndo a seguir.
Matt tentou correr atrás, mas viu que não adiantaria. Limpou o nariz, que sangrava, com um lenço e saiu da casa, disposto a encontrar Leandro. Estava frustrado por ter bobeado com a moça.
“Eu não vou deixar que ela encontre o Leandro antes de mim. Não mesmo”.
QUEM SERIA A MOÇA? SERÁ QUE ELA QUERIA MESMO PRENDER LEANDRO? QUEM O ENCONTRARIA PRIMEIRO? NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO DE “SPY”...