ESCRITA POR NANA CAMARGOS

Capítulo 3

            -Alô?

            -Alô, Rubens! Aqui é o Matthew!

            -E aí, rapaz! Como vai! Já resolveu o caso?

            -Tem um probleminha, Rubens. Tô numa fria...

            -O que houve? - perguntou, preocupado.

            -A testemunha do crime, o tal bêbado, morreu. E eu posso ser acusado desse assassinato.

            -Mas por que?

            Matt explicou tudo. E Rubens disse, enfurecido:

            -O chefe não vai gostar nada de saber disso. Não se pode brincar em um caso, Matt. Onde já se viu, fazer uma brincadeira dessa com uma senhora.

            -Eu não resisti.

            -Vamos fazer o seguinte, ligarei para a polícia e explicarei tudo, ok? Aí, se alguém quiser te prender, é só identificar-se. Não contarei nada ao chefe, senão você pode até ser demitido. –terminou, rindo.

            -Não se esqueça que já me demiti, Rubens! Ninguém é demitido após se demitir.

            -Se cuida, hein?

            - “Podexá”!

-Tchau!

-Até mais!

Matt estava mais aliviado, pelo menos com a polícia sabendo do acontecido, não seria acusado. Apesar de saber que a polícia odiava ajuda de espiões...

-Onde será que consigo mais informações? Tenho que saber mais da vida do seu Jorge. Aqui está o endereço da casa dele.

Foi até lá. E tocou a campainha. Ninguém atendeu. Lembrou-se de quando uma das senhoras no bar disse “Ele não tinha família, mas estava de olho na Maria Manuela, filha do padeiro”.

            -Maria Manuela... É bom que ela saiba algo sobre seu Jorge...

Foi até a padaria mais próxima procurando a Manuela. Teve sorte, era a padaria do seu Manuel, pai da moça.

-Eu... Poderia falar com a Maria Manuela? – perguntou Matt.

-Ela está em casa, muito abalada, mas se quiser, fale com minha filha mais velha, Maria Joaquina, que é muito bonita também. – disse o português, seu Manuel.

-Não, preciso falar com a Manuela, é muito urgente. Por que ela tá muito abalada?

            -Parece que um amigo dela foi assassinado.

-Amigo? – disse Matt com um sorrisinho nos lábios.

-Sim. Por que?

-Nada.Onde posso encontra-la? É um assunto sério.

-Tudo bem, moro aí do lado. Bata na porta e ela atenderá. Está sozinha em casa.

-Muito obrigado.

Foi até a casa do lado e bateu na porta. Atendeu uma moça bem jovem, de uns dezenove anos, com cabelos castanhos e um bigode ralinho, típico de portuguesa.

-Maria Manuela?

-Eu mesma, o que deseja?

-Posso entrar?

            -Claro - disse a moça, com má vontade.

-Espero que não se importe se eu me sentar... – disse Matt, irritado com a falta de educação da portuguesinha.

-Fala logo o que deseja, senhor.

-Quero saber quais eram suas ligações com seu Jorge.

-O que? Do que você sabe? – disse a moça, assustada.

-Não sei de nada, mas gostaria de saber. Vocês eram namorados? Por favor, me conte tudo, porque...Eu sou da polícia. – inventou.

-Ai meu Deus! Não me prende, por favor! Eu não tenho nada a ver com aquilo!

-Aquilo o que? O que houve?

-Não, não posso contar... Mas eu não tenho nada a ver com aquilo...

-Acho melhor você contar, já que não tem nada a ver com isso, não tem problema nenhum, a não ser que...

-Não, ok, eu conto! Eu não era namorada do seu Jorge, dizem que ele gostava de mim, mas nunca nos envolvemos, eu juro. Acontece que eu estava noiva do Carlos, meu pai o admirava muito. Eu não gostava muito dele. Acabei me apaixonando pelo Leandro, um rapaz muito bonito. Nos encontrávamos toda noite, escondidos, Carlos não sabia. Certa vez nos encontramos no bar do seu Jorge e ele chegou perto de nós: “Mas você não é a noiva do Dr. Carlos? Ele não vai gostar nada de saber disso...” Leandro, era um homem muito nervoso e respondeu-lhe com cara feia: “Ele não precisa saber!” Eu sabia que seu Jorge tinha ciúme de mim com o Carlos, então, faria o possível para separar-nos: “Eu poderia contar-lhe. Acho que ele acreditaria...”. Leandro respondeu: “Acho melhor você não fazer isso”. E levantou-se, indo embora comigo. No dia seguinte, seu Tomás, irmão do Leandro, foi me visitar e disse que o irmão planejava matar seu Jorge, junto com uns amigos, que já tinha alertado o dono do bar, mas que ele não levara a sério. Eu também não acreditei, já que Tomás vivia bêbado. Na madrugada daquele dia aconteceu o crime. Leandro, na mesma madrugada, me visitou e disse que viajaria, e que talvez demorasse a chegar. Contei-lhe sobre o que seu Tomás disse e vi uma expressão assustada em seu rosto. Eu não sabia do assassinato, comentei aquilo por acaso, e ele foi embora. No dia seguinte, a cidade só falava no assassinato, e concluí que só poderia ter sido Leandro... – naquele momento, Manuela começou a chorar, desesperada – Mas acredite, seu policial, meu Leandro é inocente, não prendam ele, ele não fez por mal...

Matt percebeu que a moça não sabia o que falava.

-Você não vai contar isso pra ninguém, né?

-Não, o que é isso. Só para a polícia e para o mundo... Seu amante é um assassino. Matou seu Tomás também, o próprio irmão! – disse Matt, indignado.

-E daí? Aquele bêbado não valia nada mesmo.

-E por isso deveria morrer? Vou começar a desconfiar de você!

-Não, eu juro que não fiz nada. Mas como você vai provar que o Leandro é culpado? Posso negar tudo...

-Acontece que eu gravei nossa conversa. – disse Matt, tirando um pequeno gravador do bolso do casaco. – Para onde foi o Leandro?

-Eu não sei...

 

MATT ACHARÁ LEANDRO E OS AMIGOS? NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO DE “SPY”

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