
ESCRITA POR NANA CAMARGOS
Episódio 27
Matt não dormia. Resolveu ir à cozinha beber água. Na volta, ao passar pela sala, viu um caderninho, tipo agenda, com um grande “A” bordado na capa. Abriu. Havia poesias. Poesias e umas frases poéticas. Muito bonitas.
Ficou um tempo lendo. “Deve ser da Angélica”, pensou. Estranhamente, parecia que os poemas o fizeram sentir-se melhor. “Não sabia que a Angélica escrevia poemas...”, pensava, lendo. Voltou ao quarto, levando o caderno consigo. Guardou na gaveta do criado mudo, no dia seguinte devolveria a Angélica. Conseguiu dormir, lembrando-se de uma das poesias.
O dia seguinte amanheceu agitado. Todos correndo, arrumando suas coisas. John custava para colocar todos seus agasalhos na mala, Katie arrumava os fogareiros e os lanches, Amanda procurava por algo, pela sala, Angélica também. Scott estava procurando seus tênis. Matt lembrou-se de não ter arrumado quase nada e apressado, começou a fazer a mala. Ele e John não estavam se falando e na correria se esbarravam no corredor. Angélica fazia o possível para evitar que Matt e Scott se encontrassem.
Um tempo depois, saíram. Foram em dois carros pequenos. Em um deles, Angélica, Matt e Katie. Em outro, Amanda, Scott e John. Estava mais ou menos dividido para evitar brigas durante a viagem.
Foi uma viagem longa, umas quatro horas até a estrada de terra. Lá, demorou mais, o carro de John quase atolou. Subiram devagar. Ao acabar a estrada, chegaram à cidade de Ibitipoca. Era uma pequena cidade, cheia de morros e subidas, alguns hotéis ao redor e feirinhas pela rua. Entraram no parque. Já estava escurecendo. Acamparam em um chão de pedra e areia, onde havia um barranco, com uma vista realmente maravilhosa. Eram serras, matas, verdinhas, onde se via rios e cachoeiras de longe.
-Isso é lindo! – falou Katie.
Demoraram, mas montaram todas as barracas. O parque estava vazio. Não havia outras barracas.
-Onde será que as outras pessoas que procuram o dinheiro estão? – perguntou Katie.
-Devem estar em hotéis. Aqui é cheio de pousadas. – falou Angélica.
-Onde estão o Scott, a Amanda e o Matt? – perguntou John.
-A Amanda desceu ali, falou que ia numa cascatinha aqui perto.
-Mas à noite? – estranhou John.
-Ah, aqui não deve ser muito perigoso. – falou Katie, que na verdade não se importava se acontecesse algo a Amanda – O Scott está na barraca dele, olhando um mapa do parque, e o Matt deve estar dormindo, a luz da barraca dele está fraquinha.
Mas Matt não estava dormindo, estava lendo o caderninho de poemas. Trouxera-o na viagem, iria acabar de ler, para depois devolve-lo a Angélica. Foi quando a moça entrou na barraca e Matt escondeu o caderno embaixo do colchão.
-Matt? Achei que estivesse dormindo. O que está fazendo? – perguntou Angélica.
-Pensando...
-Vamos lá para fora?
-Prefiro não ir.
-O Scott não está lá.
-Mas o John está. – deixou escapar.
-E daí?
-Ahn? Nada não, é que eu queria ficar sozinho.
-Posso fazer companhia? – perguntou Angélica, deitando-se ao lado de Matt.
-Claro...
Angélica ficou na barraca até Matt dormir, depois voltou para a sua.
Katie e John estavam lá fora, estava muito frio, fizeram uma fogueira estavam em volta dela.
-Estou te achando deprimido, John... O que houve?
-Briguei com o Matt. – disse.
-Brigou? Mas por que?
-Nos desentendemos. Descobrimos... – falou, abaixando o tom de voz – que há um traidor na equipe.
-Como? – perguntou Katie, no momento em que Amanda chegava, subindo por um caminho de terra até o acampamento.
-Depois te conto. – falou John.
-O que é que eu não posso saber? – intrometeu-se Amanda.
-O que? – disfarçou John.
-Por que pararam a conversa quando eu cheguei? Não gosto que falem de mim pelas costas.
-Paramos a conversa porque não interessa a você. – disse Katie, fria. – Temos direito de falar o que quisermos.
Amanda entrou na barraca, irritada.
-Acho melhor me contar depois... Alguém pode ouvir, John. Mas não fique assim. Vocês vão se entender logo. O Matt gosta muito de você...
John e Katie não tinham sono, por isso foram dar uma caminhada para mais longe da barraca, onde John contou tudo a Katie, que ficou surpresa:
-Então o Matt desconfia de mim? – falou, indignada.
-Não exatamente, ele falou isso para provocar. Ele desconfia mesmo é da Amanda.
-O que você acha, John?
-Não sei, a Amanda é...
-Eu sei que você gosta um pouco dela, John. Mas acho que concordo com o Matt. Temos todos os motivos para desconfiar que ela está traindo a equipe. Na verdade eu não imaginei que ela fosse desse tipo. Mas ela está sempre falando no telefone com alguém, escondida, ou está trancada no quarto, ou está escrevendo coisas que ninguém pode ver, sem contar com o jeito que ela nos trata. Bem que o Matt disse, desde o começo que não ia muito com a cara dela.
-Durante esse caso temos que observar atentamente. Já que a Mega-CEBR estará envolvida, será mais fácil ver se ela está com alguma relação com ela.
Voltaram à barraca. John foi dormir. Katie ficou lá fora mais um pouco. Ainda não acreditava na história de haver uma traidora na equipe. De repente ouviu uma conversa de alguém, no telefone, vindo de uma das barracas:
-Ok, vou fazer o possível! Vamos conseguir esse dinheiro, Dr. Nunez. Pode contar comigo. A equipe nem desconfia de mim.
Katie ficou chocada. Seria o que ela estava pensando? Não podia ser. Resolveu dormir, achava que estava delirando de sono.
POR QUE KATIE FICOU TÃO ASSUSTADA? SERÁ QUE ELA CONTARIA A TODOS SOBRE A TRAIDORA? ESTARIA OUVINDO COISAS? NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO!