
ESCRITA POR NANA CAMARGOS
Episódio 22
Meu Deus! O que é isso? – olhava, perplexa. Era simplesmente enorme. Uma espécie de laboratório, com algumas mesas de cirurgia, aparelhos, e um cheiro horrível. Foi quando ouviu uma voz, por trás dela.
-Procura algo, garota?
Olhou para trás, era um cara vestido de verde, alto, esquelético e com um hálito horrível.
-Que lugar é esse? – perguntou Angélica, assustada.
O homem deu uma risada, e colocando a mão sobre o ombro da moça, respondeu:
-Você com certeza entrou pela porta da frente. Não deve ter percebido, mas está embaixo da casa, embaixo da terra, no subsolo. O que eu gosto nessa casa é isso, damos voltas, descemos ou subimos, e nem percebemos. Deixe me apresentar. Sou Jason, um dos chefes aqui. E você? Quem é?
A voz de Angélica não saiu. Ele, sem esperar resposta, falou:
-Não importa, o importante é que você é muito bem vinda aqui. Estávamos à espera de gente como você. Qual o seu nome mesmo?
-Angélica...
-Lindo nome, mas não faz diferença. Vou te mostrar nosso projeto, Angel... Posso te chamar assim?
-Prefiro Angélica.
-Bem, Angélica, começamos este projeto a algum tempo, ele consiste na fabricação de sabonetes, de um modo especial... É uma nova experiência. Fabricamos sabonetes usando partes do corpo humano.
-O-o que? – Angélica não acreditou no que ouvira.
-Uma ótima idéia, não é? Tudo começou quando George, meu amigo teve um sonho, nesse sonho ele fazia exatamente isso, sabonetes humanos. É claro que esse sonho significava algo, então ele foi até Lucy, que interpreta sonhos, e ela, junto a ele, concluiu que esse sonho só podia ser uma idéia, para uma nova produção. Chamaram-me para montar uma fábrica, mas não sabíamos se daria certo, então chamamos Barney e Michael, dois cientistas, para nos ajudar a testar a idéia. Usaríamos órgãos, pele, sangue, tudo para fazer sabonetes que ajudariam a limpar bem mais.
-Isso é um absurdo!
-No começo eu também achava, mas um sonho não mente. Seqüestramos um cara, e o trouxemos pra cá. Essa casa era do avô do Barney, e era realmente perfeita. Ninguém nos acharia aqui. Matamos o cara, e tentamos fabricar sabonetes com cada parte de seu corpo. Deu tudo errado! Teríamos que arrumar mais alguém para testar. Até montamos um laboratório. Tivemos sorte! Logo, um detetive, que viu o seqüestro, entrou na casa, e ele era mais uma cobaia. Deu errado de novo. E foi assim com mais dois detetives que entraram aqui. O último tinha tudo para dar certo, mas falhou. Concluímos que não tínhamos a receita certa para fazer os sabonetes, por isso roubamos a receita de uma fábrica famosa da Bahia, e o que nos faltava era uma cobaia.
Angélica tremeu. Aquilo tudo era terrível! Temia uma coisa: será que ela seria esta cobaia?
-Vocês são loucos, completamente pirados!
-Obrigado! Mas hoje é o nosso dia de sorte, além de você, temos mais uma cobaia.
Aconteceu o que temia, mas quem seria a outra cobaia?
-Mais uma?
-O encontramos no chão, adormecido. Foi muito fácil. É um cara alto, negro, forte...Parece que vai dar uma ótima experiência.
-John? – desesperou-se.
-E você, Angélica, terá a honra de ser a primeira mulher cobaia. Conhece o homem?
-É meu amigo!
-Já estão preparando-o para a experiência, estão examinando-o. Demos uma injeção para faze-lo adormecer. Após os exames, daremos a injeção para mata-lo e começaremos a experiência.
Angélica estava aflita. Como impediria de matarem John? Como escaparia dali? Uma mulher, baixinha, de óculos, chegou perto deles.
-Quem é, Jason?
-Angélica. Mais uma cobaia, Lucy. Isso não é ótimo?
-Maravilhoso!
-Preparem o exame dela. – disse - Temos que ver se está tudo em ordem com você, querida. – falou, virando-se para Angélica, que engoliu seco.
-Não podia estar pior! – reclamou Matt.
-Eu que o diga! Estou em péssima companhia, presa em um lugar que eu nem sei aonde, e para piorar, não conseguimos falar com a Katie. – acrescentou, Amanda.
-Hunf!
Sentaram-se, cada um em um canto. Depois de um tempo, olharam-se e decidiram:
-Não podemos ficar aqui esperando alguém aparecer. – falou Matt.
-Não, é claro que não. Temos que achar um jeito de sair.
Começaram a pensar, quando viram algo que não haviam reparado. Era um buraquinho na parede de madeira. Matt olhou para ver onde dava, dava pra fora da casa.
-Se tiver um jeito de arrancarmos uma dessas madeiras, poderemos sair... – falou.
Amanda nem esperou Matt terminar de falar, enfiou a mão no buraco e arrancou a madeira ao lado dele, que estava podre. Com isso puderam arrancar outras e saírem.
-Era exatamente o que eu ia fazer... – falou Matt.
-Achei que estaríamos no alto! – falou Amanda, ao ver que saíram direto no chão.
-Vamos entrar de novo na casa. Aí entraremos pelo caminho de John, mas sem entrar em porta alguma do corredor.
-Vamos lá!
-Ninguém vai fazer experiências nem exames comigo! – gritou Angélica, furiosa, tentando soltar seu braço, que agora era agarrado por Jason.
-Ah, vai sim... – falou a mulher de óculos – Barney! Ajude o Jason a levar a moça, aqui! – gritou, e logo depois chegou um homem loiro, gordinho, com um cabelo oleoso partido de lado.
-Então... Mais uma cobaia? – falou, meio cantarolando.