ESCRITA POR NANA CAMARGOS

Capítulo 2

   

    -É aquele bar ali -indicou um mecânico que trabalhava numa oficina ao lado do bar.

            -Obrigado.

            -Disponha.

            Matt entrou no bar e encontrou várias velas acesas e umas senhoras rezando.

            -Que Deus o tenha! Pobre Jorge tinha tantos planos, o bar estava progredindo, aumentando, era tão novo pra morrer...- fungou uma velhinha com uns bobes na cabeça.

            -Não tinha família, mas estava de olho na Maria Manuela, aquela filha do padeiro. Quem será que cometeu tamanha crueldade? – disse uma senhora gorda, indignada.

            -Com licença. Será que poderiam me dar uma informação? – interrompeu Matt. 

            -Claro – disse uma das senhoras – enxugando as lágrimas – o que deseja?

            -Esse bar não tá funcionando?

            -Não, meu querido. Não sei se ficou sabendo, mas o compadre Jorge faleceu. Era o dono do bar. Ele foi... – disse diminuindo o tom de voz – assassinado, coitado. Espancaram-no, ainda não se sabe por que. Essa cidade anda muito perigosa. Jovens como você, tem que tomar muito cuidado.

            -Sabe de algum bêbado que foi testemunha do crime?

            -Bêbado? Tem o seu Tomás, que vive aqui. Ele adora encher a cara e depois contou-nos que sabia que isso ia acontecer, que avisara o seu Jorge. Achamos que é mentira, cremos que Jorge foi mais uma vítima da violência dos dias de hoje.

            -E onde mora esse tal Tomás?

            -Vive perambulando por aí. Vive em um barracão no alto daquela favela, é único barraco pintado de vermelho.

            -Muito obrigado. Rezarei pelo seu Jorge.

            -Você é um bom rapaz, mas... Epa! Você quer o quê com seu Tomás? – disse a mulher, com uma cara de desconfiança.

            -Sou o assassino do seu Jorge querendo eliminar todas as testemunhas.

            A mulher levou a mão à boca, arregalou os olhos e ficou paralisada.

            -Calma, senhora. É brincadeira. – disse Matt, rindo – sou detetive e quero pegar o safado que fez isso.

            A mulher não se mexeu. Ajoelhou-se e voltou a rezar. O detetive, ainda rindo da atitude da senhora, trombou com uma moça de óculos escuros e um lenço na cabeça, na saída do barzinho. Subiu a rua até a favela a procura de um barracão vermelho, o que não seria difícil encontrar.

            No bar, a senhora tremia:

            -Você também é assassina? O que quer com o bêbado? Quer dizer, com seu Tomás? Deus me proteja! E proteja seu Tomás!

            -Como assim? Também sou assassina? Do que está falando? – perguntou a moça, sem entender nada.

            -Ave Maria, cheia de graça... – a senhora rezava, fingindo não ouvir.

            -Idiota! Já vi que aqui não consigo nenhuma informação... – resmungou a garota.

            Matt caminhou até a favela e bateu na porta do barracão, ninguém atendeu. Bateu outra vez...Nada. A porta estava aberta. Entrou. Procurava seu Tomás, quando tropeçou em algo. Olhou o que era, a figura era assustadora. Seu Tomás estava atirado no chão, com os olhos esbugalhados, e uma garrafa de pinga na mão. Muito morto. Matt ia tocá-lo para ver se tinha marcas de pancadas, quando uma idéia lhe ocorreu. Poderia ser acusado do assassinato. Percebeu a burrice que tinha feito ao brincar daquele jeito com a senhora: “O que eu faço? Tenho que resolver isso logo, antes que eu acabe sendo acusado. Acho melhor ver o que causou a morte dele” – pensou, colocando luvas, e revistando o corpo, a procura de ferimentos. Tirou a garrafa da mão dele e cheirou, o líquido não tinha cheiro de pinga nem de longe. Lembrou-se daquele treinamento que fizera de reconhecimento de cheiros. Aquilo tinha cheiro de... Veneno de rato, e dos fortes. Ia levantar à procura de pistas, quando escutou alguém bater na porta, e em seguida gritar:

            -Seu Tomás? Você está aí?

            Era a voz de uma moça e Matt raciocinou o mais rápido que pôde. Começou a cantarolar e com uma voz, imitando um bêbado, gritou:

            -Estou ssssim. Mas volte outra hora, agora estou muito ocupado. Vou dar uma dormidinha e depois a receberei com prazer, minha filha. Hahaha... – e voltou a cantarolar.

            -Ok, ok! Voltarei mais tarde, vejo que o senhor está muito...Muito bêbado.

            E a moça foi embora.

            -Com ele assim, não conseguirei informação nenhuma, vou investigar outras coisas enquanto isso. – e desceu a rua.

            Matt estava aliviado.

            -Ufa. Essa foi por pouco.

            Começou a procurar pistas pela casa. Não achou nada interessante. Com certeza mataram o bêbado porque ele sabia de algo sobre o assassinato. Saiu do barraco e procuraria mais alguma testemunha, antes que fosse tarde demais.

 

E AGORA? O QUE ACONTECERIA? ALGUÉM ACHARIA O CORPO? A SENHORA ACUSARIA MATT? NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO DE “SPY”

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