
ESCRITA POR NANA CAMARGOS
Capítulo 1
Era uma noite escura e ele passava despercebido com um chapéu sobre o rosto. Mal sabia ele que estava sendo espionado, e que lhe restava pouco tempo de liberdade. Foram só mais alguns passos e:
-Está preso! – disse uma voz que parecia vir de um rapaz bem jovem.
Em seguida, a rua escura iluminou-se com as sirenes dos carros policiais. Estava preso mais um criminoso.
No escritório, o chefe estava radiante:
-Parabéns, Matthew. Mais uma vez você conseguiu resolver o caso.
-Esse foi muito fácil – disse o rapaz com um ar de superioridade
-Você é um dos nossos melhores detetives, Matt. Preciso promove-lo. E além do mais, é o mais jovem aqui. Os nossos espiões não agüentam mais correr, já estão velhos.
-Não se esqueça que são mais novos que o senhor, Dr. Parker. – disse Matt com um risinho no rosto.
-Ora, garoto. Não precisa lembrar que sou mais velho aqui. Mas minha função não é mais correr atrás de criminosos. Agora eu comando tudo aqui. Sou o dono da CEBH (Companhia de Espionagem de Belo Horizonte) e estou investindo em negócios ótimos, que nos renderão muito dinheiro. E quanto a você, tem mais um casinho fácil pra resolver.
-Ah, não! Mas e as minhas férias, Dr?
-Sinto muito, mas houve um assassinato na cidade vizinha e precisamos da sua enorme competência para resolver esse caso.
-Mas eu acabei de solucionar um. Essa vida que eu levo é muito corrida, sabe que tem meses que não vou visitar meus pais?
-Contente-se com a sua vida. Pelo menos tem um emprego.
-Quando eu vou ser promovido? Não agüento mais ser um simples espião, que é comandado por um velho chato e mandão! – explodiu o rapaz, dizendo até o que não devia.
-O que? Desse jeito você nunca vai chegar a lugar algum! Você não aceita a sua inferioridade, eu sou o que sou porque lutei muito, tá entendendo?
-Não, você é o que é porque herdou o comando da empresa do seu pai. Senão nunca seria um diretor de uma companhia de espionagem como essa!
-Você fala demais!...
-Ah, é? Mas falo mais. Esse é o último caso que eu resolvo! Depois peço demissão e vou fundar minha própria equipe de espionagem.
-Jovens... Acham que o mundo pertence a eles. Sinto muito que pense assim, mas você não é o único espião no mundo. Não vamos falir se você nos deixar. Pelo contrário. Quem sairá perdendo será você.
-Isso é o que veremos... Doutor.
-Adoraria assistir seu fracasso, mas assim que fundar sua equipezinha, estarei muito alto para poder vê-lo. Com esse contrato que assinei com a MCEMGBR (Melhor Companhia de Espionagem de Minas Gerais e do Brasil [ufa!]) ficarei rico e já que não quer me acompanhar... vá até o Rubens que ele lhe passará os detalhes do assassinato.
Matt saiu com a cara fechada. Nunca gostara de verdade do seu chefe, mas adorava sua profissão de espião-detetive. Adorava se envolver na resolução de crimes, um mais cabeludo que o outro, porém não gostava de receber ordens nem de ser acompanhado pela polícia na investigação. Já dissera isso algumas vezes ao Dr. Parker, mas era obrigado sempre a ouvir: “A polícia é essencial para uma investigação, estou até pensando em infiltrar um de nossos detetives na polícia, seria ótimo estar do nosso lado”. Organizar uma equipe de espionagem própria sempre fora seu sonho. Uma equipe com poucas pessoas, todas competentes. Um trabalho anônimo que resolvesse os casos sem a polícia ou alguma companhia.
Matt tinha um amigo, um senhor bem velho, muito rico, que propôs uma vez: “É uma boa idéia, meu jovem. Quando era da sua idade, também era detetive, e adorava esse suspense todo. Se algum dia decidir sair da sua empresa, poderemos fazer um acordo: como tenho bastante dinheiro sobrando, podemos fundar sua equipe, resolver casos, e você terá um salário fixo. Ajudaremos quem precisar anonimamente, sem polícia ou ninguém” Matt não entendeu: “Mas qual será o seu lucro?” “Ora, como já disse tenho muito dinheiro sobrando, e como já estou velho e minha vida anda muito parada, tenho que arranjar um jeito de gastar meu dinheiro e dar mais ação à minha vida. Se quiser, me procure, enquanto eu estiver vivo. Você sabe que é como um filho pra mim. Pode contar comigo”.
Na época que recebera a proposta, o rapaz não pensava em sair da empresa, mas essa era uma boa oportunidade para aceita-la. Após resolver o caso do assassinato, procuraria o amigo.
-Olá, Rubens! E aí? Como foi o assassinato?
-Você fala como se fosse uma coisa normal.- riu Rubens.
-Pra mim já é uma coisa comum, mas me diga aonde, quando, como e quem foi?
-Essa última você terá que descobrir - riu de novo – Mas foi em New Lima (Nova Lima, em português, hehe), aqui perto. Aconteceu na madrugada passada e um dono de um bar foi a vítima. Encontraram o corpo na calçada da rua Floks. Tinha marcas de pancadas, foi espancado provavelmente. Seu nome era Jorge Carneiro. Pelo que parece sabia de algo muito importante e mataram-no antes que pudesse revelar. Esses foram os depoimentos de um bêbado, que foi a única testemunha e não sabia direito o que falava. Só dizia: “Eu sabia, sabia, sabia que eles o matariam, pobre do Jorjão, não podiam deixar ele vivo, ele iria contar, mas mataram! Mataram ele! Antes que pudesse dizer aquilo tão import...importante!!! Ic, ic!”
-Nossa, que encenação perfeita, tem certeza de que não está bêbado, Rubens? – disse Matt, irônico.
-Er... Não, quê isso? Só exagerei um pouco... –disse Rubens, sem jeito, que esquecera que estava falando com o rapaz – Bem – continuou – mas espero que resolva o mais rápido possível, ok? Não deve ser nada tão complicado.
-É uma pena. Adoraria que meu último trabalho aqui fosse um pouco mais emocionante!
-Do que você está falando, Matthew? Seu último...Trabalho?
Matthew explicou ao colega, que ficou muito chateado e para disfarçar, fingiu não estar abalado:
-Tudo bem, se você quiser ir, vá. Vai ser fácil, encontrar um novo espião, que vai substituí-lo. E, e... Vou sentir muito a sua falta, Matthew! – disse, abraçando o colega.
-Hei, que agarração é essa? – gritou Dr. Parker lá de dentro – ao trabalho!
-Ele deve estar achando ótimo a minha saída.
-Que nada. Ele também está muito chateado, você é muito importante aqui dentro. Está é sendo durão.
-Ele disse algo sobre um contrato com a...
-Psiu, não fale disso agora, ok? Ele pode ouvir! Vamos, comece a investigação! Boa sorte!
Matt arrumou suas malas e pegou um ônibus até a cidade do crime. Tentou cochilar durante a viagem. Uma moça grávida sentou ao seu lado. Tinha cabelos loiros, curtos, com uma franja comprida, usava uns óculos bem grossos e um vestido florido. Não era uma figura muito atraente de se olhar, virou para o outro lado e dormiu.
Foi acordado pelo barulho da rodoviária ao chegar. Levantou-se e ajudou a grávida a descer do ônibus. Ela agradeceu e ele seguiu seu caminho, procuraria o bêbado, a fim de conseguir novas informações. Não percebeu que a mulher, que andava com dificuldade, com uma barriga enorme, ao descer do ônibus, correu com muita agilidade até um banheiro. Nenhuma grávida teria condições de andar assim. Ao entrar no toalete, tirou a peruca loira, os óculos que a deixavam vesga, o enchimento da barriga e aquele vestido florido.
-Coisa mais brega – disse observando a roupa.
Ninguém, por mais atento que fosse, percebeu, que uma grávida loira entrara no banheiro, e, em vez dela, saíra uma moça bem jovem, de cabelos pretos e compridos, magra e em perfeita forma.
-Não posso perder tempo. Esse assassinato será resolvido hoje mesmo!
QUEM SERIA ESTA ESTRANHA MULHER? QUE RELAÇÕES ELA TERIA COM O ASSASSINATO? NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO DE “SPY”