Desacreditado no início da temporada, o São Paulo entrou
no Campeonato Paulista como quarta força do futebol do estado. A imprensa
apontava como favoritos Palmeiras e Corinthians, com seus elencos milionários,
além do Santos, que havia investido pesado, tirando o colombiano Rincón
do Corinthians e o goleiro Carlos Germano do Vasco, entre outras contratações.
Entre os grande clubes de São Paulo o Tricolor foi o que menos investiu,
mantendo a base da temporada passada. Os reforços foram a volta de Belleti,
que fora emprestado ao Atlético-MG, o lateral Pimentel, que não vinha
sendo aproveitado no Flamengo e o veterano atacante Evair, dispensado
do Palmeiras. Durante o campeonato, chegou o chileno Maldonado, como
pagamento de uma dívida que o Colo Colo tinha com o São Paulo.
A equipe, comandada pelo técnico Levir Culpi, manteve regularidade durante
toda a primeira fase, classificando-se para a segunda fase sem problemas.
A partir daí sim pode-se dizer que o campeonato começou, pois sobraram
apenas os oito melhores, divididos em dois grupos de quarto. O São Paulo
caiu justamente no grupo mais equilibrado, junto com Portuguesa, Guarani
e Santos. Apesar de não ter feito boa campanha no primeiro turno da
segunda fase, somando apenas quatro pontos em três jogos, o Tricolor
conseguiu recuperar-se no segundo turno, garantindo a sua passagem às
semifinais, ao lado do Santos. Destaque para o bom aproveitamento da
equipe fora de casa, que venceu o Guarani em Campinas, a Lusa no Canindé
e empatou com o Santos na Vila Belmiro.
Nas semifinais o adversário foi o Corinthians. É verdade que os alvinegros
estavam mais preocupados com a Copa Libertadores da América, mas mesmo
assim colocaram em campo a equipe titular nos dois jogos. No primeiro
jogo, o nome da partida foi França, que entrou no final da partida e
fez as jogadas dos dois gols de Marcelinho. No segundo jogo, Edu marcou
os gols da vitória são-paulina que consolidou a classificação do São
Paulo para a decisão do Paulistão. A final foi contra o Santos, tendo
o São Paulo a vantagem de jogar por dois resultados iguais.
A decisão: São Paulo 2 x 2 Santos
O São Paulo sagrou-se campeão paulista de 2000, na tarde de 18/06, ao
empatar em 2 a 2 com o Santos, no Morumbi, pela partida final do Campeonato
Paulista. Com a conquista, o São Paulo chega ao seu 19º título paulista,
consagrando-se como o campeão da década de 90 e confirmando sua supremacia
no futebol paulista (veja matéria abaixo). O jogo foi marcado pela ausência
da principal estrela do time, o atacante França, artilheiro do campeonato
com 18 gols, que não participou da decisão por causa de dores musculares.
O empate deu o título ao Tricolor porque o time do Morumbi havia vencido
o primeiro jogo da decisão por 1 a 0, com um gol de França aos 46 segundos,
e tinha a vantagem de poder perder por até um gol de diferença. Devido
à isso, o Santos foi obrigado a partir pra cima desde o começo, dando
trabalho para a zaga são-paulina e para o goleiro Rogério Ceni no início
do jogo. Logo aos 4min, o time alvinegro deu um grande susto na torcida
são-paulina, quando o lateral Belleti quase marcou contra, depois de
um perigoso chute do meia Robert. No lance seguinte, Dodô obrigou o
goleiro Rogério a fazer uma difícil defesa, ao completar com uma venenosa
cabeçada o escanteio cobrado pela direita.
Com o passar do tempo o ritmo do Santos foi diminuindo e o São Paulo
começou a tocar a bola com mais tranqüilidade. Após os 15min iniciais,
o jogo ficou equilibrado e pouco perigo era oferecido aos goleiros.
Porém, aos 29min, o ataque santista aproveitou-se de uma desatenção
da defesa tricolor e abriu o placar do Morumbi. Em rápida cobrança de
falta da intermediária, Rincón lançou Baiano, livre à entrada direita
da grande área do São Paulo. O lateral santista cruzou na cabeça de
Dodô, que arrematou para o gol. A bola iria para fora se Belleti não
tivesse tocado contra as próprias redes ao tentar afastá-la, traindo
o goleiro são-paulino: Santos 1 a 0.
Quem pensou que o gol iria empolgar o time da Vila Belmiro e fazê-lo
ir com tudo pra cima do São Paulo em busca do segundo gol, se enganou.
Na verdade, foi o time de Levir Culpi que chegava com mais perigo nos
contra-ataques, quase sempre parados em faltas cometidas pelos zagueiros
André Luís e Ânderson nas proximidades da área. Numa delas, Rogério
Ceni chutou na barreira. Noutra, Marcelinho bateu forte, mas por cima
do gol de Carlos Germano. Porém, aos 39min, o goleiro Rogério novamente
tentou e desta vez acertou um belíssimo chute, perfeito, sem chance
alguma para o goleiro adversário: 1 a 1, para a euforia da torcida tricolor
que era maioria no Morumbi.
O gol de empate foi um verdadeiro balde de água fria no time do técnico
Giba, mas mesmo assim o Santos teve uma boa chance de fazer o segundo
ainda no primeiro tempo. Aos 43min, a zaga são-paulina novamente dormiu
no ponto e permitiu que, em nova cobrança de falta rápida, Baiano fosse
acionado, livre, na grande área tricolor. Por sorte o lateral alvinegro
chutou pelo lado de fora das redes, assustando Rogério. Nos acréscimos
da primeira etapa, o Santos ainda teve uma falta na intermediária a
seu favor. Valdo bateu, mas a bola subiu muito, indo para fora sem oferecer
perigo ao gol do São Paulo.
Segundo tempo
Apesar do resultado lhe favorecer, o São Paulo começou o segundo tempo
em busca do gol. Logo no primeiro minuto, o meia Marcelinho criou duas
boas oportunidades para marcar. A primeira, um chute de fora da área
que Carlos Germano segurou. Depois, o meia são-paulino invadiu a área
e bateu forte, colocada, exigindo uma bela defesa do goleiro santista,
que espalmou para escanteio. O Santos, precisando de dois gols, tentava
ir pra cima mas não conseguia se impor. As investidas santistas não
mostravam muita objetividade, até que aos 6min, num contragolpe, o meia
Rincón entrou na área são-paulina, passou por Rogério Pinheiro, mas
foi derrubado por Vágner. Pênalti, que o próprio colombiano cobrou e
fez: Santos 2 a 1.
O gol reacendeu as esperanças do time da Vila e passou a preocupar os
são-paulinos. Afinal, mais um gol e a taça ia para as mãos do Santos.
O São Paulo tinha duas opções: recuar e se defender até o jogo acabar
ou buscar o gol de empate para voltar a ter tranqüilidade e praticamente
garantir o título. A segunda alternativa foi a escolhida pelos jogadores
e pelo técnico Levir Culpi, e o São Paulo partiu atrás do segundo gol.
Aos 12min, Marcelinho quase anotou, ao invadir a área e passar por três
adversários. Mas na hora da conclusão, o goleiro Carlos Germano estava
em cima e fez a defesa. Logo depois, o treinador são-paulino resolveu
mexer na equipe e dar sangue novo ao ataque. Tirou Edu e Evair e colocou
Carlos Miguel e Sandro Hiroshi, avançando Marcelinho.
Mesmo precisando de mais um gol, o Santos não atacava sistematicamente
o São Paulo, que procurava cadenciar o jogo tocando a bola e explorar
os contra-ataques. Num deles, aos 22min, Ânderson derrubou Vágner próximo
à área. Era uma boa chance de bola parada para o São Paulo. E não deu
outra: aos 23min, Marcelinho encheu o pé e mandou um chute certeiro.
Carlos Germano ainda tocou na bola, mas não conseguiu evitar que ela
entrasse e derrubasse a casa santista: 2 a 2. O gol fez a torcida são-paulina
explodir de alegria nas lotadas arquibancadas do Morumbi. Era o gol
do título, todos tinham a certeza de que agora nada poderia evitar que
o São Paulo levantasse seu quarto título paulista nesta década.
Com o empate, o técnico Giba colocou os atacantes Deivid e Aílton nos
lugares de Valdo e Rubens Cardoso, na desesperada tentativa de repetir
o feito dos três gols em vinte minutos que classificaram o Santos para
a final do campeonato, nas semifinais com o Palmeiras. Porém, o desânimo
dos jogadores santistas era nítido e aos poucos o Santos foi entregando
os pontos, até o São Paulo dominar completamente a partida, perder gols
incríveis e dar um sonoro "olé". Aos 35min, Hiroshi recebeu de Raí e
chutou no meio do gol, para a tranqüila defesa de Germano. Quatro minutos
depois, o São Paulo desperdiçou duas grandes chances de virar o jogo
com o chileno Maldonado. No primeiro lance, Fábio Aurélio cruzou da
esquerda e o chileno errou o chute, na cara do gol. Na seqüência, Maldonado
completou para fora novo cruzamento, desta vez pela direita. A partir
daí, o São Paulo passou a tocar a bola no campo adversário, para delírio
de sua torcida que ao gritos de "oooooléééé" ensaiava o tão esperado
"É CAMPEÃO", preso na garganta desde 1998.
Quando o juíz recolheu a bola e decretou o final do jogo, o Morumbi
se transformou numa linda festa são-paulina. O mais animado entre os
jogadores era o veterano Raí, que conquista o campeonato paulista pela
quinta vez na sua carreira. Fogos de artifício, gritos, champagne, lágrimas,
e muita alegria marcaram a festa da torcida nas arquibancadas e da comissão
técnica e jogadores no gramado. O São Paulo é o campeão paulista de
2000!
São Paulo confirma hegemonia no futebol paulista
Com a conquista do seu 19º campeonato paulista, o São Paulo confirma
sua supremacia no futebol paulista em matéria de títulos. Desde que
foi fundado, em 1935, o clube do Morumbi conquistou mais títulos que
os seus tradicionais rivais Corinthians, Palmeiras e Santos. Foram 19
campeonatos conquistados em 65 anos de existência, o que representa
uma média de um título paulista a cada 3,42 anos, a melhor entre os
grandes clubes de São Paulo. Corinthians (23 títulos em 90 anos) e Palmeiras
(21 títulos em 86 anos) ganharam mais, mas são clubes mais velhos que
o Tricolor e disputaram mais campeonatos paulistas. A média do Corinthians
é de um título a cada 3,91 anos e a do Palmeiras, um a cada 4,09.
O São Paulo também foi campeão paulista em 1931, o que elevaria seu
número de títulos para 20 e a média se manteria como a melhor: um título
a cada 3,5 anos. Porém, judicialmente o São Paulo Futebol Clube que
existiu entre 1930 e 1934 não é a mesma instituição que o atual São
Paulo F. C., fundado em 1935. Por isso o título de 1931, que teve como
destaque o atacante Artur Friedenreich, é considerado apenas sentimentalmente,
mas não é oficialmente computado pelo clube atual.
A hegemonia são-paulina se solidificou nos últimos vinte anos, com o
São Paulo sagrando-se o "campeão das décadas" de 80 e 90. Na década
de 80, os tricolores - com craques como Oscar, Dario Pereyra, Serginho
Chulapa, Pita e Müller - foram campeões paulistas quatro vezes (1981,
1985, 1987 e 1989), contra três títulos do Corinthians (1982, 1983 e
1988), um do Santos (1984), um da Internacional de Limeira (1986) e
um do Bragantino (1990). Na década de 90, o São Paulo repetiu a façanha,
levantando a taça do Paulistão em 1991, 1992, 1998 e 2000, enquanto
os rivais o fizeram apenas três vezes: Corinthians em 1995, 1997 e 1999
e Palmeiras em 1993, 1994 e 1996.
Campanha
20 jogos, 14 vitórias, 4 empates, 2 derrotas, 45 gols pró, 22 gols contra,
saldo de 23 gols.