Campeão Paulista 1998
DECISÃO
SÃO PAULO 3
CORINTHANS 1

SÃO PAULO: Rogério Ceni; Zé Carlos, Capitão, Márcio Santos (Bordon) e Serginho; Alexandre, Fabiano, Raí (Aristizábal) e Carlos Miguel (Gallo); França e Denílson. Técnico: Nelsinho Batista.
CORINTHIANS: Nei; Rodrigo (Didi), Cris, Gamarra e Silvinho; Romeu (Edílson), Vampeta, Rincón e Souza (Marcelinho Paulista); Marcelinho Carioca e Mirandinha. Técnico: Wanderley Luxemburgo.
Local: Morumbi
Árbitro: Sidrack Marinho dos Santos
Gols: Raí, aos 30 minutos do primeiro tempo; Didi, aos cinco, e França, aos 13 e aos 37 minutos do segundo tempo

OS NUMEROS
O Tricolor jogou 14 jogos, ganhando 11, empatando 1 e perdendo 2. Marcando 40 gols e sofrendo apenas 15 gols, saldo de 25 gols pró. O artilheiro do São Paulo e do Campeonato foi frança com 12 gols.

OS JOGADORES
Goleiro: Rogério e Roger
Laterais: Zé Carlso, Claudio, Serginho e Fábio Aurélio
Zagueiros: Álvaro, Bordon, Márcio Santos e Capitão
Meio-Campo: Edmilson, Alexandre, Gallo, Reinaldo, Denílson, Fabiano, Adriano, Carlos Miguel, Marcelinho, Raí e Sidney
Atacantes: França, Dodo, Aristizáball e Marcelo Sergipano
Técnico: Nelsinho Batista

O Campeonato Paulista de 98 fica marcado por um fato inédito na Historia. Um jogador chegou na quarta feira da Europa teve algumas horas de treino para conhecer seu time e ainda fez a estréia na decisão. Acabou sendo a diferença Tricolor, que conquisto seu 19 título paulista depois de 6 anos de fila. Nelsinho devolve o banho tático que recebeu no primeiro jogo da final(Corinthians vence por 2 a 1). Jogando com muito raça o Tricolor dominou o segundo jogo da decisão e venceu por 3 a 1, na tarde deste domingo, no estádio do Morumbi. Ao estilo do seu rival, o São Paulo jogou com empenho, fez várias faltas violentas e reclamou com o juiz constantemente. O meia Raí, o destaque do jogo, cometeu sete faltas. Ao todo, o São Paulo fez 31 faltas, contra 19 do Corinthians. O volante Fabiano e o zagueiro Bordon cometeram faltas duras e levaram cartão amarelo. Os meias Denílson e Carlos Miguel também, mas o juiz foi condescendente nesses casos. Com mais opções para escalar o time, o técnico Nelsinho Batista anulou a vantagem tática conseguida pelo Corinthians no primeiro jogo. Ele retirou um atacante (Dodô), reforçando o meio-campo, e colocou Raí e Carlos Miguel, para melhorar o toque de bola do time. Desde o primeiro minuto, o São Paulo teve a iniciativa. Raí, marcado à distância, comandava o ataque do São Paulo, acionando especialmente o lateral-direito Zé Carlos e o atacante França. Sempre marcado no seu próprio campo, o Corinthians se encolheu. No primeiro tempo, só teve uma chance real. Aos 28min, o zagueiro Cris, sozinho na pequena área, cabeceou para fora. Herói do primeiro jogo da final, quando fez o gol da vitória, Cris falhou tanto no ataque como na defesa. Nem a contusão precoce do zagueiro Márcio Santos abalou o São Paulo. Aos 10min, ele sentiu dores na coxa direita e deixou o campo, substituído por Bordon. Convocado para a seleção brasileira, Márcio Santos corre o risco de ser cortado. Aos 30min, Raí não desperdiçou o passe de cabeça que recebeu de França. Também de cabeça, ele tocou para as redes. A bola foi ao alcance do goleiro Nei, que, no entanto, não pulou. A vantagem do São Paulo poderia ter sido maior, não fossem as defesas do goleiro Nei, em chutes do atacante França. No intervalo, o técnico corintiano Wanderley Luxemburgo arriscou. Pôs o centroavante Didi e tirou o lateral-direito Rodrigo. O volante Vampeta foi deslocado para a lateral, e Marcelinho recuou para o meio-campo. Aos 5min, Rincón viu Didi mal marcado por Capitão e tocou para o atacante, que ajeitou e chutou com efeito: 1 x 1. Aos 11min, pensando em garantir o resultado, Luxemburgo tirou Souza e pôs Marcelinho Souza. O volante mal tinha entrado quando França tabelou com Raí, recebeu na frente e desviou de Nei, desempatando o jogo. Aos 16min, Mirandinha cabeceou sozinho, mas mandou a bola para fora. Aos 17min, Luxemburgo tentou reforçar o ataque mais uma vez, colocando o meia Edílson no lugar de Romeu. Mas a substituição não surtiu efeito, porque Edílson teve atuação apagada. Aos poucos, o Corinthians foi se desanimando, abrindo espaço ao São Paulo. Aos 31min, Serginho, sozinho na área, chutou para fora. Aos 33min, Denílson, numa de suas poucas jogadas, exigiu uma defesa difícil de Nei, num chute de fora da área. Aos 37min, fez uma jogada pela esquerda, driblou o adversário e tocou de calcanhar para França, que fez 3 a 1. Após o gol, o jogo ficou aberto. O São Paulo teve várias chances para chegar à goleada, mas fico só nisso, TRICOLOR CAMPEÃO PAULISTA DE 1998.

CAMPANHA
Santos 2 x 3 São Paulo - 07/03/98
São Paulo 5 x 0 Rio Branco - 10/3/98
Matonense 2 x 0 São Paulo - 15/03/98
São Paulo 0 x 0 Portuguesa - 17/03/98
São Jose 1 x 5 São Paulo - 21/3/98
São Paulo 2 x 1 Santos - 28/3/98
Rio Branco 1 x 4 São Paulo - 02/04/98
São Paulo 3 x 1 Matonense - 05/04/98
Portuguesa 1 x 3 São Paulo - 07/04/98
São Paulo 6 x 1 São José - 12/04/98
Palmeiras 1 x 2 São Paulo - 19/04/98
São Paulo 3 x 1 Palmeiras - 25/04/98
Corinthians 2 x 1 São Paulo - 03/05/98
São Paulo 3 x 1 Corinthians - 10/5/98

OPINIÃO DO JOGO
Após a roubada do Corinthians contra a Portuguesa, nada mais justo do que sua eliminação. Ganhar do Corinthians, calar a sua imensa torcida aos gritos de "ela ela ela, silencio na favela" e pisar na testa do Didi após sua comemoração esdrúxula foi realmente demais. Parabéns aos jogadores do São Paulo que provaram que eram os melhores, coisa que observávamos desde o inicio do campeonato e o mais importante, acabamos com a síndrome do vice. Somos campeões é verdade, mas temos que sobretudo, agradecer toda a torcida que apesar da derrota no primeiro jogo, esteve presente no segundo e comemorou com um gol de Raí e dois de França, a volta de um título inédito desde 1992. O Nelsinho Também teve seu mérito, pois pegou o time em situação difícil, superou os comentários do primeiro jogo da final, dizendo que Luxemburgo teria dado um "nó técnico" nele, e deu sua resposta no campo, com uma brilhante vitória. Ao fim desse meu comentário, gostaria de dar uma esperança maior aos são-paulinos quanto à esse time. Todos se lembram do time de 1992. Pois é... As semelhanças quanto à técnica, Raí e outros jogadores é perceptível. Porém, gostaria de ressaltar que tais semelhanças não se restringem ao campo, pois vão mais além. O time de 1992 estava mal, caiu o técnico e entrou Telê. Coisa parecida ocorreu esse ano, o time mal, caiu o técnico porém entrou Nelsinho. Aí chegou Raí em ambos os casos, e o Tricolor foi campeão. Como aconteceu hoje. Tivemos a revelação de excelente goleiro (Zetti) e hoje, Rogério. E Zé Carlos, no final do jogo, retirou uma bola em cima da linha, lembrando o Ronaldo Luís. Fica aí esse superstição, para quem acreditar ou sonhar. Abraços e saudações tricolores. Pedro Vellosa é colunista da Torcida Internet Tricolor

BASTIDORES DO JOGO
NELSINHO BATISTA DESABAFA
No fim do jogo Nelsinho desabafa O técnico Nelsinho Batista encarou como um confronto pessoal com o treinador do Corinthians, Wanderley Luxemburgo, a vitória na decisão deste domingo, que reiterou a campanha são-paulina como a melhor da competição Ao final do jogo, o treinador são-paulino fez questão de responder aos gritos "tudo o que tive que engolir durante a semana". "Agora, eu quero ver a tática. Agora, eu quero ver o nó", dizia em referência à partida da semana passada, na qual, com esquema de bloqueio ao ataque são-paulino, o Corinthians venceu por 2 a 1. Após aquele jogo, o mais forte comentário era que o treinador corintiano havia dado um "nó tático" em Nelsinho. Com a reversão na finalíssima, Nelsinho quebrou um tabu: nas três decisões que disputaram anteriormente, Luxemburgo havia ganhado todas. Além disso, com a vitória, a 11ª em 14 jogos, o time de Nelsinho Batista chegou ao aproveitamento de 80,9% dos pontos disputados contra 59,5% do rival. O time sofreu duas derrotas e empatou um jogo. Também foi o único que ganhou de todos os adversários que enfrentou, já que enfrentou todos os rivais em jogos de ida e volta. A vitória do Morumbi serviu, também, para quebrar a invencibilidade de 13 partidas do Corinthians na competição. "Ganhou o melhor. Sou bicampeão", afirmou. O recado, além de ao técnico corintiano, tinha também como endereço o Parque São Jorge. O treinador foi campeão paulista com o Corinthians em 97 e, no começo do Brasileiro, deixou o clube, afirmando que "não sentia mais felicidade em trabalhar lá". "As pessoas lá dentro (no Corinthians) viram como se trabalha. Eu agora estou no time que dá condição de trabalhar", afirmou.

DIRETORIA DEDICA TÍTULO A DE REY
Ex-presidente do SP foi lembrado pela diretoria A diretoria do São Paulo dedicou a conquista do título a Fernando Casal de Rey, que presidiu o clube durante quatro anos, deixando o cargo no mês passado. Nesse período, Casal de Rey ganhou apenas a Conmebol, torneio sul-americano, em 1994. José Augusto de Bastos Neto, que assumiu o São Paulo há menos de um mês, lembrou que seu antecessor passou parte de sua administração cuidando das reformas do estádio do Morumbi. "O Fernando formou este time, um time jovem, mas de muito potencial'', afirmou Bastos Neto. "Eu não fiz nada para conquistar este título. O título é dele, do Nelsinho e de todos os jogadores.'' Para o presidente, o meia Raí na final foi importante. "Mas também no tocante ao Raí, vocês têm de escrever que foi o Fernando quem o trouxe para o São Paulo.'' Bastos Neto, que ganhou as eleições contra Marcelo Portugal Gouveia, candidato de oposição, afirmou ainda que tinha certeza de que o time venceria o Paulista deste ano. "Já tínhamos preparado os rojões. O São Paulo vinha jogando muito bem e seria uma injustiça se não ficasse com a taça.'' O zagueiro Bordon, um dos primeiros a ser cumprimentado pelo presidente, preferia enaltecer o espírito de luta da equipe em campo. "O São Paulo é um time de caráter. Tinham dito que nós não conseguiríamos vencer o Corinthians, que éramos imaturos, mas mostramos que com vontade a história é outra.''

DENÍLSON CHORA NA DESPEDIDA
Craque fez sua ultima partida em São Paulo O meia-atacante Denílson, do São Paulo, teve uma crise de choro assim que o árbitro apitou o final do jogo contra o Corinthians, nesta tarde, no Morumbi. ''Foi como eu pedi a Deus'', repetia o jogador, enquanto era abraçado por seus companheiros de equipe. ''Não podia deixar o Morumbi sem este título. Seria uma grande injustiça.'' Denílson, que fez seu último jogo pelo São Paulo na capital paulista antes de reforçar o Betis, da Espanha, afirmou que ''um dia'' ainda volta ao Morumbi. ''Infelizmente estou saindo do São Paulo agora que vamos começar a ganhar título atrás de título, mas espero voltar mais para a frente.'' Sobre o fato de ter reclamado muito durante a partida, Denílson disse que o Corinthians chegou a abusar das faltas quando o jogo estava empatado. ''Quem queria jogar futebol era o São Paulo. Nós não fazíamos cera. Quando eles conseguiram fazer 1 a 1, passaram a chutar para o mato'', afirmou o atacante. Quanto à reserva na seleção brasileira, agora que perdeu a posição para Giovanni, Denílson não fez comentários.

FRASES
''Fiquei magoado, sim. E eu não fui o único. Só porque perdemos um jogo, a imprensa e a torcida entraram na onda de dizer que éramos imaturos, que eu falhei nos gols do Corinthians, que não era um bom goleiro. Demos a resposta em campo''. Rogério Ceni

''Acontece que não é todo domingo que chove''. Rogério Ceni

''A vida é assim. Agora, vão dizer que somos o melhores, né?'' O goleiro afirmou que o destaque da vitória de seu time foi o volante Alexandre. ''Ele foi um gigante. Na Copa de 2002, tenho certeza de que estará lá.'' Rogério Ceni

"O Nelsinho depositou confiança muito grande em mim. Eu disse que, se me dessem cinco jogos como titular, não sairia mais do time". França

"Não é mole não, roubar a lusa para ser vice-campeão". Torcida são-paulina

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